Por que não se ajuda a construir?

Em tempo de eleição é comum adversários políticos mostrarem defeitos uns dos outros. É o período que ninguém tem virtudes. Só defeitos. Mas a repetição continuada do mesmo discurso depreciativo, mostra na maioria dos casos, a incapacidade do acusador, em construir algo em favor dos outros E nesse particular, o critico estampa com maior fidelidade, a sua total incompetência de construtor. Destruir sempre foi mais fácil. E é mais comum aos desfigurados construtores do nada. Abraham Lincoln adverte aos críticos de qualquer tempo e qualquer lugar: “Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere ao menos dez dos teus”. Mas quem de nós se atreveria ou se atreve a fazê-lo? Talvez uns poucos. Pra ser mais otimista, alguns. O Brasil, o Maranhão e Vargem Grande, precisam de pessoas que possam ajudar na construção de dias melhores para todos e não somente de acusadores. Em Vargem Grande estamos assistindo políticos desfigurados pelas suas” ideologias”opinarem sem ao menos se darem ao trabalho de conhecer a realidade vivida no município, pela administração e pelos administrados. Criticam pelo prazer de criticar. É como diz sabiamente Oscar Wilde: ” Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo”. E por que, se queremos o melhor pra nossa terra, não ajudamos a construir?

Ética?

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Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

… Fico assistindo com certo receio: daqui a pouco vão pedir que se leve em conta o peso físico de cada deputado. Por exemplo, um gordo, um magro, um gordo, e assim por diante. Ou altos e baixos, sei lá, qualquer coisa que os distinga…

Coitadinho do Brasil! Foi tomado por algum mosquito que além de dengue, chicungunha, zika, febre amarela, mexe com a sanidade mental de quem deveria ser firme e claro em suas decisões e posturas.

Reparem bem: no Judiciário, ou sendo mais clara, no STF, numa sessão comédia para debater o pedido do PCdoB, discute-se de tudo, inclusive a possível adoção da latitude das capitais dos Estados como padrão para o chamamento dos deputados que votarão pelo impeachment, ou não, de dona Dilma.

Será que a Câmara vai ter que contratar um geógrafo para atestar as coordenadas geográficas da capital do Estado natural do deputado? Sei não, mas não vejo como isso poderá alterar a votação. Será que nossos deputados são tão despreparados assim? Vão ser influenciados, no dia da votação, pelos sujeitos que votam antes deles?

Fico assistindo com certo receio: daqui a pouco vão pedir que se leve em conta o peso físico de cada deputado. Por exemplo, um gordo, um magro, um gordo, e assim por diante. Ou altos e baixos, sei lá, qualquer coisa que os distinga.

Uma perguntinha básica: por que não adotar a votação individual, por ordem alfabética? Por que simplificar, se podemos complicar?

Enquanto isso, no Legislativo, uma confusão dos diabos: afinal, aguardando a decisão do STF, os pobres deputados ficarão sem saber como deverá ser a votação. E vão dormir, nesta véspera de um dia muito importante, talvez sem saber se vão votar de acordo com a latitude da capital de seus Estados, ou de acordo com seu peso, ou de acordo com sua altura, ou de acordo com sua idade…

Gente, o Brasil está parado, literalmente parado e agora vai ficar à espera de decisões sobre questões tão miúdas assim?

Já no Executivo, além do eterno palanque de dona Dilma e sua verborragia agressiva, houve ontem uma curiosa entrevista do ministro polivalente Jacques Wagner.

Ao ser perguntado pelo entrevistador, Roberto D’Ávila, se a presidente Dilma governava com o fígado, respondeu que não se tratava disso, ela apenas é muito difícil de ser convencida de qualquer coisa que se afaste de seus rígidos princípios, muito ética.

Bonitas palavras, não acham? Vamos confessar, são palavras que poderiam descrever Abrãao Lincoln!

Pena que o ministro carioca-baiano tenha confundido teimosia e orgulho com ética!

Será que foi ética a ida de dona Dilma, em avião da presidência, a São Bernardo do Campo, para uma visita de desagravo ao ex-presidente, por ele ter sido levado a depor diante da PF?

