A RUA E O VOTO

CARLOS CHAGAS

Corte de gastos, mesmo, só na empresa privada, com demissões em massa. No governo, apenas migalhas, como a  redução do número de ministérios, anunciada para quarta-feira. No Legislativo, paliativos. No Judiciário, nem isso. A exceção poderia ser,  mas não é, a iniciativa da Petrobras  em sua febre privatizante de  alienar patrimônio público para pagar dívidas, coisa que resulta  em nada, sequer  cobrir a roubalheira lá verificada.

Enquanto isso aumentam-se impostos, taxas e tarifas de serviços públicos, com a redução de direitos trabalhistas e de programas sociais. Numa palavra, o país continua em queda livre no rumo do fundo do poço. Fica mais do que clara a rejeição da sociedade ao governo, assim como a importância de sua substituição.

Inexiste um plano diretor, sequer um roteiro de ação, muito menos um desenho para o futuro, aquilo que no passado chamava-se de  plataforma.   Os detentores do poder não cuidam  de evitar o pior, muito menos dispõem de  alternativas para propor o melhor,  que seria  a retomada do desenvolvimento.

Essa talvez  a grande  falha da administração  Dilma: a ausência de  um programa de afirmação e agora de  reconstrução nacional. O ministério do Planejamento não planeja outra coisa  senão empurrar para a população o ônus de uma recuperação impossível de acontecer  sem  metas fundamentais.

Todo esse preâmbulo se faz por conta do óbvio, ou seja, a imperiosa necessidade da imediata  substituição do governo para,  em seguida, um outro  elaborar  as  definições sobre o que pretende o Brasil para continuar  existindo como nação.

Sendo assim… Sendo assim, quanto antes se  promova a substituição, mais rápida se dará a recuperação.  A Constituição não apresenta remédios para o fracasso de um governo, a menos que seu chefe incorra  em crimes de responsabilidade. Trata-se de uma solução  incompleta, pois se Madame não tiver praticado nenhum crime, estará garantida para permanecer até o final de seu mandato, mesmo sem definições, projetos ou  plataformas. Só que não vai  dar.  Faltam três anos, três meses e dez  dias. Conclui-se pela inexistência de  tempo e de condições. Afastada a hipótese  da renúncia, tanto faz se por soberba, orgulho ou preconceito, sobram  o vazio  e o problema.

A rua é mais importante do que o voto, dizia o dr. Ulysses.  Torna-se urgente que ela se manifeste, mesmo com os riscos inerentes às manifestações extemporâneas. Mas existe  fórmula pacífica e avançada, numa  equação capaz de permitir à  rua promover a rejeição, através de um plebiscito para saber se o governo fica ou sai.   Em seguida ao óbvio resultado,  o voto,  em eleições livres e diretas,   determinaria a substituição. Legislativo e Judiciário bem que poderiam debruçar-se  para ordenar esse inusitado mecanismo institucional. Mas tem que ser depressa.