Correios vão fechar 250 agências no Brasil; No Maranhão serão duas

Duas agências dos Correios no Maranhão estão na programação de fechamentos da estatal, anunciada na semana passada. A agência Filatélica da Praça João Lisboa, em São Luís, e em Pequiá, distrito do município de Açailândia, devem encerrar as atividades.

No país inteiro, os Correios devem fechar 250 agências em cidades com mais de 50 mil habitantes. A população de Açailândia é de mais de 110 mil habitantes, segundo estimativa de 2016 do IBGE. A medida faz parte do plano de economia da empresa. A direção argumenta que a companhia tem registrado prejuízo há quatro anos seguidos.

A agência filatélica de São Luís é uma das 31 existentes no país. Os Correios contam com mais de 6 mil agências próprias no Brasil que operam em consonância com as agências permissionárias (comerciais), franqueadas e comunitárias.

Tortura

Por Luis Fernando Veríssimo

Torturar pela mão dos outros não era exatamente uma prática nova para os Estados Unidos. Tivemos uma prova disso num passado nem tão remoto

Depois do ataque ao World Trade Center, discute-se muito no Congresso, na imprensa e nos tribunais americanos os limites do permitido na busca da informação antiterror.

O presidente Bush foi reticente ao tratar do assunto no seu governo.

Já o Trump declarou-se abertamente a favor da tortura.

Sob Bush, os suspeitos de terrorismo eram interrogados em países amigos sem muitos escrúpulos quanto aos seus métodos. Era a tortura terceirizada.

Trump pelo menos não é hipócrita. Autorizou a tortura em solo americano, sem disfarces.

Torturar pela mão dos outros não era exatamente uma prática nova para os Estados Unidos. Tivemos uma prova disso num passado nem tão remoto.

Na School of the Americas, mantida pelos americanos, policiais e militares latino-americanos iam aprender métodos de interrogatório e contrainsurgência para combater o comunismo no continente.

A Escola das Américas chegou a ser chamada ironicamente de braço armado da Escola de Chicago, produzindo técnicos em repressão para garantir os teóricos do neoliberalismo que saíam do Departamento de Economia da universidade onde Milton Friedman era a estrela para nos catequizar.

É bom lembrar, nestes tempos de entusiasmo renovado pelo fascismo e de reacionarismo ostensivo e festejado, no que deu tudo aquilo.

Coisas como a Operação Bandeirantes, a aliança de empresários paulistas com policiais e militares na caça, literalmente, à esquerda, que deixou mortos e mutilados por toda parte — menos, aparentemente, na consciência dos responsáveis ou, presumivelmente, no livro de realizações dos formandos da Escola das Américas. Que continua no mesmo lugar, Fort Benning, no estado da Geórgia, agora com o nome mais específico de Instituto de Cooperação para a Segurança do Hemisfério Ocidental. Não se sabe se o currículo ainda é o mesmo.

Nossa imprensa investigativa bem que poderia investigar a influência dos irmãos Koch, multimilionários americanos que gastam seus milhões promovendo uma agenda ultraconservadora, na chamada nova direita brasileira.

Detalhes sobre a possível intervenção dos irmãos no movimento não estão mais longe do que o Google mais próximo.

Tortura (Foto: Arquivo Google)

Morre Francisco Borracheiro

Foi encontrado morto em seu quarto onde residia na avenida Castelo Branco próximo ao portal da entrada da cidade, o senhor Francisco das Chagas Rodrigues Filho conhecido como Chico Borracheiro de 32 anos de idade. Francisco era uma pessoa bem relacionada na cidade onde tinha muitos amigos, principalmente motorista pelo fato de ser borracheiro. O corpo sem vida foi encontrado pelo seu irmão e não apresenta sinis de violência. O corpo foi levado para o necrotério do Hospital Municipal para os exames de praxe e depois será liberado para a família. Nós do blog que nutríamos amizade com Francisco externamos nosso pesar a família enlutada.

As caixas do crime

A PGR identificou quatro tipos de caixa, como disse O Globo.

O caixa 2 básico será julgado pelos tribunais eleitorais.

