Cantor e ex-prefeito de Presidente Vargas é preso

 

Gonzaga Júnior é suspeito de envolvimento em roubo de carga de combustível.

Foto: Divulgação

SÃO LUÍS – Na tarde desta quarta-feira (16), a Polícia Civil, por meio da operação “Secos e Molhados”, prendeu o cantor e ex-prefeito de Presidente Vargas, Luiz Gonzaga Coqueiro Júnior, conhecido como Gonzaga Júnior. Ele é suspeito de envolvimento com roubos de cargas de combustível no Maranhão.

Gonzaga Júnior foi detido, na tarde desta quarta-feira (16), no povoado Leite, município de Itapecuru-Mirim, por força de mandado de prisão emitido pela comarca de São Mateus. O suspeito foi levado para a Superintendência Estadual de Investigação Criminal (Seic), em São Luís, onde foi ouvido pelo delegado Lúcio Rogério Reis, do Departamento de Roubos e Cargas.

Em entrevista à rádio Mirante AM, o delegado disse que desde o mês de fevereiro a equipe de Roubo à Carga estava investigando vários assaltos à caminhões na região de Itapecuru-Mirim, São Mateus e Vitória. Três suspeitos já haviam sido presos no mês de junho desde ano: Alysson Frazão; Roberto Alves de Oliveira, guarda municipal de Cantanhede; e Naidson Sousa Silva.

“A partir das oitivas desses cidadãos e de motoristas, a gente chegou à conclusão de que todo esse volume de carga de combustível que vinha sendo roubado estava sendo vendido para o Gonzaga Júnior, que é dono de um posto de combustível no povoado Leite. Na verdade, ele já estava encomendando essas cargas, sendo assim um participante da quadrilha efetivo, que fomentava esse crime na região”, explicou Lúcio Rogério Reis.

A polícia ainda está ouvindo motoristas que foram vítimas dos assaltos. Sendo que mais de 10 roubos já foram confirmados. Segundo as investigações, a média de cada tanque roubado dava em torno de 15 mil litros de combustível, rendendo de R$ 45 mil a R$ 60 mil cada um.

A Justiça determinou a prisão preventiva de Gonzaga Júnior por um desses assaltos.

“Esse mandado é oriundo da comarca de São Mateus, correspondendo a apenas um desses assaltos o do dia 16 de junho de 2015, por volta das 21h30 em Santa Inês. Outras investigações estão ocorrendo, de crimes praticados em Itapecuru-Mirim, Entroncamento e Vitória do Mearim. Essa associação criminosa, a nosso ver, vem cometendo crimes desde agosto do ano passado. Ainda temos dois ou três alvos para serem presos”, disse o delegado. Do Imirante.

O tempo passa, a uva passa.

 Coluna Carlos Brickmann
O diálogo está na peça Le Diable Rouge, do francês Antoine Rault. Passa-se há 400 anos, na França de Luís 14. São 400 anos. E parece que foi anteontem.

Jean-Baptista Colbert, ministro da Fazenda: “Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, sr. Mazarino, que me explicasse como gastar quando se está endividado até o pescoço”.

Cardeal Mazarino, primeiro-ministro de Luís 14: “Um simples mortal, claro, quando tem dívidas e não consegue honrá-las, vai preso. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, continua a endividar-se”.

Colbert: “Mas como fazer isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?”

Mazarino: “Criando outros”.

Colbert: “Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres”.

Mazarino: “Sim, é impossível”.

Colbert: “E sobre os ricos?”

Mazarino: “Também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres”.

Colbert: “Então, como faremos?

Mazarino: “Colbert! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos.”

Transmissão ao vivo

O diálogo entre os dois ministros de Luís 14 é imaginário. Mas é totalmente real. Se não aconteceu naquela época, aconteceu ao menos nesta segunda-feira.

