LULA, DILMA E O PT CONSEGUIRAM DESMORALIZAR AS ESQUERDAS

Carlos Newton

Não é novidade a informação de que o metalúrgico Luiz Inácio da Silva foi trabalhado pelo criativo líder militar Golbery do Coutto e Silva para dividir as esquerdas e impedir que Leonel Brizola chegasse a Presidência da República. As informações a este respeito foram se somando nos últimos anos e se fortaleceram com o livro do delegado federal Romeu Tuma Jr., no qual relata que o líder sindical costumava dormir no sofá da sala da casa de seu pai. Na época, o velho Tuma era superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Lula tinha o codinome “Barba” e era informante das autoridades da ditadura militar.

O serviço foi bem feito, Brizola jamais conseguiu chegar à Presidência, mas Lula e o PT foram se fortalecendo e enfim conseguiram chegar lá, em nome de uma falsa esquerda, que protege os interesses dos banqueiros e das multinacionais, enquanto tenta se justificar politicamente com o incremento do assistencialismo social, que funciona maravilhosamente em termos de imagem e ainda rende bons votos.

MAIS UM NOVO RICO

Mas a casa desabou, hoje já se sabe a verdade sobre o novo rico Lula e seus negócios milionários, fazendo lobbies nacionais e internacionais para empresários, com a família inteira prosperando a olhos vistos e aproveitando oportunidades de ouro, como a cobertura triplex à beira-mar comprada por d. Marisa Letícia por modestos R$ 47,5 mil e depois luxuosamente reformada pela empreiteira OAS, que até elevador privativo instalou, sem cobrar um centavo, vejam a que ponto chegam essas relações entre governantes espertos e empreendedores generosos.

DESMORALIZAÇÃO

Lula nunca foi de esquerda. Para ganhar força política e chegar ao poder, oportunisticamente ele se comportava como tal, criticava a todo momento os banqueiros e grandes empresários, vendia uma falsa imagem com objetivos político-eleitorais. Na verdade, sempre foi um líder sindical da inteira confiança das montadoras multinacionais, conforme o relato do empresário Mário Garnero, em seu livro autobiográfico “Jogo Duro”, que contém informações depreciativas que Lula jamais tentou desmentir.

O fato é que a incompetência e a corrupção que hoje caracterizam Lula, Dilma e o PT conseguiram desmoralizar as esquerdas no Brasil. Mas o que significa ser de esquerda, nos dias de hoje?

SER ESQUERDISTA

A meu ver, ser esquerdista é defender mudanças sociais, como a adoção de um regime educacional nos moldes de países desenvolvidos como a Finlândia, onde o filho do lixeiro estuda na mesma escola do filho do grande empresário, para terem oportunidades iguais.

Ser esquerdista é também lutar pela reforma do sistema financeiro, de modo a evitar a situação do Brasil, onde são praticados os mais escorchantes juros mundiais; é defender que o sistema de saúde seja igual para todos, como ocorre na Grã-Bretanha e no Uruguai, por exemplo; é pugnar pela moralização do serviço público, exigindo que sejam extintos os penduricalhos que elevam às alturas as remunerações das elites do funcionalismo; é sonhar que as autoridades sejam pessoas simples, sem mordomias nem privilégios, como já ocorre na Suécia e em outros países em estágio mais avançado de civilização.

Da mesma forma, ser esquerdista é lutar pela redução da abusiva disparidade entre os maiores salários e os menores, é defender a diminuição do número de cargos comissionados, é exigir a extinção do cartão corporativo e dos carros chapa-branca a serviço das autoridades, e por aí em diante.

Por fim, ser esquerdista é agir democraticamente, respeitar os direitos, os interesses e as opiniões de quem lhe seja adverso; é ser caridoso, compreensivo e humano.

SOMOS TODOS IGUAIS

Se você também pensa assim, mas não se julga esquerdista, não fique preocupado, porque as paralelas sempre hão de se encontrar, nem que seja no infinito da miséria humana, porque os rótulos políticos-ideológicos já de nada servem. Atualmente, a única função deles é separar pessoas que na verdade são iguais e têm os mesmos objetivos.

