O que nos espera pós-2018? Pós-“revolução”?

 Por Cesar Maia
A quem interessar pode, misturar, neste momento, fatos que nada tem a ver com a operação Lava-Jato com os relativos a ela e misturar nela -açodadamente- alhos com bugalhos. Isso só interessa a Lula, Dilma e ao PT. Imaginam que assim vão criar um enxame de gafanhotos…
 1. A probabilidade que os atuais líderes políticos nacionais sobrevivam em 2018 é muito pequena, mesmo aqueles que não tenham sido envolvidos nas investigações, nas delações premiadas e no noticiário. Quase todos os dias a imprensa faz memória da operação Mãos Limpas na Itália e lembra que os grandes partidos foram varridos, assim como todas as principais lideranças.
2. É quase impossível pensar que os líderes políticos atuais entendam o risco e desde já comecem a preparar a renovação nas eleições de 2018. Na Itália houve esse descuido, vieram novos partidos e o país viveu um longo ciclo de 13 anos de populismo liderado por Berlusconi, encerrado com sua recente condenação.

3. As “revoluções” democratizadoras em Portugal, Espanha e Grécia mudaram completamente o quadro partidário dominante nesses países. Mas nesses casos, essas “revoluções” trouxeram em seu bojo a renovação das lideranças políticas e dos partidos, naturalmente.

4. A Operação Lava-Jato cumpre brilhantemente a sua missão constitucional. Não há resistência possível, pois 90% das pessoas querem ver as investigações culminarem com a punição dos responsáveis, como já vem acontecendo. Mas há os riscos de retardamento e confusão. Quem está dirigindo esse jogo é o PT, Lula e o governo Dilma, reforçados agora com o novo Ministro da Justiça. A intimidade com algumas empresas e políticos investigados pode estimular esse processo.

5. A palavra de ordem “não vai ter golpe” aponta nesta direção. A pressão para que o PSDB seja colocado sob suspeita, idem. O desarquivamento do PROER -parte integrante e fundamental do Plano Real- da mesma forma. Como dizem certos líderes do PT: se é para nos afogar vamos afundar juntos.

6. Estranho o diretor da Odebrecht (íntimo de Lula) Benedito Junior guardar essas planilhas em uma sala comercial sua ao alcance da Polícia Federal 7 meses após a prisão de seu presidente Marcelo Odebrecht e 4 meses após o jornalista Lauro Jardim informar que ele seria o próximo alvo. O Juiz Moro se deu conta disso: as planilhas com nomes de 300 políticos que deveria servir para investigações separando o joio do trigo, caíram facilmente nas mãos da imprensa que não tinha como não noticiar, produzindo especulações.

7. A respeito, diz o Juiz Moro em seu despacho: “…é provável a remessa ao STF. É prematura qualquer conclusão quanto à natureza deles, se ilícitos ou não, já que não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, através do qual eram realizados os pagamentos sub-reptícios (de propina, por exemplo aos agentes da Petrobrás), o referido Grupo Odebrecht realizou notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos. Assim os pagamentos retratados nas planilhas do executivo Benedicto Barbosa podem retratar doações eleitorais lícitas ou mesmo pagamentos que não tenham sido realizados. O ideal seria antes aprofundar as apurações para remeter os processos apenas os indícios mais concretos de que esses pagamentos seriam também ilícitos.”

8. Em depoimento à Polícia Federal no último dia 24 de fevereiro, o presidente da Odebrecht Infraestrutura explicou que as doações da empreiteira nunca eram destinadas a políticos, mas sempre para os partidos “de modo a evitar pressões e constrangimentos de candidatos”.

9. A quem interessar pode, misturar, neste momento, fatos que nada tem a ver com a operação Lava-Jato com os relativos a ela e misturar nela -açodadamente- alhos com bugalhos. Isso só interessa a Lula, Dilma e ao PT. Imaginam que assim vão criar um enxame de gafanhotos e eles poderiam escapar. Ilusão treda. Bem, e também a Odebrecht às vésperas de seu desmonte, aliás já iniciado.

10. A pressa e o atabalhoamento deles (PT, Lula e Dilma) denunciaram a tática da confusão e dessa forma a Operação Lava-Jato poderá se precaver -como já o fez- e seguir em frente chegando a seus fins.

Cesar Maia, do DEM/RJ, ex-prefeito do Rio de Janeiro.
blogdocesarmaia@gmail.com

Sobre golpe, marketing do desespero e reconstrução

José Anibal

Milhares de fábricas fecham a porta. Milhões de trabalhadores perdem o emprego. Pobreza crescente e regressão na renda dos brasileiros. Contas públicas devastadas. Um cotidiano de angústias e incertezas marca nosso País. Mas nada disso sensibiliza Dilma. Nenhuma palavra quanto ao desastre da economia e ao sofrimento dos brasileiros. Manter o vazio do seu poder é sua fixação. Para quê? Difícil imaginar outro presidente do Brasil que tenha acentuado a cada dia a irrelevância e desatino de suas falas, tal como Dilma.

