Vereador Raimundinho fortalece grupo da ex-prefeita Iara

da direita para a esquerda Ver. Raimundinho, ver. Dolores e ver. Junior.

da direita para a esquerda Ver. Raimundinho, ver. Dolores e ver. Junior.

A cada dia o grupo da ex-prefeita Iara Quaresma se fortalece, enquanto o grupo do atual gestor Riba do Xerém enfraquece e se desfigura no cenário político para a próxima eleição. Há poucos dias o ex-presidente da Câmara e líder inconteste da Zona Rural, com forte influência política na sede do município, Aristoneide Garrêto, apresentou sua carta de renúncia ao grupo dirigente do momento, e o consequente engajamento ao grupo da ex-prefeita Iara. Sábado passado, numa demonstração de maturidade política o vereador Raimundinho que fazia parte do grupo Jhones e Riba, deixou o barco furado do governo, para se unir as lideranças mais fortes do município que tem o comando da professora Iara Quaresma. Raimundinho que é cauteloso e comedido, reconhecendo o trabalho da ex-prefeita e sabendo da preocupação do grupo pela melhoria da qualidade de vida dos ninenses, juntou-se ao grupo, para formar uma grande corrente, em favor do desenvolvimento de seu município.

TEMER, NARDES E MORO REUNIDOS HOJE EM EVENTO EM SÃO PAULO

Vera Magalhães
Folha

O vice-presidente Michel Temer participa de evento nesta segunda-feira em São Paulo ao lado do ministro Augusto Nardes, que recomendou a rejeição das contas da presidente Dilma Rousseff no Tribunal de Contas da União, e do juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processo da operação Lava Jato na primeira instância.

O prazo maior para defesa não deve significar vida mais fácil para Dilma Rousseff no julgamento das contas do governo de 2014 pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Na avaliação dos ministros, as pedaladas apontadas no voto do relator Augusto Nardes poderiam ser atribuídas à equipe econômica do primeiro mandato. Mas as indicadas na segunda leva de irregularidades seriam de responsabilidade direta da presidente, segundo parecer prévio dos técnicos do órgão.

Depois do recebimento das explicações do governo, previsto para 11 de setembro, haverá uma semana para a área técnica examiná-las e uma para o relator elaborar um novo voto.

Depois disso, os demais integrantes da corte teriam uma semana para analisar o relatório de Nardes. A data em discussão para o julgamento é 7 de outubro.

Com as novas datas, a composição do tribunal deve estar completa: o ministro Bruno Dantas, que estaria fora se o julgamento fosse em setembro, volta para a última sessão do mês.

ENQUANTO ISSO, NO TSE

Os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acreditam que o processo de cassação da chapa de Dilma e Temer deverá levar ao menos seis meses. O julgamento ficaria para 2016.

A ministra Luciana Lossio, que pediu vista do processo, disse a colegas que deve devolvê-lo ao plenário em, no máximo, duas semanas.

No reino da improvisação

Cristina Lobo

A proposta de recriar a CPMF durou menos de três dias e foi arquivada pela presidente Dilma Rousseff, sem que o governo saiba o que vai colocar no lugar – outra fonte de receita para financiar a saúde ou, na verdade, para equilibrar o orçamento de 2016 que tem um buraco da ordem de R$ 80 bilhões – ou se vai deixar o orçamento com déficit para resolver o problema depois. Mas o desgaste do governo já foi feito. Mais do que isso, vai-se cristalizando no governo a marca da improvisação.

É o que pelo menos um ministro chama de espontaneismo. “Alguém tem uma ideia e sai tratando dela sem um debate interno e sem analisar suas consequências”, disse um ministro. Para ele, a proposta de recriar a CPMF nasceu da conjunção de interesses da Receita Federal e da Saúde, que acabaram vazando a solução encontrada. “E deu no que deu”… Na verdade, o assunto cresceu mais, passou a ser defendido no núcleo do governo, mas a reação negativa fez o governo recuar.

Os exemplos são muitos. No começo da semana, o governo anunciou de supetão uma reforma administrativa para reduzir o número de ministérios e cargos em confiança, sem saber quais ou mesmo quantos podem ser extintos ou reunidos num só. A marca da improvisação está lá e a reação das corporações atingidas também.

