Vamos partir para a ignorância?

 Por Marli Gonçalves
Ah, é? Ah, é isso, é assim? É para partir para a ignorância? Vamos todos agora virarmos uns trogloditas, nos socando nas ruas, uns cuspindo em outros? Joga pedra na Geni? Vamos partir para o tacape? Para o tudo ou nada? Que coisa feia, dando exemplo para as crianças, para os meninos e meninas que se divertem sem saber por quê, muito menos do quê em rolezinhos-protestos.

Inacreditável. Estamos mesmo conseguindo andar para trás a passos largos – passos não, saltos, e saltos ornamentais provando que precisamos mais do que muito urgentemente fazer nada mais nada menos do que superar. Parar com isso, com essa animosidade toda. Não, não estamos divididos, pelo menos não em apenas dois pedaços como querem fazer parecer. Há uma infinidade de opções.

Não vamos partir para a ignorância.

De repente o ator conhecido, ultimamente mais por ser petista, burro e destemperado, do que como ator, cospe – sim, cospe no casal que o afrontou em um restaurante de São Paulo. Cospe no homem. Cospe na mulher. (Ele agora vai sentir com quantos cuspes se desfaz uma carreira)

O casal sem noção afrontou o ator petista, burro e destemperado, falando um monte de asneiras e bobagens, acusando o zézinho de ladrão, já que dali discussão civilizada sobre política não sairia mesmo. Vomitaram clichês, mas ainda bem que apenas em gritos, por insuportável sua quantidade.

Aí, o zezinho, o ator petista burro e destemperado, vai para casa e corre para o computador para escrever e contar para seus amiguinhos o quanto estava orgulhoso de ter cuspido no casal. Um grupo bate palminhas. O outro quer queimá-lo em praça pública, esquecendo apenas que ele é apenas um ator petista burro e destemperado. Sem qualquer importância.

Nem muita personalidade teve o ato, já que o projétil salivar já havia sido emitido por um outro “bravo combatente” há poucos dias na cara do imbecilnaro. Imbecilnaro esse que ousou evocar e pronunciar o nome do cão dos infernos em seus segundos de votação.

Quequiéisso?

Acho preocupante e considero um comportamento inadmissível ver amigos, inclusive jornalistas, rosnando e babando contra veículos de comunicação grandes, os poucos que estão sobrando, e propondo que no lugar se busque a informação para beber só nos poços alternativos – maioria, água que se diz pura, mas na verdade já vem contaminada com enormes equívocos históricos. Ou de origem e financiamento.

É desonestidade intelectual e uma inusitada sordidez de ataque. Sabem que não é o que dizem, que não tem golpe nenhum, que erraram, que o país está parado, que a maioria os quer ver pelas costas seja por causa de pedaladas, dos pontapés, fora só uma, fora uma e o outro, os dois, desde que saiam da frente, no deixem superar. Transformam-se em chacotas, fantasmas dos líderes que já foram. E eles não têm altivez para ao menos tentar solução, não semear a discórdia, parar de incentivar o confronto, e muito menos patrocinar os escrachos que vêm sendo feitos pela molecada, tão naturais e espontâneos que até assessoria de imprensa têm.

Uma coisinha, um cisco, vira uma tese sociológica e acadêmica chaaata, muito chata, de como forças conservadoras através de uma matéria com o perfil de uma sortuda estão operando para que as mulheres brasileiras todas regridam em suas conquistas e voltem a ser apenas belas, recatadas, e do lar. Coitada da mulher sortuda que parece saída de uma cândida fotonovela – se bem que com essa ela já toma o primeiro tranco para perceber o que vai vir daí por diante, o rojão grosso que terá de segurar.

Precisaria de uma mágica, um milagre para mudar os nossos políticos tentando fazê-los lordes – difícil. Penso nisso quando lembro que vi o espancador Pedro Paulo jogado na fogueira da ciclovia de pluma levada por Netuno. Atento ao marketing de quem ainda pensa(va) em ser candidato ousou, mexendo na aliancinha no dedo – balbuciar que “talvez” houvesse algum problema com a obra, e chamando de “incidente” aquela tragédia. Tragédia cuja imagem que restou – os dois corpos das vítimas jogados na areia da praia, e ao lado uma normal partida de futebol – essa sim, levada ao mundo essa imagem informou mais sobre como estamos do que as mais vigorosas teses intelectuais.

Nós já partimos para a ignorância. Quando a humanidade se acostuma com trevas, ficamos nos abalroando no escuro. Pisando uns nos calos dos outros. Chutando bem abaixo da linha do Equador

Zé de Abreu vale menos do que o escarro de Zé de Abreu

 

Como eles não engolem o impeachment, então cospem!

