A extensão do dano

JOÃO CARLOS DA SILVA

O ocorrido trágico em Brumadinho repetiu a cena de Mariana. São cidades de Minas Gerais, um estado rico em minérios e também no segmento do turismo. A Vale não levou em conta vidas humanas e meio ambiente. Sabedora que o problema poderia ser eminente , resolveu desconhecer a causa para dar leva a lucratividade. Eis que deparamos com uma tristeza imensa pela perda de vidas humanas inocentes . Pessoas que nem sabiam o que se passava. Dor e lamentação. Profunda indignação nacional. Essa tragédia não vai ficar só nisso não. Minas Gerais é reconhecida por ser histórica na sua geografia e explora o turismo com responsabilidade a moda mineira. A devastação na natureza guiou o dano para os rios. São centenas e centenas de espécies de peixes na mortalidade. Diminuem  assim a perspectiva do turista de programar suas pescarias e passear pelas belas ro tas mineiras como a Estrada Real. Um prejuízo enorme para a economia das cidades que a Vale não levou em conta. Vai demorar anos para que o meio ambiente volte para o que era. Anos. A pousada engolida pela pela lama em Brumadinho era um exemplo disso. Cidades de pequeno porte no Brasil em estados de destino turístico ocupam essa logística . Economia circulante diária. Não se sabe a extensão desse acidente até agora . Quais rios são atingidos. Quais cidades vão ter que ter o sinal de alerta ligado. O reconhecido instituto de estudos ambientais com sede em Conceição do Mato Dentro-MG , o Espinhaço, através de seu presidente ambientalista  Luiz Oliveira, está realizando na cidade de Bonito-MS um profundo estudo nos principais rios daquela cidade mundialmente reconhecida como a capital do ecoturismo e que apresenta sérios problemas ao longo dos anos prejudicando o meio ambiente sensivelmente. O mesmo ambientalista já detectou que várias cidades mineiras já apresentavam dificuldades desde o acidente em Mariana. Com o ocorrido em Brumadinho, ele já não sabe o que será daqui para frente caso autoridades não tenham mão firme. A importância dos rios no Brasil é um assunto que virou moda nos últimos anos. Muitos estão em processo lento de assoreamento levando pânico para os que vivem dos pescados para sobrevivência financeira. Em Brasilia na Fazenda Sanga Puita onde está a Escola Superior do Agronegócio Internacional o Espinhaço faz projeto ambiental e 36 mil mudas estão sendo plantadas para a plena conservação do lugar. Consciência ao meio ambiente e respeito nas causas. Custava os tecnocratas da Vale observarem isso? Evidente que não. A economia não é só focada na extra ção de minérios . Nesses lugares está enraizada a atividade turística cada vez mais acentuada. Economia circulante. São cenas como essas que entristecem o Brasil, corroendo cada vez mais com esperanças populares. O desaguar das águas dos rios vai acabar levando os rejeitos sabe-se lá até onde. A vida humana parece que não vale nada para a Vale. Aconteceu outra vez e vai ficar por isso mesmo? Os sonhos de Brumadinho viraram lama assim como os de Mariana. O governo agiu com rapidez e não deixou prescrever o crime ambiental e pessoal. Os rejeitos que uma barragem entoou no rio Paraopeba terão reflexos imensos daqui por diante. A solidariedade do brasileiro não virou lama. A da Vale assoreou.

João Carlos da Silva é articulista e consultor.

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