Ainda neste mes de agosto houve outro  vai-e-vem do governo que também provocou desgastes. Foi  o pagamento da parcela de 50% do  13o.  salário dos aposentados. O pagamento não é obrigatório e, por isso, o Ministério da Fazenda quis deixar para depois – para pagar todo em dezembro. O Ministério da Previdência reagiu e, depois de idas e vindas, acabou vencendo. Mesmo tendo o Ministério da Fazenda  anunciado o pagamento em duas parcelas (25% em setembro e 25% em outubro e os restantes 50% em novembro), ele foi desautorizado. Dois dias depois, a presidência da República divulgou nota oficial para comunicar o pagamento da parcela integral do 13o. salário para os aposentados.

Neste caso, o desgaste foi da presidente Dilma, mas também chamuscou  o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.  Levy anda com problemas demais e não precisava de mais um tema para desgastá-lo. Aliás, além da marca da improvisação, outro problema para o  governo é ter seu ministro da Fazenda sofrendo desgastes novos quase diários. Uma hora é o embate com o colega do Planejamento; na outra, o PT em coro criticando sua política econômica e, por fim, o desempenho do conjunto da economia que o tem obrigado a dizer e repetir que não é o ajuste fiscal o responsável pela recessão.

PARECER DE JANOT PARA BLINDAR DILMA ESTAVA PRONTO HÁ TEMPOS

Carlos Newton

As notícias dos jornais e sites da grande mídia são imprecisas. Alguns deles anunciam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria mandado arquivar o pedido de investigação da campanha eleitoral do PT, enviado pelo Tribunal Superior Eleitoral, através do ministro Gilmar Mendes. Outros dizem que ele apresentou um parecer a favor do arquivamento.

Pessoalmente, acredito que Janot apenas encaminhou um parecer, por dois motivos: primeiro, não cabe ao representante do Ministério Público Federal arquivar determinação do Tribunal Superior Eleitoral, ele não tem essa competência; e segundo, um homem como Janot, que é xingado cara a cara de “filha da puta” e “crápula”, e não reage, jamais teria coragem para arquivar uma decisão do TSE.

O episódio deixa bastante claro é que Janot se tornou o novo engavetador-geral da União, uma espécie de Geraldo Brindeiro em versão mais rotunda. Já começou a cumprir o grande acordo que o reconduziu à Procuradoria-Geral da União, e o faz com grande dedicação e servilismo, adotando um comportamento sabujo que desonra o Ministério Público Federal, sem a menor dúvida.

PRIMARISMO ASSUMIDO

O engavetador Janot é tão primário que nem tomou cuidados para evitar que ficasse demonstrada sua submissão absoluta ao Planalto. No afã de mostrar serviço ao Planalto, deixou o rabo de fora da toca e foi apanhado pela ratoeira, como se dizia antigamente.

Sua pressa deixou explícito que este parecer pelo arquivamento das investigações estava pronto há tempos e com toda certeza serviu de base à negociação com o Planalto e o Senado, no já famoso acordo que o levou a ser reconduzido à Procuradoria.

Vamos seguir a trilha. O TSE se reúne apenas dois dias por semana, às terças e quintas. O pedido de investigação foi feito pelo relator Gilmar Mendes na sessão de 13 de agosto. No mesmo dia 13, Janot imediatamente encaminhou ao TSE uma mensagem ao ministro, acompanhada do extenso parecer previamente redigido, deixando evidente que há tempos já estava tudo pronto para blindar a presidente Dilma Rousseff na Justiça Eleitoral, através de um arrazoado prévio, do tipo celular pré-pago, que ela certamente adorou.

IRONIZANDO GILMAR MENDES

No ousado parecer, o engavetador Janot chegou a ironizar o ministro-relator.. “É em homenagem à sua excelência [Gilmar Mendes], portanto, que aduzimos outro fundamento para o arquivamento ora promovido: a inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas — exagerados — do espetáculo da democracia, para os quais a Constituição trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores“, escreveu.