Por: Reinaldo Azevedo

Vocês já devem ter visto este vídeo. O ator José de Abreu, o canastrão que ganha dinheiro na Globo para sair por aí acusando os meios de comunicação de apoiar o “golpe”, se desentendeu com um casal num restaurante de São Paulo, na noite de sexta-feira. Num ataque à moda Jean Wyllys, não teve dúvida: deu uma cusparada no rosto da dupla. Vejam. Volto em seguida.

Já escrevi aqui muitas vezes e reitero: não apoio esse tipo de bate-boca em público. Por mais que a figura seja desprezível, e é, que seja deixada na sua irrelevância. Um restaurante não é a melhor arena para o embate político. Os demais frequentadores têm direito ao lazer e ao sossego.

É evidente, no entanto, que esse sujeito é um desclassificado. E não é de hoje. Tornou-se uma caricatura de militante político. É uma figura asquerosa. Ele nem precisa cuspir nos outros para ser repugnante. E isso nada tem a ver com ideologia ou preferência política.

Além de ter protagonizado a baixaria, foi para o Twitter e ainda se orgulhou do seu feito.

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Também mentiu. O rapaz reagiu.

Esse cara não tem limites. Até os petistas o tratam como uma caricatura patética. No dia 4, publicou uma das coisas mais detestáveis que já li. Referindo-se ao jornalista Sandro Vaia, que havia morrido no dia 2, tornou pública esta baixaria.

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Vaia era um dos profissionais mais dignos que já conheci. A estupidez evidencia que José de Abreu não respeita nem vivos nem mortos. O que ele faz com muita galhardia é defender criminosos do PT.

Zé de Abreu vale menos do que um escarro de Zé de Abreu.

Na próxima vez em que ele mostrar a cara na Globo, lembre-se disso e mude de canal.

Mandato de Dilma já está cassado, mas esqueceram de lhe avisar

Dilma deveria renunciar, para pôr fim a esse sofrimento

Carlos Newton

A ainda presidente Dilma Rousseff não tem a menor chance de reverter no Senado a ampla desvantagem e recuperar seu mandato. Exibido diariamente, o Placar do Impeachment do Estadão, que acertou em cheio o resultado na Câmara, vem mostrando a tendência de que a oposição consiga os 54 votos necessários para cassar definitivamente o mandato da atual governante. Já falam em 51 votos a favor, mas vamos ficar com o Placar do estadão, que registra 48 senadores assumidamente pelo , sete a mais que os 41 necessários para a abertura do processo. Isso significa que Dilma realmente será “carta fora do baralho”, conforme ela mesma já declarou em entrevista coletiva.

Ainda esperançoso, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) diz esperar que agora se abra “um debate jurídico sobre o assunto, diferente do que aconteceu na Câmara”. Mas ele está errado. Trata-se de um processo essencialmente político, não há condições de mudar o julgamento em instâncias superiores, como ocorre em ações judiciais, nas quais se pode perder em três instâncias e depois reverter a situação no último tribunal, o Supremo.

NÃO HÁ ESPERANÇAS

Dilma Rousseff não tem experiência parlamentar, desconhece totalmente como funciona o Congresso. O pior é que os assessores e aliados têm fortalecido as falsas esperanças dela, prometendo que ainda há possibilidades de conquistar mais sete votos e na reta de chegada contar com 27 senadores contra o impeachment. Na verdade, isso não existe, é apenas uma ilusão à toa, como diria Johnny Alf.

Se Dilma tem de arranjar sete votos, a oposição precisa de apenas para completar os 54 de que necessita, em busca da cassação da presidente. Acontece que, entre os 15 que ainda não revelaram os votos,  há sete senadores do PMDB, partido que vai assumir o poder, e mais dois integrantes de legendas que fecharam questão a favor do impeachment e já se preparam para integrar o governo Temer – o PP e o PTB.

Além disso, há mais um voto considerado certo contra Dilma – o de Fernando Collor (PTC-AL), que se prepara para reviver as emoções de um impeachment presidencial.

Ou seja, o placar já pode ser fechado em 58 a 23, no mínimo, e ficarão faltando quatro votos para Dilma se salvar. Esta é a realidade, não adianta sonhar, embora isso ainda não seja proibido.

É UMA PERVERSIDADE

Chega a ser uma perversidade submeter a presidente Dilma Rousseff a esta tensão permanente, em meio às promessas vãs dos assessores e aliados. É como se ela estivesse submetida à chamada tortura chinesa, que vai aumentando o sofrimento da vítima dia após dia.

Atualmente, Dilma não perde oportunidade de dizer que foi torturada no regime militar, mas nunca revelou quem o teria feito. Muitos militantes foram torturados até a morte, como Rubens Paiva e Stuart Angel Jones, irmão de nossa querida amiga Hildegard Angel. Outras vítimas fizeram questão de denunciar seus algozes. Uma dela foi a atriz Bete Mendes, deputada federal expulsa do PT em 1985, por ter votado em Tancredo Neves contra Paulo Maluf. Ela reconheceu o coronel Brilhante Ustra e o transformou na figura mais execrada das Forças Armadas.

No entanto, Dilma jamais denunciara seus torturadores.

AGORA, UMA TORTURA REAL

Na verdade, ninguém sabe ao certo se Dilma Rousseff, presa aos 22 anos, foi torturada ou não, porque nunca dissera nada a respeito. Não consta depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais nem no livro “Mulheres que foram à luta armada”, de Luiz Maklouf, de 1998.

Surpreendentemente, em 25 de outubro de 2001, quando ainda era secretária de Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT,  em depoimento à Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura (Ceivt) de Minas Gerais, ela afirmou que havia sido supliciada em Juiz de Fora, e até conseguiu ser indenizada.

Contraditoriamente, dois anos depois, em 2003, Dilma deu entrevista a Luiz Maklouf e não tocou no assunto das atrocidades supostamente sofridas em Minas Gerais, porque se referiu somente a torturas que teria sofrido nas prisões do Rio Janeiro e de São Paulo. Certamente, estava de olho em outras indenizações estaduais.

ELA DEVIA RENUNCIAR

Desta vez, Dilma Vana Rousseff enfrenta uma tortura verdadeira, causada pela derrocada de sua trajetória política e pessoal. O suplício acontece em público, noticiado por toda a mídia, dia após dia, e ainda deve demorar sete meses, até o julgamento final pelo Senado.

Para seu próprio bem, Dilma Rousseff deveria se livrar da influência de seus conselheiros políticos e renunciar logo ao mandato, para pôr fim a esse martírio absolutamente desnecessário. Mas parece que pretende ser torturada até o juízo final. Espera-se que não venha a exigir nova indenização.

Será que ele também engole?

Acabei de ser ofendido num restaurante paulista. Cuspi na cara do coxinha e da mulher dele! Não reagiu. – escreveu José de Abreu em sua conta no twitter. E não ficou por aí.

O covarde perdeu a linha, deve ter cagado nas calças. Cuspi na sua cara, na cara da mulher dele e ele não reagiu. Covardes fascistas. – arrematou em seguida, demonstrando a costumeira virulência que não é de hoje o caracteriza. Teve mais.

Fujão covarde levou uma cusparada na cara e a mulher levou outra. Fascistas são tratados assim. – exclamou em tom vitorioso, finalmente encerrando uma saraivada de mensagens impossível de não provocar asco em quem possui um mínimo de caráter e equilíbrio emocional.

Pelo pobre diabo que é, já caindo aos pedaços e no entanto sujeito a arroubos típicos de um militante juvenil, José de Abreu não merece ser levado a sério. Assim como grande parte da nossa classe artística, é tão somente um idólatra de bandidos incapaz de disfarçar sua natureza autoritária.

Dito isto, não deixa de ser sintomático que uma das semanas mais importantes em nossa história termine emoldurada por dois episódios tão abjetos, as escarradas de Jean Wyllys em Jair Bolsonaro e esta de Abreu em um casal, primeiro no rosto do rapaz, depois no de sua companheira.

Ambas as situações podem render bons frutos para a sociedade – Wyllys perder seu mandato por falta de decoro, e o rompimento definitivo da auréola protetora que envolve os artistas em geral – mas já estou preocupado com a passada de pano que a mídia com toda sorte dará ao segundo episódio.

Não é de hoje que a imprensa se empenha em botar panos quentes no chamado Fla-Flu, como se paternalizar a população pudesse de alguma forma trazer benefícios ao país, ignorando que o atual momento se deve precisamente à nossa preferencia por evitar assuntos importantes devido as naturais faíscas que estes provocam.

Desta vez não será diferente. A culpa pela cusparada recairá sobre o debate, jamais será atribuída a um sujeito que, insisto, não é de hoje, sem o menor pudor utiliza de seus perfis em redes sociais para agredir de maneira insana.

Defenderão que, enfim, virtual e real são coisas distintas, que pessoas públicas sempre tiveram e continuam tendo o direito de flanar por este país como se não tivessem nada a ver com o que está acontecendo. Que podem ofender, xingar e apregoar todo tipo de baboseira, sem que por este motivo mereçam ser encaradas com menos afeto, tampouco indignação.

