Metas, é preciso alcança-las.

Cristiane Sec. da saúde de Presidente Vargas e Charles Marinho Sec. de saúde de Vargem Grande.

Cristiane Sec. da saúde de Presidente Vargas e Charles Marinho Sec. de saúde de Vargem Grande.

Ontem estivemos no encontro da Coordenação Intergestora da Regional de saúde de Itapecurú-Mirim. Presentes todos os secretários da regional com exceção de Anajatuba, que não foi e nem mandou representantes. O Secretário Charles Marinho sugeriu no início da reunião que todos se juntassem e elaborassem uma pauta de reivindicações para ser discutida com o Secretário Estadual de Saúde. Ao final do encontro a pauta foi elaborada e por todos assinada. As reivindicações são inúmeras. Vão desde a aquisição de ambulâncias até repasses do governo estadual. Mas o que foi mais discutido e debatido foi a necessidade de atingirem metas. Os secretários saíram convencidos que tem que atingir metas ou perderão recursos como muitos perderam. A doutora Marcleita da Secretaria estadual de saúde foi enfática: Ou se atinge as metas, ou recursos serão devolvidos ao governo federal. Então senhores secretários e coordenadores está na hora de não arredar o pé das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Do que Lula tem medo?

Ricardo Noblat

Deve ser tal o desespero de Lula com a situação de Dilma e do seu governo que ele passou a admitir que seria uma boa reunir-se com Fernando Henrique Cardoso para uma troca de ideias. A admitir, não, a desejar o encontro.

Uma vez que seu desejo vazou para a imprensa, Lula recuou. Foi além: passou a negar que tivesse autorizado amigos a avaliarem a disposição de Fernando Henrique em recebê-lo. Mas autorizou, sim. Os dois já foram bons amigos.

Nos anos 80 do século passado, quando Fernando Henrique se candidatou ao Senado, Lula se exibiu ao lado dele como seu cabo eleitoral. Participou da campanha. Distribuiu panfletos com a foto de Fernando Henrique. Pediu votos para elegê-lo.

Uma vez eleito em 2002, Lula se deixou ajudar por Fernando Henrique junto a organismos econômicos internacionais e a investidores preocupados com o que pudesse vir a acontecer com o Brasil. Fernando Henrique foi o avalista de Lula lá fora.

Ninguém sabe ao certo o que levou Lula a se tornar um duro adversário de Fernando Henrique. Nos seus dois mandatos, ele não perdeu uma só chance de criticá-lo de maneira, muitas vezes, impiedosa, cruel e grosseira.

O que ele agora poderia querer se encontrando com Fernando Henrique? Obter dele a garantia de que o PSDB não pesará a mão para provocar o impeachment de Dilma? Convidar o PSDB para ser parceiro do PT no poder? Ou apenas relembrar os velhos tempos?

Jamais saberemos. Não seria absurdo imaginar que Lula talvez pretendesse garantir que nada lhe aconteceria de constrangedor caso a oposição desalojasse o PT do poder em 2018. Mais do que isso Fernando Henrique não poderia lhe garantir. Talvez nem isso.

Lula e Fernando Henrique, São Paulo, 1980 (Foto: Juca Martins)Lula e Fernando Henrique, São Paulo, 1980 (Foto: Juca Martins)

COM TODO O RESPEITO, UMA BOBAGEM

CARLOS CHAGAS

Tanto faz se de público ou em privado, a presidente Dilma costuma surpreender com opiniões esdrúxulas. Na segunda-feira, reunida com ministros, declarou dever-se à Operação Lava Jato a queda de pelo menos um ponto percentual, dos dois perdidos no Produto Interno Bruto. Como a reunião não estava sendo transmitida pela mídia, presume-se que algum ministro deu o serviço para os jornalistas. Deve ser admoestado, menos por ser boquirroto, mais por não ter tido a noção de que Madame falava uma bobagem. Resultado: fez a festa na oposição. E deixou os setores governistas de cabelo em pé.

