Análise do advogado Dyego Moraes ,sobre a impugnação da candidatura de Carlinhos Barros

Nos últimos dias vimos através de vários blogs da cidade de Vargem Grande-Ma que o Candidato Carlinhos Barros teve sua candidatura impugnada pelo advogado Dr. Carlos Sérgio. Porém poucos entendem o que de fato motivou tal impugnação. Vou tentar de forma bem simples explicar.

Segundo a lei complementar 64/1990. Estabelece, de acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina outras providências. Assim, o art. 1°, II, i, e inc IV, a, trás a seguinte redação:

Art. 1º São inelegíveis:
II – para Presidente e Vice-Presidente da República:
i) os que, dentro de 6 (seis) meses anteriores ao pleito, hajam exercido cargo ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes;

IV – para Prefeito e Vice-Prefeito:

a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, observado o prazo de 4 (quatro) meses para a desincompatibilização

Logo o candidato carlinhos por não ter observado as regras dispostas na LC 64/90 encontra-se inelegível, por manter diversos contratos com a administração pública de várias cidades.

Resta saber se Carlinhos no prazo de 7 dias para contestar irá conseguir provar que se descompatibilizou de suas empresas ligadas à administração

Folha diz que, além de Toffoli, outros dois ministros do Supremo foram investigados

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com.br)

Mônica Bergamo
Folha

O governo de Michel Temer acompanha com lupa a crise entre o Ministério Público Federal e o STF (Supremo Tribunal Federal). E tem informações de que procuradores tentaram investigar, além do ministro Dias Toffoli, também assessores e familiares de outros dois magistrados da corte. O Supremo trabalha com a mesma informação.

O governo tem conhecimento ainda de que um racha contrapõe hoje procuradores federais ligados a Rodrigo Janot, em Brasília, ao grupo que toca a Operação Lava Jato em Curitiba. As divergências são antigas e já tiveram momentos até mais críticos.

A divisão poderia estar na origem do vazamento da informação de que Dias Toffoli aparecia nas tratativas de delação premiada da empreiteira OAS.

SOPA RALA – O grupo de Janot era contra a inclusão do nome de Toffoli no acordo, já que as informações preliminares dadas pela OAS não configuravam nenhum crime.

A suspeita é que, incomodados com a exclusão do nome de Toffoli da delação e sem ter como investigá-lo, já que o ministro tem foro privilegiado, procuradores do Paraná espalharam a informação do relacionamento dele com a OAS, que chegou ao conhecimento de jornalistas. Essa seria uma das origens do vazamento. Mas não obrigatoriamente a única. Janot trabalha com a possibilidade de que a empreiteira tenha divulgado dados.

Gilmar Mendes, do STF, citou o fato de que procuradores do Paraná chegaram a escrever artigo “achincalhando” Toffoli como sinal de que poderiam ter vazado dados contra o magistrado. Questionados, os procuradores não se manifestaram até a conclusão da coluna.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As notícias sobre corrupção de ministros dos tribunais superiores já circulam há vários meses, desde a armação feita pela presidente Dilma ao nomear um ministro amestrado para o STJ com a missão de libertar Marcelo Odebrecht e outros empreiteiros. A manobra veio à tona e foi desarmada no tribunal, um vexame completo que acabou causando o processo aberto contra Dilma e Lula no Supremo. Depois, o assunto se robusteceu dia 2 de julho, quando o jornalista Jorge Bastos Moreno publicou em O Globo que um dos mais famosos advogados do país está fazendo delação e já entregou nomes de ministros desses tribunais que se envolveram em manobras “pouco republicanas”. Agora, Mônica Bergamo volta com idêntica informação, sinal de que a batata está esquentando, como se diz popularmente. E a notícia confirma o que publicamos aqui na TI, dando conta de que na verdade eram três os ministros investigados. (C.N.)

Decepção crescente com a política leva muitos eleitores a desistirem de votar

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Francisco Bendl

A lamentar profundamente que o povo não tenha recursos a apresentar à “Justiça” para se ver livre de governos como o de Lula e Dilma. Agora, não entendo como governantes desta espécie, como os dois ex-presidentes petistas, ainda possuam tanta consideração por parte da população, se o Brasil contabiliza – por culpa de ambos, exclusivamente – quase 13 milhões de desempregados, dezenas de milhões de inadimplentes, não só por causa da falta de trabalho, mas também pelo juros extorsivos, sendo o sistema financeiro a elite mais defendida e protegida do PT, razão pela qual os bancos tiveram períodos em que mais lucraram na história econômica brasileira, enquanto se instalavam a recessão econômica e o caos na política,  com os serviços de educação, saúde e segurança em seus piores momentos “republicanos”.

