Como a simplória ida de Sérgio Moro ao Congresso em 2004 mudou a história do Brasil…

Chamaram-me a atenção repercussões críticas de que o pacote anti-crime de Sérgio Moro foi muito comedido. Pessoalmente, concordo. POR MIM, pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados seriam realidade; e, com toda certeza, em alguns meses fariam os índices de criminalidade tender a zero. Repito: POR MIM. Mas numa democracia a coisa é diferente – especialmente numa democracia jovem e cambaleante como a nossa, ainda muito distante da maturidade necessária para executar medidas as mais eficientes e justas.

Enquanto a maturidade não chega, temos de nos lembrar sempre que “a política é a arte do possível”. Sérgio Moro é mestre nessa arte. E é por isso que confio no seu pacote e nos seus próximos passos.

O entendimento geral é de que Moro surgiu com a Lava Jato e deve sua notoriedade à atuação nos processos ligados à operação que mudou a História do Brasil. Nada mais equivocado.

Percebendo, porém, que as investigações do Mensalão não dariam em nada, o então juiz Moro foi ao Congresso sugerir mudanças nos regramentos da lavagem de dinheiro e da delação premiada. As alterações garantiriam todo o sucesso das ações da Lava Jato.

Em 2013, a PF pegou Youssef de novo. E o resto (prisões de poderosos, queda de presidente, derretimento de um partido e o fim do maior esquema de corrupção jamais visto) é história.

O destino de uma nação mudou graças a ações aparentemente comedidas e simplórias, como a prisão de um punhado de doleiros e alterações em dois dispositivos legais.

Dentro da arte do possível, Moro mudou a História. É por isso que seu aparentemente comedido pacote Anticrime merece nossa confiança.

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