Fábio Braga destaca a importância do vaqueiro no cenário econômico e cultural do Brasil e do Maranhão

 

O deputado Fábio Braga (SD) destacou na Assembleia Legislativa, a importância do vaqueiro no cenário econômico e cultural do Brasil e do Estado do Maranhão.  O parlamentar é o autor da lei, aprovada por unanimidade no poder Legislativo Estadual e sancionada pelo governo, instituindo o Dia do Vaqueiro Maranhense. A comemoração da data é no dia 22 de agosto.

deputado-fábio-braga-festejo-são-raimundo-mulundus-vargem-grande-2016Ao comemorar a sanção da lei, Fábio Braga reconheceu que com a criação do Dia do Vaqueiro Maranhense, o governo e todos os 42 deputados com assento na Assembleia homenagearam os bravos e destemidos cidadãos maranhenses, cuja labuta diária é o manejo e condução de espécies animais bovinos, bufalinos, equinos, muares, caprinos e ovinos.

Para Fábio Braga, foi uma justa homenagem a esses homens, tipos étnicos, que merecem um dia para comemorar, pois o vaqueiro é a figura central da fazenda, e se destaca como um homem destemido que desempenha um trabalho árduo e contínuo, pois passa a maior parte do tempo montado a cavalo percorrendo a fazenda, vigiando as espécies de animais e fiscalizando.

SANTO VAQUEIRO

O parlamentar ressaltou que o Dia do Vaqueiro Maranhense é também uma homenagem ao Santo Vaqueiro São Raimundo Nonato dos Mulundus, festejado por milhares de devotos do Maranhão e do Brasil no período de 22 a 31 de agosto na cidade de Vargem Grande. O deputado esteve presente na festa em homenagem aos vaqueiros.

A história conta que Raimundo Nonato era um vaqueiro do povoado de Mulundus, no município de Vargem Grande, e teria morrido na lida para pegar o gado na caatinga e, com o passar dos tempos, levou fama de milagreiro na região. O peão foi transformado em santo e venerado pelos escravos e moradores, após o milagre que salvou a vida do dono da fazenda.

Fábio Braga comentou que o ex-deputado federal maranhense Carlos Brandão foi o autor da Lei 11.928/2009, que instituiu o Dia do Vaqueiro Nordestino, comemorado anualmente no terceiro domingo do mês de julho. A celebração coincide com a Missa do Vaqueiro, marco do calendário sertanejo e manifestação de fé realizada anualmente no município de Serrita (PE).

VAQUEIRO PROFISSIONAL  

 Na ocasião, o deputado Fábio Braga informou que a Lei 12.870, reconhecendo a atividade profissional de vaqueiro, de autoria dos ex-deputados Edigar Mão Branca e Edson Duarte, foi publicada no Diário Oficial da União. Aprovada em setembro pelo Senado, a lei foi sancionada no dia 15 de outubro de 2013, com um veto da então presidenta da República, Dilma Rousseff (PT).

De acordo com a lei, é considerado vaqueiro profissional quem trabalha em atividades de trato, manejo e condução de animais como bois, búfalos,cavalos, mulas, cabras e ovelhas. O trecho vetado dizia respeito à contratação dos serviços de vaqueiro, de responsabilidade do administrador do estabelecimento agropecuário, que em alguns casos poderiam ser injustiçados pela lei.

Pela lei, a atribuição do vaqueiro é alimentar os animais, fazer a ordenha, treinar e preparar animais para eventos culturais e socioesportivos com a garantia de que não sejam submetidos a violência e, sob a orientação de veterinários e técnicos qualificados, e auxiliar com os cuidados necessários à reprodução das espécies. A contratação é de responsabilidade do administrador, proprietário ou não do estabelecimento agropecuário.

Lula diz que o indiciamento é um “factóide” para evitar sua candidatura em 2018

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Charge do Son Salvador, reprodução da Charge Online

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 26, a senadores do PT que o seu indiciamento pela Polícia Federal, às vésperas do julgamento do impeachment de sua sucessora, Dilma Rousseff, tem objetivos exclusivamente políticos. Na avaliação de Lula, trata-se de mais um “factoide”, na tentativa de impedir sua candidatura à eleição presidencial de 2018.

“Podem trazer os maiores investigadores do mundo aqui que não vão provar que esse apartamento é meu”, afirmou o ex-presidente, de acordo com relato de dois senadores do PT. Lula e sua mulher, Marisa, foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no inquérito que investiga a propriedade do tríplex no Condomínio Solaris, no Guarujá. É o primeiro indiciamento de Lula na Operação Lava Jato.

Para o delegado Márcio Adriano Anselmo, o ex-presidente e Marisa receberam vantagens ilícitas, por parte da empreiteira OAS, “em valores que alcançaram R$ 2,4 milhões”, referentes à reforma do apartamento no Guarujá e ao custeio de “armazenamento de bens do casal”.

MINHA CASA MINHA VIDA – Lula costuma se referir ao imóvel como um apartamento do “Minha Casa Minha Vida” por causa do seu tamanho, considerado pequeno para um tríplex. Investigadores da Lava Jato também suspeitam que o ex-presidente seja dono de um sítio em Atibaia (SP), reformado pela OAS e Odebrecht.

“Eu já cansei. Eu não tenho que provar que tenho apartamento. Quem tem que provar é a imprensa que acusa, o Ministério Público Federal, que diz que eu tenho, a Polícia Federal, que diz que eu tenho. Eles têm que apresentar documento de compra, contrato assinado, porque, se não tiver, em algum momento eles é que terão de me dar de presente uma chácara e um apartamento”, disse Lula no último dia 29, ao participar da conferência nacional dos bancários, em São Paulo. “Se o objetivo de tudo isso é me tirar de 2018, não precisa fazer isso. A gente pode escolher outros candidatos com mais qualidade. Agora, essa provocação me dá coceira (de ser candidato).”

COM SENADORES – Na rápida conversa desta sexta-feira com quatro senadores do PT, no hangar do aeroporto de Brasília, Lula foi na mesma linha, usando praticamente os mesmos argumentos. Jorge Viana (AC), Paulo Rocha (PA), Humberto Costa (PE) e José Pimentel (CE) saíram da sessão de julgamento do impeachment de Dilma por volta de 16 horas apenas para se encontrar com o ex-presidente.

Na tentativa de corroborar a percepção de uso político das investigações, os parlamentares também notaram que a autorização do Supremo Tribunal Federal para abertura de inquérito contra Dilma, Lula e outras cinco pessoas, por suspeita de obstrução de Justiça, foi divulgada justamente no dia em que ela anunciou sua esperada carta aos senadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria contém um equívoco – este não é o primeiro indiciamento de Lula na Lava Jato, e sim o segundo. Ele já foi indiciado por obstrução à Justiça na tentativa de comprar o silêncio de Nestor Cerver, ex-diretor da Petrobras. O juiz Roberto Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, aceitou a denúncia no dia 29 de julho, e Lula passou a ser réu, junto com Delcídio Amaral e outros quatro envolvidos.  Quanto a Lula comparar o tríplex com os imóveis de “Minha Casa Minha Vida”, é um desrespeito às famílias carentes. O tríplex de Lula tem quase 300 m², é sete vezes maior do que os imóveis do programa habitacional, tem piscina, elevador privativo e uma cozinha hollywoodiana. (C.N.)

Tenham calma uns com os outros, tenham calma. Tudo passa.

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Ofelia Alvarenga

Na quarta-feira, assisti à entrevista do Collor feita pelo Geneton Moraes Neto, simples e brilhante jornalista que se foi tão cedo, aos 60 anos. Não lembro quando foi feita a entrevista. Sei que o Collor tinha a cara de agora, então não é coisa antiga.

Senti sinceridade no ex-presidente. Percebi dores passadas, conflitos, ele sequer negou ter pensado em suicídio após o impeachment. Também escreveu um livro-bomba que Thales (não sei como é a grafia correta) Ramalho o desaconselhou a publicar.

Eu ouvia Collor e observava Geneton. Como um jornalista iniciante, ele olhava no papel as perguntas que faria e depois riscava com a caneta o que havia perguntado. Sem nenhuma pompa e circunstância. Um amigo seu (dele) disse no velório (já não lembro quem, terá sido Guel Arraes?) que Geneton andava de lado, não queria ascensão nem dinheiro.

Geneton foi embora, seu trabalho tornou-se memória como ele tanto desejava.

TUDO PASSA – A cachorrinha da família do meu irmão não está andando, não tem comido. Amanhã vão levá-la ao neurologista.

Esta semana morreu um primo doente e eu soube que outras duas pessoas da família haviam morrido. Meu primo João, quando ligou pra falar do enterro, respondeu ‘tudo bem’ quando perguntei pela irmã dele. Mentira. Ela morreu, não me contaram, assim como também morreu a irmã da minha tia que costurou pra mim e minha mãe, fez meu vestido de formatura e do casamento.

Quando a gente envelhece, as coisas envelhecem junto, ao redor. Até os filhos prometem envelhecer a ponto de olharmos pra eles e perceber que a idade chegou.

Hoje cedo liguei pra secretária do meu ginecologista, e ela me disse que ele está se aposentando. Vai terça-feira ao consultório e acabou. Estive com ele há pouco mais de um mês. E agora isso.

Liguei pra casa dele. A mulher, que já foi a secretária em tempos idos, me atendeu e o botou ao telefone. Eu esperava por uma voz, ouvi o quase inaudível. Chorei.

As coisas se vão, as pessoas se vão, tudo passa. Então, gente, calma. O clima acusatório de uns contra outros não melhora nossa vida. Calma. O tempo há de passar e tudo voltará ao lugar. E se não voltar, é porque chegou ao fim.

Tudo passa.

Habeas Corpus para Léo Pinheiro fez Janot reconsiderar a delação do empresário

Janot errou ao suspender a delação e foi obrigado a recuar

Carlos Newton

Em matéria de “vazamento de informações”, a Procuradoria-Geral da República tem bastante experiência específica, pois se trata de um recurso estratégico que o próprio Rodrigo Janot costuma usar.  No domingo, por exemplo, ao invés de distribuir uma nota oficial ou convocar uma coletiva para anunciar a suspensão do acordo de delação do ex-presidente da OAS, sob alegação de que Léo Pinheiro teria “vazado” à Veja uma informação contra o ministro Dias Toffoli, a Procuradoria preferiu também fazer um “vazamento”. E o escolhido para receber a notícia foi o excelente repórter Jailton de Carvalho, de O Globo, que publicou a informação com absoluta exclusividade na segunda-feira.