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PS – Escrevi este artigo, porque as supostas discussões ideológicas que ocorrem na Tribuna me intrigam e desagradam. Os debatedores parecem estar no início do século passado e usam argumentos daquela época, como se o mundo não tivesse mudado tanto neste decorrer. É lamentável que esta incompreensão continue e as pessoas insistam em se dividir entre esquerdistas e direitistas, quando a única divisão hoje possível é entre quem é do bem e quem é do mal. 

ESTADO DA ARTE NA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA

MARCUS PESTANA

Mais uma pesquisa Datafolha, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina, realizada entre 10 e 12 de agosto, confirma o que diversas vezes tenho dito. A saúde é a prioridade número 1 na opinião da maioria dos brasileiros. Perguntados qual deveria ser o principal campo de ação do governo federal, 43% dos entrevistados cravaram saúde. Bem atrás ficaram educação (27%), combate à corrupção (10%), desemprego (7%) e segurança (6%).

Há anos é assim. E o “enigma da esfinge” – ou deciframos, ou seremos devorados – na saúde pública brasileira é: por que os centros de decisão política do país não se comportam coerentes com
a opinião da maioria da população?

A pesquisa CFM/Datafolha reafirma outra verdade já conhecida: a avaliação dos usuários do SUS não é um mar de rosas. A avaliação negativa é abraçada por 87% dos usuários do sistema.
Se não há nenhuma novidade expressiva nos dados da pesquisa, cabe enxergar, em perspectiva dinâmica, qual é a tendência: a melhoria ou a deterioração?

Infelizmente, com toda a experiência acumulada como secretário da Saúde de Minas Gerais, de 2003 a 2010, e na Comissão de Seguridade Social, Saúde e Família da Câmara, não consigo ser otimista sobre os caminhos futuros do SUS. A equação posta parece insolúvel: direitos amplos, recursos escassos, custos crescentes (inovação tecnológica somada à transição demográfica), judicialização inevitável. É evidente que é possível sempre aprimorar a gestão, mas sem financiamento adequado não há saída. Dados recentes mostram que os planos de saúde, que cobrem 25% da população, têm 50% mais recursos que o SUS, que assiste a 100%. Hoje, o Brasil investe cerca de US$ 300 per capita/ano. Para atingirmos um mínimo de qualidade e eficácia, teríamos que alcançar o parâmetro pelo menos de Portugal, ou seja, US$ 1.500 por habitante/ano. As comparações permitem imaginar que, para a efetivação do SUS constitucional, precisaríamos multiplicar o atual orçamento por cinco. Em vez dos atuais R$ 200 bilhões anuais (Ministério + Estados + municípios), deveríamos ter R$ 1 trilhão/ano. Como alcançar isso num país em crise econômica profunda e carga tributária já elevada?

A hora da verdade da maturidade do SUS se aproxima. Só há três caminhos: a revisão dos princípios constitucionais da universalidade e da integralidade, a obtenção de financiamento adequado por decisão da sociedade ou continuar “empurrando com a barriga” e aceitar uma marcha lenta, gradual e segura rumo à decadência.

Aprovamos na última semana a PEC 01/2015, de autoria do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), na comissão especial que repõe a participação federal no SUS nos patamares da campanha Saúde+10, que mobilizou 2 milhões de assinaturas em torno de um projeto de iniciativa popular. Resultará, no sexto ano, num incremento de R$ 33,42 bilhões/ano de investimento adicional. Não resolve nem de longe o problema, mas é um importante primeiro passo.

 

Marcus Pestana é deputado federal pelo PSDB-MG.

UMA CAMPANHA A SER ADOTADA: ‘QUE DIFERENÇA FAZ?’

SANDRA STARLING

Com certo pé atrás tomei conhecimento de campanha do Ministério Público de Minas Gerais intitulada “Que Diferença Faz?”. Tive receio, confesso, de que fosse mais uma dessas manias que andaram grassando por aí, em que se toma um único tema e se faz dele o centro do mundo.

