Envenenamento em massa de animais domésticos deixa moradores de São Luís em alerta

á se somam 18 mortes de bichos de estimação em São Luís nas últimas semanas. Segundo os donos, o veneno teria sido jogado para dentro da casa por cima do muro

Por: Giovana Kury08 de Julho de 2019149

Já se contabilizam 18 animais domésticos – somando-se gatos e cachorros – mortos por envenenamento nas duas últimas semanas em São Luís. Segundo moradores de três diferentes bairros da ilha, pacotes de raticida foram jogados por cima do muro de suas casas com o objetivo de matar os bichos de estimação. A recorrência da situação deixou donos de animais em estado de alerta.

Os relatos dos três moradores que passaram pela situação foram similares: o veneno para ratos da marca Nitrosin, com aroma de carne, teria sido jogado para o interior da casa e atraído os animais de estimação. O caso mais marcante foi no bairro do João Paulo, onde 17 gatos do mesmo dono morreram após ingerirem a raticida. Os outros dois foram registrados no Renascença I e Planalto Vinhais II.

“Não tem como resolver, pois já perdi minha cadela. Mas quero descobrir quem está fazendo isso”, afirmou a esteticista Amanda Matias, do Renascença I. Na noite de 27 de julho, perdeu sua cadela da raça American Bully para o veneno. O Boletim de Ocorrência foi registrado na delegacia do bairro. Segundo ela, não poderiam ter sido vizinhos, pois estavam viajando.

“Uma coisa dessa não tem como descrever. Tenho 10 cachorros, agora 9. Participo de várias ONGs e é triste”, desabafou a esteticista. “Sinceramente, acho que foram pessoas que não gostam de bicho, que querem exterminar. Principalmente nesses lugares que ajudamos, o que mais vemos é isto: gente perversa, que faz isso só para maltratar o animal. Sem nenhuma razão aparente”.

Larissa dos Santos, advogada, passou por uma situação similar na manhã do dia 30. Ao acordar, encontrou seis pacotes do mesmo pesticida abertos e espalhados pelo chão de seu quintal. Por sorte, seu gato não chegou a comê-lo.

“Peguei o Simba [nome do gato] e saí correndo, gritando e chorando”, relatou Larissa. Mesmo que não tenha havido morte neste caso, o B.O. foi registrado na Delegacia do Vinhais pela tentativa. “Se ele tivesse lambido, ele já tinha morrido. Eu vi porque acordei cedo. E se eu tivesse uma criança em casa?”, questionou.

Pacotes de Raticida encontrados na casa de Larissa. Nos três casos, a mesma marca de veneno foi utilizada. Foto: Arquivo Pessoal/Larissa Santos

A advogada Camilla Maia, membro do Núcleo de Defesa dos Animais da OAB, orienta que o ideal é levar o corpo do animal ao hospital veterinário para que se possa comprovar a morte por veneno e registrar o ocorrido na Delegacia do Meio Ambiente (DEMA), no Calhau.

“Já foi comprovado que pessoas que cometem maus tratos com animais tem potencial de fazer isso com seres humanos”, alegou a advogada. De acordo com ela, a delegacia deverá apurar o caso a partir de possíveis registros feitos por câmeras na rua, além da união com os casos similares. Na investigação, deverá ser constatado o número de pessoas e o objetivo por trás do ato.

A assessoria da Polícia Civil informou que todos os casos relacionados à morte de animais são encaminhados à Delegacia do Meio Ambiente para a devida apuração.

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