Hoje na História: Nasce o Papa João Paulo II

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No dia 18 de maio de 1920 nascia em Wadowice, na Polônia, Karol Józef Wojtyla, que seria mundialmente conhecido mais tarde como o Papa João Paulo II. Seu papado foi um dos mais longos da história, com início em 1978 e término com a sua morte em 2005. Entre suas principais características estava a capacidade de falar vários idiomas como português, polonês, esperanto, espanhol, grego, latim, italiano, francês, inglês e alemão. Também tinha conhecimentos de checo, lituano, russo e húngaro, como outras línguas como japonês e idiomas africanos. Foi o primeiro papa a fazer grande uso dos meios de comunicação, em particular a internet. Outra característica era a busca por laços mais estreitos com os líderes de outras religiões como judeus, muçulmanos, ortodoxos e tibetanos (por meio de Dalai Lama). João Paulo II morreu no dia 2 de abril de 2005, no Vaticano. Aos 85 anos, ele foi vítima de uma septicemia e colapso cardiopulmonar irreversível, agravada pela sua doença de Parkinson.

Hoje na história: 10.05.1973 Fundado o clube de futebol Chapecoense

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No dia 10 de maio de 1973 foi fundada a Chapecoense, clube de futebol do oeste de Santa Catarina, que tem como principal conquista o título da Copa Sul-Americana de 2016. A equipe também disputou a Libertadores pela primeira vez em sua história em 2017.

A Chape, como é apelidada, nasceu da fusão das antigas equipes do Atlético Chapecó e do Independente. Pouco tempo depois da sua fundação, a Chapecoense chegou à primeira final do Catarinense e ao primeiro título de sua história, em 1977, ao derrotar o Avaí na decisão, por 1 a 0.


Ascensão nacional e internacional

Após quase quatro décadas de existência, a Chape começou a despontar no cenário nacional e internacional. Em 2009, o time disputou a Série D e garantiu a vaga na Terceira Divisão de 2010. Para sair da Série C foram necessárias outras três temporadas. Neste período, a equipe ganhou o estadual de 2011. O Verdão do Oeste, como é carinhosamente chamado, finalmente conseguiu o acesso à Série B em 2012. Bastou um ano na Segundona para a Chape garantir sua passagem à elite do futebol nacional. 

Em sua participação na Série A, a Chape surpreendeu encerrou a competição em 15o., garantindo a vaga na Copa Sul-Americana no ano seguinte. Em 2015, na sua primeira competição internacional, foi às quartas de final, onde acabou eliminado pelo River Plate. Em 2016, o time se classificou novamente à Sul-Americana e, desta vez, foi mais longe: chegou à final da competição.

Tragédia na Colômbia

O sonho da disputa do título foi precocemente interrompido por uma tragédia. O avião que transportava o time para o jogo da primeira partida final, contra o Atlético Medellin, caiu pouco antes do pouso na Colômbia, no dia 29 de novembro de 2016. Somente seis pessoas sobreviveram entre os 77 passageiros: os jogadores Alan Ruschel, Jakson Follmann e Neto, o jornalista Rafael Henzel, e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suarez. Com a tragédia, não houve final, e o título da Copa Sul-Americana foi entregue para a Chapeocoense. 

Reunindo esforços para seguir adiante, a Chapecoense e a cidade de Chapecó se uniram para a reconstrução do futebol do clube, que iniciou a disputa do Campeonato Catarinense em 2017 e também realizou a primeira partida da história do clube pela Libertadores. No dia 7 de março, a Chape venceu o venezuelano Zulia no seu jogo de estreia, fora de casa, por 2 a 1, pelo torneio continental.  

Prefeitura de Nina Rodrigues realiza evento em homenagem ao dia das mães

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A secretaria de Assistência Social do município de Nina Rodrigues realizou na quarta-feira dia 08, um evento para celebrar o dia das mães que é comemorado sempre no segundo domingo de Maio.

O evento que foi realizado na sede do CRAS, no período da tarde foi destinado a todas as mães do Serviço de Convivência do município e contou com a participação de toda as equipes do SCFV, CRAS e Programa Criança Feliz.

Dentro da programação houve um momento de muita emoção quando foram exibidos vídeos das crianças e adolescentes homenageando suas mães.

Ainda como parte da programação, os presentes ouviram a palestra da psicóloga do CRAS , além de lembrancinhas que foram confeccionadas pela servidora Daniela Torres. Ao final foi servido um lanche.

As mães presentes agradeceram a Secretária Bianca Torres e ao Prefeito Rodrigues da Iara, por ter-lhes proporcionado esse momento de muita emoção e alegria.

Prefeitura de Nina Rodrigues promove ações para capacitar Idosos

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Equipe do NASF e da Casado Idoso em plena atividade com os idosos

O trabalho continuado do prefeito, secretários e assessores do município de Nina Rodrigues vem obtendo enormes resultados no que diz respeito a valorização da pessoa humana.

