Rancho Bambu recebe celebridades

Destacado

Prefeito Rodrigues da Iara, ao centro com Professor Silva, Zé Orlando Seu Dico

O professor Silva e família, atuais arrendatários do Rancho Bambu, foram anfitriões de um grupo de respeitável saber literário, turismólogos e professores,que visitaram na manhã de hoje 22/03, a cidade de Nina Rodrigues, para além de um bom papo de cardápio variado, degustarem os sabores dos pratos deliciosos da culinária maranhense, que são servidos com maestria pela equipe do Rancho.

Ali, naquele ambiente de notáveis, com certeza correu solto um cardápio regado a política, resgate histórico, e o aporte de Nina Rodrigues no Calendário Turístico do estado do Maranhão.

O prefeito Rodrigues da Iara sempre muito receptivo e defensor ardoroso do crescimento de seu município, esteve presente abrilhantando esse momento em que se busca a inclusão do município no cenário turístico do estado.

Com certeza, antes do almoço, uma boa dose de Capotira foi provada e aprovada por anfitriões e visitantes como uma saudável desinibidora de apetite. Presentes também os professores Zé Orlando e Raimundo Barroso (Seu Dico), grandes amigos apreciadores e defensores dos sabores da nossa respeitável culinária.

JOSÉ MAURÍCIO DE BARCELLOS A imprensa farsante

Destacado

Todo poder emana do povo e este pode inclusive exercê-lo diretamente. A partir deste básico princípio constitucional nossa gente está reconstruindo os três poderes da República: o executivo, o legislativo e o judiciário, mas não é o suficiente. Há um quarto poder por assim dizer, talvez tão forte, tão influente e imprescindível a uma verdadeira democracia que está a merecer uma profilaxia geral e irrestrita, para que possa ser exercido por seus profissionais e através de seus veículos – meros concessionários do Estado – com liberdade, com isenção, com seriedade e patriotismo, em prol do povo brasileiro. Falo da imprensa.

Nada indigna mais qualquer cidadão honrado deste País do que quando ele avalia o quanto a imprensa tradicional, escrita, falada e televisada solertemente contribuiu, nos últimos 30 anos de governos civis, para que esta Nação fosse vilipendiada, roubada e humilhada perante o Mundo. Quando se pensa no quanto, por pura ganância, muita má-fé e total falta de amor à Pátria, os Conglomerados da Comunicação protegeram e incentivaram as quadrilhas de Sarney a Temer a roubar e a malversar a coisa pública, tenho certeza de que a vontade que se tem é de definitivamente prender e execrar todos os responsáveis diretos e indiretos. Por que não? Porque esses profissionais da imprensa e seus patrões que, em face de clara e inequívoca omissão dolosa foram, sem dúvida, coautores dos maiores crimes praticados contra o povo do Brasil, têm que desfrutar de uma aura de imunidade ou de uma redoma inexpugnável que os isenta de qualquer parcela de culpa, por menor que seja?

É incalculável o alcance dos muitos e diferenciados tentáculos da imprensa profissional que transpassam e atravessam os mais recônditos cantos da sociedade e os mais bem protegidos bunkers da vida nacional. Há muito que se sabe do descomunal poder de investigar, de tramar, de induzir, de distorcer ou de corromper dos Barões e de suas terríveis máquinas da Comunicação. Então, com toda licença, digo que não há justificativa alguma que explique o silêncio de toda a grande imprensa em relação aos crimes que desgraçaram nossa gente e fizeram mais de 25 milhões de desvalidos. Por onde andava a legião de repórteres e profissionais de investigações, os famosos “perseguintes” que nada de sólido e objetivo trouxeram a lume? Quando se viu outrora uma só campanha midiática de âmbito nacional, estrondosa e fantástica, como se vê nos tempos de agora contra o atual governo e desde antes de empossado? Qual a posição das zelosas corporações ou associações de profissionais da imprensa sobre este fato inconteste, isto é, sobre este injustificável silêncio que perdurou por décadas a fio? Nunca ouvi se queixarem de nada em favor do homem comum.

Pensemos um pouco. Alguém acha ou tem a desfaçatez de afirmar que antes da Operação Lava Jato nunca houve corrupção neste País? Acha, também, que toda a classe política abjeta e execrável só foi descoberta e apontada por Sérgio Moro e sua equipe? Acha ainda que os poderosos veículos de comunicação e as gordas ratazanas e cevadas fuinhas da grande imprensa nunca souberam mesmo de nada em relação à Sarney e sua corja de assaltantes do Maranhão; em relação à Collor e seus ladrões de casaca; em relação à FHC e seus larápios fingidores; em relação ao “Ogro Encarcerado” e à “Anta Guerrilheira” e sua horda de rapineiros vermelhos e, por fim, no que tange ao grande  “Corrupto dos Porões do Jaburu” e seu bem montado bando de assaltantes. É nisto que se quer que acreditemos?

Então ponderem comigo. Será que alguém duvida que se o audacioso e destemido ladrão Roberto Jefferson não tivesse colocado a boca no trombone para não ficar sozinho no cadafalso; que se não existissem a Rede Mundial de Computadores e as Redes Sociais; que se os “Intocáveis de Curitiba” não tivessem socorrido esta Terra de Santa Cruz; que se continuássemos à mercê da imprensa como a conhecemos atualmente, então todos nós não estaríamos até hoje sendo roubados e vilipendiados de muitas maneiras, no executivo, no legislativo e no judiciário?