… Será ético esse desprezo pela Imprensa, quando ela não dá entrevistas coletivas, mas sim convida só dez jornalistas, numa inexplicável escolha pessoal, para ouvi-la?
Ética?

Será que foi ético o envio de um termo de posse para o Lula, termo esse para ser usado como salvo-conduto pelo ex-presidente, caso a PF voltasse a bater em sua porta?

Será que tem sido ético o palanque que ela armou no Palácio do Planalto, lotado de mortadelas e salaminhos, para ouvir a veemente defesa que ela faz de seu mandato? Nessas reuniões absolutamente destemperadas, alguma vez se ouviu a presidente fazer um mea culpa de sua campanha que foi, isso sim, uma farsa, uma traição aos eleitores?

Será ético esse desprezo pela Imprensa, quando ela não dá entrevistas coletivas, mas sim convida só dez jornalistas, numa inexplicável escolha pessoal, para ouvi-la?
Ética?

Volto ao Judiciário: finalmente, uma decisão. A maioria do STF manteve o critério da Câmara para a votação do impeachment. Cansados, os ministros fazem uma pausa. No retorno, se bem compreendi, o que é duvidoso, resolverão qual vai ser a ordem dos Estados. Se por latitude, data da fundação, sei lá.

Como um bom roteiro de filme de suspense, o que vão decidir, na volta da sessão, ficará para sabermos amanhã. O que, desculpem, penso que pouca diferença fará…

De qualquer forma, não posso encerrar sem louvar a Deus: seja como for, ainda há juízes em Brasília!

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marihelena* Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa*

Lula e Chico no Rio: impeachment e caso de motel na Lapa

Não poderia ter sido mais mofado e constrangedor. Na segunda-feira, 11, noite histórica da aprovação, em Brasília, do relatório do deputado Jovair Arantes – eficaz como injeção na veia e de rápido efeito na indicação do impeachment da presidente Dilma Rousseff -, artistas, intelectuais (Chico Buarque de Holanda à frente), sindicalistas e empresários dos ramos da música, teatro, cinema, e do divertimento em geral, se reuniram no Rio de Janeiro. Todos no entorno do do ex-presidente Lula (ministro sem Pasta do governo cambaleante), e de Juca Ferreira (ministro da Cultura e maestro da Lei Rouanet).

Realizava-se, em dois tempos, o festivo ato político denominado “Cultura pela Democracia”, em defesa do mandato de Dilma, convocado pela Frente Brasil Popular, seguido de um protesto show nas proximidades dos Arcos da Lapa. Tudo transmitido (a título de nova cadeia da legalidade) em rede nacional pelas emissoras oficiais de televisão educativa, sob o comando da TV Brasil. Da reunião interna, com cerca de cinco mil pessoas na Fundição Progresso, ao comício de protesto sob o fabuloso cenário iluminado de cartão postal no centro da Cidade Maravilhosa.

O mal estar, na famosa gafieira carioca dos anos Lula-Dilma, começou com a fala de abertura, a cargo do autor e diretor teatral Aderbal Freire Filho. Ao seu jeito e maneira de, também, reconhecido animador cultural – em evidente contraste com a propalada “timidez” de Chico Buarque – , Aderbal emprestaria ao ato aquele tom meio fora de época, resultante da mistura improvisada, e seguramente ensaiada às pressas, da “fórmula neo petista de shows marqueteiros”. Nos moldes do antigo Partidão, de promover espetáculos políticos com tinturas literárias, musicais e culturais. Mas tudo piorou mesmo com o orador seguinte: o também polivalente ator, humorista e autor teatral, Gregório Duvivier.

O segundo dos dez programados para falar, ou fazer performance, no “breve ato de coleta de assinaturas e lançamento de um manifesto “contra o impeachment e pela democracia”. Antes do protesto ser levado, – em caminhada de seus participantes, (à frente José Celso Martinez, sacerdote maior do chamado “Teatro do Oprimido”, no Brasil dos anos 60/70) – para os Arcos da Lapa, fantástico espaço público histórico e cenográfico, de fama internacional, ali bem pertinho da Fundição Progresso.

