Bandidos bancados por nós?

Por Antonio Riserio

O chamado Congresso Nacional se converteu num tremendo pau de galinheiro. E custa caríssimo aos cofres públicos.

Aproveito, aliás, para dar uma sugestão ao governo: se é para economizar, por que continuar mantendo o Senado e a Câmara? Basta um deles. Um pode muito bem fazer o que o outro faz – e, além disso, a roubalheira seria reduzida.

Bastava ter o Senado, que é numericamente menor e, portanto, deve ter um número menor de ladrões.

O problema é que, em vez de economizar, essa turma quer enfiar mais grana em suas contas. Nossos políticos profissionais são insaciáveis. Não foi por acaso que elegeram o meliante Cunha presidente deles.

Agora mesmo circula na Câmara projeto de um tal de Marcus Pestana, do PSDB de Minas, destinado a encher a burra dos partidos políticos. Quem pagaria? Nós, os eternos otários.

A ideia é passar anualmente três bilhões aos partidos (ou clubes de gatunos): 2% da arrecadação do imposto de renda de pessoa física.

Isto é: querem nos obrigar, por lei, a financiar um bando de vigaristas, que já vivem de meter a mão no bolso dos outros. A bancar uma corja de canalhas para que eles continuem agindo contra os reais interesses e as reais necessidades da população.

O nome do projeto é uma pérola de cinismo: Fundo de Financiamento da Democracia. Mais uma vez, é a retórica cafajeste dos políticos profissionais para tentar engabelar a sociedade brasileira.

Anteontem, aliás, também Renan Calheiros, o Réu, abriu a boca para falar de democracia. Não dá.

Renan e seus pestanas deveriam ser proibidos de pronunciar a palavra “democracia”. Toda vez que o fazem, desmoralizam a expressão. Mas, para se proibirem de falar de democracia, eles precisariam de uma ética da linguagem. E como a teriam, se não fazem questão de ética para nada?

Para ser levado a sério, o Congresso terá de acabar com o escândalo da sociedade jurídica de castas (vale dizer: dar um fim ao foro privilegiado) e com a aposentadoria especialíssima dos políticos, além de não anistiar o crime do caixa 2. No mínimo.

Outro dia, por sinal, o mesmo Renan elogiou o caráter de Cármen Lúcia. Ou seja: ele sabe o que é caráter. Se não tem, é porque não quer.

Na verdade, se o Congresso tivesse caráter, as coisas estariam andando de outro modo no Brasil.

Mas também o STF tem de apressar o passo. Mandar para a cadeia, com os bens confiscados, essa legião de larápios que suja o nome do país.

Até lá, os bandidos que financiem suas bandidagens. Não queiram nos obrigar a fazer isso.

Congresso Nacional com a Praça dos Três Poderes (Foto: Bento Viana)Congresso Nacional com a Praça dos Três Poderes (Foto: Bento Viana)

DEFINIÇÕES INICIAIS

Começou hoje a temporada sucessória de 2018. Conhecidos os resultados do segundo turno das eleições municipais, vale o provérbio árabe de que “bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”. Geraldo Alckmim ou Aécio Neves? Note-se a exclusão de José Serra dos pretendentes a candidato pelo PSDB. O governador de São Paulo leva ligeira vantagem sobre o senador mineiro, tanto pela força do estado que governa quanto pela vitória de João Dória para prefeito de São Paulo. Como Aécio Neves é o presidente do partido e foi candidato nas últimas eleições, está no páreo.

Entre os tucanos, cresce a tendência para a realização de uma prévia junto às bases do partido, iniciativa capaz de acontecer no primeiro semestre de 2017.

Discute-se no PMDB a hipótese de o presidente Michel Temer rever a já anunciada disposição de não candidatar-se. Primeiro, pela ausência de candidatos robustos em seus quadros. Depois, porque Henrique Meirelles, para viabilizar-se, precisaria realizar o milagre da recuperação econômica em prazo bastante curto.

Ciro Gomes, Marina Silva, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, o Lula e outros constituem hipóteses a depender de dois fatores maiores: sucesso no plano de governo de Michel Temer e definição do candidato dos tucanos.

SOCORRO. É GUERRA?

Não tem mais nem o tradicional mãos ao alto, isso é um assalto, aquele pedido de licença tradicional dos ladrões. Levante as mãos. Não, não levanta, cuidado com os movimentos bruscos. Esconde esse celular. Não vai para a praia que tem arrastão lá. Vigi, está tendo um tiroteio ali na esquina. Tá lá um corpo estendido no chão

Nananeném, era o que certamente Bruna entoava para por a filha de dois anos no berço quando uma bala atravessou a janela do quarto e a sua cabeça. Lá se foi a jovem mãe de 21 anos para o Reino dos Céus deixando a órfã e o Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Um dia antes, Daiane, de 15 anos, chegava a sua casa em Belford Roxo. Não teve tempo de perguntar para a mãe o que tinha para o almoço. No fim da tarde de sexta um porco grunhia dentro do seu chiqueiro quando teve os miolos estourados. Não sei se virou bacon. Balas perdidas, balas amargas. A própria Polícia Civil do Rio contou: no Estado, 846 pessoas morreram ou ficaram feridas ao serem atingidas por balas perdidas – 83% morrem; quando não morrem 80% ficam paraplégicas – o que dá uma média de quase três vítimas por dia. Foram 72 apenas agora em outubro. Esse ano.

Feliz Dia dos Mortos. Rezemos por eles.

Precisamos falar sobre isso. Sobre a violência. Dar um basta, fazer algo. Mas nessa semana, quando esse assunto sério estava sentando na mesa, ficamos mais preocupados foi se o Renan Calheiros ia sentar ao lado da ministra Cármen Lúcia; se o new cabeludo Renan ia se pegar a tapas com o ministro careca brilhante que tem a língua solta. Se o Temer ia precisar ligar o extintor para apagar o incêndio entre os Poderes com aquele seu sorriso congelado. Quando era justamente para esses três Poderes estarem discutindo o Plano Nacional de Segurança Pública. Vai, me diz aí se leu em algum lugar o que foi que discutiram sobre esse assunto, quais foram as novas resoluções, que medidas serão tomadas para acabar com esse inferno que virou nossa vida, insegura, com medo até de nossas sombras.

É, eu também não soube de nada.

Mas nessa semana soube que em cinco anos houve mais assassinatos no Brasil do que na Síria, que está em guerra. De janeiro de 2011 a dezembro de 2015, 278.839 pessoas foram mortas aqui; na Síria, foram 256.124 vítimas. Uma pessoa foi assassinada a cada 9 minutos no Brasil em 2015. 58.383 pessoas foram assassinadas, 160 por dia, quando se fazem as contas. Imaginem quando computarem os dados desse difícil 2016.

13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil, informa o Atlas da Violência 2016. Uma pessoa é vítima de sequestro relâmpago na cidade de São Paulo a cada cinco horas.

Não sei se já perderam a conta, mas difícil também é ter dia de não se ouvir falar em caixas eletrônicos indo aos ares em pacatas cidades ou nos grandes centros urbanos, onde andam derrubando até as sedes das transportadoras de valores. Você aí ouviu falar de algum plano para controlar a venda de explosivos? Nem eu.

Os homicídios cometidos por armas de fogo no país somaram 42.291 casos em 2014, ou 21,2 para cada 100 mil habitantes. Fala de um especialista: “O Brasil não tem controle sobre vendas, não registra os compradores. Existe um mercado aberto, paralelo e ilegal, porque as indústrias estão registradas, estão vendendo, mas a gente não sabe quem compra e quem distribui isso”.

Na tevê a reportagem mostra o roubo de celulares das mãos das pessoas em plena luz do dia, no centro da cidade, usando justamente isso, o movimento, como um artifício. Um bolinho de gente de todos os tipos vai atrás da vítima, têm velhinhos, jovens, negros, brancos, uma mulher. Teatral. Um esbarrão e tchau celular, carteira e a dignidade, já que no bando tem até quem pare para se solidarizar com a vítima, distraí-la ainda mais. A cena é dantesca. Parece inspirada naquele quadro do Fantástico que não foi para a frente, o tal Eles decidem, quando 20 pessoas ficavam o dia inteiro acompanhando para palpitar o coitado que tinha uma dúvida. Chatíssimo.

