A pinguela está balançando

 Pinguela (Foto: Arquivo Google)

Por Rui Fabiano

Às vésperas do carnaval, o governo se vê diante de mais um terremoto ministerial. As denúncias do advogado José Yunes, ex-assessor especial de Michel Temer e seu amigo há mais de 50 anos, de que serviu de “mula” (receptor) ao chefe da Casa Civil, Elizeu Padilha, em pagamento de propina da Odebrecht, afastam de vez do governo o principal ministro e conselheiro do presidente.

E não apenas: respingam no próprio Temer, íntimo de ambos, que os teve e manteve no assim chamado núcleo duro palaciano. Fica, no mínimo, a suspeita de que não ignorava os fatos, que, por sinal, também o incluem nas delações de Marcelo Odebrecht.

O presidente é acusado de ter pedido e recebido R$ 10 milhões para a campanha de seu partido, o PMDB, que então presidia. O dinheiro teria sido pago em caixa dois, e parte dele teria sido destinado a Padilha, nos termos da narrativa de Yunes.

Temer nega o caixa dois e garante estar tudo registrado na Justiça Eleitoral. As denúncias, óbvio, carecem de comprovação, embora Marcelo Odebrecht as sustente com convicção, não ocultando a origem ilícita do dinheiro. Podem não gerar – e não vão – providências imediatas, de ordem jurídica, mas politicamente configuram mais um abalo para o presidente e seu governo.

Se fosse apenas isso, já seria muito. Mas há mais, muito mais. A essas denúncias, somam-se as de outras empreiteiras, igualmente implicadas na Lava Jato – Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS, Delta, UTC -, prenunciando uma quaresma mais barulhenta e predadora que o próprio carnaval. A pinguela está balançando.

Aguarda-se, na sequência imediata do feriado, a divulgação, pelo Ministério Público, dos demais nomes mencionados pelos 77 executivos da Odebrecht, já homologados pelo STF.

Não se sabe quantos são; sabe-se apenas que são muitos, quase duas centenas, a maioria gente do governo anterior e do atual, indo em cheio ao coração do Congresso.

Não por acaso, um dos temas mais ruidosos na Câmara e no Senado, no curso da semana, foi, mais uma vez, o foro privilegiado. O país quer o fim do foro; os políticos, não. O líder do governo no Senado, Romero Jucá, tentou estender o princípio de intocabilidade do presidente da República, que não responde por atos praticados fora de seu mandato, aos presidentes da Câmara e do Senado.

Perdeu. E acabou por se referir ao foro como “uma suruba”, em que ou todos dela participam ou então ninguém, deixando claro que quer a generalização, nada de “suruba selecionada”. Um momento de rara elevação verbal no Parlamento.

Em meio a tamanha algaravia, Temer viu a nomeação do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-RS), gerar atritos em sua própria base parlamentar. O deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), coordenador da bancada mineira, que queria no cargo alguém de seu estado, anunciou ter rompido com o governo.

Ramalho não é nenhuma sumidade – é, antes, um ente do baixo clero -, mas ocupa a 1ª vice-presidência da Câmara; é o sucessor imediato de Rodrigo Maia que, citado na delação da Odebrecht e agora também por Fernando Cavendish, da Delta, como beneficiário de propina, corre risco potencial de deixar o cargo.

Nessa hipótese, ainda vaga (mas nada é tão vago na atual conjuntura quanto o próprio governo), Temer teria um inimigo à frente da Câmara; Ramalho seria o seu Eduardo Cunha, embora sem o mesmo talento predatório deste. Mas, quando se cruza uma pinguela, o peso de uma piaba pode fazer toda a diferença.

De quebra, o governo perdeu, subitamente, um de seus quadros mais expressivos, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que, alegando questões de saúde, demitiu-se. Serra havia imprimido à política externa grandes transformações, a começar pelo rompimento com o bolivarismo e a abertura de novos mercados. Seu sucessor deverá ser também um tucano.

Em resumo, ao fim dos tambores de Momo, voltam a rufar os da Lava Jato, dando continuidade ao calvário da classe política.

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O MP PRECISA DE REGRAS

Um alerta feito pelo ministro Ricardo Lewandowski, em recente sessão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona uma questão muito importante, mas deliberadamente ignorada: a falta de critérios objetivos e uniformes para a investigação penal comandada pelo Ministério Público.

O ministro disse em ótima hora que o Congresso Nacional deve à nação o regramento desse poder investigatório que, como qualquer poder em uma democracia republicana, não pode ser ilimitado.

A bem da verdade, o Supremo já fixou balizas para a investigação penal há alguns anos ao julgar uma ação que questionava tal prerrogativa. Na ocasião, os ministros decidiram que o Ministério Público tem poder para conduzir investigações penais. Mas, para isso, precisa seguir as mesmas regras dos inquéritos policiais. Quais são elas? Publicidade do procedimento de investigação, submissão ao controle judicial e acesso das partes investigadas às provas já elencadas nos autos.

Em resumo, o procedimento tem de ser transparente. No caso de sigilo, a sua decretação tem de ser fundamentada. São regras razoáveis. Elas garantem, em última análise, a legitimidade das próprias ações do MP, já que seguindo à risca o devido processo legal e obedecendo ao direito à ampla defesa, as chances de ver suas ações serem anuladas pelo Judiciário, por serem injustas, caem substancialmente.

Agentes do Ministério Público não se encontram acima do bem e do mal, como alguns membros do Parquet acreditam estar. Não podem agir como se cada processo fosse uma disputa entre mocinhos e bandidos, tentando muitas vezes minimizar o fato de que o advogado cumpre um papel essencial e fundamental, que é o sagrado direito de defesa.

Quando promotores e procuradores de Justiça e da República acreditam que agindo assim estão ajudando a sociedade, algo vai mal.

O problema é que qualquer iniciativa legislativa para fixar regras para o MP, hoje, é recebida pela sociedade como uma tentativa de restringir o poder desse órgão. Não se aceita, atualmente, sequer o debate sobre o que pode e o que não pode o MP. É certo que pode muito, mas não pode tudo. Se, de fato, o Ministério Público defende uma sociedade mais justa, livre da corrupção e de privilégios, não pode advogar em favor de privilégios só para si, como se fosse uma casta superior, livre de falhas.

A criminalização da política tampouco interessa à sociedade. E ao impedir debates como a da fixação de regras de investigação – ou mesmo normas que punam o abuso de poder – o MP faz mal ao país. Não se trata de defender a limitação da atuação do Ministério Público. Mas, sim, de defender normas claras para os procedimentos de investigação penal.

Afinal, instituições fortes e independentes não podem significar sinônimos de entidades imunes a críticas e desapegadas de regras. Isso não é bom para o MP, tampouco para o país. Na República desenhada pela retórica do Ministério Público, ele deveria ser o primeiro a defender a discussão dessas regras. Casa de ferreiro, espeto de pau.

Ibaneis Rocha é secretário-geral adjunto do Conselho Federal da OAB

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DESCENDO A LADEIRA

Parcela dos servidores públicos brasileiros incorporou a ideologia do direito cem por cento e negligencia totalmente os deveres que têm para quem os sustenta: o povo.

O serviço público virou uma grande vaca leiteira com mais bezerros do que tetas, tendo de suprir, com emprego e salários, o que o mercado fraco e o desenvolvimento acanhado não propiciaram.

A população recebe desprezo. É o único setor em que o patrão é maltratado e ainda corre o risco de ser processado por desacato, caso reclame de algum serviço malfeito ou atendimento negligente e desdenhoso.

A avaliação de produtividade e desempenho é uma farsa: os próprios colegas, quando não o próprio avaliado, preenchem a ficha com as notas do servidor em estágio probatório ou em fase de progressão, concedendo, quase sempre, pontuação máxima.

Não importa se o servidor é relapso, basta ser simpático, “boa praça”, pagar umas cervejas para os colegas, a avaliação positiva é garantida.

Um ponto descontado é motivo para denúncia de discriminação, assédio moral e outras alegações apresentadas por quem não é muito afeito ao trabalho.

A indústria dos atestados é outra sangria por onde se esvai o serviço público. Basta ficar triste ou de ressaca para o servidor comparecer ao departamento médico. E ai dos profissionais da Medicina que questionarem o quanto alegado. A licença é certa. Os sindicatos da área, por falta de criatividade, imitam os movimentos operários, realizam constantes greves e dão sua parcela de contribuição para o desgaste do serviço público.

Quanto aos governantes que desviam os recursos dos serviços públicos, não preciso nem falar.

Com impostos de primeiro mundo e serviços de terceiro, ainda há quem tenha coragem de cobrar mais sacrifícios ao povo.

O acerto com o Leão do Imposto de Renda se aproxima e a classe média, sufocada com gastos com escolas privadas e planos de saúde, prepara-se para descer a ladeira.

O equilíbrio da lata, leitor, não é brincadeira.

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A LISTA SAI NO CARNAVAL?

Melhor oportunidade do que o Carnaval não há para a divulgação das acusações que envolvem mais de cem parlamentares incluídos na lista da Odebrecht.  Mais da metade do país nem tomaria conhecimento dos deputados e senadores citados pelos ex-diretores da empreiteira. Com Câmara e Senado fechados, a repercussão seria menor, ainda mais porque levaria meses a abertura de processos contra os acusados, no Supremo Tribunal Federal.

Sendo assim, por que a demora? Fica evidente estar havendo manobra protelatória. Por parte de quem? Não seriam os ministros da mais alta corte nacional de Justiça, apesar de alguns manifestarem cuidados diante da operação Lava Jato. O palácio do Planalto carece de meios para influir na decisão, até porque muitos ministros empenham-se em escapar dos holofotes. Os novos presidentes da Câmara e do Senado estão incluídos nas acusações e ficarão em cone de sombra.

São dessas situações inusitadas: ninguém é culpado, mas o processo não anda. Quanto mais demore, melhores condições terão os implicados na corrupção para safar-se. Estão de olho na reeleição do ano que vem. Mesmo sabendo que não receberão os fartos recursos das empreiteiras, como no passado, imaginam empurrar com a barriga as dificuldades que os tornariam inelegíveis. Acreditam ser curta a memória do eleitorado.

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DUPLO HOMICÍDIO EM CODÓ: UMA MULHER E UMA CRIANÇA DE 06 ANOS SÃO ASSASSINADAS E POLÍCIA TRABALHA COM HIPÓTESE DE ACERTO DE CONTAS

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Vítimas

Por volta das 20:40 aconteceu na cidade de Codó um duplo homicídio. Acontece que uma das vítimas tinha envolvimento com um traficante  que teria sido assassinado no dia 16/01 em cima da ponte que liga os bairros Santo Antônio e a Trizidela, nesse dia Paulo Leonardo dos Santos, de 24 anos foi executado. No dia da morte de Léo, sua namorada, Célia Maria estava com ele, sobre Léo pesava o envolvimento com o tráfico de drogas e homicídios.

Na noite de ontem, Célia Maria Maximiliano Viana e sua filha (M.M.) de apenas seis anos foram assassinadas na porta de casa, onde funciona um bar, conhecido por Bar do Linhares, na avenida Cristovão Colombo. Certamente os dois criminosos tentaram matar apenas  Célia, porém como sua filha estava no colo, também foi atingida por dois tiros na cabeça, morrendo ainda no interior do bar.

Os dois homens chegaram a pé e efetuaram seis disparos, atingindo M.M. e sua mãe, fugindo logo em seguida, também a pé. Suspeita se que os assassinos das duas, são os mesmos envolvidos na morte de Léo, mas vamos aguardar mais detalhes que surgirão com o andamento das investigações.

Célia Maria, era mãe de um jovem que está preso por prática de homicídio, Bebeto como é conhecido matou o próprio amigo numa prévia de carnaval há aproximadamente quatro anos na cidade de Codó, quando na oportunidade estava sendo iniciada a prévia carnavalesca daquele ano. Bebeto ainda cumpre pena pelo crime.

Célia Maria era professora, mas passou a dar mais atenção ao ex namorado morto e que possuía antecedentes criminais, do que a sala de aula, foi quando conheceu o Léo, iniciando um namoro com ele abandonando as origens de trabalho suado, optando pelo crime e esse foi o desfecho de mais duas vidas perdidas pelo crime em Codó.

Fonte: Blog do Bezerra

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A humilhante solução para o vergonhoso sistema prisional brasileiro

 Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Foi aprovada no STF no início de fevereiro uma solução que, em minha opinião, envergonha o Brasil. Se ao menos resolvesse o grave problema de nossas prisões… mas não resolve, só humilha.

O caso que levou nossos ministros a aprovarem uma indenização financeira para ressarcir os danos causados aos presos foi o seguinte: um detento, em Mato Grosso do Sul, por falta de espaço na cela superlotada onde estava, dormia com sua cabeça encostada no vaso sanitário.

Isso levou nosso STF a obrigar o governo do Mato Grosso do Sul a indenizar em dinheiro o preso que sofreu tal degradação. Ele deverá receber R$2.000,00 como indenização.

Mas, como bem sabemos, o que aconteceu em Mato Grosso do Sul não é uma exceção. Nossas prisões, de Norte a Sul, estão cheias de casos onde os presos vivem em condição precária, sofrendo maus tratos e em ambientes insalubres.

A superlotação aumenta a tensão entre os presos, por diversos motivos; provoca brigas pela disputa de espaço, comida e colchões; e essas brigas muitas vezes resultam em crimes piores do que os que levaram os presos àquela cela.

Em situações como essas os guardas, insuficientes, não conseguem manter a ordem, o que facilita os motins que podem levar a barbáries como as que o Brasil presenciou há poucos dias.

Será que a indenização é uma solução inteligente?

Talvez esse dinheiro ajude as famílias dos presos a não passar fome. Talvez resolva o problema de moradia dos seus. Talvez eles possam guardar um pouco para quando forem soltos. Mas o que eu pergunto é o seguinte: os governos estaduais têm dinheiro para bancar essas indenizações? Cujo total nem de longe se conhece? Se têm por que não transformam nossas masmorras em cadeias decentes, onde os presos vivam em ambientes saudáveis, próprios para a vida humana, com aeração e espaço suficientes?

Ainda outra pergunta: será que estabelecimentos prisionais onde os presos trabalhassem e recebessem diárias por seu trabalho, não seriam mais úteis a eles e à sociedade?

Estar preso já é um castigo terrível. Mas ficar detido e amontoado com outras pessoas, sem ter o que fazer, numa ociosidade que só leva ao vício e às más influências, não será muito pior?

Os estabelecimentos penais deveriam oferecer assistência médica, instrução, trabalho, áreas de lazer e esporte. Esse seria um dinheiro bem empregado e que só faria bem ao Brasil. O preso sairia dali muito melhor do que entrou. Ao contrário, a indenização é uma afronta, uma humilhação: “continúo a não ter espaço para dormir, mas recebo dois mil reais por isso!”.

É esse o preço da dignidade de um homem?

O horror da superlotação (Foto: Getty Images)O horror da superlotação (Foto: Getty Images)

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REPRESSÃO QUALIFICADA

Duas grandes operações realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal, na quarta-feira (22), mostraram que o crime organizado só pode ser combatido por repressão qualificada.

Grupos mafiosos, que traziam drogas e armas de Pedro Juan Caballero (Paraguai) e Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), foram desmantelados e presos após meses de investigações. Resultado: uma tonelada de maconha e 58 quilos de cocaína pura apreendidas, um prejuízo de quase R$ 3 milhões para os traficantes, além de armas calibe 9 mm, de uso restrito.

Um grupo atuava há dois anos trazendo drogas do Paraguai para o Distrito Federal, realizou 15 viagens nesse período e faturou cerca de R$ 7,5 milhões; o outro, em apenas um ano, apurou R$ 10 milhões com a venda de cocaína pura, conhecida como “escama de peixe”. Essa droga apreendida inundaria Brasília no período de carnaval e a polícia ia ficar correndo atrás de aviãozinho nas entrequadras e blocos carnavalescos, distraída com a miudeza enquanto os barões contavam os lucros do investimento que até então vinha dando certo.

A desarticulação das duas organizações criminosas também provocará crise no mercado ilícito de armas, diminuindo a força de grupos determinados. A solução para a segurança pública está nestes dois pilares: prevenção bem feita e repressão qualificada. A prevenção eficiente é aquela que desestimula o criminoso comum a atacar as pessoas e isso só ocorre com policiamento visível e distribuído corretamente. É desperdício de dinheiro tirar a farda de centenas de militares para que eles fiquem investigando e prendendo pequenos criminosos.

A repressão qualificada consegue desmontar os empreendimentos criminosos, provocando a desorganização de núcleos que se alimentavam do núcleo principal. Para alguns, o carnaval não será tão animado assim!

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PREGANDO A REVOLUÇÃO

Suponhamos ou “imaginemos”, como inspira a canção “Imagine” de John Lennon, que fosse algo possível ouvir, diretamente, a grande voz popular, mas sem interferências dos interesses político-partidários ou ideológicos, acerca das diversas situações de fato, que vêm ocorrendo aqui, depois que se tornou notório o “desastre brasileiro” (só para se ter algum ponto de referência), do qual resultou o “impeachment” da ex-presidente Dilma.

Que reações seriam colhidas, e quais as soluções que o povo exigiria que fossem adotadas relativamente a todo esse descalabro, verificado no executivo, no legislativo e no judiciário?

Conquanto não seja uma questão tão presente, começo a falar do tal “impeachment”, por mero exemplo. Não me ataranta qualquer dúvida de que a ampla maioria da sociedade – que exigiu a saída de uma presidente acusada de crime de responsabilidade ou de ter levado o País ao caos e ainda do maior desemprego da história contemporânea no Brasil – por certo não concederia àquela a inconstitucional, petulante e debochada “anistia” relativa à proibição do exercício de função ou cargo público, nem permitiria gozar de odiosas regalias e vantagens, as quais nenhum brasileiro comum teve acesso ou jamais terá. Convenhamos esta senhora não honrou os mais sagrados compromissos e deveres que assumiu com a Nação, mas serve para desta receber gordos proventos e inúmeras regalias, proteções e benesses, até que morra. Não é justo. Expliquem como quiserem, mas não é justo…

É revoltante. Este País explora, sem dó, quem trabalha e quem por ele trabalhou até se retirar dos negócios. Onera, implacavelmente, quem produz e dá emprego. Não oferece saúde, educação e segurança ou protege o cidadão, mas lhe impõe uma conta louca e absurda, como se estivesse prestando o melhor serviço do mundo. Assim procede sempre em relação a quaisquer dos deveres do Estado, porém perdoa o político corrupto e desprezível, o agente público preguiçoso, incompetente ou venal, e socorre o bandido mais sanguinário e suas famílias, às vezes tão ruins quantos aqueles, para abandonar, ao Deus dará, o homem honrado. Explique quem quiser principalmente a “esquerda nervótica”, mas não é justo.

Tenho convicção que o povo se consultado, não consentiria: a) que Lula, Dilma e a camarilha destes permanecessem incólumes sem pronta punição, ainda que sujeitos a serem julgados pela justiça, porque o terrível mal que produziram já aconteceu; b) que o atual Presidente da República nomeasse para integrar seu Ministério, políticos já manchados pelas pechas da corrupção e do desmando do dinheiro público, como se, além deles, nenhum cidadão competente e do bem houvesse mais, neste País; c) que senadores da república, um deles respondendo por 11 inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal e, como réu, noutra ação criminal, tal como outros tão desqualificados quantos, continuassem a exercerem seus vergonhosos mandatos, ainda mais das formas desafiadora, afrontosa e ousada com que o fazem; d) que a Câmara de Deputados deixasse de ser punida (de alguma maneira) por tentar, de forma vil na calada da noite, anular a legítima iniciativa popular, conhecida como a “Lei das Dez Medidas de Combate à Corrupção” (PL 4.850/16); e) que restassem tranquilos os políticos infames que visam aparelhar os órgãos do legislativo (Comissões de Constituição e Justiça, Conselhos de Ética e outros, do Senado Federal e da Câmara Baixa) com objetivo maior de “melar” ou desmoralizar a chamada “Operação Lava-Jato”; f) que as vagas para Ministros e Desembargadores, nos Tribunais Superiores e nos demais Tribunais do País, prosseguissem sendo preenchidas com nomes que tenham algum tipo de ligação política, partidária ou não; g) que continuasse vigendo essa excrescência antirrepublicana denominada “foro privilegiado”; h) que permanecessem, dentre nós, carreiras de servidores públicos – nos três poderes e em todas as esferas governamentais – aquinhoadas com remunerações astronômicas e dotadas de privilégios ou vantagens, como se constituíssem uma casta superior; i) que escapassem da condenação pública, os “Justiça’s” e os “Caju’s” da vida, (assim nomeados pelos delatores da Odebrecht), aqueles que, brandindo suas arrogâncias e desfaçatez, trabalham incansavelmente para tentam “blindar” políticos e agentes públicos maléficos, e a eles próprios em especial, todos alvejados pela Justiça, e outros que tais.

Some-se a tudo isso, então, os desvios de dinheiro público; os gastos com projetos ou obras desnecessárias e as despesas referentes ao custo dos serviços ineficientes ou surrupiados do cidadão; o enorme desperdício, descaso e abandono dos bens do País, e daí grita, estridentemente, uma questão: – porque suportamos toda esta vergonha e até quando vamos tolerar calados tudo isso? O que falta para o povo se rebelar?

Ante o pacato conformismo, a esquerda, sem verniz, se assanha cada vez mais. Já fala em ser eleita senadora da república “Dilma Carabina” (alcunha da guerrilheira nos anos 70); em Lula solto e candidato; na volta ao poder daquela gente que se especializou em assaltar os cofres da Nação; no retorno dos militantes enfurecidos porque perderam suas “boquinhas”, e quejandos.

Notáveis filósofos e pensadores lecionam que esta “apatia resignada” do homem de bem no Brasil decorre da falta de consciência de sua força e de sua responsabilidade como cidadão, bem como de um estado de “anestesia” (quase comatoso) decorrentes do simples entendimento no sentido de que “o povo não tem culpa direta dessas coisas, nem do Brasil ter se tornado no que aí está”. Não há como contestar.

Contudo, não vou me agarrar ao diagnóstico de que o problema é cultural, pois falta educação para o povo, e pronto. Aí, então, a solução seria, vamos todos esperar por quatro gerações, enquanto nossa gente se educa, e rezar para que, até lá, Deus “dê bom tempo”. Talvez se possa mais.

Reconheço que o homem comum, normal e são, tem – e deve ter mesmo – suas prioridades imediatas: a casa, a comida, o emprego, a segurança, a saúde, etc. Não me arvoro a aconselhar ou indicar caminhos. Não vou além das minhas sandálias, nem é do meu feitio. Porém, podia argumentar como nos versos de Lennon: “You may say, I’m a dreamer / But I’m not the only one/ I hope someday you’ll join us” (Você pode dizer que sou um sonhador/ Mas eu não sou o único/ Espero que um dia você junte-se a nós). Pois bem, entendo possível e eficaz – e não enxergo outra maneira – senão difundir, divulgar, reunir, arregimentar ou doutrinar obstinadamente, sobre aquilo que cada um de nós pode fazer pelo País, relegando ao lixo da sociedade aqueles torpes responsáveis por nossas mazelas. Que mais nos caberia?

Se dissermos a algum compatriota, pelo menos uma vez ao dia, que podemos fazer acontecer o Brasil que queremos, e a nós próprios em primeiro lugar, eis aí a Revolução que a Nação precisa. Comecemos em casa. É simples assim…
José Mauricio de Barcellos, ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado – email: bppconsultores@uol.com.br.

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ABANDONO: MA-247 ENTRE TRIZIDELA DO VALE E SÃO LUIS GONZAGA ESTÁ INTRAFEGÁVEL

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Com a intensidade das chuvas, as estradas ficam cada vez mais criticas, exemplo disso é a MA-247 que liga o município de Trizidela do Vale a São Luís Gonzaga do Maranhão e que dá acesso ao Povoado Centro da Velha Rosa.

Nos últimos dias o problema tem se tornado maior em virtude da lama que se acumula prejudicando o tráfego de veículos grandes e pequenos que necessitam passar pela via, mas, infelizmente estão impossibilitados de chegarem a seus destinos em razão do atoleiro.

Há um bom tempo as pessoas que circulam pela estrada para chegarem até seus povoados, ou mesmo se dirigirem até as citadas sedes, eles reclamam para que as autoridades façam algo.

Inclusive o deputado estadual, Vinícius Louro e outros deputados já estiveram vendo de perto a situação e já solicitaram das autoridades competentes a solução desse problema o que até agora nada sanado. Atualmente, com o início do ano letivo em virtude da calamidade que se encontra a estrada, alunos e professores estão impossibilitados de chegarem até a escola o que já preocupa os profissionais da educação, pois a partir disso os estudantes poderão ficar prejudicados devido o atraso nas aulas.

Mesmo sendo a MA-247 de responsabilidade do governo do Estado, a prefeitura de Trizidela do Vale, através de sua administração no ano passado como o inverno não foi tão intenso, amenizou o problema colocando piçarras nos trechos mais críticos, mas, mesmo assim o problema ainda persistiu.

E como é do conhecimento de todos o órgão público vem enfrentando uma situação nada fácil nos últimos três anos, o que no momento não dispõe de recursos suficientes para realizar qualquer ação que venha pelo menos amenizar o problema o que cabe ao governo estadual se sensibilizar e atender o mais rápido possível o pedido dos usuários da MA.

Fonte: Neto Ferreira

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O TODO PODEROSO: PREGOEIRO DA PREFEITURA DE ANAJATUBA ESPANCA A MULHER E DIZ QUE NÃO PODE SER PRESO PORQUE É IRMÃO DO PREFEITO

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Imagem ilustrativa

O fato aconteceu na semana passada na cidade de Anajatuba. O presidente da Comissão de Licitação, José Ferreira da Silva Filho, espancou a própria esposa por causa de uma amante.

A mulher registrou queixa e o cabo Carlos Henrique procurou para enquadrar o agressor, que disse não podia ser preso por ser irmão do promotor de Anajatuba, Carlos Augusto Soares.

O militar ligou para o delegado Samuel Morita, de Itapecuru, cidade vizinha a Anajatuba, para informar o caso. A autoridade policial mandou chamar o pregoeiro, que lhe falou ser de Teresina e que veio para Anajatuba por recomendação do promotor.

O delegado não quis saber de papo e prendeu em flagrante o agressor, além de enquadrá-lo na Lei Maria da Penha. Ele foi solto depois e foi deslocado para o cargo de coordenador cultural, protegido que é do prefeito Sidney Pereira e do promotor.

Aliás, naquela cidade não existe nenhuma manifestação do Ministério Público contra o atual prefeito. E quando são levadas denuncias ao promotor, ele simplesmente as recusa alegando que se trata de perseguição política.

Com a palavra a Corregedoria da Procuradoria Geral de Justiça do Maranhão.

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A ROSA PROIBIDA

Pelos padrões de exigência atuais do politicamente correto, o rojão Rosa, do compositor pernambucano Ruy de Moraes e Silva, gravado em 1956 pelo paraibano Jackson do Pandeiro, teria de ser executado aos pedaços, por conter uma parte que remete a uma ameaça de violência contra a mulher.

Rosa é bem feita e bem tocada, marcada pelo pandeiro do Rei do Ritmo, mas traz esse pecado mortal. Ruy de Moraes, o compositor, nasceu em Recife, em 1º de novembro de 1921, passou a infância e uma parte da vida em Triunfo, uma cidadezinha pernambucana, na fronteira com o sudoeste da Paraíba, de clima europeu, e morreu em 10 de dezembro de 1999, esquecido pelo mundo artístico.

Uma de suas composições, Casaca de Couro, de 1959, também gravada por Jackson do Pandeiro, ainda é muito tocada nas festas juninas do Nordeste brasileiro e como paródia em campanhas políticas.

Em Rosa, antes de ameaçar causar mal injusto à amada, o apaixonado lamenta que chama, procura e ela faz que não o vê, não dá sinal.

O homem revela ainda que comprou um papel florado e um envelope para dizer em carta o que sente por Rosa, mas a missiva está demorando por uma razão que muitos têm vergonha de confessar: ele é analfabeto. A letra é uma denúncia dos índices de analfabetismo que atingiam e ainda atingem as classes populares no Brasil: “Comprei um papel florado/um envelope pra mandar dizer/numa carta bem escrita/o que sinto por você/a carta está demorando/porque não sei escrever”. No refrão, também confessando um lado possessivo, machista e ciumento do homem brasileiro, ele estraga a canção para os dias de hoje: “Rosa danada/Minha morena faceira/Minha flor de quixabeira/Não posso mais esperar./Fique sabendo/Se casar com outro homem/O tinhoso me consome/Mas eu lhe meto o punhá!”.

Embora discordando do artista neste ponto, não deixaria, como não deixo, de ouvir a música por causa desse desfecho infeliz e também não entendo que seja um verso que provoque a violência doméstica que presenciamos hoje. A censura só esconde o que precisa ser revelado.

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