Afirmou também ter receio da judicialização exagerada, dizendo que é preciso levar em conta que a Constituição Federal estabeleceu como atores principais do processo eleitoral “os candidatos e os eleitores“. Por fim, defendeu que “os derrotados devem conhecer sua situação e se preparar para o próximo pleito“.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Neste “espetáculo da democracia” a que se referiu, Janot tenta se tornar personagem principal, quando é apenas mero coadjuvante. É o ministro Gilmar Mendes que está roteirizando e dirigindo a peça, como relator da prestação de contas da campanha de Dilma à reeleição e da ação criminal do PSDB. Além de acionar a Procuradoria-Geral da República, Mendes determinou também que a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo investiguem as irregularidades na campanha eleitoral do PT, além dos indícios de que recursos desviados no esquema de corrupção da Petrobras também abasteceram o caixa petista. E Janot não manda em nenhuma dessas instituições.

Por fim, é certo que muitos procuradores que votaram a favor da recondução de Janot hoje estejam arrependidos e envergonhados com a atuação deste novo engavetador-geral da República. Não cabe a Janot defender e blindar a locatária do Planalto, esta missão é da Advocacia-Geral da União. A função do procurador-geral da República é de ser o fiscal da lei. Mas certamente o serviçal e bajulador Janot já esqueceu esse pequeno detalhe da doutrina jurídica.

O VÔO DA DILMA

CARLOS CHAGAS

Voltaire surpreendeu amigos e admiradores ao declarar que invejava duas coisas, nos pássaros: a ignorância  diante dos acontecimentos futuros e daquilo   que se dizia  a respeito deles.

Com todo o respeito, mas ao mandar anunciar a  nova CPMF, a presidente Dilma não conseguiu prever a avalancha de rejeições por parte dos políticos, empresários, trabalhadores e até ministros de seu governo?  Em paralelo, ignora o que o país inteiro anda falando dela, depois de mais essa proposta absurda  e  deletéria?

Em meio à crise que leva o Brasil para as profundezas, Madame imaginou que conseguiria sensibilizar a opinião pública para aceitar mais  um imposto sobre  cheques expedidos para pagamento de outros esbulhos? Por acaso deixou de considerar que contra a sua proposta seria formada uma frente ampla de protestos?

A  gente fica pensando até onde voará essa ave  perdida nos céus do Brasil. Provenham dela ou do ministro  Joaquim Levy, cada proposta para conter a crise assemelha-se a nova ascensão nas  nuvens da  insensatez.  Da redução de direitos trabalhistas ao corte nos salários como forma de evitar o desemprego, do aumento de encargos financeiros para as empresas à elevação dos juros, só falta mesmo revogar a Lei Áurea.  A cada semana multiplica-se o número  de desempregados.  Já são oito milhões e meio, conforme números maquiados pelo próprio governo.

O déficit de moradias populares  só não é maior do que a falta de atendimento na saúde pública. A inflação encosta nos dois dígitos, a produção cai enquanto cresce a importação de supérfluos.

Não se debitará exclusivamente a Dilma o conjunto de dificuldades que nos assolam, mas se ela continuar voando corre o risco de desaparecer na estratosfera.

GOVERNADORES EM PÂNICO

Apesar de partidária e regionalmente dispersos, os governadores parecem próximos de uma articulação capaz de poupar-lhes os mandatos. Porque do  jeito que  as coisas vão não sobrará nenhum, dos candidatos à reeleição aos já  reeleitos, agora imaginando uma cadeira de senador. As eleições de 2018 constituem preocupação nem tão  longínqua assim. Realizadas hoje, por hipótese, não poupariam nenhum. Como recuperar-se?  Ficando longe de Brasília…

AS BOMBAS MAIORES: DIVÓRCIO ENTRE AS URNAS E AS RUAS

CRISTOVAM BUARQUE

As pessoas têm a tendência de ver apenas as bombas mais próximas e ignorar aquelas escondidas, que ameaçam o futuro. As bombas do momento são a corrupção, que joga estilhaços de vergonha sobre todos os políticos (especialmente dos partidos no governo), e o descrédito de um governo que errou na economia, faltou com a verdade na campanha e descumpriu promessas. Apesar disso, o governo vê apenas as bombas imediatistas que ameaçam o equilíbrio fiscal.

