Hoje na História: É fundada a Coreia do Norte, um dos países mais isolados do mundo

Considerado um dos países mais isolados do mundo, a Coreia do Norte foi fundada em um dia como este, no ano de 1948. Embora seu nome oficial seja República Popular Democrática da Coreia, o país vive sob uma ditadura totalitarista liderada por uma única sigla, o Partido dos Trabalhadores da Coreia. Uma das principais marcas do regime é o intenso culto à personalidade em torno de Kim Il-sung  (primeiro líder do país) e sua família.

A história da Coreia do Norte começa quando acaba a Segunda Guerra Mundial, em 1945. Naquele ano os japoneses foram expulsos da península coreana pela guerrilha liderada por Kim Il Sung e área foi ocupada pela URSS e pelos Estados Unidos. Os soviéticos estabeleceram-se ao norte do paralelo 38 e as forças dos EUA ao sul. Formaram-se dois países divididos que reclamavam o direito sobre toda a península, cada um proclamando ser o legítimo representante do povo coreano.

No sul, Syngman Rhee, um oponente do comunismo que havia sido apoiado e nomeado pelos Estados Unidos como chefe do governo provisório, venceu as primeiras eleições presidenciais da recém-declarada República da Coreia, em 1948. Ao norte, no mesmo ano, o ex-guerrilheiro anti-japonês e militante comunista Kim Il-sung foi nomeado primeiro-ministro da República Popular Democrática da Coreia.

Logo depois, os líderes do norte e do sul começaram uma repressão autoritária a seus oponentes políticos dentro de sua região, cada um buscando a unificação da Coreia. Inicialmente os Estados Unidos negaram o fornecimento de suporte militar à Coreia do Sul, mas o exército da Coreia do Norte conquistou o apoio da União Soviética. 

A Guerra da Coreia começou quando as forças armadas da Coreia do Norte invadiram o Sul, em 25 de junho de 1950, e rapidamente dominaram a maior parte do país. Uma força das Nações Unidas, liderada pelos Estados Unidos, interveio para defender o Sul e avançou rapidamente para a Coreia do Norte. Os combates terminaram em 27 de julho de 1953, com um armistício que restaurou as fronteiras originais entre os dois países. Aproximadamente 3 milhões de pessoas morreram no conflito.

Uma zona desmilitarizada fortemente protegida ainda divide a península, e um sentimento anticomunista e anti-Coreia do Norte permanece na Coreia do Sul. Desde a guerra, os Estados Unidos mantêm uma forte presença militar no sul, classificada pelo governo norte-coreano como “uma força de ocupação imperialista”.

Na Coreia do Norte os meios de produção são de propriedade do Estado, que possui empresas estatais e fazendas coletivizadas. A maioria dos serviços, como saúde, educação, habitação e produção de alimentos, também é subsidiada ou financiada pelo Estado. O país segue a política Songun, ou “militares em primeiro lugar”, com um total de 9.495.000 de pessoas entre soldados ativos, na reserva e paramilitares.

O governo segue a ideologia juche, introduzida na constituição por Kim Il-sung em 1972. Essa ideologia é vista pela linha oficial norte-coreana como uma personificação da sabedoria de Kim Il-sung, uma expressão de sua liderança e uma ideia que fornece “uma resposta completa a qualquer pergunta que surgir na luta pela libertação nacional”. Várias organizações internacionais apontam que graves violações de direitos humanos na Coreia do Norte são comuns e tão severas que não têm paralelo no mundo contemporâneo.

A Coreia do Norte apresentou bons índices de desenvolvimento econômico e industrial após graças à ajuda da URSS, mas a partir da crise do petróleo que surgiu nos anos 1970 o país parou de crescer.  A situação se agravou após o fim do regime soviético, no início dos anos 1990. De 1994 a 1998, o país sofreu uma crise de fome que resultou na morte de milhares de pessoas (entre 240.000 e 420.000 norte-coreanos), sendo que a população continua a sofrer de desnutrição. 

Kim Il-sung morreu em 1994. Seu filho, Kim Jong-il, assumiu o comando do partido dos trabalhadores norte-coreano em 1997, e seguindo a linha do pai, opôs-se à abertura econômica do país, inflando gastos com o setor militar, possivelmente para barganhar algo dos inimigos políticos. Em dezembro de 2011, Kim Jong-il morreu de ataque cardíaco. Depois disso, seu filho mais novo Kim Jong-un se tornou o comandante do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e, por consequência, presidente do país.

O controle que o governo norte-coreano exerce sobre muitos aspectos da cultura do país é usado para perpetuar o culto à personalidade em torno da Dinastia Kim.  Enquanto visitava a Coreia do Norte em 1979, o jornalista Bradley Martin escreveu que quase todas as músicas, obras de arte e esculturas  glorificavam o “Grande Líder” Kim Il-sung, cujo culto à personalidade estava sendo estendido a seu filho, o “Estimado Líder” Kim Jong. Atualmente, Kim Jong-un também é alvo dessa glorificação.

A mídia da Coreia do Norte está entre as mais controladas do mundo. A constituição prevê nominalmente a liberdade de expressão e a imprensa. No entanto, o governo proíbe o exercício desses direitos na prática, a menos que seja um elogio ao país, ao governo ou ao líder. O governo não apenas controla rigidamente todas as informações que entram e saem do país, mas também procura manipular as informações a seu favor. A agência de notícias estatal é a única fonte de informação da Coréia do Norte.

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