No interior da famosa casa carioca de samba, dança e do concurso anual de marchinhas carnavalescas, – diante de Lula, Chico e Juca Ferreira, sentados na primeira fila do auditório montado no salão, Duvivier busca alguma tirada de efeito para a sua fala. Afirma não conseguir resistir à tentação de contar “uma piada picante”. E repete a história dos casais que se encontram “por infeliz coincidência” em um motel, cada marido acompanhado pela mulher do outro. Superado o susto e desconforto do primeiro momento, um deles sugere a maneira que ele julga “mais certa” para acomodar as coisas, a troca das acompanhantes. O outro reage: “esta pode ser até a forma mais certa de resolver isso, mas não é a mais justa, porque você está saindo e eu estou entrando”.

Fecham-se as cortinas, rapidamente, diria o genial Millôr Fernandes em sua antiga e famosa coluna “Pif-Paf”, na revista O Cruzeiro.

Duvivier falha, redondamente, na sua desastrada tentativa de motivar o auditório. O caso do motel, além de antigo e manjado, não se encaixa, também, na tentativa do humorista orador de estabelecer, em defesa da mandatária do Palácio do Planalto – e de seu padrinho e chefe ali presente -, uma espécie de comparação sobre quem ganha e quem perde com o impeachment. A narrativa espanta e, visivelmente, constrange boa parte da audiência, principalmente algumas das estrelas principais do ato político-cultural, sentadas nas cadeiras da primeira fila, do imenso salão transformado em palco e auditório.

A sambista Beth Carvalho dissimula mal e aparenta não prestar atenção ao orador; o sisudo frei Leonardo Boff, ex-arauto da Teologia da Libertação, alisa as barbas e cerra ainda mais o cenho, em sua demonstração de desconforto. O compositor, escritor e cantor Chico Buarque junta às mãos, como em oração e encena o ar malandro e maroto de quem reza para que aquilo termine logo. O ex- presidente Lula balança o corpo na cadeira em completo desassossego, vira-se de um lado para o outro, principalmente quando Duvivier capricha nos detalhes mais incômodos da piada de traição.

Finalmente, o humorista parece perceber que não está agradando. Grita “não vai ter golpe”, e deixa o palco de fininho. Cede a vez aos advogados e juristas Juarez Tavares e Luís Moreira, ambos no mais completo desalinho de trajes e discursos, réplicas cênicas quase perfeitas de causídicos saídos de um romance do falecido escritor russo, Máximo Gorki. Ou de uma peça do onipresente José Celso, nos “cruéis anos 70” – apropriação da frase do jornalista Luís Augusto Gomes (editor, na Bahia, do blog Por Escrito), ao fazer bem humorada narrativa da viagem de uma “semana de estudos”, em São Paulo, do “completo alienado” aluno da UFBA, no tempo ditatorial em que o general Garrastazu Médici mandava no Brasil.

Mas a transmissão da TV Brasil ainda mostraria a desconcertante índia Sonia Guajajara, trazida do Maranhão para o ato no Rio. Ela conseguiu, finalmente, levantar o ânimo dos presentes com seu crítico e retumbante discurso, na frente de Lula, à semelhança da fala da “adversária à favor”, desfiada dias antes pela atriz Letícia Sabatella, diante da mandatária Dilma Rousseff, em ato no Palácio do Planalto.

Depois veio a apoteose do ato no interior da Fundição Progresso. Nelson Sargento, aos 91 anos, legendário sambista carioca, recebe o abraço de Lula e Chico Buarque. Emocionado, diz que não iria conseguir mais dormir se não tivesse comparecido. Finalmente, o abraço dos dois maiorais do espetáculo se transfere para a veterana sambista Beth Carvalho, que se confessa honrada com a deferência e, para terminar, canta sua recentíssima composição:”Não vai ter golpe”.

Amaldiçoado seja aquele que pensar mal dessas coisas, diriam os franceses.