A mídia em geral, principalmente os programas de debate na televisão, deveriam preocupar-se, isto sim, em travar um debate menos chapa-branca e mais condizente com o nosso dia a dia, sem se preocupar em ferir suscetibilidades.

Digo, não há sentido em fazer diferente e é até irresponsável propor às pessoas uma falsa imparcialidade quando esta opção se apresenta inviável nas gôndolas dos supermercados. Sem falar na postura intransigente dos defensores do governo. Acaba gerando um desequilíbrio fatal para a discussão.

Indo direto ao ponto, o governo Dilma acabou e o pesadelo do PT apenas começou. É este o motivo de tanto belicismo por parte da esquerda, incluindo aí dirigentes e simpatizantes. Passaram décadas semeando o nós contra eles, e quando finalmente eles decidiram acordar, agora querem melar com o jogo.

De tão desesperados, não bastasse a patética tentativa da futura ex-presidente em propagar um clima de instabilidade institucional, e ameaças toscas como “vai ter luta!” e “vai ter tiro!”, só restou incendiar Roma via cusparadas.

Pois cometerá um grande erro quem apostar em um Brasil de joelhos, tremendo de medo pelo alarido de velhos coiotes aflitos com seca que se anuncia.

Você não é intocável, José de Abreu. Pode babar de raiva, é até compreensível, mas não se considere intocável, intimidador, ou pense que junto de alguns coleguinhas ainda têm o poder de propor lavagem cerebral coletiva. Este tempo já passou.

O IMPEACHMENT QUE PRECISA SER FEITO

Uma das provas do fracasso dos governos de esquerda no Brasil é o baixo nível do debate político neste grave momento de nossa história. Nunca se discutiu tanto a política sem debater políticas; tudo se resume à dicotomia “tira Dilma” ou “é golpe”.

O modelo político-econômico-social ruiu como um Muro de Berlim nacional, enterrando as esquerdas em seus escombros, mas a peleja tem ficado entre Dilma até 2018 e Temer a partir de 2016.

Não se debate qual seria um novo modelo social-econômico-político para conduzir o Brasil ao longo deste século. O atual modelo não foi capaz de construir uma economia sólida, sustentável, inovadora e produtiva, e ainda desorganizou as finanças públicas e provocou recessão na economia atrasada; não foi capaz de emancipar os pobres assistidos por bolsas e cotas; não deu salto na educação e promoveu dramático caos na saúde; sobretudo, incentivou um vergonhoso quadro de corrupção, conivência, oportunismo, aparelhamento do Estado e desmoralização na maneira de fazer política.

O país está ficando para trás, se “descivilizando” por violência generalizada, ineficiência sistêmica, incapacidade de gestão e de inovação, saúde degradada, educação atrasada e desigual, transporte urbano caótico, cidades monstrópoles, persistência da pobreza, concentração de renda, política corrupta, povo dependente, tragédias ambientais e sanitárias. Todos os indicadores são de um país em decadência, com raras ilhas de excelência.

Mas o debate fica prisioneiro da alternativa entre interromper o mandato de um governo incompetente e irresponsável, eleito por estelionato político, tendo cometido possíveis crimes fiscais, e escolher um novo presidente do mesmo grupo, eleito na mesma chapa e também sujeito a suspeitas. Não se discute qual a melhor alternativa para o Brasil sair da crise imediata a que foi levado pelos desajustes irresponsáveis e eleitoreiros do atual governo, nem qual Brasil queremos e podemos construir, com uma economia eficiente, inovadora, equilibrada, distributiva de renda e sustentável ecologicamente; com a população educada, participativa, levando à justiça social, à produtividade elevada e à economia eficiente; com sistema político-eleitoral ético e democrático.

Não se debate um pacto pelo emprego com equilíbrio das contas públicas e pela eficiência da gestão estatal; não se discute como fazer, quanto custa, em quanto tempo e que setores pagarão pelas reformas de que o país precisa. As discussões despolitizadas, entre torcidas a favor ou contra, como em um jogo de futebol, não debatem, por exemplo, como fazer com que a escola do filho do mais pobre brasileiro tenha a mesma elevada qualidade que as boas escolas do filho do brasileiro mais rico do país.

O debate se limita a manter a mesma estrutura social, apenas trocando uma presidente pelo vice que ela escolheu duas vezes. Não se percebe que é preciso fazer o impeachment de todo o modelo que a esquerda manteve e degradou.

 

Cristovam Buarque é senador do PPS-DF.