Onde já se viu dizer que prejudica o desenvolvimento nacional uma iniciativa destinada a investigar ladroagens e roubalheiras? Só progrediremos com o Ministério Público e a Polícia Federal apurando as lambanças e encaminhando seus responsáveis à Justiça, para as devidas providências. Na verdade, quem fez cair os índices do crescimento econômico nacional foram a Petrobras e seus variados saqueadores, políticos e empreiteiros.

A presidente tem muito mais responsabilidade na queda do PIB do que procuradores e policiais. Afinal, sabia ou não sabia do jabá? Que providências tomou para evitar o assalto aos cofres da maior empresa pública do país? Apesar de dois ministros apontados como tendo participado da lambança, nenhum foi afastado. Muito menos parlamentares da base oficial.

Não é a primeira vez que Dilma se perde com as palavras, mas agora foi demais.Seu diagnóstico, além de lamentável, é falso. Estivesse o Congresso reunido e montes de pronunciamentos de protesto tomariam os trabalhos. Dizem que ela cursou Economia. Haverá um professor, sequer, capaz de endossar essa tese?

DÚVIDAS

Com o passar dos séculos, o poder da riqueza superou o privilégio do nascimento? Parece que sim, mas o berço ainda constitui fator importante nas diversas atividades. Na política e na atividade privada, funciona ser filho de senador ou neto do fundador da empresa. Às vezes, porém, é prejudicial. Aí estão os empreiteiros presos na Operação Lava Jato. Vamos aguardar os políticos…

DESIGUALDADE NO BRASIL: RAIZ HISTÓRICA DA VIOLÊNCIA

ORLANDO SILVA

Aprovado no último dia 15 de julho, o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apurou violência contra jovens negros e pobres no Brasil, nos apresenta uma realidade brutal da violência pelo Brasil. A quantidade de mortes de jovens pelo país é o sintoma mais agudo de uma patologia social que sangra a dignidade brasileira, o racismo.
A CPI do Jovem Negro e Pobre cumpre um papel institucional e de reconhecimento central para superar tal realidade. Ao mesmo tempo em que abre espaço para a população excluída, ela reconhece que existe, sim, um “genocídio simbólico” de nossos jovens.

Dados da violência

O mapa desenhado pela Comissão apresenta dados escandalosos e pioram quando a estatística analisa as mortes de jovens negros e pobres pelo país. Considerando os dados de 2004 a 2007, percebe-se que o número de mortes da juventude negra supera o de mortos na guerra do Afeganistão. Sendo que, de acordo com as estatísticas, os jovens negros morrem 3,7 vezes mais que os jovens brancos. Para ter uma ideia, no Brasil, os homicídios são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos, atingindo, majoritariamente, o segmento de jovens negros e pobres.

De acordo com dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, das 537.790 pessoas que estão no sistema penitenciário, 93,92% são homens, 60% são negros, 66% são pobres, 51% não tiveram acesso à escola. Esse é o número da vergonha, da exclusão. Diante desse cenário brutal, nossa luta por avanços passa, sobretudo, pela superação das desigualdades e negação de direitos que condicionaram a sociedade a uma situação de quarentena.

No nosso entendimento, a principal contribuição da CPI do Jovem Negro e Pobre residiu em apresentar um documento de diretrizes, que partiu da realidade de jovens, pais e mães de diferentes regiões do país, que sofrem, diariamente, com a violência. Nosso esforço está em propor uma ação que se constitua em avanço no combate à desigualdade, raiz histórica da violência.

Após esse período de conquistas (2003-2015), está na hora de avançar. A sociedade brasileira, o poder público e as organizações sociais precisam se unir para repensar o modelo de desenvolvimento em curso. É preciso ampliar e fortalecer as políticas públicas de combate ao racismo e ao preconceito, é preciso construir cidades mais humanas, não podemos negar mais educação e lazer à nossas crianças. Só assim avançaremos.

E mais, não poderemos falar em democracia forte, projeto nacional de desenvolvimento e avanço social sem superar a herança brutal que a desigualdade impôs ao nosso país nestes 515 anos. A qual se revela, nesse momento, na motivação racista que existe no extermínio da juventude negra nas periferias das grandes cidades.

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP), foi ministro do Esporte