A VIDA SE RESUME À SEXTA-FEIRA

A ansiedade das pessoas pela chegada da sexta-feira transforma os demais dias, exceto os sábados e uma parte do domingo, em um tormento.

Nas redes sociais, a segunda é o dia mais odiado, com pessoas reclamando da vida e sentindo-se cansada, aborrecida ou triste. Na terça e quarta, sobram reclamações sobre o trabalho, a quinta já é de euforia e a sexta é como um gol no final da partida de futebol.

No meio da semana, os amigos da cachaça começam a combinar como vai ser o happy-hour da quinta e nesse encontro, tomando todas, combinam o programa da sexta, que começa ao meio-dia e só termina quando o corpo e a mente não aguentam mais.

Ainda há uma outra programação no sábado: o futebol com os amigos, quando a pelada já não ocorreu no meio da semana. Depois da correria, cerveja e churrasco, que ninguém é de ferro.

Quando sobra algum tempo, algum pai menos desalmado leva o filho a um parque, ao shopping, ao cinema ou ao teatro, sendo o sujeito de classe média para cima, porque nos lugares mais pobres as crianças, quando têm pai, ficam aguentando as farras de fim de semana.

Geralmente, as farras descambam para brigas domésticas, que representam 40% de todas as ocorrências registradas em delegacias. Pelo conteúdo dos registros, o diálogo entre os casais é 99% à base de ofensas pessoais.

Dia desses, um indivíduo foi preso no Paranoá por ter bebido muito e chamado a mulher de “afolosada”. Inquirido pelo delegado sobre o motivo que o levara a dispensar aquele tratamento ofensivo à companheira, ele simplesmente justificou:

– Quem mandou ela me chamar de bebo?

Miguel Lucena é delagado da Polícia Civil e jornalista.

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