Supremo autoriza abertura de inquérito sobre envolvimento de Mercadante e Edinho Silva no petrolão

A investigação, que resulta de delação premiada feita pelo dono da empreiteira UTC, envolve dois ministros do núcleo político de Dilma; tucano Aloysio Nunes também será investigado

 – Atualizado em 

A presidente Dilma Rousseff participa do lançamento do Pronatec Jovem Aprendiz, em Brasília (DF), ao lado do ministro Aloizio Mercadante
A presidente Dilma Rousseff participa do lançamento do Pronatec Jovem Aprendiz, em Brasília (DF), ao lado do ministro Aloizio Mercadante (Evaristo Sá/AFP)

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito contra os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), além do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). A informação foi divulgada, na noite do sábado, pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, e também pelo site do jornal O Estado de S.Paulo. A decisão atende pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e atinge, pela primeira vez, dois do principais ministros do núcleo político da presidente Dilma Rousseff. Mercadante e Edinho Silva são os primeiros ministros do atual governo que serão investigados no escândalo do petrolão.

Os ministros e Dilma e o senador tucano foram citados pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, em delação premiada. Pessoa declarou que foram feitos repasses milionários para as campanhas eleitorais de Mercadante ao governo paulista, em 2010, e para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, da qual Edinho Silva foi tesoureiro. O dinheiro também teria sido repassado para a campanha do senador tucano Aloysio Nunes.

De acordo com o site do Estadão, os inquéritos tramitam no Supremo como “ocultos”, situação em que não é possível saber quem são os alvos, nem mesmo qual é o andamento processual. Eles só se tornarão públicos se, ao final das investigações, a procuradoria apresentar uma denúncia e ela for aceita pela corte.

Na delação, Pessoa disse que a UTC doou 7,5 milhões de reais para a campanha de Dilma Rousseff. Para o ministro Mercadante, teria doado 500 mil reais em 2010, quando ele se candidatou ao governo de São Paulo. Para o senador Aloysio Nunes, o empresário disse ter doado 300 mil reais de forma oficial e 200 mil reais em dinheiro, sem declaração. As doações, oficiais ou não, eram pagamentos de propina para obtenção de contratos com a Petrobrás, segundo Ricardo Pessoa.

O ministro Aloizio Mercadante disse que só vai se manifestar quando for comunicado oficialmente. Edinho Silva informou que sempre agiu dentro da legalidade e que todas as arrecadações da campanha de Dilma foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. Aloysio Nunes negou qualquer tipo de corrupção, disse considerar a declaração um absurdo, pelo simples fato de ele ser um político da oposição e não intermediar contratos do governo. Fonte Veja.

 

O governo parou…

Dilma vê sua imagem ruir com Orçamento com R$ 30 bilhões de déficit. Agora, a presidente promete fortalecer o ministro Joaquim Levy na tentativa de salvar as contas públicas. Será que consegue? Até o Michel Temer já demonstra dúvida

Sérgio Pardellas (sergiopardellas@istoe.com.br)

 

A imagem pública da presidente Dilma Rousseff foi toda construída em cima de sua alegada capacidade administrativa. Quando escolhida pelo ex-presidente Lula para ser sua sucessora, nos idos de 2009, ela era vendida como “a mãe do PAC” e a “gerentona” capaz de manter o País nos trilhos do desenvolvimento econômico. A reconhecida falta de experiência política, diziam os entusiastas de sua escolha, seria compensada pela desenvoltura com que Dilma tocaria a máquina pública, engrenagem de difícil manejo que ela conhecia por dentro como poucos. Desde os tempos em que chefiou a Casa Civil, num dos momentos mais turbulentos da era Lula – quando José Dirceu deixou o cargo acusado de ser o mentor do mensalão. Esta imagem de executiva competente que conseguiu no início da primeira gestão inebriar até setores refratários ao PT, como a classe média, desmoronou por completo na última semana, com o envio ao Congresso do Orçamento com um déficit de R$ 30 bilhões – algo inédito na nossa história. O reconhecimento do governo de que foi incapaz de controlar suas próprias contas e a tentativa de terceirizar a solução, delegando ao Congresso a tarefa de arrumar receitas para cobrir o rombo, escancarou de uma vez a inépcia da presidente da República. Mas este foi apenas o último e mais nítido sinal de sua incapacidade gerencial.

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De 2013 para cá a presidente agiu de maneira inconseqüente, como se montasse uma arapuca para si mesma. Mas quem caiu na armadilha foram os brasileiros. Para garantir sua reeleição gastou o que podia e o que não podia. Curiosamente, no primeiro programa eleitoral de 2014, Dilma foi apresentada aos eleitores como uma dona de casa. Na TV, cozinhava, arrumava os livros e caminhava pelo jardim. No governo, ela não seguiu um ensinamento básico de uma chefe da família: não se deve gastar mais do que recebe.

Caso Dilma admitisse o profundo desequilíbrio das contas públicas, não seria reeleita. Para mascarar o problema, vieram o represamento dos preços administrados e as chamadas pedaladas fiscais, hoje em julgamento no TCU. “O que ocorreu em 2014 é que o governo federal aumentou programas não obrigatórios que tinham forte impacto eleitoral. Ou seja, as pedaladas beneficiaram Dilma na eleição”, afirmou o procurador do TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, na última semana.

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Na esfera política, para ampliar o arco de alianças durante a campanha, Dilma prosseguiu com o inchaço indiscriminado da máquina e avalizou a liberação de verbas para a base parlamentar. O apetite eleitoral somado à irresponsabilidade fiscal levou à falência do Estado (leia mais nas págs. 32 a 34). No Tesouro não faltam faturas pendentes. Uma delas soma R$ 227 bilhões — sete vezes mais que a meta de déficit para 2016. São os chamados “restos a pagar”, gerados quando os serviços prestados já foram reconhecidos pelo governo, mas o dinheiro não sai do caixa. Algo do tipo “devo não nego, pagarei quando puder”. “Os atrasos encarecem as contratações, pois os fornecedores embutem previamente a demora no preço e dão margem à corrupção, pois os gestores passam a decidir a qual credor irão pagar”, diz o economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas.

Depois da reeleição de Dilma, o impacto no cotidiano foi grande. A liberação dos preços administrados – como energia, água e combustível – aumentou o custo de vida. Apenas este ano, a conta de luz ficou quase 50% mais cara na média das principais regiões do País. O aumento de IOF encareceu o crédito ao consumidor, que já está sendo pressionado pela alta da taxa básica de juros. E o acesso a benefícios sociais, como seguro-desemprego e abono salarial, ficou mais restrito.

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MAIS FORTE
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ameaça deixar o governo, recebe solidariedade
do mercado e conquista plenos poderes para tocar o ajuste fiscal

Do ponto de vista administrativo, o País vive um caos. Os ministros, no aguardo de um corte que pode atingir 15 ministérios, vivem atordoados, sem saber se e até quando permanecerão no cargo. As principais capitais se transformaram num imenso canteiro de obras inacabadas. Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, 52% das obras do PAC apresentam problemas. No PAC 2, lançado no ano eleitoral, 41% das obras sequer começaram. Já os programas Água e Luz Para Todos só utilizaram 12% do seu orçamento previsto no ano, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Outra prioridade do governo, o programa Educação Profissional e Tecnológica, utilizou apenas 27,5% do previsto. Na rubrica Cidade Melhor, que inclui obras de saneamento, de prevenção de risco em encostas, de mobilidade urbana e pavimentação, não foram executados nem 2% do total. As promessas de campanha, como se vê, não saíram do papel. Os números expõem um País paralisado.

Outros movimentos recentes desnudaram uma presidente mais parecida com uma biruta de aeroporto, instrumento que muda de direção ao sabor dos ventos. Malfadada a operação de ressuscitar a CPMF, no início da semana, ao encaminhar o projeto orçamentário com uma conta que não fechava, a presidente agiu a contragosto do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Não seria a primeira vez que ela sabotaria Levy. Na quinta-feira 3, após o ministro procurá-la reclamando de isolamento e falta de apoio no governo, provocando rumores sobre sua iminente saída do cargo, Dilma resolveu fortalecê-lo. Agora, a promessa é de que Levy terá plenos poderes para conduzir o ajuste fiscal e o reequilíbrio das contas públicas planejados no início do segundo mandato. Nesse novo arranjo, perdem força os ministros Nelson Barbosa, Planejamento, e Aloizio Mercadante, Casa Civil.

