JOSÉ MAURÍCIO DE BARCELLOS A imprensa farsante

Todo poder emana do povo e este pode inclusive exercê-lo diretamente. A partir deste básico princípio constitucional nossa gente está reconstruindo os três poderes da República: o executivo, o legislativo e o judiciário, mas não é o suficiente. Há um quarto poder por assim dizer, talvez tão forte, tão influente e imprescindível a uma verdadeira democracia que está a merecer uma profilaxia geral e irrestrita, para que possa ser exercido por seus profissionais e através de seus veículos – meros concessionários do Estado – com liberdade, com isenção, com seriedade e patriotismo, em prol do povo brasileiro. Falo da imprensa.

Nada indigna mais qualquer cidadão honrado deste País do que quando ele avalia o quanto a imprensa tradicional, escrita, falada e televisada solertemente contribuiu, nos últimos 30 anos de governos civis, para que esta Nação fosse vilipendiada, roubada e humilhada perante o Mundo. Quando se pensa no quanto, por pura ganância, muita má-fé e total falta de amor à Pátria, os Conglomerados da Comunicação protegeram e incentivaram as quadrilhas de Sarney a Temer a roubar e a malversar a coisa pública, tenho certeza de que a vontade que se tem é de definitivamente prender e execrar todos os responsáveis diretos e indiretos. Por que não? Porque esses profissionais da imprensa e seus patrões que, em face de clara e inequívoca omissão dolosa foram, sem dúvida, coautores dos maiores crimes praticados contra o povo do Brasil, têm que desfrutar de uma aura de imunidade ou de uma redoma inexpugnável que os isenta de qualquer parcela de culpa, por menor que seja?

É incalculável o alcance dos muitos e diferenciados tentáculos da imprensa profissional que transpassam e atravessam os mais recônditos cantos da sociedade e os mais bem protegidos bunkers da vida nacional. Há muito que se sabe do descomunal poder de investigar, de tramar, de induzir, de distorcer ou de corromper dos Barões e de suas terríveis máquinas da Comunicação. Então, com toda licença, digo que não há justificativa alguma que explique o silêncio de toda a grande imprensa em relação aos crimes que desgraçaram nossa gente e fizeram mais de 25 milhões de desvalidos. Por onde andava a legião de repórteres e profissionais de investigações, os famosos “perseguintes” que nada de sólido e objetivo trouxeram a lume? Quando se viu outrora uma só campanha midiática de âmbito nacional, estrondosa e fantástica, como se vê nos tempos de agora contra o atual governo e desde antes de empossado? Qual a posição das zelosas corporações ou associações de profissionais da imprensa sobre este fato inconteste, isto é, sobre este injustificável silêncio que perdurou por décadas a fio? Nunca ouvi se queixarem de nada em favor do homem comum.

Pensemos um pouco. Alguém acha ou tem a desfaçatez de afirmar que antes da Operação Lava Jato nunca houve corrupção neste País? Acha, também, que toda a classe política abjeta e execrável só foi descoberta e apontada por Sérgio Moro e sua equipe? Acha ainda que os poderosos veículos de comunicação e as gordas ratazanas e cevadas fuinhas da grande imprensa nunca souberam mesmo de nada em relação à Sarney e sua corja de assaltantes do Maranhão; em relação à Collor e seus ladrões de casaca; em relação à FHC e seus larápios fingidores; em relação ao “Ogro Encarcerado” e à “Anta Guerrilheira” e sua horda de rapineiros vermelhos e, por fim, no que tange ao grande  “Corrupto dos Porões do Jaburu” e seu bem montado bando de assaltantes. É nisto que se quer que acreditemos?

Então ponderem comigo. Será que alguém duvida que se o audacioso e destemido ladrão Roberto Jefferson não tivesse colocado a boca no trombone para não ficar sozinho no cadafalso; que se não existissem a Rede Mundial de Computadores e as Redes Sociais; que se os “Intocáveis de Curitiba” não tivessem socorrido esta Terra de Santa Cruz; que se continuássemos à mercê da imprensa como a conhecemos atualmente, então todos nós não estaríamos até hoje sendo roubados e vilipendiados de muitas maneiras, no executivo, no legislativo e no judiciário?

Quando me valho de tal argumento relativo à insofismável conivência da imprensa, mormente da extrema imprensa, com os crimes praticados contra a Nação Verde e Amarela, surge logo um “vermelhinho enrustido” para argumentar sorrindo que a “Rede Goebells”, por exemplo, hoje é odiada pela esquerda e pela direita, induzindo que se conclua por sua imparcialidade. O imbecil não alcança. O problema dos nocivos Conglomerados não é nem nunca foi ideológico é meramente financeiro e seu propósito maior não é ser um dos pilares da democracia, mas tão somente manter suas mãos imundas nos cofres públicos. E ai de quem ficar na sua frente.

Quando se vê uma grande campanha midiática nacional tal como esta que estamos presenciando que promove uma política inexpressiva e morta em razão da guerra entre facções criminosas ou relativa à propagação de um ódio doido contra Donald Trump, logo se deve perguntar o que o Conglomerado quer ganhar com as próximas eleições ou o quanto dos seus interesses foram contrariados pelo governante estrangeiro?

Outro exemplo. Quando o “Sistema Goebells” de jornal, rádio e televisão desenvolveu uma grande campanha midiática até ver o condenado Lula no xilindró, nunca foi em defesa e por apreço ao País ou ao seu povo, foi isto sim com a intenção de pavimentar um caminho seguro para e eleição de outro corrupto tal como o “Ogro Encarcerado” que manteria seu acesso às verbas governamentais, garantindo seus privilégios, isenções e benesses. Por certo que os Barões do tal Conglomerado – concluindo que a Lava Jato derrotou para sempre o petista – fecharam não com um, mas com vários adversários do Capitão, menos com ele que, de pronto, avisou que nunca negociaria com bandido. Também jamais podiam supor ou sequer de longe imaginar em razão das difíceis circunstâncias que cercaram a candidatura Bolsonaro que este se elegeria, contra tudo e contra todos.

Engoliram o líder e ainda tiveram que suportar que seus quase 60 milhões de seguidores esfregassem na cara daqueles poderosos, de seus acólitos e serviçais, sua condição de “Mito”, que a voz da rua proclamou. Aí foi demais, surtaram de vez. Imagino que a “Espinha Bolsonaro” esteja encravada na garganta daquela gente e é justo por causa disto que, não podendo impedir sua posse, estão dispostos a usar contra ele tudo que disser ou que fizer daqui por diante. É esta a razão de fato desta guerra covarde, surda e suja que desenvolvem contra Bolsonaro, bem como contra toda sua família e seu governo. Nada mais. É por isso que gritam feito loucos tentando esconder toda sua perfídia e vilania por de trás do amplo direito de expressão e da inarredável liberdade de imprensa. Que liberdade de imprensa é esta de que somente os poderosos podem desfrutar?

A rigor não há nenhuma liberdade de imprensa no Brasil. Não há mesmo, porque a liberdade não pode conviver com a falta de independência e a desigualdade de oportunidade, nem se compadece com o desmando e com a corrupção. A sobrevivência da grande imprensa no Brasil depende do quanto os políticos suprem suas algibeiras com dinheiro público, garantindo vantagens e benesses perenes para alguns poucos privilegiados que dominam o mercado midiático de norte a sul do País, em troca de irrestrito apoio e proteção.

Pois então que me escute bem uma “Emponderada Mandarim” do desacreditado STF: ao contrário do que ela pavoneou durante um recente julgamento bem reverberado na mídia capciosa, o “cala boca não morreu” continua vivo e muito esperto neste País de faz de conta porque a boca do povão não tem voz nas páginas, nas telas e nos rádios da imprensa dominante que tudo faz para manter incólume o mundo da fantasia em que vivem a doutora e os nababos da máquina governamental.

Pois que me escutem também as associações de profissionais e de veículos de imprensa sempre chamados (ou comprados) juntamente com as OAB’s da vida para defender seus asseclas e deformadores de opinião por mais vendidos e facciosos que sejam. O tal conceito de imprensa livre que se quer enfiar goela abaixo deste povo só existe em nossa sociedade para preservar ricas empresas estruturadas em favor da comercialização da notícia e da perpetuação do embuste ou da fraude, tudo enquanto não colide com os interesses dos Barões da Comunicação. O mais é conversa fiada. O povão bem sabe disto.

Dei-me ao trabalho de conferir as notícias e as matérias veiculadas em dias diferentes por dois conhecidos jornalões que dizem fazer parte da mídia crítica. Em um total de algumas dezenas de matérias, notas e informações publicadas, todas sem exceção detratavam o Capitão, sua família ou ridicularizavam ferozmente sua equipe de governo e o que é pior, tudo visava na essência martelar a saciedade uma mentira infame, qual seja: Bolsonaro é tosco, despreparado, embusteiro e por conta disto em breve deverá ser “empichado” como foi a Dilma, tal qual expressamente explicou e argumentou insistentemente por mais de duas laudas de um artigo recente, um vendido que se assina “Fulano Sólama”, assim mencionado para não se promover aqui o pilantra da mídia vermelha.

“Simbora” combater, como diria o saudoso Simonal! O Brasil precisa de nós e o Capitão não pode ficar sozinho nesta guerra perversa que a imprensa inimiga trava contra ele. Temos muitos meios para fazer, tal como faço aqui nesta independente e corajosa Tribuna ou através das redes sociais, que estão à nossa disposição.

Assim como já estamos consertando o executivo; como igualmente expurgamos o legislativo e por certo que livraremos o judiciário dos maus juízes, também podemos libertar a imprensa brasileira das mãos dos donos do pedaço porque o poder que detêm e desfrutam só ao povo pertence. Com toda certeza que não faremos isto da forma que propuseram o bandidaço Zé Dirceu com seu quadrilheiro Franklin Martins e o próprio “Bandoleiro do ABC Paulista”, controlando e amordaçando tudo, mas simplesmente desmontando em definitivo os cartéis da comunicação e taxando fortemente qualquer tentativa de oligopólio ou truste da mídia nacional, pluralizando assim ao máximo os veículos de comunicação pelo País afora e cortando dos odiosos Conglomerados o recebimento de verbas públicas, como ocorre em qualquer Nação livre e civilizada.

Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.

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