Diversidade é o caminho

 Moreira Franco

O incontestável sucesso dos jogos do Rio de Janeiro mostrou ao mundo o que o Brasil e o seu povo têm de melhor. Mesmo sob cenário de tantas adversidades no país, fizemos das competições uma oportunidade de relembrarmos nosso respeito pela diversidade e demonstrarmos nossa capacidade de superar desafios. Precisamos preservar este espírito entre nós para voltarmos ao bom caminho do desenvolvimento econômico e social.

As duas festas que demarcaram o início e o fim dos jogos deram o tom: somos a soma de etnias, culturas e modos de vida que fazem daqui uma das terras mais plurais do mundo. Somos criativos e capazes de inovações que mudam o mundo – quem mais pode se orgulhar da genialidade de Santos Dummont com seu 14 Bis?

 

A sensação de dever cumprido e o prazer de ter encantado bilhões de expectadores em todos os continentes devem nos servir de impulso para enfrentarmos as grandes dificuldades que temos pela frente.

Por erros cometidos nos últimos anos, estamos mergulhados na maior recessão de nossa história. A dramática queda na capacidade de mover a economia não representa apenas uma paralisia do nosso setor produtivo, mas sim o drama de milhões de famílias que sentem em seu cotidiano os efeitos da carestia e da ameaça permanente do desemprego.

Esse cenário custa às famílias a autonomia para decidir seus próprios rumos e impõe perdas de direitos e conquistas obtidas por meio do trabalho. Esse é o legado mais nefasto da crise que vivemos hoje.

Traço um paralelo com o fim da década de 70, quando o país sofria os efeitos do fim do milagre econômico e dos dois choques do petróleo que abalaram o mundo inteiro. Havia então, como agora, escassez de recursos públicos, inflação e inquietação social.

Estamos começando a reconstruir a credibilidade do governo federal diante da sociedade, no Brasil e no exterior. Um trabalho árduo para superar o ciclo vicioso que se instalou no país por conta da arrogância e da falta de visão estratégica: na relação entre o governo e a sociedade faltava confiança e previsibilidade, logo não havia diálogo. Onde não há diálogo, não há avanço.

Precisamos revitalizar o Estado brasileiro, que foi atacado por anos sucessivos em prol da manutenção de um projeto individual de poder. Partimos para esse processo com a convicção de que temos instituições sólidas, que foram capazes de manter a estabilidade mesmo sob a agudez da crise dos últimos dois anos. Some-se a ela o enorme potencial de superar dificuldades do povo brasileiro e temos os elementos para virarmos a página.

Para lidar com tantos desafios, precisamos construir pontes entre todos os setores da sociedade. Há muitos ajustes por serem feitos para que o Brasil volte a avançar econômica e socialmente e se torne uma nação de classe média, em que seus cidadãos vivam de maneira próspera e segura.

Polêmica no mercado da biodiversidade no Brasil (Foto: Thinkstock)O mercado da biodiversidade no Brasil (Foto: Thinkstock)

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