Gerações em conflito

João Teodoro da Silva

Para melhor entender as relações pessoais e profissionais entre gerações, estudiosos dividiram-nas em faixas temporais, as quais determinam diferentes contextos históricos, comportamentais e linguísticos. As quatro gerações mais recentes, e que interessam a esta reflexão, foram denominadas BB (Baby Boomers), X, Y (Millennials) e Z.
O termo Baby Boom identifica uma época de alta natalidade (boom), após a Segunda Guerra Mundial, especialmente nos países que dela participaram. A geração X foi assim chamada pelo fotógrafo Robert Capa (EUA), para designá-la como desconhecida, incógnita, sem identidade aparente, espelhada nos hippies, punks e outras influências. As gerações Y e Z são a sequência alfabética. A próxima geração está sendo chamada de Alpha.
Embora haja certa discordância entre os estudiosos, as gerações por faixa temporal estão assim divididas: nascidos entre 1945 e 1964, Baby Boomers; entre 1965 e 1980, geração X; entre 1981 e 1996, geração Y (Millennials); e de 1997 em diante, geração Z. No passado, as gerações eram consideradas a cada 25 anos. Agora, a cada 15 ou até 12 anos, em função do avanço tecnológico e da informação, que transfiguram as relações familiares, profissionais e de consumo, embora não mudem a mentalidade de gerações passadas.
Nos próximos anos, três ou quatro gerações (BB, X, Y e Z) se encontrarão no ambiente profissional e consumista. Os BB são a geração analógica, do “cara a cara”, do contato pessoal direto. A geração X viu o festival de Woodstock, o homem chegar à Lua; viu nascer o computador pessoal, a Internet e o celular. Viu o mundo mudar, mas continua incógnita. A geração Y nasceu na plenitude da tecnologia: Internet, TV a cabo, videogames. A geração Z já nasceu digital e, como a geração Y, domina as redes sociais e, por elas, dispensa o contato pessoal direto.
Se considerarmos 18 anos o tempo médio de cada geração, e a longevidade média do brasileiro, que está em 76 anos, é forçoso admitir a coexistência de três ou até quatro gerações distintas. Mas cada uma tem suas próprias características históricas, comportamentais e de linguagem. Por isso, é inevitável o conflito entre elas, seja no campo pessoal ou profissional. O desafio é: como administrar tais conflitos e conciliar interesses de gerações tão distintas?
No mercado imobiliário não é diferente. Como atender a clientela tão diversa entre si com uma mesma estrutura de gestão, marketing e venda? Como acolher, e administrar, numa mesma empresa, trabalhadores de perfis tão diversos? A resposta à primeira pergunta está na segunda: estrutura de atendimento perfilada com o perfil da clientela. Para isso, entretanto, a empresa tem de ser comandada por alguém com talento digital. Um bom talento digital não precisa ser designer, desenvolvedor de software, programador de algoritmos ou expert em tecnologia. Basta ter atitude de comando e mente inovadora e integrativa.

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