O ‘CRACK’ É UM PROBLEMA SEU

PEDRO VALLS FEU ROSA

Você tem algum problema com o “crack”? Alguém de sua família tem? Algum amigo? Vizinho? Se a resposta a todas estas perguntas foi “não”, meus sentimentos: você é uma pessoa alheia à realidade que o cerca. Ou, como dizem por aí, “vive no mundo da lua”.

Dia desses, a propósito, alguém lá em Londres teve a ideia de verificar a relação entre a criminalidade de rua – furtos, roubos etc. – e as drogas. O resultado do levantamento foi estarrecedor: nada menos que 48% de todos os crimes de rua cometidos naquela cidade tinham as drogas como elemento motivador central.

Entrevistado, o Comissário de Polícia Mike Fuller lamentou que apenas 4,5 mil viciados em drogas recebam tratamento a cada ano naquela cidade, alertando para o fato de que eles “continuarão a cometer crimes enquanto forem dependentes”. Simples assim.

Diante desta realidade, no entanto, muitas pessoas preferem buscar a solução em locais menos trabalhosos – as masmorras. Sim, que se tranquem todos os viciados! Cadeia neles! Afinal, dá menos trabalho e aparentemente é mais barato. É por conta disso que as penas para este tipo de criminoso tem sido cada vez mais severas – e inúteis!

Volto ao Reino Unido: o número de pessoas presas por conta de delitos relacionados às drogas subiu 111% entre 1994 e 2005, e as penas médias subiram nada menos que um terço. Parafraseando Winston Churchill, nunca tão poucos prenderam tantos por tanto tempo. Enquanto isso o custo médio do grama de heroína, por exemplo, caiu de £ 70 em 2000 para £ 54 em 2005 – na verdade, não há sequer um indicativo de que a repressão isolada, pura e simples, esteja funcionando ao redor do planeta.

O que fazer, então? Talvez a receita já tenha sido fornecida há muitos anos por um dos maiores criminalistas da história, o italiano Francesco Carnelutti: “ir até os réus é a solução do problema. Não fugir deles, mas correr a seu encontro, como São Francisco. Não mirá-los de cima para baixo, mas descer do cavalo e adaptar-se a eles, como São Francisco. Não fixar os olhos em sua deformidade, mas afastar a vista, como São Francisco. Não tapar a cara, por temer o contágio, mas beijar-lhes na cara, como São Francisco. Não detestá-los como inimigos, não dar-lhes chibatadas como a cachorros, não pôr-lhes ao pescoço a campainha do leproso. Sua enfermidade não é mais do que fome e sede, frio e solidão. O alimento para tirar-lhes a fome, a água para tirar-lhes a sede, o tecido para vesti-los de novo, a casa para alojá-los é nosso amor. O antídoto contra o mal é o bem. E esta medicina milagrosa não é daquelas que os homens devam buscar com fadiga ou pagar a peso de ouro; não é necessário, para ser encontrada, mais do que amor. Por isso, na luta contra o crime, é fácil conquistar a vitória, sempre que os homens escutem a última palavra do Mestre: amais como eu vos tenho amado”.

Dizem alguns já ser forte a pregação contra as drogas. A estes, as palavras do Padre Vieira: “Por que antigamente os pregadores convertiam milhões e hoje em dia não se converte ninguém? Porque antigamente os que pregavam eram Pedro e Paulo, e hoje são eu e outros como eu? Não. Porque antigamente pregavam-se palavras e obras, enquanto que hoje pregam-se palavras e pensamentos. Palavras sem obras são tiro sem bala: atroam mas não ferem”.

 

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo

 

UM FIO DE ESPERANÇA TODO O PODER AO JUDICIÁRIO

CARLOS CHAGAS

Não sobrou nem Papai Noel. No fim de semana, de roupa vermelha,  barbas brancas e um saco de presentes,  o bom velhinho sequestrou um helicóptero que alugou no Campo de Marte, em São Paulo, para levá-lo à cidade de Mairinque.   Em terra,    num terreno baldio, o piloto foi rendido e amarrado por dois asseclas  que  esperavam Papai Noel  e com ele  levantaram voo.

Episódio tão grotesco jamais havia sido registrado em outros natais, mas, também, jamais o país viveu tantos inusitados, desde a prisão do senador do PT,   líder do governo,  até banqueiros, empresários e  políticos postos na cadeia ou em vias de chegar nela.     Dá para desconfiar se o roubo do helicóptero não foi praticado pela quadrilha  de um dos presos,   para resgatá-lo e voar, senão ao Polo  Norte, quem sabe ao Paraguai?

A pesquisa divulgada ontem pela Datafolha não deixa duvidas quanto à indignação nacional diante das dimensões da corrupção no país. Preocupação maior do que o desemprego e o caos na educação e na saúde públicas, a corrupção desmoraliza as instituições, do governo aos políticos e aos empresários,  por mais que exalte o Judiciário,  o Ministério Público e a Polícia Federal.

Nos idos de 1945, com o  Estado Novo nos estertores,  uma esperança de recuperação ganhou a opinião pública: “todo o poder ao Judiciário!” Assim aconteceu, pois não havia Congresso, nem partidos políticos, e os militares reconheciam sua  culpa na prática da ditadura agonizante.  Convocou-se o presidente do Supremo Tribunal Federal, como nos Estados assumiram os presidentes dos Tribunais de Justiça.  Vieram as eleições e, tanto quanto a volta da democracia, estabeleceu-se um regime de honestidade. O tempo passou, chegamos a viver outra ditadura militar que,  uma  vez superada, ensejou a realidade atual: de novo, a corrupção, só que agora atingindo níveis jamais registrados e desvirtuando  a democracia. O poder caiu nas mãos dos que prometiam justiça social, uns  mergulhados na  tentação de aproveitar as benesses permitidas às elites, outros impotentes para conter a  desagregação de sua próprias estruturas,

O resultado aí  está:  um governo que não governa, um partido dos trabalhadores que nem é partido, muito menos dos trabalhadores, as instituições em frangalhos e apenas um  fio de esperança: “todo o poder ao Judiciário!”

 

Zé Augusto se submete a cirurgia e passa bem

IMG-20151129-WA0049

O grande Guerreiro e líder político do município de Presidente Vargas, Zé Augusto, foi submetido a uma cirurgia de hérnia ignal. Zé Augusto, está bem, para felicidade de sua esposa a prefeita Aninha de Presidente Vargas, e a legião de amigos que tem nele um grande aliado e amigo de todas as horas. Augusto está em repouso em sua residência recebendo amigos e correligionários, conversando sobre o futuro político de sua terra e reunindo forças para mais uma batalha na vida, a reeleição de sua amada esposa. Tudo leva a crer que em poucos dias estará dando continuidade as suas conversas políticas com atuais e futuros aliados. Essa competência de alinhamento e costura política ele possui como poucos e as desenvolve com maestria. Augusto resolveu fazer a cirurgia ainda em 2015, pois 2016 não vai poder perder tempo em leito de hospital. A sua presença na campanha da esposa e fator determinante na busca de sua reeleição.

“O nome da crise”.

 Coluna Carlos Brickmann
A prisão do senador Delcídio chamou a atenção. Mas outra prisão, realizada ao mesmo tempo, envolve um personagem muito mais importante: o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual. Banqueiro – e acionista do UOL, da área de Comunicações; banqueiro – e sócio da Petrobras na exploração de petróleo na África; banqueiro – e dono de uma imensa rede nacional de farmácias, a Brasil Farma; banqueiro – e sócio de uma grande empresa que fornece plataformas à Petrobras. Banqueiro – e, principalmente, dono de um moderno jatinho intercontinental Falcon, da francesa Dassault, bem do tipo sugerido por Delcídio para que Nestor Cerveró voasse sem escalas, direto, refugiando-se em Madri.

Esteves se move nos mais diversos setores da economia. E transita bem na política. Doou para Dilma e Aécio, cimentou amizades em todos os partidos. Essa rede de bons relacionamentos, narra o ex-presidente da Federação do Comércio de São Paulo (e hoje seu presidente emérito), José Papa Jr., o ajudou a tornar-se controlador do Banco Panamericano, aquele de Sílvio Santos. O Fundo Garantidor de Crédito – cuja função é garantir as contas de pequenos depositantes de bancos quebrados – colocou uns sete bilhões no Panamericano. E Esteves, que investiu uns 500 milhões, ficou com o banco, tendo a Caixa como minoritária.

Esteves tem estilo agressivo de negociar. Já teve de fazer acordo com a CVM, e pagar R$ 8 milhões, para evitar problemas quando se descobriu que transferia lucros do banco para a Romanche Investment. Uma empresa suíça.

As palavras do sábio

André Esteves é um empresário ágil, esperto. Como dizia Tancredo Neves, que conhecia o mundo, a esperteza, quando é muita, acaba comendo o esperto.

The way they are

Para entender o que se lê sobre o BTG Pactual, banco comandado por André Esteves, é preciso conhecer idiomas. Segundo as informações oficiais, ele é Chief Executive Officer do BTG Pactual, que atua em investment banking, sales & trading, corporate lending, wealth management, asset management e debt underwriting.

E BTG quer dizer “back to game”, volta ao jogo. Esteves, que tinha saído do Pactual, voltou triunfalmente, e colocou o BTG no nome do banco.

Acredite: mexeram-se!

Nesta sexta, dia 27, três semanas após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, o Governo Federal deu um sinal de vida: a presidente Dilma Rousseff convocou os governadores de Minas, Fernando Pimentel, do PT, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PMDB, para uma reunião. Objetivo: saber como está a região após o desastre ecológico e econômico.

Mas, caro leitor, tenha calma: não se precipite. Não é, obviamente, para tomar alguma providência em favor dos atingidos. É para montar a apresentação que a presidente fará em Paris durante a reunião da cúpula da comissão internacional de mudanças climáticas. A população nacional que se vire. O importante é fingir bem para os gringos.

Março é agora

Antes da prisão do senador Delcídio, os cálculos políticos indicavam que a crise teria uma parada gradativa: Renan e Cunha iriam sufocando devagar as CPIs, viriam as festas, o recesso (inclusive do Judiciário), o Carnaval. No ano que vem há eleições municipais, há os Jogos Olímpicos. Mas março seria um mês perigoso: depois do Carnaval, antes das temporadas olímpica e eleitoral.

Com a prisão de Delcídio, março já começou. A crise se mantém, e viçosa. O Governo tem de matar um leão por dia (agora, por exemplo, votar o ajuste do orçamento, para não reentrar nas pedaladas fiscais). E se Delcídio falar?

Pagou e não levou

O problema de Dilma é que, para enfrentar essa crise, não tem base parlamentar. Ganhou algumas votações na Câmara, nestes dias, mas não por ter maioria: apenas porque a oposição não alcançou a maioria suficiente, de metade mais um, para derrubar seus vetos. Isso depois que deu aos partidos que, supõe, a apoiam, todos os cargos que pediram, buscando atender a cada uma das alas que os compõem – e existem exatamente para poder pedir mais boquinhas.

A oposição tem maioria, embora não tenha um projeto conjunto, nem lideranças competentes, o que facilitaria o trabalho dos governistas, se trabalho houvesse. Com essa base parlamentar, Dilma terá de enfrentar dias ruins daqui para a frente. E, repetindo uma frase anterior, o trabalho será muito pior se Delcídio falar. Ele sabe.

Ninguém sabe, ninguém viu

Delcídio Amaral sempre ganhou bem: engenheiro eletricista, trabalhou para a Shell na Europa por dois anos, foi diretor da Eletrosul, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro de Minas e Energia, diretor de Gás e Energia da Petrobras, secretário da Infraestrutura do Governo de Mato Grosso; é senador desde 2002.

Sempre ganhou bem, mas sempre viveu de salário. Por mais que ganhasse, não seria suficiente para ter a casa que tem em Campo Grande – lá, no aniversário de 15 anos de sua filha, couberam 700 convidados, atendidos por seis chefs de cuisine, com divisões para comidas típicas de diversos países (http://wp.me/pO798-96r).

Ninguém notou – nem políticos, nem jornalistas?

Não, as instituições não vão bem

Saúvas (Foto: Arquivo Google)

Motivo de loas ao vigor das instituições, a ordem de prisão do petista e líder do governo Delcídio do Amaral, expedida pelo Supremo, escancarou exatamente o inverso: o avanço da deterioração do Estado brasileiro. Rouba-se, saqueia-se, extorque-se em todo lugar. Nada funciona, exceto o poder de polícia – ações pontuais da Justiça, do Ministério Público e da PF.

Como praga, a degradação alastrou-se pelo Executivo em cada canto, cada ato, cada palavra. Nas mentiras ditas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ex Lula, em cada negociata que ambos afirmam desconhecer. Multiplicou-se nos ministérios, nas autarquias e nas estatais, nas joias da coroa como Petrobras e Eletrobras, no Banco do Brasil, enrolado no mensalão, no BNDES, e sabe-se lá onde mais.

Corroeu o Parlamento. Fez com que a política se tornasse ambiente impróprio para gente de bem. Maleficio dos malefícios, até porque a política é a única saída para qualquer e todas as crises. E há gente de bem que a ela se dedica.

O Judiciário também tem lá suas fraquezas. Ao mandar prender poderosos, recebe efusivos aplausos por fazer valer o princípio básico de que a justiça é igual para todos. Ainda assim, não consegue inseticida suficiente para exterminar todos os insetos contaminam algumas de suas partes. E mais: o mesmo Supremo que dá orgulho exige aumentos abusivos sem lastro na economia do país, briga por regalias no topo e pouco distribui à base. As varas judiciais que recebem bilhares de demandas do cidadão comum continuam entupidas, não raro sem recursos para fazer o mínimo. Isso sem contabilizar denúncias de malversação que pairam sobre vários tribunais.

Ao contrário do que seria saudável e lógico em uma democracia, tanto nos poderes Executivo quanto no Legislativo – e até no Judiciário – pessoas falam mais alto do que as instituições.

Durante o julgamento do Mensalão, o então presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, se fez maior do que a Corte. Hoje, muitos acham que a Lava-Jato não existiria sem a obstinação do juiz Sérgio Moro. Ou seja, o crédito e a confiança estão em pessoas, não nas instituições.

Mesmo flagrado com contas na Suíça e explicações fajutas para o inexplicável, Eduardo Cunha continua comandando a Câmara dos Deputados. E o reincidente presidente do Senado, Renan Calheiros, também investigado pela Lava-Jato, se mantém em alta. No governo e junto aos colegas, que não pouparam reverências a ele na condução da sessão em que se apreciou a manutenção da prisão de Delcídio.

Fiel ao governo, à interpretação que fez da Constituição e do regimento interno e, principalmente, ao seu pescoço, Renan decidiu que a votação seria secreta. Mas teve de se render. Antes de revelar o placar final e já ciente de qual seria o resultado, direcionou suas baterias contra a intervenção do STF, que acabara de deferir liminar pró-voto aberto.

No alvoroço do final da sessão, quando todos exigiam a exibição dos resultados, a fala da senadora Rose de Freitas resumiu, de forma dramática, o estado das coisas. “Hoje, em todo momento, em qualquer lugar, sentado aqui, sentado ali, nós nos deparamos com alguém que está sendo indiciado, exatamente por usar o poder a seu favor ou de uma circunstância que lhe favoreça.”

Ao lembrar que o Senado não cumpre com as suas tarefas mínimas, a parlamentar disse o que ninguém na República diz: “a culpa é nossa”. E prosseguiu: “O que estamos fazemos agora, sem a menor preocupação de como sair dessa crise, de como ajudar o povo brasileiro, votando quando achamos que devemos votar, empurrando a pauta prioritária quando queremos empurrar. Nós estamos errados!”.

O discurso da senadora não frequentou os noticiários da internet, do rádio e da TV, nem as páginas dos jornais, obviamente ocupadas pelos detalhes do escândalo Delcídio. Mas dar consequência a ele faria bem às instituições, à democracia, ao país.

E não há como consertar qualquer coisa sem reconhecer que ela está quebrada ou estragada. Sem assumir erros.

Acuado, Delcídio dispara em todas as direções

Ricardo Noblat

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) aproveitou seu primeiro depoimento à Polícia Federal para mandar recados em todas as direções.

Mandou primeiro para a presidente Dilma. Disse que ela o consultara, quando era ministra das Minas e Energia do primeiro governo Lula, sobre a indicação de Nestor Cerveró para a diretoria da Petrobras.

Segundo ele, Dilma conhecia Cerveró desde a época em que era secretária municipal de energia de Porto Alegre.

A revelação de Delcídio deixou Dilma indignada. Ela voltou a insistir que jamais consultou ninguém antes de nomear Cerveró. Até por que não foi ela que o nomeou.

Cabe ao presidente da República nomear os diretores da Petrobras. Foi Lula quem nomeou Cerveró.

Em seguida, Delcídio mandou recado para o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). Afirmou que ele está preocupado com a situação de Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras, envolvido na roubalheira da empresa.

Temer soltou uma nota desmentindo Delcídio. Admitiu ter sido apresentado a Zelada. E nada mais do que isso. Resmungou mais tarde para o jornalista Gerson Camarotti, da Globo News:

– Não vou deixar que um Delcídio qualquer manche minha biografia.

Ao referir-se a Temer, Delcídio quis dizer ao PT que mesmo preso, alvo de constrangimentos, ele ainda serve aos interesses do partido.

Enfraquecer Temer é bom para o PT, que não gosta dele. Irritar Dilma também é bom porque o PT não gosta dela. Apenas a atura.

Finalmente, Delcídio mandou recado para Lula ao suspender o depoimento pela metade depois de informado de que ele o criticara.

Quem assistiu ao depoimento conta que Delcídio “descontrolou-se”. Jamais imaginara que Lula seria tão duro com ele.

Os dois são grandes amigos. Mais do que isso: são cúmplices em jogadas políticas. Delcídio sentiu-se traído por Lula.

Não só por Lula. O PT abandou-o. E fez questão de marcar o abandono com a divulgação de uma nota.

Os colegas de Delcídio no Senado deram-lhe as costas ao referendar a decisão do Supremo Tribunal Federal de prendê-lo.

O governo abandonou Delcídio. Por meio de Ricardo Berzoini, ministro das Relações Institucionais, disse que a prisão de Delcídio não se deveu às suas atividades de líder do governo no Senado.

Quis dizer: Delcídio agiu em proveito pessoal.

Nada é mais perigoso do que uma pessoa acuada. Delcídio está acuado. Sem apoio de ninguém, nem mesmo dos amigos.

Uma pessoa assim, para sobreviver, costuma sair atirando. Ou mata ou morre.

Senador Delcídio Amaral (PT-MS) (Foto: Evaristo Sá / AFP)Senador Delcídio Amaral (PT-MS) (Foto: Evaristo Sá / AFP)

ÉPOCA AFIRMA QUE LULA DEVE SER O PRÓXIMO A SER INVESTIGADO

Bumlai e Lula (Foto: reprodução)

E Okamotto ainda diz que Lula e Bumlai não são tão amigos assim

Murilo Ramos
Época

Agentes da Polícia Federal encontraram na manhã de terça-feira fotos de Lula abraçado ao pecuarista José Carlos Bumlai. As imagens estavam num escritório de Bumlai em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Numa delas, obtida pela coluna Expresso, o ex-presidente está juntinho de Bumlai numa festa animada ao som de viola.  Os policiais ainda não sabem quando as fotografias foram tiradas. Até hoje, só havia uma imagem pública de Bumlai e Lula juntos. Recentemente o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse que Lula e Bumlai não eram “tão amigos assim”.

Bumlai foi preso hoje em Brasília durante a 21ª fase da Operação Lava Jato. Ele deporia na CPI do BNDES, mas foi surpreendido pela Polícia Federal num quarto de um hotel luxuoso da capital federal.

Os procuradores da Lava Jato acreditam que o ex-presidente Lula se tornou um alvo possível na investigação. Há três meses, imaginavam que focar a investigação em Lula causaria tumulto excessivo. De lá para cá, no entanto, jorraram elementos que o aproximaram dos crimes investigados. Os mais importante deles foram os fatos apurados contra o pecuarista José Carlos Bumlai – que, segundo o delator Fernando Baiano, agia em nome de Lula – e acerca do dinheiro do petrolão nas campanhas do petista.

DELAÇÃO DE DELCÍDIO

O senador Delcídio do Amaral, preso pela Polícia Federal por tentar obstruir a Lava Jato, começou a negociar uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Os procuradores, no entanto, só vão topar se ele entregar mais do que malfeitos de Nestor Cerveró. Já avisaram: se quiser conversa, Delcídio vai ter que atirar para cima.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Na foto, em clima de festa, Lula aparece visivelmente embriagado. Sua decadência como político e como pessoa é impressionante. Hoje, Lula se tornou uma espécie de caricatura dele mesmo. (C.N.)

Pátria limpa

Não basta continuar prometendo fazer um país rico, precisamos de uma nação limpa: da vergonha dos ricos e das necessidades dos pobre

Brasil (Foto: Arquivo Google)

No final deste ano, quando o PIB de 2015 for divulgado, a lama que matou o Rio Doce não vai aparecer. As cenas do Rio Doce sendo engolido pelo lixo da mineração, de famílias soterradas, trabalhadores sem meio de vida e praias destruídas são a face mais visível das depredações provocadas e ignoradas pela economia brasileira. Os desastres sociais e ecológicos não aparecem nas estatísticas.

A economia brasileira não leva em conta a sujeira que provoca a destruição da biodiversidade, nem as “monstrópoles” que criou com sua violência descontrolada, nem o agravamento da desigualdade. Nossos rios estão morrendo pelo mau uso de suas águas ao longo de décadas, explorados como depósitos de lixo industrial e urbano, e para geração de energia, sem consideração por sustentabilidade.

Prometemos deixar um país mais rico para nossos filhos e netos, e conseguimos fazer do Brasil a sexta economia do mundo, mas não estamos deixando um país mais limpo: da corrupção que rouba dinheiro público, que envergonha a sociedade, destrói nossas estatais, desvia dinheiro de nossas necessidades, desmoraliza a política, mata nossas esperanças; limpo da burocracia que barra a eficiência na aplicação dos recursos; do corporativismo, que se apropria da máquina pública e a utiliza mais para tirar vantagens do que para servir ao público.

Queremos um país limpo ao assegurar igualdade no acesso de cada criança brasileira a uma escola de qualidade, independentemente da riqueza dos pais e da cidade onde mora; uma pátria limpa da insensatez e da indecência de jogar fora a maior de nossas riquezas: desperdiçando o talento de qualquer brasileiro. Limpo da violência que assassina nossos jovens e rouba nossas ruas, tanto quanto a lama rouba o rio; sem filas para atender direitos básicos como vaga em creche ou escola; e atendimento médico necessário.

Não basta continuar prometendo fazer um país rico, precisamos de uma nação limpa: da vergonha dos ricos e das necessidades dos pobres; de sermos o oitavo mais rico e o sexto com pior distribuição de renda; do acanhamento de termos 13 milhões da população adulta que não conhecem a própria bandeira por não saber ler “ordem e progresso”, e outros 40% que sabem ler apenas pouco mais que isso.

Um país onde a riqueza seja construída com absoluto respeito ao equilíbrio ecológico e à preservação da biodiversidade; usada não apenas para reproduzir a riqueza, mas sobretudo para abolir o quadro de pobreza da nossa população, assegurando bolsa para quem precisar, mas emancipando as pessoas da necessidade de bolsas.

Para isso, o Brasil precisa de uma economia que seja sustentável ecologicamente, distributiva socialmente, moderna cientifica e tecnologicamente; uma economia limpa, criativa, inovadora, com elevada produtividade e competitividade; sem lama. E todos sabem que o caminho para isto é um presidente, um governo e uma base parlamentar que conduzam o Brasil na marcha para ser uma Pátria Limpa.

 

Senador e banqueiro caem em contradição em depoimentos

Delcídio afirma ter conversado com banqueiro sobre Cerveró, o que Esteves nega

Delcídio Amaral e André Esteves  (Foto: Montagem)Delcídio Amaral e André Esteves (Foto: Montagem)

O Globo

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves entraram em contradição nos depoimentos que prestaram à Polícia Federal após terem sido presos por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Esteves depôs ainda na quarta-feira e negou ter conversado com o senador sobre a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Delcídio foi interrogado quinta-feira e afirmou ter falado com o banqueiro sobre o assunto. O senador disse ainda que ofereceu ajuda à família de Cerveró e desejava sua liberdade por “questões humanitárias”.

A íntegra do depoimento de Delcídio foi divulgada pelo blog do colunista do GLOBO Jorge Bastos Moreno. O senador afirma ser verdadeira a conversa com o banqueiro sobre o tema, narrada ao filho de Cerveró, Bernardo, e ao advogado Edson Ribeiro na reunião que foi gravada no dia 4 de novembro. O termo de depoimento diz: “Perguntado se a conversa narrada no diálogo, supostamente havida com André Esteves, realmente ocorreu, afirma que sim, e que não responderá a qualquer outra que lhe for feita, reservando-se, a partir de então, no direito ao silêncio”.

O banqueiro, por sua vez, reconheceu ter tido ao menos cinco encontros com Delcídio nos últimos doze meses, mas negou ter tratado do tema. Esteves afirmou que só sabia das negociações sobre a delação pela imprensa e não tinha conhecimento de que Cerveró poderia citar o banco que presidia, o BTG Pactual, ou o seu nome. “Que nunca tratou com o senador Delcídio Amaral ou com quem quer que seja sobre a colaboração premiada de Nestor Cerveró”, afirmou Esteves, segundo o termo de depoimento obtido pelo GLOBO

A força da toga

Tenho um grande amigo, aposentado do Ministério Público do Rio de Janeiro que, na época do mensalão, ao ouvir um bate-papo entre sua mulher e eu, nos interrompeu ao ouvir as duas confessar que não confiávamos nos ministros nomeados pelo Lula e pela Dilma, tal nossa decepção com o PT:

“Isso é porque vocês não conhecem a força da toga”.

Ontem tivemos a prova concreta dessa força.

Diante da gravação já hoje célebre feita pelo filho de Nestor Cerverò, na qual se ouve a voz melíflua do senador Delcídio Amaral (PT) tramar vários crimes, da fuga de Cerverò com detalhes assombrosos (e que mostram o quanto o senador já havia estudado o assunto) aos nomes de ministros do Supremo e de outras autoridades que estariam, digamos assim, abertos a qualquer proposta, vimos o STF, o peso da toga republicana sobre seus ombros, reagir com veemência e denodo.

Por ordem do STF, pela primeira vez em nossa História, um senador da República e líder do governo, é preso no cargo.

E não podia ser diferente depois de todas as barbaridades que o filho de Cerverò, em muito boa hora, gravou e entregou na Procuradoria Geral da República.

Apesar da gravidade do assunto, um detalhe chamou minha atenção pela ironia. Deus escreve mesmo certo por linhas tortas… Num dado momento o senador e o advogado de Cerverò discutem, entre outras coisas tais como rotas de fuga, mesadas, subornos e promessas de “vida mansa que segue”, a chance de investir numa diretoria da Petrobrás e mencionam justamente a da Tecnologia da Informação (TI) porque o orçamento é de um R$ 1 bilhão e “lá ninguém enche o saco”. (Para o leitor pouco familiarizado com a TI, sugiro acessar o site InfoWester).

Esse foi outro espanto, saber que na diretoria da Tecnologia da Informação da Petrobrás passava uma verba tão expressiva sem ninguém para aborrecer quem lá se fartava…

Como se pode ver, tem toda a razão o decano do STF, Ministro Celso de Mello, ao dizer que “A ausência de bons costumes leva à corrupção”. Nosso triste Brasil está nessa situação, os bons costumes, em todas as áreas, feneceram e a corrupção transformou-se numa patologia que, infelizmente, levará muito tempo para ser debelada.

Parece que o ex-presidente Lula ficou indignado com o que chamou de burrice: Delcídio se deixar apanhar nessa gravação. São modos de ver, não é? Eu, por exemplo, acho burrice a nota do PT que desobriga o partido de qualquer solidariedade. Precisava dizer isso por escrito, quando já se sabe, por outros casos, que o PT nunca é solidário?

Peço a Deus que as palavras da ministra Carmen Lúcia, na sessão extraordinária de ontem no STF, sejam plenamente absorvidas por todos que de alguma forma têm posição de mando do Brasil: “Houve um momento em que nós, brasileiros, acreditamos no mote segundo o qual a esperança tinha vencido o medo. Depois , nos deparamos com a ação penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo tinha vencido a esperança. Agora, parece-se constatar que o escárnio venceu o cinismo.  O crime não vencerá  a Justiça. Aviso aos navegantes destas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão sobre os juízes e as juízas do Brasil. Não passarão sobre novas esperanças do povo brasileiro, porque a decepção não pode estancar a vontade de acertar no espaço público. Não passarão sobre a Constituição do Brasil” “.

Ministra Carmen Lúcia na sessão extraordinária de 25/11/2015 (Foto: André Dusek / Agência Estado)Ministra Carmen Lúcia na sessão extraordinária de 25/11/2015 (Foto: André Dusek / Agência Estado)

BEM QUE TEORI ZAVASCKI AVISOU QUE O PIOR AINDA ESTÁ POR VIR…

Zavascki está sabendo coisas que até Deus duvida

Carlos Newton

Quando o ministro Teori Zavascki saiu de sua costumeira discrição para avisar que “o pior ainda está por vir”, ele sabia exatamente o que estava falando. E certamente o relator dos inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal não se referia apenas ao senador Delcídio Amaral, que recentemente passou a assinar “do Amaral” por questões numerológicas, para ver se dava sorte, e o resultado foi desastroso. É claro que Zavascki não estava se referindo a um ou outro peixes gordos prestes a cair na rede, mas a um cardume deles.

O fato é que, de agora em diante, a Justiça passará a ser ainda mais rigorosa, com a Segunda Turma do Supremo em pé de guerra pelas suspeitas lançadas pelo líder do governo nas gravações obtidas pelo jovem Bernardo Cerveró, que trabalha como ator, mas tem talento especial também para a função de operador de áudio. Além disso, acostumado a conviver com o pai, sabe enxergar com um olho no padre e o outro na missa, se é que vocês me entendem, como dizia o genial jornalista Maneco Muller.

Nestor Cerveró custou a conseguir a delação premiada. Foi uma dificuldade. Nada do que relatava aos procuradores da força-tarefa da Lava jato era considerado “novidade”. A negociação foi se prolongando por meses a fio. Até que o filho Bernardo entrou na jogada da criação de um “fato novo” capaz de motivar a delação. Como se viu esta semana, o jovem ator teve um desempenho excepcional e merece, pelo menos, o Oscar de Efeitos Especiais.

UMA GRANDE MUDANÇA

A partir do sensacional envolvimento de Delcídio Amaral, a Lava Jato muda por completo, porque fica completamente afastada a suposta possibilidade de que nas instâncias superiores haja anulação de provas, como aconteceu com o banqueiro Daniel Dantas na malograda operação Satiagraha, que também investigava justamente desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro, vejam que nem sempre a História pode se repetir como farsa. Nenhum tribunal vai dar moleza a esses criminosos do colarinho branco. Habeas corpus, medida cautelar, mandado de segurança? Nem pensar.

Outra consequência inevitável é que muitos executivos e empresários vão seguir o exemplo de Nestor Cerveró e pedir o benefício da delação premiada. O primeiro da fila é o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, grande colecionador de obras de arte. Há meses tenta fazer delação premiada, mas os procuradores dizem que ele não tem provas materiais. Pode ser que agora Duque enfim encontre como comprovar as acusações.

O ARROGANTE ODEBRECHT

A grande dúvida é Marcelo Odebrecht, o arrogante delfim dos empreiteiros. Na CPI da Petrobras ele descartou qualquer hipótese de fazer acordo, vangloriando-se de ensinar as filhas a não delatarem os malfeitos das outras e ironizando quem trai os cúmplices para se livrar da pena. Ele está prestes a ser condenado. Dizem que a primeira sentença sai antes do Natal.

Quando Marcelo foi preso, o patriarca Emilio Odebrecht deu declarações ameaçadoras, recomendando que o governo deveria construir três celas, uma para ele próprio, as outras para Lula e Dilma. Como se dizia antigamente, promessa é dívida. De toda forma, com ou sem delação da família Odebrecht, vai se confirmar o vaticínio de Zavascki. O pior ainda está mesmo por vir.