Receita Federal ajuda Lava Jata a devassar as 72 palestras que Lula teria dado

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo
Estadão

Com apoio da Receita Federal, os dados de documentos anexados à primeira denúncia formal da Lava Jato contra Lula na Justiça Federal em Curitiba estão sendo cruzados com informações registradas por o ex-presidente e seus familiares, amigos e sócios. As suspeitas são que as movimentações financeiras da LILS e do Instituto Lula serviram para ocultar propinas.

No material produzido pela PF, os peritos comparam as datas de recebimentos pela LILS por palestras com o período em que as empreiteiras pagaram propinas a dois ex-diretores da Petrobrás: Paulo Roberto Costa, ex-Abastecimento e primeiro delator da Lava Jato, e Renato Duque, ex-Serviços. Esse último, cota do PT no esquema de fatiamento político da estatal entre PT, PMDB e PP.

“Insta destacar, inclusive, que os períodos nos quais as empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão efetuaram pagamentos de propinas à Paulo Roberto Costa, via Costa Globa, coincidem com o período em que efetuaram pagamentos a LILS Palestras, Eventos e Publicações por serviços pretensamente prestados.”

PRIMEIRO DELATOR – Costa foi o primeiro delator da Lava Jata a confessar o esquema Petrobrás. Ele apontou em 2014 ao juiz federal Sergio Moro que a corrupção era sistêmica no governo federal, abrangendo além da área de petróleo e gás, energia, rodovias, ferrovias e aeroportos.

Pela Costa Globa ele recebeu “propinas atrasadas das empreiteiras: a Camargo Corrêa, no valor de R$ 3 milhões, Queiroz Galvão, R$ 600 mil, Iesa Óleo & Gás, R$ 1,2 milhão e Engevix, R$ 665 mil. Dessas, as duas primeiras efetuaram pagamentos a LILS.

O MPF destaca que Costa, que foi diretor de Abastecimento da Petrobrás entre maio de 2004 e abril de 2012, e Renato Duque, que ocupou a Diretoria de Serviços da estatal de janeiro de 2003 a abril de 2013, terem aberto empresas de consultoria – respectivamente, as empresas Costa Global e D3TM – para continuarem “a receber valores de propina sob a forma de contratos falsos de prestação de serviços”.

ENVOLVIMENTO – No processo criminal aberto pelo juiz federal Sérgio Moro na terça-feira, dia 20, Lula é acusado pelo envolvimento com R$ 87 milhões de propinas pagas pela OAS, por três contratos da Petrobrás. A acusação aceita aponta que R$ 3,7 milhões desse montante foram pagos ao ex-presidente de forma oculta no triplex 164-A do Edifício Solaris no Guarujá (SP) e no custeio do armazenamento de bens pessoais do petista ente 2011 e 2016.

Além do inquérito aberto sobre a LILS e Instituto Lula, o ex-presidente ainda é alvo de um inquérito por corrupção e lavagem de dinheiro na compra e reforma do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que a Lava Jato diz ser dele – o petista nega – e de investigações por associação à organização criminosa e obstrução às investigações do escândalo Petrobrás, em Brasília – no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Justiça Federal do Distrito Federal.

72 PALESTRAS – O Instituto Lula informa que “de 2011 a 2015, Lula deu 72 palestras empresariais pagas, para 45 empresas contratantes no Brasil e em todas as partes do mundo”.

“Lula discursou em reuniões de diretoria, seminários para dirigentes de empresas, encontros com clientes e confraternizações dos mais diversos setores – financeiro, alimentício, construção, bebidas, comércio, comunicações e outros.”

Segundo informa o documento, “todas as receitas e despesas da empresa LILS foram devidamente contabilizadas e seus rendimentos registrados nas declarações de Imposto de Renda dos dois sócios”.

“A LILS estabeleceu um contrato padrão para ser utilizado em cada palestra e tomou como referência o valor em reais equivalente a 200 mil dólares, de acordo com a taxa de câmbio da época da palestra, semelhante ao cobrado por outros ex-presidentes de projeção internacional.”

DESINTERESSE E IRRITAÇÃO

Vem se aproximando perigosamente do dia da eleição dois fatores que as pesquisas eleitorais não consideram, pelo contrário, fogem deles como o diabo da cruz: o desinteresse e a irritação. Os candidatos, os partidos políticos, a justiça eleitoral e até a mídia omitem e abominam esses dois sentimentos que acompanharão boa parte do eleitorado e demonstrarão a pouca importância que o cidadão comum vem dando ao processo político.

