MEIRELLES NA FAZENDA E MARIZ NA JUSTIÇA

Os nomes cogitados dos possíveis ministros no governo Michel Temer, até agora, inspiram confiança.

Observação especial cabe ser feita em relação a Henrique Meirelles, para a Fazenda e Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, na Justiça.

Meirelles é um dos maiores formuladores econômicos da América Latina. O ex-ministro Joaquim Levy está também nessa listagem. Porém, lhe falta a habilidade política para negociação, que sobra em Henrique Meirelles.

Num momento de crise econômica, a presença do ex-presidente do BC no comando da economia brasileira é a segurança antecipada de que a nação irá superar obstáculos e abrir novos caminhos para o futuro.

O articulista conhece posições assumidas por Henrique Meirelles, no passado.

Ninguém se engane: ele tem uma profunda visão social da economia.

Jamais irá submeter-se a pressões descabidas.

Autorizado a formar equipe de formação técnica sólida, Henrique Meirelles fará o que fez no BC, no início do governo Lula.

Sem hesitar pode-se confiar nele.

Outro nome cogitado para o ministério da Justiça é do advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

Não tenho relações pessoais com o criminalista paulista.

Apenas, como militante há anos da advocacia e no magistério de direito, reconheço nele um dos símbolos da advocacia brasileira.

Não faz sentido levar ao cadafalso profissional do Direito, por ter exercido a sua profissão e emitido opiniões em defesa de seus clientes.

Quem propaga tais restrições age como nazifascista.

Recordo que em 2002, o advogado paulista e ex-ministro da justiça Dr. Márcio Thomaz Bastos foi injustamente execrado, por ter sido defensor na CPI do Congresso Nacional do indiciado Carlinhos Cachoeira, acusado à época de praticar crimes de lavagem de dinheiro e receptação intencional de atividades criminosa, hoje absolvido em parte.

Tanto em relação ao Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, quanto ao Dr. Márcio Thomaz Bastos, deve-se entender que o papel do advogado é obrigatório e indispensável na distribuição da justiça, não podendo jamais ser confundido com o seu cliente.

Rui Barbosa foi incisivo ao afirmar que ninguém é indigno de defesa.

Foi ainda o magistério de Rui, que consagrou o princípio de que “onde for apurável um grão, que seja, de verdadeiro direito, não regatear ao atribulado o consolo do amparo judicial”.

O Dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira nada mais fez ao exercer a sua profissão, do que tentar apurar os grãos de verdadeiro direito.

O advogado defende o acusado e não o crime.

Por isso, não pode ser vítima de acintes e enxovalhamento, quando tem o seu nome indicado para o exercício do Ministério da Justiça, cargo para o qual está preparado, habilitado e saberá honrá-lo.

 

Ney Lopes – jornalista, ex-deputado federal; procurador federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, e professor de Direito Constitucional da UFRN

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