E os requintes que não ficam devendo aos mais violentos filmes de terror, mistério, seriados de investigação? As pessoas matando por nada. Tem sido normal cortar o corpo, decepar cabeças, afivelar malas cheias de pedaços, tem gente até emparedando com cimento, que cavar buraco é mais difícil. Se não é a bala, é a faca, a marreta, o martelo, o pedaço de pau, a corda. Teve até flecha disparada com arco. Casos de tentativas de envenenamento de crianças, com chumbinho, veneno de rato disfarçado em doces. Tentaram suavizar um pouco: uns gaiatos bandidos se vestiram de palhaços.

É crime organizado, requintado, quadrilhas especializadas, usando cibernética, tecnologia, inteligência, dinheiro graúdo rodando. Deixando trilhas de sangue de culpados e inocentes, muitos. Bandidos e policiais, às vezes até policiais bandidos. Nós ainda estamos atrasados, burros, lentos, aprendendo só agora, por exemplo, que as câmeras de radar podem ser usadas sabiamente para a segurança, revelar culpados. E filmam melhor que testemunhas com celular já que não tremem nem se assustam com tiros e explosões.

Enquanto isso não se pode ter nada, usar nada, andar pelas ruas, nem parar no trânsito, sair e chegar ileso vale reza e aleluias.

Não é por menos que o tal Halloween cresce no Brasil – as bruxas estão soltas e não há ninguém tentando capturá-las, assustá-las ou ensinar a importância da paz. Estamos em guerra.

Bandeira branca, amor.

RENAN E O FORO PRIVILEGIADO

Dessa lambança destemperada e de baixo calão protagonizada por Renan Calheiros, que chamou o juiz de primeira instância de “juizeco” e o Ministro da Justiça de “chefete de polícia”, uma coisa positiva resultou: a entrada na pauta da discussão do famigerado instituto do foro privilegiado, que, segundo o ex-ministro do Supremo Carlos Velloso, “é uma anormalidade, uma excrescência”. O Correio Braziliense acrescenta que o tal de foro privilegiado “torna políticos corruptos praticamente intocáveis”. E parece que são mesmo. Segundo pesquisa feita em 2015 pela revista Exame, 500 parlamentares foram alvo de investigação ou ação penal no STF nos últimos 27 anos. Destes, apenas 16 foram condenados e somente 8 foram presos.

Levantamento da rádio CBN informa que existem mais de 30 mil brasileiros acobertados por este execrável diploma legal parido pela Constituição Cidadã de 1998 para proteger políticos e “autoridades” detentoras de altos cargos.

Muitos disseram, entre eles eu, que a Constituição de 1988 tornaria o país ingovernável. Quase tudo de transformou em matéria constitucional, sobrecarregando os tribunais superiores, que acabam por julgar desde fatos graves, como homicídios, até fatos banais. O nosso Supremo recebeu 86.977 processos em 2015. Só no primeiro semestre deste ano, julgou 1.501 enquanto, por exemplo, a Suprema Corte dos Estados Unidos, onde não existe foro privilegiado, julgou 100 no ano passado.

Mas com foro privilegiado ou não, o nosso conhecido Presidente do Senado não vai escapar da espada da justiça. E vai ter que arrefecer um pouco o seu ânimo pela conquista do poder: o STF deverá julgar esta semana se um réu pode estar na linha de sucessão. E ele ainda está.

Renan não é réu ainda. É “apenas” investigado em 12 ações diferentes, entre elas aquela que já lhe custou um primeiro processo no Conselho de Ética, que resultou no seu afastamento da presidência da casa. Para os que não estão lembrados, em 2011 o Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar o pagamento de pensão para a filha que Renan teve com a jornalista Monica Veloso, pagamento feito pelo lobista Claudio Gontijo, representando uma empreiteira. De acordo com o parecer, Renan apresentou, em 2017, notas fiscais frias relacionadas à venda de bois, os bois mais valiosos do Brasil.

Apesar de tudo isso, em fevereiro de 2013 Renan foi alçado por seus pares à presidência do Senado. Isso é Brasil. Ainda.

Assim como a lentidão da nossa justiça é um caso trágico, dizem que ela tarda mas não falha.

Esperamos que não falhe no caso desta indigitada figura pública, que agora se insurge feroz e abertamente contra a Lava Jato. O rápido ressurgimento do seu projeto contra crimes de abuso de autoridade, que estava dormindo desde 2009, é uma comprovação disso. Além desse projeto, o Congresso discute outras tantas propostas legislativas que, se aprovadas, podem dificultar a investigação policial de políticos e outros envolvidos em crimes de colarinho branco, tais como: minirreforma política com emenda que anistia o crime de caixa dois, proibição de que delatores possam complementar informações, proibição de presos fazerem acordos de delação premiada, proibição de advogados acumularem delações, alteração dos acordos de leniência, proibição de prisão até o fim dos recursos (contrariando decisão do Supremo que permite prisão de réus condenados em segunda instância), etc. e etc.

Estas barbaridades tem um só objetivo: amordaçar a Policia Federal, o Ministério público, o juiz Sérgio Moro e preservar o reino da impunidade. E quem sabe até mesmo constranger o Ministro Teori Zavascki, cujas rápidas e corajosas decisões relativas à Lava Jato nos enchem de esperança.

A politicalha nacional que tem culpa no cartório e está com a consciência pesada, está se virando mais do que bolacha em boca de velho para fazer aqui o mesmo que os seus colegas italianos fizeram com a Operação Mãos Limpas: transformar tudo em pizza.

Só que agora o buraco é mais embaixo. Naquela época, 1992, não havia internet nem redes sociais. Hoje há. E é justamente através desses modernos recursos tecnológicos que a sociedade vai continuar mobilizada contra quaisquer tentativas de lesa pátria, como estas que estão na ordem do dia.

A verdade é que os doleiros, operadores, diretores de estatais e funcionários públicos desonestos, empresários e políticos corruptos estão morrendo de medo de ir para a cadeia.

Que é exatamente para onde irão, mais cedo ou mais tarde.

 

Faveco Corrêa é jornalista e consultor. Seu blog:  www.faveco.com.br

O desprestigio da família Sarney em São luis do Maranhão

 

Na disputa pela prefeitura de São Luis-Ma ,mais precisamente no segundo turno, podemos analisar com precisão, a forma negativa como é associada a família Sarney  a nomes dos candidatos, hora Eduardo Braide do( PMN), hora  Edvaldo holanda júnior (PDT) . Ambos em seus horários eleitorais fizeram questão de negar qualquer manifestação de apoio vindo dos  Sarneys, e ficam jogando um para o outro, como em um jogo de pingue e pongue, a diferença é que exatamente nesse caso,a bola do jogo ,é o tão idolatro José Sarney.

E  o que me faz pensar,repensar e questionar,  é como os níveis de importância no cenário politico se modificam em tão pouco tempo, pois em outras épocas   as disputas  eram  pelo apoio dessa família, e  hoje é para desassociar seus nomes a mesma. E então que começo a questionar sobre quais fatores influenciaram na inversão de valores políticos? E  será se finalmente os ludovicenses começaram a desenvolver uma percepção sobre a triste realidade da capital, que tem uma origem rica em inúmeros fatores, sejam eles  sociais ou  culturais, e que hoje encara e sofre com as consequências, das péssimas gestões administrativas desse território?

Portanto, é importante perceber os inúmeros questionamentos sobre a forma como São Luis esteve, e está julgando o personagem Sarney. Os diferentes cenários que influenciam nesse julgamento e identificar através das ações populares e nas urnas, se é o fim, ou quem sabe o recomeço de uma ideologia Sarneysista . Agora só nos resta analisar as próximas ações dos representantes políticos, e como o povo ira  responder as ações deles.

texto: Thalissa Ambrósio

SE ENTREGA, CORISCO

Por Fernndo Gabeira.