Quando me valho de tal argumento relativo à insofismável conivência da imprensa, mormente da extrema imprensa, com os crimes praticados contra a Nação Verde e Amarela, surge logo um “vermelhinho enrustido” para argumentar sorrindo que a “Rede Goebells”, por exemplo, hoje é odiada pela esquerda e pela direita, induzindo que se conclua por sua imparcialidade. O imbecil não alcança. O problema dos nocivos Conglomerados não é nem nunca foi ideológico é meramente financeiro e seu propósito maior não é ser um dos pilares da democracia, mas tão somente manter suas mãos imundas nos cofres públicos. E ai de quem ficar na sua frente.

Quando se vê uma grande campanha midiática nacional tal como esta que estamos presenciando que promove uma política inexpressiva e morta em razão da guerra entre facções criminosas ou relativa à propagação de um ódio doido contra Donald Trump, logo se deve perguntar o que o Conglomerado quer ganhar com as próximas eleições ou o quanto dos seus interesses foram contrariados pelo governante estrangeiro?

Outro exemplo. Quando o “Sistema Goebells” de jornal, rádio e televisão desenvolveu uma grande campanha midiática até ver o condenado Lula no xilindró, nunca foi em defesa e por apreço ao País ou ao seu povo, foi isto sim com a intenção de pavimentar um caminho seguro para e eleição de outro corrupto tal como o “Ogro Encarcerado” que manteria seu acesso às verbas governamentais, garantindo seus privilégios, isenções e benesses. Por certo que os Barões do tal Conglomerado – concluindo que a Lava Jato derrotou para sempre o petista – fecharam não com um, mas com vários adversários do Capitão, menos com ele que, de pronto, avisou que nunca negociaria com bandido. Também jamais podiam supor ou sequer de longe imaginar em razão das difíceis circunstâncias que cercaram a candidatura Bolsonaro que este se elegeria, contra tudo e contra todos.

Engoliram o líder e ainda tiveram que suportar que seus quase 60 milhões de seguidores esfregassem na cara daqueles poderosos, de seus acólitos e serviçais, sua condição de “Mito”, que a voz da rua proclamou. Aí foi demais, surtaram de vez. Imagino que a “Espinha Bolsonaro” esteja encravada na garganta daquela gente e é justo por causa disto que, não podendo impedir sua posse, estão dispostos a usar contra ele tudo que disser ou que fizer daqui por diante. É esta a razão de fato desta guerra covarde, surda e suja que desenvolvem contra Bolsonaro, bem como contra toda sua família e seu governo. Nada mais. É por isso que gritam feito loucos tentando esconder toda sua perfídia e vilania por de trás do amplo direito de expressão e da inarredável liberdade de imprensa. Que liberdade de imprensa é esta de que somente os poderosos podem desfrutar?

A rigor não há nenhuma liberdade de imprensa no Brasil. Não há mesmo, porque a liberdade não pode conviver com a falta de independência e a desigualdade de oportunidade, nem se compadece com o desmando e com a corrupção. A sobrevivência da grande imprensa no Brasil depende do quanto os políticos suprem suas algibeiras com dinheiro público, garantindo vantagens e benesses perenes para alguns poucos privilegiados que dominam o mercado midiático de norte a sul do País, em troca de irrestrito apoio e proteção.

Pois então que me escute bem uma “Emponderada Mandarim” do desacreditado STF: ao contrário do que ela pavoneou durante um recente julgamento bem reverberado na mídia capciosa, o “cala boca não morreu” continua vivo e muito esperto neste País de faz de conta porque a boca do povão não tem voz nas páginas, nas telas e nos rádios da imprensa dominante que tudo faz para manter incólume o mundo da fantasia em que vivem a doutora e os nababos da máquina governamental.

Pois que me escutem também as associações de profissionais e de veículos de imprensa sempre chamados (ou comprados) juntamente com as OAB’s da vida para defender seus asseclas e deformadores de opinião por mais vendidos e facciosos que sejam. O tal conceito de imprensa livre que se quer enfiar goela abaixo deste povo só existe em nossa sociedade para preservar ricas empresas estruturadas em favor da comercialização da notícia e da perpetuação do embuste ou da fraude, tudo enquanto não colide com os interesses dos Barões da Comunicação. O mais é conversa fiada. O povão bem sabe disto.

Dei-me ao trabalho de conferir as notícias e as matérias veiculadas em dias diferentes por dois conhecidos jornalões que dizem fazer parte da mídia crítica. Em um total de algumas dezenas de matérias, notas e informações publicadas, todas sem exceção detratavam o Capitão, sua família ou ridicularizavam ferozmente sua equipe de governo e o que é pior, tudo visava na essência martelar a saciedade uma mentira infame, qual seja: Bolsonaro é tosco, despreparado, embusteiro e por conta disto em breve deverá ser “empichado” como foi a Dilma, tal qual expressamente explicou e argumentou insistentemente por mais de duas laudas de um artigo recente, um vendido que se assina “Fulano Sólama”, assim mencionado para não se promover aqui o pilantra da mídia vermelha.