Por exemplo: o que se quer com essa moda de afrodescendência? Se tiver havido uma só pessoa no mundo que não teve origem na África, dou minha mão à palmatória. A não ser que já estejamos sendo visitados por seres de outros planetas, toda a humanidade é afrodescendente. Existe uma dívida para com a escravidão dos negros, que desonrou nosso país? Escravidão é escravidão, seja ela de branco ou de negro. Uma desonra. Já está mais do que provado que muitos dos africanos para aqui trazidos eram escravizados em suas próprias terras. Aliás, entre gregos e romanos, os escravos – ao que eu saiba – nada tinham a ver com a cor da pele. Cristãos europeus foram escravizados por populações mouras, negras, no Mediterrâneo, no século XVI.

Faltou mais destaque, mais ênfase, sobre a questão da pobreza – que, inclusive, explica a exclusão dos negros. A pobreza, esta sim, é a mais violenta dívida social que ainda existe no mundo. A diferença entre uns poucos muito ricos e uns muitos muito pobres me dá vergonha. Isso deveria ser combatido com todas as armas e sem os paliativos que livram os pobres da extrema pobreza material e os torna indigentes políticos, manipulados pela má-fé dos que disso se aproveitam. E muito pouco se disse dos nossos índios – estes, os mais excluídos dos excluídos no Brasil de hoje.

Em boa hora, porém, e apesar de não concordar com todos os temas abordados pela tal campanha (por exemplo, não sou partidária de cotas pela cor da pele), admirei que ela não se restrinja a este ou àquele aspecto da gama imensa de diferenças entre as pessoas. Procura abordar de tudo e sobre todos numa linguagem direta, sem subterfúgios.

Penso, apenas, que faltou um aspecto que julgo fundamental nos dias de hoje: a denúncia da intolerância para com a opinião diferente. Sobretudo a opinião política. O Brasil está se transformando em campeão de boçalidade entre petistas e tucanos ou apenas antipetistas. Referi-me a isso no artigo a propósito do que aconteceu durante o velório de José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte.

Pelo que entendo, tal campanha deveria ser adotada nas escolas, nas comunidades, nas igrejas, nos cultos de todo tipo e que se transforme também em espécie de refrão a ser dito pelos artistas nos palcos e em suas apresentações país afora. Que cada um de nós faça cumprimentos com o gesto de superposição dos dedos indicadores um em frente ao outro, antes dos tradicionais beijinhos que os brasileiros se dão.

Seria bonito que isso virasse moda aqui, do mesmo modo pelo qual os japoneses se curvam uns em respeito aos outros.

Isso faria a nossa diferença!

DILEMA DO PT: SER OU NÃO SER A FAVOR DE EDUARDO CUNHA

Pedro do Coutto

A repórter Vera Rosa, O Estado de São Paulo, edição de quinta-feira, colocou com nitidez o dilema que está atingindo o PT com organização política, a de se definir a favor ou contra a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados, condicionando o apoio à decisão de, pelo menos por agora, não aceitar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff formulado por Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior. O dilema, inspirado na obra de Shakespeare, por acaso, foi colocado pelo ex-presidente Lula na reunião do Diretório Nacional da legenda realizada em Brasília.

Lula defende, de fato, o apoio partidário ao deputado do PMDB, entretanto condicionando-o a que não dê prosseguimento ao processo parlamentar que tanto abala o governo quanto o partido. No primeiro caso por motivos óbvios. No segundo porque – destaca Vera Rosa – a bancada de 64 deputados divide-se em duas partes iguais. Trinta e dois a favor, outros tantos contra. No fundo da questão, a possível manobra de nada adianta. Apenas protela por pouco tempo a decisão definitiva do presidente da Câmara. Diante das circunstâncias, agora, ele resolveu ouvir o que acha ser um parecer técnico de servidores especializados na matéria jurídica. De nada adianta.

Não resolve coisa alguma, de acordo com as liminares dos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber, cabe a eles despachar a questão. O que fez Eduardo Cunha? Recorreu ao plenário do STF. Ele sustenta contraditoriamente, recorrendo contra si mesmo, que pode transferir a missão ao plenário da Casa. Portanto tem que esperar o julgamento de seu próprio recurso. A menos que o retire, se puder fazê-lo, da Corte Suprema. Ouvir pareceres técnicos nada significa. Como igualmente não pesa coisa alguma o apoio forçado que Lula busca impor ao PT atuando para manter Cunha no posto. Não se trata de discutir o mandato parlamentar do acusado. Trata-se de preservá-lo na presidência da Casa. São coisas absolutamente distintas.

DENÚNCIA CONTRA CUNHA

Se, como o rumo dos fatos está a indicar, o Supremo aceitar a denúncia do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, então Eduardo Cunha não conseguirá equilibrar-se no posto que, no passado foi ocupado por Ulisses Guimarães. Não há condição. Assim, não terá oportunidade de negociar com o PT para resistir às ondas que estão desde já alcançando o convés do navio que enfrenta mares revoltos. O dilema levantado por Lula perderá dessa forma seu principal protagonista.

Além do mais, para enfrentar o processo de impedimento, Dilma Rousseff dispõe de meios legítimos para contestar a iniciativa. A intervenção de seu antecessor, assim, só pode refletir contra a própria presidente, pois não deveria depender, para continuar no Planalto, de articulações de bastidor. Se houver necessidade de tais ações, é sintoma claro de sua fragilidade política diante do conteúdo das acusações. Ainda sob este ângulo, ela não estaria construindo contestações constitucionais e legais, restringindo-se a estradas pelo menos extralegais, para não dizer ilegais.

De todo esse panorama traçado e exposto na reportagem de O Estado de São Paulo, no final da ópera, permanece a dúvida: ser ou não ser a favor da negociação com Eduardo Cunha? Esta, copiando o poeta, é a questão essencial.

 

A LEI VALE PARA TODOS

ROBERTO FREIRE

As novas denúncias envolvendo alguns de seus amigos mais próximos e até mesmo membros de sua família fazem com que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha de se explicar aos brasileiros e, talvez, à Justiça. A mais recente investigação do Ministério Público e da Polícia Federal envolve a suposta compra de uma medida provisória editada em 2009, durante o segundo governo de Lula, para beneficiar montadoras de veículos. O caso é um desdobramento da Operação Zelotes, que apura um esquema de desvios e fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado à Receita Federal, e retrata a que ponto chegou o desmantelo da corrupção nos tempos do lulopetismo.

 

Deflagrada no início da semana, a nova etapa da operação teve como um dos alvos o escritório de um dos filhos de Lula. Sua empresa de marketing esportivo é suspeita de ter recebido repasses de um grupo de lobistas que atuaram pela aprovação da medida provisória que prorrogou incentivos fiscais à indústria automobilística. Segundo as investigações, teria havido o pagamento de R$ 2,4 milhões à empresa do filho do ex-presidente em 2011, justamente o ano em que a MP entrou em vigor.

 

No mesmo inquérito, a Polícia Federal intimou Gilberto Carvalho, ex-chefe da Secretaria Geral da Presidência no governo Lula e um dos auxiliares mais próximos do chefão do PT, a prestar depoimento sobre o suposto esquema de compra de MPs. Ele foi citado por vários personagens envolvidos no escândalo e seu nome aparece na agenda de um dos lobistas presos. Também foi detido um ex-conselheiro do Carf, José Ricardo da Silva, suspeito de ter ligações com Erenice Guerra, que sucedeu Dilma Rousseff na chefia da Casa Civil e acabou deixando o cargo após denúncias de corrupção.

 

Além das suspeitas que recaem sobre seu filho, Lula se vê às voltas com o conteúdo explosivo da delação do lobista Fernando Baiano na Operação Lava Jato, que investiga o petrolão. De acordo um dos operadores da propina do esquema de corrupção que varreu a Petrobras, houve o pagamento de R$ 2 milhões para o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente, uma espécie de comissão pelo lobby feito junto a Lula em uma negociação para um contrato com a Petrobras. Ainda segundo Baiano, Bumlai o teria pressionado alegando que esse montante se destinava a quitar uma dívida imobiliária de uma das noras de Lula.

 

Basta acompanhar o noticiário para notar o quanto o ex-presidente, sua família e alguns de seus auxiliares e amigos mais próximos parecem enredados em uma teia de conexões ainda muito mal explicadas. Apesar da resistência de setores do governo e do PT, além do descontentamento do próprio Lula – que trabalha abertamente para destituir o ministro da Justiça, sob o argumento de que ele “perdeu o controle” da Polícia Federal –, as investigações vão prosseguir e podem complicar ainda mais a situação do líder petista.

 

Como se não bastasse ter sido o chefe de uma gestão que protagonizou o mensalão e deu início ao petrolão, perpetuado durante o governo Dilma, Lula deve explicações às autoridades e não poderá alegar, mais uma vez, que não sabia de nada do que acontecia à sua volta. Apesar do descalabro petista em 13 anos de governo, o Brasil tem instituições fortes, autônomas, atuantes, e ninguém é inimputável, intocável ou está acima das leis. Nem mesmo um ex-presidente, seus amigos ou familiares.

 

É certo que o PT não inventou a corrupção, mas a institucionalizou como nunca antes neste país ao tomar de assalto o Estado brasileiro. Nos tempos de Lula, os malfeitos e as malfeitorias foram elevados à máxima potência, alcançando níveis inimagináveis, como se não houvesse limite para a atuação de uma “sofisticada organização criminosa” – nas palavras do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, durante o julgamento do mensalão. Pois agora, finalmente, parece ter chegado a hora de acertar as contas com a lei.

 

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

QUASE O PARAÍSO DOS GATUNOS

CARLOS CHAGAS
QUASE O PARAÍSO DOS GATUNOS

Na noite de quarta-feira a  Câmara  evitou um dos maiores escândalos da temporada,  ao adiar a votação do projeto do governo, emendado por deputados energúmenos, que autorizava a repatriação de dinheiro ilicitamente depositado por brasileiros em paraísos fiscais do mundo inteiro. O texto inicial já fazia vergonha ao permitir a legalização de bilhões de  reais e de dólares  remetidos ao exterior sem informações à  Receita Federal, decorrentes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Bastaria aos vigaristas responsáveis pelas remessas  retornadas pagar uma taxa não superior a 35%  para serem anistiados e não responderem a processo.

Pois o projeto ficou mil vezes pior  quando o relator da matéria  acrescentou emenda  autorizando   a repatriação de dinheiro resultante de “caixa dois, descaminho, falsidade ideológica e formação de quadrilha”.  Também determinava que as informações  não poderiam ser usadas nas esferas criminal, administrativa, tributária e cambial para fins de investigação e processo. Multiplicava a anistia e premiava os ladrões, inclusive os investigados e os já presos da Operação Lava Jato.

Esse horror que o governo encampou e tentou aprovar foi rejeitado  por 193 votos contra 175.  Até a base aliada forneceu 76 votos para derrotar a proposta.

Não está afastada a hipótese de a lama tornar-se lei, pois voltará a ser votada na próxima semana, quando o palácio do Planalto tentará virar a opinião de seus dissidentes.

A gente fica  pensando como quase transformaram a Câmara  na caverna do Ali Babá. A resposta é  simples: dos 175 deputados favoráveis à tramoia, quantos tem dinheiro criminoso depositado lá fora? Mais da metade?

O governo calcula que a repatriação renderá 11 bilhões de reais, quantia capaz de compensar o rombo nas contas públicas. Recorrer a esse lamentável  expediente significa desespero. Daqui a pouco, para livrar-se da bancarrota, a equipe econômica colocará à venda para o exterior  crianças cujos pais se encontrem desempregados. Ou criará a flagelação preventiva para quantos cidadãos não conseguem pagar impostos, cobrando entrada do espetáculo nos grandes estádios de futebol.

Em suma, ainda que por maioria limitada, a Câmara livrou-se temporariamente de transformar o Brasil no paraíso dos gatunos. Só que a possibilidade continua  em  aberto.

A MODA PEGOU

Começou com os técnicos de times de futebol. No banco,  sempre que comentavam  mudanças de estratégia com jogadores e auxiliares, eles cobriam a boca com as mãos. Temiam que os adversários tivessem assessores especializados na leitura labial.  Mesmo televisados à distância, os técnicos poderiam ser flagrados ao transmitir instruções táticas.

Pois a moda  pegou no Congresso. Põe a mão na boca quem fica nas mesas diretoras, ao  falar com o colega do lado. Nos microfones dos plenários o fenômeno já se repete.  As câmeras de televisão  estão vigilantes e filmam Suas Excelências o tempo todo. Assim,  melhor o país não conhecer suas confidências e, com certeza, suas  críticas a companheiros. Daqui a pouco as sessões precisarão realizar-se na mais completa  escuridão.

I Seminário Socioeducativo de Vargem Grande – Ma.

HPIM0843Com o tema ” O que são medidas socioeducativas”, foi instalado hoje 29/10 na sede da Secretaria de Assistência Social o Primeiro Seminário Socioeducativo de Vargem Grande – Ma. A Dra. Tatiane Aguiar convidada a proferir palestra sobre o tema, soube com muita propriedade esclarecer dúvidas no âmbito da área Jurídica no que diz respeito aos direitos e também obrigações do adolescente. As pessoas presentes, principalmente alunos da escola pública municipal, escutaram com atenção a exposição da palestrante, e saíram convictos, de que o ECA (Estatuto da criança e do adolescente) não é a porta da libertinagem nem da ilegalidade como muitos acreditavam. O que se apregoa é que depois do ECA os adolescentes estão imunes a qualquer tipo de obrigação legal, e podem praticar todo tipo de abuso, que vão desde roubos, até assassinatos. Sobre essas questões que são as mais ouvidas comumente pela sociedade, Dra. Tatiane colocou cada um no seu quadrado. Pormenorizando direitos e deveres de cada menor. Explicou que o adolescente pode e deve ser punido exemplarmente quando cometer seus deslizes legais, mas dentro do princípio legal e da área pedagógica. Ficou claro, que os próximos passos a serem dados em favor dessa causa, são a atuação dos indivíduos  participantes do evento, que devem ser multiplicadores de ações que possam trazer melhores dias, não só para as crianças e adolescentes, mas para toda a sociedade de Vargem Grande.

JUSTIÇA EXIGE DE DILMA OS DOCUMENTOS SOBRE AS VENDAS DE MP

Acossada, Dilma está à beira de um ataque de nervos

Deu no Estadão

A presidente Dilma Rousseff terá que encaminhar à Justiça Federal cópia de todos os documentos produzidos pelo Palácio do Planalto que envolvam a discussão das medidas provisórias 471/2009 e 627/2013, incluindo agendas de reuniões que trataram do tema.

A determinação partiu da juíza Célia Regina Ody Bernardes, responsável pela Operação Zelotes, que investiga suposto esquema de compra de normas editadas e aprovadas nos governos Lula e Dilma revelado numa série de reportagens do jornal O Estado de S Paulo.

Além de Dilma, a juíza também solicitou informações aos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), onde as MPs tramitaram e foram aprovadas. E, ainda, para os ministros da Fazenda, Joaquim Levy; da Casa Civil, Jaques Wagner; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, e da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera.

As duas normas que beneficiaram a indústria automotiva prorrogando isenção fiscal foram gestadas nessas pastas. Os pedidos partiram do Ministério Público Federal que investiga, ao lado da Receita Federal e da Polícia Federal, suposto esquema de corrupção envolvendo as MPs.

SEM ALTERAÇÕES…

A MP 471 foi editada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovada pelo Congresso sem alterações, o que é raro. A juíza quer saber todos os detalhes da tramitação. Segundo os investigadores, há muitas informações que levam a conclusão de que a edição e aprovação dessa norma envolveu pagamento de propina a agentes públicos.

A MP 627 foi editada pela presidente Dilma Rousseff. Os investigadores suspeitam que Luís Claudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente Lula, pode ter recebido comissão por essa medida provisória. O jornal revelou que a LFT Marketing Esportivo, empresa da qual é sócio, recebeu R$ 2,4 milhões da Mautoni e Marcondes, empresa de lobby contratada por montadoras para viabilizar essa MP.

As investigações já comprovaram pagamento de R$ 1,4 milhão. Luís Claudio diz que o valor foi por serviços prestados na área de esporte. O Palácio do Planalto tem defendido a edição das MPs.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O clima no Planalto é de tragédia grega. A presidente Dilma Rousseff está caindo na real. Mas tenta culpar as maracutaias de Lula pela possibilidade de ser derrubada, porque ainda sonha em continuar vendendo a ideia de que no governo dela não houve nem há corrupção. Seu estado inspira cuidados, está vivendo à beira de um ataque de nervos. (C.N.) Fonte Tribuna da Internet.

AGORA LASCOU TUDO! Colônia de Pescadores de Vargem Grande é especializada em pesca de peixes em água salgada

 

Por Blog do Alpanir Mesquita.

Quando nós pensamos que já vimos de tudo no que se diz respeito a Colônia de Pescadores de Vargem Grande, nos surpreendemos cada vez mais.

Como todos sabem, a nossa cidade não tem a mínima condição de suportar a quantidade exagerada de “pescadores” que existem atualmente. Não temos rios perenes e nem muito menos economia voltada a pesca. Mas, o que o Blog descobriu agora foi muito além.

Descobrimos que a Colônia de Vargem Grande é uma Associação Privada, fundada em 03/05/2000, inscrita no CNPJ 03.797.667/0001-55 e com sua atividade principal é a Pesca de Peixes em Água Salgada. Ora, como assim? Vargem Grande já tem mar? Digam, por favor, onde fica, por que o Titular do Blog não sabe.

Depois de abocanhar mais de 8 milhões de reais do Governo Federal, agora se descobre mais um absurdo desse. Isso é muita molecagem!

O REI DO GALINHEIRO

HPIM0841Edilson e Araujo dos Santos, que reside atualmente no bairro de Fátima,  velho conhecido da polícia por práticas delituosas, voltou ontem a noite a passar mais uma temporada na cadeia. Segundo as vítimas de Edilson, ele sem ser notado, roubou aproximadamente umas 80 galinhas das mesmas. Ontem em uma nova incursão nas residencias onde era acostumado a roubar, foi flagrado na prática delituosa e pego pelos moradores das proximidades. Dessa vez, como não tinha mais galinha no terreiro, tentou colocar uma leitoa num saco de fibra e como a zoada foi ouvida por moradores próximos, eles viram o indivíduo, que ao notar a presença dos populares tentou evadir-se sendo perseguido e preso pelos donos do animal. Em seguida a policia foi avisada, efetuou a prisão e conduziu Edilson para a carceragem da delegacia para ser autuado em flagrante.

DIÁRIO DE DILMA

PAULO CASTELO BRANCO
Na porta do avião que me levaria para a Suécia, um tucano, remanescente da gestão anterior a Lula, entregou-me um exemplar do diário do Fernando Henrique. Disse-me que ele havia pedido para que eu o lesse durante a viagem. Fiquei surpresa com a gentileza do ex-presidente, apesar de termos uma relação de respeito e admiração. Gosto dele, do seu jeito maneiro de lidar com os problemas que parecem insolúveis.

Após a decolagem, recebi telefonema de FHC. Avisava-me que, pela intensa participação de Lula na política, ele, como líder do PSDB, iria enfrentar o meu antecessor e rebater as suas aleivosias – foi esta palavra que ele usou e que achei muito moderada -, agradeci-lhe o livro e disse que esperava que preservasse a minha conduta pessoal. Ele não disse nada e despediu-se.

Devorei o texto e decidi, também, escrever um diário a partir da minha volta ao país. Farei uma introdução com as lembranças que guardo desde a primeira campanha presidencial e, depois, seguirei o dia-a-dia do meu governo. É claro que usarei  um gravador com tecnologia digital, para que não existam dúvidas sobre o que vivi e sofri nestes anos.

21.10.2015 – Depois da viagem à Suécia e Finlândia, onde vi o que são países desenvolvidos e civilizados, reuni ministros para que relatassem o que já sei. A crise é imensa. Lula telefonou para desabafar sobre os problemas que o afligem. Acho que está preocupado com as ações da Justiça. Pediu a demissão do Eduardo. Não respondi nada, mas não irei atendê-lo. O resto do dia foi só rame-rame.

22.10.2015. Antes da sete horas da manhã, Lula telefonou para desabafar sobre os problemas que o afligem. Acho que ele está preocupado com as ações da Justiça. Pediu a demissão do Eduardo. Não respondi nada; mas não irei atendê-lo. Os problemas continuam, e o presidente da Câmara insiste em conversar a sós comigo. Não aceito e determino ao Jacques que vá lá, pois ele, que foi ministro da Defesa, deve ter armas e argumentos para dissuadir o eficiente administrador de bens que, mesmo na lona, continua fustigando o meu governo. O resto do dia foi só rame-rame.

Não tive nada para anotar sobre o dia. Como sempre, jornalistas querem entrevistas, e políticos querem audiências para pedir alguma coisa. Como diz Fernando em seu diário, ser presidente é conviver com deus e o diabo. Onze horas da noite, e Lula telefonou. Eu já estava quase dormindo. Como sempre, o atendi. Lula reclamou que o Eduardo não faz nada para conter a Justiça que determina à Polícia Federal ações firmes contra corruptos e ladrões. Ouço em silêncio e digo a ele que o Eduardo é ministro da Justiça e não policial. Dou boa noite e desligo.

23.10.2015. Lula telefonou cedo pedindo a demissão do Levy e, para não esquecer, do Eduardo. Parecia amedrontado com alguma coisa. Hoje um assessor insistiu que devo receber uma fila de embaixadores que devem entregar suas credenciais. Digo-lhe que acho este tipo de evento um troço muito chato e o encaminho ao Michel para que, quando da minha ausência, receba os embaixadores. Ufa! Acho que me livrarei deste encargo.

O Michel ligou para dizer que não pode substituir-me numa questão de tamanha relevância, que são as relações exteriores. Desligo. O resto do dia foi só rame-rame.

24.10.2015 – Lula telefonou antes do café da manhã. Eu ainda estava escovando os dentes, e ele já estava resmungando. Pediu a demissão do Eduardo, do Levy e, de quebra, do Tombini. Entrou por um ouvido saiu pelo outro. Não irei demitir ninguém. Ele que ganhe a próxima eleição, se não estiver com a ficha suja. No resto do dia, levei o barco como Dr. Ulysses: navegando.

25.10.2015 – O Eduardo ligou antes do Lula para pedir demissão. Eu não aceitei, e ele disse que o Lula mandou recado para que ele peça demissão. Nos jornais, as notícias são desalentadoras. Pergunto ao Eduardo se ele sabe de alguma coisa sobre ações da Policia Federal. Ele, claro, diz que não. Logo em seguida,  Lula telefonou. Não pediu a demissão de ninguém. Estranhei , e perguntei o que ele queria; respondeu que estava muito animado com o desempenho do Corinthians. Fiquei desconfiada. Logo me liga o Jacques com recado do Lula,  pedindo a demissão do Eduardo e do Levy. O resto do dia foi o mesmo rame-rame.

26.10.2015. Estou desanimada hoje. Não atendi o telefonema do Lula. Acho que vou renunciar e ir viver na Suécia ou na Finlândia. Vou para casa ler e ouvir música.

27.10.2015. Hoje é aniversário do Lula. Liguei cedo, mas ele não atendeu. Chamei meu assessor de imprensa e gravei uma mensagem de parabéns,  puxando o saco do ex e mandei postar nas redes sociais. Ele nem se importou. Pedi ao Jacques que tente um contato, pois desejo ir a São Paulo para homenagear o meu mentor nos seus 70 anos de idade. Acho que ele nunca imaginou que chegaria tão longe. Quando cheguei,  o clima ficou como de velório. A família, sem os filhos que não compareceram sabe-se lá a razão, trataram-me com deselegância,  e Lula sorriu para fotografias ao meu lado. Não comi nada, como faziam os imperadores romanos.

28.10.2015. Lula telefonou antes das 6 horas da manhã. Atendi imediatamente,  imaginando que ele, septuagenário, amansou a alma e iria agradecer a minha presença na festa. Qual nada, pediu-me a cabeça do Eduardo, do Levy, do Tombini, do Dunga, do Rollemberg, do Moro, do Fernando Henrique, do Teori, e de todos os membros do Ministério Público e da Polícia Federal; parecia um caçador do EI cortando cabeças. Eu, assustada, não disse nada, e ele, furioso, pediu a minha cabeça. Você perdeu a cabeça? Perguntei.