Michel Temer faz sua primeira visita ao Nordeste e no Ceará anunciará medidas para agricultores atingidos pela seca

Presidente da República autorizará a renegociação de dívidas agrícolas de 1,5 milhão de trabalhadores cearenses

Fonte: Beto Barata/PR
Michel Temer estreia no Nordeste

(Brasília-DF, 09/12/2016) Com objetivo de reverter a imagem negativa do seu governo e melhorar os índice de popularidade na região, o presidente da República, Michel Temer, faz nesta sexta-feira, 09, sua primeira visita ao Nordeste, desde que assumiu o cargo definitivamente no dia 31 de agosto passado.

Nessa primeira viagem, a comitiva a comitiva presidencial visitará dois estados: Ceará e Pernambuco.

No Ceará, Temer vai assinar a Regulamentação da Lei nº 13.340, autorizando a liquidação e renegociação de dívida de crédito rural. A medida beneficiará 1,5 milhão de trabalhadores rurais de vários municípios cearenses.

O ato acontecerá na sede administrativa do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza, às 17 horas e contará com a presença de autoridades locais, além de deputados, senadores e ministros.

Um dos parlamentares presentes ao evento será o líder do PMDB no Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que foi relator da Medida Provisória (MP) que autorizou a renegociação das dívidas dos trabalhadores rurais prejudicados pela seca – uma das principais bandeiras de luta do senador peemedebista.

A primeira lei que estabeleceu critérios para essa renegociação, inclusive, recebeu o nome do parlamentar, dada à sua atuação em benefício das famílias que trabalham com a agricultura e a pecuária nas áreas compreendidas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Lei da Renegociação

A Lei 13.340, de 28.09.16, oriunda da Medida Provisória 733, de 14.06.2016, foi negociada pelos senadores nordestinos, junto a equipe econômica do governo e ao próprio presidente da República.

“Levamos nossa preocupação ao conhecimento do presidente e ele prontamente nos atendeu. Com a regulamentação, os pequenos agricultores terão nova oportunidade de retomar suas produções, manter seu nome limpo e não se submeter a qualquer risco de perder suas propriedades”, disse Eunício Oliveira, destacando que Temer “se manteve sensível aos problemas enfrentados pelo pequeno produtor.”

De acordo com o parlamentar, a lei vai permitir que os produtores rurais, que há vários anos sofrem com perdas de rebanho e de safra devido às intempéries climáticas, resolvam suas situações de débitos com os bancos públicos.

Operações de crédito

Somente no Banco do Nordeste, serão contempladas 860 mil operações de crédito rurais, mais de 134 mil somente no Ceará, as quais poderão ser liquidadas com descontos de até 95% da dívida. Ao todo, serão beneficiados 1,5 milhão de agricultores das regiões Norte e Nordeste. Já nos casos em que o produtor estiver em cobrança judicial, o mesmo ficará livre de pagamento de honorários advocatícios ou de custas processuais.

Mais de 90% dos produtores rurais beneficiados com a ei são constituídos de adeptos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de pequenos produtores que dedicam suas vidas às atividades no campo e que esperavam uma oportunidade para solucionar suas dívidas.

Temer e o Ceará

A Bancada Federal do Ceará no Congresso Nacional ressalta que o atual governo federal tem dedicado especial atenção aos pleitos encaminhados pelos parlamentares cearenses.

“Nos últimos cinco meses, por exemplo, o Executivo Federal tem triplicado o valor direcionado às ações de enfrentamento à seca. Para iniciativas emergenciais e que dão continuidade às grandes obras, como o Cinturão das Águas, já foram destinados R$ 115 milhões. Isso é três vezes mais que a média do governo anterior”, revela o senador Eunício. “Além de ter liberado R$ 40 milhões para desenvolver o planejamento de enfrentamento da seca somente em Fortaleza e Região Metropolitana”, acrescentou.

(Por Gil Maranhão – Agência de Notícias Política Real. Edição: Genésio Jr.)

