PSICODRAMAS

 Por Fernando Gabeira

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Lava Jato chega ao núcleo duro do petismo. Soa o alarme no PT: “O alvo é Lula”. Luciano Coutinho na mira

 

Tanto diretores da Odebrecht como Ricardo Pessoa, da UTC, afirmaram ao Ministério Público que o então presidente do BNDES estimulava os empresários a falar com tesoureiro da campanha de Dilma

Por: Reinaldo Azevedo

Desde o começo da Operação Lava Jato, fazia-se uma pergunta surda: “Quando chegará a vez de Antonio Palocci?”. Chegou! Se José Dirceu, antigamente, guardava os arcanos das negociações políticas do PT e depois acabou sendo posto de lado e hoje é um pote até aqui de mágoa com Lula e com o PT, Palocci sempre foi o mago dos entendimentos com o alto empresariado. O mensalão chegou a tangenciá-lo, na figura de um irmão, mas a coisa não prosperou.

Palocci sempre foi o mago do entendimento com o “capital”. E nunca escondeu que fez disso também uma profissão. Tornou-se o, como vou chamar?, consultor mais bem-sucedido do Brasil, mas raramente se meteu com miudezas do cotidiano. Nunca mais voltou a ter o poder que concentrou quando ministro da Fazenda do primeiro governo Lula — nem no breve tempo que chefiou a Casa Civil no primeiro mandato de Dilma. Mas uma coisa é certa: a falta de poder nunca significou falta de influência. Inclusive junto a Lula.

Na raiz da prisão temporária — que é de cinco dias, renováveis por mais cinco —, consta, estão as suas relações com a Odebrecht. Vamos ver. Executivos da empreiteira negociam um acordo de delação premiada que, até onde se sabe, ainda está longe de ser concluído. A questão é saber se as informações que orientam a operação já derivam dessas informações ou a ela se chegou independentemente da colaboração.

Os três tesoureiros do PT já foram presos. Os dois ministros da Fazenda de Lula já tiveram prisão provisória decretada: Guido Mantega e agora Palocci. Quem aguarda na fila a hora de ser atraído para o olho do furacão é Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES. O banco foi peça central do, digamos assim, modelo econômico do PT.

Segundo informações que já chegaram à imprensa, executivos da Odebrecht teriam revelado aos procuradores que Guido Mantega e Luciano Coutinho usaram o BNDES para pressionar empresários a fazer doações à campanha de Dilma. Ricardo Pessoa, da UTC, fez afirmação semelhante em depoimento a Sergio Moro.

Note-se: nesse caso, não se trata de dizer que o diretor X ou Y da Petrobras, afinal, devia satisfações a Lula porque este, no fim das contas, era o responsável último pelas nomeações. Ninguém tem dúvida de que Mantega, Palocci e Coutinho, estes sim, obedeciam às ordens de um chefe.

Agora a Lava Jato chega ao núcleo duro do sistema.

Prisão justa?
Vamos ver os motivos alegados. Palocci está na mira faz tempo. Segundo a Lei 7.960, ao expediente se justifica nestes três casos:
Art. 1° Caberá prisão temporária:
I – quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;
II – quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade;
III – quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:
a) homicídio doloso;
b) sequestro ou cárcere privado;
c) roubo;
d) extorsão;
e) extorsão mediante sequestro;
f) estupro;
g) atentado violento ao pudor;
h) rapto violento;
i) epidemia com resultado de morte;
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte;
l) quadrilha ou bando;
m) genocídio, em qualquer de sua formas típicas;
n) tráfico de drogas;
o) crimes contra o sistema financeiro;
p) crimes previstos na Lei de Terrorismo.

Descartem-se, claro, os Incisos II e III. Assim, Palocci certamente foi preso porque o Ministério Público e o juiz Sergio Moro consideraram que a prisão era imprescindível para a investigação. Quando houver mais dados, ficará claro se era ou não.

De todo modo, ao prender aquele que é, até agora, o petista mais graduado quando se somam a importância que teve no governo, a influência que tem no partido e a proximidade com Lula, a Lava Jato também manda um recado: não se intimidou com os protestos que se sucederam à prisão de Guido Mantega.

O alarme tocou no PT: os capas-pretas do partido acham que a operação está fechando o cerco a Lula.

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“Atuação de Palocci na Lava Jato era maior do que a de Dirceu”, diz a força-tarefa

Delegado federal Hille Pace explica como Palocci atuava

Deu em O Globo

A prisão do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci, nesta segunda-feira, se deu por conta de sua relação criminosa com a empreiteira Odebrecht, de acordo com a força-tarefa em coletiva de imprensa. “A Odebrecht tinha uma verdadeira conta corrente com o Partido dos Trabalhadores” – disse Filipe Hille Pace, delegado da Polícia Federal, colocando o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci no centro do esquema.

Segundo a Polícia Federal, que pediu a prisão temporária de Palocci, quebrando uma tradição na Lava-Jato de o Ministério Público Federal pedir as prisões, Marcelo Odebrecht “tinha ciência e autorizava tais pagamentos”.

Nas planilhas, os primeiros pagamentos de propina da Odebrecht para Palocci ocorreram em 2008 e estão atrelados às eleições municipais. Há outros lançamentos de valores nos anos seguintes: 2010, 2011, 2012 e 2013.

APOIO NO BNDES – Ainda segundo a PF, a Odebrecht buscou apoio de Palocci para buscar ajuda do BNDES para aumentar a sua linha de crédito.

Chegam ao montante de R$ 128 milhões registrados como entregues a Palocci no esquema, segundo o Ministério Público Federal. “Houve intensa atuação de Palocci na defesa de interesses da Odebrecht perante à administração pública federal” – disse a procuradora da República Laura Tessler.

Segundo a PF, há registros ainda de troca de mensagens telefônica entre os dois em 2012, no qual seriam tratados temas como programas de submarino nuclear e a construção da Arena Corinthians.

CODINOME “ITALIANO” – “Em um momento ele (Marcelo Odebrecht) vincula a conta de projetos ao ‘italiano’, o que nos leva a crer que também houve pagamentos de vantagens indevidas “- disse o delegado Hille Pace.

Outra acusação contra Palocci e seus assessores é que eles intermediaram a compra, pela Odebrecht, de um prédio que seria a sede do Instituto Lula – conforme noticiou O Globo em julho.

Esse prédio também está na mira da Receita Federal, disse Roberto Leonel de Oliveira Lima, auditor da Receita Federal, durante a coletiva. “Temos um número variado de fatos a ser aprofundados. Nós, da Receita Federal, estamos acompanhando várias vertentes, esse prédio, uma fazenda no Mato Grosso do Sul” – disse Oliveira Lima.

APÓS A LAVA JATO – Segundo a procuradora Laura Tessler, Palocci continuou a atuar após a Lava-Jato, em mensagens “criptografadas” com o grupo Odebrecht.  “Ele foi continuamente informado sobre os procedimentos da compra desse terreno. Preocupações da empresa eram sempre compartilhadas com ele” – disse Laura Tessler, assinalando que também foi encontrada no sítio do ex-presidente Lula uma minuta de contrato da compra esse terreno.

“Dos R$ 128 milhões, a maioria seria destinada, sim, ao Partido dos Trabalhadores” – afirmou a procuradora. “O caminho do dinheiro ainda não foi completamente delineado, a investigação prossegue, daí a necessidade das medidas de hoje”.

O delegado Filipe Pace disse que “não restam dúvidas” de que Pallocci teve um papel maior do que José Dirceu no esquema investigado pela Lava-Jato.

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Temer não será investigado na Lava Jato e Sérgio Machado está livre, leve e solto

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Fotomontagem reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O noticiário político realmente necessita de tradução simultânea, porque as aparências sempre enganam. Quem leu a manchete de O Globo no sábado, por exemplo, ficou sabendo que “STF autoriza apuração inicial sobre Temer” na Lava Jato, com base em denúncia de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Na verdade, não houve nada disso. O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, apenas determinou o fatiamento da delação premiada de Machado e seus três filhos.

