Educação
Sem Lula, sobrou para Molon

Líder da bancada da Rede na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon se viu no meio de uma confusão, após dar palestra na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Ali pregou novas eleições como solução para a crise política, mas nem um pio sobre onde o TSE arranjará dinheiro para o pleito. Alunos cobravam investimentos e o pagamento de direitos trabalhistas a professores e funcionários.

A Dilma que hoje ataca as instituições é a mesma que pertenceu a organizações terroristas

Enquanto não for deposta, esta senhora é chefe de governo e de Estado e tem de se comportar com mais compostura

Por: Reinaldo Azevedo

Coitada da ainda presidente Dilma Rousseff! Antes, ela não juntava lé com cré. Com o passar do tempo, passou a não juntar cré com lé. Não é só o PT que decidiu sabotar o país. Também ela se dedica a esse nobre mister. Vou insistir nesta tecla: esta senhora está cometendo novos crimes de responsabilidade. Ao insistir que o processo de impeachment é golpe, atenta contra seis dos sete Incisos do Artigo 85 da Constituição.

Na segunda, ela concedeu uma quase-entrevista a jornalistas brasileiros; neste terça, foi a vez de a imprensa estrangeira ser contemplada com seu fino pensamento. Entre outras delicadezas, disse isto:

“O Brasil tem um veio que é adormecido, um veio golpista adormecido. Se acompanharmos a trajetória dos presidentes do meu país, a partir de Getúlio Vargas, vamos ver que o impeachment sistematicamente se tornou instrumento contra os presidentes eleitos”.

É um disparate típico da ignorância. De qual Getúlio está a falar? O da primeira fase, por exemplo, deu dois golpes: o de 1930 — que a esquerda passou a chamar “revolução” — e o de 1937. Como o ditador é herói dos companheiros, ela certamente se refere ao segundo, que acabou dando um tiro no próprio peito por vontade — ninguém a tanto o obrigou — e como desdobramento de sua própria incapacidade de conviver com a democracia. Mas, de novo, foi socorrido pelos historiadores de esquerda, e só seus adversários passaram para a história como golpistas.

Ainda hoje, a mistificação triunfante pretende enxergar duas linhas de continuidade no país, que estariam em constante choque: a do suposto golpismo udenista e a do suposto progressismo que seria caudatário justamente do getulismo — embora Getúlio tenha sido o mais feroz ditador da República. Um dia será preciso libertar também a historiografia do cerco da empulhação.

Veio adormecido do golpismo? O PT denunciou Itamar Franco e FHC por crime de responsabilidade. Isso é apenas um fato. E não o fez porque convicto de que tivessem mesmo violado a Constituição. Era só parte da luta política. Era só coisa de golpista. É o mesmo espírito que levou o partido a se negar a reconhecer a Constituição de 1988; a se opor à Lei de Responsabilidade Fiscal; a combater as privatizações; a pôr a tropa na rua contra a reforma da Previdência — isso tudo quando estava na oposição e procurava inviabilizar o governo alheio.

Na situação, o PT foi protagonista do mensalão, do dossiê dos aloprados de 2006, do dossiê dos aloprados de 2010 e do petrolão. O primeiro e o quarto escândalos — que são praticamente um só em tempos diferentes — representam um assalto à institucionalidade propriamente. É o modo como o PT entende a gerência do Estado brasileiro. Os outros dois são práticas asquerosas que buscam fraudar a vontade das urnas.

E é Dilma que anuncia ao mundo o chamado “veio golpista”? A propósito: e as vezes em que as esquerdas recorreram às armas no Brasil, inclusive as organizações terroristas às quais Dilma serviu? Estávamos ou não diante do tal “veio”? Ou será que almas golpistas são apenas aquelas que se opõem a Dilma?

Sejamos mais específicos: a má Dilma do passado ainda está na Dilma do presente. A ditadura tornava pardos todos os gastos. Agora, cada gato é visto por aquilo que é. E Dilma, dado o seu discurso, continua a odiar a democracia.