“Simbora” combater, como diria o saudoso Simonal! O Brasil precisa de nós e o Capitão não pode ficar sozinho nesta guerra perversa que a imprensa inimiga trava contra ele. Temos muitos meios para fazer, tal como faço aqui nesta independente e corajosa Tribuna ou através das redes sociais, que estão à nossa disposição.

Assim como já estamos consertando o executivo; como igualmente expurgamos o legislativo e por certo que livraremos o judiciário dos maus juízes, também podemos libertar a imprensa brasileira das mãos dos donos do pedaço porque o poder que detêm e desfrutam só ao povo pertence. Com toda certeza que não faremos isto da forma que propuseram o bandidaço Zé Dirceu com seu quadrilheiro Franklin Martins e o próprio “Bandoleiro do ABC Paulista”, controlando e amordaçando tudo, mas simplesmente desmontando em definitivo os cartéis da comunicação e taxando fortemente qualquer tentativa de oligopólio ou truste da mídia nacional, pluralizando assim ao máximo os veículos de comunicação pelo País afora e cortando dos odiosos Conglomerados o recebimento de verbas públicas, como ocorre em qualquer Nação livre e civilizada.

Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

OSWALDO TEIXEIRA DE MACEDO Usina de crises

Destacado

A ‘crise no Itamaraty’ – mais uma criada pela jornalista Míriam Leitão, no intuito de desqualificar o governo de Jair Bolsonaro – é porque ela acha que o Ministro Ernesto Araújo está quebrando “a hierarquia dentro da instituição que, a exemplo das Forças Armadas, precisa dela”.

Acontece que a hierarquia que Míriam Leitão vê quebrada no Itamaraty nada tem a ver com a hierarquia das Forças Armadas.

Ao contrário do que ocorre no estamento militar, em que a hierarquia se baseia em mérito e na obediência a regras de progressão funcional impessoais e institucionais, a jerarquia do Itamaraty é o resultado de uma obscura e acirrada disputa por promoções na qual sobrevivem os que melhor conseguem enfeudar-se às diversas irmandades que se impõem ao pé dos ouvidos dos chefes da Casa e, não necessariamente, os mais capazes e experimentados.

Apesar da miríade de regras que deveriam dar base a uma ascensão funcional regida por princípios minimamente íntegros e transparentes, o que determina as carreiras na Chancelaria brasileira é principalmente a associação com as diversas cabalas que detêm poder no próprio ministério ou, indiretamente, por meio de promíscuas relações com deputados e senadores da República.

Os embaciados conluios que determinam a progressão funcional no Itamaraty, engendrados a partir da gestão de Azeredo da Silveira, no governo Geisel – o baby boom dos silveira boys –, e multiplicados ao longo do processo de redemocratização, criaram uma hierarquia intrinsecamente viciosa, baseada em favoritismos, adulações, bairrismos e alianças familiares.

Se “os diplomatas, assim como os militares, funcionam sob instruções”, não é verdade que, no Itamaraty, estas provenham de “alguém mais qualificado… com mais legitimidade para transmiti-las”.

A “lógica mais profunda” em que se baseia a hierarquia itamaratiana – que se declara em estado de confusão – nada mais é do que o resultado de um anquilosado processo de promoções na sua maioria alavancadas pela camarilha do Sarney, pela grei tucana ou pela camorra petista.

Essa “lógica mais profunda” que Míriam Leitão teme ver subvertida no plano interno do Itamaraty estava acostumada a refletir-se no plano externo de sua atuação: são as tais “tradições diplomáticas” que levaram ao nanismo de uma política externa marcada pelo multilateralismo de matiz ideológico, pelo regionalismo de várzea, pelo terceiro-mundismo e pela associação a ditaduras de toda ordem.

Nada mais salutar para a política externa brasileira do que o rompimento do “fluxo de transferência de conhecimentos e experiência” proveniente da corriola servil, provinciana e quinta-coluna com a qual a Míriam Leitão conversa pensando que está falando diretamente com a “estrutura da instituição”.

Oswaldo Teixeira de Macedo é diplomata.

PERCIVAL PUGGINA Hipocrisia!

Destacado

Se você perguntar a um desses jovens desorientados, que assumem Che Guevara como referência, qual o motivo dessa veneração, certamente ouvirá como resposta que a grande virtude do argentino era a coerência com seu ideal. Afinal, Guevara deu a vida por ele. Claro que Jesus Cristo foi infinitamente superior, mas Jesus Cristo, nesses casos, está fora de cogitação.  O que não passa pela cabeça da moçada é que esse supremo sacrifício é uma característica de seres notáveis, mas há condições para merecer o adjetivo: 1ª) que o ideal seja nobre e 2ª) que quem o abrace não se sinta no direito de sair por aí matando quem dele discorde. Che Guevara se desqualifica em ambas. Seu ideal já era comprovadamente desastroso quando o abraçou e ele se permitiu, enquanto tentava instalar uma guerrilha comunista na Bolívia, escrever sobre sua própria “sede de sangue”. Era uma sede em proporções cósmicas porque nem mesmo uma guerra nuclear entre a URSS e os EUA, a partir de uma base de ogivas em Cuba, deixava de lhe parecer apetitosa e desejável. “Um, dois, três, mil Vietnãs!” não enchiam seu copo.

Dito isso em menos palavras, fica assim: a coerência com um ideal errado, é algo maléfico, que produz desastres pessoais e universais com regularidade absolutamente previsível. É a “coerência” dos que na vida pessoal se recusam a refletir sobre as consequências dos seus desacertos, de seus vícios e fraquezas, como se uma linha contínua de males fosse um modelo de retidão. É a “coerência” dos que, na vida social e política, persistentemente empurram nações para seu desastroso ideal.

Pois é por esse mesmo caminho que chegamos à hipocrisia. Com efeito, há um potencial pedagógico no erro humano. No entanto, para que isso ocorra é preciso que: 1º) não disponhamos de um modo mais prático e menos oneroso de aprender; 2º) realmente estejamos interessados em acertar. Esse não é caso de quem, advertido sobre o erro que vai cometer, rejeita a advertência alegando – como tantas vezes se ouve – “deixa-me errar porque errando se aprende”. Estamos aqui diante de um caso flagrante de hipocrisia. O sujeito da resposta não quer aprender. Ele deseja errar porque o erro o atrai.

Dito isso, olhemos o caos social, político, econômico e moral do país. Cada passo nessa direção foi saudado (não preciso dizer por quem na política e na mídia) como progresso, avanço, modernização, busca da justiça, apogeu da liberdade, ruptura das amarras culturais, alegre e festiva ruptura dos fundamentos da civilização ocidental. Brilhantes considerações a esse respeito podem ser lidas no artigo “J’Accuse!” de Paulo Vendelino Kons.

Raros períodos da história humana registram tão triunfante marcha da vaca para o brejo!

Agora, quando a vaca se foi e a nação acordou, quando o projeto se tornou conhecido e seus efeitos foram rejeitados pela maioria da opinião pública, “coerentemente” persistem na defesa dos erros. Dedicam horas de tribuna e programação a lecionar a sociedade que é preciso seguir naquele rumo. É como se dissessem: “Estava tudo indo tão bem e vocês aparecem para atrapalhar nossa farra”. E aí, no apogeu da hipocrisia, se escandalizam ante imagens do caos para cuja construção tanto contribuíram e exigem censura para o que antes aplaudiam.

Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

JOSÉ MÁRCIO COUTO O brasileiro anda muito mal acostumado

Destacado

É, o brasileiro anda muito mal acostumado, mesmo. Uma década e meia recebendo, calado, as atrocidades cometidas pela esquerda vermelha que se assenhoreou do País e, numa ditadura velada, fazia o que queria com o povo, apoiado pelos amigos do rei e pelos interessados em ‘nacos’ de poder.

Todo santo dia eram absurdos atrás de absurdos que os governantes praticavam e ai daqueles que discordassem, eram execrados e chamados de retrógados, fascistas, conservadores e desprovidos de visão já que, tudo era para um Brasil melhor no futuro.

Muito bem, o futuro chegou e o que aconteceu? O Brasil ficou estagnado no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que mede o bem-estar da população considerando indicadores de saúde, escolaridade e renda. Dentre um conjunto de 189 economias, segundo dados recentes divulgados pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o país se manteve na 79ª posição, atrás da Venezuela, de Cuba (tantos recursos brasileiros ali aplicados), do Panamá, de Trinidad & Tobago, da Sérvia e Croácia (ambos pós-guerra), do Cazaquistão, do Uruguai e outros.

O Brasil segue com elevada taxa de desemprego que se reduz, sim, mas, lentamente. Segundo o IBGE, 12,8 milhões desempregados (PNAD-IBGE, trimestre maio-julho 2018).

Agora, aparece um mandatário que fala abertamente sobre o que é destituído de sentido, de racionalidade, o que, simplesmente, não se enquadra em regras e condições estabelecidas de comportamento social e recebe uma enxurrada de protestos. Ah…

Calma aí gente, se nunca antes na história desse País alguém falou sobre o que era (ou estava) errado, agora vai se falar. É melhor já ir se acostumando.

Oposição para discutir reformas (necessárias, diga-se de passagem), aceita-se. Contestar o comportamento abjeto de uma geração que traz consigo o reflexo da falta de educação é, porém, inadmissível. Se há um desvio de conduta ele tem que ser apontado, sim, até para que uma cabível punição sirva de elemento impeditivo para uma reincidência. O que é que há? Então, porque vivemos uma democracia pode-se atacar e perverter costumes civilizados? Invoquemos, pois, o dito popular que proclama: “o direito de uns acaba onde começa o dos outros”. Isso envolve o bom senso, a ética, os valores morais e, também, direitos e deveres assegurados em Lei. Tudo tem um limite.

Nem pensem em me calar e me obrigar a ver mulheres ou homens desnudos, em praça pública, manifestando-se com gestos agressivos pelas obscenidades. Que respondam, de alguma forma, pelos seus atos.

Faz muito bem o Senhor Presidente da República em demonstrar seu repúdio a toda essa grosseria gratuita que nos impõe certa turma de desqualificados. Não aprenderam educação e limites em casa, que aprendam pelo rigor da Lei que se lhes deve aplicar.

José Márcio Couto é advogado.

Jovem magistrada expõe com clareza o alcance da atitude de Bolsonaro ao expor o vídeo

Destacado

2

A exposição nua e crua do estado de degradação moral de um povo é meio legítimo e eficiente de elevação do nível de consciência coletiva, na medida em que escancara as entranhas carcomidas do ambiente cultural em que estamos inseridos.