Vamos aguardar os resultados, mas há quem preveja boa parte do eleitorado deixando de comparecer às urnas, por desinteresse amplo, geral e irrestrito.

Outros que não comparecem ou que votam por obrigação estarão com raiva de tudo o que os candidatos representam. A irritação diante daqueles que mentiram a mais não poder durante as campanhas torna-se evidente em qualquer conversa. “Votar nesses bandidos que nos exploram, para quê?”

Os acontecimentos recentes, do mensalão ao petrolão, da Operação Lava Jato ao juiz Sérgio Moro, deixaram o eleitor com raiva da política e dos políticos. “Para que votar se eles vão roubar?”

Essas previsões dependem de comprovação, porque milagres às vezes acontecem. Pode ser que a maioria do eleitorado decida cumprir o seu dever, assim como existirá, entre os candidatos a prefeito e a vereador, um grupo de gente honesta e capaz de trabalhar pelo povo. Mas é bom não apostar, porque o desinteresse e a irritação batem à porta, faltam só 48 horas.

Houve tempo em que as eleições não eram informatizadas e tínhamos de votar colocando no envelope um papelzinho com o nome do candidato. Era grande o número de eleitores que rabiscavam ofensas e até palavrões em vez do nome do candidato, ou até preferencialmente deixando os dois. A justiça eleitoral proibiu a divulgação daquelas opiniões, e agora ficou impossível exprimir nossa irritação num teclado de computador. Mas a raiva permanece a mesma.

Em suma, vale aguardar a noite de domingo, quando já se conhecerão os prefeitos recém-eleitos. O desinteresse poderá ser expresso pela ausência, a abstenção e o voto em branco. A irritação, porém, seguirá com o eleitor.

O SILÊNCIO LUSITANO

Cascais, Portugal – Tão em moda no inicio deste ano, arrefeceram-se por aqui as notícias do golpe, depois do impeachment da Dilma. Noticia-se mais hoje a prisão do staff de Lula – Palocci e Mantega –, estampada nos principais jornais daqui. Nota-se,  entre os portugueses, um certo espanto com as notícias e já se percebe uma percepção deles com o que aconteceu no Brasil no governo do PT. Existe, porém, um certo ceticismo em relação ao Temer, uma ligeira desconfiança do que será o seu governo e o que ele vai produzir daqui para frente para tirar o país do caos econômico, atrair investimentos estrangeiros e colocar o Brasil nos trilhos novamente depois da terra arrasada petista.

Quando estive aqui em maio deste ano, discutia-se com fervor a legalidade ou não do impeachment da Dilma. Os portugueses mostravam-se influenciados pelo que liam e viam na televisão produzido por seus correspondentes no Brasil. Depois do impeachment, compreende-se melhor a legalidade constitucional do ato, chancelado pelo presidente do STF, e é evidente o desencanto de muitos com o PT depois da notícia da denúncia de Lula pelos crimes de corrupção e da prisão de seus dois ex-ministros da Fazenda, coisa até então inimaginável para o povo português.

A imprensa lusitana já não trata com tanto destaque a prisão dos petistas no Brasil. Acostumou-se ao noticiário da Lava Jato, as delações premiadas dos empresários e políticos e os escândalos de corrupção que se alastraram pelas empresas públicas com a partipação dos ex-ministro da Dilma e do próprio ex-presidente Lula. A Dilma, algumas vezes, tem sido contemplada com notas de rodapés dos jornais, nada mais do que isso. Sua versão de que fora arrastada do poder por um golpe de estado esvaziou-se. Aqui, como no Brasil, ela está indo para a história como uma presidente tonta e desequilibrada, que desgovernou o país atabalhoadamente durante os seis anos.

Como era de se esperar, a estrela entre os portugueses é o juiz Sérgio Moro. Para alguns jornalistas e políticos, o magistrado conseguiu inibir a corrupção no Brasil e mostrou, com ousadia, que a elite, que tanto beneficiou o PT com dinheiro roubado, também está sendo punida. Acreditam que o Lula não escapa das garras da justiça porque seus ex-ministros da Fazenda, pressionados pelas investigações que os apontam como intermediários do dinheiro sujo, devem fazer delação premiada. Não querem apodrecer na cadeia, a exemplo de Zé Dirceu e dos ex-tesoureiros do PT.

Muitos dos lusitanos não entendem como um prefeito do interior de São Paulo conseguiu movimentar uma fortuna na campanha. Antônio Palocci, que já respondeu a processos quando esteve à frente da prefeitura de Ribeirão Preto, foi denunciado pelo pessoal da Odebrecht como o homem que fazia as transações do dinheiro sujo para as campanhas do PT. Portanto, se resolver realmente abrir o bico tanto Lula como Dilma vão ter que esclarecer o caixa dois que rolou nas campanhas presidenciais. A indisponibilidade dos 30 milhões de reais, encontrados em sua conta pessoal, impossibilita Palocci de se movimentar e até gastar com seus advogados. Uma medida acertada.

A revelação de que os principais homens de Lula estão envolvidos em corrupção e no assalto aos cofres públicos tem esfriado por aqui os movimentos daqueles que ainda acreditavam na inocência de alguns petistas e de que o governo do PT estava sendo realmente injustiçado. Com as últimas prisões a ficha dos portugueses caiu. Agora eles sabem que o Brasil lava roupa suja diariamente manchada pelas falcatruas e as maracutaias da quadrilha petista que governou o país.

Mas para os portugueses o atual governo também está amordaçado. Não caminha com as próprias pernas porque ainda é refém de um amontoado de ideias desencontradas e de projetos duvidosos para tirar o país do caos. Não consegue inclusive se comunicar com eficiência sobre os seus feitos por absoluta incompetência. E no momento em que deveria falar também para o público externo, mandou desligar o sinal da TV Brasil que transmitia sua programação para Portugal tão usada pelos petistas para combater o impeachment e propagar o golpe.

Quanta trapalhada, meu Deus!

DEPOIS DAS RUAS, VAMOS ÀS URNAS!

Depois de uma intensa e bem sucedida mobilização da sociedade em defesa do impeachment de Dilma Rousseff, é chegado o momento decisivo de o cidadão se manifestar nas urnas e exercer o direito do voto. Neste domingo, dia 2 de outubro, os brasileiros começam a definir o rumo de suas cidades pelos próximos quatro anos, escolhendo novos prefeitos e vereadores e escrevendo mais uma página importante da nossa democracia.

A cidadania terá mais uma oportunidade efetiva, desta vez por meio do voto, de expressar sua indignação contra o desmantelo e a corrupção do lulopetismo. Ao que tudo indica, o partido de Lula e Dilma, que vem tendo suas entranhas criminosas expostas pelas investigações da Operação Lava Jato, terá sérias dificuldades e amargará derrotas eleitorais emblemáticas.

Em São Paulo, onde a eleição ultrapassa os limites da metrópole e ganha dimensão nacional, é fundamental derrotarmos o PT de Fernando Haddad, que vem impondo aos paulistanos uma gestão desastrosa nos últimos quatro anos. O caos na saúde persiste, a falta de vagas nas creches se tornou um drama, a periferia foi abandonada pela administração pública, o programa de combate às drogas lançado pela Prefeitura só agravou o problema na região conhecida como “Cracolândia” e a busca de soluções fáceis para resolver questões complexas foi uma das marcas que simbolizam a incompetência do prefeito. A maior cidade do Brasil, hoje, está em marcha lenta e precisa acelerar.

Em nível nacional, enquanto o PT amarga uma redução significativa na quantidade de candidaturas em relação às eleições municipais de 2012, o PPS disputará o pleito deste ano com mais de 16 mil candidatos em todo o país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados na última quarta-feira (28), o partido conta com mais de 400 candidatos a prefeito e cerca de 500 a vice-prefeito, além de outros 15 mil a vereador. Essa grande presença certamente se deve ao protagonismo assumido pelo PPS, especialmente durante o processo de impeachment, tendo se posicionado desde o início, com coragem e altivez, como opositor firme, sem ódio e sem medo ao lulopetismo.

Também é importante destacar que as eleições deste ano são atípicas, especialmente em decorrência das novas regras impostas pela legislação eleitoral, entre as quais a proibição do financiamento empresarial. Ao contrário do que alguns imaginam, a mudança foi positiva porque inibiu o predomínio do poder econômico sobre as campanhas, evitando abusos e tornando as disputas, em geral, menos desiguais. Houve, de certa forma, um fortalecimento dos partidos políticos e das propostas e programas apresentados.

Além disso, o novo modelo de financiamento levou a uma fiscalização muito mais eficiente e rigorosa sobre todos os candidatos, até mesmo por parte dos adversários. Isso se deve, inegavelmente, à sociedade brasileira, hoje muito mais atenta e atuante, e ao trabalho de instituições como o Ministério Público, além da própria Justiça Eleitoral, ambos em pleno funcionamento.

A mudança que o país começou a experimentar com o fim do desmantelo causado por Lula e Dilma é um capítulo que continuará a ser escrito neste domingo. Depois de derrotarmos o PT nas ruas, com a mobilização de milhões de brasileiros, e no Congresso Nacional, onde o impeachment foi aprovado na Câmara e no Senado, chegou a hora de darmos o nosso recado nas urnas, por meio do voto. Este é o momento de virarmos uma triste página de nossa história e continuarmos construindo o futuro. Bom voto a todos.

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS 

Reta final de campanha coloca Ribamar Alves no páreo da disputa

 

Desde a inauguração do seu comitê, a campanha de Ribamar Alves começou a despontar numa crescente perceptível e que veio aumentando a cada caminhada, carreata e comício realizados pela coligação “Santa Inês é do Povo”.

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Prefeito Ribamar Alves

Até então tímida e silenciosa, a campanha dos 40 esteve desacreditada até pelos mais apaixonados simpatizantes do grupo de Ribamar Alves, mas após a inauguração do comitê, o candidato a reeleição, juntamente com seu candidato a vice, Pastor Labareda, iniciou uma nova trajetória, a qual mantém-se intensa até o presente momento.

Ribamar Alves; a primeira-dama Luana Alves e o Pastor Labareda, contando sempre com uma caravana de candidatos a vereador e uma onda de simpatizantes têm percorrido bairros e povoados de Santa Inês, reunindo com o povo; visitando e realizando caminhadas e comícios.

O trabalho realizado ao longo do atual mandato e as propostas apresentadas pelo Grupo 40 estão despertando grande parte do eleitorado de Santa Inês, o que fez com que a candidatura de Ribamar Alves entrasse de vez para a disputa e seu nome já figura como forte concorrente à reeleição.

Lava Jato analisa movimento de R$ 52 milhões de empresa de palestras de Lula

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Charge do Alpino, reprodução do Yahoo

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo
Estadão

A Operação Lava Jato rastreia os valores movimentados pelo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua empresa de palestras, a LILS Palestras, Eventos e Publicações. Em 2014, ano de deflagração da fase ostensiva das investigações de cartel e corrupção na Petrobrás, foi registrada a distribuição de R$ 5,3 milhões em lucros ao petista dos R$ 7,5 milhões em dividendos retirados da empresa desde que ela foi aberta em 2011, após deixar a Presidência da República.

Réu desde a semana passada por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo Petrobrás, Lula é acusado de receber R$ 3,7 milhões em propinas em reformas e benfeitorias no triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP) – parte dos R$ 87 milhões pagos pela OAS por três contratos na estatal.

LUCRO DISTRIBUÍDO – “A LILS Palestras, Eventos e Publicações distribuiu a Lula, a título de lucro, R$ 7.589.936,14, ou seja, 36% do total auferido pela entidade no período (destacando-se que a maior retirada, de R$ 5.670.270,72 aconteceu em 2014, ano da deflagração da fase ostensiva da ‘Operação Lava Jato’)”, registram os procuradores da Lava Jato, na primeira denúncia que levou Lula ao banco dos réus, em Curitiba, na terça-feira, 20.

As informações são de um documento produzido em março pela Lava Jato, inicialmente anexado ao pedido de condução coercitiva de Lula, quando foi alvo da Operação Aletheia. As movimentações financeiras da LILS e do Instituto Lula são alvo de um inquérito ainda aberto na Polícia Federal, que deve resultar em nova denúncia criminal da Procuradoria contra o ex-presidente, ainda esse ano.

Criada para que o ex-presidente pudesse dar palestras, a LILS movimentou entre 2011 e 2015 um total de R$ 52,3 milhões. Foram R$ 27 milhões recebidos, a maior parte de empreiteiras e grandes empresas, e R$ 25,2 milhões em débitos.

EMPREITEIRAS – A Lava Jato passou a investigar a LILS depois que identificaram que R$ 9,9 milhões recebidos pela empresa tiveram como origem seis empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás.

As empreiteiras investigadas por pagamentos de palestras de Lula são a Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e UTC. Executivos das três últimas fizeram delação premiada e confessaram pagar propinas – nenhum confessou, nos termos tornados públicos até aqui, corrupção no dinheiro de palestras de Lula. Os executivos da Odebrecht ainda negociam um acordo.

As suspeitas da Lava Jato são que os pagamentos por palestras realizadas por Lula a partir de 2011 podem ter ocultado propinas do esquema de cartel e desvios nos contratos da estatal. Além da empresa de palestra, estão sob investigação as doações e contribuições feitas para o Instituto Lula.

“Lula manteve relação próxima com diversos executivos dessas companhias. Além da proximidade, identificou-se que o Instituto Luiz Inácio Lula da Silva e a L.I.L.S., entidades em que Lula é a figura máxima, receberam aportes multimilionários das empreiteiras participantes da organização criminosa.”

 INVESTIMENTOS – Relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, mostra que a LILS aplicou R$ 35,17 milhões em fundos de investimento, entre abril de 2011 e maio de 2015. Os valores foram investidos via BB Gestão de Recursos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Os técnicos alertam sobre possível ocorrência de “operações cujos valores se afiguram objetivamente incompatíveis com a ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial/financeira de qualquer das partes envolvidas”.

No documento da Lava Jato anexado à denúncia, a força-tarefa registra que “não obstante sua estrutura bastante limitada, mormente para a prestação de serviços de ‘organização de feiras, congressos, exposições e festas’, foi possível verificar no curso das investigações da Lava Jato que a LILS foi destinatária, nos últimos anos, de vultosos recursos”.

RENDA MENSAL – O Coaf registrou também que no período de 2011 e 2015 a LILS aplicou R$ 5 milhões no Brasilprev. O documento registra que a LILS tem como sócios Lula, com 98%, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Tarciso Okamotto – também réu no processo contra o ex-presidente na Lava Jato em Curitiba.

“Ex-presidente da República, atualmente cadastrado com empresário, com renda mensal no valor de R$ 3.753,36”, registra o Coaf.

O ex-presidente apresentou documentos para comprovar que realizou as palestras para qual foi contratado. Segundo o Instituto Lula, que registrou publicamente todos os serviços, foram 72 palestras, ao custo de US$ 200 mil cada.

LAVAGEM DE DINHEIRO – Não há irregularidades em se dar palestras, registram os investigadores, porém os pagamentos das empreiteiras do cartel chamam a atenção.

“Os altos valores repassados a LILS Palestras nos últimos anos, somados à circunstância de que no âmbito das investigações da Operação Lava Jato têm sido identificadas diversas operações de lavagem de dinheiro mediante a celebração de contratos de prestação de serviços e/ou consultoria com empresas sem estrutura física e pessoal relevante, algumas inclusive constituídas por ex-agentes públicos e políticos de destaque no governo federal, indica a necessidade de melhor averiguar tais transações.”

TUDO EM FAMÍLIA – O ex-presidente Lula e Okamotto são os dois que mais receberam da LILS, mostra relatório do Coaf. O ex-presidente, segundo o documento do Coaf, recebeu R$ 1,51 milhão entre 2011 e 2015. Okamotto, R$ R$ 1,10 milhão. A terceira maior destinatária é a filha de Lula Lurian Cordeiro Lula da Silva, que recebeu R$ 365 mil. Há pagamentos ainda para outros filhos, Luis Cláudio Lula da Silva, R$ 209 mil e Sandro Luis Lula da Silva, e para a campanha de vereador do filho Marcos Claudio Lula da Silva, R$ 50 mil.

O Coaf listou quem foram os principais pagadores da LILS e como foram efetuados esses créditos na conta da empresa do Banco do Brasil, entre 2011 e 2015. A Odebrecht é a que mais paga: R$ 3 milhões.

O presidente afastado do Grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos da empresa negociam desde o início do ano um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) e Ministério Público Federal, em Curitiba.

O SILÊNCIO LUSITANO

Cascais, Portugal – Tão em moda no inicio deste ano, arrefeceram-se por aqui as notícias do golpe, depois do impeachment da Dilma. Noticia-se mais hoje a prisão do staff de Lula – Palocci e Mantega –, estampada nos principais jornais daqui. Nota-se,  entre os portugueses, um certo espanto com as notícias e já se percebe uma percepção deles com o que aconteceu no Brasil no governo do PT. Existe, porém, um certo ceticismo em relação ao Temer, uma ligeira desconfiança do que será o seu governo e o que ele vai produzir daqui para frente para tirar o país do caos econômico, atrair investimentos estrangeiros e colocar o Brasil nos trilhos novamente depois da terra arrasada petista.

 

Quando estive aqui em maio deste ano, discutia-se com fervor a legalidade ou não do impeachment da Dilma. Os portugueses mostravam-se influenciados pelo que liam e viam na televisão produzido por seus correspondentes no Brasil. Depois do impeachment, compreende-se melhor a legalidade constitucional do ato, chancelado pelo presidente do STF, e é evidente o desencanto de muitos com o PT depois da notícia da denúncia de Lula pelos crimes de corrupção e da prisão de seus dois ex-ministros da Fazenda, coisa até então inimaginável para o povo português.

 

A imprensa lusitana já não trata com tanto destaque a prisão dos petistas no Brasil. Acostumou-se ao noticiário da Lava Jato, as delações premiadas dos empresários e políticos e os escândalos de corrupção que se alastraram pelas empresas públicas com a partipação dos ex-ministro da Dilma e do próprio ex-presidente Lula. A Dilma, algumas vezes, tem sido contemplada com notas de rodapés dos jornais, nada mais do que isso. Sua versão de que fora arrastada do poder por um golpe de estado esvaziou-se. Aqui, como no Brasil, ela está indo para a história como uma presidente tonta e desequilibrada, que desgovernou o país atabalhoadamente durante os seis anos.

 

Como era de se esperar, a estrela entre os portugueses é o juiz Sérgio Moro. Para alguns jornalistas e políticos, o magistrado conseguiu inibir a corrupção no Brasil e mostrou, com ousadia, que a elite, que tanto beneficiou o PT com dinheiro roubado, também está sendo punida. Acreditam que o Lula não escapa das garras da justiça porque seus ex-ministros da Fazenda, pressionados pelas investigações que os apontam como intermediários do dinheiro sujo, devem fazer delação premiada. Não querem apodrecer na cadeia, a exemplo de Zé Dirceu e dos ex-tesoureiros do PT.

 

Muitos dos lusitanos não entendem como um prefeito do interior de São Paulo conseguiu movimentar uma fortuna na campanha. Antônio Palocci, que já respondeu a processos quando esteve à frente da prefeitura de Ribeirão Preto, foi denunciado pelo pessoal da Odebrecht como o homem que fazia as transações do dinheiro sujo para as campanhas do PT. Portanto, se resolver realmente abrir o bico tanto Lula como Dilma vão ter que esclarecer o caixa dois que rolou nas campanhas presidenciais. A indisponibilidade dos 30 milhões de reais, encontrados em sua conta pessoal, impossibilita Palocci de se movimentar e até gastar com seus advogados. Uma medida acertada.

 

A revelação de que os principais homens de Lula estão envolvidos em corrupção e no assalto aos cofres públicos tem esfriado por aqui os movimentos daqueles que ainda acreditavam na inocência de alguns petistas e de que o governo do PT estava sendo realmente injustiçado. Com as últimas prisões a ficha dos portugueses caiu. Agora eles sabem que o Brasil lava roupa suja diariamente manchada pelas falcatruas e as maracutaias da quadrilha petista que governou o país.

 

Mas para os portugueses o atual governo também está amordaçado. Não caminha com as próprias pernas porque ainda é refém de um amontoado de ideias desencontradas e de projetos duvidosos para tirar o país do caos. Não consegue inclusive se comunicar com eficiência sobre os seus feitos por absoluta incompetência. E no momento em que deveria falar também para o público externo, mandou desligar o sinal da TV Brasil que transmitia sua programação para Portugal tão usada pelos petistas para combater o impeachment e propagar o golpe.

 

Quanta trapalhada, meu Deus!

O VAZIO DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Pesquisas costumam ganhar eleições majoritárias, ainda que surpresas possam acontecer. Em São Paulo, Rio e Belo Horizonte parecem vitoriosos João Dória, Marcelo Crivela e João Leite, ainda que nessas três capitais paire a sombra do segundo turno.

O denominador comum das eleições de domingo é a falta da ideologia há anos verificada ao redor dos vencedores. Deles e da maioria dos candidatos favoritos nas capitais dos demais estados, agora. O fracasso dos indicados pelo PT abre um vazio de razoáveis proporções na ortodoxia política. Ainda que a Direita continue indo muito bem, por conta do imobilismo, a Esquerda escafedeu-se, mais do que se dividir.

A projeção desse fenômeno para as eleições gerais de 2018 está em aberto. Não dá para supor que daqui a dois anos, ao votar para o novo Congresso, os governos  estaduais e a presidência da República, o eleitor venha a seguir as tendências do próximo domingo, que, aliás não significam nada. O que representam João Dória, Marcelo Crivela e João Leite, em termos ideológicos? No máximo, identificam-se com o mais do mesmo. Deverão ser eleitos por conta da ausência de programas e de doutrinas.

Essa a lição das eleições municipais imediatamente seguintes à implosão do PT: o vazio. A falta de uma estrutura capaz de substituir aquilo que os companheiros não conseguiram emplacar.

Dois anos para entrar ou sair da história

O presidente Michel Temer tem exatos dois anos pela frente para fazer alguma coisa. No final de setembro de 2018, véspera de eleições gerais, o que foi, foi; o que não foi, não terá sido. É pouco tempo para ações de governo, menos ainda no relógio político. Obviamente, não será possível atirar para todos os lados e dar um cavalo-de-pau na economia, na gestão, na política. Dificilmente conseguirá também aprovar uma pauta que inclui ao mesmo tempo a PEC do Teto, a reforma da Previdência, a reforma trabalhista, a reforma política, a reforma do ensino médio, as mudanças na exploração do pré-sal, além de trocar os médicos cubanos do Mais Médicos por brasileiros e ainda fazer deslanchar o programa de privatizações e concessões para retomada do investimento. Ufa!

Em seus primeiros meses, o governo Temer funcionou como uma Babel em que cada ministro, oriundo de um partido e de uma base social específica, falou sua linguagem e se comportou como se não houvesse amanhã. Até o Planalto entrou no bate-cabeças, fazendo promessas diversas a interlocutores variados, mirando um vasto elenco de reformas e ações, indo e voltando, soltando balões de ensaio, confirmando e desmentindo medidas. Nos últimos dias, o presidente e seus auxiliares mais próximos parecem ter botado a cabeça no lugar e começaram a trabalhar com prioridades, pelo menos na pauta com o Congresso.

A prioridade número 1 hoje parece ser, acertadamente, a votação da PEC que limita os gastos governamentais à inflação do ano anterior, que precisa ser aprovada até o final de 2016. Nas últimas horas, mobilizaram-se o próprio Temer, seus ministros, articuladores e líderes no Congresso para traçar o cronograma de votações.

Mas o ruído continua. Anuncia-se o envio da reforma da Previdência ora antes das eleições, ora depois, ora entre o primeiro e o segundo turnos. Contra a vontade da Fazenda, o Planalto é convencido a reabrir as regras do projeto de repatriação de recursos às vésperas do prazo final de 31 de outubro, gerando insegurança. A reforma trabalhista saiu e voltou para a gaveta, assustando meio mundo nesse curto intervalo de tempo. A medida provisória da reforma do ensino médio chegou para confundir professores e estudantes.

Tudo isso representa um gasto excessivo de energia e um desnecessário desgaste para um governo que vai durar dois anos, um governo de transição que cumpriria sua missão histórica se conseguisse tirar o país do buraco da crise econômica com um ajuste fiscal convincente. E ponto final.

Só que as coisas não parecem ser bem assim na cabeça de alguns, e aí está o problema. Ao atirar para todos os lados, com planos para múltiplas áreas e setores, Michel Temer dá a impressão de ter ambições que vão além de 2018. São elas que podem colocar tudo a perder, pois é impossível trabalhar ao mesmo tempo na defesa e no ataque, tomar medidas duras no plano da economia e, junto, tentar ser popular. O bom resultado dessas medidas  pode até desembocar em aprovação governamental, mas raramente de imediato – ou seja, dentro dos dois anos do prazo de Temer.

A retomada da economia já dá seus primeiros sinais, junto com a expectativa de redução da inflação e de queda dos juros. Mas a percepção de melhora junto à maioria da população a se confirmar, é como a água que começa a circular nos canos, mas dá muitas voltas até chegar à torneira: demora.

É improvável que o presidente venha a colher   frutos políticos da arrumação da economia que possam levá-lo a uma candidatura à reeleição em 2018. Ainda assim, essa possibilidade é uma sombra na relação com os aliados de sua base política – justamente aqueles que podem viabilizar ou não a aprovação do ajuste fiscal.

Temer chama os tucanos para conversar e repete dezenas de vezes que não é candidato. Eles fingem que acreditam. Mas o presidente não mexe uma palha para votar a emenda que acaba com a reeleição presidencial – uma maneira de encerrar o assunto. Por quê? Porque, no fundo, em algum lugar, há um Temer candidato à reeleição, ainda que ele mesmo possa não saber disso.

Nos gabinetes do Planalto, por exemplo, esse personagem existe. É natural. Entourages presidenciais têm agendas próprias, que superam e às vezes até divergem da do chefe. A principal delas, geralmente, é continuar no poder. Num governo de transição, que não foi eleito e tem sua sustentação nos partidos e no Congresso, porém, essa agenda é perigosa. Pode botar tudo a perder.

Outro dia, em Nova York, Michel Temer foi indagado sobre a baixa popularidade que pode ser resultado de reformas impopulares de ajuste fiscal. Respondeu que não se importará se concluir o mandato com 5% de aprovação, mas tendo salvado a economia do país. É esse Michel que deveria aparecer mais vezes nos próximos e decisivos meses que temos pela frente.

Se vestir a roupa de presidente de transição, despindo-se de maiores ambições para ele e sua turma, e aprovar a PEC do Teto sem desidratar o texto inicial, o presidente já terá garantido um lugar na história.

