Confirmado: Dilma e Lula traçaram plano para libertar e proteger empreiteiros

Filipe Coutinho e Ana Clara Costa
Época

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki homologou na quinta-feira, 14, a colaboração do chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral, Diogo Ferreira. Segundo a decisão do ministro, Ferreira confirmou que foi informado sobre o teor da conversa entre a presidente Dilma e Delcídio, em que a petista revelou ao senador a intenção de indicar o advogado Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo seria atrapalhar a Lava Jato e proteger os executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, conforme revelou Delcídio em sua delação, homologada em março. A participação do atual ministro da Advocacia-Geral da União, à época ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também é citada no documento.

Na delação, Ferreira também complicou ainda mais a situação do ex-presidente Lula e do filho do pecuarista José Carlos Bumlai, Maurício Bumlai, trazendo ambos para o centro das tentativas de impedir a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Ele relata ter participado de encontros com Maurício, de quem recebeu dinheiro para ser entregue à família de Cerveró. Foram três entregas de R$ 50 mil feitas por meio do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro — todas em São Paulo.

Ferreira apresentou como provas algumas trocas de mensagem de áudio e WhatsApp, combinando o local das entregas. Segundo a delação de Delcídio, Lula seria principal articulador da estratégia de “comprar o silêncio” de Cerveró.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caiu a máscara e daqui a alguns dias vai cair o pano. A presidente Dilma Rousseff não pode mais continuar a reviver o papel de Adriana Prieto no filme ”Soninha Toda Pura”. A chefe do governo é tão corrupta quanto Lula e os demais envolvidos na Lava Jato. Sabia de tudo, participou de tudo. Em breve, a verdade será toda revelada, quando vier à tona que Dilma também enriqueceu subitamente e hoje é proprietária oculta de um imenso latifúndio em Mato Grosso, que está em nome de um laranja e precisa ser invadido pelo MST para fins de reforma agrária. O suplício que ela hoje está passando é uma punição antecipada para quem já devia estar na cadeia, junto com seu mentor Lula, o ídolo dos pés de barro. E haja medicamento de tarja preta para enfrentar essa descarga

Reação Emocional De Dilma Ao Impeachment Colocaria Em Risco As Olimpíadas Do Rio!

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POR CESAR MAIA

… O governo federal, ao lado da prefeitura do Rio, tem sido fundamental para a realização dos Jogos Olímpicos. O Estado está quebrado e é carta fora do baralho. As obras -seja de equipamentos esportivos como urbanos- entram na fase decisiva de finalizações…

Publicado originalmente em post de 18 de abril de 2016, no Ex - Blog de Cesar Maia

1. Com a ampla, geral e irrestrita vitória do impeachment de Dilma, o Rio de Janeiro requer e precisa que o senador Renan Calheiros coloque imediatamente em plenário a votação da aceitação da denúncia contra a presidenta. Isto a afastaria das funções e permitiria que uma questão crítica e fundamental como os Jogos Olímpicos 2016 não tenha solução de continuidade, pois seria gravemente prejudicado.

2. O governo federal, ao lado da prefeitura do Rio, tem sido fundamental para a realização dos Jogos Olímpicos. O Estado está quebrado e é carta fora do baralho. As obras -seja de equipamentos esportivos como urbanos- entram na fase decisiva de finalizações.

3. A prefeitura do Rio está com sua capacidade financeira esgotada para essas obras. A finalização destas e, portanto, a realização dos Jogos Olímpicos depende crucialmente do governo federal. O primeiro ministro da Hungria, em reunião da IDC em Lisboa, dia 14/04, perguntou ao representante brasileiro Cesar Maia como estava vendo esse quadro. Maia respondeu que pode ser que os JJOO-2016 percam brilho mas que esportivamente está tudo bem. E ele perguntou: Mesmo com Dilma em situação de impeachment? Maia disse que sim. Assim também perguntaram diversos outros líderes. Mas…, é exatamente assim?

A conhecida forma de Dilma reagir com o fígado aos desafetos -pessoas e situações- traz a certeza que nada fará daqui por diante pelos JJOO. Faltam 3 meses apenas. Prazo estreito para as decisivas finalizações dos equipamentos olímpicos e urbanos.

4. Tem razão o premiê da Hungria. Em seu blog, sábado 16, no Globo Online, o jornalista e colunista Jorge Bastos Moreno escreveu: “A presidente Dilma confessou a um interlocutor sua imensa decepção com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, de quem disse que ‘não esperava tamanha traição’ na votação do impeachment: — O Cabral, não! Ele já tinha votado contra mim uma vez. Dele eu não espero nada. Mas, o Paes, por tudo que já fiz por ele, sua posição agora me entristece muito”.

5. A conhecida forma de Dilma reagir com o fígado aos desafetos -pessoas e situações- traz a certeza que nada fará daqui por diante pelos JJOO. Faltam 3 meses apenas. Prazo estreito para as decisivas finalizações dos equipamentos olímpicos e urbanos. E não há alternativa fora do governo federal em quase todos os casos relativos a finalizações.

6. A Polícia do Rio de Janeiro, que vem recebendo com atraso, e seus aposentados e pensionistas (muitas vezes pais e mães de policiais, que receberão o salário de março em maio) precisam ter suas remunerações, proventos e pensões, em dia, assim como gratificações e funcionamento de seus equipamentos de mobilidade e comunicação. Se o governo do Estado do Rio não tem esses recursos, cabe ao governo federal adiantá-los, completando o necessário. Uma operação padrão durante os JJOO teria delicadas repercussões.

7. Por isso tudo, o Senador Renan Calheiros, presidente do Senado, precisa imediatamente -quem sabe amanhã mesmo- pautar a matéria e o Senado aceitá-la, o que parece não ser problema e afastar a presidenta até o julgamento. Collor -por uma ou outra razão- renunciou nesse momento, abrindo o espaço para a assunção do vice-presidente Itamar Franco.

8. Isso é importante para todo o país, mas para as Olimpíadas do Rio de Janeiro é fundamental e decisivo. Em seguida, o vice-presidente Michel Temer designará uma autoridade de sua confiança com plenos poderes para representar o governo federal e suas obrigações, em relação às etapas finais garantidoras dos JJOO-2016. É isso que o Rio espera e aguarda com ansiedade.

A farsa de Marina Silva atinge o estado da arte

Há quatro meses, Rede divulgou uma nota contra o impeachment; agora, o partido diz ser a favor, mas insiste no “nem Dilma nem Temer”. Como de hábito por lá, nada faz sentido!

Por: Reinaldo Azevedo

 

Sempre considerei Marina Silva uma notável farsante política. Ela só era mais sutil. O tempo está fazendo com que se torne mais explícita. Uma nota sobre o passado: o mensalão não foi o bastante para escandalizar o seu padrão ético. Nem o caso dos aloprados. Afinal, ela era da turma da clorofila…

Só deixou o governo e o PT quando Lula resistiu à tese da “transversalidade” de seu ministério. Na prática, Marina queria ter direito de voz, voto e veto em todos os projetos que envolvessem infraestrutura. O Babalorixá não quis lhe entregar o governo, e ela se demitiu. Não foi por amor à democracia — ou teria saído antes. Foi por causa de seu temperamento autoritário. Adiante.

Marina se manteve prudentemente longe dos embates do impeachment. O primeiro grande ato aconteceu no dia 15 de março do ano passado. E não é certo afirmar que ela não deu um “pio”. Deu, sim! Contra o impedimento. Não só os seus ditos “marineiros” ficaram distantes do embate como ela bombardeou a tese mesmo.

Seus fiéis se dedicaram a combater Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Nesse particular, fizeram bem. Mas deixaram Dilma de lado. O jogo desta senhora era claro: torcia para que Dilma ficasse até 2018, com o país esfrangalhado. Assim, ela, Marina, poderia herdar o espólio da esquerda.

No dia 4 de dezembro do ano passado, a Executiva Nacional do partido divulgou uma nota em que dizia que a denúncia que estava na Câmara não apresentava matéria nova em relação à anterior, “já analisada pela Rede como insuficiente para redundar em impeachment”.

Quando Marina percebeu que o impedimento havia se tornado inevitável, aí aderiu à tese. Mais de um ano depois da primeira grande manifestação. Sabem cumé… O representante do partido na Comissão Especial do Impeachment, no entanto, Aliel Machado, ex-PCdoB, votou contra o relatório. Na Câmara, dois deputados disseram “sim” ao texto: Miro Teixeira (RJ) e João Derly (RS). E dois se opuseram: além de Aliel, o ex-petista Alessandro Molon (RJ). Um pé em cada barco.

Nesta segunda o partido divulgou uma nota que é um primor da mistificação. Declara apoio ao impeachment, sim, e emenda:
“Há clareza na sociedade de que o partido do vice-presidente Temer é tão responsável pela crise política, ética e econômica quanto o partido da presidente Dilma”.

Não se trata de questão de gosto: isso é apenas uma mentira. O PMDB é, sim, sócio do poder, mas a política econômica que conduziu o país à ruína é obra do PT. Mais: também é o partido que definiu o padrão de moralidade das negociações políticas. O que não quer dizer que não haja criminosos no PMDB.

Mais adiante, afirma o texto: “Também há clareza de que Eduardo Cunha não pode continuar na presidência da Câmara dos Deputados e que Renan Calheiros não pode continuar na presidência do Senado, pois ambos estão profundamente envolvidos nos fatos que vêm sendo revelados”.

O que uma coisa tem a ver com outra? O impeachment de Dilma não tem relação de causa e efeito com a situação de Cunha e Renan, que eu também queria fora do Parlamento.

Como, no fim das contas, tudo não passa de puro oportunismo, falta coerência interna à nota. Lá está escrito:
“A solução passa pela Justiça Eleitoral, que investiga o uso de dinheiro da corrupção para a campanha de Dilma e Temer. A Rede Sustentabilidade confia que o Tribunal Superior Eleitoral julgará com a celeridade possível as denúncias de fraude eleitoral da chapa Dilma/Temer nas eleições de 2014, devolvendo à sociedade o poder de decidir o futuro do país.”

Ora, se é assim, então que se deixe o impeachment pra lá.

O ponto é o seguinte: Marina se diz favorável ao impeachment, mas, de verdade, é contra. Afinal, se impeachment houver, o presidente será Michel Temer, e a nota do partido termina com “Nem Dilma nem Temer”.

Eis Marina Silva! O segredo desta senhora sempre está em ter todas as opiniões para não ter nenhuma.

As armas de Dilma para escapar da degola

Dilma Rousseff e Renan Calheiros (Foto: Divulgação)

Ricardo Noblat

Seria um exagero dizer que Dilma espera contar com duas armas poderosas para ajudá-la a derrotar a aceitação do impeachment pelo Senado. Mas, afinal, são duas armas nas quais ela põe fé. E são as únicas, no momento, que ela imagina dispor.

A primeira: Renan Calheiros (PMDB-AL), o todo-poderoso presidente do Senado. É fato que ele responde a sete inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), mais do que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) responde. No entanto… Ninguém liga para isso.

Quem sabe se Renan, que não gosta de Temer, que também não gosta dele; quem sabe se Renan não usa de toda a sua influência para salvar Dilma? O que ele ganharia? O que pedisse, ora. Resta saber se Renan não preferirá pedir a Temer a pedir a Dilma.

A segunda arma de Dilma: a ministra da Agricultura Kátia Abreu. Pois é, acredite. Kátia é também senadora. E Dilma pensa em despachá-la de volta ao Senado para, ali, costurar apoios contra o impeachment.

É fato que Kátia só conseguiu um voto para derrotar o impeachment na Câmara: o do seu filho Irajá Abreu (PSD- TO). Mas quem sabe no Senado ela não será mais bem-sucedida? Kátia é muito querida entre os senadores. No passado, já foi mais querida por Temer.

Em conversa, ontem, com amigos em São Paulo, Lula jogou a toalha. Não acredita nas chances de o Senado se recusar a julgar Dilma. E basta que não se recuse para que a sorte final de Dilma seja selada – a cassação dos direitos políticos e do mandato.

Se Renan não der um jeito, se Kátia não der, restará a Dilma uma última esperança: a inegável disposição, até aqui, do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STF, em ajudá-la. Será ele que presidirá o julgamento no Senado como manda a lei.

Em socorro a Dilma, ele voltou a repetir, ontem, que se o governo entrar com um recurso no STF, caberá ao plenário decidir se analisará ou não o mérito do processo do impeachment contra ela. O governo pensa em entrar, sim.

Lewandowsk sente-se devedor de Lula e, principalmente, de dona Marisa, mulher de Lula. Foi por indicação dela que seu nome passou a ser examinado pelo então presidente da República como candidato a uma vaga de ministro no STF. Acabou emplacando.

No julgamento dos mensaleiros, Lewandowsk fez o que pôde para amenizar as penas de vários deles. Esbarrou no ministro Joaquim Barbosa, então presidente do STF. O que ele aspira agora é trocar o tribunal por outro bom emprego. Uma embaixada, talvez.

Se sobrevivesse no cargo, Dilma certamente levaria isso em conta.

Lula voltará aos cuidados de Moro

Não faz mais diferença para Lula ser ministro ou não. O governo de Dilma está a menos de 30 dias do seu fim. E no governo de Michel Temer, não haverá lugar para ele

Curitiba te espera Lula (Foto: Arquivo Google)

Ricardo Noblat

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará, amanhã, a posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República. Ela foi suspensa por liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes.

Parecer de Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, recomenda a anulação da posse por considerá-la “um desvio de finalidade” praticado pela presidente Dilma.

À época, Lula temia ser preso pela Lava-Jato, que investigava a compra de um tríplex na praia do Guarujá e a história suspeita do sítio de Atibaia reformado de graça por empreiteiras.

Como Ministro de Estado, ele escaparia da Lava-Jato e do especial rigor do juiz Sérgio Moro. Doravante, só poderia ser investigado e julgado pelo STF.

A essa altura, não fará mais diferença para Lula ser ministro ou não. O governo de Dilma está a menos de 30 dias do seu fim. E no governo de Michel Temer, não haverá lugar para ele.

Uma vez que o Senado aceite julgar Dilma, ela será obrigada a afastar-se do cargo. O Senado terá então um prazo de 180 para decidir a sorte dela em definitivo.

Lula não precisou de cargo para ajudar Dilma a salvar-se do impeachment na Câmara dos Deputados. Ajudou e ela foi derrotada. Em breve, ele voltará aos cuidados do juiz Moro.

Dilma Rousseff não tem a menor chance de reverter o impeachment no Senado

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

O levantamento que o jornal Estado de S. Paulo vem fazendo no Congresso é altamente confiável e acertou em cheio a tendência da votação na Câmara. Os números do Estadão serviram de base para que o comentarista Wagner Pires conseguisse prever na Tribuna da Internet o resultado com absoluta exatidão , já que a margem de erro em seu cálculo era de apenas 0,1%, com 99,9% de acerto, conforme realmente ocorreu.  

A pesquisa do Estadão tem este grau de exatidão, porque o jornal divulga em seu site e publica diariamente as intenções declaradas de voto dos parlamentares em relação à abertura de processo por crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff. Mostra o posicionamento de cada parlamentar, exibindo sua foto.

Agora, as atenções se voltam para o placar referente à próxima votação no Senado. Num universo de 81 votos, faltam ser declarados apenas 15. O detalhe mais importante é que o placar está aberto a mudanças. Caso o senador mude seu posicionamento, pode fazê-lo com a maior facilidade, bastando enviar um e-mail para o Estadão. Simples assim.

CONFIABILIDADE

Este tipo de levantamento praticamente não tem margem de erro, porque não se trata de uma pesquisa como as que se feitas em eleições normais, com alta margem de erro e sempre sujeitas a manipulações. Como o universo dos votos é muito limitado (no caso do Senado, são apenas 81 votos), pode-se dizer que não se trata de pesquisa eleitoral, mas de uma contagem antecipada dos votos.

O Globo diz que já existem 50 votos a favor do impeachment.  Mas vamos ficar com o levantamento do Estado, que dá o seguinte placar: 46 a 20 no Senado, com 15 indecisos ou que não revelam o voto. Numa hora dessas, demonstrar indecisão geralmente é sinal de que o parlamentar está disposto a negociar o voto. Como o Estadão publica diariamente os nomes e as fotos de todos os senadores, esses indecisos recebem milhares de e-mails desaforados, é um suplício.

CONHEÇA OS INDECISOS

Na listagem do Estadão, continuam indecisos Edison Lobão (PMDB-MA), Hélio José (PMDB-DF), Raimundo Lira (PMDB-PB), Wellington Fagundes (PR-MT) e Benedito Lira (PP-AL). E não quiseram revelar os votos Eunício Oliveira (PMDB-CE), Jader Barbalho (PMDB-PA), Renan Calheiros (PMDB-AL), Sandra Braga (PMDB-AM), Acir Gurcaz (PDT-RO), Elmano Ferrer (PTB-PI), Fernando Collor (PTC-AL), Otto Alencar (PSD-BA), Roberto Rocha (PSB-MA) e Walter Pinheiro (ex-PT-BA).

Entre todos eles, a situação pior é a de Fernando Collor, que está tendo o constrangimento de participar de um processo que lhe faz recordar o maior fracasso de sua vida. O mais jovem presidente que o país teve foi uma decepção. Agora, 24 anos depois, a primeira mulher a ocupar a Presidência conseguiu ser pior do que Collor.

 

O FILHO É TEU, EMBALE!

Brasília – Caso Michel temer chegue ao governo, como tudo indica, ele não pode se assessorar de amigos inconvenientes que serviram ao PT e foram descartados. Muitos desses senhores até pouco tempo viviam se empurrando na fila pra ver quem chegava primeiro ao gargarejo. No primeiro sinal de perspectiva de poder, alguns dos seus homens leais pularam do barco petista para conspirar contra o governo que acabara de servir. Não se pode apostar um tostão furado nesses senhores de mão dupla. Mas Temer vai se deparar até lá com um problema ainda maior: o que fazer com o Cunha, do seu partido,  atolado em crime de suborno? O presidente da Câmara é para ele o que foi Dirceu, Vaccari e Delúbio para o PT, auxiliares, e artífices da quadrilha chefiada por Lula.

 

Cogita-se, não se sabe se por ideia de Temer, em pedir ao Cunha para renunciar ao cargo de presidente da Câmara. Receberia, em compensação, um castigo menor, tipo uma suspensão ou até mesmo uma advertência pelos malfeitos de que é acusado. Sem perder o mandato, responderia aos processos no fórum privilegiado, aquele do STF que todo mundo quer pensando na impunidade. Se ainda não combinaram com os russos, fica difícil emplacar essa alternativa para salvar o Cunha, cada vez mais chafurdando na lama da Lava Jato.

 

Se nada acontecer até lá e Temer chegar ao poder, é preciso fazer uma triagem  para purificar esse modelo político de gestão. Reduzir, por exemplo, a quantidade de ministério e derrubar quase todos os cargos comissionados; fazer um governo transparente, reduzir o custeio, tornar público os gastos que ficam sob o tapete; e recuperar a economia e a credibilidade do país, imprimindo uma marca honesta e austera de gastos. Mas é nesses dois itens finais que o bicho pega. Como fazer um governo austero com Cunha ainda sobrevivendo no parlamento? O governo da Dilma começou a se desmanchar quando ela tentou fazer uma faxina e o PT não deixou. Todos os ministros corruptos que ela demitiu, o Lula readmitiu. A partir daí, ela percebeu que ganhou nas urnas, mas não ia governar.

 

Depois que se acomodou numa convivência diária com a quadrilha petista, Dilma entregou o governo ao Lula e desde o início do primeiro mandato passou a despachar com o chefe com medo de errar. A gerentona virou uma serviçal do antecessor. Temer corre o risco de também ser engabelado por muitos de seus amigos que estão na lista negra do juiz Sergio Moro. E se quiser governar com seriedade, teria que mandar meia dúzia desses peemedebistas para casa para não ser contaminado já nos primeiros dias de governo.

 

Eduardo Cunha já mostrou que não entrega a rapadura facilmente. Vai cobrar caro de Temer o fato de ter comandado o processo de impeachment que deixa Dilma a um degrau da queda. Quer uma contrapartida por colocá-lo na marca do pênalti. Tem serviço prestado na Câmara dois Deputados e enquanto a maré for favorável, ele vai administrando o seu processo de cassação até o PMDB chegar ao poder quando ele então apresenta a fatura.

 

Mas se Cunha está pensando numa escora segura para não cair, certamente ainda não fez uma leitura cuidadosa dos movimentos de rua e não atentou para a mudança de postura de um segmento da Justiça brasileira que está botando na cadeia políticos, empresários e lobistas . O povo, na rua, exige mudanças rápidas e não vai ser mais tolerante com a corrupção. E o poder, só o poder, como vimos agora, não basta para garantir que Cunha saia impune de todos esses processos.  Além disso, Temer, se quiser governar, não vai querer embalar esse filho bastardo. Portanto, presidente Cunha, trate de reforçar a sua banca de advogados. O bicho vai pegar.

O DIA SEGUINTE

Depois de uma longa jornada, a Câmara dos Deputados, através de 367 Deputados admitiu a abertura do processo de impeachment sobre a Presidente da República.

Meu voto acompanhou a decisão do meu partido – O PTB, principalmente após a Comissão Especial aprovar o parecer  apresentado pelo meu líder, Deputado Jovair Arantes.

Certamente, aguardamos uma definição mais rápida do Senado Federal no sentido de devolvermos um novo ritmo para a economia brasileira.

Tenho a plena confiança que Michel Temer irá restaurar a dignidade do cargo e poderá mudar os rumos das relações com a sociedade brasileira.

Nessa nova gestão, vamos buscar o diálogo para que façamos reformas estruturantes, tais como: um novo pacto federativo,  onde os municípios sejam valorizados, a agricultura mais competitiva com uma redução nos gargalos logísticos e acesso a  mercados não explorados, haja mais  recursos para a inovação e a melhoria da educação e saúde. Reitero que são pontos importantes para o novo governo.

É importante a redução de ministérios, dos cargos comissionados e rever as despesas de programas sociais, muitos deles cumulativos que acabam trazendo despesas desproporcionais ao país.

Reformas política e tributária são, sem dúvida nenhuma, cruciais para o nosso país, cujos reflexos poderão transformar o Brasil numa das grandes potências mundiais.

É fundamental uma nova filosofia de crédito para agricultura, comércio e indústria visando a geração de empregos no país.

O que podemos fazer para equacionar, resolver ou superar esses problemas?

Precisamos, antes de tudo, difundir por toda a população, e especialmente nas classes dirigentes do país, a consciência desses objetivos e desses problemas. E mais: é indispensável que se generalize o conhecimento do mecanismo das condicionantes e da forma de influir sobre esses processos de desenvolvimento.

A história se repetiu. Falta de apoio na Câmara dos Deputados, corrupção desenfreada, equipe ministerial ineficiente e uma política econômica extremamente fragilizada, resultaram em uma grande insatisfação popular. O remédio, embora amargo, não poderia se não o único disponível na nossa Constituição, o impeachment.

Por fim, o Brasil precisa se reerguer na economia e na política. As forças de nós congressistas terão um importante papel nesse encaminhamento.

 

Nelson Marquezelli é deputado federal pelo PTB-SP.

A DOENÇA DA SAÚDE

Ao que tudo indica, desabamos sobre o gélido e paralisante fundo do poço: na saúde pública, a seca do financiamento e dos modelos de gestão e assistência debilita o sistema; enquanto, no setor privado, o desemprego prejudica a sustentabilidade econômica das operações. Como resultado da frágil rede de proteção social e da diminuição do acesso à medicina privada, o SUS inflama, arrastando-se sobre verbas contingenciadas e uma estrutura gerencial em estágio de falência.

No redemoinho social, econômico e político brasileiro, que empurra todos nós para o precipício, a disseminação de grandes patologias infectocontagiosas adicionam uma problemática, levando as pessoas a um estado ora de imobilidade, ora de insensatez ou até de delírio absoluto.

A saúde adoeceu. E há pelo menos três grandes focos de atenção que irão sentenciar a nossa capacidade de recuperá-la e de inverter o nosso destino.

O primeiro pilar, goste ou não desse pensamento, é o crescimento econômico. O Brasil investe 9,5% do PIB em saúde – 4,3% desse montante provêm da esfera pública; os outros 5,2%, do setor privado. O que, comparado ao investimento de países desenvolvidos, revela-se insuficiente: nessas nações, somente o governo destina de 9% a 10% do PIB ao setor, sem contar os recursos privados. Mais algumas contas e você descobrirá que o investimento público per capita na saúde, em nosso País, gira em torno de 1250 reais ao ano, o que representa pouco mais de 100 reais por pessoa ao mês. E é assim que a saúde do brasileiro sobrevive.

Perceba: saúde não tem preço – mas tem custo. Se não empurrarmos a roda econômica, não há salvação.

O segundo ponto de discussão remete à ideia de que o investimento em saúde não se resume ao dinheiro aplicado especificamente na área; ele compreende um conjunto de esforços que a sociedade deve fazer em diversas frentes associadas ao bem estar – saneamento básico, moradia, alimentação, lazer, educação.

Gosto de pensar que saúde não é só direito, mas dever do cidadão. Porque, se ele não se engajar na defesa de seus interesses, cobrando organização e resultados de seus representantes no governo, a responsabilidade será inteiramente delegada a um Estado que, por mais que diga o contrário, não possui uma visão madura sobre desenvolvimento social.

Há coisas que precisam ser ditas até que se tornem ação e modifiquem os contornos da realidade. E a terceira razão do padecimento da saúde no Brasil é que somos um dos poucos países no mundo onde os cargos políticos que importam, estratégicos para o funcionamento do sistema, são negociados. Essas pessoas se comportam como querem, como que disfarçando a ditadura de democracia, e esquecem que o mandato que exercem pertence ao povo.

Quando os governantes renunciam ao compromisso de fazer o bom, o correto e o adequado, criando constrangimentos para a sociedade, isso significa que o mandato perdeu significado para o povo. Demonstra que a confiança foi extinta. Só que os detentores do poder (aqueles que nos servem como cidadãos) ignoram que manter suas posições fará a ruína das conquistas sociais que tivemos, inclusive na própria saúde.

E se todos forem defenestrados? E se nos restar apenas vazio e destruição?

Bem, assim como ao final de uma grande guerra mundial, nasce o desejo de regeneração, dentro de um ambiente favorável a isso. Podem até sobrar dúvidas e polaridades, mas as diferenças, nesse novo contexto, tornam-se impulsionadoras da reconstrução e do aprimoramento. Essa é a cura para a nossa saúde.

Francisco Balestrin é Presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) e Presidente eleito da Associação Mundial de Hospitais (IHF)