Se levada adiante, a decisão, embora acertada, foi movida mais por um instinto de sobrevivência da presidente do que por convicção política. Um dia antes de anunciar em reunião no Planalto a apoio total ao seu ministro da Fazenda, Dilma ouviu de interlocutores importantes que o País corria sério risco caso Levy fosse escanteado ou apeado do posto. Uma das pessoas com quem Dilma se aconselhou foi o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, opção número um para a Fazenda antes da nomeação de Levy. “O País quebra em questão de meses, se Levy deixar o cargo ou mesmo ficar enfraquecido”, teria dito Trabuco a presidente. A orientação de Dilma, agora, para todo o governo é no sentido de perseguir a meta de superávit de 0,7% do PIB no próximo ano. Estuda-se ainda no Planalto o envio de uma emenda ao Congresso para evitar o déficit primário de 0,5% do PIB. Na verdade, se honrar o prometido, Dilma põe em marcha o que lhe fora cobrado por Levy, hoje na prática o homem mais forte do governo, cabendo a ela prosseguir com única agenda exercida até então com relativo êxito: a de não cair.

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Mas pode ser por pouco tempo. Nem o vice Michel Temer, dizendo-se traído por Mercadante, se dispõe mais a ajudá-la na ponte com um Congresso cada vez mais distante da presidente. Na verdade, com antecipou ISTOÉ em sua última edição, o vice prepara o PMDB para o desembarque do governo em breve. Mas o peemedebista permanece afinado com Levy, ao lado do qual promete estar agora e, se for o caso, no pós-Dilma – possibilidade já tratada abertamente por Temer. Em conversas com empresários na quinta-feira 3, Temer abandonou a fleuma habitual ao dizer que será difícil a presidente Dilma resistir até o fim do mandato se mantiver a baixa popularidade atual. “Não dá para passar três anos e meio assim”, afirmou. As palavras do vice, na atual circunstância política, carregam um forte simbolismo. Parece um vaticínio do vice sobre a queda da titular. E realmente é. Para entender melhor o peso das declarações de Temer, no início de julho, Dilma disse em entrevista: “eu não vou cair. Isso aí é moleza”. Menos de dois meses depois, quem diz – e publicamente – que se continuar impopular como agora ela cai sim é o próprio vice-presidente e substituto imediato em caso de renúncia ou impeachment.

…o estado quebrou..

Ao anunciar que vai gastar mais do arrecada em 2016, governo assina o próprio atestado de incompetência, escancara a ruína das contas públicas e aumenta a desconfiança de empresários e trabalhadores

…e você paga a conta

Sabe quem vai arcar com os prejuízos gerados pela inépcia do governo? Os milhões de contribuintes que já estão asfixiados pela crise econômica

Colaborou Fabio Brandt
Fotos: Ueslei Marcelino/REUTERS Pedro França/Agência Senado; ANDRÉ COELHO/Ag. O Globo  Fonte Isto é.

 

 

Vereadores arrombam portões da Câmara Municipal para instalar CPI contra o prefeito

Vereadores da oposição arrombando os cadeados dos portões da Câmara

Vereadores da oposição arrombando os cadeados dos portões da Câmara

As sessões na Câmara Municipal de Santa Quitéria sempre são realizada nas quintas-feiras, e pela terceira semana consecutiva o prefeito da cidade Sebastião Moreira, juntamente do seu “assessor” Manim Leal conseguiram atrapalhar a sessão plenária. Foi o que ocorreu novamente na última quinta-feira 03 de setembro.

Os vereadores da oposição desde junho tentam instalar na Câmara uma CPI para apurar diversas irregularidades na saúde e na educação do município, mas sempre há algo que impeça para ocorra a sessão.