HABEAS CORPUS – Houve forte reação, o ministro Gilmar Mendes culpou a própria Procuradoria pelo “vazamento” que denegriu seu amigo e companheiro Toffoli, outros ministros se manifestaram, a repercussão foi enorme.

Como Janot não tinha a menor prova de que o “vazamento” partira de Léo Pinheiro, o jurista Jorge Béja apresentou ao Supremo, na quinta-feira à tarde, um pedido de Habeas Corpus em favor do empresário, para lhe garantir o direito legal de continuar negociando a delação premiada, uma prerrogativa que todo réu possui e não pode ser aleatoriamente impedida por autoridade policial ou judicial.

OUTRO VAZAMENTO – O resultado da iniciativa de Béja foi imediato. Embora até agora não tenha sido designado o relator do Habeas Corpus (em flagrante desrespeito à legislação e ao próprio Regimento Interno do Supremo, que concedem a esse tipo de medida a preferência na autuação, distribuição e decisão), o fato concreto é que de repente tudo mudou. Houve mais um “vazamento” da Procuradoria-Geral da República, e o repórter Jailton de Carvalho deu a nova informação com absoluta exclusividade, como se fosse porta-voz de Janot:

As portas do Ministério Público Federal não estão totalmente fechadas para a empreiteira. Procuradores da Operação Lava-Jato admitem que, se o executivo reapresentar um pedido de negociação, existe a possibilidade de reabertura do diálogo. Mas com algumas condições: apresentar propostas relevantes, com provas consistentes e, especialmente, sem manobras que gerem desconfiança sobre a verdadeira intenção de colaboração” – publicou O Globo, numa reportagem típica de vazamento, em que todas as informações são sempre anônimas.

O MAIS IMPORTANTE– Na prática, o resultado pretendido por Jorge Béja já foi alcançado. Mesmo assim, o Habeas Corpus não poderá continuar mofando numa gaveta do Supremo e terá de ser logo decidido.

Apesar de não existirem leis, doutrinas, princípios ou jurisprudências que possam justificar indeferimento, sempre se aventa a possibilidade de rejeição, porque os juízes do Supremo se julgam semideuses, acima do bem e do mal. E há até ministros que sequer têm medo do ridículo e agem ao arrepio da lei.

Seja qual fora a decisão do Habeas Corpus, o importante é que a delação premiada de Léo Pinheiro será aprovada e seus depoimentos estão destinadas a varrer grande parte da sujeira que hoje polui a administração pública brasileira, atingindo seus três “podres poderes”, como diria Caetano Veloso. Ou não.

Exclusivo: a delação que Janot jogou no lixo

PGR anula acordo do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, descartando revelações pesadíssimas contra Lula – e que mencionam também Dilma, Aécio e Serra

Thiago Bronzatto e Robson Bonin, Veja

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tomou a decisão mais controversa da Operação Lava-Jato na semana passada. Diante da repercussão da reportagem de capa de VEJA, Janot informou que as negociações de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, estão encerradas. O vasto material produzido ao longo de cinco meses de tratativas entre a Procuradoria e o empreiteiro foi enviado para o incinerador, eliminando uma das mais aguardadas confissões sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.

Para quem vive atormentado desde 2014, quando surgiu a Lava-­Jato, a decisão de Janot representa um alívio ou até a salvação. Léo Pinheiro se preparava para contar os detalhes de mais de uma década de simbiose entre o poder e a corrupção. Em troca de uma redução de pena, o empreiteiro ofereceu aos investigadores um calhamaço com mais de setenta anexos. São capítulos que mostram como a corrupção se apoderou do Estado em diversos níveis.

VEJA teve acesso ao conteúdo integral de sete anexos que o procurador-­geral decidiu jogar no lixo. Eles mencionam o ex-­presi­den­te Lula, a campanha à reeleição da presidente afastada Dilma Rousseff e, ainda, dois expoentes do tucanato, o senador Aécio Neves e o ministro José Serra. A gravidade das acusações é variável. Para Lula, por exemplo, as revelações de Léo Pinheiro são letais. Lula é retratado como um presidente corrupto que se abastecia de propinas da OAS para despesas pessoais. O relato do empreiteiro traz à tona algo de que todo mundo já desconfiava, mas que ninguém jamais confirmara: Lula é o verdadeiro dono do famoso tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo — comprado, reformado e mobiliado com dinheiro de uma conta em que a OAS controlava as propinas devidas ao PT.

André Coelho (Foto: Agência O Globo)Rodrigo Janot (Foto: Agência O Globo)

UMA OLIMPÍADA QUE VALEU OURO

O Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo ainda respiram o clima olímpico poucos dias após o encerramento do maior evento esportivo do planeta. Apesar das dúvidas que despertaram e até de certo pessimismo antes de seu início, os Jogos Olímpicos do Rio, encerrados com uma belíssima festa no Maracanã no último domingo, foram um sucesso indiscutível, trouxeram benefícios ao país e nos encheram de orgulho e emoção.

 

Com raros problemas de organização, comuns a todos os eventos dessa magnitude, a Olimpíada do Brasil serviu também para devolver a autoestima aos cariocas e brasileiros, em meio a uma das maiores crises econômicas de nossa história e em um momento de grandes dificuldades. O chamado espírito olímpico parece ter se espraiado dos estádios, quadras e ginásios onde se realizavam as competições para todo o Rio de Janeiro e os quatro cantos do país. Nossa população se mobilizou em torno do esporte como raramente se viu, contagiada por um clima festivo, de confraternização e felicidade.

 

É evidente que o resultado esportivo do Brasil, especialmente se analisarmos algumas modalidades nas quais depositávamos grandes esperanças, pode até ter ficado aquém das expectativas mais otimistas. Por outro lado, a delegação brasileira alcançou seu melhor desempenho na história dos Jogos, terminando na 13ª colocação no quadro de medalhas, com sete de ouro, seis de prata e seis de bronze, totalizando 19 subidas ao pódio. Jamais na história olímpica o país havia obtido tantas medalhas em uma edição dos Jogos (o recorde anterior era o da Olimpíada de Londres, em 2012, com 17) ou tantos ouros na soma total (em Atenas-2004, foram cinco).

 

No Rio, os atletas brasileiros conseguiram chegar à disputa de 71 finais olímpicas, praticamente o dobro da marca atingida há quatro anos (36). Nossa equipe também ficou 19 vezes em quarto ou quinto lugares, muito próxima de uma medalha, em nada menos que 11 modalidades diferentes – o que indica uma notória evolução brasileira e um leque maior de disputas nas quais nossos atletas hoje competem com chances reais de obter bons resultados. Se, entre 1912 e 1992, o Brasil colecionou apenas 39 medalhas, de 1996 até o Rio-2016, nas últimas seis edições olímpicas, esse número saltou para 89 (cinquenta distinções a mais). Um crescimento e tanto em 20 anos. Não é pouco.

 

Embora tenha ficado em 13º lugar e, portanto, fora do grupo dos dez países mais bem colocados no quadro de medalhas – a meta inicialmente estipulada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) –, o país deixou a Olimpíada ocupando uma honrosa segunda colocação no ranking de nações das Américas. Ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e superamos países tradicionais nos Jogos Olímpicos, como Cuba (18ª colocada, com cinco ouros) e Canadá (20º, com quatro).

 

Apesar da boa participação brasileira, é preciso reconhecer que devemos reformular nossa política esportiva e, fundamentalmente, investir mais na formação dos atletas, na base da pirâmide. A conquista de medalhas em uma Olimpíada deve ser consequência de um planejamento esportivo bem feito, e não uma busca desenfreada por vitórias em modalidades específicas. A prática esportiva precisa ser estimulada desde cedo, nas escolas, por meio de uma ação coordenada entre o governo federal, os estados, os municípios e as confederações esportivas. Temos um enorme potencial e a vocação inequívoca para a prática do esporte. É necessário apenas incentivá-la e disseminá-la em larga escala.

 

A Olimpíada do Rio não foi importante só para os cariocas, mas para todos os brasileiros. Durante duas semanas, a Cidade Maravilhosa se transformou na verdadeira capital do país – a capital da festa, da alegria, do espírito esportivo, da paz, da diversidade e do congraçamento entre os povos. Que os Jogos Olímpicos representem o início de um novo momento para o país, com mais confiança, otimismo e esperança em um futuro mais digno e próspero. O Rio mostrou ao mundo que somos uma grande nação e que o Brasil pode e vai dar certo.

 

Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS 

Análise do advogado Dyego Moraes ,sobre a impugnação da candidatura de Carlinhos Barros

Nos últimos dias vimos através de vários blogs da cidade de Vargem Grande-Ma que o Candidato Carlinhos Barros teve sua candidatura impugnada pelo advogado Dr. Carlos Sérgio. Porém poucos entendem o que de fato motivou tal impugnação. Vou tentar de forma bem simples explicar.

Segundo a lei complementar 64/1990. Estabelece, de acordo com o art. 14, § 9º da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação, e determina outras providências. Assim, o art. 1°, II, i, e inc IV, a, trás a seguinte redação:

Art. 1º São inelegíveis:
II – para Presidente e Vice-Presidente da República:
i) os que, dentro de 6 (seis) meses anteriores ao pleito, hajam exercido cargo ou função de direção, administração ou representação em pessoa jurídica ou em empresa que mantenha contrato de execução de obras, de prestação de serviços ou de fornecimento de bens com órgão do Poder Público ou sob seu controle, salvo no caso de contrato que obedeça a cláusulas uniformes;

IV – para Prefeito e Vice-Prefeito:

a) no que lhes for aplicável, por identidade de situações, os inelegíveis para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, observado o prazo de 4 (quatro) meses para a desincompatibilização

Logo o candidato carlinhos por não ter observado as regras dispostas na LC 64/90 encontra-se inelegível, por manter diversos contratos com a administração pública de várias cidades.

Resta saber se Carlinhos no prazo de 7 dias para contestar irá conseguir provar que se descompatibilizou de suas empresas ligadas à administração

Folha diz que, além de Toffoli, outros dois ministros do Supremo foram investigados

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com.br)

Mônica Bergamo
Folha

O governo de Michel Temer acompanha com lupa a crise entre o Ministério Público Federal e o STF (Supremo Tribunal Federal). E tem informações de que procuradores tentaram investigar, além do ministro Dias Toffoli, também assessores e familiares de outros dois magistrados da corte. O Supremo trabalha com a mesma informação.

O governo tem conhecimento ainda de que um racha contrapõe hoje procuradores federais ligados a Rodrigo Janot, em Brasília, ao grupo que toca a Operação Lava Jato em Curitiba. As divergências são antigas e já tiveram momentos até mais críticos.

A divisão poderia estar na origem do vazamento da informação de que Dias Toffoli aparecia nas tratativas de delação premiada da empreiteira OAS.

SOPA RALA – O grupo de Janot era contra a inclusão do nome de Toffoli no acordo, já que as informações preliminares dadas pela OAS não configuravam nenhum crime.

A suspeita é que, incomodados com a exclusão do nome de Toffoli da delação e sem ter como investigá-lo, já que o ministro tem foro privilegiado, procuradores do Paraná espalharam a informação do relacionamento dele com a OAS, que chegou ao conhecimento de jornalistas. Essa seria uma das origens do vazamento. Mas não obrigatoriamente a única. Janot trabalha com a possibilidade de que a empreiteira tenha divulgado dados.

Gilmar Mendes, do STF, citou o fato de que procuradores do Paraná chegaram a escrever artigo “achincalhando” Toffoli como sinal de que poderiam ter vazado dados contra o magistrado. Questionados, os procuradores não se manifestaram até a conclusão da coluna.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As notícias sobre corrupção de ministros dos tribunais superiores já circulam há vários meses, desde a armação feita pela presidente Dilma ao nomear um ministro amestrado para o STJ com a missão de libertar Marcelo Odebrecht e outros empreiteiros. A manobra veio à tona e foi desarmada no tribunal, um vexame completo que acabou causando o processo aberto contra Dilma e Lula no Supremo. Depois, o assunto se robusteceu dia 2 de julho, quando o jornalista Jorge Bastos Moreno publicou em O Globo que um dos mais famosos advogados do país está fazendo delação e já entregou nomes de ministros desses tribunais que se envolveram em manobras “pouco republicanas”. Agora, Mônica Bergamo volta com idêntica informação, sinal de que a batata está esquentando, como se diz popularmente. E a notícia confirma o que publicamos aqui na TI, dando conta de que na verdade eram três os ministros investigados. (C.N.)

Decepção crescente com a política leva muitos eleitores a desistirem de votar

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Francisco Bendl

A lamentar profundamente que o povo não tenha recursos a apresentar à “Justiça” para se ver livre de governos como o de Lula e Dilma. Agora, não entendo como governantes desta espécie, como os dois ex-presidentes petistas, ainda possuam tanta consideração por parte da população, se o Brasil contabiliza – por culpa de ambos, exclusivamente – quase 13 milhões de desempregados, dezenas de milhões de inadimplentes, não só por causa da falta de trabalho, mas também pelo juros extorsivos, sendo o sistema financeiro a elite mais defendida e protegida do PT, razão pela qual os bancos tiveram períodos em que mais lucraram na história econômica brasileira, enquanto se instalavam a recessão econômica e o caos na política,  com os serviços de educação, saúde e segurança em seus piores momentos “republicanos”.

Evidente que temos sido explorados desde sempre, mas querer repetida e exaustivamente compensar os crimes do casal de mafiosos alegando os crimes de governantes anteriores e de seus partidos, a meu ver isso demonstra apenas uma tentativa perniciosa e nefasta de amenizar os males que Lula e Dilma praticaram contra a cidadania e o país.

ELEITORES FRUSTRADOS – Muitos brasileiros estão decepcionados e já falam em deixar de votar, mas isso só favorece aos petistas, pois grande parte do povo, sem acesso a um ensino público de qualidade e sem preparo intelectual, ainda prefere eleger esses criminosos.

O correto seria que todos nós deixássemos de votar, conforme tem sugerido o comentarista Carlos Cazé, que defende categoricamente a ausência do eleitor em dia de votações. Mas o diabo será a repetição do que aconteceu com a eleição da Dilma Rousseff, que nos arrasou econômica e socialmente, porque naquela ocasião mais de 30 milhões de brasileiros não votaram, e deu no que deu.

ROUBARIAM MENOS – É claro que isso não quer dizer que o candidato Aécio Neves fosse a solução, mas os tucanos não teriam coragem de assaltar a Petrobrás como fez o PT, com negociatas grotescas como a compra da refinaria em Pasadena, mediante ordens diretas da presidente afastada, muito menos roubariam tanto os fundos de pensão e armariam golpes abjetos como os empréstimos consignados.

Roubariam, também, mas em valores menores, quantias que sempre foram absorvidas pela política corrupta e desonesta que é praticada no Brasil, até o dia em que a Justiça decida funcionar e passe verdadeiramente a limpo a política e a administração pública deste país.

COMPRA DA REELEIÇÃO – Aliás, se o Ministério Público Federal tivesse tomado providências, quando houve acusações seguras de que deputados haviam sido comprados para votar a favor da emenda da reeleição, à época de Fernando Henrique Cardoso, e não teríamos os pesadelos em dobro com Lula e Dilma.

Portanto, esta é a minha dúvida, que se situa entre ter cão e não ter cão, ou seja, devo votar ou não?! Por enquanto, deixarei de ir à capital do meu RS para votar nas eleições municipais, pois pretendo justificar o voto. Quanto à próxima eleição presidencial e demais cargos federais e estaduais, aguardarei os candidatos e a situação da política no ano que vem.

Geneton Moraes Neto e a história do ataque aéreo para matar Brizola em 1961

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Brizola, na rádio instalada no Palácio, defende a posse de Jango

Fernando Brito
Blog Tijolaço

Não fui seu amigo pessoal, mas devo a ele a parte mais valiosa do documentário que fiz sobre a resistência legalista de Brizola em 1961. Quinze anos atrás, um simples telefonema fez com que ele me cedesse uma fita cassete que era uma preciosidade. Uma, das muitas que ele recolheu naquilo que escolheu fazer: reportagem sobre a História brasileira.

Era o depoimento do escritor Oswaldo França Júnior, nos anos 60 piloto da Força Aérea Brasileira, narrando os preparativos e a frustração do bombardeio ao Palácio Piratini, de onde Leonel Brizola, governador gaúcho, comandava a resistência ao golpe para impedir a posse de João Goulart, em 1961.

É coisa que muita gente não faz ideia ou acha apenas “lenda” política. Reproduzo o texto feito por Geneton, com todo o mérito que tem de fazer um registro primário da história que muitos não acreditam que este país viveu e que ele, repórter da história brasileira, não deixou que se perdesse:

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O ESCRITOR RECEBE UMA MISSÃO: MATAR BRIZOLA
Geneton Moraes Neto.

A História poderia ter tomado um rumo diferente em 1964 se tivesse havido uma resistência igual à que Leonel Brizola comandou em 1961 para garantir a posse do então vice-presidente João Goulart na presidência da Republica depois da renuncia de Jânio Quadros. Com um microfone nas mãos, Brizola comandara em 1961 uma campanha pela legalidade: se a presidência estava vaga,o vice Goulart é que deveria assumir. Não era o que os militares queriam. Mas foi o que aconteceu.

A resistência legalista de Brizola em 1961 por pouco não acaba em bombas e balas. Piloto da FAB que anos depois ficaria famoso como escritor, o mineiro Oswaldo França Junior recebeu, com os colegas, uma missão que, se executada, poderia resultar na eliminação física do ex-governador Brizola sob um monte de escombros, num palácio bombardeado.

Oswaldo França Junior tinha um demônio dentro de si. Queria um exorcista. Todas as tentativas de traduzir o demônio em palavras foram frustradas. Bem que tentou, mas não conseguiu transformar em texto a incrível experiência quer viveu nos tempos em que era oficial da Forca Aérea Brasileira, no começo dos anos sessenta. Extremamente rigoroso com o que escrevia, a ponto de só aproveitar dez de cada cem paginas que produzia, Franca Junior despejou na lata de lixo as tentativas de relato da época.

Se transformadas em livro, as confissões do ex-primeiro-tenente França Junior poderiam ter virado best-seller político: basta saber que ele participou diretamente de uma operação secreta para bombardear o Palácio onde estava o então governador Leonel Brizola, em Porto Alegre. França Junior estava pronto para levantar voo num dos aviões que despejariam bombas sobre o Palácio. Nesta entrevista, ele revela com todos os detalhes como a operação foi preparada.

Diante do gravador, Oswaldo França Junior relatou com desembaraço o que jamais conseguiu escrever. Uma coisa é certa: França Junior é seguramente o único escritor em todo o mundo que recebeu uma ordem expressar para bombardear um palácio e matar um governador. Expulso da Aeronáutica pelo Ato Institucional Número 2 como ‘’subversivo’’, França Junior virou corretor de imóveis, vendedor de carros usados, dono de carrocinhas de pipoca e até administrador de uma pequena frota de táxis, antes de ficar conhecido nacionalmente com o romance ‘’Jorge,um Brasileiro’’, em 1967.

Vai falar o escritor que, como piloto, esteve a um passo de se envolver numa carnificina a mando dos superiores:

 

GMN: Você é seguramente um caso único de escritor que recebeu ordens expressas para eliminar um governador de Estado num bombardeio a um palácio. Você pode revelar em que circunstância exatamente foi dada a ordem de eliminar o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola?

França Junior : ‘’Você quer saber em que circunstâncias… Eu servia no Esquadrão de Combate, em Porto Alegre. Era a unidade de combate mais forte que existia entre o Rio de Janeiro e o Sul. Era o 1º do 14º Grupo de Aviação. A gente usava um avião inglês que, na FAB, recebeu o nome de F-8.  (Nota do Tijolaço: era o Gloster Meteor, jato  posterior à 2a. Guerra) Logo depois da renúncia de Jânio Quadros, em 1961, Brizola fez a Cadeia da Legalidade através das emissoras de radio e se entrincheirou no Palácio do Governo, em Porto Alegre. O comandante do meu esquadrão nos reuniu e disse: ‘’Nós acabamos de receber uma ordem para silenciar Brizola. Vamos tentar convencê-lo a parar com esse movimento de rebeldia. Se ele não parar com essa campanha, vamos bombardear o Palácio e as torres de transmissão da rádio que ele vem usando para fazer a Cadeia da Legalidade. Vamos fazer tudo às seis da manhã. Vamos tentar dissuadir Brizola até essa hora. Se não conseguirmos, vamos bombardear’’.

Nós ouvimos essas palavras do comandante. Todo oficial tem uma missão em terra, além de ser piloto de esquadrão. Eu era chefe do setor de informação. Recebi ordens de calcular o quanto de combustível ia ser usado e quanto tempo os aviões poderiam ficar no ar. Dezesseis aviões foram armados para a operação. Pelos meus cálculos, a gente ia pulverizar o Palácio do Governo! O armamento que a gente tinha em mãos era para pulverizar o palácio. Um ataque para acabar com tudo o que estivesse lá. Não ia haver dúvida. Os aviões foram armados. Nos  preparamos. Colocamos as bombas e os foguetes nos aviões. Ficamos somente esperando chegar a hora, quando o dia amanhecesse.

Mas criaram-se aí vários impasses, vários problemas sérios.  Durante o tempo em que ficamos esperando, todos sabíamos que iríamos matar muita gente. Num ataque como aquele ao Palácio, bombas e foguetes cairiam na periferia. Muitas pessoas iriam ser atingidas. Além de tudo, Brizola estava com a família no Palácio, cercado de gente. Havia gente armada lá,mas não ia adiantar nada, diante do ataque que iríamos deflagrar com nosso tipo de avião. Podia ser que um ou outro avião caísse, o que não impediria de maneira nenhuma o ataque e a destruição do Palácio. E aí começou o questionamento.

O militarismo tem dois alicerces básicos: a disciplina e a hierarquia. Você não pode mexer nesses dois alicerces. Toda a carreira, todos os valores, todo o futuro do militar é garantido em cima desses dois suportes. Você, quando é militar, sabe exatamente o que vai acontecer com você daqui a dez, vinte anos, baseado nessa hierarquia e nessa disciplina. Isso dá uma segurança e um “espírito de corpo’’ bem desenvolvidos.

Mas, diante de nós, os tenentes que íamos fazer o ataque e não estávamos incluídos na alta cúpula, apresentou-se uma incoerência:  se o presidente da Republica, chefe supremo das Forcas Armadas, renunciou, automaticamente quem deve assumir é o vice-presidente. Nos perguntávamos ali: por que o Estado Maior – que não fica acima do Presidente da República – pode determinar que um vice-presidente não pode assumir? Então, há uma incoerência interna na hora de obedecer a uma ordem assim. Por quê? Porque aquela ordem, em principio, já quebrava a hierarquia, a base do sentimento militar.

Nós começamos a pensar. Mas íamos decolar, sim, para o ataque! Durante a noite, no entanto, houve um movimento inteligente, partido principalmente do pessoal de base. O avião de caca só leva uma pessoa, o piloto. Mas é necessário ter uma equipe grande de apoio no solo. E essa equipe de apoio, formada principalmente por sargentos, impediu a decolagem dos aviões. Os sargentos esvaziaram os pneus. E trocar de repente todos os pneus dos aviões de combate é um problema técnico complicado e demorado. Os aviões, assim, ficaram impedidos de decolar na hora do ataque.

Houve uma movimentação. E o Exército ajudou a controlar a divisão interna na Base Aérea. O Estado Maior mudou a ordem,para que nós decolássemos para São Paulo. E para a viagem de Porto Alegre para São Paulo, os aviões não poderiam decolar armados. Por quê? O avião de caça é uma plataforma que você eleva para transportar armamentos. Ali dentro só existe lugar para colocar combustível e arma. O piloto vai num espaço pequeno.  Então, tiraram os armamentos dos aviões para encher de combustível. Somente assim seria possível chegar a São Paulo. O Estado Maior estava centralizando o poder de fogo para que, se houvesse uma guerra civil, eles estivessem bem equipados’’.

GMN – Como militar, você cumpriria sem discussão essa ordem de bombardear o Palácio e eliminar fisicamente o governador?

França Junior: ‘’Naquelas circunstâncias de Porto Alegre, eu obedeceria, sim. Obedeceria! Um ou dois meses depois eu iria questionar. Por quê? Porque ali foi um ponto de ruptura, um divisor de águas. Naquela crise, em que passamos a noite inteira nos preparando para bombardear o Palácio do Governo, surgiram vários questionamentos. Somente de madrugada é que houve o problema da sabotagem dos aviões. Agora nem tanto, mas antes você só era preparado para lutar contra o inimigo externo. E de repente nos chegou aquela ordem para bombardear Brizola de uma hora para outra. Não houve nem uma preparação psicológica nossa. Você, então, começa a se questionar: por que é que as pessoas estão fazendo aquilo? Por que a realidade brasileira é essa? O militar, em qualquer crise política, não é como o civil – que pode fazer a opção sobre se vai participar ou não. O militar é obrigado a participar – e de arma na mão!’’.

GMN – Você é que escolheu as bombas que seriam usadas para matar Brizola?

França Junior: ‘’Não. Ajudei a verificar o volume de combustível nos aviões. Nós iríamos usar bombas de 250 libras. E 15 foguetes. Cada avião iria levar quatro bombas de 240 libras, além de quatro canhões. Eu digo: a gente ia pulverizar tudo! O armamento que iríamos usar não era para intimidar…’’.

GMN – Quando estava fazendo os cálculos de combustível e de armamentos,você pensava em quê?

França Junior –“O questionamento vem surgindo aos poucos A primeira impressão é que tinha acontecido algo sério e nos não tínhamos ainda acesso às informações sobre o que havia ocorrido. Haviam, provavelmente, descoberto ligações de Brizola ou de um grupo grande. O bicho-papão, na época, eram os comunistas. Então, eles devem ter descoberto uma trama tão diabólica e tão generalizada que estavam tomando uma atitude séria para impedir que o presidente assumisse.

A experiência que vivi foi inusitada, porque você julga que uma guerra civil pode surgir de um encadeamento de fatos que leva anos – mas não de uma hora para outra, como ali: uma pessoa vem e dá uma ordem. Se o pessoal de apoio da Base Aérea de Porto Alegre não tivesse impedido a decolagem dos aviões, nós teríamos decolado e destruído o Palácio. Não tenha dúvida! Isso forçosamente teria desencadeado um problema seriíssimo no Brasil’’.

Quem ganha com vazamentos?

COLUNA CARLOS BRICKMANN

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspendeu a delação premiada de Leo Pinheiro, o presidente da empreiteira OAS. Motivo: o vazamento de parte da delação, divulgado na capa da última Veja.

Pergunta 1 – Que será feito com a delação de Marcelo Odebrecht, amplamente vazada, amplamente comentada, até nesta coluna?

Pergunta 2 – O vazamento é ilegal e anula a delação – a teoria do fruto da árvore contaminada, que deve ser descartado. A Operação Castelo de Areia, que atingia uma grande empreiteira, foi anulada assim. Quantos processos foram abertos contra responsáveis por vazamentos?

Pergunta 3 – O caso do apartamento do Guarujá e do sítio de Atibaia se baseiam largamente em delações da OAS. O caso se sustenta sem isso?

Pergunta 4 – Que acontecerá com uns 70 anexos da delação de Pinheiro?

A parte da delação de Leo Pinheiro que atinge o ministro Dias Toffoli é fragilíssima – aliás, não lhe imputa crime. Levantar suspeitas sobre o ministro, ou o STF, por eventuais pressões, é no mínimo prematuro; e é ofensivo ao procurador Rodrigo Janot considerá-lo vulnerável a pressões.

Por que, então, atirar nos advogados de Pinheiro a culpa do vazamento? Não tem lógica: por que vazariam a delação, correndo o risco de anulá-la e de trocar uma confortável prisão domiciliar por décadas de prisão comum?

E, enfim, a grande pergunta: quem se beneficiou com o vazamento?

Quem não fez?

O responsável pelo sigilo é que deve guardá-lo. O jornalista pode (e deve) divulgar aquilo que lhe cair nas mãos. É buscar, então, quem deveria proteger a transcrição das delações e verificar por que não o fez.

Quem fez?

Gilmar Mendes, ministro do STF, sugere onde iniciar as buscas: “(…) a investigação deve começar pelos próprios investigadores (…) Diria que o vazamento não é de interesse dos delatores. Acho que é dos investigadores, como tem se repetido em outros casos”.

Coisa estranha

Parece incrível, mas em processos rumorosos não é incomum que advogados peçam a jornalistas cópias das acusações a seus clientes. A informação correta chega antes aos repórteres e depois aos advogados.

Inverno quente

Começa hoje em Brasília a etapa final do impeachment, que deve terminar no dia 29, ou 30, provavelmente com a derrota de Dilma. Para ficar, ela precisaria do voto de 24 dos 81 senadores. Deve ter entre 19 e 21.

É coisa nossa

Do jornalista Ricardo Noblat (http://noblat.oglobo.globo.com/): “A partir da próxima semana, fora a jabuticaba, haverá outra coisa para chamarmos de nossa: a presidente da República afastada por um golpe que comparece ao último ato do seu julgamento para se defender diante de golpistas. Se for absolvida, dirá que derrotou o golpe. Se for condenada, dirá que foi vítima dele. Em seguida, embarcará para uma temporada de férias no exterior porque ninguém é de ferro”.

Boa memória

Um assíduo leitor desta coluna comenta, a respeito da nota sobre o pedido de Temer ao PSDB para definir um nome de consenso, que ele o apoiaria em 2018 (até hoje não recebeu resposta), que Tancredo Neves, já escolhido presidente, foi procurado por uma comissão do Triângulo Mineiro, que pedia a criação de um Estado.

Concordou: bastaria escolher a capital, Uberlândia ou Uberaba. O assunto morreu.

Chinelagem 1

José Dirceu foi condenado a uma pena de prisão. Tripudiar sobre sua situação é uma pena extra, a que não foi condenado e que ninguém merece. Tudo começou com a apreensão de pendrives em sua cela. O conteúdo não tinha nada de perigoso nem de criminoso. Viola as normas da prisão? Que sejam adotadas as medidas disciplinares de praxe – o que não inclui ampla divulgação nacional do fato, nem a publicação das fotos de frente e perfil, com o visível objetivo de humilhá-lo.

Punição legal, sim; escárnio, não.

Chinelagem 2

Discute-se no Congresso se Dilma deve manter os privilégios de ex-presidente, mesmo impichada. Se impichada, ela será ex-presidente, ponto. Collor manteve os privilégios após o impeachment. Por que não Dilma?

Tá faltando um

A Câmara Municipal de Guaxupé, MG, mantém apenas um vereador entre os 13 eleitos. Os 12 restantes perderam o mandato por improbidade. Costumavam receber diárias indevidas para pegar algum a mais.

Prejuízo: R$ 159 milhões, que foram condenados a devolver até 31 de dezembro.