MAURO AIELLO O cristão e a política na parábola do herege bom

A Parábola do Bom Samaritano, como muitos se referem ao episódio no qual um Samaritano presta socorro a um homem (possivelmente um judeu) assaltado, agredido e deixado semi morto à beira do caminho entre Jerusalém e Jericó, nos ensina a lição de que o nosso próximo é qualquer um que precisando do nosso socorro nós o ajudamos, mesmo que ele seja considerado um inimigo, assim como eram incompatibilizados judeus e samaritanos.

Nessa ilustração contada por Jesus, era de se esperar que tanto o Sacerdote quanto o Levita, religiosos, que passavam pelo mesmo caminho, fizessem alguma coisa, mas eles não fizeram nada; passaram o mais longe possível do homem ferido.

Talvez eles estivessem preocupados com o fato de que se tocassem naquele homem, e porventura ele estivesse morto, eles não poderiam usufruir das benesses do Sacerdócio e do Leviterato o que implicaria em sete dias de purificação. Aqui temos a ética da religião, a preocupação com o próprio bem estar, impedindo que o amor se revelasse em uma atitude de misericórdia.

Hoje vemos o mesmo. Alguns que se afirmam religiosos (claro alguns “protestantes” partidários de uma ideologia de esquerda) vociferam contra outros cristãos dizendo que não deveriam apoiar a candidatura do atual Presidente. Afirmam que os evangélicos não deveriam apoiar o Sr. Bolsonaro. Mas então cabe a mim perguntar a eles: Vocês queriam que deixássemos um homem (país) morrer? Queriam que passássemos de longe e seguíssemos o nosso caminho sem fazer absolutamente nada enquanto a nação sangrasse até expirar vitimada por assaltantes e bandidos? Queriam que fizéssemos vistas grossas? E ainda mais com aquela conversa fiada de que política não é coisa de crente?

Na Parábola que Jesus contou ele introduziu um Samaritano logo depois de um Sacerdote e de um Levita. Ora, o intérprete da lei para quem Jesus conta essa ilustração no afã de responder à pergunta – Quem é o meu próximo? – imaginava que Jesus introduzisse um fariseu ou outro religioso judeu depois do Sacerdote e do Levita, jamais um “herege”, um Samaritano. Mas, como vimos, Jesus o surpreendeu quebrando todos os protocolos, preconceitos e tabus.

Ninguém esperava que o atual Presidente fosse eleito. Outro candidato tinha milhões e milhões à disposição porque seu partido ao longo do tempo em que ficou no poder acumulou uma enorme fortuna denunciada até pelo próprio Ministro do STF, Gilmar Mendes, e ainda mais contava com a simpatia de uma grande parte importante da imprensa. E foi uma vitória apertada!

Eu, não tenho muita certeza de que o atual governo será um grande governo. Não porque não confie em sua honestidade, mas principalmente pela dura e desonesta oposição daqueles que durante 14 anos, a despeito de se esperar que fizessem alguma coisa em favor dos pobres, porque faziam discursos inflamados nessa direção, agiram exatamente como o Sacerdote e o Levita. Asim como o Sacerdote e o Levita eles cuidaram dos seus próprios interesses. Durante quatorze anos passaram de largo, não deram a mínima importância à miséria do outro.

A esperança do brasileiro está nas mãos do atual Presidente e sua equipe. Talvez ele seja considerado um herege como era o Samaritano no conceito dos judeus. Talvez ele seja um inábil como dizem e até um debochado. Com certeza ele é bem mais culto do que Lula e Dilma. Todavia, se ele fizer algo que diminua a dor de um país que foi assaltado, vilipendiado, roubado, escarnecido e quase que totalmente destruído, terá sido um ato de misericórdia.

Votei nele com base nessa esperança. E muitos protestantes agiram por esse mesmo motivo. ESPERANÇA. Se a minha esperança for contemplada ficarei imensamente feliz. É preciso saber que entre a certeza da inércia e letalidade de religiosos como o Sacerdote e o Levita (governos petistas) e a esperança de socorro e misericórdia de um “herege”, fico com a segunda hipótese.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *