Maranhão é 2° no Nordeste com mais vítimas de tráfico de pessoas

O Ministério da Justiça divulgou nesta quinta-feira (30), Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, o mais recente relatório nacional sobre tráfico de pessoas.

O documento de acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, são ainda uma pequena mostra da realidade a ser enfrentada. “são necessárias mais denúncias, maior conscientização, maior integração e ações conjuntas do Estado e da sociedade para que este crime possa ser erradicado”.

Durante a apresentação do relatório, o secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, destacou a atuação do Departamento de Polícia Rodoviária Federal que, conforme o documento, em 2013 havia retirado 590 crianças e adolescentes de pontos vulneráveis à exploração sexual nas rodovias brasileiras.

A exploração sexual figura como a principal atividade do tráfico de pessoas existentes, mas a não se restringe a essa finalidade. Segundo relatório global das Nações unidas, outras formas de exploração, segundo o relatório, estão ligadas ao trabalho escravo, remoção de órgãos, adoção irregular e com fins financeiros, por exemplo.

A mendicância forçada também foi observada como uma prática do tráfico de pessoas, muitas vezes vinculada ao tráfico de drogas e outras modalidades. Os dados do relatório apresentado referem-se ao ano de 2013, e foram baseados em importantes informações sobre as vítimas brasileiras de tráfico internacional de pessoas, fornecidas pela divisão de Assistência Consular do Ministério das relações Exteriores. No total, foram registrados 62 casos no exterior.

No Maranhão 11 denúncias foram registradas entre 2012 e 2013, mas o número de vítimas chegou a 26, segundo os dados do Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos. Com três casos a mais, a Bahia encabeça a lista com mais vítimas na região Nordeste. [ Do Portal Idifusora]

LULA E O NAZISMO

MAURÍCIO TERRA

“O que a gente vê na televisão parece os nazistas incriminando o povo judeu”

Com essas palavras, o ex-presidente Lula ilustra com louvor a sua vasta ausência de conhecimento sobre história ou, ao menos, a mais obtusa avaliação de fatos históricos. O povo judeu era perseguido durante a ascensão do nazismo alemão porque era composto de judeus. Tanto fazia o banqueiro, o joalheiro, o médico, o contador, o sapateiro, a dona de casa ou seus filhos, todos eram perseguidos e foram massacrados por serem judeus.

O que se vê hoje, na televisão, é uma população inteira indignada com procedimentos criminosos perpetrados por grupos restritos de agentes políticos contra o patrimônio e a dignidade do povo. A revolta e a indignação são tanto maiores quanto mais esclarecidas são as pessoas. Por mais humilde que seja o cidadão, quanto mais ele fica sabendo o que aconteceu e acontece, mais ele se dá conta do papel de idiota que fez ao acreditar nas lorotas eleitoreiras responsáveis pela falta de clareza sobre a real situação do país.

A percepção externada pelo ex-presidente sobe os fatos, portanto, é equivocada porque o que se vê é que diversos crimes e malfeitorias estão sendo desvendados e exibidos ao público, e acontece de todos terem no partido governista um ponto em comum. Não se trata de perseguir petistas e inventar fatos a seu respeito para justificar a perseguição, mas o contrário: investiga-se os problemas e descobre-se que, na maior parte das vezes, são parte de ações sistemáticas de uma gangue contra o patrimônio público.

Mais uma vez Lula confunde a perseguição, que tem fim em si mesma, que só serve para atrapalhar a vida do perseguido, com a investigação, que propõe a compreensão de fatos, eventualmente numa reação em cadeia, visando o esclarecimento para a Justiça e para o público.

CONTA OUTRA, CATTA PRETA

GLAUCO FONSECA

Sherlock Holmes assistiria ruborizado de vergonha a entrevista da advogada Beatriz Catta Preta (cujo marido foi preso com 400 mil dólares falsos em 2002) ao repórter Cesar Tralli no Jornal Nacional. Segundo Holmes, “uma vez eliminado o impossível, o que restar, não importa o quão improvável, deve ser a verdade”. Pois a versão não ficou muito clara e, portanto, dificilmente é a verdade, conforme apontou o advogado do Deputado Eduardo Cunha, Antonio Fernando de Souza. Pois vamos seguir a regra de Holmes, iniciando por eliminar o impossível.