A crise política, econômica e moral que atravessamos parece impedir a percepção das bombas que ameaçam o futuro mais distante. Ficamos presos às bombas da corrupção, da inflação, do descrédito da presidente e dos políticos em geral, não vemos as outras bombas.

A dívida dos Estados e dos municípios, já em fase de explosão, mesmo assim ainda é relegada. A explosão de gastos públicos, face às limitações da já imensa carga fiscal, destroçará as contas públicas. Nossos entes federados estão atravessando a linha que separa dificuldades fiscais conjunturais da falência estrutural, com suas consequências sobre os serviços públicos e os salários dos servidores. A Previdência explodirá em algum momento não muito distante, trazendo sacrifícios devastadores sobre a população mais velha do país e penalizando os jovens.

A pobreza – sobretudo depois de ter sido escondida pelo marketing governamental dos últimos anos, afirmando que ela teria sido transformada em classe média porque, endividando-se, consegue comprar alguns equipamentos domésticos – está explodindo na miséria da falta de educação, saúde, segurança, mobilidade. A violência urbana é uma bomba que explode como uma guerra civil de proporções gigantescas, matando quase 60 mil brasileiros por ano.

Nossa má educação e o consequente atraso na ciência e na tecnologia, que nos deixam cada dia mais atrasados em relação ao resto do mundo, são a bomba que impedirá nosso ingresso no mundo do conhecimento que caracteriza a economia e a sociedade.

O endividamento das famílias pode explodir, inviabilizando nosso sistema financeiro aparentemente sólido e sacrificando a vida de nossa população. A incapacidade de gestão que caracteriza o Estado brasileiro dos últimos anos ameaça o crescimento de nossa economia e o bom funcionamento de nossa sociedade. A baixa poupança de nossas famílias, empresas e governo é uma bomba que impede os investimentos necessários à construção de uma infraestrutura eficiente, ao crescimento da economia e ao aumento da produtividade de nossa indústria. O desemprego é uma bomba trágica de grandes proporções. A bomba do consumo de drogas corrói famílias e anula o potencial de dezenas de milhares de jovens.

Mas a maior das bombas é a despolitização do debate entre grupos políticos sem visão nem propostas, presos às pequenas bombas do presente, sem a percepção das grandes em andamento: o divórcio entre as urnas e as ruas, entre os políticos e o povo, está explodindo no colo da democracia.

 

Cristovam Buarque é senador pelo PDT-DF.

Foto de Batista Shekinah.

Uma águia não luta com uma serpente no chão. Ela a agarra e a transfere para um outro campo de batalha: o céu. Depois de levá-la para o alto, a solta em direção ao chão. Uma cobra não tem nenhuma resistência, nenhum poder, nenhum equilíbrio no ar. Ali revela-se inútil, fraca e vulnerável. No chão, é mortal, sábia e poderosa. Como uma águia, não limite-se a lutar no reino físico. Leve a luta para o Reino do Espírito: ORAÇÃO! As decisões que mudam as coisas aqui na terra são tomadas no Céu.

Hora da xepa.

 Coluna Carlos Brickmann
Não importa o que os políticos, empresários e gente importante em geral nos digam: o que importa é a atitude que tomam. Podem dizer que a administração é excelenta, que a presidente é competenta, valenta, resistenta. Mas como agem?

1 – Por enquanto, 20% dos prefeitos do PT no Estado de São Paulo mudaram de partido. É a lei da vida: para sobreviver, acharam melhor sair do partido dela.

2 – Tente lembrar-se de algum Governo, nos últimos 50 anos, que não tenha tido o apoio de Delfim Netto. Nesta era petista, ele esteve bem próximo de Lula, tanto que muitos o consideravam seu conselheiro. Delfim disse agora que Dilma, em 2014, destruiu deliberadamente a economia para conseguir a reeleição. É injusto: Dilma nem sabe o que faz na economia. Mas Delfim se afastou dela – e bem quando Dilma busca o apoio empresarial, área em que Delfim é influente.

– O Banco Central divulgou nesta semana a taxa de juros do cartão de crédito: 395,3% ao ano. A taxa alta indica falta de confiança na economia. E os banqueiros são o único grupo de empresários que manifesta seu apoio a Dilma.

4– Dilma iria presidir no seu palácio um evento de atletas para-olímpicos. O chefe do cerimonial simplesmente barrou, com os braços estendidos, a entrada da presidente, para que ela desse passagem a atletas cadeirantes. Dilma esbravejou, mas não adiantou. Quando um chefe de Governo bate boca em público com um subordinado, quando um subordinado não hesita em barrar a presidente, o poder acabou.

O próximo passo é servir-lhe cafezinho frio com biscoitos murchos.

Batendo o pé

Quando Dilma soube que o vice Michel Temer teria um encontro com empresários, antecipou-se e, na véspera, reuniu alguns dos empresários que iriam conversar com ele.

Quando a presidente de um país precisa disputar prestígio com o vice, vai ter de tomar cafezinho velho e frio guardado há dias na garrafa térmica.

A volta do que não saiu

Para tentar salvar o PT, Lula disse que pode ser candidato em 2018. Ele queria, claro; mas jamais tinha dito isso. Aliás, queria ter sido candidato em 2014, mas Dilma fez questão de segurar a bomba.

O fato é que, ao recorrer a seu maior símbolo, o PT mostra que, no pós-Dilma, não tem mais ninguém para competir.

Pior do que está, fica

Que Tiririca, que nada! Com ele, pior do que está não fica. Com Dilma, pode ficar: é de seu Governo a ideia de jerica de recriar a CPMF, com o nome-fantasia de CIS, Contribuição Interfederativa da Saúde, e a mesma alíquota de quando foi extinta sob aplausos gerais: 0,38%.

A tal CIS é tão ruim que conseguiu o apoio do governador paulista Geraldo “Chuchu” Alckmin, tucano de bico fininho e comprido que só desce do muro para ficar do lado errado. Alckmin acha que parte da arrecadação será repassada aos Estados. O ministro Adib Jatene achava que o imposto iria para a Saúde. Mas Jatene não sabia como as coisas funcionavam.

O humor, enfim! 

O Governo explica que, sem a CPMF (desculpe, CIS), não será possível fechar as contas do Governo. O site O Sensacionalista, especializado em notícias falsas mas verossímeis, daquelas que só não são verdadeiras porque ainda não aconteceram, diz que o Governo, se não conseguir atochar a CPMF, aplicará seu Plano B: vai contratar batedores de carteira cubanos. E pagar-lhe só comissão.

No olho do furacão

Dilma está presa por três fenômenos que convergem para enfraquecê-la: a crise econômica, a Operação Lava-Jato e o esfarelamento de sua base no Congresso. Dilma tem grande participação nos três fenômenos: ampliou as despesas do Governo Federal como se a arrecadação fosse inesgotável, não viu o que ocorria debaixo de seus olhos na Petrobras – cujo Conselho de Administração presidiu -, hostilizou o maior partido aliado, o PMDB, estimulando o ministro Gilberto Kassab a esvaziá-lo com uma nova legenda, o PL (e espalhou o segredo, impedindo a articulação). Jamais honrou compromissos com os parlamentares e jogou-se numa batalha perdida pela Presidência da Câmara. Tem Aloízio Mercadante e José Eduardo Cardozo como núcleo duro político.

É de espantar que Tiririca não esteja no time. E que a aprovação do Governo ainda seja superior a 5%.

Virou piada

Quando se envolveu na disputa pela Prefeitura de Curitiba, em 2012, a então ministra Gleisi Hoffmann, do PT, debochou de Ratinho Jr., o principal adversário de seu aliado. Dizia que seu candidato “tinha nome e sobrenome”.

Agora, com assessor preso por pedofilia, envolvida nas investigações da Operação Pixuleco 2 (o que se apura é o desvio de recursos do Ministério do Planejamento para uma empresa que os repassaria a ela – sendo que o ministro do Planejamento era seu marido, Paulo Bernardo), Ratinho Jr. devolve o deboche:

“Corrupção agora tem nome e sobrenome. Tem até marido.”

Um tuiteiro cruel completou: tem nome, sobrenome e vai ganhar um número.