Eduardo Cunha, prestes a se salvar na Câmara e visto como útil para Temer

Apesar de 77% defenderem cassação do deputado, ele costura pena branda no Conselho de Ética

Rodolgo Borges, El País

Quantas vidas tem Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara? Na semana anterior à votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, especulava-se que o peemedebista não teria condições de se manter à frente da Casa após o último domingo. Sem a blindagem do processo que conduziu de forma expressa — e potencialmente nocivo a um futuro Governo Michel Temer —, Cunha, que enfrenta processo por quebra de decoro no Conselho de Ética, seria jogado à própria sorte. Mas o recebimento do impeachment pela Câmara parece ter dado força ao peemedebista, e ao menos um aliado de Temer no parlamento disse ao EL PAÍS que Cunha poderia ser útil ao cada mais provável novo Governo.

Apesar da impopularidade de Cunha pelas ruas do Brasil — 77% da população gostariam de vê-lo cassado —, é inegável a satisfação dos deputados com sua presidência. Desde que foi eleito para o cargo, em fevereiro de 2015, Cunha elevou a Câmara a uma posição de protagonismo em Brasília. Questionado se sente algum constrangimento por ter um presidente investigado por corrupção, já que Cunha também virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta da Operação Lava Jato, o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS) preferiu destacar as competências do colega de partido. “Ele chega aqui todos os dias às 8h. Nos dá todas as condições de trabalho.”

Outro peemedebista do Sul, o deputado Darcísio Perondi (RS) foi um dos líderes do Comitê do Impeachment, é próximo do vice-presidente, e, antes mesmo da aprovação do impedimento na Câmara, já projetava o futuro Governo Michel Temer. Para ele, alguém com a habilidade e o conhecimento de Cunha seria ideal para conduzir as reformas que os partidários de Temer enxergam necessárias no Governo. Os benefícios, do seu ponto de vista, seriam maiores que os malefícios de imagem que Cunha poderia causar à imagem de Temer — no discurso dos apoiadores da presidenta Dilma Rousseff, o presidente da Câmara agiu pelo impeachment em parceria com o vice-presidente da República.

DILMA, A FARSANTE

Brasília – Se a população ainda tinha dúvidas sobre a capacidade política e intelectual da Dilma para governar o país, começa a dissipá-las agora quando assiste perplexa as bobagens que ela diz nas entrevistas coletivas que concede à imprensa local e a estrangeira. Ao falar aos jornalistas brasileiros depois da admissibilidade do impeachment, a presidente parecia que estava navegando em outro mundo, uma extraterrestre flutuando em outro planeta. Passiva diante da situação, mostrava-se sonâmbula, mas aparentemente convencida de que brevemente voltará para casa para cuidar do netos. Quando tentava se esforçar para dizer uma frase mais inteligente, saia com asneira desse tipo “a sociedade humana”.

 

A conversa com os jornalistas estrangeiros então foi um desastre só. Fica difícil para os jornais de outros países decifrarem o que a presidente do Brasil quer dizer. Não existe, nos idiomas lá fora, tradução que chegue perto do que que ela fala. Disse, por exemplo, que não tem culpa da estagnação econômica, do caos administrativo e da corrupção generalizada. Culpa a China pela retração do mercado, acusando-a pela queda das commodities que frearam as exportações brasileiras. Não consegue concatenar um raciocínio lógico sobre nada, o que a impede de ser objetiva ou clara sobre qualquer assunto.

 

O Brasil de tantos talentos na área da cultura, da literatura e da ciência parece que de uma hora apagou-se. Tudo isso é decorrência de quase uma década e meia de descaso na educação e no desenvolvimento do país. A decadência começou com a ascensão da “República Sindical”. Um bando de pelegos viu-se de uma hora para outra administrando as principais empresas públicas e liderando o ensino do país com o aparelhamento do Estado. Chefiando-os um presidente despreparado que fazia apologia do analfabetismo. Muitas vezes enalteceu a sua própria ignorância: “Se eu cheguei, que não estudei, você também pode chegar ao maior cargo do país”, disse certa vez o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, o representante, à época, de mais de 200 milhões de pessoas, para delírio de muitas delas, seus fãs.

 

A Dilma – que chegou a presidência falsificando o currículo acadêmico -, logo acostumou-se a ignorância e a promiscuidade dos seus companheiros petistas. Todos se lembram da sua frase cínica, antes da campanha, de que “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Ali ela já sinalizava que já tinha aderido aos predicados rasteiros dos bastidores contaminados da companheirada. Viu, no cercadinho do gabinete do chefe, quando era seu auxiliar, o tratamento que ele dava aos seus assessores, humilhando-os com impropérios. Por isso, assim que assumiu a presidência procurou também imitá-lo com a arrogância e a prepotência de quem nunca se preparou para um cargo como o de presidente da república.

