SÓ UM MILAGRE PODERÁ SALVAR DILMA ROUSSEFF DO IMPEACHMENT

Charge do Alpino (Yahoo)

Carlos Newton

Já comentamos aqui na Tribuna da Internet o extraordinário e comovente esforço dos jornalistas militantes e simpatizantes do PT, que atuam nas redações dos portais e dos sites dos jornais e revistas, sempre ativos na postagem de matérias do interesse do governo e do partido.
A manipulação é impressionante. Quem lê as reportagens sobre a próxima votação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), fica até pensando que ainda existe real possibilidade de vitória da presidente Dilma Rousseff na Comissão do Impeachment. Que a qualquer momento pode ocorrer uma reviravolta.

A TEORIA E A PRÁTICA

É interessante notar que essas reportagens não dão a devida importância ao posicionamento da Comissão de Impeachment. Fica parecendo que não importa o resultado, a situação poderá ser revertida no plenário da Câmara ou no Senado. Hipoteticamente, sim. Na teoria, existem mesmo essas possibilidades. Mas na prática, as coisas são muito diferentes.

Os repórteres e os chamados analistas têm a ingenuidade de supor que o impeachment funciona como uma ação judicial, em que é preciso haver provas concretas, qualquer erro na acusação pode causar nulidade do processo, ainda há duas instâncias de julgamento para recorrer, ou seja, por enquanto, tudo bem…

Na política, é tudo ao contrário. Não é necessário apresentar provas materiais, apenas fortes evidências. Não existe possibilidade de anular o processo por alguma falha técnica. E a primeira instância – no caso, a Comissão de Impeachment – é que decide tudo.

TEORIA DO DOMINÓ

O processo evolui como na Teoria do Dominó. Se a primeira peça cai na Comissão, a imagem de quem está sendo acusado imediatamente se derrete, as outras peças (plenários da Câmara e do Senado) vão sendo inexoravelmente derrubadas na sequência. Aliás, o presidente do Senado, Renan Calheiros, que acompanhou bem de perto a estrondosa queda de Fernando Collor, já avisou Dilma Rousseff a esse respeito.

Não foi por mera coincidência que o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) cometeu o ato falho de chamar Dilma Rousseff de “ex-presidente”. Ele já sabe que a causa está perdida.

INCOMPETÊNCIA TOTAL

O governo é de uma incompetência sesquipedal. Tinha de jogar todas as fichas na Comissão do Impeachment. Se conseguisse a rejeição do parecer, todo o restante do processo estaria facilitado, porque a Teoria do Dominó funcionaria ao contrário, beneficiando a presidente Dilma Rousseff.

Mas tudo isso são coisas do passado, não têm mais volta. A Comissão possui 65 membros, o impeachment já é abertamente defendido por 32 deputados, o presidente Rogério Rosso (PSD-DF) consta das avaliações como indeciso, mas todos sabem que ele votará a favor do afastamento da presidente, fechando o placar em 33 a 32, por antecipação.

Na verdade, a diferença será muito maior. Acredita-se que acabe em 40 a 25, e estamos conversados. A presidente Dilma pode até ir reforçando a dose da tarja preta, porque o impeachment já está decidido. Em breve, além do deputado Paulo Teixeira, todos os demais brasileiros também irão chamá-la de “ex-presidente”.

Hoje, só um milagre poderá salvar a presidente. Mas todos sabem que milagres somente acontecem quando a pessoa tem merecimento.

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