Givaldo Barbosa (Foto: Agência O Globo)Michel Temer, presidente da República (Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo)

Vício

 O socorro que o capital dá a si mesmo lembra programas que, em vez de combater o tráfico, dão dinheiro para o usuário manter seu vício sem precisar recorrer ao crime

Ninguém desconfiou que os dez por cento por mês sobre o capital aplicado oferecido pelo megavigarista americano Bernard Madoff era bom demais para ser verdade. Grandes aplicadores, que você imaginaria escolados em vigarices, perderam milhões quando a tramoia foi revelada. O próprio Madoff, ao ser preso, se declarou surpreso com o sucesso do seu esquema. Como ele funcionara durante tanto tempo?

Paul Krugman escreveu, na época, que não havia muita diferença entre o esquema de Madoff e o que em essência acontecia, às claras, em todo o setor.

Madoff se autodenunciou e foi preso, mas a prática de premiar o capital especulativo até a beira da falcatrua continua, só com retorno menos espetacular do que o que Madoff prometia.

O capital se protege de várias maneiras, e uma delas é atuar dentro de limites que chamam de éticos mas que são práticos, valendo-se de uma certa elasticidade moral. Grandes bancos não podem fechar, mesmo que atuem na zona crepuscular entre o permitido e o criminoso. E a leniência se estende a outras formas de autopreservação da espécie.

Quando executivos das três maiores montadoras de carro dos Estados Unidos chegaram a Washington para pedir dinheiro ao governo, cada um foi no seu jato particular. A desculpa era que teriam ido de carro se seus veículos fossem de confiança. Pelo menos as montadoras gastaram bem o presente que ganharam e hoje estão em boa situação. Muitos dos bancos subsidiados para não falirem na mesma época usaram parte da ajuda para dar as regalias e os milionários abonos de sempre aos seus executivos.

O socorro que o capital dá a si mesmo lembra aqueles programas adotados em países que, em vez de combater o comércio de drogas, dão dinheiro para o usuário manter seu vício sem precisar recorrer ao crime.

As instituições financeiras responsáveis pela crise atual estão sendo pagas com dinheiro público para manter seus maus hábitos. Os grandes aplicadores que confiaram em Madoff não foram imprudentes, apenas sucumbiram ao sonho de todo rentista, o sonho do lucro fantástico. Confiaram que Papai Noel existia.

Bernard Madoff na prisão (Foto: Jason Diamond)Bernard Madoff na prisão (Foto: Jason Diamond

Lewandowski ainda ousa dizer que o impeachment foi “tropeço na democracia”

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Charge do Tugi (tugisilveira.blogspot.com)

Deu em O Globo

Em aula dada na segunda-feira, 26, na Faculdade de Direito da USP, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski qualificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “um tropeço na democracia”. Lewandowski, que presidiu a sessão que cassou o mandato da presidente no Senado, ainda afirmou sobre o episódio: “A cada 25, 30 anos temos um tropeço na nossa democracia. Lamentável, quem sabe vocês jovens conseguem mudar o rumo da história” — afirmou, dirigindo-se aos alunos.

No evento, cujo conteúdo foi revelado pela revista “Caros Amigos”, o ministro afirmou que foi um “erro” do Supremo não ter aprovado a cláusula de barreira, que permitiu a profusão de partidos e teria desorganizado o presidencialismo de coalizão. “Deu no que deu” — afirmou, referindo-se mais uma vez à retirada de Dilma do poder

REFORMA DO ENSINO – Lewandowski ainda criticou a falta de consulta à população sobre grandes temas nacionais. Referindo-se especificamente à reforma do ensino médio recém-proposta pelo Ministério da Educação do governo Temer e que provocou polêmica ao prever a exclusão de algumas disciplinas hoje obrigatórias, ele afirmou:

“Reforma do ensino médio por medida provisória? São alguns iluminados que se fecharam no gabinete e resolveram ‘vamos tirar educação física, artes’. Poxa vida. O Estado de Direito é aquele que amplia direitos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quer dizer que a culpa dos problemas brasileiros é o excesso de partidos? E a corrupção institucionalizada pelos governos do PT? E os esquemas para perpetuar o partido no poder, como mensalão, petrolão etc.? De toda forma, é preciso reconhecer que Lewandowski está realmente em condições de analisar tropeços democráticos, pois conduziu com maestria o estupro à Constituição no caso do fatiamento da sentença daquela pessoa, cujo nome nem deve ser mais citado, porque já teve seus 15 minutos de fama e deve ser condenada ao esquecimento. (C.N.)