O repórter certeiro

O blogueiro Ucho Haddad (ucho.info) foi o primeiro a apontar os problemas de Gleisi. Houve quem achasse que estava maluco.

Mas acertou na mosca.

carlos@brickmann.com.br
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ANGELA MERKEL, UM EXEMPLO PARA O BRASIL

Sem plástica ou botox, uma mulher simples

Marcus Vinicius Motta

Outro dia eu li uma excelente reportagem da New Yorker sobre a chanceler alemã Angela Merkel, onde o jornalista buscava entender as razões para o seu sucesso – chega a ser chamada de “mutti” (mãe) pelos alemães – num país que tomou aversão por cultos à personalidade.

Desde a sua juventude até o atual período como comandante da nação, uma característica é sempre presente: a monotonia. Sim, Angela Merkel é uma mulher comum, uma pessoa “sem graça”, no entanto é justamente isso que faz seu sucesso, porque as pessoas podem saber o que esperar dela e a enxergam como uma delas.

Em 1991 o fotógrafo Herlinde Koelbl começou uma série de fotografias chamada “Traços do Poder” onde retratava políticos alemães e observava como mudavam ao longo de uma década. O fotógrafo conta que homens como o ex-chanceler Gerhard Schröder ou o ex-ministro das relações exteriores Joschka Fischer pareciam cada vez mais tomados pela vaidade, enquanto Merkel, com seus modos desajeitados, não passava nenhuma idéia de vaidade, mas de um poder crescente que vinha de dentro.

EFICIÊNCIA

A vaidade é subjetiva enquanto a ausência desta é objetiva, daí que Merkel é tão eficiente enquanto outros políticos parecem se perder nas liturgias e rapapés do poder.

Essa normalidade é vista em vários outros países – ainda que exista a vaidade, que é de cada pessoa – como no caso de deputados suecos que moram numa espécie de república tal qual a de estudantes e lavam e passam a própria roupa.

Certa vez vi uma reportagem de um jornal britânico analisando uma foto do primeiro-ministro David Cameron lavando a louça na cozinha. A reportagem não se espantava com o fato do primeiro-ministro lavar a própria louça, já que Tony Blair fazia o mesmo e Margaret Thatcher cozinhava para o marido, mas observava uma tábua de cortar carne com a expressão “calma, querida” num canto.

A própria Angela Merkel mora no mesmo apartamento de sempre com o marido e a única mudança que houve em relação ao seu tempo fora do poder é a presença de um guarda na porta do prédio. Eles compram entradas para assistir ópera com o próprio cartão de crédito e entram no teatro junto com todos, sem nenhum esquema especial.

ENQUANTO ISSO, NO BRASIL…

Daí partimos para o Brasil, onde um simples governador de estado possui jatinhos, helicópteros, ajudantes de ordem e comitivas com batedores de moto que param o trânsito para que ele passe. Pessoas que vivem em palácios, como se ainda fosse alguma corte real. Empregadas, arrumadeiras, garçons, equipes de cozinheiros, serviço de quarto, motoristas, inúmeros seguranças, esquemas especiais para entrar ou sair de algum lugar.

Essa é a diferença: a normalidade do poder, a noção de que um servidor público é apenas um servidor público, seja um escriturário ou o presidente/primeiro-ministro da nação. Eles continuam sendo homens e mulheres, maridos e esposas, pagadores de impostos, trabalhadores e cidadãos.

Cidadania é isso.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis)

Missa da Saúde reúne servidores

HPIM0802HPIM0803HPIM0804Presidida pelo padre Rafael Reis, filho de Vargem Grande, foi celebrada na manhã de hoje na Igreja Matriz, a Missa da Saúde. O secretário de Saúde Charles Marinho que é evangélico, esteve presente com alguns enfermeiros, como a enfermeira Juliana que estava muito atenta, acompanhando a celebração. Iniciada pontualmente as 10h da manhã a celebração contou com a participação de poucos membros da saúde. Na homilia o celebrante enfatizou o valor que devemos dá a pessoa humana, e celebrar a saúde física sem se esquecer da saúde espiritual. Algumas pessoas enfermas ficaram do lado de fora sentadas no chão, mas com os olhos e a atenção voltada para as palavras do celebrante.

Documentos secretos mostram como Lula intermediou negócios da Odebrecht em Cuba

A reportagem obteve arquivos sigilosos em que burocratas descrevem as condições camaradas dos empréstimos do BNDES à empreiteira

THIAGO BRONZATTO
No dia 31 de maio de 2011, meses após deixar o Palácio do Planalto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Cuba pela primeira vez como ex-presidente, ao lado de José Dirceu. O presidente Raúl Castro, autoridade máxima da ditadura cubanadesde que seu irmão Fidel vergara-se à velhice, recebeu Lula efusivamente. O ex-presidente estava entre companheiros. Em seus dois mandatos, Lula, com ajuda de Dirceu, fizera de tudo para aproximar o Brasil de Cuba – um esforço diplomático e, sobretudo, comercial. Com dinheiro público do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, o Brasil passara a investir centenas de milhões de dólares nas obras do Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht. Um mês antes da visita, Lula começara a receber dinheiro da empreiteira para dar palestras – e apenas palestras, segundo mantém até hoje.

Naquele dia, porém, Lula pousava em Havana não somente como ex-presidente. Pousava como lobista informal da Odebrecht. Pousava como o único homem que detinha aquilo que a empreiteira brasileira mais precisava naquele momento: acesso privilegiado tanto ao governo de sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, quanto no governo dos irmãos Castro. Somente o uso desse acesso poderia assegurar os lucrativos negócios da Odebrecht em Cuba. Para que o dinheiro do BNDES continuasse irrigando as obras da empreiteira, era preciso mover as canetas certas no Brasil e em Cuba.

A visita de Lula aos irmãos Castro, naquele dia 31 de maio de 2011, é de conhecimento público. O que eles conversaram, não – e, se dependesse do governo de Dilma Rousseff, permaneceria em sigilo até 2029. Nas últimas semanas, contudo, ÉPOCA investigou os bastidores da atuação de Lula como lobista da Odebrecht em Havana, o país em que a empreiteira faturou US$ 898 milhões, o correspondente a 98% dos financiamentos do BNDES em Cuba. A reportagem obteve telegramas secretos do Itamaraty, cujos diplomatas acompanhavam boa parte das conversas reservadas do ex-presidente em Havana, e documentos confidenciais do governo brasileiro, em que burocratas descrevem as condições camaradas dos empréstimos do BNDES às obras da Odebrecht em Cuba. A papelada, e entrevistas reservadas com fontes envolvidas, confirma que, sim, Lula intermediou negócios para a Odebrecht em Cuba. E demonstra, em detalhes, como Lula fez isso: usava até o nome da presidente Dilma. Chegava a discutir, em reuniões com executivos da Odebrecht e Raúl Castro, minúcias dos projetos da empreiteira em Cuba, como os tipos de garantia que poderiam ser aceitas pelo BNDES para investir nas obras.

Parte expressiva dos documentos obtidos com exclusividade por ÉPOCA foi classificada como secreta pelo governo Dilma. Isso significa que só viriam a público em 15 anos. A maioria deles, porém, foi entregue ao Ministério Público Federal, em inquéritos em que se apuram irregularidades nos financiamentos do BNDES às obras em Mariel. Num outro inquérito, revelado por ÉPOCA em abril, Lula é investigado pelos procuradores pela suspeita de ter praticado o crime de tráfico de influência internacional (Artigos 332 e 337 do Código Penal), ao usar seu prestígio para unir BNDES, governos amigos na América Latina e na África e projetos de interesse da Odebrecht. Sempre que Lula se encontrava com um presidente amigo, a Odebrecht obtinha mais dinheiro do BNDES para obras contratadas pelo governo visitado pelo petista. O MPF investiga se a sincronia de pagamentos é coincidência – ou obra da influência de Lula. Na ocasião, por meio do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente negou que suas viagens fossem lobby em favor da Odebrecht e que prestasse consultoria à empresa. Segundo Lula, suas palestras tinham como objetivo “cooperar para o desenvolvimento da África e apoiar a integração latino-americana”.