GRANDES BATALHAS SÓ SÃO DADAS A GRANDES GUERREIROS

Vittorio Medioli
O Tempo

Mahatma Gandhi notou que “grandes batalhas só são dadas a grandes guerreiros…” Pessoas forjadas em outras vidas, capazes, quando chamadas, de enfrentar obstáculos majestosos, inconcebíveis para um simples mortal.

Como existe um mal devorador e triunfante, também a natureza divina se permite formar uma força para obstá-lo e evitar que tome conta de tudo. O mal, em si e por si, é estulto. Sempre exagera, superestima-se, não avalia que um dia será humilhado. Não conhecendo o que é o amor, que não sabe praticar, falta-lhe até amor-próprio para se preservar. Vence e devora enquanto pode, até que uma força contrária o liquide.

Disse o Mestre: “Não resistais ao mal…” Deixai que, como filho de Saturno, o mal se arrogue a invencibilidade, acabe devorando seus filhos e chore sua solidão.

Mesmo avisado de que melhor seria parar, costuma não compreender e se complicar. Faz contas rasas. O mal, no fundo de si, sempre desconfia que seu fim será terrível, como de regra é.

GRANDE GUERREIRO

Quando não consegue por si só dar-se um basta, o mal esbarra num “grande guerreiro” vestido de humildade, esse que o Mahatma Gandhi reconhece forjado para as Grandes Batalhas.

O sábio indiano, que conduziu seu povo à liberdade, explicou que o “grande guerreiro” relutará, se furtará enquanto for possível; ciente do sofrimento que está por vir, tentará de tudo para se afastar da luta. Cederá a capa, as moedas, o prato, mas depois se entregará de corpo e alma para a batalha. Para vencer ou morrer.

Como Arjuna no Bhagavad-Gita, aceitará enfrentar até os irmãos se a causa for justa, aceitando o ensinamento de Krishna de assumir seu dever e sua responsabilidade.

Como a circunstância deixa inevitável ao búfalo entrar no pântano, o “guerreiro” entrará na batalha. A ela se dará por inteiro.

NUNCA ABATIDO

O abade Constant, referindo-se ao personagem “imprescindível”, como poderia se referir ao “grande guerreiro”, explicou: “… podeis vê-lo muitas vezes triste, nunca abatido ou desesperado… muitas vezes pobre, nunca envilecido nem miserável… muitas vezes perseguido, nunca acovardado nem vencido. Porque ele se recorda em cada momento da morte solitária de Moisés, da condenação de Sócrates, do martírio dos fiéis, das torturas de Apolônio, dos cravos aplicados ao Salvador”. Ainda consegue recordar as chamas que consumiram Giordano, o tiro covarde que findou Gandhi.

Isso não o faz desistir, recorda-se sempre de que a missão, quanto mais gloriosa, mais passará perto do trágico cume do Calvário.

O “guerreiro” ficando “grande”, assim como Jesus ficou Cristo, se desapega, se faz consciente de que sua vida não será longa ou fácil, apenas acredita, como lhe prometeram, que valerá a pena. Da Tribuna da Internet.

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