Agora, transtornada com a ideia de golpe pela qual ela caracteriza o procedimento constitucional do impeachment ao qual é submetida, Dilma perdeu de vez o fio da meada e a compostura que deveria ser própria do cargo que ocupa. Transformou seu governo em um balcão de negócios, um fim de feira humilhante – desmoralizante para o Brasil -, e, apesar de secundada pela jararaca, sem os resultados almejados. Blasfema, faz ameaças, mente, provoca. Em vão, pois o que lhe restava de base de apoio esfarelou de vez, com o anúncio oficial: o PMDB rompeu por unanimidade! Outros partidos já se afastaram, outros virão. O impeachment está próximo. O golpe contra tudo e todos é o desejo lulopetista que não vai se realizar. Como disse o senador Aécio Neves, não terão salvo-conduto para continuar a cometer crimes. Terão a democracia e a constitucionalidade, reafirmada por vários Ministros do Supremo, do impeachment.

O desafio pós-impeachment não será pequeno. O populismo e o conservadorismo do governo lulopetista relegaram não só as mudanças urgentes – como a reforma política – como desorganizaram a condição do Estado brasileiro para assegurar políticas duradouras e eficientes de combate à pobreza e às desigualdades. O retrocesso na distribuição de renda, na regressão imposta aos pobres, é a parte mais cruel da herança petista. Voltar a crescer, criar credibilidade e atrair investimentos é condição para compartilhar a agenda de um novo governo com os anseios cotidianos dos cidadãos, especialmente quanto aos serviços públicos e às ações para garantir a recuperação dos programas sociais.

Nas manifestações de 2013, já estava presente o desejo de refazer a moldura na qual se desenvolvia a vida pública no Brasil e as prioridades dos governos. Os manifestantes deixaram claras suas insatisfações. O que estava sendo feito não respondia às suas expectativas. Queriam novas agendas, novas prioridades. De lá para cá, o País foi soterrado pela incompetência e a pilhagem da corrupção. Escutar e aprender com a sociedade, crescentemente informada, ativa, querendo oportunidades para exercer a cidadania, não foi uma característica dos políticos de um modo geral. Especialmente do petismo, criminalizador dos debates, como biombo para seus malfeitos.

Agora, em meio a dificuldades extremas, vivemos uma nova oportunidade para realizar um arranjo político de convergência, capaz de propiciar mudanças que não podem ser adiadas. Os brasileiros têm reiterado, em sucessivas manifestações nas ruas e redes sociais, suas expectativas nas mudanças, sobretudo se os políticos reunirem a energia, o compromisso e a urgência que o momento lhes exige.

Marketing político (Foto: Arquivo Google)

 

A ESQUERDA DECADENTE

Brasília – É no mínimo vergonhoso, para não dizer imoral, o comportamento da Dilma depois da saída do PMDB da base do governo. A presidente mandou publicar no Diário Oficial, como medida de urgência, a decisão de liberar quase 2 bilhões de reais para alimentar as emendas parlamentares e, com isso, cooptar deputados e senadores para evitar o impeachment. Mais uma vez, a Dilma mostra que transformou o Brasil numa republiqueta de bananas e que não está a altura do cargo que exerce. Definitivamente não representa mais o povo brasileiro como mostra a mais recente pesquisa do Ibope.

 

Isolada no Palácio do Planalto, depois que a Justiça proibiu o Lula, seu parceiro, de exercer a função de ministro do Gabinete Civil, Dilma apela para o fisiologismo cínico e descarado comprando deputados e senadores para tentar recompor a sua base de sustentação. Joga no lixo o dinheiro do contribuinte que tanta falta vem fazendo nesses tempos de vacas magras. Mostra, com essa atitude desesperada, que entregou o país nas mãos dos ratos do seu partido e de aliados que ainda compõem o seu governo incompetente e inerte.

 

Já disse – e repito aqui – o governo da Dilma é esquizofrênico, estabanado, inepto. Há seis anos leva o país para o fundo do poço. Até agora ela não descobriu que virou presidente da república porque nunca esteve apta para o cargo. Surgiu do nada pelas mãos de Lula e de uma hora para outra plantou-se na cadeira de presidente, de onde começou a destroçar o país. Envergonha o Brasil lá fora com o seu pensamento truncado, ideias turvas e ideologia fragmentada. Ao saber que o PT arrancou a última de suas muletas, correu para o Tesouro Nacional para distribuir dinheiro aos parlamentares como se governasse sozinha, como um déspota desvairado e ensandecido.

 

Qual a diferença da Dilma para os outros presidentes fisiológico que passaram pelo país utilizando-se de métodos semelhantes? Nenhuma. No caso dela, o Brasil pelo menos esperava que não se sujasse com as práticas populistas, demagogas e despudoradas. Imaginava-se – e hoje percebe-se o engano – que como ela saíra das raízes esquerdistas, iria se diferenciar de seus antecessores,  políticos profissionais e conservadores. Até que no inicio ela ensaiou uma faxina, desalojando ministros que considerava corruptos. Não aguentou a pressão petistas e, para se manter no cargo, virou um joguete, uma marionete nas mãos da cúpula do partido e do seu chefe Lula.