A enfermeira Joelma Cristina e a terapeuta Maria José do NASF, com a participação da casa do Idoso realizaram nesta semana um trabalho com os idosos na confecção de pesos para portas.

Os idosos mostraram a suas criatividades e produzindo pesos de diversos tamanhos, cores e formatos. Esse trabalho segundo os responsáveis pela ação, visa trabalhar a saúde mental do idoso do município.

Sem sombras de dúvidas é mais uma conquista da população da terceira idade e um meio de aumentarem a sua renda familiar. De parabéns estão todos os idealizadores e participantes desse projeto oficina.

MIGUEL GUSTAVO DE PAIVA TORRES O lustre e o tapete da embaixada

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Quando iniciei minha carreira de servidor público como diplomata, em janeiro de 1976, com 23 anos incompletos, o Itamaraty ainda era uma Torre de Marfim praticamente impenetrável na administração pública brasileira. Predominava ainda uma tradição hereditária que teve início no Império e continuou República adentro. Os embaixadores, grande parte, ostentavam nomes de famílias que perpassaram séculos e emprestavam prestigio político e social à Casa.

Lembro bem que um dos motes era o de que diplomata não reclamava do salário miserável no Brasil porque diplomata não falava em dinheiro. Também seguindo a tradição secular no Brasil das promíscuas relações entre o público e o privado, muita coisa acontecia entre as quatro paredes da instituição, e lá deveriam ficar, seguindo a regra de que “Noblesse oblige”.

Assim, fiquei perplexo quando escutei conversas dos meus colegas mais antigos, indignados com um embaixador que, cabalmente, havia roubado um valioso lustre de cristal pertencente ao patrimônio público, da residência da Embaixada em Tóquio. Exceção, pensei.

Anos mais tarde fui trabalhar com a doce e competente chefe da Divisão do Patrimônio do Itamaraty, Conselheira Mair Ione. Fiquei responsável pelo acompanhamento do patrimônio do Ministério no Brasil e no exterior.

O funcionário administrativo responsável pelo assunto na Divisão era um idoso servidor, Senhor Souza Lima, que tinha todo o patrimônio material do Itamaraty anotado à mão em cadernos. E todos os anos atualizava os seus cadernos. Souza Lima tomava conta do patrimônio com rigor e dedicação. Era um exemplo de servidor público. Por isso ficava apoplético quando aconteciam “baixas” suspeitas ou suspeitíssimas em seus cadernos.

Belo dia entra vermelho de raiva em minha sala brandindo um telegrama pelo qual um embaixador pedia a “baixa” de um enorme tapete do século XVIII, sob alegação de que o seu cachorro Bulldog havia comido quase tudo e, portanto, estava inservível.

Outro dia, a ponto de ter um enfarte, vem novamente brandindo telegrama pelo qual outro embaixador pedia para dar baixa em um faqueiro inteiro de prata maciça, porque os empregados da Residência teriam sistematicamente jogado no lixo esses talheres, juntamente com os restos de comida servida nos jantares sociais e oficiais.

Coitado do Souza Lima.

Cada telegrama desses era tratado como ofensa pessoal à sua inteligência de velho guardião do patrimônio do Itamaraty. Isto sem falar nas obras de arte que se quebravam ou desbotavam.

O novo Chefe Geral da Administração do Itamaraty, na época, embaixador Eduardo Hosannah, paraense, rígido e íntegro como Souza Lima, resolveu dar um basta nessa estranha “tradição”. Passei então a coordenar o projeto de informatização de todo o patrimônio móvel do Itamaraty. Dois programas básicos: um para os bens comuns-CONPAT-, e outro para os bens culturais-CONBEC-, em Brasília e em todos os postos no exterior.

Começamos pelas grandes embaixadas na Europa, Washington e América do Sul. Souza Lima rejuvenesceu pelo menos uns vinte anos, nessa fase de modernização do seu “métier” de toda uma vida. Acompanhava nossas missões ao exterior e sabia, com precisão, o lugar onde deveria estar cada objeto nos postos, sem nunca ter saído anteriormente, um só dia, do trabalho na sua modesta sala, na antiga Divisão do Patrimônio do MRE.

Miguel Gustavo de Paiva Torres é diplomata.

IPOJUCA PONTES Perverso cinema da mamata (pra Osmar Terra meditar)

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A informação é de que Luiz Carlos Barreto (velho mamador dos cofres públicos) se entrevistou com Osmar Terra (deputado federal – MDB-RS), atual ministro da Cidadania, Desenvolvimento Social, Esporte e Cultura. Trata-se de um velho hábito do “metade” mafioso LCB: sempre que pretende ampliar privilégios, o milionário cacique do cinema tupiniquim ataca por cima, marginalizando conversas com intermediários (quero dizer, gente do segundo escalão burocrático). Embora se diga comunista, Barretão vai terminar bajulando Jair Bolsonaro para fazer um filme sobre como o Capitão chegou à presidência da Republica, seguindo os mesmos caminhos traçados para fazer “Lula, o Filho do Brasil”, o mais oneroso fracasso do cinema caboclo, um jogo de lobby que custou muito caro aos cofres do Erário segundo declarações do Antonio Palocci, ex-ministro (abalisado) de Lula e Dilma.

Com efeito, há quase cinco décadas, conforme revelação à engajada Piauí, Barreto usa uma “estratégia” armada para achacar governos, que é a seguinte: Cacá Diegues tece leguleios sofistas em “jornal de prestígio”, caitituando seus interesses em tom crítico. Logo em seguida, Barreto, “mexendo os pauzinhos”, parte para uma “entrevista governamental” com o ministro da vez, oferecendo a “mão aliada” em troca da concessão de mais verbas e outros privilégios.

Pois bem: com um jogo assim, manjado e sujo, essa gente já torrou bilhões de reais dos cofres públicos, alimentando a vasta corporação parasitária com altas somas em dinheiro extorquido da merenda escolar e do combate ao analfabetismo, da construção de casas populares, da compra de equipamentos e armas para manutenção da segurança pública e, o que é pior, do bolso exaurido do contribuinte indefeso. O objetivo de tais entrevistas ministeriais, repito, tem sido o de arrombar os cofres da Viúva, em geral para fazer filmes subversivos, caros, ruins e desprezados pelo público – caso, por exemplo, do fracassado “ O Grande Circo Místico”, do reincidente Cacá Diegues, recusado pelo júri de Cannes e pelo público brasileiro.

Muito bem. A entrevista de Barretão com Osmar Terra, sabe-se, foi para pedir que o “ministro da vez” fizesse a Ancine soltar rápido a grana da corporação, embora soubesse que a agência do cinema corrupto tivesse sido invadida pela Polícia Federal na busca e apreensão de documentos fraudulentos e, mais grave ainda, que o Tribunal de Contas da União (TCU) tivesse rejeitado as contas irregulares de produções bancadas com recursos públicos – entre as quais constavam as contas da própria LCB, produtora do cinematográfico Cacique.

Antes de seguir adiante, é preciso lembrar ao leitor que as chamadas “agências reguladoras” foram implantadas no Brasil pelo professor de marxismo Fernando Henrique Cardoso, vaselinoso social-democrata que comprou a própria reeleição presidencial e se tornou uma espécie de Anjo da Guarda de Lula, o Chacal. Na teoria, as agências, espécie de entidade de administração indireta, pretendem fiscalizar determinadas atividades econômicas no País. Na prática, no entanto, transformaram-se em rechonchudos cabides de empregos que nada fiscalizam, ou fiscalizam mal, de ordinário em favor do próprio Estado ou das corporações parasitárias à cata de privilégios, claro está, sempre adversas aos interesses da população vilipendiada.

No dito “encontro” com o ministro da Cidadania, Barreto – que nos arquivos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tem inúmeras ações judiciais movidas pela Prefeitura do Rio, Banco do Brasil, Banco do Estado do Ceará e o falido Banco Nacional, além de um cipoal de ações trabalhistas demandadas por técnicos e atores – revelou eufórico que Osmar Terra, no tempo da UFRJ, era “próximo do PCdoB e apaixonado pela palavra de ordem do Cinema Novo, ‘uma câmara na mão e uma ideia na cabeça”.

Se a melopeia enganosa de Barreto quer significar a adesão de Osmar Terra aos interesses predatórios do corporativista-mor, estamos todos ferrados, incluindo-se as deliberações tomadas pelo TCU contra as irregularidades sistemáticas da Ancine, conivente com as falcatruas da corporação parasitária, e o próprio trabalho da eficiente Polícia Federal, atenta no combate direto a apropriação indébita dos recursos públicos. Neste aspecto, aliás, a conduta do ministro é ambígua, pois ao mesmo tempo em que se posiciona contra o uso da maconha e o consumo da droga, preciosidades apreciadas no “meio” artístico, também é capaz de votar pelo arquivamento do processo de corrupção passiva proposto contra Michel Temer, sujeito que a falange do PCdoB quer ver “por trás das grades” por desvios de R$ bilhões.

De resto, a própria atitude de Terra em reduzir a doação extravagante – proveniente da extinta Lei “Roubanet” – de R$60 milhões para R$1 milhão, destinados ao financiamento de projetos ditos culturais, não demonstra razoabilidade: um milhão de reais é dinheiro pra burro. Dá para remunerar mensalmente, na base do salário mínimo, mil trabalhadores que andam famintos por aí. Ou pagar, no fim de cada mês, um milhão de trabalhadores quando a doação chega a casa de R$1 bilhão de reais, em média o teto de dinheiro dispensado anualmente pela Lei permissiva a projetos do setor.