 

Regozija-se de ser honesta, de nunca ter metido a mão na lama. Mentira. A maracutaia na Petrobrás começou quando ela presidiu o conselho da empresa. Autorizou que a estatal comprasse uma refinaria sucateada no Texas por quase l bilhão de dólares. Quando o escândalo surgiu, procurou se safar dizendo que foi iludida. Ora, como alguém assina um contrato bilionário sem pelo menos analisar com cuidado os seus termos? Na confissão, passou recibo de idiota, e demonstrou o despreparo para exercer qualquer cargo público.

 

Quer passar a imagem de coitada, enganada, ludibriada, quando se apresenta nas coletivas de imprensa. Não engana. Foi forjada dentro da cúpula petista. Assistiu, com assento privilegiado, as arrumações para reeleição de Lula e para as suas duas campanhas. Conhece, como ninguém, toda trapaça que o PT fez para esvaziar os cofres das empresas públicas e manter o seu projeto de se perpetuar no poder. Além disso, é conivente com o crime quando mantém ao seu lado o Edinho Silva, ministro, acusado de achacar empresários e de receber quase 8 milhões de reais para a campanha dela. Está cercada não de assessores, mas de futuros presidiários que começarão a ser enjaulados assim que o poder se esvair.

 

Então, doutora Dilma, diante desses fatos escabrosos e do seu envolvimento com os escândalos, não tente mais iludir a população. Mostre dignidade e deixe o cargo, antes que o povo a ponha na rua pela porta dos fundos do Palácio do Planalto.

RENAN E O PT: CONTAS A AJUSTAR

Terá a presidente Dilma adquirido humildade, perdendo a empáfia e a presunção responsáveis por sua derrota na Câmara, domingo? Possível, a hipótese pode ser, mas verdadeira, dificilmente. A causa da queda parece longe de pedaladas e de decretos espúrios, pois assenta-se na postura antes absolutista de Madame, por seis anos e pouco situando-se acima do bem e do mal, dona das vontades alheias e infensa a julgar-se como uma comum dos mortais.

Sua entrevista de segunda-feira não teve o dom das confissões espetaculares, mas bastou como peça de defesa na medida em que ela abdicou da condição de Madre Superiora do Convento. Não deixou de acusar os adversários vitoriosos no primeiro round da batalha do impeachment, mas pelo menos anunciou a disposição de manter a luta, agora no Senado. O mesmo sentimento de rejeição à sua postura autoritária registra-se entre os senadores, ainda que se torne difícil assistir na segunda votação 54 senadores entre 81 dispostos à sua degola definitiva. Há espaço para a resistência, mesmo difícil. Na beira do abismo, ainda lhe sobram forças para lutar pelo mandato.

O grave na tertúlia ainda em andamento é que o país continua em frangalhos, sem governo. Não há espaços no palácio do Planalto para se cuidar da recuperação nacional, pois enquanto Dilma luta para salvar a pele já chamuscada, Michel Temer contenta-se em planejar a volta por cima, que ainda lhe é vedada.

Não cessou por completo a euforia dos vitoriosos de domingo. Soldados de Eduardo Cunha aguardam que Renan Calheiros convoque a sua cavalaria. Os comandantes da Câmara e do Senado não serão propriamente impolutos e competentes guerreiros de alma pura, dado seu passado de ligações espúrias com a corrupção e mais ainda seu futuro, na alça de mira da Justiça. Mesmo assim, é em torno de Renan que evoluem as esperanças de Dilma.

O presidente do Senado detém o controle do processo agora tramitando em sua casa. Pode ser que ofereça prazos regimentais mais extensos, dando à presidente tempo para organizar sua defesa. Também pode ser que  coordene um ataque tão veemente quanto violento sobre as já exangues tropas do PT e adjacências. Ambos tem contas a ajustar.

Enquanto isso, vale repetir, o desemprego multiplica-se em massa; o custo de vida aumenta a passos largos; taxas, impostos e tarifas não deixam de crescer; os juros sobem, os salários diminuem; a economia falece e os bancos continuam indo muito bem, obrigado…