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Parlamentares de três estados do Nordeste criam movimento para cobrar continuidade de ferrovia

Grupo formado por congressistas do Ceará, Pernambuco e Piauí querem formalizam documento que será apresentado ao governo Michel Temer
Fonte: Montagem Política Real
Júlio César, coordenador do Nordeste

(Brasília-DF, 09/12/2016) Congressistas dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí formalizaram nesta quinta-feira, 08, um grupo suprapartidário em “Defesa da Continuidade das Obras da Ferrovia Transnordestina”.

A ideia é criar uma “força-tarefa”, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, para levanta a situação atual dos trabalhos em cada trechos, nos três estados nordestinos, fazer um estudo do impacto econômico e social da ferrovia e perspectiva de integração da região Nordeste com o restante do País e até em nível internacional.

O movimento elaborou um documento que será apresentado ao governo Michel Temer, cobrando investimentos para a retomada da obra e celeridade das ações, pra que a ferrovia seja entregue de forma definitiva no novo cronograma divulgado pela empresa Transnordestina Logística S.A, ligada à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), responsável pela obra.

O grupo tem à frente o coordenador da Bancada Parlamentar do Nordeste no Congresso Nacional, deputado Júlio César (PSD-PI), e os coordenadores das bancadas federais dos estados do Ceará – deputado José Airton Cirilo (PT-CE); de Pernambuco – deputado Carlos Eduardo Cadoca (PDT-PE); e do Piauí – deputado Assis Carvalho (PT-PI).

Impacto econômico

No aspecto econômico, o documento destaca que estudos recentes demonstram que o potencial de movimentação de cargas que a Transnordestina poderá transportar serão de cerca de 12,5 milhões de toneladas/ano, entre produtos agrícolas, minerais e líquidos, até 2020, podendo chegar a 61,9 milhões de toneladas/ano em 2057.

O grupo destaca, ainda, nessa área, que o projeto da ferrovia “intenciona elevar a competitividade da produção agrícola e mineral na região, com uma logística que une uma ferrovia de alto desempenho e portos de navegação profunda, que podem receber navios de grande porte, reduzindo custos logísticos de exportação e também atrair novos empreendimentos para a região”.

Aspecto social

Na área social, o movimento destaca que o novo sistema de transporte ferroviário proporcionará relevantes benefícios à população.

“A chegada da ferrovia Transnordestina muda a vida de toda uma cidade e seus moradores, além de trazer o desenvolvimento regional equilibrado no Nordeste”, diz o manifesto dos parlamentares, destacando que a obra vai gerar mais de 500 mil novos empregos em diversas áreas produtivos, além de melhorar o meio ambiente “com uso intensivo de um meio de transporte menos poluente” e também aumentar a arrecadação de impostos.

Integração

Os parlamentares também enfatizam que a ferrovia Transnordestina proporcionaria significativos efeitos sobre a integração da economia regional. “Estas ligações promoverão maior articulação com o polo dinâmico nacional e do próprio Nordeste”.

Mas afirmam que para tudo isso acontecer é necessário que algumas medidas tenham cunho efetivo para a retomada das obras e conclusão do projeto em um total de 1.753 Km.

As reivindicações

As reivindicações que os parlamentares do Ceará, Pernambuco e Piauí pretende apresentar ao presidente Michel Temer são cinco. A primeira é a liberação de financiamento por meio dos bancos oficiais de fomento. Outra é o pagamento de recursos estaduais e federais que estão atrasados. A terceira proposta é a substituição de construtoras para poder retomar os trabalhos.

Os congressistas cobram, ainda, a captação de investimentos privados. A quinta reivindicação é que o governo federal libere o aporte do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste – que no inicio do ano era de mais de R$ 2 bilhões, e o atual governo retirou deixando apenas R$ 400 milhões.

(Por Gil Maranhão – Agência de Notícias Política Real. Edição: Genésio Jr.)

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Instituições resolveram testar os seus limites, pondo em risco a democracia

Resultado de imagem para volta dos militares charges

Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Diogo Rais
Folha

O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello utilizou-se de um dos instrumentos de que dispõe o Poder Judiciário para jurisdicionalmente afastar o presidente do Senado. Porém, a base de sua decisão se sustentou em um julgamento que não foi concluído, embora a maioria do STF tenha manifestado entendimento em vedar a permanência de réu na linha de substituição da Presidência da República. Como já é de conhecimento, em uma rápida reação, a Mesa do Senado decidiu politicamente não cumprir a decisão do ministro.

São fatos inéditos e talvez não seja possível afirmar tecnicamente quem está certo, pois entre o certo e o errado há uma infinidade de possibilidades e variáveis.

Mas a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio, parcialmente referendada pelo plenário da corte, ainda que tenha sido tomada com base em uma “quase decisão” do STF é revestida de jurisdicionalidade. Como tal, deve-se pressupor como legítima, assim como a decisão do colegiado.

FUNÇÃO TÍPICA – Não se trata de aferir se a decisão judicial é a melhor ou pior, se está adequadamente fundamentada ou não, se realmente atende os requisitos de urgência ou não, mas sim se é produto da função típica do Poder Judiciário.

As decisões monocráticas e colegiadas no âmbito do STF diferem, em regra, por sua estabilidade. A autoridade máxima do tribunal é o seu plenário, que tem competência para rever ou manter quaisquer decisões desde que em ambiente processual adequado, tendo ainda o poder –mediante o cumprimento de alguns requisitos– de vincular todos os órgãos e julgadores do Poder Judiciário.

O conflito entre os Poderes não se instaurou por causa desta decisão, e não parece que terminará com ela. O que se tem é um momento em que o silêncio parece impossível, e não podem ser ignorados os ruídos provocados pelos avanços dos limites institucionais de cada Poder.

REVER OS LIMITES – Parece que a cada momento as instituições brasileiras resolveram testar os seus próprios limites, avançando um pouco, e depois mais um pouco e mais um pouco…

Tanto o Judiciário quanto o Legislativo devem rever seus limites. A melhor forma para isso seria arrumando a própria casa, já que todo movimento de um Poder sobre o outro parece inflamar ainda mais os ânimos, podendo pôr em risco a estabilidade e a própria democracia.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

A ‘taxa de oxigênio’

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues

Logo que li sobre os desmandos de Adriana Ancelmo e Sergio Cabral pensei num dos personagens mais bem desenhados da literatura francesa, o père Grandet, que o autor descreve como um homem com uma monomania: colecionar moedas e peças em ouro, amealhar, empilhar, tê-las sempre ao alcance da mão e dos olhos. Ele as guardava num gabinete ao lado de seu quarto, cuja chave só ele e sua filha tinham.

Quando sua saúde começou a fraquejar, ele não queria mais sair de perto da porta do bendito gabinete e perguntava muito à filha: “Está tudo lá? Está tudo lá?”, num tom de voz que denotava uma espécie de pânico.

E quando ela respondia “Sim, meu pai”, ele lhe ordenava: “Cuida do ouro; põe um bocado aqui diante de mim”. E aí passava horas sem fim com os olhos fixos nas moedas, um sorriso de beatitude. E dizia, sincero: “isso me aquece”.

Quando chegou sua hora e que o pároco da aldeia veio lhe dar a extrema-unção, seu olhar, que já parecia morto, se reanimou ao ver o crucifixo em vermeil que se aproximava de seus lábios: ele fez um gesto brusco tentando pegar todo aquele brilho. O movimento encurtou ainda mais seu fim. Chamou pela filha que, ajoelhada ao lado da cama chorava copiosamente, e lhe disse: “Cuida bem de tudo. Você há de me prestar contas do outro lado”. E morreu.

Estudando melhor o assunto, vi que estava enganada. O casal Cabral compartilhava com o père Grandet o amor ao ouro, é verdade, a ganância, a cobiça, mas não, que se saiba, a avareza.

Passei então de um extremo ao outro e fui me dedicar a reler os quadrinhos do tio Patinhas, que mergulhava em sua montanha de moedas e dormia feliz, quase enterrado nelas. Também ele um belo de um pão duro, a ponto de seu nome ter virado sinônimo de sovinice. Isso já o distingue do ex-governador e sua mulher, que de sovinas não têm nada.

Mas uma coisa eles inegavelmente compartilham: a bazófia, o exibicionismo, o desbunde. É célebre a frase do tio Patinhas para seu motorista: “Qual a vantagem de ter cinco bilhões de quintilhões de dólares e não poder exibi-los?”.

Só isso explica a necessidade de tanto luxo, tantas joias, sapatos e bolsas, de tantos vestidos e adereços caríssimos, dos vinte ternos su misura encomendados ao alfaiate da alta sociedade europeia, Ermenegildo Zegna, cujo site ostenta a frase: “Gifts for the modern man”. E obras de arte, lanchas, jet skis, cavalos e carros, e casas de praia e viagens milionárias, pois era preciso ter aonde ir com tantas roupas e joias deslumbrantes, não é verdade?

Consta que o esquema da dupla rendeu mais de R$220 milhões. É tanto dinheiro que, francamente, custei a acreditar nessa informação. Mas, em seguida, foi divulgado que o ex-governador recebia um percentual sobre cada contrato assinado por ele – conhecido como ‘taxa de oxigênio’ – em forma de ‘mesadas’ que podiam ir de 200 a 500 mil reais. E Adriana, segundo sua secretária, recebeu semanalmente, entre 2014 e 2015, como ‘taxa de oxigênio’ de empreiteiras, cerca de R$300 mil, em dinheiro, que chegavam ao seu escritório dentro de singelas mochilas…

Ficou mais fácil acreditar no monte de R$220 milhões. O que ainda é muito difícil de acreditar – de compreender – é o que leva um casal jovem, bem sucedido, ele numa carreira política em ascensão, ela uma advogada considerada por muitos como brilhante, a arrebentar com suas vidas e a de seus filhos e pais. O que será que eles sentem hoje lá em Bangu?

Se você vier ao Rio, observe o número impressionante de moradores de rua, ou de andarilhos maltrapilhos com cara de muita fome, que estão espalhados por nossa cidade. E pense em Sergio Cabral e Adriana Ancelmo.

Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo (Foto: Reprodução / Diário do Poder)Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo (Foto: Reprodução / Diário do Poder)
Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

DO REI SALOMÃO A PÔNCIO PILATOS

Dos vexames oferecidos nos últimos dias pelo Senado e o Supremo Tribunal Federal, destacam-se dois, coisa que não afasta a contundência de outros. Mas não dá para entender o comportamento de Renan Calheiros, escondendo-se do Oficial de Justiça encarregado de citá-lo como réu. Um presidente do Senado brincando de “pique” seria cômico se não fosse trágico, tudo fotograficamente registrado.

No reverso da medalha, também expõe ao ridículo o “acordão” entre os ministros da mais alta corte nacional de Justiça, decididos a proibir o presidente do Senado de hipoteticamente assumir a presidência da República, mas livre para presidir a casa da qual não foi expelido.

Se quiserem, vale incluir o presidente Michel Temer, que não desceu de cima do muro e estimulou a quebra das obrigações do Judiciário e do Legislativo.

Não ficou de fora o decano dos integrantes do Supremo, Celso de Melo, com uma volta de 180 graus em suas concepções jurídicas. E muitos outros vexames que tiraram dos três poderes da União o que lhes restava de dignidade. Valeu tudo nesse capítulo de horror encenado por magistrados, parlamentares e governantes. Buscaram refúgio no rei Salomão mas terminaram como Pôncio Pilatos. Ignoraram a manifestação de centenas de milhares de cidadãos que no último domingo deixaram bem claros seus sentimentos. Entregaram os anéis e os dedos.

Em vez de desempenharem um espetáculo de harmonia e independência, confundiram os preceitos da Constituição e demonstraram completo despreparo para lidar com as instituições, mais uma vez postas em frangalhos.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

O PAÍS É UM BARCO À DERIVA E SEM GUIA PARA BOTÁ-LO NO RUMO

Morreu o poeta Ferreira Gullar (1930-2016) e, com ele, mais uma voz que fará muita falta ao país. Como dizia um velho retireiro, que viveu a vida na ordenha do gado, a “morte sempre fez parte da vida”. Referia-se ele tanto aos homens quanto às vacas, que lhe deixavam saudades quando morriam ou, simplesmente, se esgotavam de tanto “dar leite”. Com certeza, a morte de um poeta faz, sim, “parte da vida”, poderíamos dizer todos nós, mas com substancial diferença: o poeta nos deixou, mas sua obra atravessará os séculos. Como colunista, além da arte da qual nunca se afastou, Gullar foi um bravo defensor da liberdade.

De lá, no tranquilo céu dos justos, o poeta mais uma vez constata, com a clareza de sempre, que o mundo se transformou numa verdadeira Torre de Babel. E que Jeová, o Deus hebraico, voltou agora a nosso país para impedir que os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo se entendam. Cada um fala uma língua diferente, em nome, não raras vezes, do corporativismo, da soberba e da vaidade. O país que se arrebente, dirão os homens poderosos e mantenedores de privilégios.

Nunca alimentei, leitor, qualquer dúvida a respeito da operação Lava Jato. Ela não é apenas necessária, mas indispensável. Não pode ser interrompida nem, muito menos, desvirtuada em suas finalidades. Estão de parabéns, portanto, juntamente com a imprensa escrita, falada e televisada, todos os que a ela se dedicam: procuradores da República, promotores, policiais federais, juízes de modo geral, incluído aí o ministro Teori Zavascki, mas, sobretudo, o juiz Sergio Moro, que nasceu juiz e morrerá juiz. Todos contam com importante base administrativa de apoio, que nunca aparece. Eventuais erros, por ação ou omissão, são compreensíveis. Ninguém ali é fruto da perfeição.

Tudo, porém, seria mais fácil se, desde o início – e em nome da estupefata nação brasileira, que diariamente acorda com notícias simplesmente trágicas –, políticos, procuradores, promotores, juízes e ministros etc. falassem uma só linguagem. É preciso ter em mente que a situação atual do país não se deve apenas à classe política ou a qualquer outro seguimento. Somos – todos nós – o resultado de uma sociedade patrimonialista que nunca conheceu outro modo de agir. Para ela, o que sempre valeu foi o eterno jeitinho. A classe política, repita-se uma vez mais, é o reflexo único e puro da sociedade brasileira. E, para o bem ou para o mal, o país evoluiu e, finalmente, exige respeito.

Na manhã de ontem, quando se homenageavam os ativistas dos direitos humanos, em sessão aberta pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o oficial de justiça Wessel Teles de Oliveira procurava o senador Renan Calheiros, atual presidente do Senado, com o propósito de lhe entregar envelope que continha a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio Mello, cujo objetivo era este: Renan teria que ser imediatamente afastado do cargo, tendo em vista liminar concedida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 402), impetrada pelo partido (político) Rede Sustentabilidade. A decisão contra o chefe de outro Poder sem aprovação do pleno do STF, e a iniciativa tomada pela Mesa do Senado (de esperar a decisão do pleno), fez com que o fogo se alastrasse ainda mais, chegando às culminâncias sobretudo depois da interferência do ministro Gilmar Mendes, pedindo punição para Mello.

E agora, atônitos, perguntam os brasileiros, dos mais novos aos mais velhos: o país, afinal, mais uma vez, dependerá do STF?

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

DECISÃO JURÍDICA OU POLÍTICA?

Sentença judicial não se discute? Não é verdade. Decisões do Poder Judiciário não estão imunes à análise, sobretudo quando proferidas em conflitos de relevante interesse público.

A transmissão pela TV de julgamentos polêmicos redobrou a curiosidade popular sobre personagens que permaneciam envoltas em nuvens de mistério, entre os muros dos grandes tribunais. Até então, despachos e decisões atraiam o interesse apenas de magistrados das instâncias inferiores, e dos escritórios de advocacia. A transferência da  capital da República do Rio de Janeiro para Brasília alargou as distâncias entre os Três Poderes e a população dos Estados litorâneos, contribuindo para aumentar o  nível de ignorância.

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Eclesiastes). A televisão é eficaz fertilizante da vaidade. A partir do dia em que as sessões passaram a ser vistas por milhões de telespectadores, o procedimento de recatados magistrados, caracterizados pela discrição, passou a experimentar mudanças. Já não mais bastava ler o voto, tornou-se necessário revelar erudição ao preço de cansativa prolixidade. Com o propósito de serem reconhecidos e admirados, alguns trataram da elegância, vestindo a toga como casula papal.

O polêmico caso do senador Renan Calheiros alimentará o noticiário, até surgir algo mais contundente no cenário político. Como velho advogado e aprendiz do direito, permito-me engrossar a corrente que sustenta o acerto da decisão da Suprema Corte. O senador é réu em ação penal? Sim. Está prestes a assumir a presidência da República? Não. Entre S. Exa. e a curul presidencial temos o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Ambos os dois – como escreveu Ruy Barbosa na Réplica – não emitem sinais de que pretendem renunciar, tampouco correm risco de afastamento.

Inexiste perigo iminente de o senador Calheiros ser empossado na presidência da República. Trata-se de previsão constitucional, dependente de condições diversas que, certamente, não acontecerão.

Deferimento de medida judicial acautelatória, sem audiência do réu para se explicar, mediante despacho pessoal e urgente, apenas se e quando a gravidade do momento o exija, e se encontre demonstrada. Houve, em meu modesto entendimento, violação do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal (Constituição, art. 5º, LIV e LV).

Dito de maneira simples, julgou o Supremo no exercício da competência que lhe reserva a Constituição, para conservar íntegros os fundamentos do Estado de Direito Democrático.

A cautelar, prevista no Código de Processo Civil, bem como a prisão preventiva, contemplada pelo Código de Processo Penal, são providências radicais, extremas, de exceção, cujo uso, com todo o respeito àqueles que pensam de maneira diferente, não pode  ser vulgarizado.

 

Almir Pazzianotto Pinto foi minstro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

VAI PRA CASA, PADILHA

Com a crise, as críticas crescem: é notório o desmantelamento do quarteto Temer, o núcleo duro formado para o governo da transição. Primeiro, caiu Jucá, depois Geddel e, agora, noticia-se que crises de hipertensão têm levado para casa o ministro Padilha.

Do temerário noyeau dur – parece – restará um: o Moreira que teria armado a cama de gato angorá para o baiano que gosta de viver acima do teto e tem sido mal falado nos corredores e salas da Câmara e do Senado.

Como no tempo dos vice-reis, vive-se a crise dos vices. Entre conversas e recuos, o vice Temer parece ainda viciado em mesóclises, temeroso de assumir, o vice Maia tenta escapar de vaia e o vice Jorge apela a São Jorge para não assumir o lugar de Renan e trazer a crise de volta ao colo do PT. À sombra vicejam outros vices cheios de vícios.

A fritura já queima o guardião das incertezas do tesouro. Diante da impossibilidade de saída mágica para a crise, vem revelar, depois de 7 meses, que “estamos em um processo de discussão sobre o que precisamos fazer”.

O que terá dado errado? Parecia tão fácil a travessia da ponte para o futuro…

O que há: em país sem norte, sem bússola, que em 100 dias deu cabo de três Presidentes, um por impeachment, outro por prisão. Restou apenas Carmen Lúcia, que assumiu a presidência do STF e, como José Linhares, está na linha de sucessão.

Agora é Natal com suas listas de desejos e esperanças renovadas. E a esperança não pode morrer. Já não é tempo de festejos juninos, não é mais tempo de quadrilha. Vai prá casa Padilha. Vai prá casa, Renan.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

UM PARDIEIRO CHAMADO BRASIL

Barra de São Miguel, AL – As instituições brasileiras vivem o seu inferno astral desde que o PT se implantou no país e transformou a nação em um grande pardieiro. Começou com o mensalão e terminou na Lava Jato, a maior operação contra a corrupção que se tem notícia no mundo. E para animar a festa no chatô, os brasileiros foram às ruas e despediram a Dilma da presidência. Agora, assiste-se a outro pandemônio político: o ministro Marco Aurélio Mello, com uma canetada, decreta o expurgo de Renan da presidência do Senado, influenciado, como ele próprio descreveu na liminar, pelo barulho das ruas. O ministro foi taxado de louco por seu colega Gilmar Mendes, que ainda pediu o seu impeachment.

 

O país está na contramão da história desde que os petistas botaram o pé em Brasília e montaram a maior organização criminosa da história. Ocuparam as estatais, criaram a república sindical e a partir daí saquearam os cofres públicos em bilhões de reais, como descobriram os investigadores da Lava Jato. Na onda da operação que desmontou a quadrilha petista, alguns juízes decidiram também enfrentar com coragem e determinação outros escândalos localizados. Assim é que prenderam o casal Cabral e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no Rio.

 

Mas o que de verdade está acontecendo com o Brasil? Um vendaval de desordem institucional de proporções inimagináveis, onde ministros do STF não se entendem, empresários decidem delatar seus parceiros políticos e os partidos se unem para defender o indefensável, os seus interesses. Na outra ponta, no Executivo, um presidente que não cansa de tentar justificar o malfeito dos seus auxiliares. Desde que assumiu, Temer já foi obrigado a descartar vários de seus ministros, quase todos envolvidos em escândalos. Isso mostra que o presidente tinha poucos nomes fora do seu convívio para ocupar os cargos de maior envergadura no seu governo. Valeu-se, portanto, dos amigos mais íntimos que, como peças de dominó, caem um a um. Isso só mostra que não vivia cercado de boas companhias.

 

Com uma base parlamentar sólida dentro do Congresso Nacional, o presidente ainda tenta encontrar um caminho para tirar o país dessa tormenta. Foi buscar em Henrique Meirelles o elixir da salvação, mas o ministro da Fazenda ainda não viu luz no fim do túnel para incentivar o crescimento e gerar emprego e renda para milhares de brasileiros afetados pela crise criada pelo famigerado governo petista. Agora, além de se preocupar com os destroços da economia, Meirelles tenta também apagar o fogo da sua fritura. Já negou, mas não convenceu o mercado que fala na sua saída do ministério.

 

É o Brasil em ebulição, vivendo uma das suas maiores crises políticas, econômica e sobretudo ética. É o Brasil que empobrece, que se envergonha, mas que vai às ruas exigir o fim da corrupção. É o Brasil que se frustra, que vive em crise permanente. É o Brasil que assiste perplexo políticos como Sérgio Cabral colecionarem milhões e milhões de reais em joias raras com dinheiro roubado de obras públicas. É o Brasil que se afunda na maior crise financeira com a falência já decretada de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de janeiro até então estados produtivos e saudáveis financeiramente.

 

É o Brasil que se sente impotente diante dos altos salários que criam os milhares de marajás no Executivo, no Parlamento e no Judiciário. Que se sente impotente porque sabe que muitos desses privilegiados servidores legislam em interesse próprio, não querem largar a rapadura. É o Brasil que não respeita a lei, que orgulhosamente gosta de praticar a lei de Gerson, aquela que incentiva “levar vantagem em tudo”.

 

Diante de tanto descalabro moral e ético, onde vai parar o país? Ninguém sabe. O que se sabe, de verdade, é que a Lava Jato prospera, cresce como fermento, mas poucos arriscam saber o tamanho desse bolo. É este o legado que um bando de sindicalistas irresponsáveis deixa para o Brasil, hoje um país tonto e sem rumo. É o salve-se quem puder.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Urgente! Vereador de Godofredo Viana acaba de ser executado

Vereador eleito diplomado na manhã desta quarta-feira.
Do Blog do Neto Weba.
O  Vereador eleito César Augusto, popular César da Farmácia (PR), foi executado agora a pouco na cidade de Godofredo Viana, a 860 km de São Luis.
Segundo informações de populares, o vereador eleito foi executado com três tiros dentro da própria farmácia a qual era dono. César chegou a ser diplomado na manhã desta quarta-feira (07) pela Justiça Eleitoral.
Até o momento a polícia não sabe o motivo do crime.
Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário