Só a ruptura lava

José Maurício de Barcellos

Desde a época do mensalão, que teve início em julho de 2005, portanto há 14 anos, quando os homens de honra deste País desencadearam uma luta sem trégua contra os vermelhos ladrões, muita coisa ocorreu, mas lamentavelmente o povo dos morros, dos guetos e do sertão ainda continua pisando nas valas negras, morrendo nas filas do SUS, apanhando na cara dos facínoras do tráfico, sem escola de qualidade, alvo dos políticos corruptos e sem o mínimo para prover com dignidade sua mantença.

Àquela realidade se contrapõem o descaso; a doente insensibilidade; o perverso desprezo, bem como, também, a vida de fausto e de regalias de uns poucos “Chupins da República” e seus lacaios aqui tipificados tanto por um calhorda do “Mistério Público” que ousou dizer que sua polpuda remuneração vinte vezes maior do que o salário mínimo vigente representaria verdadeiro “miserê”, quanto pela “vermelhice” de uma Procuradora Geral que, não satisfeita em solapar a Operação Lava Jato por toda sua medíocre gestão, ainda deixou a função dedicando seu triste legado a incensar uma provinciana politiqueira, vitima do crime que sempre defendeu ou pela covardia de uns vendidos da extrema imprensa que se lixam para a sorte da nossa gente sofrida e quejandos. Esta é a nossa realidade, impossível de ser escamoteada.

Compreenda-se como chegamos a este ponto. Depois da era “Lava Jato”, uma situação resultou clara e insofismável: “acabou no Brasil a absoluta certeza da impunidade para os ricos e para os poderosos”, porém sem dúvida que perdura a convicção no sentido de que a aplicação efetiva da pena para quem rouba, malversa ou desvia dinheiro público configura uma hipótese tão remota que, inobstante todo o esforço desta Nação para se livrar da corrupção e do crime organizado, ainda traz para o infrator uma sensação de conforto e alívio que se equipara à própria maldita impunidade. Este cenário decorre de uma contradição interminável, qual seja o crime acaba compensando porque a lei penal não foi feita realmente para punir, mas basicamente se destina a proteger, a acobertar ou a livrar o transgressor, antes mesmo de qualquer outra situação. Assim, não se pode em primeiríssimo lugar apontar nosso Judiciário, venal e moroso, como o fator mais importante para perpetuação deste descalabro, porque é o próprio ordenamento e o processo que dele decorre que se encontram na raiz desta chaga em nossa sociedade.

Descendo a algum nível de pesquisa, vamos constatar que na origem daquele grave problema que desgraçou o Brasil, situa-se o princípio da “presunção de inocência” – que a maioria das Constituições brasileira consagrou – extraído da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, do séc. XVIII, e, posteriormente, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que dizia: Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não se prova sua culpabilidade, de acordo com a lei e em processo público no qual se assegurem todas as garantias necessárias para sua defesa. A produção da prova não tem prazo para se esgotar; o processo que dela depende não tem um limite eficaz e, por via de consequência, a aplicação da pena se esvai na poeira do tempo.

Pouco importam ao homem comum, isto é, ao povão de um modo geral de quem todo poder emana, as matérias de alta indagação que permeiam aquela questão, quer no campo do direito quer da filosofia ou da sociologia. O cidadão que paga a pesada conta dessa patifaria sem fim com a qual se protege os privilegiados apenas suporta o pesado ônus desta injustiça sem par. Se fez muito até aqui, evoluímos bastante, corrigimos algum rumo e prumo, mas o máximo que conseguimos nos dias de agora revela com nitidez que se o pobre roubar um pouco ou traficar para ter o básico para seu sustento vai em cana e lá fica até virar malfeitor sanguinário, porém o rico que rouba bilhões dos cofres públicos se preso for e provisoriamente, logo é posto na rua para gozar do produto do roubo e assim permanece até que o crime prescreva ou que venha a ser absolvido por falta de provas.

A esquerda delinquente roubou um trilhão de reais do Brasil pelas mãos de milhares de maus brasileiros e de vendilhões da Pátria. A consequência até agora é que, além de uma meia dúzia de “petralhas”, de vermelhos e de alguns nababos da máquina pública que desgraçaram o Brasil, muitos poucos estão processados e presos. Ainda outro dia o “Ogro Encarcerado” gritou lá do xilindró que ele estava preso, mas que os canalhas estavam soltos. É evidente que o patife mor errou no diagnóstico porque têm canalhas como ele também na cadeia, mas a bem da verdade diga-se que o bruto não podia representar, nesta altura dos acontecimentos, apenas um pequenino grupo de larápios. Com ele deveriam estar na “tranca dura” todos os conhecidíssimos membros das quadrilhas de Sarney a Temer e exemplificando: Collor, Ciro Gomes, FHC e seus filhos, Serra, Aloisio Nunes, Aécio Neves, Fernando Haddad, Rui Falcão e os próceres do PT, Gleisi Hoffman e seu marido Paulo Bernardo, Lindbergh Farias, Mantega, Gilberto Carvalho, Fernando Pimentel, Franklin Martins, Ricardo Berzoini, Celso Amorim, Jaques Wagner, Humberto Costa, Beto Richa, Ciro Nogueira, Mário Negromente, Renan, Jucá, Edson Lobão, Valdir Raupp, Roseana Sarney, bem como assim já deveriam estar processados como inimigos da Nação Verde e Amarela os vermelhos do PCdoB, do PSOL, do MST, dos Sindicatos, das vendidas entidades de classe e quejandos. Ainda falta muita gente naquela carceragem.

É justamente por conta disso e com essa perspectiva que a grande maioria dos poderosos está convencida que morre de velho, mas não vai para a cadeia. É se fiando nesta realidade que rompem os tempos inabalavelmente aqueles que vitimaram milhões de brasileiros e, creiam, dormem tranquilos. Por qual razão essa gente continua afrontando 60 milhões de patriotas? Alguém acha que Gilmar de FHC, Toffoli de Lula, Lewandowisk de Lula, Marco Aurélio de Collor, Celso de Mello de Sarney ainda estariam desafiando diuturnamente o brasileiro de honra se não estivessem respaldados neste sistema carcomido, podre, corrompido e lesivo à Nação ou se não tivessem a proteção daquele código de agasalhar bandidos que os socialistas e os comunistas chamam de “Constituição do Brasil” e mais do isto, se não contassem incondicionalmente com a “jornadalha” vermelha ou com os “Barões da Comunicação”; com os ex-associados e comensais dos cofres do BNDES; com a canalha do Foro de São Paulo, com os dinheiros guardados nos cofres dos ditadores da “América Latrina” e de África; com o velado respaldo do crime organizado e tudo o mais que têm a sua disposição?

Vibrei intensamente quando o lado bom do Congresso Nacional conseguiu as 27 assinaturas para requerer a instalação da CPI do Judiciário (CPI da Lava Toga), não porque tenha a esperança de que dê na prisão de toda banda podre do STF, pois isto não ocorrerá, mas porque já representa uma derrota para os contras. Ainda que o Senado investigue e vá fundo na roubalheira, no desmando e na corrupção praticada por aquela corja, terá que enviar tudo para o Ministério Público e este quando denunciar – e com este novo PGR vai realmente denunciar – terá que mandar tudo para o próprio Supremo julgar. Alguém é tão ingênuo a ponto de esperar que o STF condene algum dos seus? Duvido e faço pouco.

Talvez melhor chance se tenha com os processos de impeachment dos Ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes requeridos por Janaina Pascoal e pelo valente professor Modesto Carvalhosa, a serem instaurados no Senado que, por sua vez, poderá investigar e decidir a vida não só “dos amaldiçoados capas pretas” apontados, mas de outros também que vierem a ser acusados. Mesmo aqui não sei se e quando se fará justiça. No meu sentir muito pouco se conseguirá. No máximo o legislativo vai repetir o que fez com a “Anta Guerrilheira”: a retiraram da Presidência, mas deram a ela a chance de voltar à vida pública e lhe encheram de vantagens, custeadas com os dinheiros arrancados dos bolsos magros dos operários.

O fantástico Movimento Popular Revolucionário-MPR-2018, que no ano passado deu início à grande mudança com a força de mais de três milhões de patriotas tingindo o Brasil, de norte a sul, com as cores de verde e amarelo, acaso não tivesse sido solertemente flanqueado pela classe política abjeta e por seus comparsas na sociedade civil, certamente já teria resultado na reforma da Constituição do Brasil; nas reformas de base que ora estão se arrastando pelo legislativo; no expurgo da banda podre dos Tribunais Superiores e do Congresso Nacional; na prisão de quem quer que tenha roubado dos cofres públicos; no confisco dos bens e dos dinheiros desta gente que são produtos do crime; na aniquilação do tráfico e na dizimação do crime organizado; na reformulação absoluta da máquina pública burra, incompetente e corrupta, a partir da redução drástica do tamanho do Estado e com a extinção sumária das grandes remunerações, de seus códigos de privilégios e de vantagens; com enquadramento do odioso sistema financeiro nacional obrigando-o a atender o País e não explorá-lo; no incentivo desmedido à produção e à geração de empregos e muito mais.

Daria um braço do corpo para ver este novo Brasil que a ruptura promovida pelo povo rebelado enfiaria goela abaixo dos patifes da vida pública. Para desfrutar deste cenário mais sacrifício faria ainda para ver a cara dos chefões das agremiações de bandidos travestidas de partidos políticos brancos de medo enquanto esperavam a vez de pagarem pelos crimes que infelicitaram mais de 20 milhões de brasileiros e todo o establishement corrupto tremendo de pânico. Além da nossa Operação Lava Jato, a rigor não precisaríamos mais de lava isso, lava aquilo, impeçam isto, impeçam aquilo. Depois de posta a casa em ordem e restabelecido o progresso, qual peçonhento mandarim ou nababo da República; qual deformador de opinião da imprensa sórdida; qual esperto Barão da Comunicação; qual cacique político; qual empresário corrupto ou banqueiro sanguessuga ousaria colocar sua carantonha de fora? A Nação brasileira e seu povo estariam vingados e nossa gente passaria a ter, pelo menos, uma vida condigna neste Brasil riquíssimo.

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