Catta Preta não abandonou seus clientes; abandonou uma carreira, um ofício, uma profissão que a deixou rica, até porque “menos da metade” de 20 milhões de reais, amealhados apenas pelo trabalho junto aos implicados no Petrolão, já configura a afluência de quem recebeu. Esse “abandono” amplo, geral e irrestrito é muito mais do que estranho e sugere mais uma “venda de banca” do que outra coisa.

Observemos agora a “valerosa” OAB. A entidade manifestou-se de modo veemente e indignado quando a advogada foi convocada pela CPI da Lava-Jato e também se manifestou contrária à hipótese de que ela teria de informar a origem de seus honorários. Agora, observem com atenção, que a OAB não levantou uma sílaba em defesa de uma de suas associadas que teria sido vítima de ameaças! Nem a OAB, nem a Polícia Federal, ninguém veio em “socorro” de Catta Preta que disse, com lágrimas comedidas, que não havia sido, de fato ameaçada, mas apenas de modo velado ou sugerido. Ora, convenhamos, não parece ter havido ameaça alguma, não é Doutora Catta Preta? E se houve, não seria o caso de pedir proteção do Estado, das instituições, denunciar na imprensa e pedir investigações? Ou as ameaças diziam respeito a outros temas não afeitos à Lava-Jato?

Mas vamos supor que ela tenha realmente ficado com medo de alguma coisa, um temor tão tenebroso que a faria abandonar um negócio “podre” de tão lucrativo, um negócio milionário, onde ela seria considerada a estrela mais brilhante. Ora, que ameaça foi essa que a faria abandonar um ofício, demitir funcionários, esvaziar um conjunto como se houvesse lá uma cena de crime, algo que tinha de ser descontinuado de qualquer forma? Que temor seria esse? Cadê a Ordem dos Advogados do Brasil para se solidarizar com a Dra. Catta Preta? Cadê a OAB para defender Catta Preta?

Não fecha. Não cola. A OAB gosta mais do PT do que de Catta Preta e do marido dela.

A história é tão, mas tão mal contada que não vamos precisar dos serviços de Holmes para elucidar o busílis. Catta Preta teria ido longe demais, teria feito a lei chegar muito perto de gente muito importante. Catta Preta teria feito tudo certinho, sem deixar furos que se tornariam pedregulhos processuais logo adiante. Catta Preta teria tornado o instituto da Delação Premiada uma ferramenta de efetiva redenção do Brasil. Catta Preta precisava ser brecada.

Mas como?

Minando seus conceitos, suas regras, sua credibilidade? Ou teria algo a ver com prisão de seu marido há 13 anos? Por via das dúvidas, a partir de agora, alguém precisa mentir em delações premiadas, alguém precisa ser orientado a omitir informações e outros devem lançar dados sem provas e acusações falsas ou de encomenda. O que precisa ser destruído é o instituto da Delação Premiada! Será que ela não teria topado a parada e passado a banca adiante? Ou teria sido apenas ameaças à integridade dela e de sua família?

Decida você o que é pouco provável, o que é menos mentiroso ou o que parece ser apenas impossível.

Nem Vargem Grande, nem Nina Rodrigues! Governador leva o Frango Americano para Coroatá

 

Foto a reunião que levou Frango Americano para Coroatá.

Por Blog do Alpanir Mesquita.

Em meados de 2013, foi anunciado com alegria a chegada do pólo agroindustrial do Frango Americano em Vargem Grande, um investimento em torno de R$ 67 milhões e que geraria 580 empregos diretos e 1.740 empregos indiretos. Já em 2014 o projeto foi alterado para a cidade de Nina Rodrigues devido a problemas de fornecimento de água. Agora, na semana passada, o Governador Flávio Dino, ao lado do secretário de Estado da Indústria e Comércio, Simplício Araújo, anunciou que o projeto deverá ser implantado em Coroatá.

Leia a matéria da assessoria do Governador:

A transparência na condução das políticas públicas no Maranhão fez a empresa Frango Americano anunciar, neste fim de semana, durante reunião com o governador Flávio Dino e o secretário de Estado da Indústria e Comércio, Simplício Araújo, a construção de duas unidades de abatedouros de aves com capacidade para 150 mil abates por dia.

O primeiro abatedouro deverá ser instalado na região de Coroatá ou Nina Rodrigues e o segundo, em Porto Franco. Cada empreendimento terá investimento de R$ 60 milhões, gerando em torno de dois mil empregos diretos. A previsão é de que as obras fiquem prontas em três anos.

O governador Flávio Dino reforçou o pedido para que o empreendimento começasse pela região com os indicadores sociais mais baixos e apoiará integralmente a instalação das indústrias no Maranhão.

Para o secretário Simplício Araújo, o investimento eleva o volume de empregos e amplia as oportunidades de negócios no interior do Maranhão. “São empreendimentos que incrementam a cadeia produtiva e podem gerar vários outros negócios, o que impulsiona a melhoria de qualidade de vida na região”.

O terreno em Coroatá já teria sido até doado, a exemplo do IEMA, o Capitão Alexandre fez a doação ao estado.

Agora o Blog pergunta: Cadê a “moral” dos aliados do Governador em Vargem Grande e Nina Rodrigues que deixam uma importante industria ser tirada assim? Quem perde é a população.

DILMA REÚNE GOVERNADORES PARA MENTIR E LANÇAR FACTOIDES

JORGE OLIVEIRA

Brasília – Para passar à opinião pública credibilidade a reunião desta quinta-feira com os governadores a Dilma vai colocar ao seu lado o vice Michel Temer, articulador político, que não está sabendo a hora de pular do barco, contrariando a cúpula do partido que já decidiu não marchar com a presidente. A cena certamente vai se repetir, é a mesma de outros tempos: os 27 governadores contornam a mesa oval, os assessores em segundo plano, e os ministros da área econômica atentos para não deixar a chefe falar besteira.

 

Este filme os brasileiros já conhecem. Em 2013, antes das eleições, a Dilma reuniu os governadores para anunciar um pacote de 50 bilhões de reais em investimentos em projetos de mobilidade urbana, uma tentativa de silenciar as manifestações que ocorreram em junho daquele ano. De lá pra cá nada andou, nenhum projeto saiu do papel. Os quase cem quilômetros prometidos de Metrô ou de VLT – Veículos Leves sobre Trilhos – não passaram de promessas mirabolantes, mentirosas, que só serviram para alavancar a campanha dela, abalada pela revolta das ruas que pedia transporte público com mais qualidade e a redução nas passagens dos ônibus.

 

Hoje, o que se vê são imensos buracos em algumas das principais capitais do país: Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Goiânia, Rio, Belo Horizonte e Fortaleza. O metrô de Fortaleza ainda avançou um pouco para atender os irmãos “Gomes”, seus correligionários incondicionais,  mas as obras foram abandonadas no final do ano passado tão logo acabou a eleição. Segundo o jornal Valor, “até o fim do primeiro trimestre, apenas 824 milhões de reais de tudo o que Dilma havia prometido tinha sido efetivamente pagos”, dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

 

Nos canteiros de ferros retorcidos das principais capitais do país existem apenas vigias montando guarda para cuidar do que foi abandonado, um prejuízo incalculável aos cofres públicos. É assim que a presidente e seus parceiros petistas agem: tentam tirar da cartola factoides para enganar a população e os governadores que, mais uma vez, chegam a Brasília para dar um voto de confiança a uma presidente desacreditada, mentirosa e fantasiosa que não respeita o dinheiro do contribuinte.

 

Com uma equipe despreparada – imagine você que até o ministro Eliseu Padilha virou articulador político –  a Dilma vem torrando o dinheiro do país desde que assumiu a presidência com o rótulo de gerentona e “Mãe do PAC”, títulos outorgados por Lula,  seu companheiro de partido. O factoide da mobilidade urbana foi lançado já em abril de 2012. Ela prometeu, naquele ano, 32 bilhões de reais para investimentos em metrô nas principais capitais. Com os movimentos de ruas em 2013, ela subiu para 50 bilhões de reais. Mais um factoide. Ou seja: mentiu pela segunda vez para silenciar a “voz rouca das ruas”, como dizia o velho cacique do PMDB, Ulysses Guimarães, que hoje, certamente, estaria envergonhado de ver Michel Temer, seu ex-pupilo, fazendo o papel de chefe de departamento de pessoal da Dilma, atuando no fisiologismo, o que existe de mais desprezível na política, para um governo despreparado, ineficiente, inapto e corrupto.

 

Temer sabe que a sua companheira de chapa chegou ao final da linha. Não quer passar a imagem de oportunista e, por isso, ainda se mantém ao lado dela para dissipar dúvidas quanto a sua fidelidade, uma imensa bobagem, que não engana a ninguém, porque a história mostra que vice no Brasil só serve para uma coisa: conspirar. E foi com essa intenção que ele viajou para Nova Iorque, onde se reuniu com o peso pesado do empresariado. Como político esperto e matreiro queria ouvir do PIB norte-americano opiniões sobre o governo da presidente Dilma.

 

Voltou satisfeito para continuar conspirando.

Metas, é preciso alcança-las.

Cristiane Sec. da saúde de Presidente Vargas e Charles Marinho Sec. de saúde de Vargem Grande.

Cristiane Sec. da saúde de Presidente Vargas e Charles Marinho Sec. de saúde de Vargem Grande.

Ontem estivemos no encontro da Coordenação Intergestora da Regional de saúde de Itapecurú-Mirim. Presentes todos os secretários da regional com exceção de Anajatuba, que não foi e nem mandou representantes. O Secretário Charles Marinho sugeriu no início da reunião que todos se juntassem e elaborassem uma pauta de reivindicações para ser discutida com o Secretário Estadual de Saúde. Ao final do encontro a pauta foi elaborada e por todos assinada. As reivindicações são inúmeras. Vão desde a aquisição de ambulâncias até repasses do governo estadual. Mas o que foi mais discutido e debatido foi a necessidade de atingirem metas. Os secretários saíram convencidos que tem que atingir metas ou perderão recursos como muitos perderam. A doutora Marcleita da Secretaria estadual de saúde foi enfática: Ou se atinge as metas, ou recursos serão devolvidos ao governo federal. Então senhores secretários e coordenadores está na hora de não arredar o pé das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Do que Lula tem medo?

Ricardo Noblat

Deve ser tal o desespero de Lula com a situação de Dilma e do seu governo que ele passou a admitir que seria uma boa reunir-se com Fernando Henrique Cardoso para uma troca de ideias. A admitir, não, a desejar o encontro.

Uma vez que seu desejo vazou para a imprensa, Lula recuou. Foi além: passou a negar que tivesse autorizado amigos a avaliarem a disposição de Fernando Henrique em recebê-lo. Mas autorizou, sim. Os dois já foram bons amigos.

Nos anos 80 do século passado, quando Fernando Henrique se candidatou ao Senado, Lula se exibiu ao lado dele como seu cabo eleitoral. Participou da campanha. Distribuiu panfletos com a foto de Fernando Henrique. Pediu votos para elegê-lo.

Uma vez eleito em 2002, Lula se deixou ajudar por Fernando Henrique junto a organismos econômicos internacionais e a investidores preocupados com o que pudesse vir a acontecer com o Brasil. Fernando Henrique foi o avalista de Lula lá fora.

Ninguém sabe ao certo o que levou Lula a se tornar um duro adversário de Fernando Henrique. Nos seus dois mandatos, ele não perdeu uma só chance de criticá-lo de maneira, muitas vezes, impiedosa, cruel e grosseira.

O que ele agora poderia querer se encontrando com Fernando Henrique? Obter dele a garantia de que o PSDB não pesará a mão para provocar o impeachment de Dilma? Convidar o PSDB para ser parceiro do PT no poder? Ou apenas relembrar os velhos tempos?

Jamais saberemos. Não seria absurdo imaginar que Lula talvez pretendesse garantir que nada lhe aconteceria de constrangedor caso a oposição desalojasse o PT do poder em 2018. Mais do que isso Fernando Henrique não poderia lhe garantir. Talvez nem isso.

Lula e Fernando Henrique, São Paulo, 1980 (Foto: Juca Martins)Lula e Fernando Henrique, São Paulo, 1980 (Foto: Juca Martins)

COM TODO O RESPEITO, UMA BOBAGEM

CARLOS CHAGAS

Tanto faz se de público ou em privado, a presidente Dilma costuma surpreender com opiniões esdrúxulas. Na segunda-feira, reunida com ministros, declarou dever-se à Operação Lava Jato a queda de pelo menos um ponto percentual, dos dois perdidos no Produto Interno Bruto. Como a reunião não estava sendo transmitida pela mídia, presume-se que algum ministro deu o serviço para os jornalistas. Deve ser admoestado, menos por ser boquirroto, mais por não ter tido a noção de que Madame falava uma bobagem. Resultado: fez a festa na oposição. E deixou os setores governistas de cabelo em pé.

Onde já se viu dizer que prejudica o desenvolvimento nacional uma iniciativa destinada a investigar ladroagens e roubalheiras? Só progrediremos com o Ministério Público e a Polícia Federal apurando as lambanças e encaminhando seus responsáveis à Justiça, para as devidas providências. Na verdade, quem fez cair os índices do crescimento econômico nacional foram a Petrobras e seus variados saqueadores, políticos e empreiteiros.

A presidente tem muito mais responsabilidade na queda do PIB do que procuradores e policiais. Afinal, sabia ou não sabia do jabá? Que providências tomou para evitar o assalto aos cofres da maior empresa pública do país? Apesar de dois ministros apontados como tendo participado da lambança, nenhum foi afastado. Muito menos parlamentares da base oficial.

Não é a primeira vez que Dilma se perde com as palavras, mas agora foi demais.Seu diagnóstico, além de lamentável, é falso. Estivesse o Congresso reunido e montes de pronunciamentos de protesto tomariam os trabalhos. Dizem que ela cursou Economia. Haverá um professor, sequer, capaz de endossar essa tese?

DÚVIDAS

Com o passar dos séculos, o poder da riqueza superou o privilégio do nascimento? Parece que sim, mas o berço ainda constitui fator importante nas diversas atividades. Na política e na atividade privada, funciona ser filho de senador ou neto do fundador da empresa. Às vezes, porém, é prejudicial. Aí estão os empreiteiros presos na Operação Lava Jato. Vamos aguardar os políticos…

DESIGUALDADE NO BRASIL: RAIZ HISTÓRICA DA VIOLÊNCIA

ORLANDO SILVA

Aprovado no último dia 15 de julho, o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apurou violência contra jovens negros e pobres no Brasil, nos apresenta uma realidade brutal da violência pelo Brasil. A quantidade de mortes de jovens pelo país é o sintoma mais agudo de uma patologia social que sangra a dignidade brasileira, o racismo.
A CPI do Jovem Negro e Pobre cumpre um papel institucional e de reconhecimento central para superar tal realidade. Ao mesmo tempo em que abre espaço para a população excluída, ela reconhece que existe, sim, um “genocídio simbólico” de nossos jovens.

Dados da violência

O mapa desenhado pela Comissão apresenta dados escandalosos e pioram quando a estatística analisa as mortes de jovens negros e pobres pelo país. Considerando os dados de 2004 a 2007, percebe-se que o número de mortes da juventude negra supera o de mortos na guerra do Afeganistão. Sendo que, de acordo com as estatísticas, os jovens negros morrem 3,7 vezes mais que os jovens brancos. Para ter uma ideia, no Brasil, os homicídios são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos, atingindo, majoritariamente, o segmento de jovens negros e pobres.

De acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, das 537.790 pessoas que estão no sistema penitenciário, 93,92% são homens, 60% são negros, 66% são pobres, 51% não tiveram acesso à escola. Esse é o número da vergonha, da exclusão. Diante desse cenário brutal, nossa luta por avanços passa, sobretudo, pela superação das desigualdades e negação de direitos que condicionaram a sociedade a uma situação de quarentena.

No nosso entendimento, a principal contribuição da CPI do Jovem Negro e Pobre residiu em apresentar um documento de diretrizes, que partiu da realidade de jovens, pais e mães de diferentes regiões do país, que sofrem, diariamente, com a violência. Nosso esforço está em propor uma ação que se constitua em avanço no combate à desigualdade, raiz histórica da violência.

Após esse período de conquistas (2003-2015), está na hora de avançar. A sociedade brasileira, o poder público e as organizações sociais precisam se unir para repensar o modelo de desenvolvimento em curso. É preciso ampliar e fortalecer as políticas públicas de combate ao racismo e ao preconceito, é preciso construir cidades mais humanas, não podemos negar mais educação e lazer à nossas crianças. Só assim avançaremos.

E mais, não poderemos falar em democracia forte, projeto nacional de desenvolvimento e avanço social sem superar a herança brutal que a desigualdade impôs ao nosso país nestes 515 anos. A qual se revela, nesse momento, na motivação racista que existe no extermínio da juventude negra nas periferias das grandes cidades.

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP), foi ministro do Esporte

“Um estranho fascínio”.

 Por Josef Barat*
… conflitos e tensões se exacerbam, mas é manifesta a incapacidade do governo de – na melhor tradição brasileira – afastar os radicalismos e buscar uma solução capaz de articular uma nova composição política com o equilíbrio necessário para conduzir o País. Por tudo isso, novas articulações…
 

Um dia algum historiador com mente muito aberta conseguirá explicar esse estranho fascínio que o Brasil tem pelo fracasso. Sem restrições ideológicas, talvez o exame de episódios recorrentes da nossa história possa nos permitir entender tantas alternâncias de sucessos e de fracassos. A cada período de busca pela inserção no mundo contemporâneo e participação no concerto de nações adultas seguem-se os de desmonte das conquistas. Meticulosamente as forças do atraso se unem para manter o País na sua letargia secular. E, por forças do atraso, entenda-se não apenas as mais conhecidas, mas também as que se dizem “progressistas”, que de forma bitolada servem mesmo é ao atraso.

Os adolescentes que têm pavor de assumir a vida adulta culpam os pais, os professores e o mundo por seus descaminhos e frustrações. Nunca internalizam a responsabilidade por seus atos. Os culpados sempre são os outros. Vale a translação dessa imagem para países da América Latina, por exemplo.

Sempre engolfados por tiranos irresponsáveis, seus povos são incitados ao ódio aos “adultos”, causadores de todos os seus males. Atitude bem diferente têm os do sudeste asiático, que, também vítimas do colonialismo, há tempos já viraram essa página, não maldizem ninguém, assumem posição no mundo contemporâneo e olham mais resolutamente para o futuro. Querem ocupar lugar no mundo adulto. Quaisquer indicadores econômicos, sociais, culturais ou educacionais mostram com clareza a diferença entre essas duas porções do mundo.

Nesta América Latina condenada irremediavelmente a sucessões de grandes fracassos – com duas ou três exceções -, o Brasil fica um pouco melhor. Pelo menos alterna seus malogros com ciclos de efetivo avanço no ordenamento institucional, na modernidade da produção e alguma melhoria social. Além do mais, a herança lusitana, ao contrário da espanhola, valoriza mais o exercício do poder pela esperteza – mais ou menos sutil -, do que pelos confrontos, bravatas e cultos a cadáveres de seus tiranos, tão apreciados pelos “hermanos”. Mas como explicar então o fascínio pelo fracasso no Brasil? Seria herança distante do sebastianismo? Seria porque se sente mais confortável e “respeitado” entre “adolescentes” irresponsáveis?

Vendo a nossa história mais recente – e para citar alguns exemplos – é impressionante como o esforço de contemporaneidade e o otimismo dos anos JK foram seguidos por anos calamitosos e sombrios de outros dois jotas: JQ e JG. Como todo esforço de estabilização e bases institucionais inovadoras de caráter econômico e social do curto governo Castelo foi seguido de um retrocesso em Costa e Silva e Médici. O esforço de dar uma lógica de planejamento e objetivos nacionais de desenvolvimento dos anos Geisel, pelo descontrole dos anos Figueiredo e Sarney. Seria supérfluo destacar o caos imposto por Collor, que só possibilitou um realinhamento da economia e a abertura de perspectivas mais seguras com o Plano Real de Itamar e FHC. Por fim, estamos assistindo ao triste espetáculo do esfacelamento dos avanços conquistados na era FHC e Lula 1 de controle da inflação, aumento da renda real, melhor distribuição de renda e maior credibilidade internacional.

Neste desmonte que resultou do governo Dilma 1, tem-se a sobreposição de três crises de grandes proporções: econômica, política e social. A sociedade já vem dando, há tempos, sinais de inquietação com essa mistura explosiva de inflação alta, redução do poder de compra, aumento do desemprego e inadimplência. Os conflitos e tensões se exacerbam, mas é manifesta a incapacidade do governo de – na melhor tradição brasileira – afastar os radicalismos e buscar uma solução capaz de articular uma nova composição política com o equilíbrio necessário para conduzir o País.

Por tudo isso, novas articulações políticas já se fazem com o objetivo de viabilizar uma nova governança que tenha a disposição de mudar o rumo das opções econômicas e políticas. Mas, para a dimensão e a complexidade das crises, ainda faltam grandes estadistas.
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Josef Barat – Economista, Consultor de entidades públicas e privadas, é Coordenador do Núcleo de Estudos Urbanos da Associação Comercial de São Paulo. 

AGOSTO VEM AÍ

CARLOS CHAGAS

O Senado, em Roma, decidiu dar nome   aos  doze meses em que  o  ano foi  dividido. Para homenagear  Julio César e  Otávio Augusto,  o sétimo e  o  oitavo mês são até hoje Julho e Agosto. O problema é que, naqueles idos, os bajuladores pareciam  os mesmos de agora. Como o imperador era Tibério, ofereceram-lhe tornar-se patrono de um dos outros meses. Modesto, ele recusou maliciosamente: “o que  fareis quando Roma chegar a ter treze imperadores?”

O episódio se conta às vésperas da chegada de agosto, para nós um mês azarado e pleno de surpresas. Getúlio Vargas suicidou-se, Jânio Quadros renunciou, Costa e Silva adoeceu. Dilma pretende recuperar-se,  mas pode ser surpreendida por outra tragédia. No Congresso, cresce a tendência da rejeição de suas contas do ano passado, em especial se for essa a decisão  do Tribunal de Contas da União. Nossa imperatriz estaria incursa em crime de responsabilidade e sujeita ao impeachment. Michel Temer assumiria, ainda que na dependência do Tribunal Superior Eleitoral, que se considerar ter havido dinheiro podre na campanha  presidencial do PT, no ano passado, atingirá também o vice-presidente.  Como estamos na primeira metade do mandato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,  chefiaria provisoriamente o Executivo, dispondo de noventa dias para convocar eleições diretas. Isso caso o TSE e o Supremo Tribunal Federal não se inclinassem pela singular tese de convocar Aécio Neves, como segundo colocado nas eleições de 2014.

Em suma, abre-se a perspectiva de um agosto à altura dos anteriores referidos,  em matéria de confusão.

SEM  PERDER OUTRA OPORTUNIDADE

Fernando Henrique não perde oportunidade de aparecer. Entrado nos oitenta anos, em vez de recolher-se para redigir suas memórias, continua dando palpite em tudo.  Acaba de repetir  não  querer conversa com Dilma e Lula. Logo que publicada a versão deles desejarem encontrar-se com o antecessor para exame da crise atual, o   sociólogo declarou ter nome e número no catálogo telefônico, não precisando de intermediários para acertar uma reunião.  Quer dizer, aceitaria conversar. Como   sua disposição pegou mal no  ninho tucano,  avançou para dizer que nada tem a ver com o  governo e prefere saltar de banda.  Agora, enfatiza de novo a recusa. Deveria ter presente que em política  nenhum risco acompanha o silêncio.