Grande circo da pilantragem (o cinema na era Bolsonaro)

Ipojuca Pontes

Mente-se muito sobre o cinema financiado com o dinheiro público no Brasil (a rigor, um desperdício com recursos sacados do bolso do indefeso contribuinte). É uma coisa mais que deplorável! No entanto, como na era Bolsonaro o governo ignora a verdadeira história do cinema brasileiro, e dispõe de pouco ou nenhum conhecimento efetivo sobre a questão, fica emparedado entre a mistificação ruidosa de corporações aparelhadas em defraudar os cofres do Estado e a insensibilidade de políticos, ministros e burocratas manipuláveis por militantes de larga tradição parasitária. De ordinário, as chamadas “autoridades competentes” vivem acuadas ou são coniventes com a trampa armada há décadas em torno de um grande circo bufo, requintado em justificar, no entra e sai de governos, a encenação abjeta. (Sei do que falo, pois fui produtor e diretor de cinema por mais de 30 anos e dirigi a pasta da Cultura no Governo Collor, quando ajudei a fechar as portas da corruptíssima e deficitária Embrafilme).

Pergunta-se: diante do engodo, como enfrentar a conjuração canalha que tem por objetivo se apossar de bilionários recursos públicos para fomentar, ao mesmo tempo, a pornografia disfarçada e a subversão escancarada?

A resposta é simples: dizendo a verdade. Por exemplo, o governo vem sendo acusado de proibir a produção de filmes como “Bruna Surfistinha” e similares. Verdade ou mentira? Mentira, mentira sórdida. O governo não proíbe que se produza qualquer tipo de filme, desde que o faça com dinheiro sacado bolso do dito produtor. De resto, por que o governo deveria financiar fitas de carregação ou de apelo pornográfico com o dinheiro do Erário, especialmente num País carente de recursos para enfrentar problemas graves e prementes? Para alimentar com milhões a algibeira de alguns? Para afrontar a vontade da população que não quer ver seu dinheiro metido em patranhas?

Outro dever do governo, no momento, é desmentir, com dados concretos, a cínica invencionice de  que o cinema brasileiro, de platéia rala ou inexistente (vide, por exemplo, o vexatório fracasso do milionário “O Grande Circo Místico”, do badalado Diegues), emprega 300 mil trabalhadores – uma lorota forjada para desinformar a população e confranger políticos sem discernimento ou sequiosos de “prestígio fácil”.

Agora mesmo, o governador do Rio, Wilson Witzel, pressionado pela camarilha pediu a Bolsonaro, via jornais, para ele “reconsiderar” a transferência para Brasília da sede da corrupta Ancine, há anos manobrada pelo PCB, antro comunista que só encontra paralelo na prática subversiva da UNE ou no MST do terrorista João Pedro Stédile, um esbirro de Lula.

(Sem tomar tenência, essa malta levou o político Witzel a acreditar que o cinema brasileiro era importante para “fomentar o turismo” – claro, outra mentira desavergonhada, pois o cinema nacional, salvo exceção, voltado para confecção de filmes de “denúncia social” (eufemismo para a exaltação do banditismo e da glamourização do narcotráfico, em especial no Rio de Janeiro) é justamente um dos “cartões postais” pelos quais o turista estrangeiro foge do Brasil em demanda do Peru, por exemplo, cujo índice de fluxo turístico ultrapassa o do Brasil em quatro vezes).

No que tange à questionada lei de incentivos fiscais para o cinema (que gerou um monstro insaciável na comilança do dinheiro público), quem a criou foi o ministro do Planejamento do governo Castelo Branco, Roberto Campos.

O negócio foi assim: Campos era casado com D. Stella, que tinha um irmão, Flávio Tambellini, cineasta paulista, por quem o ministro do Planejamento guardava afeto. Pois bem: Tambellini, o cunhado, “não descansou” enquanto não conseguiu que Roberto Campos arrumasse um decreto-lei, em novembro de 1966, para abrir a torneira do “dinheiro fácil” advindo da retenção da remessa de lucros do filme estrangeiro, encarada por ele, depois, como uma “entropia burocrática” – coisa da qual o ex-ministro viria a se arrepender, segundo relata no seu livro de memórias “Lanterna nae Popa” (Topbooks, Rio, 1994). Por pura ironia, revela, os “ideólogos do cinema novo”, todos comunistóides, “se insurgiram contra a medida”.

(Assim, ao contrário do que repetem hoje os mamateiros LC Barreto e o seu parceiro Diegues, a criação da “taxa” de incentivos fiscais não foi originária do cocuruto de Reis Veloso, para muitos um “burocrata prosaico”. Para mim, por exemplo, o piauiense na passava de simples “mula” da dupla Geisel/Golbery (este, o “gênio da raça”, apud Glauber Rocha), falidos malabaristas da “política da descompressão”, eufemismo para justificar o dinheiro aliciador distribuído na “área cultural”).

Enfim, rescaldo do ato pró-familiar de Roberto Campos ou mesmo da malícia ditatorial da dupla Geisel/Golbery, o fato é que os valores da renúncia fiscal controlados pela corrupta Ancine (órgão criado em 2001 por Medida Provisória no desgoverno do submarxista FHC) são recursos oriundos dos impostos pagos pelas empresas privadas – e que deveriam ir, prioritariamente, para os cofres do sempre necessitado Erário (que. pela Constituição, reune todos os bens do tesouro nacional).

De minha parte, como observador da trajetória da fraude que de há muito deveria ter sido extinta, acredito que Bolsonaro, líder admirado pela maioria dos brasileiros em razão da coragem e do espírito de luta, não se deixará curvar diante das pressões histéricas de corporações que só querem viver no bem-bom de bilionários recursos públicos – e, o que é pior, açuladas por uma imprensa inimiga que labora dia e noite para desmoralizá-lo e destruí-lo.

Em suma: para vencê-los, basta Bolsonaro manter viva a legenda “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”!

Simples assim.

PS 1 – Antes tarde do que nunca. Para romper o cerco da mentira organizada, o ministro Osmar Terra, da Cidadania, concedeu entrevista às Paginas Amarelas, da Veja, e restabelece a verdade, Diz ele: – “Mais da metade dos filmes brasileiros não têm nem 1000 espectadores. Eles são malfeitos, normalmente usados para fazer proselitismo político, mas recebem, em média, entre 4 e 5 milhões de reais de incentivos. Dos 170 filmes bancados por esses incentivos fiscais no ano passado, 164 praticamente não tiveram bilheteria nenhuma. Alguma coisa está errada. Gosto de cinema. Um dia, fui ver um desses filmes financiados pela Ancine e havia apenas 3 pessoas na sala. Não é à toa que eles não têm plateia. São muitos ruins. Para completar, identificamos 3500 filmes com prestação de contas irregular”.

O ministro Terra não sabe da missa um terço. Certa vez, um ideólogo do “cinema novo”, comunista, me disse que a permanente expansão da produção de filmes financiados pelo Estado, mesmo sem público, era caso estudado. Servia para aumentar o exército de militantes dentro do setor e levar o Estado burguês à crise. “Quanto pior, melhor” – dizia com convicção.

O ideólogo, marxista-leninista, gabava-se de ter introduzido a política do “centralismo democrático” na hierarquia do cinema caboclo.

PS 2 – O papo de fazer filme sobre Bolsonaro com dinheiro público é pulhice. Bolsonaro não é Lula que, por vias indiretas, deixou que arrombassem os cofres públicos para fazer “Lula, o Filho do Brasil”, colossal fracasso de público e crítica.

Voltaremos ao assunto.

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