Deputado Fábio Braga participa da inauguração da sede própria da unidade do CEUPI em Teresina

O deputado Fábio Braga (SD) participou recentemente, em Teresina (PI), da solenidade de inauguração da sede própria do Centro de Ensino Unificado do Piauí (CEUPI), mais um   empreendimento, fora do Maranhão, do conceituado Grupo Educacional CEUMA, voltado para a qualificação de milhares de estudantes.

Também participaram da solenidade o ex-senador Mauro Fecury, o suplente de senador Clóvis Fecury, a Presidente da Mantenedora Ana Lúcia Fecury, a representante do Conselho da Mantenedora Ana Elizabeth Fecury Braga, o diretor da unidade Washington Reis, como também demais professores e diretores da Instituição no Maranhão e no Piauí.

A inauguração da nova unidade faz parte do projeto de expansão do Grupo Educacional CEUMA. Hoje, a renomada Instituição de Ensino Superior está presente no cenário educacional do Estado do Maranhão (São Luís, Imperatriz e Bacabal), no Estado do Pará, no Estado do Piauí e no Distrito Federal.

NOVOS CURSOS

Fábio Braga esclareceu que o projeto de expansão do CEUPI, no Piauí, foi iniciado em 2015, quando o Grupo CEUMA adquiriu o Instituto Galileo e assumiu os cursos de Engenharia Civil e Elétrica. Em seguida, obteve o credenciamento dos cursos de Arquitetura e Urbanismo junto ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O parlamentar revelou que as perspectivas de crescimento para atender aos estudantes de Teresina, de Timon e de municípios da região são muito promissoras, especialmente nas áreas de engenharia e humanas.  “Tão logo sejam liberados esses cursos, a Instituição ganhará instalações modernas e adequadas”, prometeu. Assim sendo, esses fatores consolidarão a meta do CEUMA no Piauí:  promover a qualificação profissional dos jovens piauienses, que têm na educação e na cultura uma predileção natural de destaque nos ensinos público e privado.

Ida de Dilma ao Senado para se defender enterra o discurso do “golpe”

Cúpula do Senado Federa (Foto: Fernanda di Castro/Ag. Senado)Cúpula do Senado Federa (Foto: Fernanda di Castro/Ag. Senado)

Ricardo Noblat

No país que considera a jabuticaba uma coisa só dele, haverá mais uma da qual se orgulhar: a presidente da República afastada do cargo por um “golpe” que comparece ao ato final do seu suposto julgamento para se defender.

Se ela sair de lá absolvida, dirá que o “golpe” fracassou. Ou que ela derrotou o “golpe”. Se sair sem o mandato e com os direitos políticos suspensos por oito anos, dirá que foi vítima de um “golpe” aplicado pelas forças mais conservadoras do país.

Dilma cedeu à pressão dos seus principais conselheiros e anunciou que irá ao Senado defender sua inocência depois de se decepcionar com a má repercussão da carta que mandou aos senadores negando o crime de ter gasto muito além do que o Congresso autorizara.

É desse crime que ela é acusada, e somente dele. Outros governantes já incorreram no mesmo crime em proporções muito menores, mas contaram com apoio político para permanecer no cargo. Dilma, não. Ela jamais cultivou o apoio dos políticos a não ser para se eleger.

“Um governo que não tenha 172 votos de um total de 513 na Câmara dos Deputados não merece continuar governando”, comentou em março último um dos principais auxiliares de Dilma a propósito do processo de impeachment. Foi o que aconteceu.

Com 172 votos, o impeachment teria sido derrotado. Pois bem: o governo só conseguiu 137. No Senado, para que o processo, ali, fosse admitido, seriam necessários 54 votos de um total de 81. O processo foi admitido com 55 votos. O governo só atraiu 22 votos.

Na Comissão Especial do Senado, o governo foi derrotado por larga margem de votos ao tentar barrar o parecer que recomendava o impeachment de Dilma. Para novamente ser derrotado no plenário que aprovou o parecer por 55 votos contra 21.

Dilma não tem a mais remota esperança de que possa se salvar quando tiver início no próximo dia 25 o último ato do seu julgamento. Ela só mira a História. Quer passar à História como alguém que se defendeu até o fim e que acabou injustiçada.

Elogio da traição

Coluna Carlos Brickmann

Eles sabem dos segredos, e sabem usá-los. Delcídio traiu seus amigos, tanto tucanos (quando mudou de partido), quanto petistas (quando ficou no partido e revelou seus segredos). OAS e Odebrecht traíram seus aliados que, por módicos pixulecos, lhes permitiam ganhar as concorrências que quisessem, cobrando quanto quisessem. E traíram o companheiro Lula.

Comenta-se que Marcelo Odebrecht, em sua esperadíssima delação premiada, equilibrará a traição aos partidos governistas traindo o chanceler José Serra, tucano. Compensação? Não: a base governista traiu Dilma e se transformou rapidamente em núcleo da oposição, base do impeachment da presidenta politicamenta agonizanta – que, por sua vez, traiu José Dirceu, seu “companheiro de armas”, abandonando-o na hora das dificuldades.

Há os que, por enquanto, escaparam. Como Pedro Corrêa, envolvido em todas as investigações. Mas Corrêa não pode (ainda) ser traído. Ele (ainda) não contou tudo, e ainda tem muita coisa a delatar. Renan não viu a consumação da traição, mas sabe que o procurador-geral Janot, cuja aprovação para o cargo ele tornou possível, está no seu rastro. E, esperto, cheio de truques, o mais traído de todos: Eduardo Cunha, que comandou o impeachment de Dilma. Executada a tarefa, os chefões decidiram livrar-se dele. Ainda não o liquidaram, mas já não é o poderoso Eduardo Cunha de antes. Como Dilma, é um político decadente aguardando o fim de carreira.

Trair é feio. Mude-se o nome para “colaborar”. E temos nossos heróis.

 Traída e abandonada

Na verdade, quem sofreu as maiores traições foi Marisa Letícia, esposa de Lula. Acostumou-se a tratar os empreiteiros como amigos, como gente da casa (ou do apartamento que nem é dela). Lula sempre soube que, em política, amigo é amigo enquanto é útil. Marisa Letícia achava que amigo é para bons e maus momentos. E não é que foi delatada, com documentos e fotos, por aqueles que julgava, mais que seus amigos, amigos da família?

 Me dá um dinheiro aí

No festival de deduragem de amigos e colaboradores, algo pitoresco: há empreiteiras, que pensavam ser as senhoras da distribuição do dinheiro, que só agora descobriram estar sendo discretamente ordenhadas por seu próprio pessoal. Encarregados da distribuição de pixulecos e acarajés pediam aos beneficiários uma parte, para uso próprio. O dinheiro do superfaturamento, que se transformava em propina para gerar mais superfaturamentos, vazava como lubrificante de negócios.

Reza a sabedoria popular: “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é ingênuo ou não entende da arte”.

 Dilma escreve

Não dê importância aos primeiros comentários de senadores sobre a carta-testamento que lhes enviou Dilma Rousseff. Serão comentários superficiais, mais baseados na posição política de cada um do que no que diz realmente a carta. Os comentários aprofundados virão mais tarde, quando os senadores mais atilados, mais afeitos ao estudo de textos, conseguirem entender o que é que a presidente impichada quis dizer, em sua linguagem peculiar, naquelas mal traçadas linhas.

   Trabalho…

O Congresso entra agora em recesso branco, uma longa folga extraordinária, para que Suas Excelências possam se dedicar às próximas eleições municipais, em outubro. Dos 513 deputados, 29 são candidatos; dos 81 senadores, dois disputam as eleições. A carreira política de 5% dos senhores parlamentares faz com que o Congresso Nacional inteirinho paralise suas atividades, bem no momento em que se discutem os cortes no Orçamento – e, portanto, o caminho que o Brasil irá seguir.

Só relembrando, o Parlamento foi criado na Inglaterra, há quase mil anos, com a função específica de votar o orçamento e vigiar as despesas da Casa Real.

 …cansa

Juntando a pouca disposição para o trabalho das Excelências congressistas com a política econômica de Temer, temos o seguinte resultado: a previsão do mercado é de que a dívida líquida do Governo Federal chegue, no final do ano que vem, a 49,05% do PIB, Produto Interno Bruto (o que aumenta o custo dos financiamentos externos, entre outras consequências). A previsão é pior do que a do fim do Governo Dilma, 47%. E põe a equipe econômica de Dilma acima da de Temer.

 Boa notícia

A esfola ocorre em março: por lei, todo assalariado, seja ou não sindicalizado, tem que destinar um dia de salário para o sindicato. Com isso, o sindicato não precisa atrair novos membros, porque a verba está garantida. Isso pode acabar amanhã: o TST julga pedido do Sindicato dos Trabalhadores em Energia Elétrica de Campinas, que quer renunciar à sua parte da contribuição sindical obrigatória.

Se der certo, é bom para todos.

Gosto pelo monólogo levou Dilma ao ponto onde está

ELIO GASPARI

 

Dilma e o PT revelaram-se intelectualmente exaustos. Tiveram em Eduardo Cunha um aliado, um cúmplice e, finalmente, um inimigo.

Dilma Rousseff leu sua carta ao povo diante de jornalistas, mas não aceitou perguntas. Ela gostaria de ir ao Senado para apresentar a sua defesa, mas não quer perguntas. Foi esse gosto pelo monólogo que a levou ao ponto onde está. Mesmo assim, há monólogos que ilustram. Esse não foi a caso da carta lida nesta terça (16).

Quando a senhora e o PT não sabiam o que fazer, propunham um pacto. Assim foi em 2013, quando os brasileiros foram para rua. Ela ofereceu cinco pactos e mudou de assunto semanas depois. Ontem, novamente, ofereceu um “pacto pela unidade, pelo desenvolvimento e pela justiça”. Quando pactos não rendem, surge a carta do plebiscito, e Dilma voltou a tirá-la da manga. Sugeriu a realização de um plebiscito “sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral”.

A reforma política é necessária e não precisa de plebiscito, mas é o caso de se lembrar que tipo de reforma era defendida pelo seu partido. O PT queria, e quase conseguiu, a instituição do voto de lista. Ela confiscaria o direito do eleitor de votar no candidato de sua escolha. Esse poder iria sobretudo para as direções partidárias. (O PT teve dois ex-presidentes e três ex-tesoureiros encarcerados.)

Dilma e o PT revelaram-se intelectualmente exaustos. Tiveram em Eduardo Cunha um aliado, um cúmplice e, finalmente, um inimigo. Nem ela nem o PT conseguiram dar apoio à Operação Lava Jato. Ambos foram ostensivos críticos do instituto da colaboração premiada. Sem ela, a Lava Jato estaria no ralo.

A um passo das cenas finais de sua carreira política, a presidente diz platitudes como esta: “É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade”.

A presidente arruinou a economia do país pulando do galho das “campeãs nacionais” para as “mãos de tesoura” de Joaquim Levy, e dele para o breve mandarinato de Nelson Barbosa. Teve em Michel Temer um parceiro de chapa, um articulador político, e finalmente, um inimigo a quem chama de usurpador.

… Sua carta aos senadores poderia ter sido diferente na extensão e no conteúdo. Por decisão dela e de seu bunker do Palácio do Planalto, foi um documento empolado no estilo e catastrófico na essência.

Num episódio raro, a carta de Dilma se parece mais com o programa de um governo que, tendo existido, deixou de existir, mas persiste, vagando tal qual alma penada.

Sua carta aos senadores poderia ter sido diferente na extensão e no conteúdo. Por decisão dela e de seu bunker do Palácio do Planalto, foi um documento empolado no estilo e catastrófico na essência. Ele não seria capaz de mudar votos no plenário do Senado, que baixará a lâmina sobre seu mandato. Poderia ter motivado pessoas que aceitam parte de seus argumentos contra o processo de impeachment. Se ele não tiver esse efeito, isso refletirá a exaustão política do petismo e do dilmismo (se é que isso existe).

A presidente afastada vive seus últimos dias de poder na redoma do Alvorada, transformado em magnífico calabouço. Lá espera o automóvel que a conduzirá ao aeroporto. Poderia ter sido diferente, se ela e o PT tivessem entendido que estar no poder não significa poder fazer o que se queira.

Algum dia essa ficha haverá de cair.

DECODIFICANDO A VAIA A JUSTIN GATLIN

Claro, eu também vibrei com o tricampeonato de Usain Bolt nos 100 m rasos. Mas me senti mais tocada ainda por seus comentários à vaia da torcida a um de seus concorrentes, o norte-americano Justin Gatlin. Bolt sabia que a imensa maioria da torcida no Engenhão estava a seu lado: ele esbanja carisma.

Se, nas raias, reafirmou ser a lenda que todos já admitiam ser, fora delas exibiu traços de humanidade que raras vezes se observam nos ídolos. Aplaudiu entusiasticamente o sul-africano que quebrou o recorde de Michael Johnson nos 400 m rasos, em vigor desde 1999, e tratou de ir cumprimentá-lo no momento em que saboreava a própria glória. Estimulou o jovem corredor canadense que com ele disputou a final da mais festejada das competições e que levou um bronze. Por último, criticou a própria torcida, que o venerava, por vaiar seu rival Justin Gatlin. Usain Bolt revelou-se generoso, humano.

Gatlin foi pego num exame antidoping, faz alguns anos. Pagou sua pena sendo banido das competições por certo período. Está limpo, como atestam os órgãos de controle, e aos 34 anos ainda corre como um foguete. Só foi superado pelo próprio Bolt. Mas parece que sua condenação é perpétua; rotularam-no de “bad boy” das pistas. Foi recebido no estádio como uma verdadeira Geni.

Bolt tratou de denunciar o erro dos torcedores. Achou aquele código “estranho”, incompreensível. Dedicou respeito ao adversário que superou a própria falha e, em que pese a idade, busca se superar, indo atrás de melhores resultados. Já anunciou que irá a Tóquio, quando estará, então, com 38 anos!

O que Bolt talvez não saiba é que o Brasil vive um momento especial em que o ódio toma conta de tudo. Não há diálogo. Não há consideração por quem pensa diferente. Se fosse proposto um plebiscito, entre aqueles que estavam na galera do Engenhão, sobre qual o destino a ser dado a Gatlin, não faltaria quem propusesse a própria pena de morte para o “desgraçado”. É isso que temos visto neste país afora nos últimos tempos. O senador Cristovam Buarque foi achincalhado por ser considerado golpista; a atriz Letícia Sabatella, agredida por defender o “Fora, Temer”. Estamos perdendo a capacidade de disputar com lealdade, de ver no que não compartilha nossos ideários, nossa visão de mundo, antes de tudo, um ser humano como nós mesmos.

Bem assinalou Leonardo Boff, em recente artigo, que, nos Jogos Olímpicos, predomina o espírito esportivo acima de diferenças nacionais, ideológicas e religiosas; que todos estavam representados, até um grupo, muito aplaudido, de refugiados. E arrematou: talvez este evento seja um dos poucos espaços nos quais a humanidade se encontra consigo mesma, como única família, antecipando uma humanização sempre buscada, mas nunca sustentada definitivamente porque não avançamos ainda em consciência de que somos uma espécie, a humana, e que temos um único destino comum junto com a Casa Comum, a Terra.

O gesto de Bolt é uma semente dessa nova consciência.

ENTREGOU OS DEDOS E OS ANÉIS

Na guerra da Coréia, quando a China entrou pela fronteira do norte e invadiu o sul daquele país dividido, empurrando  as tropas americanas para o mar, o  general Omar Bradley, chefe do Estado Maior do comando dos Estados Unidos, vetou a estratégia do general Douglas McArthur, que era de bombardear os chineses com armas atômicas. Disse tratar-se da guerra errada, na hora errada e contra o inimigo errado. Evitou a terceira guerra mundial.

Guardadas as proporções, a carta da presidente afastada, Dilma Rousseff, aos senadores, foi a carta errada, na hora errada e contra o inimigo errado.

Primeiro porque se era para defender o seu mandato, Madame deveria ter atuado antes de a Câmara autorizar a licença para que fosse processada. Quando o impeachment passou para o Senado, era tarde demais.

Depois, por não ter percebido que  forneceu aos senadores o argumento final para  sua degola, ao propor eleições gerais fora de hora, reconhecendo a impossibilidade de continuar governando caso absolvida pelo Senado.  Por último, ao insistir estar sendo vítima de um golpe capaz de ser evitado se tivesse mudado o governo e seus ministros logo depois de reeleita.

O resultado surge evidente: a carta não valeu de nada e apenas estimulou os senadores a apressar sua condenação. Até mesmo o  gesto  final capaz de salvar sua imagem para a História,  Sua Excelência evitou: se tivesse renunciado em vez de denegrir o Congresso, ao menos poderia sair com honra do episódio.

Pelo contrário, sai derrotada em todos os planos, a começar pelo seu próprio partido e seu criador, o Lula. Bem que a alertaram, primeiro para não candidatar-se ao segundo mandato, depois, para mudar sua equipe e suas diretrizes de governo. Não percebeu a realidade à sua volta, insistindo que a população a apoiava e que o país estava no rumo certo. Ficou como aquele recruta que marchava com  passo trocado, diferente do batalhão inteiro. Tivesse renunciado e salvaria os dedos, mesmo entregando os anéis.