Evidente que temos sido explorados desde sempre, mas querer repetida e exaustivamente compensar os crimes do casal de mafiosos alegando os crimes de governantes anteriores e de seus partidos, a meu ver isso demonstra apenas uma tentativa perniciosa e nefasta de amenizar os males que Lula e Dilma praticaram contra a cidadania e o país.

ELEITORES FRUSTRADOS – Muitos brasileiros estão decepcionados e já falam em deixar de votar, mas isso só favorece aos petistas, pois grande parte do povo, sem acesso a um ensino público de qualidade e sem preparo intelectual, ainda prefere eleger esses criminosos.

O correto seria que todos nós deixássemos de votar, conforme tem sugerido o comentarista Carlos Cazé, que defende categoricamente a ausência do eleitor em dia de votações. Mas o diabo será a repetição do que aconteceu com a eleição da Dilma Rousseff, que nos arrasou econômica e socialmente, porque naquela ocasião mais de 30 milhões de brasileiros não votaram, e deu no que deu.

ROUBARIAM MENOS – É claro que isso não quer dizer que o candidato Aécio Neves fosse a solução, mas os tucanos não teriam coragem de assaltar a Petrobrás como fez o PT, com negociatas grotescas como a compra da refinaria em Pasadena, mediante ordens diretas da presidente afastada, muito menos roubariam tanto os fundos de pensão e armariam golpes abjetos como os empréstimos consignados.

Roubariam, também, mas em valores menores, quantias que sempre foram absorvidas pela política corrupta e desonesta que é praticada no Brasil, até o dia em que a Justiça decida funcionar e passe verdadeiramente a limpo a política e a administração pública deste país.

COMPRA DA REELEIÇÃO – Aliás, se o Ministério Público Federal tivesse tomado providências, quando houve acusações seguras de que deputados haviam sido comprados para votar a favor da emenda da reeleição, à época de Fernando Henrique Cardoso, e não teríamos os pesadelos em dobro com Lula e Dilma.

Portanto, esta é a minha dúvida, que se situa entre ter cão e não ter cão, ou seja, devo votar ou não?! Por enquanto, deixarei de ir à capital do meu RS para votar nas eleições municipais, pois pretendo justificar o voto. Quanto à próxima eleição presidencial e demais cargos federais e estaduais, aguardarei os candidatos e a situação da política no ano que vem.

Geneton Moraes Neto e a história do ataque aéreo para matar Brizola em 1961

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Brizola, na rádio instalada no Palácio, defende a posse de Jango

Fernando Brito
Blog Tijolaço

Não fui seu amigo pessoal, mas devo a ele a parte mais valiosa do documentário que fiz sobre a resistência legalista de Brizola em 1961. Quinze anos atrás, um simples telefonema fez com que ele me cedesse uma fita cassete que era uma preciosidade. Uma, das muitas que ele recolheu naquilo que escolheu fazer: reportagem sobre a História brasileira.

Era o depoimento do escritor Oswaldo França Júnior, nos anos 60 piloto da Força Aérea Brasileira, narrando os preparativos e a frustração do bombardeio ao Palácio Piratini, de onde Leonel Brizola, governador gaúcho, comandava a resistência ao golpe para impedir a posse de João Goulart, em 1961.

É coisa que muita gente não faz ideia ou acha apenas “lenda” política. Reproduzo o texto feito por Geneton, com todo o mérito que tem de fazer um registro primário da história que muitos não acreditam que este país viveu e que ele, repórter da história brasileira, não deixou que se perdesse:

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O ESCRITOR RECEBE UMA MISSÃO: MATAR BRIZOLA
Geneton Moraes Neto.

A História poderia ter tomado um rumo diferente em 1964 se tivesse havido uma resistência igual à que Leonel Brizola comandou em 1961 para garantir a posse do então vice-presidente João Goulart na presidência da Republica depois da renuncia de Jânio Quadros. Com um microfone nas mãos, Brizola comandara em 1961 uma campanha pela legalidade: se a presidência estava vaga,o vice Goulart é que deveria assumir. Não era o que os militares queriam. Mas foi o que aconteceu.

A resistência legalista de Brizola em 1961 por pouco não acaba em bombas e balas. Piloto da FAB que anos depois ficaria famoso como escritor, o mineiro Oswaldo França Junior recebeu, com os colegas, uma missão que, se executada, poderia resultar na eliminação física do ex-governador Brizola sob um monte de escombros, num palácio bombardeado.

Oswaldo França Junior tinha um demônio dentro de si. Queria um exorcista. Todas as tentativas de traduzir o demônio em palavras foram frustradas. Bem que tentou, mas não conseguiu transformar em texto a incrível experiência quer viveu nos tempos em que era oficial da Forca Aérea Brasileira, no começo dos anos sessenta. Extremamente rigoroso com o que escrevia, a ponto de só aproveitar dez de cada cem paginas que produzia, Franca Junior despejou na lata de lixo as tentativas de relato da época.

Se transformadas em livro, as confissões do ex-primeiro-tenente França Junior poderiam ter virado best-seller político: basta saber que ele participou diretamente de uma operação secreta para bombardear o Palácio onde estava o então governador Leonel Brizola, em Porto Alegre. França Junior estava pronto para levantar voo num dos aviões que despejariam bombas sobre o Palácio. Nesta entrevista, ele revela com todos os detalhes como a operação foi preparada.

Diante do gravador, Oswaldo França Junior relatou com desembaraço o que jamais conseguiu escrever. Uma coisa é certa: França Junior é seguramente o único escritor em todo o mundo que recebeu uma ordem expressar para bombardear um palácio e matar um governador. Expulso da Aeronáutica pelo Ato Institucional Número 2 como ‘’subversivo’’, França Junior virou corretor de imóveis, vendedor de carros usados, dono de carrocinhas de pipoca e até administrador de uma pequena frota de táxis, antes de ficar conhecido nacionalmente com o romance ‘’Jorge,um Brasileiro’’, em 1967.

Vai falar o escritor que, como piloto, esteve a um passo de se envolver numa carnificina a mando dos superiores:

 

GMN: Você é seguramente um caso único de escritor que recebeu ordens expressas para eliminar um governador de Estado num bombardeio a um palácio. Você pode revelar em que circunstância exatamente foi dada a ordem de eliminar o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola?

França Junior : ‘’Você quer saber em que circunstâncias… Eu servia no Esquadrão de Combate, em Porto Alegre. Era a unidade de combate mais forte que existia entre o Rio de Janeiro e o Sul. Era o 1º do 14º Grupo de Aviação. A gente usava um avião inglês que, na FAB, recebeu o nome de F-8.  (Nota do Tijolaço: era o Gloster Meteor, jato  posterior à 2a. Guerra) Logo depois da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, Brizola fez a Cadeia da Legalidade através das emissoras de radio e se entrincheirou no Palácio do Governo, em Porto Alegre. O comandante do meu esquadrão nos reuniu e disse: ‘’Nós acabamos de receber uma ordem para silenciar Brizola. Vamos tentar convencê-lo a parar com esse movimento de rebeldia. Se ele não parar com essa campanha, vamos bombardear o Palácio e as torres de transmissão da rádio que ele vem usando para fazer a Cadeia da Legalidade. Vamos fazer tudo às seis da manhã. Vamos tentar dissuadir Brizola até essa hora. Se não conseguirmos, vamos bombardear’’.

Nós ouvimos essas palavras do comandante. Todo oficial tem uma missão em terra, além de ser piloto de esquadrão. Eu era chefe do setor de informação. Recebi ordens de calcular o quanto de combustível ia ser usado e quanto tempo os aviões poderiam ficar no ar. Dezesseis aviões foram armados para a operação. Pelos meus cálculos, a gente ia pulverizar o Palácio do Governo! O armamento que a gente tinha em mãos era para pulverizar o palácio. Um ataque para acabar com tudo o que estivesse lá. Não ia haver dúvida. Os aviões foram armados. Nos  preparamos. Colocamos as bombas e os foguetes nos aviões. Ficamos somente esperando chegar a hora, quando o dia amanhecesse.

Mas criaram-se aí vários impasses, vários problemas sérios.  Durante o tempo em que ficamos esperando, todos sabíamos que iríamos matar muita gente. Num ataque como aquele ao Palácio, bombas e foguetes cairiam na periferia. Muitas pessoas iriam ser atingidas. Além de tudo, Brizola estava com a família no Palácio, cercado de gente. Havia gente armada lá,mas não ia adiantar nada, diante do ataque que iríamos deflagrar com nosso tipo de avião. Podia ser que um ou outro avião caísse, o que não impediria de maneira nenhuma o ataque e a destruição do Palácio. E aí começou o questionamento.

O militarismo tem dois alicerces básicos: a disciplina e a hierarquia. Você não pode mexer nesses dois alicerces. Toda a carreira, todos os valores, todo o futuro do militar é garantido em cima desses dois suportes. Você, quando é militar, sabe exatamente o que vai acontecer com você daqui a dez, vinte anos, baseado nessa hierarquia e nessa disciplina. Isso dá uma segurança e um “espírito de corpo’’ bem desenvolvidos.

Mas, diante de nós, os tenentes que íamos fazer o ataque e não estávamos incluídos na alta cúpula, apresentou-se uma incoerência:  se o presidente da Republica, chefe supremo das Forcas Armadas, renunciou, automaticamente quem deve assumir é o vice-presidente. Nos perguntávamos ali: por que o Estado Maior – que não fica acima do Presidente da República – pode determinar que um vice-presidente não pode assumir? Então, há uma incoerência interna na hora de obedecer a uma ordem assim. Por quê? Porque aquela ordem, em principio, já quebrava a hierarquia, a base do sentimento militar.

Nós começamos a pensar. Mas íamos decolar, sim, para o ataque! Durante a noite, no entanto, houve um movimento inteligente, partido principalmente do pessoal de base. O avião de caca só leva uma pessoa, o piloto. Mas é necessário ter uma equipe grande de apoio no solo. E essa equipe de apoio, formada principalmente por sargentos, impediu a decolagem dos aviões. Os sargentos esvaziaram os pneus. E trocar de repente todos os pneus dos aviões de combate é um problema técnico complicado e demorado. Os aviões, assim, ficaram impedidos de decolar na hora do ataque.

Houve uma movimentação. E o Exército ajudou a controlar a divisão interna na Base Aérea. O Estado Maior mudou a ordem,para que nós decolássemos para São Paulo. E para a viagem de Porto Alegre para São Paulo, os aviões não poderiam decolar armados. Por quê? O avião de caça é uma plataforma que você eleva para transportar armamentos. Ali dentro só existe lugar para colocar combustível e arma. O piloto vai num espaço pequeno.  Então, tiraram os armamentos dos aviões para encher de combustível. Somente assim seria possível chegar a São Paulo. O Estado Maior estava centralizando o poder de fogo para que, se houvesse uma guerra civil, eles estivessem bem equipados’’.

GMN – Como militar, você cumpriria sem discussão essa ordem de bombardear o Palácio e eliminar fisicamente o governador?

França Junior: ‘’Naquelas circunstâncias de Porto Alegre, eu obedeceria, sim. Obedeceria! Um ou dois meses depois eu iria questionar. Por quê? Porque ali foi um ponto de ruptura, um divisor de águas. Naquela crise, em que passamos a noite inteira nos preparando para bombardear o Palácio do Governo, surgiram vários questionamentos. Somente de madrugada é que houve o problema da sabotagem dos aviões. Agora nem tanto, mas antes você só era preparado para lutar contra o inimigo externo. E de repente nos chegou aquela ordem para bombardear Brizola de uma hora para outra. Não houve nem uma preparação psicológica nossa. Você, então, começa a se questionar: por que é que as pessoas estão fazendo aquilo? Por que a realidade brasileira é essa? O militar, em qualquer crise política, não é como o civil – que pode fazer a opção sobre se vai participar ou não. O militar é obrigado a participar – e de arma na mão!’’.

GMN – Você é que escolheu as bombas que seriam usadas para matar Brizola?

França Junior: ‘’Não. Ajudei a verificar o volume de combustível nos aviões. Nós iríamos usar bombas de 250 libras. E 15 foguetes. Cada avião iria levar quatro bombas de 240 libras, além de quatro canhões. Eu digo: a gente ia pulverizar tudo! O armamento que iríamos usar não era para intimidar…’’.

GMN – Quando estava fazendo os cálculos de combustível e de armamentos,você pensava em quê?

França Junior –“O questionamento vem surgindo aos poucos A primeira impressão é que tinha acontecido algo sério e nos não tínhamos ainda acesso às informações sobre o que havia ocorrido. Haviam, provavelmente, descoberto ligações de Brizola ou de um grupo grande. O bicho-papão, na época, eram os comunistas. Então, eles devem ter descoberto uma trama tão diabólica e tão generalizada que estavam tomando uma atitude séria para impedir que o presidente assumisse.

A experiência que vivi foi inusitada, porque você julga que uma guerra civil pode surgir de um encadeamento de fatos que leva anos – mas não de uma hora para outra, como ali: uma pessoa vem e dá uma ordem. Se o pessoal de apoio da Base Aérea de Porto Alegre não tivesse impedido a decolagem dos aviões, nós teríamos decolado e destruído o Palácio. Não tenha dúvida! Isso forçosamente teria desencadeado um problema seriíssimo no Brasil’’.

Quem ganha com vazamentos?

COLUNA CARLOS BRICKMANN

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspendeu a delação premiada de Leo Pinheiro, o presidente da empreiteira OAS. Motivo: o vazamento de parte da delação, divulgado na capa da última Veja.

Pergunta 1 – Que será feito com a delação de Marcelo Odebrecht, amplamente vazada, amplamente comentada, até nesta coluna?

Pergunta 2 – O vazamento é ilegal e anula a delação – a teoria do fruto da árvore contaminada, que deve ser descartado. A Operação Castelo de Areia, que atingia uma grande empreiteira, foi anulada assim. Quantos processos foram abertos contra responsáveis por vazamentos?

Pergunta 3 – O caso do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia se baseiam largamente em delações da OAS. O caso se sustenta sem isso?

Pergunta 4 – Que acontecerá com uns 70 anexos da delação de Pinheiro?

A parte da delação de Leo Pinheiro que atinge o ministro Dias Toffoli é fragilíssima – aliás, não lhe imputa crime. Levantar suspeitas sobre o ministro, ou o STF, por eventuais pressões, é no mínimo prematuro; e é ofensivo ao procurador Rodrigo Janot considerá-lo vulnerável a pressões.

Por que, então, atirar nos advogados de Pinheiro a culpa do vazamento? Não tem lógica: por que vazariam a delação, correndo o risco de anulá-la e de trocar uma confortável prisão domiciliar por décadas de prisão comum?

E, enfim, a grande pergunta: quem se beneficiou com o vazamento?

Quem não fez?

O responsável pelo sigilo é que deve guardá-lo. O jornalista pode (e deve) divulgar aquilo que lhe cair nas mãos. É buscar, então, quem deveria proteger a transcrição das delações e verificar por que não o fez.

Quem fez?

Gilmar Mendes, ministro do STF, sugere onde iniciar as buscas: “(…) a investigação deve começar pelos próprios investigadores (…) Diria que o vazamento não é de interesse dos delatores. Acho que é dos investigadores, como tem se repetido em outros casos”.

Coisa estranha

Parece incrível, mas em processos rumorosos não é incomum que advogados peçam a jornalistas cópias das acusações a seus clientes. A informação correta chega antes aos repórteres e depois aos advogados.

Inverno quente

Começa hoje em Brasília a etapa final do impeachment, que deve terminar no dia 29, ou 30, provavelmente com a derrota de Dilma. Para ficar, ela precisaria do voto de 24 dos 81 senadores. Deve ter entre 19 e 21.

É coisa nossa

Do jornalista Ricardo Noblat (http://noblat.oglobo.globo.com/): “A partir da próxima semana, fora a jabuticaba, haverá outra coisa para chamarmos de nossa: a presidente da República afastada por um golpe que comparece ao último ato do seu julgamento para se defender diante de golpistas. Se for absolvida, dirá que derrotou o golpe. Se for condenada, dirá que foi vítima dele. Em seguida, embarcará para uma temporada de férias no exterior porque ninguém é de ferro”.

Boa memória

Um assíduo leitor desta coluna comenta, a respeito da nota sobre o pedido de Temer ao PSDB para definir um nome de consenso, que ele o apoiaria em 2018 (até hoje não recebeu resposta), que Tancredo Neves, já escolhido presidente, foi procurado por uma comissão do Triângulo Mineiro, que pedia a criação de um Estado.

Concordou: bastaria escolher a capital, Uberlândia ou Uberaba. O assunto morreu.

Chinelagem 1

José Dirceu foi condenado a uma pena de prisão. Tripudiar sobre sua situação é uma pena extra, a que não foi condenado e que ninguém merece. Tudo começou com a apreensão de pendrives em sua cela. O conteúdo não tinha nada de perigoso nem de criminoso. Viola as normas da prisão? Que sejam adotadas as medidas disciplinares de praxe – o que não inclui ampla divulgação nacional do fato, nem a publicação das fotos de frente e perfil, com o visível objetivo de humilhá-lo.

Punição legal, sim; escárnio, não.

Chinelagem 2

Discute-se no Congresso se Dilma deve manter os privilégios de ex-presidente, mesmo impichada. Se impichada, ela será ex-presidente, ponto. Collor manteve os privilégios após o impeachment. Por que não Dilma?

Tá faltando um

A Câmara Municipal de Guaxupé, MG, mantém apenas um vereador entre os 13 eleitos. Os 12 restantes perderam o mandato por improbidade. Costumavam receber diárias indevidas para pegar algum a mais.

Prejuízo: R$ 159 milhões, que foram condenados a devolver até 31 de dezembro.

Ibope revela desabamento do PT tanto no Rio quanto em São Paulo

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Charge do Millôr, reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

A primeira pesquisa do Ibope. Feita por encomenda da Rede Globo para prefeitos do Rio e da cidade São Paulo – objeto de reportagem de Ruben Berta e Juliana Castro, O Globo, edição de quarta-feira – destaca as lideranças de Marcelo Crivellae Celso Russomano, respectivamente, mas sobretudo o desabamento do PT nas duas maiores cidades do país. No Rio, Jandira Feghali (PCdoB–PT) aparece com 6 pontos. Na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad, que tenta a reeleição, registra somente 9 por cento das intenções de voto. Muito pouco.

A comparação é inevitável. No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella emerge com 27 por cento, o que, a meu ver, assegura sua presença no segundo turno. Em São Paulo, Russomanno alcança 33 por cento das intenções de voto. Ambos, portanto, muito distantes dos candidatos do Partido dos Trabalhadores. O PT, como os números provam , deixou de ser uma legenda que acrescenta prestígio. Passou a representar o efeito contrário. Os eleitores e eleitoras iniciam um processo de forte rejeição à legenda.

Principalmente no caso paulista, uma vez que Fernando Haddad tem a seu favor diretamente o peso da máquina administrativa.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes, como o Ibope acentua, não está conseguindo influir na decolagem de seu candidato, Pedro Paulo. Aparece em segundo Marcelo Freixo, candidato do PSOL, um ponto à frente de Flávio Bolsonaro, que parece encontrar-se no seu teto. Freixo possui mais espaços a percorrer.

Se eu tivesse que apontar um desfecho, hoje, colocaria Crivella e Freixo num provável segundo turno. O senador vem de várias disputas majoritárias, o que torna seu nome mais conhecido. Se não apenas isso o favorecer na largada, tem que se levar em conta, com bom peso, o apoio que direta ou indiretamente recebe da Record, segunda rede de televisão do país, e da Igreja Universal.

INDEFINIÇÃO – Mas da mesma forma que futebol se ganha no campo, eleição se vence ao longo da campanha. Depende assim dos temas adotados pelos candidatos e candidatas e da forma com que vão abordá-los nos 35 dias que precedem ao comparecimento ás urnas.

Ninguém vence de véspera, mas a pesquisa que o Ibope realizou para a Rede Globo e o jornal O Estado de S. Paulo mostra Russomanno com 33% e Marta Suplicy com 17 pontos. O tucano João Dória aparece empatado com Luiz Erundina, do PSOL, com 9 pontos cada.

TUCANOS DIVIDIDOS – Dória tem apoio do governador paulista e sua vitória será imprescindível para possibilitar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência em 2018. Por isso, Os outros dois pré-candidatos, Aécio Neves e José Serra, não fazem a menor força para eleger Dória.

Serra, Aécio e Alckmin são correligionários até certo ponto. Prudentemente, o presidente Michel Temer não deve participar das campanhas dos candidatos do PMDB. Uma derrota provável no Rio. Com Pedro Paulo, e uma possível perda com Marta Suplicy, em São Paulo.

Parabéns, Janot! Os bandidos já começaram a ser beneficiados com a sua decisão

  E não pensem os “jovens turcos” do MP que os que fomos às ruas cobrar moralidade na política daremos carta branca para novos demiurgos

Por: Reinaldo Azevedo

Léo Pinheiro, o ex-chefão da OAS, prestou depoimento ontem ao juiz Sérgio Moro sobre aquele caso envolvendo o ex-senador Gim Argello, que teria feito parte de um grupo que passou a cobrar propina para a CPMI da Petrobras não convocar os empreiteiros.