Na quinta-feira passada não foi diferente “os dois prefeitos” concederam feriado no município sem nenhum motivo e necessidade, apenas com um único objetivo de que não houvesse sessão na câmara.

O vigia e o zelador não compareceram para trabalhar, o que impossibilitou que os seis vereadores da oposição se reunissem para instalar a CPI e pedir o afastamento do prefeito.

Acabou que, o vice-presidente da câmara e mais cinco vereadores arrombaram os cadeados dos portões da Câmara.

O presidente da Câmara não esteve presente no ato pelo fato de ser aliado a Manim Leal. Um verdadeiro absurdo.

O prefeito do município é denunciado e investigado por casos de deixar qualquer um de cabelo em pé. As irregularidades são gravíssimas vindas daquela cidade. O Ministério Público na última semana determinou a indisponibilidade dos bens e quebra do sigilo bancário do prefeito, da primeira-dama e alguns empresários.

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confusão em frente a Câmara

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Blog do Luis Cardoso.

Apesar dos pesares, ainda existe esperanças.

Dois exemplos recentes me fizeram ver que nem tudo está perdido. Que apesar dos assassinatos, da prostituição desenfreada, do domínio das drogas e da banalidade da vida.Ainda é possível termos um mundo melhor. O primeiro desses exemplos foi a crescente participação de romeiros no festejo de São Raimundo dos Mulundus em Vargem Grande. Um momento de expressão de fé e crença no invisível. E ontem, a procissão dos motoqueiros rumo ao Santuário de São José de Ribamar, me fizeram crer que apesar de tudo, ainda é possível vivermos bem. No show do padre Fábio de Melo ele nos chamou a atenção para sermos autênticos. E ao fazermos uso dessa autenticidade, como imagem e semelhança de Deus,  vamos  celebrar o amor, amando-nos  uns aos outros. Diariamente a Rede Vida os canais de televisão dos nossos irmãos evangélicos estão cheios de fieis em busca de dias melhores para si e os seus.É essa multidão que com a crença no impossível, nos faz acreditar que com a presença do nosso Criador tudo é possível. E como busca-lo em meio a tantas tentações prazerosas? Não existe formula que possa sustentar uma tese ou definir um rumo. O que acredito é que devemos fazer oração seguida de ação, pois a oração sem ação, não tem valor nenhum. Vamos pedir a Deus não só por nós, mas por todos aqueles que precisam de nossa ajuda e de nosso amparo. Se tivermos atitudes, com certeza mudaremos o rumo da nossa história. Mas principalmente se buscarmos o rei de todas as coisas, o nosso DEUS, encontraremos felicidades e o mundo será melhor.

O dia em que Dilma piscou

 Coluna Carlos Brickmann
Uma língua curiosa, a nossa: pode-se dizer, tanto faz, que a presidente Dilma não é capaz de nada, ou que a presidente Dilma é capaz de tudo. Dizem que é brava, mandona, prepotenta, exigenta, ciosa da autoridade. Mas aceitou que o presidente do segundo banco do país, o Bradesco, lhe transmitisse as exigências de grandes empresários para que dessem apoio ao Governo. Se ela não aceitasse, Joaquim Levy, indicado pelo Bradesco, pediria demissão. Era pegar ou largar.

Os empresários, entre os maiores do país, se reuniram com Joaquim Levy na noite do dia 2 e na madrugada do dia 3, em São Paulo. Logo depois da reunião, Dilma aceitou voltar aos números que tinha abandonado, como o superávit primário de 0,7% (que tinha virado um déficit de 0,34%). Para isso concordou em cortar despesas até mesmo nos seus programas sociais favoritos e adiar programas de Governo que considerava intocáveis. Objetivo dos empresários: manter o Brasil como merecedor do grau de investimento das agências de classificação de risco. Sem esse grau, os empréstimos externos ficariam bem mais caros (esqueça o discurso eleitoral de que o Brasil não deve nada ao Exterior. Deve, sim).

É difícil cortar despesas num Governo que, numa viagem aos Estados Unidos, aluga 22 limusines para a comitiva; que abriga mais de cem mil funcionários comissionados, sem concurso; que não tem como, por exemplo, retirar os milhares de carros que parlamentares e magistrados têm à disposição. Os empresários se dispõem a ajudar, indicando cortes possíveis.

Possíveis, talvez; mas doloridos.

Miragem e fato

Empresários com acesso à presidente garantem sustentação a Levy. E daí? Daí, por enquanto, nada: Aloízio Mercadante, espírito-santo-de-orelha de Dilma, sempre prometeu dar apoio a Levy e sempre o sabotou. Fortes grupos petistas se opõem a Levy. Lula, inventor de Dilma, sugere que a política fiscal seja afrouxada. Dilma, por ela, gostaria é de mandar nos empresários. E há o Petrolão.

Economia bamba e Governo fraco não resistem a uma delação premiada.

Lembrando o futebol

Mercadante deu entrevista dizendo que Levy está firme, o ministro Edinho Silva garantiu a permanência de Levy, Dilma disse que Levy fica.

Em futebol, quando dizem que o técnico está prestigiado, só falta marcar a data da saída.

Treme-treme 1

A intervenção dos empresários, por mais que Dilma se ressinta da intrusão, é uma boa notícia para o Governo. Mas as notícias ruins continuam fluindo. A delação premiada de Ricardo Pessoa, o chefão da empreiteira UTC, disse ao juiz Sérgio Moro que parte das propinas que pagou para ganhar contratos na Petrobras foi depositada diretamente na conta do PT.

Há ainda trechos secretos da delação premiada – secretos porque, como envolvem pessoas com mandato federal, só podem ser liberados pelo Supremo.

Mas o que já foi divulgado é explosivo.

Treme-treme 2

Um cavalheiro bem menos conhecido do que Pessoa, mas que também sabe onde está a dinamite, negocia sua delação premiada. É Leonardo Meirelles, do Laboratório Labogen (e sócio do doleiro Alberto Youssef, aquele). O Labogen chegou a assinar contrato com o Ministério da Saúde, na época do ministro Alexandre Padilha (hoje secretário da Saúde de Haddad, em São Paulo).

Sua especialidade, segundo as acusações (o que explica a proximidade com Youssef): contratos de câmbio para entrada e saída de moeda com cinco firmas estrangeiras, tudo indicando fortes possibilidades de lavagem de dinheiro. Meirelles já abriu fogo, antes mesmo do acordo: acusou a Odebrecht de usar o Labogen para repassar R$ 7 milhões em propinas fora do país. E seu advogado afirma que o Labogen fez mais de quatro mil operações irregulares no Exterior, “envolvendo mais de um político”.
Segundo se diz, ele atinge políticos do Governo e da oposição.

Tecendo a teia

Michel Temer disse que não vai mexer uma palha contra Dilma ou em favor do impeachment (nem precisa: ela e seus assessores cuidam disso sozinhos).

1 – Mas num debate em São Paulo disse uma frase mortal, comentando os raquíticos índices de aprovação da presidente: “Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo”. É verdade; Temer não disse nenhuma novidade. Mas ao pronunciar essa frase ele rompeu a barreira do silêncio, daquilo que todos sabem mas ninguém comenta. Não se imagine que o vice-presidente, um homem cauteloso, que pesa cuidadosamente suas palavras, tenha “deixado escapar” essa frase. Temer jamais deixou escapar frase alguma, jamais disse algo que não quisesse dizer. O que disse, em outras palavras, é que Dilma caiu. Só falta avisá-la.

2 – O PMDB trabalha em silêncio na busca de votos suficientes para aprovar o impeachment. Não tem, no momento, a maioria necessária para afastar a presidente. Mas já há votos para acolher o pedido de impeachment, discuti-lo e votá-lo. No cálculo do PMDB, o tempo joga contra Dilma: à medida que o Governo se enfraquece, mais gente troca de lado. Isso já aconteceu com o presidente Collor. Faz parte do instinto de sobrevivência dos políticos.

O conciliador Temer é, para eles, muito melhor que a intratável Dilma e seu PT dono da verdade.

carlos@brickmann.com.br
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A solidão é o primeiro sintoma de um governo antipopular

Ainda faltando três meses para completar o ano inicial de governo, os primeiros sintomas da antipatia e solidão começam a rondar o Palácio dos Leões.

Esse fenômeno tem cara e nome: governo antipopular. Quanto diferença entre o candidato e o governador. Flávio Dino mal andava nas ruas logo era cercado por velhos, adultos, jovens e crianças. Era olhado como o “Cavaleiro da Esperança”, ou o “Salvador da Pátria”.

Agora, já governador, a solidão no Palácio se confunde com os fantasmas das ruas. Antes querido e amado, hoje odiado. Por óbvios motivos.

Desde que assumiu, Flávio Dino vem acumulando uma série de medidas antipáticas que o remetem a um processo de transformação do vinho para o veneno, de santo para satanás.

O governador começou introduzindo o que considera medidas de austeridades, como o fim do Viva Luz, programa que contemplava 1,2 milhão de pessoas, a demissão em massa na área de saúde pública, a suspensão do prosseguimentos  de importantes obras e, consequentemente, demissões no setor da construção Civil.

Exatamente no início do seu governo demissões na Alumar e Vale, no comércio e indústria em geral, pelo corte de incentivos fiscais.

Dando seguimento ao arrocho, o cinto apertou mais ainda a garganta do funcionalismo público, com o impedimento recente de reajuste salarial e o corte de avanços salariais no terreno que ele melhor domina: na Justiça.

Então, não era de causar espantos a cena abaixo. Um governador sozinho e um sorveteiro que lhe faz companhia esperando receber pelo produto que foi vendido. Não fosse isso, Flávio Dino estaria sozinho naquele banco de praça para se refrescar após um evento que deveria ter sido grande, até porque era em homenagem a São Luís.

Veja abaixo a imagem de um governador que começa a experimentar a solidão, numa tentativa de populismo que não deu certo:

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 Blog do Luis Cardoso 


MICHEL TEMER TRANSPÔS O RUBICÃO

CARLOS CHAGAS

Desnecessário se torna  traduzir ou interpretar o diagnostico do vice-presidente Michel Temer transmitido  a um grupo de empresários paulistas, quinta-feira, quando sustentou que a presidente Dilma não resistirá até o final do mandato com a popularidade tão baixa como se encontra hoje. Acrescentou que não moverá uma palha para assumir a presidência da República.

Nem é preciso.  Já moveu o conteúdo do imenso  paiol  de  frustrações onde se reúnem empresários,  trabalhadores, profissionais liberais,  funcionários públicos, partidos políticos e a torcida do Flamengo. Não que o país clame por sua ascensão ao poder ou acredite ser ele o personagem unificador.  A maioria da população o desconhece,   apesar de sua condição  de substituto ou sucessor constitucional.  Por enquanto a  realidade está no extremo oposto: a sociedade rejeita a presidente Dilma, incluindo-se na rejeição até o PT, sem  falar no PMDB e demais siglas  com assento no Congresso.

Admitir que a popularidade possa ser recuperada em  tempo  útil para Madame  preservar seu  mandato  soa  como  golpe de graça desferido pelo vice sobre a titular. É impossível.  Aguarda-se apenas um fato novo capaz de desencadear  o desenlace:  uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral ou do Tribunal de Contas da União, uma evidência a mais de ter o  governo participado do escândalo da Petrobras, a queda do ministro da Fazenda, a invasão de supermercados  ou demais  manifestações violentas da população diante do desemprego,  do aumento de impostos ou da alta do custo de vida.  Qualquer desses fatores, se não  levarem Dilma  à renúncia,   certamente conduzirão ao seu impeachment.

Michel Temer transpôs o Rubicão, mesmo com legiões esfarrapadas e enfraquecidas. Terá tido motivos para molhar os pés,  humilhado e ofendido pelo que restou da exangue guarnição do palácio do Planalto.  Bem como pelas trapalhadas  da confusa,  inoperante e perdida comandante dessa resistência inútil.

Imaginando-se a preservação dos princípios constitucionais e a permanência das instituições democráticas, mesmo postas em frangalhos, a pergunta refere-se ao papel que Michel Temer  poderá exercer após  chegar à presidência da República.  Melhor seria indagar sobre seu prazo de permanência no trono. Conseguirá  unificar a nação,  como sugeriu que alguém precisaria tentar?

Transposto o Rubicão, Cesar virou ditador, até que  punhais de alguns senadores o abatessem.

 

DEPUTADA, FAÇA-ME O FAVOR

MARLI GONÇALVES

Vou te contar, viu? Tanto sangue derramado, tantas e tantos mártires, ainda falta tanto para a gente, nós, mulheres, nós, homens, conseguirmos, todo dia, tanta coisa para olhar e uma deputada dessas perde tempo para mobilizar outras e pedir lei ou regra de costumes para proibir decote? Minissaia? Impor até cor de tênis? Ah, vá se catar.

Um desserviço para a causa feminina, qualquer que seja ela.

Vá se catar! Vão, vão se catar todas as outras múmias que apoiam esse projeto ridículo da tal Cristiane Brasil, do PTB do Rio de Janeiro! Pior: ainda tentam explicar. Aproveitem e levem com vocês aqueles moralistas do pau oco que ousam ocupar o Parlamento como templo. Ficam lá pondo as mãos para cima e saudando o Senhor de um lado, e roubando a senhora de outro. (Duplo sentido necessário). Não esqueçam os de cabelos acaju, que vocês também devem achar um horror! Proíbam-se os cabelos acaju no recinto!

A gente brigando para que mais mulheres se interessem pela política, tragam suas ideias e contribuições e me aparecem essas zinhas preocupadas com outras que andam malemolentes nos mesmos tapetes que elas pisam? Façam-me o favor! O lodaçal mancha os carpetes verde e o azul do chão do Congresso Nacional, com grande parte de seus membros na berlinda, e vocês estão preocupadas com os peitos e a bunda, o umbigo e os pés e as pernas de quem transita aí. Estão malucas? Aliás, Dona Cristiane, como vai seu pai, o Senhor Roberto Jefferson? Já foi consertada a tornozeleira eletrônica que ele quebrou outro dia tomando banho em casa, onde cumpre prisão domiciliar? Por que tanto esforço para se distanciar deste seu entre vírgulas? “Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson”… Vai ser sempre isso, porque não será com ideias como essa de agora que você vai sair da sombra dele e muito menos virar líder política respeitada. Também não adianta aquela cara de loura simpatiquinha de meia tigela que exibe nos comerciais, dos quais se apossou, do seu partido, que um dia foi até importante, mas agora nem mais graça tem, nem honra sua história.

Idiota, não percebe que a liberdade é nosso bem maior? Pergunta aí pro coroa, veja o valor que deve dar a ela e à vida- ele é bem mais interessante e antenado do que você, quase posso garantir. Acorda, vê se ainda dá tempo de fazer alguma coisa que presta aí. Faça por merecer ao menos carregar Brasil no nome.

Detesto moralistas. Porque me parecem sempre pessoas com uma reguinha na mão tentando medir o mundo pelos seus olhos podres e desfocados. Fora isso, puxa, tanta coisa importante para as mulheres deixadas de lado. O direito ao seu próprio corpo, o mais importante, como vai passar por parlamentares mesquinhas, que não querem ver nem a pele das outras, numa discussão séria?

O exemplo chato está sendo dado por uma presidente que cada vez que se mete em encrenca, como faz dia após dia, dá um jeitinho de informar ao distinto público que é mulher e que por isso é combatida. Bota até saia e passa batom nessa hora.

Fica chato. Não misturem essas coisas, por favor.

Mulheres importunadas, violentadas, assassinadas, sem assistência para si nem seus filhos. Mulheres ainda ganhando menos que homens na mesma função. Meninas exploradas e traficadas. E você preocupada com as roupas que as “gostosas” daí usam?

Dignidade feminina não é isso. Tenham alguma, deputada, deputadas.

 

Marli Gonçalves é jornalista — Fica brava quando vê gente que pode fazer não fazendo.