 

Como um paciente em coma que retorna da doença aprendendo o que esquecera, decora frases e palavras de ordem e as repetem insistentemente como se tivesse delirando. As vezes, por debilidade, esquece o script. E quando isso acontece, dana-se a falar bobagens, reunidas hoje em livros e catalogadas no folclore do besteirol brasileiro. Essa presidente não tem noção de estado, nem tampouco de governança. Desloca-se frequentemente no avião presidencial, algumas das vezes para convescotes de cortesia ou de solidariedade a amigos, como aconteceu com a visita que fez ao Lula em São Bernardo.

 

Age, a presidente, como se o Brasil fosse de brinquedo, que se quebra e se remonta. É desprovida de sentimentos humanitários, porque não se apercebe que o seu governo está levando a miséria de volta à mesa dos brasileiros desempregados e sem esperança em um Brasil que definha como uma doença ruim.

 

Quer passar a imagem de uma guerreira forte, valente, determinada como se fosse a única a lutar contra a ditadura. Bobagem, a resistência aos militares não foi um privilégio de poucos, mas de toda sociedade brasileira que foi às ruas dizer um basta ao regime. Como disse o Millôr, com muita propriedade, muitos dos esquerdistas que vivem hoje das milionárias aposentadorias não lutaram por uma causa, mas, sim, “por um bom investimento”.

 

A Dilma, o Lula e outros esquerdistas de meia-tigela, fanfarrões, diante dessa desgraça brasileira, só deixam uma certeza: a incompetência de dirigir uma nação. Ao contrário do que apregoam, também são populistas, demagogos, fisiológicos e despreparados.

O governo Dilma ainda não está morto

Ricardo Noblat

O primeiro governo da presidente Dilma foi um desastre, e mesmo assim ela se reelegeu. O segundo, mal começou e começou mal. De alguns meses para cá, só existe formalmente, paralisado pelas crises que assolam o país, a investigação da Lava-Jato e o processo de impeachment.

Nem por isso deve ser considerado morto. Até uma cobra, depois de morta, inspira medo, quanto mais um governo que ainda se mexe. O Titanic bateu no iceberg, adernou, a orquestra parou de tocar, a maioria dos passageiros foge em botes salva-vidas, mas ele ainda não foi a pique.

O comandante imagina que pode evitar a tragédia anunciada. E, nesse caso, é bom lhe dar ouvidos. Dilma só tem uma forma de reparar o estrago que ameaça o navio, apostando que em seguida conseguirá leva-lo até o primeiro porto à vista: comprar apoios políticos no varejo.

Ela está certa. E, desde ontem, parece disposta a pagar qualquer preço pelos 172 votos necessários de um total possível de 513 para sepultar o impeachment na Câmara dos Deputados. A gula dos políticos é grande, sempre foi e sempre será. E Dilma acha que tem como saciá-la.

A Fundação Nacional de Saúde, por exemplo, é um órgão do Ministério da Saúde que tem muito dinheiro a ser gasto ou desviado. Seu presidente, indicado pelo vice Michel Temer, foi demitido há poucos dias. O cargo, ontem, foi oferecido ao Partido Trabalhista Nacional (PTN).

Só ouviu falar do PTN, além do seu minúsculo eleitorado, quem lembra da eleição do presidente Jânio Quadros no remoto ano de em 1960. Sim, Jânio, aquele político genial descabelado e demagogo, que vivia de porre e que renunciou a governar o país depois de seis meses de empossado.

Na eleição de 2014, o PTN elegeu apenas quatro deputados federais e 14 estaduais. Pois seus quatro votos na Câmara estão valendo ouro para Dilma. O governo espalha que já conta no momento com cerca de 190 votos contra o impeachment. Chute. Certos mesmo são 100 a 110.

Por isso decidiu correr atrás de quem lhe garanta mais um, mais um, mais um. Na verdade, o dono do voto não precisará, sequer, comparecer à sessão de votação do impeachment. Ou poderá comparecer e abster-se de votar. Caberá à oposição arregimentar 342 votos para derrubar Dilma.

Sem 342 votos, Dilma permanecerá na presidência à espera que a Justiça Eleitoral julgue quatro ações que pedem a impugnação da sua e da eleição de Temer. Não há data para isso. O mais provável é que a Justiça só decida no início de 2017. O país se arrastará até lá.

Há dois partidos nos quais o governo confia sua sorte: o PP e o PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, em prisão domiciliar. Os dois, juntos, têm 90 deputados. Ao PP está sendo oferecido o Ministério da Saúde, ao PR, o Ministério das Minas e Energia, ambos ainda em mãos do PMDB.

Se o governo obtivesse em troca a certeza de que os dois votariam fechados contra o impeachment, ficaria a um passo da salvação. Aos 90 votos do PP e do PR, se somariam os 58 do PT, e pelo menos mais alguns colhidos no PC do B, PDT, PSB, e demais partidecos.

Não será fácil, mas impossível não é. Há muitos fatores que conspiram contra uma eventual vitória do governo – as ruas, a rejeição a Dilma, a Lava-Jato, a situação das grandes empreiteiras e dos seus donos, e a expectativa de poder que Temer representa.

Fora o juiz Moro, ninguém sabe que novas revelações poderão complicar ainda mais a vida de Dilma. O que Dilma tem para dar a políticos que a detestam, Temer tem em dobro. Não fosse a Lava-Jato, as empreiteiras nem teriam deixado o impeachment chegar ao ponto em que chegou.

O impeachment deverá ser votado na Câmara entre os próximos dias 14 e 21. Daqui até lá, haverá traições à farta – à Dilma e a Temer. É improvável que seja apertada a vitória de um ou de outro. No dia marcado, a maioria dos deputados votará com quem tenha mais chances de vencer.

Dilma Rousseff (Foto: Jorge William / Agência O Globo)Dilma Rousseff (Foto: Jorge William / Agência O Globo)

Desconstruindo um artigo imbecil do ator Wagner Moura contra o impeachment

É de tal sorte primário que levei exatos 23 minutos para apontar a teia de fraudes argumentativas. O rapaz daria razão a Francis, segundo quem um bom ator não pode ser muito inteligente. Eu discordo da afirmação. Mas vale pra Moura

Por: Reinaldo Azevedo

Paulo Francis dizia que um grande ator não pode ser muito inteligente. Sempre tomei a frase como uma de suas “boutades”… inteligentes! Queria dizer que o ator só consegue expressar a verdade necessária — ao menos segundo o seu gosto estético por teatro ou cinema — se é capaz de se esquecer, de suspender por um tempo o juízo. Mesmo assim, em regra, não concordava com ele nesse particular.

Mas me vi tentando a concordar ao ler o artigo de Wagner Moura na Folha desta quarta. Se escreveu sozinho, não sei. Parece haver ali a canetada ora de alguém da sociologia, ora do direito. Mas digamos que seja tudo dele.

Os argumentos, de toda sorte, são pueris. Moura admite que “o PT montou um projeto de poder amparado por um esquema de corrupção”. Ufa! Rapaz consciencioso! Acha que isso tem de ser investigado. Ótimo! Mas não se pode cassar, sustenta, um governo eleito por 54 milhões, ainda mais esse, que, diz ele, tirou milhões da pobreza.

Moura nasceu em 1976. Tinha 16 anos quando Collor foi impichado, em 1992. Já dá pra não ser um idiota. Também aquele projeto estava amparado na corrupção e também aquele presidente foi eleito. E por que foi legítimo derrubá-lo? Huuummm… É que Collor não tirou milhões da pobreza. Corolário: quando um governo realiza uma obra social que Moura aprova, ainda que seja ladravaz, não pode ser deposto.

Ou por outra: os pobres são usados como lavanderia moral de governos corruptos.

Grande Wagner Moura!

O argumento jurídico de seu texto é canhestro. Segundo ele, trata-se de um “impeachment sem crime de responsabilidade”. Um ator não é obrigado a ler a Constituição e a Lei 1.079. A menos que vá escrever sobre impeachment. A pedalada fiscal é crime de responsabilidade, rapaz! Não me obrigue a fazer piadinhas com o Capitão Nascimento… Mais: não são apenas os crimes de responsabilidade que podem levar ao impedimento.

Outro argumento que ele deve ter achado definitivo: o nome de Dilma, diz ele, não está na lista da Odebrecht. Erros em série. Nem mesmo se sabe o que é e o que é não crime na lista; o fato de o nome dela não estar lá não a absolve da pedalada. Ou do crime de obstrução da Justiça cometido na nomeação de Lula, segundo o procurador-geral da República — o crime está apontado na denuncia da OAB.

Mas, até aqui, operei só na desinformação de Wagner Moura. Agora vamos à sua pouca inteligência, ainda que seja um excelente ator — e nem assim acho que Francis estava certo como regra.

Escreve o bruto:
“Ser legalista não é o mesmo que ser governista, ser governista não é o mesmo que ser corrupto. É intelectualmente desonesto dizer que os governistas ou os simplesmente contrários ao impeachment são a favor da corrupção.”

Bem, eu já demonstrei que ele está sendo “ilegalista”. Mas é o de menos. De fato, ser legalista (em tese) não é sinônimo de governista, que não é sinônimo de corrupto.

Pergunto a Wagner Moura se ele reconhece como válida a seguinte formulação:
“Ser a favor do impeachment não é o mesmo que ser antipetista, que não é o mesmo que ser golpista”.

Reconhece ou não, Wagner Moura?

Ou seus pensamentos delicados e matizados têm validade apenas para os que pensam como você?

Essa minha pergunta desmonta de forma um tanto vexaminosa a falsa tolerância de Moura com a divergência e expõe o sestro de todo esquerdista mixuruca: o mundo se divide entre os bons, que estão com eles (às vezes, roubam um pouco), e os maus: os que pensam de modo diferente.

É claro que um grande ator pode ser inteligente.

Não é o caso de Wagner Moura. Definitivamente. A menos que tenha decidido fazer o papel de bobo. E aí o ator merece os parabéns!

LULA, SÓCRATES E EU, QUE NÃO TENHO AMIGOS IMPORTANTES…

José Sócrates está preso por corrupção e Lula tenta escapar

João Pereira Coutinho
Folha

Admiro a criatividade dos brasileiros. Sobretudo quando a realidade é sombria. No momento em que bato estas linhas, o meu corpo balança ao som de “Não é nada meu”, um samba dedicado ao ex-presidente Lula da Silva. O samba reproduz uma conversa imaginária entre um magistrado e Lula. Confrontado com o tríplex da praia, o sítio em Atibaia e outras mordomias, Lula replica: “Não é nada meu” e “Excelência, eu não tenho nada / Isso é tudo de amigos meus”.

Mas o momento áureo da composição acontece com este primoroso diálogo: “E aquele filho milionário?”, pergunta o juiz. Lula responde: “Excelência, também não é meu.”

É possível que a música conquiste o público português. Não apenas pela beleza do ritmo e pela riqueza narrativa. Mas porque os portugueses conhecem bem este samba – ou, melhor dizendo, este fado.

Em novembro de 2014, o ex-premiê José Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e lavagem de dinheiro. Preso preventivamente durante quase um ano, o homem que liderou Portugal entre 2005 e 2011 – ou, para os íntimos, da grande promessa à grande bancarrota – aguarda agora acusação formal para ir a julgamento.

AMIGOS GENEROSOS…

Mas o que espanta na história de Sócrates é que a sua defesa também assenta na generosidade de um amigo, empresário da construção civil. Durante a sua estadia em Paris, já depois de perder as eleições, o antigo premiê terá recebido centenas de milhares de euros desse amigo para viver com a dignidade inerente à sua biografia.

Esses “empréstimos”, como Sócrates lhes chama, eram entregues em mão porque, segundo os seus advogados, o ex-premiê não confiava no sistema bancário do próprio país que governara.

Mas o amigo não se limitava a “emprestar” fortunas colossais. A amizade era tão grande que o apartamento de luxo onde Sócrates viveu em Paris também era desse amigo.

Perante as histórias paralelas de Lula e Sócrates – eles próprios grandes amigos -, dou por mim a pensar na minha melancólica existência. Não sou má pessoa. Na idade certa, também li os conselhos do sr. Dale Carnegie sobre como fazer amigos e influenciar pessoas. E agi em conformidade.

Sou bom ouvinte. Sorrio com frequência. Tolero as imperfeições humanas. E tenho afeto pelos meus amigos da mesma forma que recebo o afeto deles.

Mas, aos 40 anos, uma pessoa sente que os “afetos” não chegam. Onde está o meu sítio? O meu tríplex? A minha casa em Paris? E por que motivo os meus amigos não me emprestam milhares ou milhões de euros a título de caridade?

NÃO É CRIME TER AMIGOS

Desconheço qual será o futuro judicial de Lula ou Sócrates. Mas uma coisa eu sei: não é crime ter bons amigos. Crime é não os ter.

Por isso deixo ficar um pedido público a ambos: partilhem a sabedoria acumulada. Na cadeia ou fora dela, Lula e Sócrates poderiam escrever um livro sobre a melhor forma de ter amigos ricos e bondosos. Eu ainda vou a tempo de mudar os meus.

Ser de esquerda tem algumas vantagens. Algumas? Eu diria todas. Nos grampos divulgados, Lula não é politicamente correto com as donzelas.

Em conversa com o ex-ministro Paulo Vannuchi, Lula pergunta: “Onde estão as mulheres de grelo duro do nosso partido?” Engraçado: eu julgava que o uso do “grelo” para designar certo atributo feminino era exclusivo de portugueses. Não é. Estamos sempre a aprender, irmãos.

Mas o melhor momento está no comentário sobre a intervenção policial na casa de Clara Ant, a diretora do Instituto Lula. “A Clara estava dormindo quando entraram cinco homens lá dentro”, diz Lula a Dilma. E acrescenta: “Ela pensou que era um presente de Deus, e era a Polícia Federal.” O problema desses grampos é que uma pessoa começa a simpatizar com Lula.

Não seria caso único. Como relata uma matéria desta Folha, muitas feministas, que tradicionalmente cortariam os “sacos” alheios perante tais insultos, afirmam que “grelo duro” pode ser até um elogio: significa “mulher forte” e, além disso, é uma expressão típica do Nordeste.

OS CINCO PRESENTES…

E sobre os cinco presentes de Deus para Clara Ant, a ONG Think Olga defende que é normal o desejo feminino por (cinco) homens. A própria Clara, ouvida a respeito, desvaloriza o caso: foi apenas uma piada para quebrar o grelo, perdão, o gelo.

Moral da história? Seja machista à vontade. Mas, primeiro, convém marchar com as patrulhas certas.

(artigo enviado pelo comentaristas Mário Assis Causanilhas e Wilson Baptista Jr.)

TROCANDO SEIS POR MEIA DÚZIA

Com o PMDB e penduricalhos caindo fora, a pergunta que se faz é como ficará o governo do PT. Ainda mais se nesse curto espaço de tempo a presidente Dilma vier a sofrer o impeachment. Há quem suponha o desmonte das estruturas que vinham até pouco sustentando os companheiros e seus cada vez mais diminutos aliados.

Existem momentos na vida das nações em que se torna necessário recomeçar. Este pode ser um deles. Adianta muito pouco, ou pode não adiantar nada, seguir com planos, projetos, ideias e pessoas que começaram a falhar faz muito, mas, de um dia para outro, desapareceram. Por onde anda a presidente Dilma? E seu partido? Seus ministros, o gato comeu?

Até o Lula parece haver desaparecido. Um vazio sem limites cerca não apenas a capital federal, mas o país inteiro. Vale indagar onde se encontra o proletariado. As forças produtivas. A classe média. A juventude e a velhice?

Todos viram-se atingidos pelo desemprego, a alta do custo de vida, a inflação, a estagnação econômica e a falta de projetos de desenvolvimento. Os serviços públicos.  Deixada sem passado, a nação perdeu o futuro.

Não poderia dar em outra coisa: o vazio. A ausência de um roteiro capaz de preencher necessidades e sonhos. Nem eleições poderiam ocupar o espaço. Muito menos partidos. Sai Dilma, entra Temer. Equivale a trocar seis por meia dúzia.

A pergunta é sobre onde erramos, ainda que poucas vezes tenhamos acertado. Não se trata de encontrar ideologias, muito menos planos fantasiosos. Tanto faz esperar ilusões. O trabalho poderia suprir desilusões, se nele pudéssemos acreditar. Ciência e sabedoria passam ao largo.

Em suma, só e abandonada, tornamo-nos uma nação sem ter no que e em quem acreditar. É o resultado da falta de homens e de ideias, do deserto que viramos.

O biografado perfeito.

 Por Ruy Castro
Lula já melou as várias biografias que lhe escreveram. Mas a que irá valer só será escrita no futuro.
RIO DE JANEIRO – Dercy Gonçalves me telefonou certa vez convidando-me a escrever sua biografia. Ela lera meus livros “O Anjo Pornográfico”, sobre Nelson Rodrigues, e “Estrela Solitária”, sobre Garrincha, e se convencera de que eu era o homem para narrar sua riquíssima vida. Dercy já então caminhava para os 100 anos. Respondi-lhe que, justamente por admirá-la tanto e querer que vivesse para sempre, não podia pegar a empreitada.

Dias depois, entrevistada por Hebe Camargo na TV, Hebe lhe perguntou quando iriam escrever sua biografia. Dercy respondeu: “Sei lá! Convidei o tal do Ruy Castro, mas ele só gosta de morto!”.

Há anos me bato pela ideia de que é arriscado biografar uma pessoa viva. E por um motivo simples: sua história ainda não terminou. A própria Dercy, no Carnaval de 1991, coroara sua inacreditável carreira desfilando pela Viradouro na Marquês de Sapucaí, aos 84 anos (na verdade, 86), numa alegoria a dez metros de altura. E com os seios de fora -que a avenida, estupefata, aplaudiu. Quem garantia que não iria ainda se superar, pulando de asa delta da pedra da Gávea ou se casando com d. Helder Câmara?

O biografado vivo não é confiável. Às vezes, depois de uma vida unanimemente admirada e narrada numa grande biografia, ele comete algo discutível ou polêmico -e, com isso, mela o livro. Aconteceu com “Woody Allen – Uma Biografia”, de 1991, por Eric Lax, que levou 19 anos trabalhando nela e com acesso direto ao personagem. A crítica a saudou como a biografia definitiva de Woody. Um ano depois, houve o escândalo envolvendo-o com sua enteada Soon-Yi. O episódio maculou o livro, não por não ter sido descrito, mas pelo Woody anterior a ele e que Lax não foi capaz de perceber.

Lula já melou as várias biografias que lhe escreveram. Mas a que irá valer só será escrita no futuro.

Sem choro, nem vela

 Por Josef Barat
… Diante desse ambiente angustiante de recessão, desemprego, inflação, descontrole total das contas públicas e descrédito internacional, o que se tem com resposta? O governo nos oferece arrogância, perda do senso do ridículo, falta de respeito e insistência em repetir os mesmos erros.
Não é preciso chorar, nem acender vela para esse governo agonizante. Basta uma fita verde e amarela – sem o nome dela. Apesar da ruína, o Brasil está vivo e com esperança em um futuro melhor. Está consciente de quanto custou a incompetência de um governo dedicado obstinadamente a errar. A impressionante mobilização popular mostrou que a absoluta maioria dos que trabalham (ou perderam seus empregos) e pagam pesados impostos, não quer mais ser refém dos que se julgam os eternos donos do poder.

Diante desse ambiente angustiante de recessão, desemprego, inflação, descontrole total das contas públicas e descrédito internacional, o que se tem com resposta? O governo nos oferece arrogância, perda do senso do ridículo, falta de respeito e insistência em repetir os mesmos erros. Emendas são alardeadas – cada vez mais mambembes que os sonetos – num jogo de prestidigitação que envergonha mágicos profissionais. E quais as razões que levam às ruas multidões? Elas se sentem atingidas pela afronta, desfaçatez e deboche. E por que um ex-presidente que deixou um legado importante, se presta a protagonizar um papel ridículo e degradante?

É importante entender como foi meticulosamente gerado o caos econômico. O primeiro governo Lula, tirou partido de uma conjunção favorável: preservação do poder de compra pelo controle da inflação, expansão e diversificação do consumo com suporte da expansão do crédito e o câmbio favorável às importações. Adicionalmente, houve o barateamento dos bens industriais de consumo, em razão das cadeias produtivas globalizadas. Um legado inegável foi o maior alcance dos programas de redistribuição de renda e inclusão social. O cenário internacional favoreceu o grande impulso nas exportações, apoiado em um prolongado ciclo de valorização das commodities. Houve ainda continuidade na atração do capital privado para investimentos, inclusive nas infraestruturas. Por fim, a preservação da credibilidade e atratividade do país, inclusive obtendo o “Grau de Investimento”.

No segundo governo Lula, todavia, já se vislumbrava sinais de um esgotamento do ciclo baseado na expansão do consumo e baixa capacidade de investimento. Buscou-se como alternativa para dinamizar o crescimento um novo nacional desenvolvimentismo, uma visão ideológica reciclada que apostou em uma economia cada com vez mais apoiada no voluntarismo do Estado intervencionista. Foram resgatados antigos conceitos da liderança estatal nos investimentos, expansão do crédito e concessão de benefícios fiscais a setores “estratégicos”. A política econômica foi dispersiva e sem coordenação de objetivos.

O primeiro governo Dilma, herdou as dificuldades geradas pelo esgotamento do ciclo de expansão do consumo e, atingido pela crise de 2009, optou por aprofundar mais as ações intervencionistas. Alterou a direção da política econômica, com a chamada Nova Matriz Econômica. A média da inflação nos primeiros quatro foi de 6%, batendo no teto da meta estabelecida. O represamento das tarifas dos combustíveis e da energia elétrica impediu que a inflação ultrapassasse o teto. Excetuando o crescimento de 2010 (7,5%), o desempenho do PIB foi medíocre no período. A taxa de investimento, com média de 18%, continuou a ser o grande fator restritivo para um crescimento mais forte e continuado.

A Nova Matriz cedeu mais espaço para os ideológicos, afrouxando os controles sobre os gastos públicos e os objetivos de superávit primário. Pôs em risco o controle da inflação – sempre batendo no teto da meta. Aprofundaram-se, ainda, as medidas pontuais de isenções fiscais e favorecimentos de crédito pelos bancos oficiais. O segundo mandato, mal iniciado, já revelava uma economia com gastos públicos sempre crescentes, inflação fora de controle, desemprego em dois dígitos, queda forte e continuada do PIB e aumento da Dívida Pública.

Não foi surpresa, portanto, o país quebrar e mergulhar na mais prolongada e grave recessão da sua história. Não tendo mais a quem culpar, os donos do poder perderam a compostura e partiram para o achincalhe…

VEM AÍ O PRESIDENTE COM 1% DAS INTENÇÕES DE VOTO

Bernardo Mello Franco
Folha

O Datafolha divulgou uma nova pesquisa para a corrida presidencial de 2018. Os principais pré-candidatos estão mal na foto. Aécio derreteu, Lula continuou a cair e Marina assumiu a liderança por inércia, sem sair do lugar.

O levantamento apresenta um paradoxo. De todos os nomes do principal cenário, o menos citado pelos eleitores é o que tem mais chances de assumir a Presidência. Estamos falando do peemedebista Michel Temer, que aparece com apenas 1% das intenções de voto.

Não se trata de apostar no cavalo azarão. Como vice-presidente, Temer é o substituto imediato de Dilma Rousseff, que está com o mandato em risco. Se o Congresso aprovar o impeachment, como parece cada vez mais provável, ele pode se sentar na cadeira até o fim de abril. Terá 75 anos de idade e mais dois anos e oito meses para governar o país.

NOVO MINISTÉRIO

Aliados do vice já começaram a escalar sua equipe. “Será um ministério surpreendentemente bom”, disse o senador José Serra ao jornal “O Estado de S.Paulo”. Derrotado em duas eleições presidenciais, ele quer assumir um cargo similar ao de primeiro-ministro. Se der certo, será mais um a governar sem votos.

O Datafolha também perguntou o que os brasileiros esperam de uma eventual gestão Temer. Só 16% acreditam que ele fará um governo ótimo ou bom. Para a maioria absoluta (60%), a administração será igual ou pior do que a que está aí.

O dado leva a outro paradoxo: sete em cada dez brasileiros apoiam o afastamento de Dilma, mas quase nenhum se empolga com o vice. É um cenário desalentador, porque a recessão não vai evaporar com o impeachment. Um presidente 1% seria capaz de nos tirar do buraco?

SEM FOTO COM LULA

O governo escalou Paulo Maluf para defendê-lo na Comissão do Impeachment. Desta vez, ele não exigiu foto com Lula. Deve ter achado que não faria bem à sua imagem.

SUPREMO ABANDONA DILMA E MOSTRA QUE IMPEACHMENT NÃO É GOLPE

dilma

Dilma achou que poderia contar com o Supremo, mas se enganou

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff tinha a esperança de que o Supremo Tribunal Federal pudesse reverter a decisão do Congresso, caso a Câmara e o Senado aprovassem o impeachment. Chegou a declarar várias vezes que tomaria a iniciativa de recorrer ao STF e até determinou que a Advocacia-Geral da União, agora comandada pelo ministro José Eduardo Dutra, redigisse a petição a ser encaminhada. Mas foi apenas um sonho, em meio ao interminável pesadelo que ela enfrenta desde que iniciou seu segundo mandato.

Com toda certeza, Dilma já sabe que vencer a eleição foi uma vitória inútil e desgastante. Se tivesse perdido, seria lembrada como a primeira mulher a assumir a Presidência. Mas agora ela está destinada a entrar na História do Brasil como a primeira presidente a sofrer impeachment, em meio a um tsunami de corrupção, que relegou ao esquecimento o mar de lama que injustamente se atribuiu a Getúlio Vargas nos idos de 1954.

Neste ponto, temos de mais uma vez tirar o chapéu ao juiz federal Sérgio Moro. Foi sua atuação corajosa que conscientizou os ministros do Supremo sobre o equívoco de tentar socorrer este governo incompetente e apodrecido.

A GRAVAÇÃO FATAL

As coisas até que iam bem no Supremo, a presidente da República contava com a solidariedade da grande maioria dos ministros. Na última votação de uma causa vital para Dilma – o julgamento do rito do impeachment – o resultado tinha sido consagrador, com 9 votos a 2, apenas os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli se posicionaram contra os interesses dela, porque o novato Edson Fachin medrou e reviu seu posicionamento anterior.

Mas tudo mudou com a delação premiada do senador Delcídio Amaral, ex-líder do governo, denunciando que Dilma tentara libertar o empresário Marcelo Odebrecht através do Superior Tribunal de Justiça. Logo depois, surgiu as gravações de Lula dizendo que o Supremo se acovardara e mandando pressionar a ministra Rosa Weber, vejam a que ponto chega a prepotência dele.

SUPREMO CONTRA DILMA

Com a deserção do PMDB e do PTB, o impeachment se tornou inevitável, porque os demais partidos da base aliada estão seguindo atrás. E a última esperança – o recurso ao Supremo – também já se desfez, e a situação se mostra sinistra para Dilma. Quatro ministros já tinham declarado publicamente que impeachment não é golpe – Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Celso de Mello. Apenas um ministro, Marco Aurélio Mello, se manifestara contra o impeachment. Por coincidência, recentemente foi agraciado pela presidente Dilma com a nomeação da filha Denise Mello para desembargadora federal.

Nesta segunda-feira, houve o xeque-mate no xadrez da política. O ministro Luís Roberto Barroso, que se mostrara tão solidário a Dilma no julgamento do rito, também afirmou que impeachment não é golpe e adiantou que o Supremo vai respeitar a decisão do Congresso.

FALTA APENAS UM VOTO

Portanto, o placar já é de 5 a 1. Falta apenas um voto para a condenação antecipada de Dilma. Ainda não se manifestaram Luiz Fux, Teori Zavascki, Rosa Weber, Édson Fachin e Ricardo Lewandowski. Dilma precisa que todos eles sejam contra o impeachment. Mas ninguém acredita mais nisso, até porque Rosa Weber se sentiu ofendida pela gravação em que Lula insinuava que ela poderia ser convencida a apoiá-lo.

Tradução simultânea: Dilma Rousseff vai perder na Câmara, no Senado e no Supremo. Seu mandato não existe mais, é apenas virtual. Como no célebre filme de Vincente Minnelli, ela já pode dar adeus às ilusões. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, que faz uma falta enorme a este país.