E o que fez Léo? Ora, o que qualquer um faria no lugar dele, depois da decisão tomada pelo bravo procurador-geral da República, Rodrigo Janot: ficou calado.

Tudo a seu tempo. Mas posso assegurar que pelo menos um ex-capa-preta da Câmara está acendendo velas a seu capeta-da-guarda — já que anjos não se metem com essa gente. Há uma boa possibilidade de sair ileso.

Eis aí: essa já é a primeira consequência de Janot ter decretado o fim da delação premiada de Léo Pinheiro, transformando o empresário no bode expiatório de um Ministério Público que fugiu do controle. De qual controle? Do controle das regras e fundamentos da democracia.

É realmente impressionante que associações de procuradores e ao menos uma de juízes endossem a ação de Janot, falando em nome do combate à impunidade.

Em vez de botar ordem na casa, o procurador-geral da República alimenta hipóteses conspiratórias completamente destrambelhadas, como se alguém estivesse interessado em pôr fim à investigação.

O homem decreta que as informações de um dos principais empreiteiros do esquema não mais interessam. Mas seus críticos é que estariam conspirando contra a Lava-Jato.

Vamos ser claros? A frequência com que membros do MP apareciam fazendo política, em vez de se dedicar à investigação, já indicava que algo estava fora do lugar.

Fico à vontade para falar porque critiquei comportamentos destrambelhados quando o PT ainda estava no poder. Então não venham os tontos dizer que só me ocupo disso agora porque, afinal, os petralhas já caíram. Não tenho inimigos de estimação. Sou amigo é dos procedimentos do Estado de Direito.

De resto, quem, pelo visto, quer pôr um ponto final à apuração é Rodrigo Janot, certo? Eu estou aqui cobrando a delação de Léo Pinheiro.

Mas, pelo visto, o procurador-geral e os MP como um todo estão realmente convencidos de que já não precisam dar satisfações a ninguém. Basta-lhes tomar decisões e dizer que assim são as coisas.

Imaginem se, diante da constatação de que Júlio Camargo mentia, o sr. Janot tivesse resolvido mandar para o triturador de papéis a sua delação… Eduardo Cunha estaria hoje numa situação muito melhor.

Mas quê! Na delação em si, Camargo mentiu e disse que nunca tinha pagado propina a Cunha. Resolveu falar a verdade num depoimento a Sérgio Moro, na primeira instância, o que, do ponto de vista técnico, já é uma aberração.

Não sofreu punição nenhuma. Afinal, a Janot interessava quebrar as pernas do deputado, cujo processo andou bem mais rápido do que o de outros políticos. Ou não andou? E isso não quer dizer que o dito-cujo não mereça punição severa!

Janot tem de voltar atrás na sua decisão. Não é o dono da investigação. Ou tem de se explicar. Também não é dono da história.

Hoje, quem assa a pizza é ele. Não adianta estufar o peito e fazer ar altivo. Tem de prestar contas de seus atos, sim!

E não pensem os “jovens turcos” do MP que os que fomos às ruas cobrar moralidade na política daremos carta branca para novos demiurgos.

O que fizemos foi mandar pra casa os demiurgos, doutores! Voltem já para as leis e para a Constituição!

Decisão de Janot faz Léo Pinheiro ficar em silêncio e causa retrocesso na Lava Jato

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Charge do Oliveira, reprodução do Diário Gaúcho

Carlos Newton

Em um momento verdadeiramente crucial, em que estavam sendo reveladas as mais importantes informações sobre os esquemas de corrupção montados na administração pública, a apressada, estranha e inexplicável decisão do procurador-geral Rodrigo Janot paralisou as investigações da Lava Jato e causou uma grave crise institucional.

DECISÃO DESASTRADA – Alegando represália ao vazamento de uma simples menção ao ministro Dias Toffoli, do Supremo, Janot suspendeu o acordo de delação de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS. Com essa desastrada providência, simplesmente desfez um trabalho que vinha sendo feito há dois anos pela Lava Jato, cujos resultados só estavam sendo colhidos agora.

O empreiteiro já tinha assinado o termo de confidencialidade, mas ainda não havia firmado o acordo propriamente dito. Por causa da decisão de Janot, três dias depois Pinheiro ficou em silêncio durante depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba (nesta quarta-feira, dia 24), e os anexos já apresentados por ele, em que denunciava a corrupção de grandes figurões da República, incluindo o ex-presidente Lula da Silva, agora estão sendo devolvidos a seus advogados.

IMPEDIR VAZAMENTOS? – Na era digital, os vazamentos de informações policiais e judiciais são praticamente impossíveis de se evitar. Por isso, desde o início da Lava Jato, têm sido uma constante, sem que jamais se conseguisse apurar seus autores.

Tomam conhecimento das investigações e podem fazer vazamentos o respectivo juiz federal e seus assessores mais próximos, além dos procuradores e delegados federais que atuam nos inquérito e processos em Curitiba, São Paulo ou Brasília, as três praças em que se divide hoje a Lava Jato. No caso de foro privilegiado, as informações passam pelo ministro Teori Zavascki, seus juízes auxiliares e assessores, o procurador-geral Rodrigo Janot e sua extensa equipe, além dos delegados federais que atuam junto ao Supremo em Brasília.

Com tanta gente envolvida, como identificar os autores de algum vazamento? É muito difícil, mas para o procurador Janot seria até fácil. Culpou logo o delator Léo Pinheiro, e estamos conversados. Foi uma imprudência.

MENSAGENS DE CELULAR – Os vazamentos ocorrem em jornais, emissoras de TV e revistas, indistintamente. Em janeiro, a TV Globo divulgou mensagens de celular mostrando que a rede de contatos da OAS abrangia integrantes dos três poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário. Nas mensagens, políticos chegam a cobrar ao então presidente da OAS as propinas que tinham sido prometidas por ele.

A delação de Léo Pinheiro tornou-se particularmente importante porque ele é o empreiteiro de maior proximidade pessoal com as cúpulas e os figurões dos três Poderes. Por isso, a inoportuna decisão de Janot provou imediatamente retrocesso nas investigações e fez a felicidade de muitos corruptos, porque os depoimentos anteriores de Pinheiro já estão sendo devolvidos e não mais servirão como provas para condenar os envolvidos.

O mais interessante é que o principal atingido, Dias Toffoli, não se defendeu com firmeza e até anunciou que não pretende processar a Veja por ter denegrido sua honra. Aliás, essa nem foi a primeira vez que seu nome surgiu na Lava Jato.

REAÇÕES ESTAPAFÚRDIAS – Enquanto Toffoli se recolhia, certamente por não saber até que ponto vão as informações de posse da Veja, o procurador Janot assumia precipitadamente a defesa do ministro do Supremo e reagia atabalhoadamente, digamos assim.

Logo em seguida, o ministro Gilmar Mendes, que é amigo íntimo de Tofolli, acionou a metralhadora giratória e saiu atacando a Lava Jato e a Procuradoria. E na quarta-feira o também ministro Marco Aurélio Mello veio à tona para defender a atuação da República de Curitiba e exigir que o vazamento seja investigado.

Ou seja, a crise institucional da Lava Jato enfim se instalou, para atrapalhar os inquéritos e fazer a festa dos  envolvidos no esquema de corrupção. Mesmo assim, la nave va, singrando fellinianamente o mar de lama.

Este filme já passou. E o final é conhecido

Rolo de filme (Foto: Arquivo Google)

Ricardo Noblat

Duas testemunhas de acusação serão ouvidas, hoje, pelo Senado na reta final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, a consumar-se na próxima semana. Seis, de defesa, serão ouvidas amanhã.

Elas repetirão o que já disseram em sessões anteriores do Senado destinadas ao mesmo assunto. Bem como se repetirão as perguntas que os senadores lhe farão, todos eles interessados em obter respostas favoráveis ou contrárias ao impeachment.

Dificilmente algo de novo virá à luz. Cumpre-se o ritual estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Cada um dos 81 senadores já sabe como votará, embora meia dúzia deles ainda faça questão de esconder de público se votará a favor ou contra o impeachment.

Dilma só contou com 22 votos quando o Senado admitiu a instauração do processo. Mais recentemente, perdeu um dos 22 votos. Arrisca-se a só conseguir agora entre 18 e 20. Precisaria de 28 para não ter o mandato cassado nem os direitos políticos suspensos.

Ela mente quando diz que irá ao Senado se defender na próxima segunda-feira com a esperança de convencer senadores a absolvê-la. Não, ela não tem esperança alguma. Irá para viver o papel de presidente afastada pelo que ela chama de “golpe”.

Seu discurso, ali, será essencialmente político. Ela não falará para os senadores, mas para a História. E espera que a História a absolva do crime de ter gastado além do que o Congresso a autorizara, e do desastre de ler levado o país a uma terrível recessão.