Nos processos judiciais, a prova documental (vídeos, gravações, etc.) tem muito maior poder persuasivo do que a mera prova testemunhal. A oitiva de uma testemunha leva o juiz para a cena do crime de forma indireta, enquanto um vídeo é capaz de transportá-lo diretamente para lá.

Expor a realidade ao grande público pela via visual faz com que haja um deslocamento da posição estratégica do povo no processo de tomada de consciência de sua condição histórica: de mero receptor inerte de discursos políticos ou morais, passa a ser testemunha ocular dos fatos.

É possível despir-se de discursos ideológicos, mas não do ambiente, imagens e influências estéticas a que se é exposto todo o tempo. Os engodos progressistas sobrevivem assim, pois não se trata da adesão racional a uma DOUTRINA, mas da atuação afetiva e profunda em uma CULTURA.

Nesse processo, evidencia-se correta a afirmação de Olavo de Carvalho quando diz que a guerra não é ideológica, mas sim, cultural. O processo de simples persuasão racional, ou seja, o simples discurso ideológico é absolutamente impotente para lidar com tais fenômenos.

Lutar contra o estado de coisas tem menos a ver com convicções e crenças do que com a linguagem, não somente a verbal, mas também a pictórica – a comunicação através de imagens – que domina sonhos e imaginação. Nessa esfera profunda do imaginário atua a guerra cultural.

Por isso, torna-se essencial deslocar a questão do campo da guerra ideológica (persuasão racional ou argumentativa), para o da guerra cultural, mostrando cabalmente a realidade nua e crua, sem tarjas, em vez de apenas discursar sobre ela de forma elegante, polida e aristocrática.

(Texto de Ludmila Lins Grilo. Juíza de Direito)

Ludmila Lins Grilo
Ludmila Lins Grilo

MARIA JOSÉ ROCHA LIMA Justiça e Primeira Infância

Destacado

É hora de se estabelecer uma coalizão de todos os que querem ver uma verdadeira mudança na vida das crianças pequenas e na vida cultural e econômica brasileira. Nenhum problema pode ser superior em importância e gravidade ao da educação das crianças de zero a seis anos. Não há problema mais grave do que o abandono, a negligência, os abusos praticados, pelo estado e pelas famílias, contra crianças pequenas, nem mesmo os problemas econômicos podem lhe disputar a prioridade.

É impossível desenvolver as forças econômicas e culturais de um país, sem desenvolver as aptidões para a invenção e para o empreendedorismo, fatores decisivos para crescimento da riqueza de uma nação.

Investir na Primeira Infância, depois de saber que o cérebro do ser humano atinge o pico de sua atividade por volta dos 2 anos de idade, é uma providência humana e econômica, pois, além dos ganhos na formação de habilidades, criatividade e iniciativas, evitaríamos dispêndios com cárceres, com evasão escolar, com violência escolar, urbana e doméstica.

Não há nada mais justo, mais nobre e mais humano do que lutar por essas crianças. Não se pode falar em humanidade quando mantemos as crianças pequenas em situação de pobreza, sem buscar solução para acabar com o problema. Não haverá justiça, se não nos indignarmos e lutarmos contra o abandono das crianças, oferecendo – lhes abrigo. Não é justo escutar o grito fraco de socorro das crianças, sem levantar uma voz forte de socorro em favor delas.

Ser humano é perceber a solidão, o desamparo, a agonia impensável de uma criança e oferecer atenção, cuidado, calor e abraços; é notar a incapacidade de defesa e invisibilidade da criança e garantir justiça.

Os bebês humanos nascem incompletos, aliás, os únicos do reino animal que exigem educação e cuidados ao nascer. Não sendo atendidos, sucumbem, diferentemente de outros animais, que nascem com um arsenal de instintos. O bebê não nasce pronto, as interações e experiências da criança são decisivas na primeira infância.

Ver o que se passa dentro da cabeça das nossas crianças é só um primeiro passo. Ainda há muitos mistérios e perguntas que, com sorte, poderão ser respondidos nos próximos anos, com

os estudos das Ciências Humanas, da Psicologia, da Psicanálise, da Pedagogia, das Ciências Biológicas e das Ciências Médicas, especialmente da Neurociência, sobre o desenvolvimento do cérebro, não só nos níveis aos quais a neurociência aborda, que são células, tecidos e o cérebro, mas também nos níveis abordados por outras áreas, como a sociologia e até pela economia. Isso não esgota a explicação de como as crianças aprendem, mas oferece um aporte significativo de conhecimentos.

A sociedade brasileira precisa entender que educar os menorezinhos é investimento urgente e fundamental. É preciso investir no pré-natal, nas creches e nas pré- escolas formando bem e atualizando sempre seus professores, especialistas e gestores para a salvação das crianças e do Brasil.

Antigamente a segurança das festas era feita com uma assinatura

Destacado

Resultado de imagem para ilustração de carnaval

Lembro-me dos tempos de nossa adolescência, em que em grupos nos dirigíamos para a cidade de Chapadinha para participar das festas que aconteciam no Aldeota Club. A cidade conhecida como Chapada das Mulatas, atraía a presença de muitos jovens que desejavam conhecer e desfrutar da companhia das belas e educadas jovens de Chapadinha.

Saíamos sempre em ônibus, (carro de passeio era propriedade de poucos) e nos hospedávamos na casa do nosso saudoso amigo Seu Sandoval, que sempre nos recebia com gentileza, presteza e bons conselhos.

Existia da nossa parte, a obrigação de chegarmos cedo na cidade, pois só assim, daria tempo seu Sandoval assinar as nossas fichas de ingresso nas festas. Essas fichas eram levadas ao Club que após apreciada pela diretoria, aceitava ou negava o pedido dos postulantes.

E assim, Pedro Sampaio, Ferreirinha Filho, Walderzeno Abreu, Djalma Rodrigues Filho e José de Fátima entre tantos outros de Vargem Grande,viajávamos cheios de esperanças de encontrar o amor de nossas vidas na vizinha e hospitaleira cidade de Chapadinha. Tínhamos por lá amigos que nos assessoravam, como Zé Baleco, Jefferson Portela e Nonatinho Carneiro. Alguns dos nossos amigos daquela época, gostaram tanto da convivência e da receptividade, que contraíram matrimônio com as jovens Chapadinhenses.

E quem ousava fazer algo que fosse de encontro as normas e regras do Aldeota? Só quem estivesse disposto a não participar mais daquelas animadas festas. E quem diria que após a assinatura e aprovação do nosso cadastro entravamos de graça? Ledo engano, tinahmos que pagar na portaria como chamávamos.

Naquela época não existiam os Conselhos Tutelares, e apesar disso, ninguém roubava, ninguém se drogava. No máximo antes da festa na praça da Bandeira tomávamos um garrafa de praianinha, pois dentro do club, era proibido venda de bebidas quentes. O que não era proibido era a venda de todo tipo de cerveja como se ver hoje nos espaços públicos, que são alugados por uma cervejaria de determinada marca.

Mas era assim, após as festas íamos para as casas do senhor Sandoval ou aproveitávamos algum tempinho para fazer uma serenata para as jovens que tínhamos acabado de conhecer nas festas. Essas serestas eram sempre acompanhadas pelos olhos vigilantes do delegado Cloves e seu grupo de policiais.

Pois é, hoje as festas são promovidas a céu aberto, com policiais militares e civis, guardas municipais, e seguranças particulares, e mesmo assim, os pais ficam em suas casas em orações, pedindo ao Criador de todas as coisas que devolvam seus filhos são e salvos para o convívio familiar.

IPOJUCA PONTES Assinante de ‘O Globo’

Destacado

Estando der viagem marcada, aproveitei a oportunidade e tomei providência que já devia ter tomado há muito tempo: encerrar a assinatura do Globo. A funcionária do setor insistiu para que voltasse atrás, mas não teve êxito. Então, passou a linha para outra funcionária afiançar que, em caso de viagem ao exterior, O Globo tinha “serviço internacional”. Se eu tivesse Smartfone… Cortei o papo em cima da bucha:

– Não uso celular – e desliguei o telefone.

Minhas relações com O Globo datavam de um pré-tempo sem memória. Em 1965, quando era repórter do Diário Carioca, por vezes cobrindo o Ministério da Justiça de Juracy Magalhães e assinando crítica de cinema, o secretário de redação era o respeitável Deodato Maia, figura sólida, de bigode denso e olhar agudo. O DC, que tinha mudado os padrões da moderna imprensa brasileira (“O máximo de jornal no mínimo de espaço”), fechou no dia 31 de dezembro, deixando veteranos do porte de Prudente de Moraes Neto, Antonio Bento, Renato Jobim, Sebastião Nery, José Auto, Carlos Alberto Oliveira (Cao), Milton Coelho da Graça, Ivan Lessa, Hélio Pólvora etc. – a ver navios.

Dias depois, no meio da zorra carioca, recebi recado de Deodato: ele iria exercer cargo de chefia na redação do Globo e estava convidando gente do extinto DC para trabalhar por lá, inclusive eu. Pensei, pensei, mas recusei o convite. E agradeci penhorado o gesto do ex-chefe. Meu caso, dali em diante, era fazer cinema, para o qual – julgava – havia nascido.

O segundo episódio data de 1989. Publiquei no Estado do S. Paulo, onde escrevia por obra e graça do Júlio Mesquita Neto, o artigo “Engenheiro do Caos”, traçando o perfil do sub-caudilho Leonel Brizola. No outro dia, Roberto Marinho, com a adesão de Evandro Carlos de Andrade, diretor de O Globo, transcreveu com destaque o artigo do Estadão. Tudo sem pedir autorização ou agradecer.

Em outra fase, quando escrevia no Jornal da Tarde, o pessoal da editoria do Globo passou a me telefonar, todos os dias, pedindo opinião sobre o que achava do noticiário local, internacional, os editoriais, a feição gráfica e até mesmo a foto escolhida para a 1ª página. Achava aquilo natural e manifestava, de graça, minhas observações, pois era assinante do jornal.

Por sua vez, o pessoal do engajado 2º Caderno, que tem no “meio mafioso” Barretão um padrão de decência no cinema caboclo, me apontava como o malvado coveiro da corrupta Embrafilme (de fato, uma das boas coisas que ajudei a fazer na vida).

Pois bem: certo dia, um redator amestrado informou que “Pedro Mico” jamais tinha sido exibido no Rio de Janeiro. Com paciência, juntei notas colhidas no próprio Globo, provando que o filme tinha sido exibido em circuito de 9 cinemas, durante várias semanas, com aplausos do mesmo 2º Caderno, além de mencionar as vendas internacionais do filme. O Globo enfiou a viola no saco e desmentiu a nota de um certo Hugo sei lá o quê. No dia seguinte, quando seu pessoal telefonou pedindo meus comentários, advinha só pra onde mandei eles irem?

De lá pra cá, o ex-jornal de Roberto Marinho (renegado, depois de morto, por editorial apoiando o “contragolpe” de 64) degringolou de vez. Tornou-se o anti-jornal, tocado por militantes 100% esquerdistas, viciados em distorcer os fatos, totalmente alheios à missão de informar. A coisa chegou a tal ponto que levas de leitores, sobretudo a partir do tratamento infamante dispensado a Jair Bolsonaro e seus filhos, estão cancelando suas assinaturas e dando um chega pra lá no jornal e sua patota vermelha.

Tomo aqui a liberdade de transcrever diálogo entre uma funcionária do jornal e um ex-assinante, a partir de áudio divulgado no site do Jornal da Cidade:

– Meu nome é Geisa, eu gostaria de falar por gentileza, com o Sr. Denílson.

D – É ele.

G – Sr. Denílson, eu estou como contato aqui do jornal O Globo a respeito de uma assinatura…

D – Sim.

G – O sr. chegou a mencionar que o cancelamento foi por causa da linha editorial, não foi isso?

D – Sim.

G – Eu estou entrando em contato, sr. Denílson, justamente para passar um feed back que está tendo várias reuniões para tratar dessa insatisfação que não é só do senhor. Os colunistas, principalmente, estão sendo alinhados. Nós gostaríamos dizer, antes do sr. encerrar a assinatura, que a gente está preocupada com a opinião dos nossos assinantes. E como há um acesso digital, o que é que a gente pensou? Sabemos que não é nada relacionado com valor, mas a gente pensou em deixar a assinatura durante os próximos 6 meses, sem fidelidade, por R$ 5,90. Dê um voto de confiança ao jornal… Em fevereiro o sr. vai notar alguma diferença porque a gente já está tendo mudanças… O Merval está se comportando de forma imparcial, o Gabeira é como sempre foi, a Miriam está mais focada em conteúdo de economia… Se o senhor achar que não tem mudança nenhuma, em março o sr. se comunica com a gente.

D – Não, não quero.

G – E se a gente conseguir por R$ 1,90 só para o sr. acompanhar o site?

D – Não quero.

Não sei se O Globo contestou ou não o áudio acima transcrito e abreviado (ainda exposto no site do Jornal da Cidade). É provável que o faça. Mas o fato é que no fim de 2018 o setor jornalístico do Globo, devido a crise que lá se instalou, demitiu cerca de 70 funcionários nas áreas de redação, fotografia e jornalismo on-line. Até o correto Arthur Dapieve, cria da casa, foi dispensado.

(Mencionei 2018, mas o fato é que já em 2006, a Globo Comunicação e Participações foi intimada a pagar R$ 2 bilhões à Receita Federal pelo envolvimento nos escândalos de sonegação fiscal, criação de empresas de fachada no exterior e manobras contratuais para transmissões de jogos de futebol, consideradas proibidas. Detalhe: dos R$ 2 bilhões, só houve o resgate da metade, restando a dívida de RS 1 bi, razão da ação judicial movida pela RF contra a Globo Comunicação).

Para completar, registre-se o empenho do Presidente Bolsonaro em estabelecer novos parâmetros, num país em bancarrota, para distribuição de verbas publicitárias do governo, principalmente na área televisiva, onde a Globo absorvia, sozinha, cerca de 60% dos bilionários recursos do setor – isto nos governos Lula/Dilma/Temer, tidos como vítimas da TV dos irmãos Marinho.

Resultado: o desespero tomou conta da Vênus Platinada e a saída seria pressionar, de forma sistemática, o Presidente e seus ministros. Com que fim?

Vejamos o que revela um áudio de funcionário da Globo sobre o cerco a Bolsonaro, vazado na Internet:

– A ordem das editorias é pra descer o pau no Bolsonaro em assuntos que possam remeter o nome dele para a população ficar batendo que o cara é homofóbico, que o cara é nazista… O cara não é nada disso. E muita gente aqui está sendo perseguida porque votou nele. A coisa está ficando feia. A Globo abriu pra seu exército de atrizes e de atores falar contra Bolsonaro… tá tudo certinho, entendeu? Qualquer coisa que possa acontecer de ruim no País é culpa do Bolsonaro, principalmente na GloboNews… Tá ficando um negócio nojento.

– Realmente, eles estão com muito medo. Eles sabem que não têm a mesma força que tinham no passado. A Globo não contava com a força do facebook, do instagram… O maior medo é do whatsApp, porque o whatsApp você não controla. E se eles tentarem controlar o whata App… neguinho vai entrar por outro aplicativo… É esse o maior medo. O Jornal Nacional, que dava 40 pontos de audiência, está dando 12 em certas praças. Ninguém está suportando mais. E o pior é se Bolsonaro abrir a caixa preta da Globo…

De minha parte, considero que o jornalismo impresso tem os seus dias contados, especialmente o jornalismo tendencioso: Internet, redes sociais, youtube, facebook, whatsApp são ferramentas (perdoem a má palavra) irreversíveis. Quem vai fazer assinatura de O Globo ou qualquer jornal tendo ao dispor milhares de sites democráticos, confiáveis e melhor escritos?

PS – Bolsonaro agiu e Sérgio Moro, ministro da Justiça, afastou Ilona Szabó do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Szabó é tida como assecla de George Soros, o megaespeculador do capitalismo selvagem e velho financiador do comunismo internacional, recentemente banido da Hungria.

Agora só falta enquadrar Mourão, figura do burlesco feito “popstar” da GloboNews, inimiga nº 1 do Presidente eleito.

MIGUEL GUSTAVO DE PAIVA TORRES Cuba e Brasil: objetos voadores não identificados

Destacado

Morde e sopra. Na tradição diplomática a reciprocidade é uma das regras de ouro. Expulsou de lá, expulsamos daqui, e por aí vai. É a paridade de armas, quando possível, no duelo diplomático. Não há amizade e consideração. Há interesses, e a profissionalíssima diplomacia cubana aplica essa vacina contra a retórica com máxima eficiência terapêutica.

Ingenuamente cheguei a acreditar que, com as desfeitas feitas ao Brasil nos episódios da Petrobrás e das negociações dos créditos alimentícios, o Itamaraty iria endurecer, como sempre fez, em casos semelhantes, inclusive com as grandes potências mundiais.

Nossa embaixada em Havana foi surpreendida quando soube, pela imprensa brasileira, que havia uma missão da Abin em Havana negociando eventual assinatura de acordo de cooperação com a Direção Geral de Informação de Cuba, para troca de informações e atuação conjunta.

A notícia estava causando grande rebuliço no Planalto e escândalo no Congresso Nacional, e nós, na embaixada em Havana, não tínhamos ideia do que estava ocorrendo nos bastidores das articulações políticas entre Brasília e Havana. Uma das principais atividades da Direção Geral de Informação de Cuba era a de prestar apoio a movimentos sociais e revolucionários e a partidos políticos aliados.

Essa visita de trabalho da Abin a Havana ocorreu no início de 2005, quando a Direção Geral de Informação de Cuba estava assumindo postos chaves na inteligência do governo bolivariano da Venezuela, em Caracas.

Na mesma época, como encarregado de negócios, recebi telefonema do Itamaraty transmitindo reclamações do Ministério da Aeronáutica sobre tráfego aéreo não autorizado de aviões cubanos no espaço aéreo brasileiro. Não tínhamos ideia do que estava no ar. Interpelamos por nota diplomática o Ministério das Relações Exteriores de Cuba para dar uma satisfação à aeronáutica brasileira. Não houve resposta escrita mas, por telefone, disseram tratar-se de falhas burocráticas, e ficou por isso mesmo. Havia, no entanto, um zunzunzum em Brasília, de que esses aviões não identificados estariam transportando equipamentos e recursos para os governos aliados de Cuba, na vizinhança brasileira.

MIGUEL LUCENA Carnaval sem dinheiro

Destacado

É generalizada a queixa de que, por falta de dinheiro, não dá para brincar carnaval este ano. Até o Galinho de Brasília, bloco tradicional da Capital da República, cancelou suas apresentações. Acostumados a certos padrões que alcançamos, nos esquecemos de que, no passado, a festa ocorria de um jeito ou de outro.

A marchinha reforçava: “Com dinheiro ou sem dinheiro, ê, ê, ê, ê, eu brinco!”. As pessoas saíam para as ruas sem lenço e documento, uma mão no fecho, outra no cano, como dizia meu pai. Bastavam, para a criançada, uma caixa de maizena ou um talco, um desodorante barato e uma “chiringa” (recipiente plástico com um dispositivo que, pressionado, esguichava água em quem passasse por perto).

Os adultos faziam um carnaval solidário. Uns levavam a cachaça, outros o tiragosto, comprava-se o amido de milho ou o talco fiado para o tradicional mela-mela. “Eu vou é pro mela-mela”, ouvia-se a voz do pernambucano Elino Julião na radiola de Deolindo Mandaú, no início da Rua do Cancão.

Zé de Sebastião Chico acabou com a farinha de trigo do pai, distribuindo-a com os filhos de Dona Alda e os negrinhos dos tanques de Zé do Mato, e proporcionando um mela-mela inesquecível. Eu era cabeludo, um menino levado, e fiquei com os cabelos tipo rastafári, de tanta farinha grudada.

Outros se divertiam fantasiados de caretas, preparando as máscaras com um tecido qualquer e usando a criatividade para ser mais bonito ou assustador. O mais famoso era o careta-cuia Sete Couros.

Até hoje eu penso ter visto um mascarado perder a cabeça, que caíra da carroceria de um jipe, mesmo meu pai me dizendo que devia ter sido uma máscara vermelha que alguém perdeu.
O bloco dos Arapapacas saía às ruas com roupas de cetim amarelas, em um cordão puxado pelo velho Joaquim Gomes, um dos comandantes da Revolta de Princesa, e eu ainda me lembro de Luizinho de Calu e Zé de Ana jogando talco Alma de Flores e desodorante Astro nas pessoas que assistiam ao desfile, sempre aos domingos e terças-feiras de Carnaval.

As novas gerações precisam aprender a fazer com pouco, porque nós fazíamos com quase nada.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor