Diversidade é o caminho

 Moreira Franco

O incontestável sucesso dos jogos do Rio de Janeiro mostrou ao mundo o que o Brasil e o seu povo têm de melhor. Mesmo sob cenário de tantas adversidades no país, fizemos das competições uma oportunidade de relembrarmos nosso respeito pela diversidade e demonstrarmos nossa capacidade de superar desafios. Precisamos preservar este espírito entre nós para voltarmos ao bom caminho do desenvolvimento econômico e social.

As duas festas que demarcaram o início e o fim dos jogos deram o tom: somos a soma de etnias, culturas e modos de vida que fazem daqui uma das terras mais plurais do mundo. Somos criativos e capazes de inovações que mudam o mundo – quem mais pode se orgulhar da genialidade de Santos Dummont com seu 14 Bis?

 

A sensação de dever cumprido e o prazer de ter encantado bilhões de expectadores em todos os continentes devem nos servir de impulso para enfrentarmos as grandes dificuldades que temos pela frente.

Por erros cometidos nos últimos anos, estamos mergulhados na maior recessão de nossa história. A dramática queda na capacidade de mover a economia não representa apenas uma paralisia do nosso setor produtivo, mas sim o drama de milhões de famílias que sentem em seu cotidiano os efeitos da carestia e da ameaça permanente do desemprego.

Esse cenário custa às famílias a autonomia para decidir seus próprios rumos e impõe perdas de direitos e conquistas obtidas por meio do trabalho. Esse é o legado mais nefasto da crise que vivemos hoje.

Traço um paralelo com o fim da década de 70, quando o país sofria os efeitos do fim do milagre econômico e dos dois choques do petróleo que abalaram o mundo inteiro. Havia então, como agora, escassez de recursos públicos, inflação e inquietação social.

Estamos começando a reconstruir a credibilidade do governo federal diante da sociedade, no Brasil e no exterior. Um trabalho árduo para superar o ciclo vicioso que se instalou no país por conta da arrogância e da falta de visão estratégica: na relação entre o governo e a sociedade faltava confiança e previsibilidade, logo não havia diálogo. Onde não há diálogo, não há avanço.

Precisamos revitalizar o Estado brasileiro, que foi atacado por anos sucessivos em prol da manutenção de um projeto individual de poder. Partimos para esse processo com a convicção de que temos instituições sólidas, que foram capazes de manter a estabilidade mesmo sob a agudez da crise dos últimos dois anos. Some-se a ela o enorme potencial de superar dificuldades do povo brasileiro e temos os elementos para virarmos a página.

Para lidar com tantos desafios, precisamos construir pontes entre todos os setores da sociedade. Há muitos ajustes por serem feitos para que o Brasil volte a avançar econômica e socialmente e se torne uma nação de classe média, em que seus cidadãos vivam de maneira próspera e segura.

Polêmica no mercado da biodiversidade no Brasil (Foto: Thinkstock)O mercado da biodiversidade no Brasil (Foto: Thinkstock)
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A estrela some

PT derretendo (Foto: Arquivo Google)

A ser coerente com a narrativa do seu discurso de defesa no Senado, Dilma Rousseff deveria percorrer o país de ponta a ponta, logo após a consumação do impeachment, e usar o palanque eleitoral do seu partido como trincheira de denúncia e resistência ao que ela e sua trupe chamam de golpe.

Isto tem possibilidade zero de acontecer.

Predomina no Partido dos Trabalhadores um clima de salve-se quem puder, ou de, em tempos de Murici, cada um cuida de si. Diferentemente de 2012, quando Lula e Dilma foram os carros-chefes da propaganda petista, a atual leva de candidatos a prefeito não quer os dois nos seus palanques, principalmente uma soberana escorraçada do trono, com imagem tão ou mais desgastada do que a da própria legenda.

Daqui para a frente a relação Dilma-PT tende a ser como aquele verso de uma música imortalizada por Caetano e Maysa: “podemos ser amigos simplesmente, coisas de amor nunca mais”.

Se é que houve amor entre os dois alguns dia; se é que não ficaram profundos ressentimentos, como revelou o ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, normalmente uma pessoa discreta e reservada, ao blog Socialista morena:

“O PT está tentando fugir de sua responsabilidade, é vergonhoso isso. Quer atribuir a Dilma todos os problemas dele. Tudo que houve com ele, parece que não houve, é só por causa da Dilma que está mal. Quando a questão é inversa: o PT está mal pelos atos que cometeu, não puniu ninguém, não tomou atitudes, providências em relação aos bandidos que tinha dentro do partido, na direção do partido. Uma bandidagem. Tem que fazer um mea culpa e levar às últimas consequências, explicar para a sociedade, deve explicações para a sociedade. E, diante disso, trataram a Dilma muito mal, desde que começou esse rolo aí, sempre trataram mal”.

O desamor é mútuo. Em seu discurso no Senado, Dilma não citou o Partido dos Trabalhadores. Fez autoelogio, endeusou Lula, mas ao PT, nada. Quando fez referência, foi para dizer que “meu partido errou ao não apoiar a Lei da Responsabilidade Fiscal”. No mais, o Partido dos Trabalhadores foi o grande ausente na sua peça de oratória.

A estrela, símbolo do partido, sumiu nos programas televisivos dos principais candidatos petistas. Ou apareceu de forma tão minúscula, tão acanhada, como na propaganda do candidato a reeleição em São Paulo, Fernando Haddad, que para enxergá-la é necessária uma lupa. Aquela estrela vermelha imensa da logomarca de Haddad de 2012 escafedeu-se em 2016, virou um pontinho na tela de TV. Na logomarca de Raul Pont, candidato a prefeito de Porto Alegre e da ala esquerda do PT, a estrelinha também tomou chá de sumiço

O vermelho desbotou, sumiu do mapa.  Em alguns casos “azulou”, como nas peças publicitárias do ex-deputado e atual prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida, que aderiu ao azul e amarelo, mais parecendo um tucano. Aquele mar vermelho não aparece nas bandeiras, deu lugar a uma proliferação de cores nas   campanhas petistas.

Quem entrou na clandestinidade mesmo foi a sigla PT, banida da TV e das peças publicitárias. Qual é o partido de Haddad, de Raul Pont, de Reginaldo Lopes, candidato em BH, dos candidatos Carlinhos, Donizete Braga, de Mauá, e de Edinho Silva, candidato em Araraquara? Ninguém sabe!

Suas propagandas só informam que o número deles é 13. Um dos homens forte do governo Dilma, Edinho Silva omitiu até que foi seu ministro, na descrição de sua trajetória política.

É vexatório e emblemático do oceano de dificuldades no qual está submerso o Partido dos Trabalhadores. Vai disputar as eleições municipais com menor número de candidatos a prefeito, praticamente sem alianças ao centro, e tendo como grande parceiro o PC do B, seu seguidista desde sempre.  Mais grave: sem um discurso efetivo, capaz de calar fundo no coração dos eleitores e de resgatar o brilho de uma estrela opaca.

A direção do PT gostaria imensamente de virar a página, marchar no rumo da refundação de um partido que perdeu o seu charme e está envolvido em suas próprias contradições, ou no mar de lama que criou. Nem mesmo Lula é mais unanimidade.  Sua presença só é bem-vinda em palanques dos grotões do país. Em São Paulo e em outros grandes centros eleitorais virou uma mala sem alça, um andor difícil de carregar.

Imaginem então a Dilma. O discurso do “contra o golpe” não dá votos, razão pela qual só foi assumido por Jandira Feghali, do PC do B do Rio de Janeiro, ou por Raul Pont, que enfrenta em Porto Alegre uma dura concorrência pela esquerda, a da candidatura de Luciana Genro, do PSOL.

Nesse emaranhado de dificuldades, os candidatos petistas apelam para o mandraquismo, como se os eleitores fossem bobos e caíssem em truques de mágica.

Somem com a estrela. Correm o risco de sumirem das urnas. Blog do Noblat

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COMUNISTAS E A IMPLOSÃO DO “ESTADO BURGUÊS”

O comunista Antonio Gramsci, “Il Gobbo”, ao perceber que a revolução bolchevique não passava de um inútil banho de sangue, levantou as principais coordenadas: “Primeiro” – disse ele – “você  destrói a economia, depois destrói o Estado e, em seguida, acaba com a oposição. Aí, toma conta da sociedade. E a melhor maneira de destruir a sociedade capitalista é depravar sua economia”.

Mas como chegar a isso? Bem, o  caminho prático para se chegar ao paraíso comunista seria o de “sobrecarregar” o Estado burguês capitalista. A ideia diabólica seria levar todo mundo a depender, dentro do sistema, das benesses do Estado e passar a mamar nas tetas do governo. Com o tempo, o peso do amparo à pobreza se tornaria insuportável e a sociedade capitalista ruiria, pois, como se sabe, a humanidade sempre viveu em regime de escassez.

Não há prática sem teoria. Assim, inspirado nas teses (doentias) de Gramsci e nas “regras radicais” de Saul Alinsky, agente da KGB infiltrado nas organizações sindicais da Chicago dos anos 30, especialista em fomentar “conquistas sociais”, Richard Cloword e Frances Fox Piven, um casal de fabianos, prescreveu a bula para destruir a democracia capitalista. Nas páginas da “Estratégia Cloword-Piven”, a dupla pontifica: “A economia burguesa será levada ao  colapso por meio da crescente implementação da conquista de direitos patrocinados pelo Estado do bem-estar social”. E mais:

– Ao lado da distribuição das benesses sociais, será necessário ainda expandir o poder de atuação da burocracia visando a criação de leis e pacotes assistenciais e, fundamentado nelas, na expansão do eleitorado dependente do amparo do governo. “Com o aumento da lista de assistidos e a sobrecarga dos direitos sociais será inevitável a deflagração do caos na economia burguesa”.

(Hoje, no Brasil, a partir dos governos socialistas de FHC, Lula da Selva e Dilma Terrorista, ninguém duvida mais que prevalece no pedaço a rigorosa adoção da “estratégia” miserável).

De fato, em vinte anos, para implodir o “sistema burguês” e se manter no poder fáustico, a canalha esquerdista criou cerca de 84 estatais e 39 ministérios prodigalizando regalias tipo “auxílio exclusão”, “seguro-defeso” e “bolsa família”,  institucionalizando, assim, a  malandragem pátria. Por exemplo: visando manter ativo um inusitado “Beneficio de Prestação Continuada” (BPC), para remunerar dependentes que nunca contribuíram com INSS, e que muitas vezes nem existem, o governo babá queima anualmente R$ 45 bilhões.

Outro exemplo claro da ação preconcebida para implodir a economia burguesa identifica-se na criação da Empresa de Planejamento e Logística destinada à construção do trem-bala, cujo projeto, abandonado, redunda no desperdício anual de milhões no custeio da folha de pagamento de funcionários ociosos.

Neste banquete de horror socialista, 300 mil ativistas terceirizados e 100 mil “boquinhas” comissionadas em ministérios e estatais se refestelam na grana pública.

Some-se a tudo isto, as despesas colossais com os salários nababescos das burocracias do executivo, legislativo e judiciário, incorporando   aumentos crescentes e isonomias em cascata, bem como mordomias, viagens oficiais aos borbotões, para não falar nos bilhões dos fundos de pensões, nas fortunas para produções de filmes pornográficos e políticos, em shows permissivos de artistas engajados e mais o desperdício sem controle de verbas das universidades  e de obras públicas fraudulentas que oficializam o sumidouro de propinas e roubos partidários e então… e então teremos a justificativa do porquê a economia burguesa dançou e o socialismo dos neomarxistas se impôs à nação perplexa, humilhada e ofendida.

 

PS – A julgar pelo que vocifera o sinuoso ministro Meirelles, mão de ferro do governo social-democrata da era Temer, caberá ao contribuinte (a descarnada classe média, por assim dizer) pagar o ônus da ruinosa “estratégia”. Ele sustenta, com dose de cinismo, que se não houver aumento da arrecadação pelo crescimento da produção, só restará ao governo o aumento da carga tributária, “pontual e temporário”, para se chegar ao inatingível “ajuste fiscal”. Como diria o carniceiro Lenin – o que fazer?

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DEMAGOGOS E PARASITAS

Demagogos, parasitas e medíocres, alimentados pela torpeza, covardia e vingança, como os deputados Alessandro Molon e Jandira Feghali,  passaram meses xingando o deputado Eduardo Cunha. Tática idiota  com o objetivo de colher vantagens eleitorais  à custa do ex-presidente da Câmara na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro. Coitados. As pesquisas mostram que Molon e Jandira estão  na rabiola da aceitação popular. Lá permanecerão. Atolados nos 3%.  O eleitor carioca não é bobo. Vai eleger um candidato qualificado,  realmente interessado  em solucionar os graves problemas da população.  Em outros Estados o quadro é idêntico.  Deputados moluscos desafetos de Cunha     também serão derrotados sem dó nem piedade em outubro.  O fracasso eleitoral   aguarda por todos eles.  Corja de sacripantas. Vão cortar os pulsos ou, então, se jogar nos trilhos do metrô. A humanidade agradece.

 

Jornal francês é mentiroso e arrogante
Opinião do jornal “Le Monde”, ou de  qualquer outro jornal estrangeiro, sobre o impeachment de Dilma não tem nenhuma importância. Peso zero. Apenas servem de consolo para os adeptos de Dilma. Críticas do jornal francês não vão mudar os votos dos senadores favoráveis a saida da presidenta. Não preocupam, não sensibilizam nem intimidam os senadores. Nessa linha, creio que correspondentes dos jornais do exterior, incluindo o “Le Monde” deveriam se informar melhor, estudar mais, ouvir fontes mais isentas e qualificadas sobre temas relacionados com a vida brasileira. É feio e jornalismo ruim informar errado os leitores. Igualmente degradante para o próprio jornalista que manda a notícia truncada e também para o jornal onde trabalha.

 

Senadores histéricos e irresponsáveis
O senador Renan Calheiros fez muito bem em coibir, com firmeza e clareza, os excessos verbais e espetáculos de histerismo, cinismo e arrogância da combalida e melancólica bancada da chupeta, integrada por senadores defensores da presidenta Dilma. Senadores dilmistas exibem  shows de grosseria, petulância e falta de educação, contribuindo mais ainda para o desgaste da classe política junto a sociedade.  Os deprimentes senadores e senadoras dilmistas também mostram desrespeito com o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, que preside os trabalhos . Senadores dilmistas não ganharão no grito a guerra do impeachment. Perderão no voto. É o desejo da maioria esmagadora dos brasileiros.

 

Faz tempo que o jogo acabou para Dilma
Ninguém aguenta mais tanta demagogia, conversa fiada, cinismo e perda de tempo. Nem orações do Papa Francisco, em diversos idiomas, da janela do Vaticano, com transmissão ao vivo para o mundo inteiro, inclusive para  o planeta habitável próximo da Terra, que acaba de ser descoberto, evitará o impeachment de Dilma.

 

Pobre diabo Simon
Pedro Simon voltou . O  idoso falastrão  veio dos pampas para deleitar os brasileiros. Simon é craque em lorotas e conversa fiada.  Em entrevista ao Correio Braziliense( 22/ 8) sepultou de vez as esperanças de Dilma evitar o impeachment. Católico fervoroso,  bateu o martelo: “Pelo amor de Deus, ela é culpada”. Pelo jeito o ex-senador que não sabe o que fazer com as mãos, sonha com alguma boquinha no governo Temer.  Michel Temer  terá que prestar contas com os deuses da política, se não tiver o bom senso de escalar Simon para conselheiro do novo governo. É agora ou nunca para Simon. Tentou em vão ser ministro de Itamar Franco. Insistiu com Lula e Dilma. Necas. Talvez por isso, Simon não perca a mania de colocar defeito nos politicos. Claro, o Brasil não anda porque fazem tudo errado. Governantes não   seguem a bola de cristal do prolixo dom Pedrito. Sobrou farpas até para o ex-presidente Collor. “Foi um cometa, não sobrou nada dele”. Simon carrega mágoas de Collor. Até hoje não digeriu e tem pesadelos por ter sido chamado de parlapatão pelo ex-presidente, no plenário do senado. Collor é senador reeleito e Pedro Simon foi para casa, delirando pelo poder.

 

Bronca oportuna de Gilmar em Janot
Aproveitando o fim das olimpíadas, diria que no  arranca-rabo de Gilmar Mendes com Rodrigo Janot, o ministro é o campeoníssimo Blot e o procurador-geral é o melancólico nadador moleque Lochte Ryan. Aposto um picolé  se com a dura e oportuna bronca de Mendes, os sucessivos e torpes vazamentos  seletivos não  sairão bastante de cena.

 

A inteligência é vital!
É INACREDITÁVEL que a Presidente DILMA na sua última  e demagógica reforma ministerial, tenha extinguido o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), diante de tantos ministérios ociosos e improdutivos, justamente às vésperas das Olimpíadas. Além do mais, subordinou a Casa Militar a um civil. Quanta falta de assessoria e de sensibilidade!

Observe-se que na sua despedida do Palácio do Planalto, não se viu um único militar fardado a seu lado.

No afastamento de COLLOR, integrantes do Gabinete Militar o acompanharam até o helicóptero que o conduziu à Casa da Dinda, passando pela guarda em forma daqueles que não estavam empenhados na segurança pessoal e patrimonial.

O militar não serve a governos e sim ao País. A lealdade é um apanágio da carreira e uma de suas nobres virtudes. O soldado nada exige e nada pede, além do respeito. É por esta e por outras que desfruta de conceito invejável na opinião pública para descontentamento de muitos.

Assim que assumiu interinamente a Presidência da República, TEMER prestigiou os militares, recriou o GSI/PR e valorizou a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), grandes responsáveis pela garantia da segurança nas Olimpíadas, juntamente com as agências internacionais de informações, com as Forças Armadas, a Força Nacional, policiais civis e militares, e os órgãos de segurança pública estadual e municipal.

Desta feita, houve vontade política de todas as autoridades envolvidas  no megaevento para que os obstáculos fossem superados e as tão necessárias e eficazes medidas preventivas fossem adotadas.

Foi preciso AGIR com presteza e oportunidade para contornar vulnerabilidades que pudessem ser exploradas por criminosos e pelos “ratos solitários”.

Os governos de diferentes níveis superaram divergências e antagonismos, priorizando a segurança dos atletas, das delegações, dos turistas e da população. O mesmo ocorreu com as forças e com o pessoal envolvidos  em empreendimento de tal envergadura.

A segurança total é utópica mas as ações pré e pró-ativas reduzem os riscos.

O trabalho de todos os integrantes do sistema de  Inteligência é anônimo, sigiloso e discreto, devendo ser ressaltado.

A mídia  nacional e a internacional não pouparam elogios a tudo que ocorreu nas Olimpíadas, sempre destacando a tranquilidade propiciada por eficaz segurança.

Os Ministros da Justiça, da Defesa e do Esporte fizeram questão de agradecer a atuação de todos que, direta e indiretamente, contribuíram para o ambiente de normalidade nas inúmeras arenas esportivas e nos vários locais turísticos da cidade maravilhosa. E o Exército Brasileiro mereceu referência especial.

A solenidade de abertura das Olimpíadas foi exuberante. Na de encerramento, o Maracanã caiu no samba literalmente com a interação, no gramado, de atletas de diferentes nacionalidades demonstrando alegria incomensurável.

A nossa autoestima, combalida por problemas de toda ordem, aumentou e, na realidade,fomos medalhistas de ouro em termos de calor humano e de segurança.

Ficou mais uma vez comprovado que a Inteligência é de vital importância para o êxito de qualquer operação. (DIÓGENES DANTAS FILHO- Coronel Forças Especiais/Consultor de Segurança)

 

Canalhas insultam Marlen
Ratazanas das redes sociais jogaram as patas no correto e bravo jornalista Marlen Lima. São os canalhas e parasitas habituais que insultam e caluniam

quem trabalha com isenção. É a corja de covardes que se esconde atrás de nomes falsos. Que não honra as calças que veste. Marlen Lima é forjado em lutas. Segue as lições do pai, Manoel Lima, segundo as quais os homens de bem não se intimidam diante das ameaças e torpezas dos crápulas. Marlen  continuará prestando serviços ao jornalismo no aguerrido site Agência Norte. Doa a quem doer.

 

 

Limongi é jornalista.  Sócio da ABI há 40 anos. Trabalhou no O Globo, TV-Brasilia,  Última Hora de Brasilia, Confederação Nacional da Agricultura, Universidade de Brasilia e na Suframa. é servidor aposentado do Senado Federal.

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Receita vai multar o Instituto Lula: entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões

 

O Fisco encontrou irregularidades na prestação de contas e suspendeu a imunidade tributária da entidade entre 2011 e 2014; numa delas, o filho de Lula recebeu por serviço que o órgão público diz que não foi prestado

Por: Reinaldo Azevedo

É… A vida não anda fácil para o indiciado Luiz Inácio Lula da Silva. Há tempos e por boas razões, o instituto que leva seu nome está na mira das autoridades, também as da Receita Federal. Só para lembrar: entidades dessa natureza gozam da chamada “isenção tributária”. Não pagam impostos, mas precisam prestar contas do trabalho que fazem. Pois é… Foi aí que o bicho pegou. O Fisco viu desvio de finalidade no Instituto Lula e resolveu suspender o benefício no período que vai de 2011, quando foi criado, a 2014. Isso significa que a entidade terá de recolher os impostos que não foram pagos no período: a conta ficará entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões, informa Julio Wiziack, em reportagem na Folha. Entram no espeto o Imposto de Renda e as contribuições sociais.

A irregularidade mais saliente, ora vejam, é o pagamento que o Instituto fez de R$ 1,3 milhão à empresa G4. De quem é a G4? De Fábio Luís da Silva, o dito “Lulinha”, e Fernando Bittar, apontado como sócio do polêmico sítio de Atibaia. Os auditores dizem que não houve a prestação de serviço e que se tratou apenas de uma operação para mascarar a transferência de recursos para o ex-presidente ou para familiares. Eis o desvio de finalidade.

Nesses três anos da análise, empresas privadas doaram R$ 35 milhões para o Instituto — R$ 18 milhões oriundos de empreiteiras investigadas na Lava Jato. Alguém poderia dizer: “Ora, o que o Fisco tem com isso? Se as empresas quiseram doar ao instituto…”. Pois é. Ocorre que, dada a natureza da entidade, não se pagam impostos. Logo, parte daqueles recursos tem natureza pública. Se a Receita diz que não há comprovação do serviço, parte, então, da grana pública foi parar nas mãos de familiares de Lula.

Segundo reportagem da Folha, “Os auditores pediram, por exemplo, explicações ao presidente do instituto, Paulo Okamotto, do motivo que teria levado grandes construtoras a doarem ao menos R$ 18 milhões. Além disso, contestaram doações de duas entidades sem fins lucrativos que, juntas, destinaram R$ 1,5 milhão ao instituto entre 2013 e 2014”.

Okamotto negou irregularidades e afirmou que o objetivo do órgão é replicar em países da África em que as empreiteiras atuam experiências sociais bem-sucedidas no Brasil. Aí o Fisco quis saber por que, então, não existe projeto nenhum. O presidente da entidade disse que se resolveu dar prioridade à organização do instituto.

Ah, bom!

A gente nota que a família Lula da Silva é mesmo um portento. O Lula da Silva pai deu palestras mundo afora que ninguém viu e que jamais se documentaram. Um dos filhos, o Cláudio, prestou serviços a uma empresa de lobby que consistiu em fazer uma cópia/cola de um verbete da Wikipedia. É investigado na Operação Zelotes. O outro filho, o Lulinha — aquele que conseguiu enriquecer logo no segundo ano do mandato do pai —, prestou um serviço ao instituto que a Receita não conseguiu achar.

Lula, como se vê, não conseguiu levar a classe operária ao paraíso, mas conseguiu levar o paraíso para, ao menos, alguns ex-operários, certo?

A Lava Jato também está de olho do instituto. Há a suspeita de que a entidade sirva para lavar dinheiro de propina, o que os companheiros negam, é claro.

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Senadores dizem que Dilma ficará em plenário pelo tempo que for necessário

Presidenta Dilma Rousseff recebe o ex-presidente Lula no Palácio da Alvorada. (Brasília - DF, 28/08/2016) Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma recebe Lula na véspera do depoimento no Senado

Marina Dias
Folha

Um dia antes do discurso que fará no plenário do Senado, a presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo (28) a senadores que está “segura” e ficará no plenário “até o horário necessário”. Dilma conversou por viva-voz com senadores de sua base aliada que estavam reunidos no apartamento de Lídice da Mata (PSB-BA) e foi questionada sobre sua “disposição” em ficar muitas horas respondendo a perguntas dos parlamentares, visto que há 47 inscritos até agora.

Segundo presentes, Dilma respondeu que estava sendo “pega de surpresa” com a dúvida, mas que achava melhor “esgotarmos até o horário necessário”.

“Ela está disposta a amanhecer respondendo”, afirmou Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ao sair do encontro marcado para definir as estratégias que os senadores adotarão na sessão desta segunda-feira (29), com a presença da petista.

NO ALVORADA – A presidente afastada estava no Palácio da Alvorada para um jantar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros aliados, quando recebeu o telefonema da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que também estava na residência de Lídice. Durante a ligação, senadores e Dilma trocaram impressões sobre o julgamento e a petista agradeceu o “empenho” dos congressistas.

Apesar dos esforços, nem mesmo os auxiliares mais próximos à petista acreditam que o discurso dela possa reverter votos. A fala de Dilma deve durar pouco mais de trinta minutos, adotar um tom emocional e registrar na história os efeitos do que ela chama de “golpe”.

Durante boa parte do domingo (28) Dilma se preparou para o discurso e as perguntas que deverá responder dos senadores, tanto de sua base como de oposição.

Da reunião na casa de Lídice participaram 12 senadores, entre eles Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Jorge Viana (PT-AC), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Roberto Requião (PMDB-PR), entre outros.

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A VOLUNTARIOSA

Passamos dias ouvindo falar maravilhas deles, lembrados e homenageados na abertura e no encerramento, aparecendo sempre felizes, cordatos e sorridentes, mesmo quando obrigados a usar uma roupa horrorosa como aquela dos que entregavam as medalhas. Disseram até que o sucesso do evento se deveu muito a eles, aos milhares de voluntários que participaram da Olimpíada e que ainda ouviremos falar atuando na Paraolimpíadas.

 

Palavra positiva, ato positivo, merecedor de elogios, tudo o que se faz de oferecimento, de bom grado e boa vontade nesse mundo tão cheio de egoísmo e tristezas é bom motivo para reconhecimento. Pensei na palavra também como singular, desprovida de bens, desinteressada, perambulando por aí à procura de alguém que precise de alguma ajuda. Os voluntários normalmente são seres quase invisíveis. Foi importante vê-los materializados, brasileiros e estrangeiros, mais de 50 mil inscritos, entrevistados, fichados, vasculhados, que tínhamos medo de ataque, de infiltrados, lembra?

Voluntários são também alguns movimentos, do nosso corpo, por exemplo, quando repetimos instintivamente reflexos, que, contudo, também podem ser involuntários para confundir o cérebro, de onde saem todos os comandos.

Mas pega a palavra daqui, estica ela de lá, puxa para cá, não é que acabei por chegar à política nacional? Nos novos voluntários da pátria? Estamos cheios deles, todos agindo em nosso nome, juntos e misturados. Afinal, não é bolinho ficar ali num grupinho ardiloso e visivelmente minoritário sentado juntinho na primeira fila defendendo há meses um legado fracassado, tentando atrapalhar qualquer bola quicando no gol, e às vezes até esporte virulento, exercício de chatice, lance teatral, bola cantada e ensaiada. Um mini coro, que já integra o folclore. Narizinho, Lindinho, Jardim de Infância, andam cheios de hematomas de tanto apanhar nos plenários da vida.

E tudo isso, para defender quem? Nada menos que A voluntariosa, que fez e aconteceu, ou não fez, não viu e aconteceu. Avisada, deu de ombros. Ignorou aliados e desalinhados. Caprichosa, teimosa, imperial. Assistiu o país indo para o ralo e, se fizermos as contas nos deixou completamente sem governo praticamente desde que assumiu o segundo mandato, em mentirosa eleição. Não houve dia de sossego, em que não tivesse de se defender de alguma acusação, grande parte das vezes ou vinda de pessoas e do universo ao seu redor ou sobre elas próprias e seu partido. Tem a praga da Casa Civil, a saga da tesouraria do partido, a síndrome da amnésia, a crise de golpe-soluço; tem os momentos de históricos discursos sem-pé-nem-cabeça ao som de caxirolas. O bate o pé, bate aqui o meu pezinho, birrenta, marrentinha.

Sem esquecer, claro, mas isso até é acessório, os momentos regime, momentos pedaladas no meio dos carros para demonstrar tranquilidade, dias de cara virada para o padrinho e ataques de fúria vazados para a imprensa. Fora o lado tinhoso e o jeito de dar chás de cadeira memoráveis a certas pessoas. Virou refém de si mesma se distanciando sem perceber dela própria, da tal coração valente, da mulher ativa que enfrentou um câncer, a ditadura, a prisão, a primeira a chegar à presidência.

Vivemos, involuntariamente, os últimos dias de um doloroso processo que ninguém em sã consciência gostaria de estar vivendo, mas para isso foi levado, e não há como não admitir isso, nem que seja com seus próprios botões, que ainda vejo amigos queridos se debatendo publicamente em estertores. Cada dia é mais claro que o motivo do papel que vai ser julgado para o afastamento é um, pesado, mas um; e que aqui do lado de fora o motivo pelo qual o povo está bem pacato assistindo o desenrolar da novela é o conjunto da obra, visível de forma límpida, sentido na pele de várias formas, diversificadas peles.

Ninguém aguenta mais – essa é a verdade. Voluntários já estão a postos – espero – para logo depois dessa falação toda com direito a choros, fúrias, gafes, e que veremos entre batidas na mesa e palavras duras, começar a empurrar a engrenagem para o dia seguinte em diante.

Botando os olhos bem abertos, de butuca, em cima do homem que se voluntariou para ocupar o espaço e o poder, e que também desde que sentou na tal cadeira faz de tudo para se desvencilhar da trama que também fiou.

 

Marli Gonçalves, jornalista – – Só falta aparecer algo como aquela imagem do Tio Sam procurando voluntários com o dedo apontado, dizendo que precisava de gente para a guerra. Imaginem que filme de terror. SP, ligada em Brasília para setembro raiar, 2016

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JUSTIÇA BÊBADA

Maceió – Existe algo na justiça brasileira além dos aviões de carreira. O ministro do STF, Gilmar Mendes, parece que anda um pouco aborrecido com os procuradores do Rodrigo Janot ao criticar os trabalhos da Lava Jato. Insurge-se contra o vazamento dos depoimentos das delações premiadas depois que a revista Veja estampou na capa uma matéria sobre a intimidade do ministro DiasToffoli com o empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, condenado pela justiça.

 

Sem papas na língua, o ministro é chegado a arroubos que, por vezes, assustam até seus pares dentro do tribunal. Antes de insinuar que os procuradores estariam vazando informações para prejudicar seu colega, Mendes já havia causado outra polêmica de efeito bombástico. Disse, por exemplo, que a lei da ficha limpa teria sido feita por “bêbados”, o que levou o ministro Luís Roberto Barroso, seu colega de tribunal, a contestá-lo: “É uma lei sóbria”, refutou. O desarranjo verbal entre os notórios da justiça brasileira já vem ocorrendo há muito tempo, depois que alguns ministros do STF se sentiram inferiorizados com o trabalho eficiente e consequente dos procuradores na operação Lava Jato.

 

Dessa vez prevalece o corporativismo. Gilmar Mendes não gostou nem um pouco de ver Toffoli exposto em capa de revista numa matéria que o compromete seriamente. Ele acha que a retaliação ao ministro ficou claro depois que ele concedeu um habeas corpus ao ex-ministro petista Paulo Bernardo, livrando-a das garras da Justiça. E não poupou criticas aos trabalhos da equipe do Janot: “Houve manifestações críticas dos procuradores. Isso já mostra uma atitude deletéria. Quem faz isso está abusando da autoridade”.

 

Na delação, Leo Pinheiro deixa claro a sua intimidade com Tofolli em uma transação que envolveu a reforma de uma mansão do ministro no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Janot ofendeu-se com a insinuação de que a procuradoria teria vazado a informação e saiu em defesa da sua equipe: “Ninguém vaza o que não tem”.  E completou que há um “estelionato delacional” para pressionar o Ministério Público a homologar as delações com a divulgação das informações.

 

Gilmar Mendes foi o único entre os ministros a sair em defesa de Tofolli, que tem poucos amigos dentro do STF ainda ressentidos pela forma como ele chegou à Corte. A maioria dos ministros acha que Toffoli não tinha qualificação para exercer a função, pois teria sido reprovado em dois concursos públicos para juiz. Além disso saíra das hostes do PT direto para o STF, depois de ter sido o principal auxiliar de Zé Dirceu na Casa Civil. Portanto, as deliberações do ministro sobre processos que envolvem petistas nunca serão vistas com bons olhos por seus colegas de tribunal. E claro, pela população.

 

Na verdade, ao sair em defesa do colega, Mendes pretende frear qualquer outro vazamento que venha a comprometer membros do STF. Teme que outras delações entre pelos corredores do tribunal sem que seus acusados tenham o direito de defesa antes dos escândalos chegaram à mídia. Seria então um habeas corpus preventivo para prevenir insinuações ou acusações maldosas contra os principais homens da justiça brasileira.

 

Ora, já diz o ditado que “quem não deve não teme”. Gilmar Mendes ajudaria muito mais o povo brasileiro se deixasse vir à tona a intimidade comprometedora de alguns de seus pares com figuras suspeitas do mundo empresarial e político. Foi assim que o Brasil ficou sabendo que o ministro Ribeiro Dantas, do STJ, teria sido cooptado pela Dilma para conceder um habeas-corpus a Marcelo Odebrecht, réu condenado pelo juiz Sergio Moro, como acusou o senador Delcídio do Amaral em delação premiada. O caso, revelado com estardalhaço durante a operação Lava Jato, mantém-se até hoje sob o manto da impunidade.

 

O vazamento de informações de delatores na Lava Jato pode até ser imprudente, como diz Gilmar Mendes, mas que lava a alma do povo não há menor dúvida. Os brasileiros estão acostumados a um STF leniente, passivo e indolente no julgamento de processos que envolvem pessoas influentes. Muitos desses processos prescrevem e outros mantêm-se arquivados até virar pó. Portanto, quando vem a público um malfeito de um desses ministros, o povo, com a sua sabedoria, aplaude.

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Sem solução mágica

Devemos ter a consciência de que os governos, qualquer um deles, não podem se colocar ou serem vistos como salvadores da pátria

Paulo Hartung, O Globo

Nos últimos tempos, especialmente nestes dias, tem-se colocado na conta do resultado de um julgamento político a solução mágica da salvação nacional — como se de alguma forma isso fosse possível. Mas, como se sabe, a história não se faz de saltos ou passes de magia. Evidentemente que o traumático processo político pauta as atenções, mas não se pode esperar de seu veredicto, qualquer que seja, o condão de tirar o país da errância a que escandalosamente fomos submetidos (déficit fiscal, perda de confiança, juros altos, recessão, desemprego assustador, empobrecimento de milhões de pessoas).

Leon Tolstoi escreveu que “o lugar que ocupamos é menos importante do que aquele para o qual nos dirigimos”. Como não reconhecer que é o futuro, efetivamente, a nossa grande obra se quisermos uma história diferente? Ou seja, precisamos, na atualidade, focar numa agenda estruturante para viabilizarmos um futuro pro- missor para o país. Brasília e o Brasil precisam tomar consciência de que estamos à beira do precipício. Mas, ao invés disso, o que temos visto é uma dança de personagens em torno da mesma cantilena latino-americana de irresponsabilidade fiscal e clientelismo governamental.

Um pouco mais desse entorpecimento populista, e já estaremos no fundo do abismo. Mas o que fazer? Venho propondo ao país uma agenda de seis pontos, decisiva para construirmos um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e sólido. Primeiramente, a reorganização das contas públicas, incluindo a reforma da Previdência, a contenção de gastos e a revisão ampla tanto de programas inefetivos quanto de desonerações e subsídios. Importante também manter a coerência entre o discurso de ajuste fiscal e a prática, estancando as pressões corporativistas.

O anacrônico sistema político não dialoga com os anseios e as práticas de sociabilidade atuais. É preciso estabelecer novas formas de diálogo e interação com os cidadãos, além de novas abordagens acerca de temas como cláusula de barreira, proibição de coligações em eleições proporcionais e financiamento de campanhas. É preciso melhorar os marcos regulatórios, garantindo segurança jurídica aos investidores, principalmente em infraestrutura .

Em especial, se impõe a reorganização do marco regulatório da indústria do petróleo e gás. Devido ao intervencionismo, a erros regulatórios, e à queda dos preços internacionais do óleo, esse setor estratégico entrou em colapso. As parcerias público-privadas, as concessões, entre outros, colocam-se como alternativas de promoção do desenvolvimento para além das ações de um Estado que, se nunca pôde tudo, pode muito menos nesta quadra da história. E temos a impositiva qualificação da educação básica.

Além de ser pré-requisito da ação política republicana de oferta igualitária de oportunidades a todos, a educação de qualidade é um diferencial de competitividade. Como sexto ponto, destaco a necessidade de fortalecer os órgãos de controle. Através deles, e com uma aplicação eficiente da Lei Anticorrup- ção, podemos construir um país mais eficiente na aplicação do dinheiro público. Por fim, é preciso acrescentar que, se o desfecho de um processo político não tem a potência de salvar o país, devemos também ter a consciência de que os governos, qualquer um deles, não podem se colocar ou serem vistos como salvadores da pátria.

Por tudo isso é que, independentemente da conclusão deste julgamento político, deve-se colocar uma agenda emergencial como tarefa de todos os brasileiros, seja no setor público, seja no âmbito das atividades produtivas privadas, seja na esfera da sociedade civil.

Mágica (Foto: Arquivo Google)

Paulo Hartung é governador do Espírito Santo

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