Mas ainda haveria o arremate: O ato público comandado pelo ex-presidente, fundador do PT, diante dos Arcos da Lapa. Antes de começar o seu discurso, Lula recebeu a notícia da derrota na Câmara, com a aprovação, por 38 x 27 votos, do relatório que recomenda o impedimento de Dilma, a ser votado em Plenário neste domingo, 17, apesar dos esperneios, barganhas e apelos governistas. Lula joga a culpa pela derrota em Eduardo Cunha e na “direita golpista”. À moda da raposa, na fábula das uvas não alcançadas, faz ironias e diz que não importa, “o que vale mesmo é a votação de domingo”. A conferir.

Chico Buarque abraça o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ato no Rio  (Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo )Chico Buarque abraça o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ato no Rio (Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo )

Blog do Noblat.

Estudantes de Coimbra pedem cassação do título dado a Lula

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No cartaz, Lula é chamado de “burro que vira doutor”

Carlos Newton

Demorou um pouco, mas enfim começa a acontecer. Na Universidade de Coimbra, os estudantes estão exigindo que seja cassado o título de “Doutor Honoris Causa”, conferido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como argumento, eles dizem que “no Brasil, quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, vira doutor”.

Eles exibem um cartaz inspirado no filme feito no Brasil sobre Lula e mudam o título para “Lula, burro que rouba vira doutor”.

Na parte inferior do cartaz, os universitários dizem que a situação é intolerável e exigem que a instituição retire o título concedido a Lula da Silva. O movimento é liderado pela Juventude Social-Democrata (JSD), que já publicou uma carta aberta ao reitor João Gabriel Silva, mas ele ainda reluta em rever a honraria concedida em 2011 ao ex-presidente brasileiro.

“CESSAÇÃO DAS CAUSAS”

“Clamamos, portanto, na sequência dos acontecimentos recentes, a anulação do grau de doutor ‘honoris causa’ a Luiz Inácio Lula da Silva por cessação das causas que fundamentaram a sua atribuição: o seu “prestígio internacional”, lê-se no documento.

Para os estudantes, “é apanágio desta nossa casa [Universidade de Coimbra] a transmissão da verdade, das boas práticas administrativas, da competência, transparência, defesa dos interesses públicos e não instrumentalização do magistério público em benefício pessoal”.

SINHÁ DEVERIA PEDIR PARA SAIR

Agora que os procedimentos formais na Câmara já foram iniciados e que a tese defendida pelo Governo de que o impeachment não é aplicável foi esmagada no Supremo, a presidente Dilma Roussef encontra-se na posição de esperar pelo desfecho aparentemente inevitável da sua queda e, em consequência, a paralização do país à procura de um rumo pós-tsunami político, econômico e social.

Estamos diante da possibilidade concreta da saída de Dilma Roussef nessas condições, enxotada do Planalto pelo Congresso, eventualmente com a perspectiva bastante próxima de rever seus correligionários nas instalações penitenciárias pelo lado de dentro por conta de malfeitorias praticadas por sua equipe e, ao menos durante a presidência do conselho Petrobrás, por atos administrativos que contêm sua assinatura.

Platão já escrevia, há mais de 2.000 anos, que a coragem que impele o soldado a vencer o medo e partir para cima do inimigo, por mais que a perspectiva seja negativa, é uma característica de pessoas menos virtuosas do que aqueles soldados mais racionais, que usam da sua experiência para compreender quando uma batalha não tem como ser vencida e retiram-se, poupando-se para outras lutas onde há alguma chance. A coragem do impetuoso não é decorrente de nada além da sua ignorância, que o incapacita para avaliar corretamente a situação.

O embate que se aproxima neste final de semana, que ocorrerá tanto pelas excelências dentro do Congresso quanto no gramado da Esplanada pelos hooligans  de ambos os lados ( me desculpem as pessoas sérias quer participarão do movimento, mas foi construido um muro para separar as torcidas…), não decidirá se o suspense continuará ou será interrompido. No caso de vitória da tese do impeachment, tudo isso continuará azucrinando os brasileiros até o desfecho no Senado. É um bocado de tempo para deixar o país paralisado e em decomposição. Caso o impeachment não passe pelos deputados, continuará o Governo defendendo seus amigos que cumprem pena por envolvimento em maracutaias oficiais. E ainda temos a avaliação da eleição, com evidências de financiamento ilegal por meio de dinheiro roubado da Petrobras e por outros mecanismos ainda não muito claros. Isto durará até o final do mandato ou, ao menos, até o início da campanha presidencial.

Todo esse suspense paralisa o país porque a presidente recusa-se a compreender que vai perder, que não adianta continuar enfrentando os fatos, que passou da hora de ir embora, antes que o prejuízo causado por sua permanência impossibilite a recuperação do país. Se ela saísse com a cabeça levantada, mesmo diante da inevitabilidade da derrota em caso de embate, poderia ao menos dizer, até que enfim, que fez alguma coisa claramente em favor do povo, evitando a continuidade de um antagonismo que prejudica a todos. Não que se possa esperar ato tão magnânimo de alguém tão pouco versada em regras de convivência civilizada. Mas bem que poderíamos ter a sorte de que ela tenha finalmente compreendido que seu momento já passou. Já fez tudo o que podia e, principalmente, o que não podia. Não que ela deva abandonar o barco à deriva. É necessário ao menos que a sua saída tenha o propósito de deixar algum arranjo que melhore as condições de quem for substituí-la. Vá com Deus…

PREPARANDO-NOS PARA O PIOR

Por via das dúvidas, melhor esperar amanhã. As indicações são de que a maioria dos deputados votará pelo impeachment da presidente Dilma. Certeza não há, mas as oposições contavam ontem com 349 votos, sete a mais do que o número necessário. As bancadas do governo fazem contas diferentes, esperam que apenas 308 se tenham comprometido com o afastamento de Madame.

O vento sopra no rumo dos adversários dos detetores do poder, mas o vento costuma mudar, não obstante as tendências.

A pergunta é sobre o que acontecerá neste domingo, entre o início da coleta de votos e o final da sessão, marcada para as 14 horas. Antes ou depois da meia noite, já na segunda-feira, lamentos e comemorações ocuparão Brasília e o resto do país. Vai quebrar o pau, seja de que lado for.

Não se supõe os manifestantes invadindo o palácio do Planalto, no caso, para expulsar a presidente da República. Ou sequer para carregá-la em triunfo, na outra hipótese. Ela mesmo terá tomado suas precauções, ou seja, buscado abrigo no palácio da Alvorada, residencia que ficará à sua disposição como moradia, enquanto durar o entrevero. Mesmo afastada da chefia do Executivo pelo máximo de 180 dias, ela aguardará o pronunciamento do Senado, a palavra final. Caraterizada a defenestração, sairá da História. Confirmada a permanência, precisará encontrar nova imagem para enfrentar a mais áspera de suas funções, de mudar o país de alto a baixo sob violenta rejeição.

O fenômeno que agora se desenvolve à vista de todos revela múltiplas faces. A primeiro, de que Madame não deu certo. Seus planos e programas de governo deram em nada na medida em que o desemprego multiplicou-se, as oportunidades minguaram, as fábricas fecharam, a atividade econômica escafedeu-se e os serviços públicos foram para o brejo. Há quem julgue exagerada essa visão e até faça parte de uma trama engendrada pelos economicamente poderosos para recuperarem seus privilégios. Afinal, certas iniciativas no campo social, estabelecidas pelo governo Lula, prejudicaram a vida das elites. Elas aproveitaram a oportunidade do fracasso na economia para tirar a forra. Claro que impulsionadas pela incompetência. Junte-se a isso a avalancha da corrupção, estimulada pelos que se imaginaram donos do poder, leia-se PT, Lula e penduricalhos.

Aí está o resultado: quase todos envolvidos nas facilidades de um sistema podre, de um lado, e outros em cobrar o tempo perdido. No meio, o cidadão comum. Será esse o que vai para as ruas, exigindo compensações? Pode ser que não, preparando-nos ainda para o pior…