CABE À PROCURADORIA – O STF não autorizou nenhuma apuração sobre o presidente Michel Temer, até porque nem poderia fazê-lo, porque cabe à Procuradoria-Geral da República analisar o material e decidir se pedirá abertura de inquérito para investigar os políticos citados, entre eles o presidente Michel Temer.

O fato concreto é que dificilmente o procurador-chefe Rodrigo Janot pedirá investigação sobre Temer, não somente por se tratar de suposto ilícito ocorrido antes de ocupar o mandato (uma alegação moralmente indecorosa, utilizada com êxito pelos advogados da estão presidente Dilma Rousseff), mas sobretudo porque a citação de Temer por Machado é imprecisa e sem maior consistência.

O QUE DISSE MACHADO – Para colocar ordem no raciocínio, vamos conferir a exata transcrição do depoimento de Sérgio Machado:

“Que, sobre a conversa gravada dia 10/3 com Sarney, o depoente esclarece que, quando disse “pro Michel eu dei, referiu-se ao Vice-Presidente Michel Temer; Que Michel Temer apoiava, na eleição municipal de 2012, salvo engano, o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita; Que Chalita não estava bem na campanha; Que o depoente foi acionado pelo Senador Valdir Raupp para obter propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita; Que posteriormente conversou com Michel Temer, na Base Aérea de Brasília, provavelmente no mês de setembro de 2012, sobre o assunto, havendo Michel Temer pedido recursos para a campanha de Gabriel Chalita; Que o depoente se identificou ao adentrar a base aérea; Que o automóvel utilizado fora alugado pela Transpetro junto à Localiza, não lembrando o depoente o modelo; Que o contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita; Que ambos acertaram o valor, que ficou em R$ 1,5 milhão; que a empresa que fez a doação no valor ajustado foi a Queiroz Galvão.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O depoimento de Sérgio Machado deixou claro alguns fatos concretos e irrefutáveis:

1) O delator disse que o senador Valdir Raupp (então presidente do PMDB) pediu “doação oficial” de empresas ligadas à Transpetro, e não propinas para caixa dois, pois quando político fala em doação oficial, é claro que não está tratando de propinas;

2) Machado é que tomou a iniciativa de procurar Temer, que então “pediu recursos para a campanha de Chalita”;

3) Temer não falou em propinas, não existe isso na delação, pois Machado apenas declarou que “o contexto da conversa” é que indicava que se tratava de recursos ilícitos, destacando que seriam encaminhados “na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”;

4)Contexto da conversa” não é prova aceitável em nenhum tribunal do mundo civilizado, e o procurador Janot tem obrigação de conhecer essa realidade jurídica. E quando se fala em doação oficial, isso significa caixa 1, na forma da lei, não há sequer crime eleitoral.

O GRANDE MALANDRO – Na verdade, Sérgio Machado é o maior espertalhão da Lava Jato. Sem ter foro privilegiado, arranjou uma forma de ser investigado pelo Supremo, para se livrar do juiz Sérgio Moro. Montou o esquema de gravação das conversas com os amigos Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Jáder Barbalho (que escapou, porque Machado quis gravá-lo numa sessão de quimioterapia e o médico impediu), e com isso conseguiu um generosíssimo acordo de delação que livrou os três de filhos de qualquer punição e preservou o enriquecimento ilícito da família.

Pai e filhos aceitaram devolver R$ 75 milhões em suaves prestações, enquanto o jornal britânico “The Guardian” revelava que Expedito Neto, um dos filhos de Machado, investiu em apenas quatro anos o equivalente a R$ 90 milhões em imóveis de altíssimo luxo na Inglaterra.  Detalhe: este rapaz nunca trabalhou na vida e teria ficado rico assim por osmose.

SEM TORNOZELEIRA – Livre do juiz Sergio Moro e confiante na impunidade propiciada pela lerdeza do Supremo, Machado está tão tranquilo que quebrou ao acordo de delação, dispensou a tornozeleira e não vai nem cumprir a prisão domiciliar. Prefere ser julgado pelo STF no dia de “São Nunca”, vejam a que ponto de esculhambação chegamos.

A preservação da riqueza ilícita da família Machado, sem o sequestro dos bens, representa uma afronta aos brasileiros que vivem de seu trabalho e lutam para sustentar suas famílias. Trata-se de um fato inconteste, que depõe contra a Justiça brasileira, desmoralizando-a por completo. Apenas isso.

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Ex-ministro Antonio Palocci é preso na 35ª fase da Operação Lava-Jato

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Charge do Erasmo, reprodução do Arquivo Google

Deu em O Globo

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palloci foi preso na manhã desta segunda-feira por policiais federais que cumprem mandados de prisão pela 35ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de “Omertà”. A prisão de Palocci aconteceu em São Paulo. Foram expedidos 45 mandados judiciais, sendo 27 de busca e apreensão, três de prisão temporária e 15 de condução coercitiva em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Aproximadamente 180 policiais participam da operação.

A atual fase investiga indícios de uma relação criminosa entre Palocci com o comando da principal empreiteira do país, a Odebrecht, de acordo com a Polícia Federal. Segundo a PF, o investigado principal teria atuado diretamente como intermediário do grupo político do qual faz parte, gerando benefícios “vultosos” em valores ilícitos.

Uma das linhas de investigação apura as tratativas entre o Grupo Odebrecht e o ex-ministro para a tentativa de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009 (que resultaria em imensos benefícios fiscais), aumento da linha de crédito junto ao BNDES para país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais, além de interferência no procedimento licitatório da PETROBRAS para aquisição de 21 navios sonda para exploração da camada pré sal.

SETOR DE PROPINAS

Outro núcleo da investigação apura pagamentos efetuados pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht para diversos beneficiários que estão sendo alvo de medidas de busca e condução coercitiva.

Palocci é o segundo ex-ministro do governos Lula e Dilma a ser preso pelos agentes na operação. Na última semana, Guido Mantega foi detido na 34ª fase da Lava-Jato, batizada de Arquivo X.

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Tchau, PT!

Ricardo Noblat

A menos de uma semana da eleição de 463.374 vereadores e dos prefeitos de 5.568 municípios, o PT parece destinado a ter que recomeçar.

Fundado em 1980, cinco anos depois ele elegeu em Fortaleza seu primeiro prefeito de capital.

Nas eleições de 1988, emplacou os prefeitos de três capitais – São Paulo, Porto Alegre e Vitória.

Este ano, só elegerá no primeiro turno o prefeito de Rio Branco, no Acre.

Aquele que em dezembro de 2009 era o partido preferido por 25% dos brasileiros, em 2015 só contava com a preferência de 9% a 12% deles.

Foi atingido em cheio pelos resultados desastrosos de pouco mais de cinco anos de governo Dilma, pela pior recessão econômica desde os anos 30 do século passado, e pelo maior e mais barulhento escândalo de corrupção política da história do país.

O fundador do PT, presidente da República por oito anos, e uma vez apontado como “o cara” por Barack Obama, é réu em dois processos da Lava Jato e poderá ser condenado, tornando-se assim inelegível.

A mulher que ele elegeu e reelegeu para sucedê-lo foi impedida pelo Congresso de continuar no cargo. O partido corre o risco de perder o seu registro na Justiça.

Tão ou mais grave do que isso será para o PT continuar perdendo apoio popular. E a julgar pelo que indicam até aqui as pesquisas de intenção de voto em 24 capitais, é o que deverá acontecer tão logo se abram as urnas de domingo.

Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição, não acredita mais em vitória. Ali, o segundo turno será disputado por João Dória (PSDB) e mais um.

No Rio, o segundo turno reunirá Marcelo Crivella (PRB) e mais um. O PT sequer lançou candidato próprio.