Nos outros casos, o MPF deve abrir inquérito e investigar arrecadadores e doadores por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Um procurador disse para a reportagem:

“Eu não sei como é possível anistiar caixa 2 sem anistiar a corrupção”. O Antagonista

CRUELDADE: JOVEM É EXECUTADO EM CODÓ COM 26 FACADAS

Leandro de Sá

índiceUm jovem, identificado pela redação do Blog do de Sá por Antonio Martins de Brito de 20 anos de idade, foi executado por volta das 17 horas desta quarta-feira (15), na cidade de Codó, com requintes de crueldade. O jovem estava na casa de um amigo na Av. 1° de Maio, bairro São Francisco, quando foi surpreendido por três homens, ainda não identificados pela polícia. A vítima  ainda tentou correr pelos fundos da casa, mas já era tarde demais e foi atingida simplesmente com 26 facadas; a mais profunda foi na região do pescoço. O jovem Antonio Martins de Brito já tinha passagem pela polícia por baderna, mas de acordo com informações repassadas ao Blog, o mesmo teve um desentendimento com uns jovens no carnaval deste ano. A polícia não teve informação de quem possa ter tirado a vida de Antonio; o Blog não vai disponibilizar as fotografias do jovem morto, pelo fato de serem muito fortes e também em respeito a família do mesmo.

OS CAÇADORES DERROTARÃO O LOBO MAU

Chapeuzinho Vermelho entrou toda faceira no quarto da Vovozinha, levando na cesta café com leite, queijo e uma maçã. A velha tirou a cabeça dos lençóis e espantou a netinha. “Vovó, para que esses olhos tão grandes?” “Para melhor te ver, minha querida”. “E essas mãos tão compridas?” “Para melhor de abraçar, meu bem”. “E essa boca com dentes tão feios?” “Para melhor te comer, meu petisco!” A história para crianças não termina assim, porque logo vieram os caçadores, mataram o lobo e retiraram a Chapeuzinho e a avó de sua barriga, ficando todos felizes.

A historinha se conta a propósito da chegada dos líderes dos partidos ao gabinete do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, ontem. Tinham sido convocados para cuidar da reforma da Previdência Social. Espantaram-se quando ouviram dele apavorantes ameaças no caso de o projeto do governo não ser aprovado. Perderiam as benesses e vantagens, não teriam apoio nenhum e seriam derrotados nas eleições do ano que vem. Cederam, dispostos a aceitar a proposta, antes de ser deglutidos, quando um deles exclamou: “Vamos chamar os caçadores!”

Parece evidente a reação da base parlamentar oficial à proposta que penaliza os assalariados e retira dos menos privilegiados os derradeiros direitos ainda vigentes. Pior fica a situação quando se acrescenta a reforma trabalhista.

O governo insiste e aterroriza o Congresso, diante do horror das mudanças apresentadas sob a promessa de recuperação da economia nacional. Ninguém escapará, nas eleições do ano que vem. Muito menos o empresariado, iludido com as promessas de ser favorecido com o sacrifício das massas. Elas são os caçadores, ávidos de arcabuzar quantos, como Eliseu Padilha, imaginam sobreviver à anacrônica iniciativa das prerrogativas do Lobo.

FULMINADA A CAIXA DOIS

Quem faz as contas sobre a próxima decisão a ser adotada pelo Supremo Tribunal Federal conclui pela condenação do Caixa Dois conforme puxa a fila a opinião da presidente Carmem Lúcia: é crime mesmo. Nas investigações que se seguirão, responderão quantos tiverem recebido esses recursos ilícitos, tanto faz se em dinheiro podre ou não.

PREVIDÊNCIA: A TENDÊNCIA É DE APROVAÇÃO, COM AJUSTES

A partir desta semana, com o encerramento do prazo para apresentação de emendas, a reforma da Previdência entra numa etapa crucial. O relator do texto, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), já poderá apresentar seu parecer, embora a comissão que analisa a matéria deva prosseguir com a realização de audiências públicas até o fim de março.

O governo precisa se precaver para evitar surpresas indesejáveis. Os deputados vêm sofrendo grande pressão por parte dos opositores da proposta. Várias corporações tomaram os corredores da Câmara abordando os parlamentares e coletando assinaturas para a apresentação de emendas ao texto.

Sinais de contrariedade diante de alguns termos do projeto foram emitidos por deputados da base governista. O PSB, o Solidariedade e o PROS admitiram que vão votar contra o projeto. Mesmo com a orientação do Palácio do Planalto para que aliados não apoiem emendas à proposta, das 56 encaminhadas até o momento, 24 são de autoria de deputados de partidos governistas (PSDB, PMDB, PTB, Solidariedade, PSB, PTN e PTdoB). Outros têm criticado abertamente o texto. Além disso, o próprio relator já acenou com a possibilidade de alteração em pontos anteriormente não considerados.

O PSB quer discutir a manutenção das regras atuais para a aposentadoria de trabalhadores rurais, a diminuição do tempo de contribuição para a aposentadoria integral e caminhos para combater a sonegação.

O DEM elaborou emenda para suavizar a chamada “regra de transição”. A legenda propõe que a idade mínima de 65 anos para aposentadoria só valha para servidores públicos e trabalhadores em geral que nasceram depois de 1993. O PSDB quer propor mudanças na regra de transição, na aposentadoria rural e no benefício pago para idosos e pessoas com deficiência.

Esse princípio de desarticulação ocorreu durante a ausência do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, por problemas de saúde. Com ampla experiência no universo legislativo, Padilha é hábil negociador, com traquejo necessário para tocar a relação com o Parlamento. Seu retorno é essencial para o bom andamento da reforma, de modo a evitar alterações que comprometam os pilares da proposta. E também para poupar o presidente Michel Temer de assumir a linha de frente nas articulações, com seus eventuais desgastes.

Vencer a etapa da comissão especial sem sobressaltos é fundamental para que o governo chegue fortalecido à fase de plenário. A tendência continua sendo de aprovação da matéria, com ajustes. O maior desafio do governo é que a reforma seja o menos desidratada possível na Câmara e que o texto não sofra alterações no Senado, o que obrigaria seu retorno àquela Casa, reiniciando todo o processo.

Nossa expectativa é que os deputados concluam a votação da reforma até a primeira quinzena de maio. No Senado, sua conclusão é esperada para agosto ou setembro. Para tanto, além de envolver-se pessoalmente nas negociações – o que já está fazendo –, o presidente Michel Temer terá que mobilizar seus ministros para que minimizem as resistências nas próprias bancadas.

Além disso, é preciso melhorar a comunicação. Foi muito ruim a campanha do PMDB em defesa do projeto do governo. “Se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, publicou o partido em suas redes sociais.

PEDAGOGIA DA AGRESSÃO FÍSICA

Tivemos época em que, para punir alunos faltosos, não bastavam palavras. O castigo corporal vinha de forma de palmatória ou até mesmo. Como aconteceu no meu período de escola, ajoelhar no milho. Ficar no canto da sala durante um certo tempo era das punições mais brandas. Com o avanço da psicologia, da Semiótica e da psicanálise, que são relativamente recentes, valorizou-se o uso da palavra.

Os professores e os pais mais esclarecidos repreendem os alunos e filhos faltosos com este instrumento poderoso e insubstituível de comunicação, que é a palavra. Uma frase dita na hora certa pode valer muito mais do que os castigos, que provocam ira, o que é contraproducente no processo educacional. Quem tem paciência para pesquisar sabe disso.

Agora, em Portugal, mais precisamente em Leiria, parece que a escola se fixou na pré-história. Preocupadas com o barulho excessivo das crianças, as professoras passaram a usar fita durex na boca dos bagunceiros. Fez bagunça, não tem conversa: a mestra lacra a boca do infeliz por um certo tempo.

E o que é pior: mandou que as crianças passassem a trazer de casa o rolinho de durex, para punir igualmente os pais, estes vítimas do prejuízo financeiro. Segundo uma coordenadora da escola ( nível pré-escolar, portanto crianças de menos de sete anos) o método foi aperfeiçoado no próprio estabelecimento do ensino.

Depois de algumas reuniões com os seus especialistas, chegou-se à conclusão que tapar a boca é muito melhor do que bater, como se faz em outras escolas do país. Naturalmente, trata-se de uma triste e ultrapassada opção, que provocou a revolta dos pais, hoje protestando energicamente contra a violência.

Há escolas no Brasil que ainda adotam essa forma obscura de educar. Professores que perdem a paciência com os seus alunos e os agridem, violentando o que se entende por processo educacional.

Em minha opinião, trata-se de um caso de polícia, pura e simplesmente.

Quando a escola brasileira era risonha e franca – e não foi há tanto tempo assim – os castigos corporais eram constantes. Ficar de joelhos sobre o milho ou feijão, para expiar alguma culpa, tornou-se comum, ao lado da palmatória. As diretoras à moda antiga dividiam com as professoras esse estranho prazer de agredir alunos rebeldes ou indisciplinados. Não estamos convencidos de que seja essa a melhor forma de educar.

Agora, no entanto, parece que há uma crise na ciência do comportamento nas escolas brasileiras – chegam notícias de uma violência inaudita contra professores em sala de aula ou fora dela, sobretudo as de ensino médio.

A agressão física cedeu espaço ao trabalho de convencimento verbal do educador em relação aos seus alunos. Chegou o momento de compreender que é preciso dar tratamento de choque à nossa educação, não apenas para resolver a violência em sala de aula entre alunos e professores a que fiz referência, mas, de um modo geral, resolver o problema do analfabetismo no país e melhorar as condições de ensino em todos os níveis e modalidades de ensino.

DESARMAMENTO E MASSACRE DA POPULAÇÃO CIVIL

O mundo do crime declarou guerra ao mundo do trabalho. Nós produzimos e eles tomam nosso ganho – o dinheiro do bolso, o automóvel, a carga do caminhão, o gado no pasto. Guerra na cidade e no campo.  Guerra sem dia ou hora de armistício. Não se trava contra o Estado de Direito, que bandido não é doido. Em muitos casos, formam um estado dito paralelo, mas não andam por aí atirando contra quartéis, porque sabem que lá dentro há bala e, de lá, vem bala. Não, eles querem o trabalhador da parada de ônibus, descendo do carro, entrando em casa, saindo do banco. E, não raro, tomam-lhe a vida.

É uma guerra desigual, assimétrica. Enquanto o mundo do crime tem armas, o pessoal do trabalho árduo não dispõe de meios de defesa. Na tese oficial, esse seria encargo prioritário do Estado, mas ele, há muito tempo, jogou no tablado a toalha e a própria vergonha diante de sua impotência. O mesmo Estado, que tornou impeditiva a posse e o porte de armas pelos cidadãos, apresenta-se à sociedade como uma impotente, “mãos amarradas” pelas próprias leis, decisões judiciais, carência de recursos humanos e materiais.  Vendo e ouvindo o Estado, dá vontade de parafrasear João Bosco e cantarolar: “Tá lá o Estado estendido no chão… Em vez de reza uma praga de alguém”. Estatisticamente está comprovado: esse Estado não consegue defender o mundo do trabalho.

Em tais condições, quando um lado está armado e o outro indefeso, toda guerra vira massacre. É como ataque de força armada hostil contra população civil desarmada. Deu para perceber a semelhança com as ações do Estado Islâmico? Temos a mesma coisa aqui, de modo fragmentado, mas tão ou mais letal, com 60 mil homicídios anuais e um número várias vezes milionário de “expropriações” ou butins levados a cabo, todo ano, pelas forças vitoriosas do mundo do crime.

Se você reclamar, se cobrar o direito ao uso e porte de armas,  imediatamente se insurgirão as falanges opiniáticas da esquerda, acusando-o de ser um sanguinário irresponsável, militante pró bancada da bala, uma espécie de Comando Vermelho com sinal trocado. O massacre das vítimas, a impossibilidade prática de promoverem a própria defesa, deveria ser objeto de escândalo como escandalizam as ações do ISIS. Mas aqui é o Brasil e estamos habituados aos necrológios da sociedade nas páginas policiais.

Como escrevi outro dia, ao direito natural da pessoa humana à própria vida corresponde o direito de defendê-la. A proibição do Estado retira-lhe a efetividade, mas por ser ele natural, ele está ali, inerente à condição humana. É direito recusado, mas persiste sendo da pessoa. Se a legislação me permitisse ter e portar armas, eu até poderia, livremente, renunciar a isso.  Mas não digo o mesmo do dever de proteger a vida dos meus familiares! Eu, ao menos, não sinto que possa dele abrir mão. É um dever moral, que considero inerente à condição de homem de família, com mulher e filhos sob seu zelo.

Por isso, em nome disso, mais e mais persistente deve ser o clamor nacional por um novo estatuto sobre a matéria. Danem-se as carpideiras de bandidos, os adversários de toda repressão sobre as práticas criminosas e as atitudes suspeitas, os sócios do clube da maconha e otras cositas mas; danem-se  os eternos fiscais da polícia, os censores das opiniões alheias, os esquerdinhas militantes de todas as causas erradas. Quem assina este artigo é pacífico mas não é pacifista, não está a soldo de nenhuma indústria de arma, não é homicida em potencial e está indignado, sim, com o que fizeram do Brasil.

N.A. – No próximo domingo, dia 19/03, às 15 horas, no Parcão, em Porto Alegre, ato pelo Direito de Defesa.

VIDA APÓS A VIDA!

A Faculdade de Medicina da UFMG está promovendo campanha para a doação de corpos – e não apenas de órgãos – após a morte.

O lema não podia falar melhor a nossos corações: “Eu posso fazer mais pela vida, mesmo após a morte”, acompanhada do lindo texto de Karel Robitansky (1876) dirigido “Ao cadáver, respeito e agradecimento: … o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir à humanidade…”.

Há um mês, meu marido e eu nos inscrevemos e estamos providenciando cópias dos documentos para nossos familiares, médicos e advogado. Sentimos, com Carlos Drummond de Andrade, “Sentimento do mundo”. Ou até mais que isso, sentimos que fazemos parte, pequena parte, da imensa corrente de seres humanos que começou lá atrás, há anos, e poderá prosseguir, se os humanos tomarem juízo…

No momento em que fomos recebidos pelos pesquisadores responsáveis, Humberto José Alves (professor adjunto do Departamento de Anatomia e Imagem e atualmente vice-diretor da faculdade) e Gabriela Zamunaro Lopes Ruiz (acadêmica do curso de medicina), obtivemos todas as informações sobre o procedimento seguido e estávamos acompanhados de mais três senhoras: sempre que possível, eles preferem fazer a preleção em grupo, o que estimula ainda mais a pessoa doadora por se sentir fazendo parte de um coletivo voltado para o bem-estar da humanidade no futuro. Gabriela está também coletando dados para que, um dia, possam ser divulgados os perfis dos doadores e, assim, seja possível realizar pesquisas de alta valia na sociologia e outros ramos do conhecimento.

Ficamos por eles sabendo que, apesar de já existirem manequins e elementos de alta tecnologia disponíveis para a formação do aluno, nada supera o contato direto com o cadáver, que serve para familiarizar os futuros médicos com um elemento indissociável de sua profissão, ou seja, a morte.

Qualquer pessoa maior de 18 anos pode doar; menores de 18 anos com o consentimento da família; e após a morte se houver decisão da família. A doação do corpo não impede a retirada prévia de órgão que possa ser imediatamente transplantado.

O procedimento para a doação é muito simples: agendar uma entrevista por telefone (31) 3409-9632 ou pessoalmente procurar a diretoria da faculdade, na avenida Alfredo Balena, 190, bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte (MG). Não há gasto algum, exceto o deslocamento da pessoa para lá, onde receberá a atenção (e que atenção!), a papelada toda, inclusive a carteirinha que você terá de trazer consigo sempre, daí para a frente. Só não será possível a doação se a causa da morte for criminosa.

Já comuniquei a meus três filhos e espero que todos concordem com minha última vontade. Proibido mesmo é querer velar meu corpo no plenário da Assembleia Legislativa ou da Câmara dos Deputados.

Quero que meu corpo, tão estragado por mim mesma, possa ajudar outras gerações a não seguir meus maus hábitos e que respeitem mais o planeta Terra e a vida. Quem quiser rezar, orar ou pedir a seu Deus por mim, que o faça no segredo de seu coração. Assim, estarei com todos, tenho certeza.