CÉSAR SOUZA Reformas no governo, claro que sim! E as reformas no quintal da sua empresa?

Em quase todos os eventos empresariais que participo – solenidades, almoços, celebrações e até mesmo festas e jantares informais – tornou-se lugar comum ouvir líderes empresariais discorrendo sobre as necessárias reformas que o governo precisa promover. Mas, nesse tipo de debate, também enumero algumas atitudes que precisam ser mudadas porque reforma no papel sem mudança de atitudes tem pouco efeito prático. Até aí, todos concordam.

O desconforto vem quando, como bom baiano, adiciono um pouco de tempero nas conversas. De forma “despretensiosa”, sempre pergunto quais as reformas que os empresários estão promovendo nas suas empresas. E destaco logo que renegociar dívidas e monetizar ativos para atenuar o endividamento e escapar da temida RJ – a Recuperação Judicial -, são iniciativas fundamentais para manter a saúde da empresa, mas não chamaria isso de reforma e, sim, de luta pela sobrevivência.

Reformas para valer são aquelas que contribuem para mudar o modelo mental e o modus operandi das empresas, tornando-as mais sustentáveis no tempo e melhorando seu nível de competitividade no novo cenário que enfrentamos. Enumero algumas reformas que proponho que as empresas façam se desejam garantir um lugar no futuro: na relação com os clientes; no modelo de liderança; na cultura do desperdício; no modelo de governança; e no sistema de gestão. Poderia fazer uma lista bem mais longa. Mas me contentarei em chamar a atenção para “apenas” três dessas reformas por serem bem práticas e mais facilmente compreensíveis.

REFORMA NO MODELO DE LIDERANÇA. A maioria ainda trata pessoas de forma analógica, com ideias ultrapassadas sobre motivação, liderança e engajamento, sem permitir que usem seu potencial para inovar nem contribuir com soluções diferenciadas para os desafios da empresa.

Não adianta apenas uma Reforma Trabalhista sem uma nova forma de pensar e novas práticas sobre o patrimônio humano nas empresas. A Legislação está obsoleta, mas os princípios de liderança idem. O básico dos básicos – a necessidade de formar sucessores em todos os níveis, ainda esbarra no medo da sombra e em crenças que precisam ser sepultadas. Temos dificuldades em liderar os mais jovens e estamos descartando os experientes sem entender que sabedoria não se aposenta. Não sabemos admitir, nem demitir. Líderes terceirizam sua missão mais nobre: formar e desenvolver talentos e sucessores. Temos enorme dificuldade em integrar pessoas, áreas e parceiros. A maioria das empresas vive um verdadeiro “apagão de liderança” .

REFORMA NA RELAÇÃO COM CLIENTES. As empresas não estão falando a mesma linguagem dos clientes, não conseguem oferecer o que o cliente valoriza e, na linha de frente, estão perdendo clientes devido ao atendimento inadequado. Foi o que apontou uma recente pesquisa realizada pelo Grupo Empreenda para aferir o grau de Clientividade® das empresas brasileiras – ou seja, o quanto as empresas estão voltadas para os clientes: 66% dos respondentes deram notas de 3 a 6, em uma escala de 1 a 10; 74% disseram não acreditar quando as empresas dizem “Temos foco nos clientes”. Promover uma transformação digital  para melhorar a experiência do cliente na ponta, na hora da verdade, seria uma “reforma cultural” e tanto.

REFORMA NA CULTURA DO DESPERDÍCIO. Temos um binômio perverso como um País de alto custo, mas de baixa produtividade. Desperdiçamos muito em casa, no bairro, na empresa. Deixamos escorregar pelas mãos mais de 20% do que suamos para ganhar, devido a hábitos perniciosos de desperdício. Não sabemos zelar pela eficiência. Redução de custos não deve ser vista como sinônimo de cortar pessoas. Trata-se de um modelo mental, de um valor, um pilar na cultura de uma empresa, um modus operandi. Um estilo de vida.

Hora de trabalhar duro! Sugiro que, além de continuar falando para influenciar as grandes reformas, os líderes empresariais façam logo e rápido as reformas dentro do seu quintal. Só assim poderão desfrutar do novo ciclo de crescimento da economia quando as sementes do que está sendo plantado começarem a frutificar.

* César Souza, fundador e presidente do Grupo Empreenda, consultor, palestrante e autor do best-seller “Clientividade: Como Oferecer o que o seu Cliente Valoriza” e do recém-lançado “Seja o Líder que o Momento Exige”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *