Roletas russas da vida.

 Por Marli Gonçalves
Uma decisão, um passo, um segundo, um minuto, uma virada errada, uma distração, um tropeção, uma bala, uma chuva, uma rua, uma carona, uma queda. Qualquer coisa. A vida é frágil. A terra é frágil. O ser humano vive em uma corda bem bamba e muito fina desde que nasce até que morre. Tudo pode acontecer. Inclusive nada. Essa é a verdadeira loucura da existência

Como é que pode? Como é que pode? Todo mundo batendo cabeça e se perguntando das ironias da vida quando fatos horríveis assim acontecem. Os inesperados. Ouvi e li de um tudo, e são dezenas as fantásticas teses conspiratórias que garantiam- já minuto seguinte ao acidente que matou o ministro do STF Teori Zavascki – que foi um atentado. Um assassinato. Claro, investigue-se, detalhe por detalhe, peça por peça, minuciosamente, o que ocorreu. Não deixem essa virar mais uma lenda urbana que viva no imaginário popular assombrando o país.

Mas eu não quero ser considerada burra nem ingênua ao ter certeza de que foi acidente.

Acidentes com aviões particulares têm enorme chance de matar personalidades. Gente conhecida. Gente importante. Gente famosa. Quem é que anda para lá e para cá em aviões particulares? Em helicópteros? Eu? Você? Até já andei muito, mas sempre de carona, de estepe, por algum motivo profissional, acompanhando algum cliente, como jornalista, nem sabia se meu nome contava na lista de passageiros. Como as duas mulheres que, além do piloto, do dono da aeronave – pessoa entre as mais bem relacionadas do país – e do ministro, estavam lá e tentavam chegar à bela Paraty em um chuvoso e cinzento dia de verão. Que tipo de sabotagem seria essa que só ocorreria na ponta da pista? Quem teria contratado São Pedro para soprar nuvens? Sofisticada essa ideia de fazer cair no mar, para afundar e ninguém achar os destroços.

Ah, mas era o ministro que cuidava da Lava Jato! Sim. Podia ser outro ou outra da mais alta Corte. Podia ser Moro, algum membro (ou todos) da força tarefa do Ministério Público. Algum artista – eles se deslocam muito em aviões. Para “pegar” o ministro não haveria outra forma? – veneno, urticária, espiã, manga com leite, jogar um piano da janela quando ele estivesse passando, cortar o cabo do elevador, infiltrar uma cobra venenosa no gabinete dele? (se bem que essa opção não pode ainda ser descartada…)

São pessoas – não há redoma que possa protegê-las delas mesmo. Andam de carro, de moto, de avião, de bicicleta. Podem escorregar no tapete do banheiro depois do banho. Depende do que fazem, como vivem, onde andam, e até do que comem – são protegidos, mas seguranças não são infalíveis e nem conselhos de cuidado com isso ou cuidado com aquilo e que em geral são ignorados. Igual à gente quando foi criança, a mãe disse não vá, e birrentos demos com a cara na parede – alguns têm cicatrizes que lembram esse dia a vida toda. Claro, quando não foi mortal de vez, e valeu a vida.

A verdade é que ninguém nunca espera que vá acontecer o que pode acontecer. Ninguém acredita que poderá ser retirado desse mundo de forma tão abrupta que não tenha nem tempo de respirar, dizer tchau. Creio que nem quem pratica esportes e outros passatempos radicais pensa nisso. No xeque-mate.

E não adianta ter medo. O medo não salva. É o famoso quando tem de acontecer acontece. Deus resolveu – para quem nele acredita. Fatalidade. A hora da morte.

Há riscos e perigos. Risco é a probabilidade. Perigo é uma ou mais condições que têm o perfil de causar ou contribuir para que o Risco aconteça. Não se mede e não há como eliminar o Risco. Já os perigos até poderiam ser prevenidos, analisados, mensurados e corrigidos.

São perigos que nos rondam como a bala do tambor do revólver de uma roleta russa. Ou como se andássemos sempre com pés enormes em campos minados.
Podia ser um terremoto, um maremoto, uma enchente, uma avalanche, um ataque de coração. Podia até ser um atentado.

Mas foi um avião e um passeio interrompido. Que esperamos não interrompa as esperanças do povo brasileiro na Justiça e no desfecho da mais rumorosa tentativa de faxina e descoberta de quem nos bateu a carteira.

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Não é teoria da conspiração, é dúvida

Não é só Francisco Zavascki quem levanta essa questão, ela está na cabeça de milhões de brasileiros

Elio Gaspari, O Globo

O advogado Francisco Zavascki, filho de Teori, tem toda razão: “Seria muito ruim para o país ter um ministro do Supremo assassinado”. Ele pede que se investigue o caso “a fundo” para saber “se foi acidente, ou não”.

Não é só Zavascki quem levanta essa questão, ela está na cabeça de milhões de brasileiros. Nada a ver com teoria da conspiração, trata-se de dúvida mesmo.

A linha que separa esses dois sentimentos é tênue, e a melhor maneira para se lidar com o problema é a investigação radical.

Um dos mais famosos assassinatos de todos os tempos, o do presidente John Kennedy, em 1963, foi investigado por uma comissão presidencial de sete notáveis que produziu um relatório de 888 páginas. Até hoje, metade dos americanos não acredita na sua conclusão, de que Lee Oswald, sozinho, deu os tiros que mataram o presidente. Mesmo assim, rebatê-la exige esforço e conhecimento.

O presidente Michel Temer poderia criar uma comissão presidencial para investigar a morte do ministro Teori. Desde o momento em que o avião caiu n’água, ocorreu pelo menos o desnecessário episódio da demora na identificação dos passageiros.

Pelos seus antecedentes e pelas circunstâncias, a tragédia de Paraty ficará como um dos grandes mistérios na galeria de mortes suspeitas da política brasileira.

Aqui vão os principais nomes dessa galeria, divididos em três grupos: o de alto, médio e baixo ceticismo.

Alto ceticismo:

O desastre automobilístico que matou Juscelino Kubitschek em 1976 não teve influência de estranhos à cena.

Médio ceticismo:

Em 2014 o jatinho de Eduardo Campos caiu porque houve um erro do piloto. Só isso.

Tancredo Neves morreu em 1985 porque não se cuidou e foi tratado de forma incompetente e mentirosa, mas não houve ação criminosa.

Em 1967 o aviãozinho em que viajava o marechal Castello Branco entrou inadvertidamente numa área em que voavam jatos da FAB, foi atingido por um deles e espatifou- se na caatinga. Nada além disso.

Baixo ceticismo:

Ulysses Guimarães voava nas cercanias de Paraty durante uma tempestade, e o helicóptero caiu n’água.

Jango sofreu seu último enfarte enquanto dormia em sua fazenda, na Argentina. Morreu porque era um cardiopata.

A classificação, subjetiva, é do signatário, que não crê em quaisquer versões revisionistas. Quem quiser pode mudá-la, ao próprio gosto.

Conspiração (Foto: Arquivo Google)

Elio Gaspari é jornalista

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Presidente da OAB diz que Cármen Lúcia deve homologar delações da Odebrecht

Antes de decidir, Cármen Lúcia vai consultar os ministros

José Carlos Werneck

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia, declarou ontem, durante o velório do ministro Teori Zavascki, em Porto Alegre, que a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, deve assumir o processo de homologação das delações premiadas da Lava Jato, para que o procedimento, previsto para ocorrer em fevereiro, não sofra solução de continuidade.

“Acho que a presidente e os membros da corte deveriam refletir sobre a continuidade imediata dos depoimentos das testemunhas, dos delatores. Ela própria poderia cumprir essa etapa que ainda falta no processo de homologação ou não das delações. Mas isso é algo que tem de ser examinado tecnicamente”.

ESCOLHA DO RELATOR – Para o presidente nacional da OAB, a redistribuição da relatoria da Lava Jato no STF deveria ser realizada entre todos os membros do tribunal, através de sorteio . “Eu gostaria de ver o processo nas mãos de um ministro que tivesse as características que tinha o Teori. Mas é preciso buscar o meio de redistribuição mais republicano, que é o eletrônico. Não podemos agir casuisticamente”.

Ele defendeu, veementemente, a redistribuição da relatoria, dizendo acreditar que tal seria, sem dúvida, o desejo do ministro Teori Zavascki . “Tenho convicção que ele estaria hoje a aplaudir uma celeridade na condução desses processos. Ele deu exemplo disso ao determinar que a força-tarefa que o auxilia continuasse trabalhando no período de recesso”.

ATRASO NO PROCESSO – Claudio Lamachia ressaltou que aguardar a nomeação do novo integrante do STF, para que assuma relatoria da Lava Jato, atrasaria o processo e também deixaria espaço para especulações de ingerência política.

“O ministro nomeado seria sabatinado por algumas pessoas citadas e denunciadas nas investigações. Não se demonstra correto que se veja nesse momento um procedimento que não seja absolutamente transparente e afaste qualquer ilação que indicaria favorecimento deste ou daquele”.

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BRASILEIROS PREFEREM TEORIA DA CONSPIRAÇÃO PARA MORTE DE TEORI

Barra de S. Miguel, AL – Oitenta e três por cento dos brasileiros acham que a morte de Teori Zavascki foi um atentado, segundo o Instituto Paraná de Pesquisa.  E por mais que se negue, ninguém jamais vai acreditar que o homem que tinha o poder de manter os poderosos na cadeia teria sofrido um acidente, uma mera fatalidade. Para dissipar toda as dúvidas, o governo precisa se empenhar em elucidar o caso com uma investigação consistente e minuciosa que prove por a mais b que o ministro não foi assassinado pelas mãos de mercenários a serviço do crime organizado. A primeira reação da população ao acidente aéreo de Teori foi a de uma morte planejada, a exemplo do que ocorria na operação Mãos Limpas, na Itália, quando os mafiosos assumidamente explodiam juízes. Aqui, se houve um atentado, nenhuma organização jamais vai assumir porque, em matéria de crimes misteriosos, evoluímos à sofisticação inimaginável.

 

Assim como você que me lê, eu também tenho dúvidas que me levam a crer na teoria da conspiração por alguns erros que se cometem em casos como esses de repercussão internacional, que poderiam ser chamados de queima de arquivo. Senão, vejamos algumas curiosidades: já que todos os passageiros foram declarados mortos, por que não esperar uma perícia especializada para remover os destroços da aeronave de modo a não se perder vestígios de um provável atentado? A exemplo do PC Farias, o local foi desfeito dificultando uma investigação científica do caso. Os pedaços do avião foram retirados do mar atabalhoadamente, sem o menor critério para um caso como esse que deixou o mundo perplexo e vai sempre suscitar dúvidas.

 

Por que o ministro não era protegido por agentes federais, já que alegou diversas vezes que sofria ameaças de morte, como ele próprio revelou, e seu filho confirmou? Se estava escudado por agentes, por que eles também não embarcaram na aeronave? Como esse avião foi preparado para a viagem do ministro? Quais os técnicos aeronáuticos que deram o sinal verde para o voo? Há quanto tempo esta viagem estava programada? Quem programou e quem sabia antecipadamente desse percurso? Por que a demora em identificar o piloto, quando se sabe que a identificação é registrada na saída do aeroporto, como é de praxe? E o mais grave: por que Teori iria descansar na casa do empresário Carlos Alberto Ferreira Filgueiras, dono do avião, sócio do BTG Pactual, cujo presidente André Esteves fora solto por ele na operação Lava Jato?

 

Se a gente for analisar o caso da morte do ministro apenas pela teoria da conspiração, muita gente poderosa e endinheirada tinha motivos para planejar um atentado contra ele. No próximo mês, Teori já havia comunicado que iria quebrar o sigilo de toda delação premiada da Odebrecht, onde seriam revelados nomes de autoridades comprometidas com a corrupção no país, a maior do que se tem notícia no mundo.  O ministro, tido como casca grossa, manteve quase cem por cento todas as sentenças do juiz Sérgio Moro e não relaxou prisão de réus da Lava Jato, com exceção de André Esteves. Ao contrário de alguns de seus pares que gostam de plateia, atinha-se a forma da lei com a discrição que cabe a um integrante da suprema corte do país.

 

O caso em que o ministro trabalhava, o da corrupção de bilhões de reais em vários países, é um dos mais nebulosos do mundo. Envolve pessoas do mais alto quilate: empresários, políticos, presidentes e ex-presidentes; banqueiros e altos executivos de empresas estatais e privadas, muitos ainda engaioladas e sem chances de liberdade. Portanto, dinheiro não faltaria para alguém encomendar a morte do chefe de um processo como esse que até então caminhava para levar aos presídios dezenas de magnatas envolvidos com propinas.

 

Os mercenários estão por toda parte. Normalmente, esses grupos, veteranos de guerra, trabalham a soldo do crime. São especialistas em atentados que não costumam deixar rastros dos seus atos pela perfeição com que os cometem. Dinheiro para essas empreitadas é que não faltaria.

 

Se existem controvérsias quanto a morte acidental do ministro e seus acompanhantes, o governo precisa dar transparência ao caso para que não pairem dúvidas quanto à seriedade das investigações. Costuma-se, no Brasil, evocar o sigilo em processos como esses para que tudo caia no esquecimento. Os membros do Supremo Tribunal Federal não devem permitir que isso aconteça porque todos agora estão vulneráveis enquanto as investigações não chegarem a uma conclusão convincente sobre a morte de Teori.

 

Pela teoria da conspiração, os brasileiros já deram seu veredicto: o ministro foi alvo de um atentado. E ponto final.

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Sarney de volta

Cláudio Humberto informou que pesquisas no Amapá indicam que José Sarney tem perto de 70 por cento nas intenções de votos para o senado. Constatação de que Sarney mantém o respeito que conquistou como homem público, refletindo também  que o povo  do Amapá confia na força política do ex-presidente para obter pleitos federais que beneficiem o Estado. Sarney de volta a cena política, com mandato parlamentar  engrandece a atividade política nacional. Volta, Sarney.

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Marcha das Mulheres reúne milhares contra Trump em Washington

A expectativa é de que cerca de 250 mil pessoas participem do protesto neste sábado

A expectativa é de que cerca de 250 mil pessoas participem do protesto neste sábado

Milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado (21), dia seguinte à posse de Donald Trump, na Marcha das Mulheres, organizada pela sociedade civil em Washington. A manifestação contra o novo presidente teve início por volta das 10h (13h em Brasília), no National Mall, mas já havia se espalhado antes em diversas capitais europeias.

A expectativa era de que cerca de 250 mil pessoas participassem do protesto neste sábado em Washington. Na manhã deste sábado, mulheres com gorros cor-de-rosa e pontiagudos, apelidados de “pussyhats” (chapéus de xoxota), lotavam as estações de metrô mais próximas ao trajeto da marcha, que saiu do Capitólio.

No mundo, cerca de 670 marchas foram planejadas, de acordo com o site dos organizadores, que diz que mais de dois milhões de manifestantes devem protestar contra Trump. Muitas manifestantes carregaram pôsteres com frases como “essa xoxota morde de volta”, resposta à forma com que Trump se referiu às mulheres em áudio de 2005 que veio à tona durante a campanha.

Na Europa, marchas foram realizadas em Berlim, Paris, Roma, Viena, Genebra e Amsterdã. Cerca de 2 mil pessoas estiveram no ato de Viena, estimam os organizadores. Mas as baixas temperaturas dispersaram o público. Em Genebra, foram 1.000 pessoas, principalmente mulheres e crianças. Na África, centenas cantaram músicas de protesto.

Em Sidney, na Austrália, cerca de 3.000 homens e mulheres marcharam até o consulado americano e, em Melbourne, foram 5.000 pessoas. Na Nova Zelândia, houve marchas em quatro cidades, envolvendo cerca de 2.000 pessoas. Fonte Folha Press

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Temer diz que só vai indicar substituto de Teori após definição de relator

Presidente participou do velório de Teori Zavascki, no TRF-4

Presidente participou do velório de Teori Zavascki, no TRF-4

O presidente Michel Temer afirmou na tarde deste sábado (21) que só vai indicar o substituto de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF) “após a indicação de um novo relator”. Caberá à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, redistribuir o processo da Operação “Lava Jato”, que Teori relatava. A ministra já indicou, como apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, que deve redistribuir o processo entre os atuais dez integrantes da Corte.

A declaração de Temer foi dada em Porto Alegre, durante o velório de Teori Zavascki, que ocorre na sede do tribunal Regional federal da 4ª Região (TRF-4). O presidente registrou seu pesar pessoal e de todo o governo pela morte de Teori e disse que se trata “de uma perda lamentável para o País, o poder judiciário e a classe política”.

“Ele era um homem de bem. O Brasil precisa cada vez mais de homens com a competência moral e profissional de Teori”, acrescentou Temer.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, também fez um breve pronunciamento, lembrando que tinha uma boa relação com Teori, com quem se reuniu diversas vezes para discutir questões relacionadas ao processo legislativo. “Foi um exemplo em todas as funções que ocupou”

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Em Dubai, Camilo Santana esteve na maior usina de dessalinização do Planeta

Empresa italiana que opera em Dubai mostra interesse de investir no Ceará

Fonte: assessoria
 >Camilo Santana em visita a maior usina de dessalinação do Planeta
 O governador  do Ceará, Camilo Santana, cumpre agenda no Oriente Médio e nesta quarta-feira,18, em Dubai, nos Emirados Árabes, ele visitou a maior usina de dessalinização do planeta. Construída pela empresa italiana Fisia Italimpianti e operada pela Dubai Electricity and Water Authority, a planta tem capacidade de produção de 636.400 m3/dia e possui oito unidades de dessalinização integradas, além de uma de mineralização.

“A dessalinização é uma das alternativas que temos buscado para amenizar o problema da seca, além de todas as ações que realizamos nos últimos anos em todo o estado”, citou o governador Camilo Santana, que estava acompanhado do assessor especial para Assuntos Internacionais, Antônio Balhmann.

Durante a visita à usina, o gerente regional da empresa italiana, Ângelo Rivino, afirmou ao grupo cearense que a Fisia Italimpianti tem interesse em investir no Ceará não apenas no planejamento e na construção de uma planta, mas também em sua operação. Os representantes da companhia devem visitar o estado nos próximos meses para conhecer possíveis locais para a instalação da planta de dessalinização.

Chuvas

Em evento realizado nesta quarta-feira, no Palácio da Abolição, o Governo do Ceará divulgou, por meio da Funceme, o prognóstico para a quadra chuvosa de 2017. Depois de cinco anos de seca, a probabilidade de chuvas dentro da média histórica é de 40% para os meses de fevereiro, março e abril – 30% acima e 30% abaixo da média.

Em 2016, o Governo do Ceará investiu mais de R$ 400 milhões em ações relacionadas à segurança hídrica, mesmo dentro de um cenário de crise econômica enfrentado por todo o país.

“Vamos continuar com a implementação de ações tanto de gestão da oferta e da demanda, como de ampliação da infraestrutura hídrica para buscar novas fontes, e é lógico, acelerar essas ações. O Governo do Estado tem feito todos os esforços para viabilizar essas ações”, disse o secretario dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira.

Oriente Médio

Na segunda-feira, Camilo Santana apresentou em Omã, na Ásia, as oportunidades de investimento no estado por meio do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e Plano de Concessões. Na terça-feira, o governador discutiu com investidores do Irã a instalação de uma refinaria no Ceará.

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Tempos de escolha

Cristovam Buarque

Cinemas, teatros foram sendo abandonados, ao lado de novos estádios e outros gastos

Por três anos, a população de Brasília assistiu ao governo do Distrito Federal e ao governo federal construírem, ao custo de R$ 2 bilhões, um estádio para 70 mil espectadores — em uma cidade em que seus times carecem de torcedores — enquanto a poucos quilômetros seu Teatro Nacional estava fechado e se degradando.

Diante deste desperdício de recursos e deste crime contra a cultura brasileira, os artistas de Brasília silenciaram por duas razões: a afinidade em relação aos governos federal e local, e a tradição brasileira de considerar que os recursos fiscais são ilimitados, sem disputa entre as diferentes prioridades.

O caso de Brasília não foi único: nos últimos anos, dezenas de museus, cinemas, teatros foram sendo depredados, degradados e abandonados, ao lado de novos estádios e outros gastos públicos.

Mesmo entre os poucos artistas que se manifestaram em defesa da recuperação do teatro, nenhum protestou contra o desperdício do estádio por não perceberem que cada tijolo usado em uma obra não pode ser utilizado em outra; eles não tinham a percepção de que os gastos públicos exigem escolha: estádios ou teatros, viadutos ou escolas, palácios ou saneamento.

Felizmente, nesta semana, o ministro Roberto Freire e o presidente Temer assumiram o compromisso de recuperar e reabrir o Teatro Nacional Claudio Santoro.

Mas, diante das novas regras que definem um teto para os gastos da União, a vida política e fiscal brasileira vai entrar em um tempo de realismo na escolha de suas prioridades.

A disponibilidade de recursos orçamentários para uma ou outra finalidade vai depender de luta política na elaboração do Orçamento federal. Por isso, os artistas que até aqui assistiram calados a um teatro definhar na sombra de um estádio que surgia precisam estar atentos.

Será preciso convencer os eleitores para que eles convençam os governos e parlamentares a preferirem um teatro necessário a um estádio sem função. Caso contrário, democraticamente, o teatro continuará fechado e o estádio, vazio.

Os gregos separaram aritmética e dramaturgia, a fantasia nos palcos e a realidade na política.

Foi a aliança dos políticos de todos os partidos com os líderes de classes, patronais ou trabalhistas, que nos passaram a ilusão de que os recursos financeiros públicos seriam ilimitados, permitindo fantasias na política.

A partir de agora não bastará lutar por mais recursos para o teatro, será necessário lutar também para tirar recursos para outras finalidades.

A política subirá para o mundo da realidade, por disputas conforme interesses, preferências, lutas entre classes. A ilusão ficará no palco, nos roteiros das peças, nas partituras, no destino dos personagens, não na política e nas finanças.

Pena que muitos ainda preferem a ilusão fiscal do orçamento à ilusão artística do teatro; e o sectarismo faz com que alguns artistas fiquem contra a recuperação do teatro porque estará sendo feita por um governo ao qual se opõem.

Teatro Nacional Claudio Santoro  (Foto: Bento Viana)Teatro Nacional Claudio Santoro (Foto: Bento Viana)

 

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VALEU À PENA

Não dá para aceitar a suposição de ter havido um atentado, sabotagem ou coisa igual. Mesmo assim, lá no fundo do cérebro, permanecerá a dúvida. Mesmo sabendo  que de nada adiantaria, pois a Operação Lava Jato dobrou a curva da esquina. Quem se tornar relator do processo estará obrigado a seguir adiante na condenação dos corruptos envolvidos no escândalo.

A vida tem dessas surpresas. De Tancredo, Ulysses e Teori, entre tantos outros, já estava escrito.

Importa seguir adiante. A delação da Odbrecht não demora a ser conhecida. E outras. Tanto faz quem será o novo relator. Ou quantos corruptos serão denunciados, dispondo ou não de foro especial. A verdade é que montes de políticos, parlamentares ou não, deixarão de ser políticos e certamente, os que tiverem sido parlamentares.

O fundamental, a partir do início da Operação Lava Jato, e tanto faz quem irá encerrá-la, é que conluio entre empreiteiras e políticos está terminado. Claro que crimes continuarão a ser praticados, ainda que em número bem menor. As estrelas de primeira grandeza se apagarão, por ação do ministro Teori Zavaski, abruptamente interrompida mas já completada em sua fase mais importante.

Agora é aguardar as investigações já iniciadas pelas autoridades competentes para apurar o acidente nas águas de Parati. Que o exemplo do morto ilustre permaneça para sempre na crônica do Poder Judiciário. Onde quer que ele se encontre, deixará marcada sua passagem com a lição de que, se a alma não é pequena, valeu à pena…

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RESPONSABILIDADES E CLICHÊS

Na era dos direitos, os deveres são negligenciados ao ponto de as  pessoas sempre atribuírem a terceiros ou a entes imaginados fatos que lhes são imputados.

O bandido, ao violentar a criança, devia estar possuído  por algum demônio, dizem os mais crentes. Outros, arriscando palpites médicos, atribuem o ato a alguma doença.

Garrincha driblou o mundo e  foi driblado impiedosamente pelas armadilhas da vida, poetisa o jornalista baiano Jorginho Ramos.

Garrincha encantou o mundo, mas foi vítima de uma doença  chamada alcoolismo, da qual  não procurou se tratar nem as pessoas achavam naquele tempo que era um problema a  ser resolvido por uma ação solidária dos amigos.

– Eu estava fora de mim – justifica o marido preso ao espancar a esposa quase até  a morte.

– Aconteceu – explica a moça  que engravidou precocemente, como se alguém tivesse encostado nela e sucedido o resultado.

– Ninguém escolhe uma vida dessas  – disse a mulher de um dos presos rebelados de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte.

A autoridade estatal quer exercer suas prerrogativas a qualquer hora, mas, flagrado em alguma situação vexatória, argumenta que está fora de expediente e ninguém tem nada a  ver com sua vida privada.

Quem recebe a missão de representar o coletivo e por isso tem prerrogativas de que as pessoas comuns não desfrutam não pode se comportar como qualquer um. Se o presidente da República for encontrado caído na sarjeta, será  o presidente e não a pessoa física com suas fraquezas  e defeitos.

Quanto à  mania de definir tudo em categorias, para taxar as opiniões e promover o autoengano, cito como exemplo o caso de uma mulher que chegou na DP com o olho roxo e o delegado, após tomar as providências, caiu na besteira de sugerir que ela devia deixar o companheiro porque ele, além de violento, tinha mais força do que ela e  sempre poderia dominá-la.

– O senhor está  sendo sexista  – respondeu, sem prestar atenção  no perigo que correrá dali adiante.

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