A dívida como ela é

Os cortes de despesas anunciados pelos ministros de Dilma virão um dia, talvez, pode ser. Vão cortar ministérios, mas não se sabe quais. Cortar parte dos mais de cem mil funcionários nomeados sem concurso (contra menos de dez mil nos Estados Unidos), nem pensar. Já o imposto, CPMF, está pronto para ser atochado.

Dependemos do Congresso – deste Congresso! – para evitar que vire lei.

Contando moedas

Só os cargos mais bem pagos, os DAS (Direção e Assessoramento Superior), entregues sem concurso a quem tem melhor QI – “quem indica” – são 24 mil. Custam uns R$ 2 bilhões por ano.

Ou 6% do déficit do orçamento federal.

O caminho dos ratos

Não é preciso ler os analistas para saber como vai o Governo. Para saber como vai um navio, basta observar o comportamento dos ratos. E um grande número de ratos chapa-branca está virando oposição.

São coxinhas desde criancinhas.

A próxima etapa

Atenção: os escândalos federais deixaram filhotes. A coisa está passando despercebida porque irregularidades municipais, perto dos petrolões, são pixulequinhos. Mas preste atenção na quantidade de problemas que surge na Prefeitura petista paulistana: o Tribunal de Contas do Município (em que o prefeito costumava ter bom trânsito) mandou suspender uma megalicitação de iluminação pública, por irregularidades; o mesmo TCM aponta superfaturamento na construção de ciclovias, bandeira do prefeito Fernando Haddad. Em apenas duas obras, as ciclovias da avenida Paulista e do Minhocão, o superfaturamento apontado alcança R$ 2,4 milhões. Há mais 13 ciclovias em análise. Surgem coisas estranhas até nas placas de sinalização de ruas, trocadas a toda hora para reduzir limites de velocidade. Segundo pesquisa da rádio Bandnews FM, o preço das placas no mercado varia de R$ 80 a R$ 300. Haddad pagou entre R$ 300 e R$ 1.000,00.

E aparece um novo caso exemplar: o deputado Ennio Tatto, irmão do secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, e do vereador Arselino Tatto, todos do PT, aumentou em 30% a área construída de um imóvel seu. Todas as instâncias legais rejeitaram a regularização da obra.

O prefeito Fernando Haddad, PT, decidiu regularizá-la. Por que? Porque sim.

A guerra da estrada

A CCR, grande concessionária de rodovias, acaba de perder importante processo, movido pelo Governo paulista e pela Artesp, Agência Reguladora de Transportes de São Paulo. Com a derrota, fica anulado o aditivo que prorrogava o vencimento de seu contrato, previsto para 2018, até 2026. A CCR se defendeu com argumentos técnicos, mas sem citar a data da assinatura do aditivo, pelo então governador Cláudio Lembo. A data foi decisiva: 27 de dezembro de 2006, só quatro dias antes do início do mandato de José Serra. Na época, o aditivo de prorrogação foi recebido com estranheza pelo mercado, por ser algo inédito.

E Alckmin, que cuidou da privatização das rodovias, nunca engoliu a prorrogação.

O strip-tease do anão

Mas não é só de vitórias que vive o Governo paulista. Neste momento, tem de explicar uma festa com cocaína e maconha numa penitenciária feminina, festa com pagodeiros e delegada sambando numa delegacia, festa com strip-tease de anão em outra delegacia.

Não consegue se dedicar a prender autores de chacinas.

Prefeito e vice são cassados em Buriti

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Prefeito de Buriti Rafael Brasil

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE), confirmou a cassação do mandato do prefeito de Buriti, Rafael Mesquita Brasil e do vice-prefeito Raimundo Nonato Cardoso por corrupção, compra de votos e fraude eleitoral.

Numa disputa acirrada por 4 a 3, o voto de desempate foi dado pelo presidente da corte, desembargador Guerreiro Júnior, nos termos do voto do relator, desembargador eleitoral Eduardo Moreira.

“Apesar de sustentadas no depoimento de apenas uma testemunha, as referidas declarações foram corroboradas pelos demais elementos probatórios trazidos ao processo, especialmente nas mídias de áudio e vídeo apresentadas que evidenciam que o processo eletivo de ambos foi absolutamente maculado por corrupção eleitoral, fraude e abuso do poder econômico”, destacou Guerreiro Junior.

O relator do processo já havia sido taxativo quando proferiu seu voto: “os mandatos eletivos dos recorrentes foram conquistados sob atos de corrupção eleitoral, fraude e abuso do poder econômico, além de fundadas suspeitas de atos criminosos de múltiplas espécies, inclusive de tentativa de homicídio à testemunha de acusação que se encontra incluída no programa de proteção a testemunhas do Estado do Maranhão”, declarou Moreira.

Mesmo com a cassação, Rafael e o vice Raimundo Nonato Mendes permanecerão nos cargos até que o processo seja julgado Fonte Luis Cardoso.

‘Aumentar impostos é tarefa dificílima’, diz Renan Calheiros

Presidente do Senado afirma que Congresso tem resistência histórica a elevar carga tributária do país. Dia será marcado por mais negociações entre Planalto e Legislativo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante sessão deliberativa ordinária - 11/08/2015
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL): Resistência a impostos(Waldemir Barreto/Ag. Senado)

Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff ter se reunido com deputados e senadores em busca de apoio para o novo pacote de ajuste fiscal, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta quarta-feira que o Congresso Nacional tem “resistência histórica” a aumentar a atual carga tributária e criar impostos, como a alíquota de 0,20% de uma nova CPMF proposta pela equipe econômica.

“Há uma resistência histórica do Congresso Nacional a elevar a carga tributária e a criar impostos. As pessoas – e eu sobretudo tenho recomendado – preferem que se faça um corte profundo. Do ponto de vista do Congresso temos a obrigação de debater tudo que para aqui vem”, disse Renan. “Nunca é fácil aumentar imposto. É sempre uma tarefa difícil, dificílima”, completou. O peemedebista afirmou que não é possível ter certeza de que as medidas vão passar. “Não temos uma temperatura exata [do Congresso sobre o pacote fiscal]. E a elevação de carga tributária terá que ser uma consequência do corte, do ajuste. Mas não temos do ponto de vista do Congresso predizer o que vai acontecer, se a situação [de resistência dos parlamentares] melhorou ou agravou”.

O dia de hoje será marcado por novas rodadas de reuniões para que o Palácio do Planalto diminua a rejeição que parlamentares têm das atuais propostas. Governadores estão reunidos com deputados aliados na Câmara na tentativa de dirimir resistências e usam como arma a possibilidade de que parte da arrecadação da nova CPMF poderia ser repassada aos cofres de Estados e municípios.

Paralelamente, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, faz uma peregrinação no Congresso em busca de apoio para barrar a criação e ampliação de tributos. Partidos de oposição lançaram o movimento “Basta de Imposto, não à CPMF” para marcar posição contra a parte mais controversa do pacote fiscal do governo. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) apresentou uma proposta de emenda constitucional para congelar o aumento de impostos por quatro anos. “Mais uma vez o governo não tomou as medidas que deveria ter tomado no sentido de redução de gastos públicos. O governo está errado e continua errando. O governo tenta é aumentar os impostos tentando que a sociedade pague o pato mais uma vez”, disse Skaf.

Na terça-feira o Palácio do Planalto recebeu informações de que o pacote fiscal tem forte oposição no Congresso, a começar pelos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado. Para Cunha, a “CPMF não é suportável”. Acuado, o governo acenou com a possibilidade de recuar da proposta de vincular as emendas à cobertura de parte dos gastos obrigatórios em saúde e também usar as verbas dos parlamentares para recompor obras cortadas do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). Fonte Veja.

TRÊS PESSOAS SÃO PRESAS ACUSADAS DE ASSALTO

Ontem quatro elementos cometeram um assalto na estrada que liga o povoado São José Zona Rural de Vargem Grande, a BR 222. O Senhor Jean que foi vítima dos acusados, levou  em sua moto um televisor de sua propriedade para concerto povoado Casa Branca. Ao retornar, quando passava pela estrada,  foi interceptado por um dos elementos que ao sair do mato com umam arma apontada para a vítima, anunciou o assalto. Logo em seguida, os outros três elementos saíram armados da outra margem da estrada e cortaram a camisa da vítima e o amarraram com ela. Depois, de posse da moto os elementos fugiram. Hoje pela manhã, a vítima reconheceu três dos elementos que o assaltaram ontem a noite. Em seguida a vítima veio até a delegacia de polícia e na companhia do agente Rogério, do PM Garreto e do GM Luis foram até o povoado Banana onde efetuaram a prisão dos três acusados que se encontram recolhidos na carceragem da Delegacia de Polícia de Vargem Grande. Apenas um dos assaltantes ainda não foi capturado polícia.

Pacote de medidas do governo esbarrará no Congresso

Ricardo Noblat

Somente os banqueiros, por meio de sua entidade de classe, se apressaram, ontem mesmo, em declarar seu apoio ao pacote de medidas anunciadas pelo governo para fazer face à perda recente pelo Brasil do selo de bom pagador, retirado pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s.

As federações de indústrias do Rio São Paulo criticaram o pacote. Bem como a Confederação Nacional da Indústria. Empresários em geral, mesmo com medo de possíveis retaliações, declararam seu desagrado com o pacote. Economistas disseram que ele não passa de um remendo feito às pressas. E mal feito.

Para tapar o buraco no orçamento da União do próximo ano, o governo cortou um pouco na própria carne, nada de expressivo. Preferiu tentar tapar o buraco metendo a mão no bolso dos que pagam impostos. Quer recriar a CPMF à qual Joaquim Levy, ministro da Fazenda, se opusera outro dia.

E o vice-presidente Michel Temer também.  O PMDB, idem. E os demais partidos com representação no Congresso. Será que o governo calcula que todo esse pessoal dirá amém à CPMF só por que o Brasil perdeu o selo de bom pagador? Não foi Lula que disse que o selo de nada vale? Dilma não disse que não era nenhuma catástrofe?

Sabem quantas vezes o Congresso aprovará o pacote do jeito que o governo o embrulhou? Nenhuma. Curioso é que se Temer já tivesse substituído Dilma e fosse autor do mesmo pacote, ele acabaria aprovado pelo Congresso. Como derrubar um presidente, pôr outro no lugar e negar-lhe o primeiro pedido?

Mas não só por isso. Um governo novo não assumiria com déficit de credibilidade. Pelo contrário. A tragédia de Dilma, de autoria dela mesma, é que sua credibilidade foi para o buraco depois da reeleição. Dilma mentiu muito, como sabemos. E sequer se deu ao trabalho mais tarde de pedir desculpas.

Se tivesse pedido, e se fosse sincera ao pedir, recuperaria parte da credibilidade perdida. Se daí para frente resolvesse governar com transparência, recuperaria mais um pedaço. E quando explicasse as dificuldades enfrentadas pelo governo, e justificasse o que pretenderia fazer, talvez fosse bem-sucedida. Não será.

Sobre transparência: a proposta dela é de recriar a CPMF com uma alíquota de 0,20%. Pois bem: ontem à noite, ao jantar com governadores à caça de apoio, Dilma admitiu aumentar a alíquota para 0,38%. A diferença de 0,18% ficaria para os Estados. Como merece crédito um governo que se desmente em poucas horas?

A guilhotina continua sendo afiada para decapitar Dilma. E com a ajuda dela.

Guilhotina (Foto: Arquivo Google)

 

O ESTADO QUEBROU

RUBENS MENIN

Depois que o leite derrama sempre fica mais fácil identificar as causas da catástrofe; e os espíritos mais propensos a enxergar as coisas sem preconceito ou dogmatismo passam a apontar unanimemente os culpados (líderes, opções ideológicas, técnicas pouco eficientes de gestão, escolhas equivocadas na seleção de políticas de Estado, corrupção, circunstâncias adversas, etc.). No entanto, durante o processo que culminou com o derrame do leite, as opiniões são muito mais controversas e nem sempre o panorama é descortinado com clareza e objetividade.

Estamos exatamente nesse trecho da estrada, com uma aguda crise política e econômica, que lança trevas de incerteza no futuro imediato e atinge fortemente o bem-estar da sociedade. Em resumo: uma catástrofe para os que ficam desempregados, para os que perdem renda, para os desassistidos, para os inadimplentes e também para aqueles que se afligem com o recrudescimento inflacionário, com o sumiço dos investimentos ou com as ameaças de aumento descontrolado dos impostos. Nesse estágio, já se dissemina um diagnóstico predominante e mais compartilhado: o Estado cresceu descontroladamente; sua manutenção ficou caríssima; e esse monstro corporativo, que vê um fim em si mesmo, trata de avançar ainda mais sobre os salários e a renda dos cidadãos que o sustentam.

Mas, nem sempre as coisas foram vistas dessa forma, ainda que o hipertrofismo do Estado já viesse se exibindo há muito tempo. Para ser preciso, as coisas começaram a sair do controle ainda ao tempo da ditadura militar, na década de 1970. Esse crescimento anormal não era muito comentado e sequer observado pela maioria da sociedade. Pelo contrário, os brasileiros acostumaram-se a ver o Estado como um reservatório inesgotável de recursos abundantes e fartos, capaz de tudo prover e a todos distribuir benesses e agrados. Criou-se uma dependência das pessoas em relação a essa super-máquina, que não cria dinheiro e nem produz valor, e cuja manutenção custa cada vez mais à nação. Somente agora, com a apresentação da assustadora conta junto com os seus efeitos perversos na vida dos cidadãos, o panorama passou a ser visto com mais objetividade por uma parcela maior da sociedade. Mas nem por todos, apesar do elevado índice de rejeição dos governantes. Infelizmente, muitos dos que criticam e rejeitam não querem mudar o modelo fatídico: apenas julgam os governantes atuais incompetentes para continuar a distribuir as benesses com que já estavam acostumados e torcem para que apareçam outras fadas benfazejas capazes de restaurar e ampliar a gastança.

Nada como a análise de um exemplo histórico para ajudar na reflexão sobre o tamanho do buraco em que caímos. A cidade de Brasília é um símbolo perfeito do Estado brasileiro. Aliás, foi feita para que as nossas instituições públicas se exibissem em todo o seu esplendor, com palácios belíssimos, monumentos graciosos, sede de ministérios (naquela época eram apenas 17 prédios projetados para abrigar todos os ministérios e repartições importantes), além das outras estruturas funcionais que ainda não haviam sido acrescidas dos muitos e variados anexos e puxadinhos que vieram depois. Não quero aqui – e nem há espaço para isso – analisar os benefícios e os malefícios da construção da nossa bela Capital. Mesmo porque, muitos deles são intangíveis, como o estímulo à interiorização do desenvolvimento econômico e à ocupação territorial. O que interessa nesse exemplo é examinar o esforço financeiro do Estado para construir a cidade em menos de quatro anos, e cotejá-lo com a possibilidade de se reproduzir a aventura no presente.

Ninguém sabe direito quanto custou a construção de Brasília. E muito menos quanto custa atualmente a sua manutenção operacional. Os números que existem são muito controversos e chegaram a envolver, inclusive, estimativas do ex-Embaixador norte-americano, Lincoln Gordon. Aquele diplomata declarou ao Congresso do seu país que os investimentos na urbanização do plano-piloto, na construção dos prédios básicos, do lago e das amplas obras de terraplenagem teriam custado cerca de US$ 1,6 bilhão, em dólares da época. Em moeda de hoje, essa quantia astronômica estaria próxima de US$ 100 bilhões e, se convertida na moeda nacional, implicaria a estratosférica soma de R$ 345 bilhões, ou seja, mais de 6% do nosso enfraquecido PIB. Nunca é demais lembrar, para efeito de comparação, que o polêmico déficit apresentado pela proposta orçamentária enviada recentemente ao Congresso Nacional seria, apenas, da ordem de 0,5% do PIB.

Como conclusão: se quiséssemos ou precisássemos construir uma nova capital hoje, para acomodar o nosso avantajado Estado e suas repartições, não teríamos recursos para nos desincumbirmos da tarefa. A nação apequenou-se e o Estado se expandiu descontroladamente nestes últimos 55 anos.

Rubens Menin é presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia e da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias)

SEM MAPAS PARA ENFRENTAR O CURTO PRAZO E O FUTURO

CRISTOVAM BUARQUE

As nações precisam de dois mapas de voo: para enfrentar as dificuldades de curto prazo e para orientar os rumos históricos em direção ao futuro. Nós estamos sem qualquer desses dois mapas e com os pilotos sem credibilidade pelos equívocos na condução da economia e pelas falsas promessas na campanha, além de incompetência na formulação dos ajustes necessários para corrigir os próprios erros.

No período de poucas horas, a presidente Dilma determinou e voltou atrás no adiamento de parte do 13º salário dos aposentados, lançou e recuou na recriação da CPMF, anunciou a redução de dez ministérios, e não disse quais; e, sobretudo, enviou ao Congresso, pela primeira vez na história, uma proposta orçamentária com déficit primário de R$ 31,5 bilhões, R$ 367 bilhões se contarmos os compromissos com juros para 2016. A impressão é de improvisações e indecisões constantes. Faltam um comando político e um coordenador técnico.

As notícias desses últimos meses mostram o governo quebrado e desorientado. O ministro da Fazenda passa a ideia de que não sabe o que deve ser feito, e a presidente da República, de que não sabe o que quer que seja feito. E a população e os parlamentares não parecem dispostos a pagar o preço pelo enfrentamento dos problemas imediatos e muito menos pela construção de um país eficiente, justo, sustentável, saudável.

A sensação é a de que, sob os olhares passivos da população e suas lideranças, o governo conduziu o Brasil para a recessão e a quebra das finanças públicas, sem definir os rumos para o futuro desejado. Parecemos ter optado pelo caminhar sem direção, sem mapa, sem escolher os caminhos, apenas levando os problemas com pequenos arranjos e ajustes improvisados.

Há décadas agimos sem projeto de longo prazo, pensando apenas nos benefícios para cada um ou cada grupo, no imediato. Preferimos consumir logo, mesmo sacrificando a poupança para o futuro; optamos por aposentadorias ainda jovens, mesmo ao risco de não haver dinheiro para pagá-las quando chegarmos à velhice; aceitamos ser o celeiro de alimentos do mundo, sem cuidar de sermos uma economia produtora de bens de alta tecnologia.

Por isso, apesar de todos os nossos imensos recursos, chegamos ao 193º aniversário de nossa Independência como um país de baixa renda per capita, campeões de concentração de renda e desigualdades social e regional, um país pobre especialmente na educação, na ciência e na tecnologia; despreparados politicamente para construirmos o Brasil que queremos, ou mesmo para definirmos o rumo do que queremos no longo prazo da história futura de nossa nação.

Se fosse uma empresa, o Brasil teria de pedir concordata: substituir diretores, vender patrimônio, renegociar dívidas, reduzir salários, demitir trabalhadores, parar todos os investimentos. Como ele não é empresa, a Constituição impede de tomar quase todas essas medidas, deixando o país quebrado e sem mapa.

 

Cristovam Buarque é senador pelo PDT-DF