Greenwald: o jornalismo em foco

Mauro Sergio Aielo

Como líder tenho aprendido alguns princípios que são de muita valia nos embates naturais da vida. O primeiro deles é esse: Para teus verdadeiros amigos, qualquer coisa indecente que atribuam a você, será recebida com desconfiança e certo descrédito. Para teus inimigos, qualquer coisa indecente que atribuam a você, será aceito como uma verdade insofismável e até um axioma.

O segundo é: Teus verdadeiros amigos te amam, te respeitam e te suportam apesar dos seus defeitos. Teus inimigos irão te odiar sempre e querer te destruir, apesar de tuas virtudes.

Tenho acompanhado essa questão envolvendo o tal jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept e a ação de um hacker que invadiu as conversas de Deltan Dallagnol e Sergio Moro ambos diretamente envolvidos com a internacionalmente conhecida Operação Lava Jato. Esse tal jornalista está divulgando trechos de “conversas” entre o Juiz e os que investigavam o mar de corrupção a que um certo grupo de políticos e empresários se entregaram avidamente e enriquecerem às custas do erário.

A corrupção no âmbito da política, como já escrevi anteriormente, era, e é, como o cupim que come a madeira deixando a superfície intacta com apenas um furo por onde ele entrou na madeira e assim passa a falsa impressão de que tudo está bem.

Esse episódio envolvendo o tal site The Intercept é tão cheio de fumaça (Janaina Paschoal chamou de espuma) e poeira, tão eivado de sensacionalismo, que não dá para entender a contento o que realmente está acontecendo e nem definir ao certo qual ou quais as intenções do The Intercept e de Glenm Greenwald.

É um emaranhado e uma mistura de verdades com mentiras, que causa espanto e terror.

Procurei ler e ouvir todos os lados possíveis dessa questão. Ela tem polarizado o país. Sinto o Brasil como um paciente que geme, sente dores artroses. As pessoas estão tristes, inseguras, cheias de revolta. Há um sentimento de orfandade, pelo menos em meu coração, e nós que já andávamos desencantados com o Superior Tribunal Federal agora damos de cara com a divulgação desse lixo jornalístico que esse tal Glenn Greenwald vem divulgando de forma paulatina e gradativa com a aparente intenção que é se manter na crista da onda dos noticiários e destruir a reputação daquele sobre o qual os brasileiros, quando pensamos em justiça, depositavam, ou ainda depositam sua confiança – o Juiz Sérgio Moro. Ontem, dia 19.06.2019, o então Juiz, agora Ministro, ficou oito horas respondendo a questionamentos de Senadores da Comissão de Justiça do Senado.

Como já disse em meus muitos escritos, não tenho formação no Direito e agora, para propósito do que escrevo, informo que não sou formado em Jornalismo. Sou Pedagogo, Teólogo e Filósofo, ou, melhor dizendo, tenho essas formações em terceiro grau nessas áreas. Eu escrevo com base naquilo que julgo ser bom senso. Escrevo sem nenhuma convicção técnica. Faço isso como cidadão comum.

Gostaria, portanto, de fazer as seguintes considerações sobre as tais “revelações publicadas pelo The Intercept”.

Na realidade são questionamentos. Primeiro eu gostaria de saber qual é a motivação desse tal de Glenn Greenwald? Ao que se presta tais revelações? Visam fazer a verdade prevalecer? É isso? Mas se a questão é fazer a verdade prevalecer porque o The Intercept não contratou um cracker para invadir a conta da Dilma, do Lula, do José Dirceu, do Palossi, do Jean Wyllys com sua estranha saída do Brasil sob a alegação de que estaria sendo ameaçado de morte, de Renan Calheiros, de Gilmar Mendes, Toffoli, etc…etc…etc…Vamos e convenhamos….no Brasil o que não falta é gente para ter conversa interceptada. Assim repito o questionamento: Por que crackear as conversas do Procurador e do Juiz da Lava Jato? Que interesse havia por detrás dessa ação? Não há outras coisas mais importantes para se fazer na vida do que crackear conversas de autoridades? Isso é legal do ponto de vista da legislação? Quantas autoridades ele hackeou? Se só hackeou o Juiz e o Procurador e outros Juízes e Procuradores coincidentemente todos vinculados à Lava Jato; o que ele objetivava na época: Vulnerabilizar a Operação Lava Jato? Encontrar desvios de conduta e fragilizar os que investigavam e procuravam provas sobre os acusados? E porque na época não agiu? Quem financiou esse trabalho que não deve ter custado barato?

Hoje, dia 18.06.2019 eu ouvi a entrevista de Glenn Greenwald na  Rádio Bandeirantes e ele disse que seu interesse é jornalístico. Mas então aí as perguntas começam a ficar mais difíceis de serem degustadas.

Agora jornalista tem salvo conduto para cometer o crime de invadir conta de Telegram, crakear contas de autoridades? Jornalista tem carta de alforria para jogar no ventilador essas “conversas” ao torna-las públicas colocando em risco a própria segurança nacional? Aliás, mais grave: teria esse tipo de jornalismo algum valor ao fazer o sensacionalismo e ao mesmo tempo proferir juízo de valor sobre o que conteúdo das “conversas” hackeadas? Esse tipo de conduta a conta-gotas, mas parece um tipo de pressão, de ameaça. Isso é jornalismo? É isso que se aprende nas Faculdades de Jornalismo? O jornalista é um ser especial, inimputável que pode se valer de qualquer recurso ou meio para alcançar seus objetivos?

Interessante foi ouvi-lo dizer que fez isso pensando na democracia. O que é que ele entende por democracia? Ao que nos parece ele deve pensar que em uma democracia o pragmatismo deve ser absoluto, ou seja, não importa os meios e sim os fins. Por isso ele acha muito natural hackear conversas telefônicas de autoridades e tornar o seu suposto teor, públicas.

Na democracia vale tudo? Mas em um Estado Democrático de Direito o sigilo e a privacidade são garantidos pela lei. Veja bem: Torturar uma pessoa para arrancar dela informações não pode, com o que eu nao concordo, (antes que você me atire pedra), mas hackear uma conta de conversa particular de duas ou mais pessoas, com a agravante que se trata de autoridades, pode? Ora, que porcaria de senso de justiça é esse? Ora se a intenção é boa, a ação deve ser legal. Se a ação é legal ela se presta a um bom objetivo. Mas em se dando espaço para esse tipo de reportagem baseada em dados crackeados não me parece se prestar a um bom objetivo. E tudo para enlamear a reputação alheia, destruir a credibilidade de outras pessoas? Que tipo de jornalismo é esse? É para isso que se presta o jornalismo, repito?

Os documentos do The Intercept não têm valor nenhum em meu entendimento simplesmente porque eles foram produzidos de forma ilegal, imoral e indecorosa. Quem der razão a um ato como esse só pode estar, mal intencionado. Se a moda pega ninguém poderá reclamar se um dia for vítima do mesmo crime porque, afinal das contas, pau que bate em Chico, bate em Francisco também.

Outra pergunta que faço no afã de tentar clarear todo esse imbróglio é: Quando esse crackeamento foi realizado? Sim, porque o Lula, por exemplo, um dos que estavam no radar da Operação Lava Jato, já está na cadeia há um ano. Se o hackeamento foi feito naqueles tempos em que o ex-presidente era investigado, porque o hacker não agiu? Será que ele ficou tentando negociar com alguém para ver quem pagava mais por seus serviços.

Assim, parece-me que agora, num ato tresloucado, alguém resolver pagar pelo serviço sujo. E conseguiram uma via de acesso; Glenn Greenwald. Sim, um jornalista reconhecido e premiado. Um americano. Não poderia ser outro. Mas esse tal Glenn Greenwald é um sujeito digno de crédito? Pelo que li, trata-se de uma pessoa controversa, um oportunista e em meu entendimento, de tudo que li, o que ele quer é visibilidade e grana. Não sei se é verdade ou não (está difícil acreditar em quem quer que seja hoje em dia), mas li em outro órgão de imprensa na Internet, que ele ofereceu os tais grampos à Globo e que a Globo não aceitou porque não conhecia o teor da tal operação de hackeamento.Ao analisar todo o conjunto dessa obra cheia de espetáculo que mais parece uma novela, ou seja, o tal The Intercept informa que irá, à conta gotas, publicar mais do que tem em mãos e o faz de forma sensacional do tipo: – Vocês não perdem por esperar as novas revelações, os novos capítulos.

Aqueles que amam a legalidade dirão como eu: Não vou ler e nem ouvir uma vírgula disso. Isso foi conquistado de forma ilegal, imoral e indecorosa. Não leio cartas e nem dou créditos a documentos anônimos. Podem publicar dez quilos, não lerei, sequer, cem gramas.

Isso parece aquela história do moço que disse à moça na hora de pedi-la em casamento: – Amo você e nunca amei outra pessoa assim, desse jeito. Sou um sujeito trabalhador, ordeiro, bom filho. Pago minhas contas em dia, tenho boa condição financeira, sou um cavalheiro. Eu só tenho um pequeno defeito que espero, diante de tantas virtudes, você suporte. A moça então toda animada perguntou: – Mas que pequeno defeito é esse meu querido?  Bem – disse ele – eu tenho o hábito de mentir, mas estou mudando.

Lendo tudo e ouvindo várias partes e ângulos desse angu sem caroço, chego à seguinte conclusão: Esse cara, Glenn Greenwald devia ser preso e deportado. Deveria ser colocado para fora do país. Ele é um atentado contra a privacidade e a estabilidade política de uma nação. Ele é um terrorista. Ele não está nem aí para o povo brasileiro. Ele não quer justiça! Ele quer é aparecer. Então que apareça lá no país dele porque aqui ele não deveria ter nenhuma oportunidade de trabalho e nem visibilidade. Mauro Naves foi colocado no gancho no departamento de esporte da Rede Globo por bem menos e esse estrangeiro vem aqui, comete um crime, enchafurda ainda mais o país no caos e fica dando entrevistas para emissoras de rádio? É isso?

Repito: Prendam-no porque ele é um criminoso em minha opinião. Que Sergio Moro e todos os envolvidos cobrem indenização por danos e perdas morais e depois que ele pagar, coloquem-no em uma avião, algemado e acompanhado da Polícia Federal e descarreguem-no lá nos USA.

Podem ter a mais absoluta certeza que lá ele será tratado com muito juízo.

Quando alguma notícia provoca muitas perguntas, ela não é informação. A boa informação, a notícia feita pelo bom jornalismo, é aquela que não usa de subterfúgios, de maquiagem e nem de bijuterias. Alguém já disse com muita propriedade e isso eu aplico aqui nessa questão: Não basta você ser honesto…você tem que parecer honesto. Perdoe-me, senhor Glenn Greenwald, seus métodos não são honestos, então não tente se apresentar como jornalista porque em o fazendo, tu depões contra essa classe.

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