VOTO DE CONFIANÇA PARA MICHEL TEMER

A política surpreende.

O autor deste artigo sugeriu a possibilidade de eleições gerais no país.

Entretanto, os sinais no momento são de que haverá uma “boa vontade” nacional em torno do possível governo de Michel Temer.

No momento, o melhor caminho que se desenha para a nação será um “voto de confiança” a Temer, na montagem do seu governo.

Os vícios políticos inegavelmente pululam o organismo político nacional.

Entretanto, não há como da noite para noite transformar esse cenário, tornando-o isento de pressões e chantagens conhecidas.

Todo tratamento é feito, por etapas.

A primeira etapa poderá ser a chance do vice Michel Temer, ao assumir a presidência, fazer as negociações políticas necessárias com o Congresso Nacional.

Numa democracia não há como fugir disso.

Inegavelmente, o novo governante terá habilidade e história, que facilitarão essas negociações.

A propósito o autor do artigo publicou texto neste Diário do Poder, texto que pode ser acessado: http://zip.net/bqs9zb.

Ademais, terá condições objetivas de aproveitar a lua de mel com os partidos aliados, que juram fidelidade a ele e ao país, para encaminhar imediatamente as reformas inadiáveis.

Nessa situação, talvez até a contra gosto, o Congresso Nacional termine por aprová-las, sob pena de receber o repúdio generalizado do país.

Se o Presidente conseguir aprovar reformas na previdência social, fiscal e trabalhista mesmo que não dê tempo de implementá-las, terá deixado a marca do estadista no exercício da presidência.

Uma dessas reformas necessárias relatei como deputado federal no Governo FHC, proposta pelo então ministro do Trabalho Francisco Dornelles.

Foi a de flexibilização da lei trabalhista, sem alterar os direitos sociais vigentes, infelizmente sem sucesso.

Outro fato que reforça o otimismo em relação ao futuro da nação são os anúncios de possíveis nomes escolhidos para o futuro governo.

Como já disse, o técnico de futebol necessita de bons jogadores, sob pena de não conseguir golear.

Com o recuo do PSDB, que saiu do “muro” e agora aceita participar do governo, abrem-se perspectivas na oferta de bons quadros e boas ideias.

A era FHC foi pródiga em propostas lúcidas para a nossa economia, o que proporcionou, por exemplo, o governo Lula obter conquistas, inclusive sociais.

Sem a herança bendita de FHC, Lula teria fracassado.

Os partidos atuais podem ter vícios, o que não não impede que existam neles nomes ilibados e competentes.

A questão será, portanto, de filtragem.

O momento é de “voto de confiança” para o futuro governo de Michel Temer, que parece inevitável.

A eleição ficará mesmo para 2018, quando o novo Presidente e os partidos serão julgados pelo povo popular.

 

Ney Lopes – jornalista, ex-deputado federal; procurador federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, e professor de Direito Constitucional da UFRN