De minha parte, considero que o principal problema da expansão cultural é a eliminação do analfabetismo. Creio que investir na educação domiciliar é a medida urgente, visto que a modalidade de aprender com os pais, tutores e professores, a chamada “homeschooling”, assume caráter oportuno e prático num País de dimensão continental.

Outra alternativa: impulsionar, com recursos sacados do desperdício corporativista, a implantação nacional do projeto do Ensino a Distância (EAD), em expansão na China, Rússia e Estados Unidos, operado entre nós pela Secretaria Nacional da Juventude em parceria, ate agora, com 148 municípios do interior do País. Trata-se de projeto essencial para alfabetizar cerca de doze milhões de analfabetos em idade escolar, cuja materialização carece de parafernália composta por vídeos, apostilas, e-books, monitores e os indispensáveis serviços da Internet.

Só que, enquanto falta dinheiro para expansão do Ensino a Distância, Cacá Diegues, “guru” da corporação insaciável, garante que ano passado foram produzidos 160 filmes de longa metragem no Brasil, orçados, em conjunto, na faixa de bilhões – filmes que, salvo exceção, ninguém vai ver ou que só circulam no noticiário da mídia amiga e nos custosos festivais ideologicamente controlados.

PS 1 – Outro dia, ouvi a falácia de que para cada real investido pelo governo (irresponsável) na produção de um filme, há o retorno de R$1,70. Então, pra que dinheiro do contribuinte se o negócio é rendoso?

PS 2 – Diz-se por aí que o sinistro Celso Amorim, o Diplomata Vermelho, está de partida para Portugal. Uma ótima notícia! Vai logo, Amorim. Mas olha: fica por lá mesmo, não arranja bilhete de volta.

No início dos anos 80, escrevi o livro “Cinema Cativo”, esgotado, sobre a desastrosa gestão de Amorim na Embrafilme. Sei bem do estou falando. Livro lançado, o diplomata foi chutado da corrupta estatal do cinema pelo general Rubem Ludwig, então ministro da Educação.

NEY LOPES ‘Jabutis’ e ‘bodes’ na reforma

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Primeiro de Maio, “Dia do Trabalho”.

Momento oportuno para reflexões sobre a reforma da Previdência, que é inegavelmente necessária.

Essa posição favorável às mudanças é clara, de parte do autor do artigo, que não se alia aos que torcem “pelo quanto pior, melhor” para o país!

Todavia, impõem-se alterações no texto enviado ao Congresso, que não podem ser consideradas “desidratação maléfica”, em prejuízo dos objetivos finais das mudanças.

Alguns delírios do mercado terão que ser retirados, para evitar sacrifícios sociais injustificáveis.

A quase totalidade das reformas previdenciárias no mundo foram realizadas gradualmente, com diferenciações, por etapas e com busca de repartição justa de “sacrifícios”, para evitar choques e conflitos sociais futuros.

Não adianta onerar a “conta” e “cobrá-la”, de quem não tem condições de pagar.

Afinal, Roma não foi construída em um dia!

A reforma da previdência é o início de um processo de mudanças inadiáveis, que envolve outras áreas e setores do país.

Caso as alterações possíveis não atinjam o patamar de “economia orçamentária” desejado pelo governo, existirão outras fontes óbvias e ululantes, que infelizmente estão sendo “protegidas” no momento.

A França, apesar de 26 tentativas de reformas nos últimos anos, ainda convive com 42 regimes diferentes no seu sistema previdenciário.

Nunca se exigiu tanta competência pessoal e responsabilidade dos deputados e senadores, na tarefa de separação do “joio do trigo”.

O ministro Paulo Guedes confessou na “Central Globo News”, que a sua proposta é para economizar R$ 1,237 trilhão em dez anos, ou seja, 15,4% acima do valor que vinha sendo divulgado pelo governo, de R$ 1,072 trilhão.

Trocando em miúdos, a equipe econômica trabalha com “bodes” e “jabutis” embutidos na PEC em debate.

No jargão legislativo, “jabutis” são aqueles artigos que não têm relação com a matéria principal e confundem o legislador (por exemplo: criação de precondições para a privatização da previdência).

“Bodes” são previamente introduzidos, já com a intenção de “negociar” e, ao final, manter aquilo que realmente interessa.

Um dos pontos inquestionáveis nesse debate é a idade-limite.

Sem essa mudança, não haverá reforma.

Há uma tendência mundial de que as próximas gerações trabalhem por um período maior, em razão da expectativa de vida aumentar.  Nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média das idades mínimas é de 64,2 anos.

No Brasil, não poderia ser diferente, desde que aplicadas “regras de transição” graduais, justas e humanas, que respeitem o planejamento de vida individual e familiar, daqueles que hoje cumprem as normas legais vigentes e não podem arcar com mudanças abruptas.

Observa-se que a proposta oficial, inexplicavelmente, deixa de alocar várias fontes de recursos fiscais disponíveis, que diminuiriam os sacrifícios de certas categoriais sociais.

Como está, o superávit seria alcançado, apenas com o sacrifício de categorias sociais de baixa e média renda.

Por que razão?

A consequência são situações dramáticas, como a do servidor público, que falta pouco tempo para aposentar-se. Esse funcionário não usufrui nenhum privilégio. “Queimou as pestanas” em concurso público para chegar onde chegou e retira do bolso mensalmente a sua cota de previdência.

A PEC o atinge, prorrogando o seu tempo de permanência (o que é admissível, desde que as regras de transição sejam “graduais”) . O que não se justifica é a perda do direito à paridade, gratificações e incorporações legais, a que faz jus há anos.

A redução de salário em alguns casos irá além de 50% e ocorreria, justamente na velhice, quando aumentam os encargos familiares e assistência à saúde. Essa é forma de combater privilégios?

Enquanto isso, esconde-se da opinião pública, que atualmente o serviço público não é mais o responsável pelo déficit previdenciário.

Poucos sabem, que desde 2012, estão proibidas as “aposentadorias milionárias”, o que significa dizer que o déficit do setor público está gradualmente estabilizado. Todos servidores públicos, que ingressaram a partir de 2013, já estão sujeitos ao teto do INSS (R$ 5.800 hoje) nas aposentadorias futuras.

A questão dos atuais “salários milionários”, será resolvida com a fixação do “teto” de vencimentos, fiscalização e punições severas para o cumprimento.

O maior “jabuti” na PEC é a proposta de “capitalização”. Trata-se de um sistema administrado por fundos privados (recorde-se o “blefe” de fundos semelhantes no passado), no qual o contribuinte faria a própria poupança para garantir a sua aposentadoria.

O texto está confuso e impreciso, na medida em que exclui da Constituição o regime de repartição solidária e abre a janela para a privatização da previdência, além do risco de retirada de direitos futuros, através de lei complementar, que exige apenas maioria absoluta, ao invés de 3/5 nas duas casas do Congresso.

Capitalização previdenciária foi obra nefasta do ditador Pinochet no Chile, já revogada naquele país. Segundo a OIT, 18 nações da América Latina e do Leste europeu, que copiaram esse sistema, tiveram de reverte-lo.

Quem conhece zoologia sabe que os “jabutis”, introduzidos na PEC previdenciária, não sobem em árvore sozinhos.

Se lá estão, alguém os colocou.

A tarefa de preservar o interesse público será do Congresso Nacional. Precisará coragem e determinação nessa tarefa.

Outra hipótese, que intranquiliza a nação, é o Congresso ser cooptado e aprovar integralmente o que foi proposto.

Nesse caso, o mercado festejará.

Mas, a Nação ficará de luto!

PEDRO VALLS FEU ROSA Globalização para brasileiros

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Nos distantes idos de 1999 li, através da pena brilhante do Jornalista Claudio Humberto, uma curiosa notícia: “Sinal dos tempos: as estatuetas do Padre Cícero são todas “Made in China”. Haja fé”.

Era a globalização que chegava, afetando até as tradicionais imagens do Padre Cícero! Era o Brasil entrando na era das fronteiras abertas e da queda de barreiras!

Boa notícia, esta. Segundo estudo feito pela Universidade de Michigan (EUA), a renda da população mundial cresceria 612 bilhões de dólares se apenas um terço das barreiras comerciais desaparecessem. Ou seja: o mundo caminha na direção certa.

Na Europa, por exemplo, “mais de 90% da legislação que suprime as barreiras internas já está em vigor, permitindo que as empresas operem com maior facilidade através das fronteiras nacionais, o que constitui uma oportunidade para ajudar a manter e, inclusive, aumentar o emprego” (publicação oficial da União Européia).

Eis aí um exemplo notável: antes, as mercadorias que circulassem entre os países europeus estariam sujeitas ao pagamento de tributos nas fronteiras. Calcule-se a burocracia, a lentidão e os custos que este sistema causava.

Atualmente, isto não mais existe. Assim, imaginemos que uma empresa portuguesa venda sardinhas a uma empresa de conservas alemã. Haverá um único imposto a ser pago pela empresa alemã, através de declaração periódica, e o caminhão que transportará as sardinhas viajará livremente de Portugal até a Alemanha.

Esta simplificação eliminou nada menos que 60 milhões de documentos aduaneiros por ano. Bom para a Administração. E bom para as empresas: apenas na Inglaterra, elas reduziram seus custos com burocracia em 139 milhões de libras esterlinas.

Realmente fascinante, a eliminação de barreiras! E o Brasil tem feito parte deste processo: já abriu suas fronteiras a um ponto tal que importa até… estatuetas do Padre Cícero!

Enquanto todas estas coisas maravilhosas acontecem, fico a pensar na CAVIL. Trata-se de uma pequena cooperativa de produção de laticínios que funciona em Bom Jesus do Norte (ES). Próximo a ela há um rio e uma ponte, que conduz à cidade de Bom Jesus do Itabapoana (RJ). Logo depois da ponte há uma padaria.

Pois bem: para que o queijo e a manteiga produzidos na CAVIL possam andar 800 metros, da usina até a padaria, do outro lado da ponte, devem enfrentar uma rigorosa barreira. É comum vermos caminhões amontoados em frente ao posto fiscal, aguardando a vez da inspeção. Até guardas com metralhadoras e cachorros já vi naquele local. Isto tudo para que brasileiros possam vender queijo e manteiga para brasileiros que moram do outro lado de uma ponte, praticamente dentro da mesma cidade!

Este quadro é nacional. São milhares de barreiras fiscais, guardas armados, denúncias, processos e, principalmente, custos e atraso.

Enquanto isto, como vimos, na Europa os caminhões e trens circulam livremente até mesmo entre países, não interrompendo seus percursos por conta de formalidades tributárias.

E ficarei só nas barreiras de fiscalização, sem comentar os escabrosos “incentivos fiscais” dados nos Estados. Já vi casos em que estes desviaram o trânsito de produtos por milhares de quilômetros – as diferenças de alíquotas entre os Estados compensavam o aumento dos custos de transporte. Isto é ruim. Atrasa o progresso.

O mais lamentável é que nossas pequenas empresas e cooperativas, além de  não conseguirem os benefícios da globalização e da queda de barreiras, ainda têm que enfrentar as poderosas indústrias transnacionais que aqui desembarcaram pelos braços desta mesma abertura econômica. Acabam sendo vendidas para estrangeiros, ou, o que é pior, falindo.

Pois é. Vinte anos depois de ter lido sobre as estatuetas do Padre Cícero, não posso deixar de pensar que talvez, além de enviarmos comitivas ao exterior para que negociem acordos de livre-comércio, devêssemos enviá-las também a Bom Jesus. Talvez, nestes bons tempos de globalização e reformas, devesse ser estudada a abertura das fronteiras de Bom Jesus do Itabapoana aos conterrâneos de Bom Jesus do Norte.

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Bar Flutuante de Pindaré-Mirim afunda

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O famoso bar, que chegou a ser um ponto turístico de Pindaré-Mirim por várias décadas, o “Flutuante”, afundou na tarde de quinta-feira (28). De acordo com as informações, o bar estava sem funcionar há vários meses e estaria em manutenção. No momento do ocorrido ninguém estava dentro do Flutuante.
A preocupação agora é com o perigo que a estrutura está oferecendo as pessoas que precisam fazer a travessia do Rio Pindaré e também para quem costuma tomar banho na área.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que será feito um Laudo Ambiental. “Será feito Laudo Ambiental, que será encaminhado em caráter de urgência para o Ministério Público e ao Fórum de Justiça, onde o proprietário será multado por uma série de impacto ambiental negativo. Solicitamos ainda que a comunidade de modo geral, que ao tomar banho no rio, não mergulhe nas proximidades do flutuante”, disse Nilton Carlos, secretário adjunto de Meio Ambiente de Pindaré Mirim.
Fonte: Portal Pindaré

Pinheiro: prefeitura afasta estado de calamidade e confirma Carnaval 2019

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Depois do grande esforço de uma força tarefa encabeçada pelo prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio,  a situação na barragem do Rio Pericumã foi controlada (saiba mais).

Em nota, a prefeitura informou a situação da barragem e afastou a possibilidade do decreto de estado de calamidade no município. Com a abertura de uma das comportas, o nível do rio baixou e as famílias afetadas pelo alagamento puderam  retornar para suas casas.

Por conta da possibilidade de ser decretado estado de calamidade, o carnaval de Pinheiro corria risco de ser cancelado. Com as ações rápidas  no controle da situação na barragem, a prefeitura também confirmou a programação de um dos mais tradicionais e melhores carnavais do Maranhão.

NOTA OFICIAL

A Prefeitura de Pinheiro vem a público informar a toda sociedade que:
No último domingo (10) em uma tentativa de abrir uma das comportas da Barragem do Rio Pericumã, um cabo se rompeu impossibilitando o pleno funcionamento da estrutura.
Devido as intensas chuvas dos últimos dias e sem o escoamento programado, o Rio Pericumã transbordou inundando centenas de casas, restaurantes e pontos turísticos da cidade.

Sem resposta imediata do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS – órgão responsável pela manutenção da barragem – a Prefeitura de Pinheiro iniciou uma força tarefa para a substituição do cabo danificado e abertura das comportas.
Na quarta-feira (13) técnicos da administração municipal conseguiram realizar com êxito a substituição do cabo de uma das comportas. Destacamos o trabalho de excelência de nossos profissionais que trabalhavam contra o tempo. A troca dos cabos é uma manobra arriscada e que precisa respeitar o movimento das marés sendo possível apenas com a maré baixa.

Ainda na quarta-feira (13) foi possível a abertura de uma das quatro comportas que compõe a barragem, possibilitando o escoamento gradativo do Rio Pericumã.
Na manhã desta sexta-feira (15) registramos o recuo de aproximadamente 60 centímetros do nível do Rio na altura da Barragem.

A região ribeirinha não se encontra mais em estado de alagamento e as famílias que tiveram que evacuar suas residências puderam retornar com tranquilidade nesta sexta-feira.

Informamos ainda que a Prefeitura de Pinheiro fez um levantamento das famílias atingidas e está prestando toda assistência necessária.

Sobre o cancelamento do carnaval

Uma avaliação da Defesa Civil Municipal e Estadual realizada na quinta-feira (14) observou a necessidade de Decreto de Estado de Calamidade caso a abertura de apenas UMA comporta não fosse suficiente para o escoamento do rio a curto prazo.

Após uma vistoria técnica de um Engenheiro do DNOCS e do Comando Geral do Corpo de Bombeiros que sobrevoou o local nesta manhã (15), observou-se o sucesso do trabalho executado pela administração municipal sendo DESCARTADA A NECESSIDADE DE DECRETO DE ESTADO DE CALAMIDADE.

Dito isto, informamos a toda sociedade que as festividades do CARNAVAL DE PINHEIRO ESTÃO MANTIDAS SEM ALTERAÇÕES EM SUA PROGRAMAÇÃO.

Reiteramos que a manutenção da Barragem do Rio Pericumã é de responsabilidade do Governo Federal pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS – e que a Prefeitura de Pinheiro vem realizando esse trabalho há dois anos sem qualquer ajuda ou recurso do Departamento.

Temos o compromisso e o dever de assegurar dignidade, segurança e bem-estar social a população pinheirense e para isso, todas as medidas possíveis estão sendo tomadas dentro da esfera municipal.

DANTE COELHO DE LIMA Adeus Pium, a grande viagem

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O DC-3 da Real Aerovias taxiou em direção ao terminal do velho Galeão. Era o fim do voo Goiânia-Rio, com escala em Belo Horizonte. Naquela época, início dos anos 50, não havia os “fingers” que hoje nos levam do avião até o terminal. Desci zonzo as escadas do avião. Zonzo e nauseado. Durante o voo, foram muitos os saquinhos de enjoo. Nada segurava no meu estômago, por mais que Mamãe e a aeromoça solícita teimassem em me fazer comer. Motion sickness, dizem os de língua inglesa. Acho que nasci para viver em absoluto estado estático . Os tempos seguintes iriam confirmar isso. Enjoava até de bonde.
Os passageiros desceram a escada e começaram a caminhar na direção do terminal. Enquanto eu andava, trôpego, pela pista, não me passou despercebido que Papai mudara de vez de indumentária. Nunca o tinha visto, assim, tão arrumado. Tinha despido as velhas calças e camisas de cor indefinida pela prolongada ação barro do garimpo. Deixou para trás também seus apetrechos de trabalho. Em vez das pás e picaretas, trazia na mão uma reluzente pasta Samsonite. Envergava fatiota nova. Gravata. Rosto escanhoado, bigode aparado com esmero, o cabelo ondulado, puxado pra trás. Andava a passos largos, Fronte altiva, ar de conquistador. Largou de mão o coldre com seu 38. Revolver pra quê?, teria pensado. No Rio, só esperança de dias melhores. E seguros.
O rude garimpeiro não chegava a dissimular o desconforto que os sapatos novos lhe provocavam. Eu sabia muito bem o que era quilo. Antes da viagem meus pais me submeteram – a mim e ao mano Eliud – a um curso forçado de adaptação àqueles adereços de couro que nos feriam os dedos e o calcanhar. Um suplício.
Mamãe, linda, no seu primeiro penteado de cabelereiro, com seu vestido novo, caminhava na pista, se equilibrando sobre os sapatos comprados especialmente pra viagem. Bolsa numa mão e a mão do filhote mais moço na outra. Eliud saltitava. Era todo excitação. Já eu, no meio do meu mal-estar, suava de medo. Além dos malditos sapatos que me apertavam os pés, pensava no que me esperava naquela cidade grande e assustadora.
Pensava também na aeromoça que na viagem me ofereceu saquinhos de enjoo. Nunca tinha visto criatura mais formosa. Daquelas aeromoças que existiam antigamente. Cheguei a pensar que era mais bonita até que minha mãe, que, numa noite povoada de medos de almas do outro mundo, me deu guarida em seus braços maternos e ouviu de mim que só me casaria com ela. Édipo que me perdoe, mas aquela aeromoça causou-me impressão perturbadora. Mal sabia eu que aquela bela aparição era apenas o começo. Começo dos desassossegos que as moças do Rio trouxeram àquele menino magricela e tímido. Precocidade sexual do tipo do personagem Carlinhos do “Menino de Engenho”. No meu caso, caberia mais “Menino do Garimpo”
Malas e passageiros divididos em dois carros de praça, saímos em direção ao Hotel Vera Cruz (hoje demolido), ao lado da Praça Tiradentes. Tarde já caindo. No caminho, pela Avenida Brasil, minhas narinas começam a experimentar um infinidade de novos odores alguns nem tanto agradáveis. Fosse como fosse, cheiros de cidade nova, lugares novos, sempre me impactaram. Lembro quando morei uns meses em Lagos, na Nigéria, nos meus bordejos de boca de noite pela Norman Williams Street, onde ficava a velha Chancelaria da Embaixada. Sentia uma mistura de aromas fortes, acres e inebriantes nunca antes experimentados neste país. Aromas que vinham do cozinhar das famílias, em plena rua e a céu aberto, de suas ervas e temperos de emanações penetrantes.
A liturgia da chegada e do check-in no Hotel nos impôs uma longa espera, enquanto meu pai acertava no balcão detalhes da nossa morada pelas próximas semanas. Naquela noite não saímos do hotel e eu não pude esconder meu espanto com aquela caixa que subia e descia com gente dentro. O elevador. Nos dias seguintes, sempre que podia eu arranjava um jeito de passear naquele estranho veículo. Para desgosto do ascensorista, que ralhava comigo. Tamanho era o encantamento que nem enjoei.
Ao escrever sobre isso, lembrei de uma cena do filme “Being there”, quando o jardineiro Chance (Peter Sellers) entra num elevador da imensa mansão do milionário Benjamin Rand e diz “…That is a very small room”, ao que o empregado Wilson que o conduzia numa cadeira de rodas responde, divertido, tomando como piada o comentário de Chance (que nunca tinha entrado num elevador), “yes sir, I guess that’s the true smallest room in the house”.

Na noite seguinte, Papai resolveu nos levar para um passeio pelas redondezas do hotel. Passamos em frente a um teatro de revista, acho que era o Carlos Gomes, com fotos de moças trajando sumários maiôs e biquínis nas vitrines. Fascínio absoluto, fiquei ali parado em frente às vitrines, espiando, até que minha mãe me desse um puxão na mão. E outro na orelha, censurando meus sentimentos precoces. Havia ali muitas Gradiscas, daquelas do Felini.
Andamos pro ali, meu pai de cicerone. Luzes e neons quase me cegavam de deslumbramento. A Praça Tiradentes parecia uma festa. Moçoilas encantadoras passavam por mim. Eu as acompanhava com o olhar de fascínio. Minha mãe quase me arrastando pela mão. Papai nos levou pra jantar num Restaurante chamado Cedro do Líbano. Rua Senhor dos Passos. Estranha e saborosa comida. E, claro, novos cheiros. Embriagadores. Pedimos – Eliud e eu – a meu pai um guaraná, beberagem maravilhosa que havíamos tomado no Hotel. Durante anos, sempre que estava no Brasil e no Rio, ia lá no Cedro do Líbano comer, lentilhas, quibes, kaftas, tabule, sempre acompanhado de pão árabe com tahine. Há pouco tempo fui lá com meu irmão. Sentimos um quê de decadência. O eixo gastronômico da cidade – pelo menos aquele que me encantava – mudou-se pra Zona Sul. E hoje já escapa mais pra Barra.
Passadas algumas semanas no hotel, meu pai disse que a gente ir morar em Bonsucesso, mais precisamente em Higienópolis, ali perto da Avenida dos Democráticos. E lá fomos, sem armas, e com pouca bagagem, para a rua Pacheco Jordão. Era um edifício baixo, sem elevador. Mas, meu pai comprou nossa primeira geladeira. E o gelo passou a ser outra maravilhosa descoberta para mim. Passava os dias chupando aquela pedra gelada. E haja dor de garganta, amigdalite, gripes e febres. Nada comparável, contudo, aos calafrios da malária terçã que me acometeu em tenra idade e que quase me abrevia a existência.
Vida se ajeitando na nova morada, chegou o tempo de procurar escola pros meninos. Fomos matriculados no Externato Redentor, hoje chamado Santa Mônica, ali pertinho de casa, pequeno, com apenas duas salas de aula. Uniforme tipo militar, farda, gravata, botões dourados com quepe. Ali começaria minha vida escolar tumultuada.
Mas isso é assunto para outras estórias minhas, que um dia contarei, se ainda estiver em vida.

Dante Coelho de Lima é diplomata.