MARCELO ODEBRECHT, O HOMEM DE R$ 13,1 BILHÕES, FAZ A DIFERENÇA

JORGE OLIVEIRA

Brasília – Nos corredores do Supremo Tribunal Federal não se fala em outra coisa: o fatiamento do processo da Lava a Jato tende a beneficiar os presos mais privilegiados. Entre eles, Marcelo Odebrecht, o 9º homem mais rico do Brasil, com uma fortuna de 13,1 bilhões de reais, segundo a revista Forbes. No momento, ele ocupa uma cela do Complexo Médico-Penal do Paraná, localizado em Pinhais, município da região metropolitana de Curitiba. Mas seus dias de agonia estão para acabar, depois que o STF decidiu descentralizar os processos concentrados nas mãos da equipe do juiz Sergio Moro, uma decisão que está revoltando juízes federais e promotores do país.

 

Ora, ora só nós, pobres mortais, ainda acreditam que Marcelo permanecerá atrás das grades por muito tempo. Ele deixou isso claro quando depôs na CPI da Lava a Jato. Negou-se, por exemplo, a fazer delação premiada e ainda se permitiu usar gestos teatrais para mostrar quanto estava seguro sobre a sua provável liberdade. E a estratégia para tirá-lo da cadeia foi revelada pelo próprio Lula. Numa viagem a Buenos Aires, ele reclamou que um juiz americano, sozinho, impunha ao governo argentino decisões judiciais que obrigavam o governo a pagar dívidas de empresas nos Estados Unidos. Esta, na verdade, é a tese que os juristas, contratados a peso de ouro pelos empresários, defendem, e que o boquirroto do Lula deixou escapar: não pode ser apenas de um juiz a  prerrogativa de manipular um processo dessa envergadura, entende agora o STF.

 

Por trás de todo esse arcabouço jurídico que pretende esvaziar o trabalho da Lava a Jato e devolver os criminosos às suas casas, está o mais astucioso de todos os advogados brasileiros, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, ex-ministro de Defesa de Dilma. Depois da morte de Thomaz Bastos, o advogado que, em vida, defendeu todos os criminosos de colarinho branco, Jobim é hoje o mais próximo dos conselheiros do ex-presidente Lula.

 

A decisão do STF de fatiar a responsabilidade pela investigação da Lava a Jato fez a alegria dos advogados de defesa dos réus. A justificativa para tal iniciativa, o STF tem na ponta da língua: a apuração dos crimes devem ser feita nos locais onde foram praticados. Ou seja: os inquéritos serão desmembrados para o Rio, São Paulo e Brasília onde estão as sedes das principais empresas envolvidas. E você, que conhece a Justiça brasileira, o que me diz disso? É claro que muitos desses processos vão adormecer nas empoeiradas prateleiras das instâncias desses estados, vulneráveis a pressões de hábeis advogados, de políticos e dos empresários endinheirados envolvidos.

 

Não resta dúvida que foi uma jogada de mestre, porque todos os corruptos envolvidos no maior escândalo da história do país serão beneficiados. Como eles não têm prerrogativas de foro privilegiados, como os políticos, estão a mercê da caneta do juiz Sergio Moro que vem agindo com competência na condenação dos integrantes da quadrilha  que torraram a Petrobrás e outras empresas símbolos do país.

 

A jogada genial dos juristas que conhecem as manhas do Supremo Tribunal Federal só foi concretizada porque dentro do STF já existia uma tendência de frear a equipe do juiz Sergio Moro. Muitos dos ministros do tribunal, indicados por Lula e Dilma, estavam incomodados com as últimas notícias de que o ex-presidente iria parar na cadeia. Os recentes depoimentos dos delatores colocam Lula no centro da cena do crime. E a melhor saída para tirar o Lula do lamaçal é, na verdade, começar a soltar os empresários que podem comprometê-lo como Marcelo Odebrecht para quem o ex-presidente prestou serviço, a peso de ouro, como lobista de luxo.

 

Para aqueles que não tem a fortuna do Marcelo, resta apenas o consolo de receber um boião diferenciado na cadeia . Essa promessa, pelo menos, o PT jura que vai cumprir, viu Vaccari e Zé Dirceu.

RECEITAS DE ECONOMIA SUSTENTÁVEL

PEDRO ROGÉRIO MOREIRA

1 – A partir desta data, correm por conta do causador do desastre de carro as despesas efetuadas pela União, Estados e Municípios, com médicos, hospitais, remoção do acidentado (por ambulância terrestre ou aérea) e remoção do veículo sinistrado. E demais despesas decorrentes do acidente, como destruição de bens urbanos e rodoviários (postes, muretas etc). Havendo paralisação do tráfego com evidente prejuízo a terceiros, estes podem acionar o causador com o apoio da autoridade pública. A mesma decisão abrange: acidentes de trabalho, atropelamento de pessoas e animais, desastres aéreos, marítimos e fluviais; e demais acidentes em que o causador for pessoa física ou jurídica.

2 – A partir desta data, fica proibida a importação de animais exóticos e a aquisição de animais silvestres nacionais para os zoológicos brasileiros. Não haverá mais reposição de espécies exóticas nem nacionais. Tais medidas ocasionarão paulatinamente a extinção dos zôos, aberração que o mundo civilizado herdou dos povos antigos. Tais instituições, para preservar sua mão-de-obra especializada, se transformarão em centros veterinários de animais domésticos e de apoio à pecuária. Gatos de madame (como os meus) pagam; cachorro de pobre, não. Pecuarista paga. E “fessora” e pais que reclamarem da decisão levem seus alunos e filhos aos museus de história natural, vejam filmes e procurem na internet os animais de interesse dos meninos. E adulto vai procurar outra coisa pra fazer no domingo do que ver bicho enjaulado e triste. Veterinário que quiser se especializar em elefante que vá pra Índia às suas custas. E o mundo inteiro vai aplaudir o Brasil por esta iniciativa pioneira e libertadora que já tarda há séculos.

3 – A partir desta data, os governos da União, dos Estados e dos Municípios e suas empresas não podem mais fazer publicidade institucional. Propaganda governamental só de produtos que tenham concorrentes na iniciativa privada (tipo gasolina e bancos) ou avisos de alienação de bens, hastas públicas e correlatos. É permitida a publicidade de interesse público relevante (como aviso de falta de luz, de ocorrência de fenômenos meteorológicos perigosos ou quaisquer esclarecimentos de interesse público comprovado) somente nos casos em que jornais, rádio e TV, por motivo justo, se recusarem a noticiá-los. A lei que rege a chamada publicidade legal será alterada a fim de permitir que as empresas estatais (e privadas) não sejam obrigadas a publicar seus balanços, mas sim oferecê-los à curiosidade pública pela internet depois da devida comunicação à autoridade competente (bolsas, CVM etc etc). As empresas jornalísticas terão dado enorme contribuição às finanças do Brasil.

4 – A partir desta data fica proibida a edificação de tolices a pretexto de homenagear instituições e pessoas obviamente reconhecidas pelo bem à humanidade ou ao Brasil, tais como monumentos à Liberdade, à Negritude, à Imprensa Livre, ao Índio etc; e memoriais como o projetado em Brasília a João Goulart. A Família Goulart e seus admiradores honrarão a memória dele e manifestarão respeito ao dinheiro público doando seus arquivos à Fundação Getúlio Vargas ou a qualquer centro de estudos políticos.

5 – A partir desta data a União, Estados e Municípios ficam proibidos de patrocinar campeonatos esportivos de quaisquer modalidades. Do mesmo modo não haverá dinheiro público para festas populares de qualquer natureza, religiosa, secular ou cívica, salvo o Sete de Setembro.

6 – A partir desta data os três níveis de governança pública não poderão construir estádios de futebol, vilas olímpicas, sambódromos ou similares. A iniciativa privada poderá fazê-lo ao seu bel prazer.

7 – A partir desta data, qualquer cidadão pode (e deve) acrescentar novas proibições para conter a gastança do dinheiro público.