A força da palavra

MIGUEL LUCENA

Quando tudo era escuridão, veio o Verbo e disse:

-Faça-se a luz!

O Verbo, depois, se fez carne e habitou entre nós – é o que nos ensinam as Escrituras Sagradas.

Hoje em dia, o verbo foi vulgarizado. Vejo os jovens dizerem pelas redes sociais que se amam eternamente, mas no dia seguinte já se bloqueiam e não se falam mais.

Conheço uma moça que saiu de um motel com o namorado e foi sozinha para outra festa arranjar outro homem para passar o resto da noite.

Depois que o namorado descobriu, porque o resto da noite foi às escâncaras, passando da obscenidade, a moça justificou-se:

– Não foi nada, amor, só dei uns beijinhos.

Na política como no amor, a palavra também se vulgarizou. Dizia-se que os acordos eram cumpridos antigamente com o fio do bigode. Atualmente, não se confia mais nem numa peruca inteira.

Alguns cabos eleitorais dão a mesma palavra a quatro ou cinco candidatos, para ver de quem arrancam o pedaço maior, sem atentar para o fato de que as malandragens são descobertas e eles acabam ficando para trás, sem crédito com ninguém.

A palavra é coisa séria, como o amor.

Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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