O tamanho da herança maldita dos prefeitos

A crise causa forte impacto nos municípios, cuja grande maioria sequer contava com renda própria para arcar com os gastos, mesmo no período de bonança

Dinheiro (Foto: Arquivo Google)

Editorial O Globo

Uma previsão infalível para os prefeitos eleitos é que enfrentarão a mais difícil conjuntura de toda a sua vida pública. Os reeleitos já sabem do que se trata. A mais grave crise fiscal de que se tem registro na história do país explode de maneira especial nas prefeituras, a unidade administrativa mais próxima das pessoas.

O impacto é semelhante nos estados, porém as prefeituras padecem do agravante de terem pouco ou nenhuma margem de manobra para enfrentar uma crise em que há movimentos em sentidos contrários e fatais no caixa da União, estados e municípios: enquanto as receitas caem, puxadas por uma recessão que em dois anos deverá ter pulverizado de 7% a 8% do PIB e, em três anos, talvez 10%, as despesas sobem por força de mecanismos de indexação criados em gastos ditos sociais (aposentadorias, pensões e bolsas de todo tipo).

O resultado é a falência fiscal. Daí a importância da PEC do teto. O quadro municipal é mais negativo, porque a grande maioria dos cerca de 5.700 municípios não consegue pagar as contas com dinheiro de arrecadação própria. Mesmo na fase de bonança por que passou a economia brasileira. Muitos criados por interesses políticos paroquiais, eles dependem dos repasses de fundos de participação, constituídos por impostos estaduais e federais.

Quanto aos gravames municipais — IPTU, por exemplo —, há prefeitos que evitam ampliá-los, revê-los, por motivos eleitoreiros. Preferem depender das cotas desses fundos, mas que estão também em processo de esvaziamento devido à recessão. Inclusive, já enfrentavam dificuldades desde o final do primeiro governo Dilma, com a política da presidente de fazer enormes desonerações de segmentos da indústria em impostos federais, a fim de estimular o consumo, quando o caminho indicado era dos investimentos.

As famílias endividadas e a inflação em alta derrotaram a estratégia do governo, como foi alertado. Com postos de saúde desabastecidos, dificuldades para manter em dia o funcionalismo, entre outros problemas sérios, a vida dos prefeitos só melhorará com o andamento das reformas no plano nacional. Mas isso não os exime de agir na racionalização dos gastos, cortes de despesas supérfluas etc.

Este movimento terá de ser nacional e amplo. Porque, por exemplo, segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), calculado com base em dados de 2015 de 4.688 prefeituras, 87,4% delas estavam em situação entre difícil e crítica. Devem ter piorado. Só 12,1% encontravam-se em boas condições, e ínfimo 0,5%, em estado excelente.

Cabe, ainda, aos prefeitos, dentro do respectivo raio de ação política, atuar a fim de que seus partidos trabalhem para aprovar com urgência as reformas encaminhadas pelo governo Temer ao Congresso (da PEC do teto, para começar, a previdenciária etc.). Não devem ficar parados, mas apenas a recuperação da economia melhorará de forma consistente seus caixas. O eleito que fez promessas irreais, populistas, pagará alto preço.

E AGORA, VAMOS OU NÃO ASSUMIR A NOSSA RESPONSABILIDADE?

Tenho dito aqui, ao longo dos anos, e não só em época de eleições, que o eleitor brasileiro precisa assumir seu naco de responsabilidade diante da desmoralização dos políticos, da política de modo geral e de tudo que a ela se liga. Agora, li esta crítica do jurista e professor Joaquim Falcão, da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro: “Existe quase um consenso sobre o culpado pela corrupção, pela ineficiência da administração pública, pelos déficits, pelos maus serviços públicos, pela violência. O culpado é o governo. Qualquer que seja. São os políticos. Alguns podem até ser. Mas apenas eles? Afinal, quem os coloca lá são os eleitores. Quem os escolhe são os eleitores. São representantes dos eleitores. Podem os eleitores lavar as mãos?”

O oportuno puxão de orelha do professor Joaquim Falcão me lembrou a terceira edição do encontro intitulado “E agora, Brasil?”, promovido pelo jornal “O Globo”, com o apoio da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mediado pelos jornalistas Míriam Leitão e Merval Pereira. O encontro teve a reforma política como tema e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como debatedor. Realizado na semana passada, o evento quase passou em branco, apesar das quatro páginas publicadas no jornal da penúltima terça- feira, dia 18.10.2016.

O encontro contou, também, com a participação de empresários e editores, além de outros colunistas do jornal. “A evolução do número de votos nulos e em branco nas últimas eleições”, disse FHC, “as dificuldades de captar recursos para as campanhas sem a doação de empresas e a proliferação de pequenos partidos dão o tom de urgência para que o Congresso Nacional e a sociedade discutam e encontrem soluções para a crise de representação na democracia brasileira”.

Parece fora de dúvida: a PEC 241, demonizada por alguns e endeusada por outros (refiro-me a economistas e políticos), passou na Câmara no último dia 25, facilmente, em segunda votação, com 359 votos. O mesmo ocorrerá no Senado, que a votará duas vezes. Até lá, a irritação de seu presidente, senador Renan Calheiros, com a “invasão” que sofreu pela Polícia Federal, já terá sido absorvida.

Digo isso para afirmar, uma vez mais, que a PEC 241, sozinha, valerá pouco, quase nada ou até mesmo nada. As reformas necessárias ao país (a da Previdência etc., são tantas…) terão que vir em seguida, mas a política e eleitoral tem especial preferência nessa fila. Foi tratada, à exaustão, no evento a que me referi acima. Sem ela, será difícil enfrentar a grave e perigosa crise de representação por que passa nosso frágil regime democrático. Fernando Henrique realçou a cláusula de desempenho, o voto distrital e as regras para doações de empresas.

“Não necessariamente FHC está certo, mas se ampara em experiência fantástica”, disse o jornalista José Casado. Eis algumas frases do ex-presidente: “De certa maneira, minha função no PSDB tem sido evitar que o partido se esfacele”. “O problema maior não é direita ou esquerda, é o atraso, que perpassa todos os setores”. “Não gosto de ver ninguém na cadeia, muito menos o Lula. Se vai, não sei, tomara que não”. “Um poder não se sustenta apenas com ideias. Ninguém pensa que só existe virtude, mas é preciso, ao menos, o predomínio da virtude”. “A democracia custa caro. Quem paga o custo da democracia?”.

O melhor é ler a matéria no jornal, leitor.

Somos todos iguais. Ou mais iguais

COLUNA CARLOS BRICKMANN

Nada de hesitações: o importante é combater a crise, com os sacrifícios que isso exige de todos. O Governo propôs emenda constitucional que limita os gastos do próprio Governo, e para aprová-la na Câmara promoveu dois luxuosos e caros banquetes, em palácio, para centenas de deputados. É bonito ver como o povo, unido, se articula para o duro embate.

Tão logo assumiu o poder, Temer aprovou um forte aumento para as 38 carreiras mais organizadas do serviço público. Custo total, R$ 170 bilhões. Estas carreiras já estão prontas pra enfrentar a crise. E aprovou outro aumento, de 47%, para outras carreiras bem organizadas, entre elas a Polícia Federal, no dia seguinte ao da aprovação do limite de gastos do Governo. O funcionalismo desses setores já está apto a enfrentar a crise.

O Governo é que ainda está atrapalhado: em setembro, seu déficit foi de R$ 25,3 bilhões – um recorde, quase o quádruplo de setembro do ano passado. Em 12 meses, o buraco federal já chegou a R$ 138 bilhões. E o orçamento prevê que, em dezembro, o rombo pode bater em R$ 170 bilhões – praticamente o custo daquele primeiro momento de generosidade oficial. Como é duro um Governo preparar seus servidores para a crise!

Os bancos se armaram para a crise jogando os juros ao alto. Cartões, 15,7% ao mês; cheque especial, 324% ao ano. E nós? Que quer, moleza? Ganhando menos na crise, temos é de trabalhar mais. Se houver emprego.

 Questão de detalhes

A nova rodada de aumentos foi tão discreta que a líder do Governo no Congresso, senadora Rose de Freitas, de nada sabia. Era contra e decidiu deixar o cargo. A aprovação, por uma comissão da Câmara, ocorreu só oito horas após o plenário aceitar a emenda constitucional que impôs limites aos gastos oficiais. A tática era deixar o aumentão passar despercebido, sob a sombra da emenda. Nem isso deu certo. A base não chegou a rachar, mas muitos parlamentares se sentiram enganados. E vão cobrar.

 O equilibrista

Temer deve escolher, para a liderança do Governo no Congresso, o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima. Jucá é um político de excelente trânsito em todas as áreas: foi presidente da Funai com Figueiredo, governador nomeado de Roraima com Sarney, ministro e vice-líder do Governo com Fernando Henrique, líder do Governo no Congresso com Lula e Dilma, ministro com Temer. Um político de convicções firmes: está sempre com o Governo. Se o Governo muda, problema do Governo.

 Serra, Temer, Odebrecht

A delação premiada de Marcelo Odebrecht e de 80 dirigentes de suas empresas está marcada para o dia 8. Mas as informações já começaram a vazar. As mais explosivas se referem ao presidente Michel Temer e ao chanceler José Serra. Serra, o mais atingido pelos vazamentos, teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht, no Brasil e na Suíça, na campanha presidencial de 2010. Ao assinar a delação premiada, a Odebrecht entregaria os comprovantes dos depósitos no Brasil e no Exterior. Serra disse que “não vai se pronunciar sobre vazamentos de supostas delações relativas a doações feitas ao partido em sua campanha”.

 Lula, o réu

O juiz Sérgio Moro marcou para 21 de novembro as primeiras audiências do processo contra Lula. Devem ser ouvidos, até o dia 25, Nestor Cerveró, Fernando Baiano, Paulo Roberto Costa, Delcídio do Amaral, Pedro Correia e Alberto Youssef. Depois, Moro deve ouvir Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira OAS, sobre o triplex do Guarujá.

As preliminares estão pegando fogo: Lula decidiu abrir processo contra o delegado Felipe Hile Pace, da Polícia Federal, que o identificou como o “Amigo” citado nas  planilhas da Odebrecht. Pede indenização de R$ 100 mil. E insiste em afastar Moro, considerando-o parcial e, portanto, suspeito.

 As novidades

Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, e Antônio Palocci são agora réus.

 Voa, dinheiro!

A Saudi Aramco, uma das maiores empresas petroleiras do mundo, controlada pela família real saudita, informou que um funcionário se envolveu em caso de corrupção com a Embraer. O caso ocorreu durante as negociações para a venda de três jatos EMB-170, em 2010. A Embraer não se manifestou sobre a acusação. O informe saudita não dá detalhes do caso.

 Reformar sem reforma

Não leve a sério o noticiário sobre a reforma política, cuja discussão começa nos próximos dias. A reforma é necessária: as campanhas são caras demais, exigindo doações demais (e, depois, há a retribuição); há parlamentares demais; há partidos demais. Mas que parlamentar irá mudar o sistema pelo qual se elegeu? É onde sabe se mover. Mudar, jamais

Sugestão de pauta para segurança

De primeiro de janeiro a 24 de outubro de 2016, foram aprendidos 240 fuzis no Rio de Janeiro, quase um por dia. Para quem não sabe, fuzis são armas de guerra, não são vendidos a civis e não são fabricados no Rio de Janeiro.

O maior número de apreensões (39) foi feito por policiais militares do 41º. Batalhão da Polícia Militar, que atua numa das áreas mais perigosas do Rio, seguido pelos policiais do BOPE, que apreenderam 36 fuzis.

Esses fuzis, que destroem um ser humano pelo poder e alta velocidade de seus projéteis, foram, em sua maioria (152), AR-15, M16, AK-47, FAL e Ruger Mini.

Nesta sexta-feira, haverá uma reunião em Brasília, na qual se reunirão o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, para discutir um plano nacional de segurança pública. Confirmaram presença o Presidente da República, o do Senado, o do Congresso e o do Judiciário.

Se a questão das armas não for importante, talvez discutirem o que ocorre no sistema penitenciário seja uma opção. Podem também rever o que ocorre no sistema de educação, prisioneiro do analfabetismo administrativo. Como entendo mesmo é de medicina, sugiro que analisem o quanto o SUS gasta com o tratamento das vítimas da violência.

Mas não se esqueçam que, no Rio de Janeiro, este ano, já são 115 policiais mortos e 556 policiais feridos.

Fuzil (Foto: Marcelo Carnaval)(Foto: Marcelo Carnaval)

Partido do compromisso

A situação do Rio de Janeiro é o retrato da falência fiscal dos governos brasileiros e do sofri- mento consequente da população, especialmente os pobres. As alternativas tradicionais e irresponsáveis usadas nestas crises sempre foram dívida e inflação, “divinflação”, que enganam no presente e comprometem o futuro.

Este caminho se esgotou, a saída agora exige unidade nacional em um movimento de responsabilidade dos brasileiros de hoje, para corrigirmos os erros de ontem, e deixarmos um Brasil melhor para amanhã.

Há décadas mantemos uma maldita aliança entre direita e esquerda que enganou a todos, desrespeitando os limites de recursos financeiros disponíveis para o setor público: aumentamos os salários dos privilegiados e o salário mínimo dos pobres; projetamos estradas, portos, escolas, saneamento, saúde, além de generosíssimos subsídios aos empresários; fartos benefícios às corporações, ao mesmo tempo em que permitimos o saqueio do Estado pela corrupção.

Prometemos tudo, deixamos tudo incompleto e construímos o desastre nos serviços públicos e na base para o futuro; provocamos aumento do endividamento e desvalorização da moeda, ao mesmo tempo em que desprezamos setores essenciais como educação básica, saúde, saneamento.

Corrompemos a aritmética, arrecadando quatro e gastando cinco: o resultado foi a desarticulação das finanças, sacrificando doentes sem hospital, idosos sem aposentadoria, crianças sem escola, e comprometendo nossas futuras gerações. Além disso, o irresponsável pacto da direita e da esquerda desmoralizou a política democrática.

Na democracia, a elaboração do Orçamento deveria ser o centro do debate ideológico, na disputa por definir as prioridades nacionais. Os parlamentares deveriam ir às reuniões da Comissão de Orçamento vestidos de guerrilheiros de suas respectivas causas e propostas, para atender às necessidades do momento e defender suas visões de futuro.

Mas, no lugar disso, os parlamentares conscientes têm preferido usar fantasias, como em um baile de carnaval, e os oportunistas preferem usar máscaras, como se fossem a um assalto aos recursos públicos.

A determinação de um limite para os gastos do governo, conforme os recursos disponíveis pela arrecadação, forçará os oportunistas a tirarem as máscaras, dizendo de quem roubarão recursos para priorizar os gastos que propõem; e os outros terão de tirar a fantasia da tolerância com o roubo e recusar a ilusão da moeda falsificada pela inflação.

Para aumentar gastos em um setor, os políticos terão de reduzir em outros. Com efeito positivo, vamos descobrir a necessidade de, finalmente, fazer uma reforma fiscal para cobrar mais dos ricos e para exigir melhoria na qualidade dos serviços públicos. Sobretudo, vamos poder fazer a luta política por propostas alternativas para o Brasil e os brasileiros.

Já fizemos a democracia sem adotarmos a verdade, chegou a hora de entendermos que a ilusão é acomodadora e a verdade é revolucionária.

Orçamento (Foto: Arquivo Google)