LULA E DILMA EM TEMPOS DIFÍCEIS

JOÃO PAULO PEIXOTO

Nos últimos dias acentuaram-se na mídia as críticas e insinuações discretas ou explicitas à atuação da presidente disparadas pelo ex-presidente Lula, sem que se identifique claramente o que pretende.

Não somente dele vem as críticas, é claro. Elas estão presentes até mesmo em analogias ao acontecido com Pedro em relação a Jesus, que depois de jurar lealdade, o negou três vezes, como lembrado em recente artigo publicado em jornal estrangeiro. E aqui mesmo, surgiram comentários do tipo criador contra a criatura.

Para ficar num episódio ocorrido durante o regime militar, só está faltando ao ex-mandatário parafrasear o ex-presidente Geisel em relação à escolha do seu sucessor, quando afirmou este não é o Figueiredo que escolhi, e dizer: esta não é a Dilma que escolhi. Quem diria, hein?

A roda da política gira mais rápido do que se pode prever. Misturando personagens tão diferentes em tempos tão distintos.

O atual isolamento da presidente não ajuda em nada a desmentir tais críticas, e consequentemente, enfrentar estes tempo dificílimos de crise econômica e descoordenação política no seu governo. Para não mencionar as acusações de corrupção que não cessam. Ao contrário, se avolumam contra seu partido, governo e alguns de seus membros.

Como que buscando folego, sua agenda internacional vem sendo retomada com duas viagens em 15 dias, EUA e Rússia. Nos Estados Unidos ouviu uma palavra ostensiva de confiança do presidente Obama. Não é pouca coisa, mas seria parte da ajuda que ela precisa? Vai funcionar?

Mas, com quem conta efetivamente a presidente Dilma, em vista do apoio popular baixíssimo em relação a ela própria e ao seu governo. Será o seu partido o sustentáculo de que precisa para atravessar mares tão revoltos?

E o PMDB continuará aliado, mesmo com as desavenças políticas e ideológicas que o clima no Congresso demonstra por meio das palavras de seus líderes, medido pelos resultados de seguidas votações importantes.

São muitas interrogações, é verdade. Mas o momento político não sugere nada muito diferente.

Assim, não precisa muito esforço para imaginar as dificuldades que virão para a presidente e o governo nos próximos meses.

A questão é saber o que poderá ser feito para reconquistar o que está sendo perdido. E em quanto tempo. A roda do tempo não para, é bom lembrar. E a oposição está disposta a fazê-la girar com mais velocidade. Chegando inclusive a comparar, em termos de solidez, o atual governo com o de João Goulart em benefício daquele. Embora a história somente se repita como farsa ou tragédia, lembrando Karl Marx, o desdobramento de crises políticas graves como a atual é de certa forma imprevisível.

Em todo caso, e em qualquer hipótese, a atual não deixa de representar um forte teste para a solidez democrática e institucional que o país vive. Olho vivo, portanto.

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DILMA SEM ESCADA E SEM PINCEL

CARLOS CHAGAS

Quem dá a última palavra para aumentar os juros (e a primeira, também) é o presidente do Banco Central. E quem escolhe o presidente do Banco Central é o presidente da República. Não há como fugir dessa evidência linear.

Sendo assim, quando se elevam continuadamente os juros, a responsabilidade maior é da presidente Dilma, mesmo se tiver sido convencida por Alexandre Tombini.

Começou esta semana nova e intensa campanha de crítica aos 13.75% em que se encontra a taxa de juros, mas com uma peculiaridade: quem dessa vez lidera o protesto é o PT, na voz de seu presidente, Rui Falcão, da bancada do partido no Congresso e até de alguns ministros do governo de Madame. Junte-se aos companheiros os partidos da base palaciana, do PC do B ao PMDB .

Traduzindo: até a torcida do Flamengo insurge-se contra a mais alta taxa de juros do planeta, que privilegia especuladores e bicões, porque pode faltar dinheiro para a educação e a saúde, mas jamais faltará para remunerar vigaristas nacionais e estrangeiros empenhados em lucrar a qualquer custo. A situação aproxima-se daquilo que décadas atrás Delfim Neto denunciou como um dos grandes escândalos da economia brasileira, o capital-motel, aquele que chegava de tarde, passava a noite e ia embora de manhã, depois de haver estuprado um pouco mais nosso desenvolvimento.

Ou Dilma decide interromper e reduzir a farra dos juros, condição essencial para a retomada do crescimento econômico, ou fica literalmente sem o apoio de sua última base de sustentação, o PT. Porque nenhum, entre os companheiros, está evitando a condenação explícita à política de juros praticada pelo Banco Central. Já se disse que a presidente se encontrava segurando o pincel, sem escada, nessa atualidade bicuda que nos assola. Pois agora está perdendo o próprio pincel.

É claro que se for para atender os reclamos dos poucos que ainda a apoiam, Dilma precisaria ousar, isto é, dispensar não apenas Alexandre Tombini, mas toda a equipe econômica, com Joaquim Levy à frente. Ele também participa da febre dos juros, banqueiro fiel que era antes de ser nomeado. Ou continua sendo?

Para fechar o tema, é bom lembrar que o próprio Lula insurge-se contra os percentuais de juros vigentes. Há uma semana sustentou, em reunião com deputados e senadores petistas, a ampliação do crédito.

A PAUSA QUE AUMENTARÁ A FERVURA

Em vez de refrescar, aumentará a temperatura a pausa nos trabalhos do Congresso, da próxima semana ao final do mês. Deputados e senadores passarão o recesso em suas bases e colherão mais demoradamente o sentimento de seus eleitores diante da crise econômica que virou política, envolvendo o governo Dilma. Sem aferir a tendência popular, nem os tribunais nem o Legislativo ousarão dar passos definitivos no rumo do impeachment e sucedâneos.

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AGORA É OFICIAL! Pedro Custódio declara apoio ao Grupo Político da ex-Prefeita Iara Quaresma

Rodrigues e Pedro Custódio ao centro, ladeados pelo grupo político.

Por Blog do Alpanir Mesquita.

O empresário e segundo colocado a prefeito nas eleições de 2012 em Nina Rodrigues Pedro Custódio confirmou o que o Blog já havia publicado, mas que algumas pessoas insistiam em negar: Pedro Custódio é o mais novo membro do Grupo Político da Ex-Prefeita Iara Quaresma (PDT).

O martelo foi batido na tarde deste domingo (05) com festa regada a bastante comida e bebida em sua fazenda. Pedro chega ao grupo com cacife de pré-candidato a prefeito nas eleições do ano que vem, ao lado de Iara Quaresma, do empresário Rodrigues e do vice-prefeito do município Ivaldo Cruz. Cada um vai buscar seu espaço e o que tiver melhor aceitação pela população será ungido pelos demais membros.

Além dos já citados, estiveram presentes na festa os vereadores Erlan, Cita Braga, Rosa, Sâmara e Dolores; os ex-secretários Zacarias Neto, Totô e Constâncio; o presidente do PDT Agnaldo; Luciana do Braguinha; e demais membros e aliados do grupo.

Quem deve estar furioso com a notícia é o ex-prefeito Jones Braga (PMDB). Como todos sabem, Pedro Custódio era aliado histórico de Jones. Inclusive, em conversa com o Titular do Blog, Jones negou e disse que não existia a mínima possibilidade dessa aliança, mas pelo visto ela concretizou-se. E agora Jones?

Quem também deve estar com medo é o atual Prefeito Riba do Xerém (PRB), pois enquanto ele enfrenta grande rejeição e grande dificuldade em administrar a cidade, a principal Líder Política de Nina Rodrigues Iara Quaresma segue se articulando e se fortalecendo para vencer mais uma eleição.

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Dilma convoca reunião com conselho político após PSDB defender novas eleições

Presidente decidiu agendar encontro um dia depois de o principal partido da oposição manifestar apoio a novas eleições durante a convenção nacional

AE

 

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Um dia depois de o PSDB realizar convenção em que tucanos defenderam a realização de novas eleições antes de 2018, a presidente Dilma Rousseff decidiu convocar reunião do conselho político para avaliar a atual conjuntura, em meio à retomada das movimentações por um impeachment do seu mandato. Presidentes e líderes de partidos da base aliada foram chamados para a reunião, que ocorrerá no Palácio da Alvorada, às 18h.

O Palácio do Planalto está preocupado com a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) condenar as “pedaladas fiscais” e rejeitar as contas de 2014 do governo, o que poderia embasar um pedido de impeachment no Congresso Nacional.

Além disso, o governo é confrontado com a baixa popularidade da presidente, a deterioração dos indicadores econômicos e os desdobramentos da Operação Lava Jato, que chegam cada vez mais perto do Planalto, com os ministros Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) sendo citados na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC. “O clima está horrível”, reconheceu um auxiliar da presidente Dilma Rousseff ao Broadcast Político.

A reunião ocorre um dia antes do embarque da presidente Dilma Rousseff para a Rússia, onde participará da Cúpula dos Brics, na Rússia. De lá, Dilma segue para a Itália, onde cumprirá agenda em Roma e Milão. O retorno da presidente ao Brasil está previsto apenas para o próximo sábado (11). Da Istoé.

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O DIREITO DO CONSUMIDOR À VELOCIDADE CONTRATADA DE INTERNET

*Publicado por Paulo Abreu em www.jusbrasil.com.br

Entraram em vigor, desde primeiro de novembro de 2014, os novos índices determinados pela ANATEL para a velocidade da transmissão Taxa de Transmissão Instantânea (download e upload) Taxa de Transmissão Média (download e upload).
De acordo com as metas estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações, na banda larga fixa e banda larga móvel, as prestadoras são obrigadas a garantir ao consumidor: Taxa de Transmissão Média (download e upload) – 80% da taxa de transmissão máxima contratada; e Taxa de Transmissão Instantânea (download e upload): 40% da taxa de transmissão máxima contratada.
No caso da Taxa de Transmissão Média (download e upload), na contratação de um plano de 10MBps, por exemplo, a média mensal de velocidade deve ser de, pelo menos, 8MBps. Já a Taxa de Transmissão Instantânea (download e upload) é aquela aferida pontualmente em uma única medição, não pode ser menor que 40% do contratado, isto é, 4MBps.
Lembrando que, ainda que a prestadora cumpra com a meta de entregar, por vários dias seguidos o mínimo da Taxa de Transmissão Instantânea (download e upload), ou seja, 40% do contratado, não estará desincumbida de, no final do mês, ter atingido, ao menos, 80% do valor contratado, em respeito à Taxa de Transmissão Média (download e upload).
O rigor da ANATEL vem amparar milhares de brasileiros que, todos os dias, são lesados por suas operadoras. Em recente notícia publicada pelo MUNDOBIT da UOL, o Brasil aparece na longínqua 80ª posição mundial de velocidade de internet, registrando uma média de 2,4 Mbps.
Falta de informação, práticas abusivas, propaganda enganosa e principalmente falha na prestação do serviço são alguns dos problemas que levam um número cada vez maior de usuários ao Judiciário para questionar as práticas abusivas destas operadoras.
A má prestação destes serviços tem sido descrita por alguns Tribunais como “velocidade enganosa”, a qual expressa bem o descumprimento na entrega da velocidade da banda larga anunciada pela operadora e contratada pelo consumidor final.
Entretanto, na prática, o problema maior encontrado pelos consumidores é saber se (e como) a velocidade contratada está ou não sendo entregue como deveria. Neste contexto foi que a ANATEL lançou as Resoluções 574 e 575/2011[1] e com elas criou a Entidade Aferidora da Qualidade (EAQ) a qual desenvolveu um software oficialmente indicado pela Agência para aferição das velocidades de internet dos usuários.
No site da EAQ: http://www.brasilbandalarga.com.br/ há medidores online para a Comunicação Multimídia (banda larga fixa) e Móvel Pessoal (banda larga móvel), possibilitando que o usuário possa se valer de uma medida oficial caso queira contestar judicial ou extrajudicialmente seus direitos.
A ANATEL ainda frisa que nos casos em que a internet tenha plano com franquia limitada de dados (redução da velocidade após atingir um limite de tráfego mensal) a operadora está obrigada a informar a velocidade de acesso que o cliente tem direito tanto até atingir a franquia contratada como depois.
Ao final da medição o software da EAQ indicará qual a velocidade entregue pela operadora, como também realiza a média das velocidades feitas no decorrer do mês ou meses, eis que o consumidor necessitará medir ao menos durante um mês sua velocidade por tal programa para saber se a operadora está lhe entregando o mínimo determinado de 80% da velocidade contratada.
Como em qualquer outra relação comercial, a prestação de serviços de internet deve respeitar os princípios básicos garantidos, por exemplo, no art.  do Código de Defesa do Consumidor, tais como tratamento isonômico, informação adequada e proteção contra a publicidade enganosa.
Comprovando que o contrato não está sendo cumprido, através das medições feitas ao longo de um mês pelo menos, o consumidor insatisfeito poderá registrar suas reclamações junto à ANATEL (http://www.anatel.gov.br/consumidor/saiba-como-reclamar-de-sua-operadora) e PROCON (https://www.consumidor.gov.br/) antes de buscar judicialmente a resolução do contrato ou, até mesmo, a obrigação para que o mesmo seja cumprido.
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Para senador, reconduzido à presidência do partido, escândalos de corrupção mostram ‘vale tudo’ pelo poder

Em convenção, Aécio diz que Dilma não concluirá mandato e faz apelo por unidade no PSDB

POR ISABEL BRAGA E FERNANDA KRAKOVICS


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) na convenção - Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA – Em discurso após ser reeleito presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) apostou, neste domingo, em convenção do partido, que a presidente Dilma Rousseff não concluirá seu mandato. O tucano disse em Brasília que os atuais escândalos de corrupção mostram que há um “vale tudo” para se manter no poder; e voltou a afirmar que perdeu as eleições presidenciais para “uma organização criminosa”, e não para um partido político. Preocupado com a disputa interna pela candidatura à Presidência da República em 2018, Aécio aproveitou para fazer um apelo pela unidade no partido.

- Uma das heranças da presidente Dilma nós já conhecemos: meia década perdida. Ao final de seu governo, que não sei quando ocorrerá, talvez mais breve do que alguns imaginem, os brasileiros estarão mais pobres – disse Aécio, sendo aplaudido pelo auditório.

Cobrado por uma parte do PSDB e por organizações da sociedade civil, que são favoráveis a um pedido de impeachment, o tucano voltou a apostar, em outro trecho de seu discurso, que Dilma não ficará mais quatro anos no Palácio do Planalto.

- Esse grupo político que está aí caminha a passos largos para a interrupção do seu mandato. A oposição não se omitiu, não esmoreceu, vem lutando muito, e está cada vez mais sintonizada com o sentimento amplamente majoritário na sociedade brasileira.

 

O presidente do PSDB traçou um cenário sombrio da atual crise por que passa o país, tanto na política quanto na economia: 

- Convivemos hoje com o dramático aparelhamento da administração federal, tomada de assalto por ativistas e amigos do poder. Com o compadrio que se estabeleceu como norma básica de conduta e funcionamento da máquina pública. Com a corrupção endêmica, que grassa no serviço público, gerando escândalos em série, intermináveis e vergonhosos, como os revelados quase diariamente pela Operação Lava-Jato. Convivemos com o uso de truques contábeis, as chamadas “pedaladas fiscais”, para fechar as contas do governo. Uma prática que pode levar a Presidente da República a ter suas contas rejeitadas.

Para o senador tucano, na raiz de todos esses problemas está “a crise moral de um governo afundado em contradições, desvios e crimes de toda ordem”.

- Não perdemos a eleição para partido politico, e sim para uma organização criminosa que se instalou no seio do Estado nacional.

Aécio pediu unidade interna para derrotar o PT:

- A nossa unidade é o mais valioso instrumento para colocar fim a esse perverso ciclo do PT.

Ladeado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Aécio fez questão de entrar pelo corredor do salão. Os dois foram saudados pelos militantes, que gritavam “Aécio, Aécio”. O locutor fez questão de avisar que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também estava presente porque ele não estava com o senador e FH na chegada à convenção.

O PSDB reelegeu Aécio em clima de divisão interna. Ele é apresentado pela maioria dos diretórios como candidato natural à Presidência em 2018. Mas, na eleição do diretório estadual do São Paulo, em meados de junho, o nome de Alckmin foi lançado. O senador José Serra (PSDB-SP), que também já foi candidato do partido à Presidência, não deixou de lado o sonho de novamente concorrer ao Planalto e, segundo aliados, cogita deixar a legenda e ir para o PMDB.

Esforçando-se para demonstrar unidade, Aécio e Alckmin foram recebidos por uma guerra de claques. Um grupo gritava “Aécio” e “Minas”, enquanto outro gritava “Geraldo presidente” e “São Paulo”.

PARA FHC, PSDB ‘ESTÁ PRONTO PARA ASSUMIR O PAÍS’


O ex-presidente Fernando Henrique com Aécio na chegada ao evento - Orlando Brito / Agência O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o atual governo, disse que perdeu a credibilidade e está paralisado. O tucano afirmou que a crise de confiança que atinge o país exige a união da sociedade ao redor da oposição para que encontre uma solução, dentro dos parâmetros constitucionais. O tucano afirmou que o partido sabe governar e está pronto para assumir o país.

- Estamos assistindo simultaneamente um início de um mal-estar que tem tudo, eu não gostaria que assim fosse, de se agravar, assistindo a paralisação do Executivo – afirmou o tucano.

Segundo ele, muitas crises ao mesmo tempo exigem uma resposta: a união do povo brasileiro ao redor das oposições para que se encontre uma saída para o país.

- Uma saída que só pode ser com respeito à Constituição Federal. Que se puna os culpados. Precisamos assistir esse Brasil com a cara que sempre teve de decência, de humildade. De dirigentes nacionais que possam andar nas ruas sem estar cercado de pessoas, não ter medo de ser agredido. Queremos o Brasil outra vez confiante e, para isso, o PSDB não poderá fugir do seu papel de responsabilidade. Não somos donos do que vai acontecer nas próximas semanas, nos meses seguintes. Mas estamos prontos para assumir. O PSDB sabe governar – disse Fernando Henrique.

O ex-presidente disse que vivenciou várias crises enfrentadas pelo país no passado, citando Getúlio Vargas, Jango, os governos militares,o impeachment de Fernando Collor. Segundo ele, foram muitos momentos tensos, mas nenhum como o atual, com a paralisação do Executivo.

- Eu raramente vi um momento como esse em que se acumulam crises de vários tipos: crise econômica, expressão mais direta o sofrimento do povo. Estamos assistindo um Congresso fragmentado, um governo que, para se manter, cria ministérios. O sistema que se chamava de coalizão, hoje é cooptação, de compra – criticou FHC.

Numa referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique disse que durante 13 anos ouviu a expressão “nunca antes”, mas que “a verdade é que nunca como antes se roubou tanto no Brasil”. FHC disse que o PT, que criticava as privatizações, agora apela para a cooperação entre estado e o setor privado.

Segundo ele, o Proer (programa de recuperação de bancos), duramente criticado pelo PT à época, é reconhecido hoje como programa que salvou não só bancos, mas o país de uma falência.

- É isso que o Brasil precisa. Não queremos facção, não queremos o Brasil de eles e nós. Não. Queremos um só país – disse o tucano.


O ex-presidente da República Fernando Henrique - Jorge William / Agência O Globo

Segundo FHC, o atual governo perdeu o rumo, apostando no consumo:

- O Brasil foi quebrado pelo PT e pelo lulopetismo. Essa crise que vai custar caro para o povo brasileiro é dele e não nossa. Não virá aliança externa para nos ajudar, mas temos força como brasileiros e brasileiras de reconstruir o Brasil. Queremos reconstruir o Brasil, tirá-lo dessa tragédia para a qual fomos levados pela incompetência de quem não sabe governar.

Fernando Henrique disse que enfrentou, na presidência, situações difíceis que culminaram na queda de popularidade de seu governo, mas que nunca perdeu credibilidade.

- Quando se perde a credibilidade não há mais como recompô-la. E esse governo perdeu a credibilidade. Não explicou nada, deu volta de 180 graus, mudou sua política sem dizer nada. Não dá mais para acreditar. Quebrou o cristal.

De acordo com FH, o PSDB tem a responsabilidade de dizer qual o rumo a ser tomado, mantendo a democracia e fazendo a “limpeza ética”.

- Vamos tentar, junto com o povo, levar o país a um caminho de ética, de bem-estar. Não estamos sozinhos, juntos vamos vencer e nos recompor.

Ao iniciar seu discurso, Fernando Henrique fez questão de destacar sua empolgação com a convenção. Segundo ele, nunca viu tanta responsabilidade nos discursos e tantos jovens. A juventude puxou um coro: “FHC, a juventude tem orgulho de você!”.

- Obrigado, isso dá energia.

SERRA: GOVERNO DILMA É MAIS FRACO AO DE JANGO

Com o slogan “oposição a favor do Brasil”, a convenção do PSDB começou pela manhã. Na entrada, foram distribuídos lenços com a bandeira do Brasil e adesivos com o slogan do evento. Algumas faixas foram penduradas na parede, no final do salão, pedindo a retomada do crescimento e criticando a corrupção.”Santa Catarina quer ver o Brasil investindo”, “Goiânia, a favor do Brasil e contra a corrupção”.

Aécio chegou por volta de 11h30m. O senador estava acompanhado de caciques da legenda, e foi ovacionado pelos militantes que gritavam e se espremiam para tentar fazer imagens com o celular.

No entanto, os ataques ao governo Dilma e ao PT dominaram a convenção. No discurso, Alckmin afirmou que o PT “chegou ao fundo do poço”. Para o governador paulista, o PSDB é o partido que está verdadeiramente ao lado dos trabalhadores e dos mais pobres, enquanto os petistas estariam ao lado “da especulação financeira e dos rentistas”.

- O PT chegou ao fundo do poço e cabe a nós a missão de não deixá-los carregar o país junto com eles. Afastado o flagelo do petismo no poder, o Brasil poderá reencontrar sua vocação para o crescimento – disse Alckmin.

De acordo com o governador, o PSDB “nunca usou e nunca usará o nome do trabalhador em vão”.

- Somos o partido dos mais humildes, dos trabalhadores, do povo. O PSDB é o partido da educação, que emancipa; da saúde, que cuida de gente; o partido da segurança pública, que salva vidas. O partido daqueles que mais precisam. O partido que nunca usou e nunca usará o nome do trabalhador em vão.

O senador José Serra ressaltou que a crise em que passa o Brasil é a maior que ele já viu, e que a oposição precisa oferecer saídas ao país:

- O Brasil está atravessando a pior crise desde que me conheço por gente, sem nenhum catastrofismo. Cabe a nós oferecer saídas para a crise. Vai ser difícil, porque o estrago feito pela era petista é gigantesco.

Para o senador e ex-ministro da Saúde, o governo Dilma é mais fraco do que o de João Goulart, de 1964:

- O Jango era de uma solidez granítica perto do governo Dilma, pelo menos sabia escolher gente, era um gigante na administração perto do governo Dilma.

Ecoando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Serra cobrou responsabilidade do PSDB nas votações no Congresso. Os tucanos votaram a favor, por exemplo, do reajuste salarial entre 53% e 78% para os servidores do Judiciário.

- Claro que às vezes há tentação, que precisamos afastar de aprovar loucuras fiscais irreversíveis, mas elas comprometem o futuro.

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff como solução para curar “a saúde” do Brasil.

- Pensei em sair do lugar comum do PT e falar sobre saúde, segurança no Brasil. Quando eu pensei em saúde, pensei que foi o PT que deixou nosso país doente e a melhor coisa que poderíamos fazer para curar o país é o TSE cassar o mandato da presidente Dilma. Quando eu pensei em segurança, lembrei do Petrolão que saqueou os cofres públicos. O PSDB quer ver na cadeia esses petistas corruptos que desviaram dinheiro dos nossos bolsos. Temos que manter a oposição combativa até afastar esse governo que tanto mal faz ao nosso povo – afirmou Sampaio.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), pregou que a oposição se mantenha nas ruas:

- O Brasil vive a mais grave crise de sua história. Aumentos de energia, de preços, desemprego. Um golpe que eles praticaram contra o Brasil. Contamos com vocês. Estão sendo convocados para ir às ruas do país defender essa bandeira de ética – disse Cunha Lima.

O deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS e que compareceu à convenção tucana, disse que o melhor caminho, segundo ele, é que a chapa de Dilma seja cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral e sejam convocadas novas eleições:

- Precisamos nos preparar para saber o que precisamos fazer, se a pedalada (fiscal) for reconhecida e o TSE rejeitar as contas, o que pode dar impeachment. Não é o desejo de ninguém, mas a ingovernabilidade crescente talvez aponte esse caminho.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, aproveitou para homenagear o cantor sertanejo Cristiano Araújo, morto em um acidente de carro no último dia 24. Foi exibido um vídeo no qual Araújo cantava um jingle da campanha presidencial de Aécio, veiculado no horário eleitoral gratuito do ano passado.

MENSALÃO TUCANO

Com pena de 22 anos de prisão pedida pela Procuradoria Geral da República, o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) subiu ao palco da convenção, entre os convidados de honra. Ele renunciou ao mandato de deputado federal no início do ano passado para evitar um desgaste político maior para a pré-campanha presidencial de Aécio. Azeredo foi acusado de peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão mineiro. Além de sair dos holofotes, a renúncia de Azeredo funcionou como uma manobra para protelar o processo, que saiu do Supremo Tribunal Federal (STF), com a perda do foro privilegiado, e foi para a primeira instância.

Entre os convidados também está o senador Magno Malta (PR-ES), cujo partido faz parte da base aliada da presidente Dilma Rousseff.

- Sou desobediente. Meu partido é da base do governo, mas eu sou da base do povo – discursou.

 

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Um governo à espera do fim

Ricardo Noblat

Falta combinar com as ruas, é claro. Mas os que apostam no impeachment de Dilma já se ocupam em avaliar humores, fazerem cálculos e trocarem ideias a respeito daquele que seria o maior evento a marcar o início do século XXI no Brasil.

Não é todo dia que se derruba um presidente da República com base na lei. Aqui, apenas um foi derrubado assim – Fernando Collor. A força bruta derrubou os outros.

Os mais açodados dão por provável que setembro não chegue ao fim sem que antes Dilma se despeça do poder pelo bem ou pelo mal. Pelo bem, por meio da renúncia.

Com um único dígito de aprovação, largada pelo PT que a detesta e por Lula que passou a rejeitá-la, Dilma pediria as contas.

Não vale supor que uma ex-guerrilheira, tendo provado as dores da tortura, seria incapaz de bater em retirada. Por que não?

Ao concordar em suceder Lula, Dilma se dispôs a servir a um projeto compartilhado por um conjunto de forças de esquerdas que jamais haviam chegado ao poder.

Provado dele, sim, quando o presidente João Goulart substituiu Jânio Quadros. Desde então estavam na maior fissura para desfrutar do poder novamente. Por isso cavalgaram Lula. E por ele foram cavalgadas.

A saída de Dilma por mal se daria mediante iniciativa jurídica em algum dos fronts onde ela encara sérios problemas.

O Tribunal de Contas da União, por exemplo, ameaça rejeitar a prestação de contas dela relativas ao ano passado.

O Tribunal Superior Eleitoral dirá se ela abusou do poder econômico para se reeleger.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal julgar qualquer coisa que possa envolvê-la na Operação Lava Jato.

Quem disser que sabe o que irá acontecer está mal informado, mas ninguém quer ser pego de surpresa. No Congresso, ruiu a base de apoio ao governo.

Cresce no entorno de Dilma o clima hostil ao ministro Joaquim Levy, da Fazenda, o cérebro do ajuste fiscal.

Por sabotado, Michel Temer, o vice-presidente da República, flerta com o eventual abandono da função de coordenador político do governo.

Os partidos que contam analisam suas chances de se dar bem no dia seguinte à queda de Dilma.

No PSDB, o melhor para Aécio seria o impeachment da chapa Dilma-Michel Temer, com a convocação de novas eleições dentro de 90 dias.

Nesse período, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, presidiria o país. Aécio e Eduardo têm conversado muito sobre o assunto.

O senador José Serra (PSDB-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) preferem o impeachment de Dilma e a ascensão de Temer. Que governaria até 2018, quando um deles poderia sucedê-lo.

Com a discrição que o caso requer, ministros de tribunais superiores medem a temperatura entre seus colegas e avaliam as pressões que sofrem.

Uma pedra importante no tabuleiro do poder parece confusa. Lula é o nome dela.

Há cerca de 20 dias, ele atirou forte em Dilma, no governo e no PT, acusando-os de estarem abaixo do volume morto. Recuou quando soube que Dilma poderia deixá-lo aos cuidados do juiz Sérgio Moro.

Lula admite que Dilma não tem mais salvação. A ser assim, melhor para ele e o PT que ela vá embora logo.

Se fosse, Lula e o PT se pintariam para a guerra e voltariam a ser oposição. Até 2018 teriam tempo para montar uma frente de partidos de esquerda que bancaria a candidatura de Lula a presidente. Ou outra candidatura.

Pois Lula carece de coragem para entrar em bola dividida.

Dilma Rousseff (Foto: Divulgação)Dilma Rousseff (Foto: Divulgação)
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LULA, DILMA E O PT NÃO AMAM O BRASIL

GLAUCO FONSECA

Há décadas atrás, após um jogo de futebol em plena rua, fomos todos à casa de um amigo para tomar água e, se tivéssemos sorte, fazer um lanche. Ao entrarmos na sala, a mãe do amigo anfitrião gritava furiosa ao bater com o telefone:

Ah, eu vou acabar com esse cara, vou tirar cada centavo dele, vai perder até a roupa do corpo, ah, se vai…

Olhamo-nos uns aos outros com aquela cara de desenho animado japonês, olhos arregalados e a boca em forma de “ó”.  A dona da casa estava em guerra com o marido, que ela acabara de descobrir tinha uma amante e um lar que não era o mesmo seu. Vi a cena e pensei: “Acabar com a pessoa, tirar cada centavo dela, até mesmo as roupas? Uau, isto é que é odiar de verdade!”.

Fui descobrindo que quem tem ódio do outro não se contenta apenas com o sentimento. Quer o sofrimento alheio, quer que a outra pessoa padeça de todas as formas possíveis, que perca seus bens, seu dinheiro, que fique na bancarrota. Quem odeia está sempre em busca de conflito, não admite a paz e está sempre à cata de um inimigo para…odiar e, logo em seguida, desejar que perca tudo, até mesmo a saúde e a vida, dependendo do motivo. Odiar, contudo, é humano, assim como errar. Ódio é um sentimento que não pode ser superado nem transformado em coisas boas.

Lula quer ver o Brasil mal e Dilma faz tudo para piorar o Brasil. O PT faz o aplauso das práticas de seus líderes e as multiplica. Não há amor no coração de pessoas que, sabendo que estão erradas, que cometeram crimes de maior ou menor intensidade, maltratam os mais fracos e abusam dos mais pobres. Os petistas andam em bandos, são gregários, mas não são sociáveis com outras greis. Querem tudo para si, raramente deixando migalhas para os outros. Não admitem serem contrariados nem questionados. Acham-se donos do poder e da palavra. Odeiam a todos que fogem de seus escaninhos morais, mas alegam, com faces tão lívidas quanto dissimuladas, que os outros é que são fascistas, reacionários, odiosos, revanchistas.

Lula chama seres humanos adversários de “eles”; Dilma, quando consegue elaborar uma simples sentença, sempre deixa claro que sua alma está tomada de ressentimentos deveras obscuros. Assim é o PT: um grupo de pessoas que tem ódio do Brasil, que dele querem extrair tudo, como se o país devesse a eles algo tão divino quanto impagável. O PT é uma nação que admite o crime, alimenta-se de ódio e, quando não rouba, permite que roubem.

Consideram-se inimputáveis e só os que odeiam se acham imunes a tudo e a todos. Quem ama, congrega, conversa, aceita, soma e multiplica. Quem, de fato, ama seus pares nacionais, sabe a hora de chegar e o tempo de ir embora, sabe a hora de gritar, mas reconhece prontamente o momento de se calar. Quem ama seu país não faz o que Lula, Dilma e o PT fazem. O PT não ama o Brasil.

A história é rica em passagens que demonstram que o ódio sempre leva ao mais solene fracasso. Seja nas guerras, nas eleições, nas revoluções que pregam o extermínio ou pleno e humilhante subjugo dos derrotados, odiar é um estado desfavorável, onde a razão dá lugar à fúria e onde a solidariedade termina por se circunscrever a um grupo muito pequeno, conhecido como “cumpanherada”.

Lula e Dilma não amam o Brasil. Jamais amaram. Nunca o amarão. Quem rouba ou permite o roubo não ama o Brasil. Quem mente ou admite a mentira, não ama o Brasil. O PT não ama o Brasil.

O Brasil precisa é do amor dos brasileiros de verdade. O Brasil não precisa de Lula, de Dilma e de seu PT.

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“Quem pagará o enterro e as flores?”

 Por Fernando Gabeira*
…Um jornalista que escreve que o governo afundou na corrupção, diante dos juízes não pode alegar que o governo apenas tropeçou ou resvalou na corrupção. Afundou mesmo. Teremos um longo período de governo sitiado. As peripécias jurídico-policiais serão emocionantes, mas inibem um pouco a…
No momento em que escrevo, começo uma jornada pela Amazônia oriental. Entro numa área de pobre conexão, mas ao sair dela, creio, ainda estaremos no mesmo estado de crise.

O cerco contra o governo cada vez aperta mais. O esperado depoimento de Ricardo Pessoa, o homem da UTC, envolve diretamente tesoureiros e campanhas de Lula e Dilma. Em Minas, o governador Fernando Pimentel está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) com autorização do Superior Tribunal de Justiça.

Dentro da cadeia, o cerco se fecha também contra os empreiteiros. A força-tarefa de procuradores apurou apenas 25% dos casos de corrupção. A presença de grandes empresários na cadeia traz à cena alguns dos melhores escritórios de advocacia do País. Nesses casos – infelizmente, apenas nesses – o respeito aos direitos humanos é minuciosamente monitorado.

Só com os dados divulgados nem sempre é possível fazer uma análise precisa. O bilhete de Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi tema de discussão. No bilhete, apreendido pela PF, ele manda destruir um e-mail. A defesa de Odebrecht diz que ele usou o termo destruir num sentido figurado. Queria dizer desconstruir, combater os argumentos associados a um negócio de sondas, com sobrepreço.

Só tenho meus recursos próprios para avaliar um caso desses. Pelo que conheço de cadeia, os presos, de fato, usam linguagem cifrada para evitar que a polícia descubra o conteúdo de seus bilhetes: Arnaldo, não se esqueça do remédio das crianças menores; Maria, pegue o meu guarda-chuva e empreste ao Adriano. Na cadeia, a linguagem figurada não é usada apenas para que a polícia não perceba o conteúdo, mas também para que a polícia não possa provar que você falou algo diferente do que está ali, no papel.

Prisioneiros usam metáforas para escapar do crivo policial. Marcelo Odebrecht usou para se incriminar. Inexperiência? De modo geral, um empresário como ele tentaria ser objetivo. Ele sabe que um simples bilhete de cadeia tem de ser preciso. Poderia ter escrito desconstruir, combater, no lugar de destruir.

Vamo-nos ater aos verbos construir e desconstruir. A desconstrução de um argumento, de modo geral, é um processo longo e diversificado. Neste caso, não haveria tanta urgência: era tema para tratar nas conversas regulares com os advogados. O verbo destruir implica uma certa pressa e cabe precisamente num bilhete, num comunicado que não possa esperar visitas legais e regulares de seus defensores. Os advogados de Odebrecht afirmam que não mandaria destruir o e-mail sobre compra de sondas porque já era conhecido da polícia. Argumento forte: de que adianta destruir algo que a polícia já conhece e utiliza? Mas não era só um e-mail, vários foram escritos pelo mesmo diretor. Agora a Braskem já entregou todos os e-mails e a operação foi auditada por uma firma independente.

Novas batalhas estão em curso. Uma delas é sobre o sentido da palavra sobrepreço. Nós a entendemos como superfaturamento. Eles dizem que é um termo comum no mercado, com sentido diferente.

… “Os empreiteiros estão ressentidos com o governo porque não impediu a ação da PF e do MP. Mas como, se o governo está cercado e se comporta como num avião em queda: primeiro ajusta a máscara de oxigênio em si próprio, depois vai pensar em cuidar do outro” …

A liberdade de Marcelo Odebrecht depende de uma profunda simpatia da Justiça por seus argumentos. Para conceder habeas corpus será preciso deixar de lado o que está escrito e acreditar só no que ele queria dizer.

Um jornalista que escreve que o governo afundou na corrupção, diante dos juízes não pode alegar que o governo apenas tropeçou ou resvalou na corrupção. Afundou mesmo.

Teremos um longo período de governo sitiado. As peripécias jurídico-policiais serão emocionantes, mas inibem um pouco a discussão sobre alternativas. Tanto a PF quanto o Ministério Público (MP) já devem ter ideia do extenso trabalho que têm pela frente. A usina de Belo Monte, por exemplo, não tinha entrado na história da corrupção. Agora já entrou. Os estádios construídos pelas empreiteiras para a Copa do Mundo também passam por dificuldades e a história de sua construção ainda não é de todo conhecida.

Os empreiteiros estão ressentidos com o governo porque não impediu a ação da PF e do MP. Mas como, se o governo está cercado e se comporta como num avião em queda: primeiro ajusta a máscara de oxigênio em si próprio, depois vai pensar em cuidar do outro.

… As complicações de Fernando Pimentel também eram pressentidas, desde 2014, quando o empresário Bené foi preso com dinheiro no avião. A sensação que tivemos no momento eleitoral foi de abafa. Mas também aí o fio foi sendo puxado. O caso implica a mulher de Pimentel. Jornalista, ela recebeu de outro jornalista, Mario Rosa, mais de R$ 2 milhões por seu trabalho. Deve ser extremamente talentosa. Um jornalista mediano rala dez anos para chegar a essa soma, e muitos não chegam lá…

Lula não poderá dizer que ignora o que se passou na Petrobrás ou não conhece nem trabalhou com a Odebrecht. Dilma, por sua vez, já se complicou com as pedaladas no Orçamento e dificilmente conseguirá explicar-se. Além disso, com as declarações de Pessoa, terá de explicar, juntamente com seu ministro Edinho Silva, onde foram parar os R$ 7,5 milhões da UTC injetados no caixa 2 de sua campanha. Tudo isso já era esperado. Ricardo Pessoa fez várias referências na cadeia, indicando o rumo de sua delação premiada. Com tantos escândalos, quase esquecemos dessa variável. No fim de semana, ela apareceu com toda a força.

As complicações de Fernando Pimentel também eram pressentidas, desde 2014, quando o empresário Bené foi preso com dinheiro no avião. A sensação que tivemos no momento eleitoral foi de abafa. Mas também aí o fio foi sendo puxado. O caso implica a mulher de Pimentel. Jornalista, ela recebeu de outro jornalista, Mario Rosa, mais de R$ 2 milhões por seu trabalho. Deve ser extremamente talentosa. Um jornalista mediano rala dez anos para chegar a essa soma, e muitos não chegam lá.

Estamos assistindo a cenas finais dessa luta da Justiça contra o partido político que domina o País ao lado de seu parceiro, o PMDB. Não me parece tão produtivo falar mal de um governo e um partido cercados pela polícia.

Dilma faz saudações à mandioca, como se o ridículo fosse o mais leve fardo que pudesse carregar. Lula esbraveja contra o PT, como se fosse um observador de outro planeta. Vai chegar o momento de discutir o País e alternativas diante da crise. Está demorando. O minuto de silêncio pelo funeral do PT se estende além da conta. Já sabemos quem pagará o enterro e as flores.

Arruinado, o Brasil precisa recomeçar.

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SAÍDA HONROSA

MÁRCIO COIMBRA

Garrett Walker, Presidente dos Estados Unidos na série House of Cards, olha para Frank Underwood e diz: “Minha aprovação é de 8%. Mesmo que eu escape de uma condenação, eu não tenho mais um mandato para liderar. É melhor que eu saia de cena com alguma dignidade e a nação inicie seu processo de cura”. Walker enfrentava uma série de acusações sobre dinheiro ilícito e estrangeiro em sua campanha presidencial. Fez aquilo que se espera de um estadista: decidiu sair de cena, colocando sua nação em primeiro lugar.

Nenhum Presidente americano na história recente teve índices de popularidade como as sugeridas na ficção. Truman andou no patamar dos 22% e George W. Bush esbarrou nos 25%. Até Nixon, que acabou renunciando, tinha uma popularidade de 24%. Atualmente a de Obama vive em torno de 47% e seu menor patamar foi de 38%.

Tudo isso preocupa quando olhamos para os números do Ibope. Dilma anda disputando com Garrett Walker patamares baixos de aprovação. A Presidente do Brasil tem hoje 9% de avaliação positiva – com apenas 6 meses de mandato cumprido. É uma situação preocupante. Em uma democracia, o apoio popular é fundamental para manutenção do poder. A falta de popularidade afeta a capacidade de liderar e faz com que o mandatário se torne apenas um coadjuvante sem importância na sua relação com as demais instituições. Se o sistema é parlamentarista, cai o governo, mas no presidencialismo a agonia parece eterna.

83% dos brasileiros desaprovam a maneira de governar de Dilma, enquanto 78% afirmam não confiar nela. 82% enxergam seu segundo governo pior do que o primeiro. Em qualquer democracia são números de uma administração moribunda, que respira por aparelhos e espera simplesmente o fim. A questão é que Dilma ainda tem 3 anos e meio de mandato pela frente. Como disse antes, é uma agonia interminável.

Isto joga o Brasil diante de um problema institucional. Diante do vácuo de poder criado pela própria Dilma, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal assumiram o protagonismo no País, impondo sua agenda para um Planalto acuado e atrapalhado. As surras tomadas pelo governo no parlamento são vexatórias, intensas e em série. Pode parecer incrível, mas não se enxerga mais legitimidade de uma administração que foi reeleita menos de um ano atrás.

Os problemas vêm de todas frentes. O cardápio é variado, passando por corrupção, inflação, economia deteriorada, desemprego, falta de crédito, derrotas no Congresso, inoperância e fraqueza. Falta capacidade de liderança para a Presidente e reconhecimento institucional ao seu governo. A gravidade é tamanha que há rumores até de que Lula estaria disposto a entregar a cabeça de Dilma com vistas a preservar a sua. Na Câmara fala-se em aprovar o sistema parlamentarista. A palavra impeachment circula livremente pela capital.

A solução encontrada por Garrett Walker foi a renúncia. As saídas encontradas para situações de crise são várias, entretanto, durante uma convulsão política aguda, as opções diminuem muito. No caso de Dilma, os números ainda não se transformaram, por mais incrível que possa parecer,  em pressão real para que deixe o cargo – o que não quer dizer que não possa acontecer. Apesar de perdido e fraco o governo ainda se mantém, entretanto, com o crescimento das pressões, tudo pode mudar rapidamente. Já chegou o momento da Presidente olhar com atenção para todo seu leque de opções ao invés de ser tragada pelo processo de dilaceramento de sua liderança. Muitas vezes é melhor manter a dignidade e abrir caminho para o processo de cura.

Márcio Coimbra é consultor político e mestre em Ciência Política pela Universidad Rey Juan Carlos, Espanha

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