Cada cabeça, uma sentença

Por Maria Helena Rubinato

Não fiquei revoltada com a prisão domiciliar de Adriana Ancelmo. Fiquei foi muito revoltada e chocada ao constatar que eles ainda têm o imenso e luxuoso apartamento no Leblon. Deduzo que ainda tenham outros imóveis. E como não tenho notícias das joias e da coleção de diamantes, imagino que ainda pertençam ao casal Adriana/Sergio Cabral.

Discordo, enfaticamente, dos que abraçam a ideia que o que valeu para Adriana Ancelmo – a prisão domiciliar – tenha que valer para todas as mães presas em nosso país, que isso, sim, seria Justiça.

Para mim, essa decisão depende do crime cometido. Assassinas não teriam jamais direito a esse benefício. Quem mata não pode conviver em sociedade, tem mesmo é que servir toda a pena a que foi condenado em regime fechado.

Não pensem, nem por um minuto, por favor, que eu não sei quantas vidas foram abatidas pela corrupção. Quem mora no Rio, e vê sua cidade ter sido devastada pelo roubo, sabe o quanto é violenta a corrupção.

Mas são mortes, ainda que com o mesmo efeito, a cessação da vida, diferentes.

Tenho, entretanto, uma pergunta que ainda não vi ser respondida. Segundo a Força-Tarefa da Lava Jato, Cabral e sua mulher roubaram mais de 270 milhões de reais – quer dizer, isso é o que foi encontrado (mas ao que tudo indica, o teto não é esse… Suspeita-se de um total de 340 milhões).

Onde está esse dinheiro? Quem administra a fortuna bilionária amealhada pelo casal às nossas custas?

Como eles sustentam o imóvel no Leblon? (E os outros que porventura ainda tenham?). Quem paga o condomínio, o IPTU, a manutenção que toda casa habitada acaba por precisar, a luz, o gás, o salário dos empregados?

A vida da mãe e dos filhos nesse apartamento luxuoso não será um mar de rosas, por mais que eles se amem e que ela seja uma mãe dedicada. Proibir os meninos de terem acesso à Internet e aos celulares é brutal e eles não merecem essa punição – vai prejudicar sua vida escolar, a troca de ideias com os amigos, a conversa com os avós, uma palavrinha com o pai que, embora, criminoso, é o pai deles. Há de haver outra maneira de impedir a advogada Adriana Ancelmo de continuar a delinquir sem punir seus filhos.

Estou convicta que o maior castigo para os corruptos seria obrigá-los a devolver tudo que roubaram e não permitir, jamais, que voltem a ocupar cargos públicos. De que nos adianta ter essa gente na cadeia? Queremos que eles paguem pelo que fizeram com o país ou queremos nos vingar?

Justiça ou vingança?

Nem sempre o Leblon é o paraíso (Foto: Arquivo Google)Nem sempre o Leblon é o paraíso (Foto: Arquivo Google)

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