Ficará também de fora do segundo turno da eleição em Belo Horizonte onde seu candidato amarga 4% das intenções de voto. Fernando Pimentel (PT) governa Minas Gerais. E responde a processo por ter se beneficiado de dinheiro sujo para se eleger. Parte do dinheiro ajudou Dilma a reeleger-se.

O candidato do PT a prefeito de Porto Alegre liderou as pesquisas até há pouco. Foi ultrapassado pelo candidato do PMDB.

Nem candidato a prefeito tem o PT em Salvador. A Bahia é governada pelo PT. É também o Estado que conferiu a Dilma em 2014 uma expressiva vitória.

O candidato do PT a prefeito do Recife irá para o segundo turno contra o atual prefeito do PSB. Os demais se juntarão para derrotá-lo.

Foi para o Nordeste que o PT migrou quando seus votos começaram a escassear no resto do país. Pois bem: por lá, o PT só tem chances de eleger o prefeito de Teresina. O Piauí é governado pelo PT.

Em Fortaleza, a candidata do PT está em terceiro lugar. O PT não lançou candidatos a prefeito em Aracaju e São Luís. Seu candidato em Natal não passou ainda da marca dos 5% dos votos. Nem dos 2% em Maceió e em João Pessoa.

Até a semana passada, o PT imaginava eleger o prefeito de Porto Velho. Agora, não mais.

O Norte e o Centro-Oeste são gigantescas manchas sem um único ponto vermelho à exceção de Rio Branco, reduto dos irmãos Vianna, governador do Acre e senador.

Fora das capitais, o PT perde a eleição em Garanhuns, onde Lula nasceu, e em São Bernardo Campo, onde ele mora. Nos dois lugares, Lula não apareceu para pedir votos.

O maior partido de massas que a esquerda já construiu na América Latina está em liquidação.

Lula (Foto: Agência Estado)Lula (Foto: Agência Estado)

 

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A MP 746 E A REFORMA DO ENSINO MÉDIO

Como cidadão e professor universitário (por mais de dezesseis anos) tenho especial interesse pelos temas relacionados com a educação formal. Assim, diante da edição da Medida Provisória n. 746/2016 e da grande quantidade de informações parciais e desencontradas sobre a reforma do ensino médio pretendida pelo governo do Senhor Michel Temer, resolvi analisar a questão diretamente na fonte, ou seja, no texto do referido ato normativo. Esse esforço produziu o quadro abaixo transcrito com o resumo das definições mais relevantes.

 

Importa definir alguns aspectos básicos para análise da proposta. São elas: a) forma de veiculação; b) situação do debate entre os especialistas e os milhões de interessados; c) modelos adotados em outros países e d) desconsideração da legitimidade, ou não, do governo do Senhor Temer (no mérito, as propostas não são necessariamente adequadas/positivas ou inadequadas/negativas por conta tão somente da assinatura veiculadora da referida Medida Provisória).

 

Parece, pelo que pude pesquisar, que existe um considerável debate em torno da matéria entre os especialistas, os educadores estaduais e o Ministério da Educação. Existem inúmeras referências autorizadas e consistentes no sentido de que o desenho estrutural das mudanças apresentadas estão no rumo das melhores experiências internacionais, especialmente quanto ao ensino integral e a flexibilização da grade curricular. Apesar dessas constatações, não escapa de profunda censura a adoção de Medida Provisória para tratar do assunto. Afinal, o debate entre os especialistas não substitui a participação, decisiva e sem açodamentos, dos milhões de brasileiros diretamente interessados (notadamente, estudantes, familiares dos estudantes e professores).

 

Nessa linha, o sentido geral das propostas veiculadas é positivo. Busca-se a superação de um modelo anacrônico (com mais de uma dezena de disciplinas tratadas como um bloco), produtor de elevados índices de evasão e de uma enorme sensação de distanciamento dos estudantes do ambiente escolar. A escola em tempo integral e os itinerários formativos específicos estão bem mais ajustados a complexidade e a dinâmica da sociedade brasileira na atualidade, além de apontar para uma experiência de formação intelectual mais adequada aos perfis de cada estudante.

 

Subsistem, entretanto, aspectos profundamente preocupantes. Dependendo do rumo adotado em certas definições futuras o sentido geral da reforma pode migrar de um viés positivo para um sentido claramente negativo. São essas as questões mais sensíveis:

 

a) os componentes obrigatórios da base nacional comum curricular serão fixados pelo Conselho Nacional de Educação. Observe-se que o ensino da arte, a educação física, a filosofia e a sociologia deixaram de ser obrigatórias, por lei, no ensino médio. Assim, dependendo do que for estabelecido pelo CNE, a desejável formação intelectual ampla e diversificada dos estudantes pode restar irremediavelmente comprometida;

 

b) houve a supressão das seguintes diretrizes, no plano legal, para elaboração dos currículos do ensino médio: b.1) metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; b.2) educação tecnológica básica (que abre espaço para a melhoria da infraestrutura escolar, notadamente em termos de laboratórios de informática); b.3) compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; b.4) entendimento do processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; b.5) reconhecimento da língua portuguesa como instrumento de comunicação e b.6) acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. Essas diretrizes são cruciais para a realização do pluralismo, da participação, da solidariedade, da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da justiça, do combate ao preconceito e às desigualdades. Vale anotar que esses são fundamentos e valores expressamente inscritos no texto da Constituição (artigos primeiro e terceiro);

 

c) inexistência de diretriz legal sobre os conteúdos curriculares nas perspectivas de: c.1) desprezar a memorização estéril de dados e informações em favor do domínio dos princípios científicos e tecnológicos que norteiam a produção do conhecimento na atualidade; c.2) buscar a construção autônoma de ideiais e raciocínios e c.3) privilegiar conhecimentos efetivamente aplicáveis nos vários planos da vida social (doméstico, mundo do trabalho, finanças pessoais, exercício de direitos e cumprimento de obrigações, entre outros);

 

d) o ensino noturno, bastante precarizado e responsável por cerca de um terço dos atuais estudantes do ensino médio, especialmente trabalhadores, não foi abordado de forma específica. Rigorosamente, não foi apresentado um modelo aceitável para a melhoria efetiva das condições desse importantíssimo segmento;

 

e) não foram definidos com clareza e consistência os mecanismos a serem utilizados para o financiamento adequado da implantação, em larga escala, do modelo de ensino integral, particularmente diante do recente envio, pelo próprio governo Temer, da Proposta de Emenda Constitucional n. 241 (um evidente instrumento de arrocho seletivo limitador justamente das despesas primárias nas áreas sociais). Não custa lembrar que menos de 6% (seis por cento) dos estudantes cursam o ensino médio em tempo integral.

 

Portanto, a reforma do ensino médio ora apresentada somente será útil e proveitosa se devidamente ajustada, ainda no plano legal, para incorporar, ao lado do desenho estrutural alinhado com as melhores experiências internacionais, importantes e necessárias definições voltadas para um conteúdo curricular amplo, plural, profundamente humanista e conectado com a realidade social e tecnológica da juventude brasileira na atualidade e nas próximas décadas. Ademais, o ensino noturno e o financiamento do ensino em tempo integral reclamam a atenção devida.

 

Aldemario Araujo Castro é advogado, Procurador da Fazenda Nacional, Professor da Universidade Católica de Brasília – UCB e Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília – UCB

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CARTÕES CORPORATIVOS, ARTEFATOS DO MAL

O site de alcance nacional que é o Diário do Poder nos fornece informações objetivas sobre esta instituição retratadamente latina (porque imoral) que se convencionou chamar de cartão corporativo. O nome não define o uso, fazendo com que os desinformados o tenham como algo regular ou desimportante.

Esta excrescência (tanto quanto pífia) foi criada por aquele presidente que, como muito bem caracterizava o saudoso baiano Antônio Carlos Magalhães, exibia sorriso de aeromoça – traduz-se – possuía aquela nódoa ou mesmo aquele cinismo próprio de quem é manso nas reações em que se espera mais energia.

A extraordinária concepção desta ferramenta que viabiliza a seus titulares a liquidação (discreta) de despesas de toda sorte (até os caprichos mais ultrajantes), inclusive as de natureza requintada, prosperou entusiasticamente nos governos seguintes, avolumando-se os gastos em centenas de milhões de reais. Estes consumidores, por certo, a começar do presidente da República, ignoram que o Brasil ostenta uma primazia vergonhosa de esgotos a céu aberto nas populações menos favorecidas, do Oiapoque ao Chuí; desconhecem que o país ainda possui dez milhões de analfabetos; desprezam a faixa de cidadãos que preenche os quadros da miséria, sem teto e sem alimentação; não se importam com o péssimo (ou inexistente) atendimento à saúde; são ouvidos moucos às obras paralisadas embora consideradas essenciais; enfim, não se compadecem da miséria humana presente nas cercanias das capitais – ou mesmo no centro delas – que vivem embaladas pela fantasia do crack, sem esperanças, sem solidariedade, morrendo aos poucos na rua.

O saudoso baiano, mestre em flechar homens e situações que lhe pareciam criticáveis, também acertou o então deputado Michel Temer, comparando-o ao mordomo da aplaudida série de TV Família Adams. E Michel não só deveria defenestrar o seu cartão pessoal mas revogar, em toda sua extensão e número, esta alegre festa bancada pelo povo.

Enfim, um governo sério não admite hábitos que tais, pois estas facilidades, melhor dizer privilégios, não são compatíveis com o Estado de direito, especialmente com o princípio da moralidade, que é o esteio da pública administração. Estamos em um período de rearmamento moral, é de crer-se que o presidente seja o seu condutor. Seria um gesto de grandeza civil e de defensor do povo e do erário se Temer abolisse a prática do cartão, cujo exército de portadores aumenta a cada dia. E vem o bizarro órgão de controle (CGU) recomendar que se usem os cartões segundo os critérios constitucionais que regem a máquina pública, mas os saques, até o valor de R$1.000,00 por dia, permitem que o usuário faça deles o que bem quiser. Que controle !! Camelôs, restaurantes requintados, marcas de grife, hotéis de alto luxo, viagens e outros mimos são os destinos usuais dos valores a serem arcados pelo Tesouro Nacional. A febril atividade dos cartões denuncia um escândalo diário. Nem uma CPI conseguiu extingui-lo.

Isto é o que se chama mexicanização. Valha-nos Deus !

 

José Maria Couto Moreira é advogado

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BABEL BRASILEIRA

As palavras, ah, as palavras, as palavras. Elas vêm e vão igual à moda e às ondas do mar. Algumas vivem só por estações ou temporadas, depois ficam esquecidas num canto até que alguém lembre de ir buscá-las para convencer um outro alguém de seus significados.

Espero que a palavra gestão, por exemplo, se salve desse destino triste após as eleições. Nunca tinha sido tão usada, e é na verdade tão necessária em seu sentido pleno. Vou torcer para que – depois de ser entendida – encontre outras, como organização, e em causa própria citarei mais uma que anda toda ralada por aí, se prostituindo por pouco: comunicação. A imprensa nacional em crise de identidade, cambaleante, bebendo muito, e em fontes estranhas, perdida atrás de seus leitores e telespectadores.

Penso se as redes sociais não são essa enorme centrífuga de pensamento que domina neste momento, tinhoso, ranheta e rabugento, mas que deu voz a todos, e como em Babel, vozes que não se entendem entre si.

O problema é que elas já ecoam na Torre completamente embaralhadas, porque nunca vi tanta incompetência em gerir a comunicação como a que está demonstrando esse governo. Eles, primeiramente, fora…, como já de brincadeira se diz e a coisa pegou, nem combinam nada entre si, e saem por aí atirando medidas fortes para o alto, e logo elas caem e se despedaçam sem qualquer sentido.

12 horas de trabalho /dia. Desobrigação de aulas de Educação Física e Artes no ensino médio, e obrigatoriedade apenas de Inglês (!), Português e Matemática. Cortes em programas sociais. Tesouradas agressivas na Previdência, na aposentadoria. Mordidas nos orçamentos de Saúde e Educação. Cada dia um solavanco e uma correria para explicar o inexplicável, negar, dizer que não é bem assim, que tudo ainda está em estudos. E a melhor: que a sociedade ainda vai ser consultada a respeito desses vários temas.

Acho linda essa parte. Quando falam na “sociedade civil”, então, até me arrepio e eriçam-se os pelinhos. Lembra imediatamente a outra horripilante palavra, empoderamento. Há novas rodando alta quilometragem, como coletivo, situação de… (rua, etc.), vai lembrando de outras e me manda – vou começar uma coleção.

Mas voltando à vaca fria, o governo, um diz uma coisa, o outro faz outra. Um explica de um lado, o outro confunde de outro. E, como tudo que é assim, nada acontece, fica parado. E se anda, dançam melhor o bate-cabeça do que muitos metaleiros, os do rock pesado.

Escrevam: nessa toada não vai dar certo. Continuamos em suspensão mesmo depois de meses desse doloroso processo de impedimento e troca de comando. Como se uma espada pairasse todos os dias sobre a cabeça dos escolhidos, alguns muito mal escolhidos, aliás, observe-se, os amigos de num sei quem que vêm sendo apresentados ou se apresentam como salvadores da pátria com planos mirabolantes. Inclusive a promessa de agora, a de resolver a babel brasileira.

Essa espada é que ainda tem muita gente por aí dando com a língua nos dentes.

Marli Gonçalves é jornalista do chumbogordo.com.br – O jornalismo precisa se salvar. Merecemos não entrar em extinção, tanto quanto o mico leão dourado e as ararinhas azuis.
São Paulo, 2016, entre a gestão e a caldeirinha

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A política e a sujeira

A política foi vulgarizada no julgamento popular como a arte da sujeira. A pior de todas as ciências. Mas da mesma forma que a rua não é suja se alguém não joga sujeira nela, a política também só é suja porque os atores que a representam ou são envolvidos com ela, usam de meios e artifícios sujos. Diz-se que um carro é perigoso, mas sozinho ele não faz mal nenhum. A não ser quando colocamos dentro dele pessoas imprudentes  para dirigi-lo. É comum ouvirmos a afirmativa de que a política é coisa suja e que só quem não tem vergonha participa. Ou ainda a política não é para gente séria. Mais é. A política na sua essência é a arte ou ciência da governança. Da mesma forma ouvimos afirmações que em País tal, a coisa é diferente. Será que é diferente ou os envolvidos com a política lá nesses Países é que são diferentes? O ser humano sempre acha culpados para os seus erros, mas não assume seus próprios desatinos. A água do rio Tietê em sua nascente é límpida e cristalina, mas ao longo do seu curso ela se transforma na vergonha nacional. Foi o rio mesmo que se sujou ou foi a ação do homem que o destruiu? Assumamos, ou aprendemos que o mundo só muda se mudarmos nossa ações, ou vamos continuar saindo por aí procurando culpados para nossos desatinos. Por fim, a política nada tem de suja, os que a praticam por essas terras, esses sim, em sua grande maioria, estão ou são mais sujos do que pau de galinheiro, como se diz em linguagem popular. É por isso que precisamos ter muito cuidado com o nosso voto e com essas tais mudanças. O nosso amigo Mundiquinho afirma que não concorda com essa ideia de votarmos no menos ruim. Ou votamos em alguém que realmente nos representa e que é bom para nos governar,ou representar,  ou podemos anular nosso voto para não nos culparmos no futuro. Isso é sem sombras de dúvidas a única saída para nosso exercício de cidadania sem dores a nossa consciência.

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