“Deixem Deus em paz, Jesus em paz, Maomé em paz”

. Por Paulo Renato Coelho Netto*
Você se compadeceu com aquela história de Je suis Charlie? Eu não. Com fé não se brinca.
A cena de uma mulher crucificada na parada Gay em São Paulo é, no mínimo, de péssimo gosto.

Com a fé de cada um não se brinca. Respeita-se.

Fazer uma charge do profeta Maomé beijando a boca de um homem e ainda esperar flores como resposta é uma idiotice sem tamanho.

Erra quem desenha. Erra quem mata.

Deixem Deus em paz, Jesus em paz, Maomé em paz. “Dê uma chance à paz”, lembra?

Deixem em paz os tibetanos, os budistas, os crentes, os franciscanos, os carmelitas, os coroinhas, as mães e pais de santo, os jesuítas e os índios que veneram Tupã.

Faz pouco tempo que o papa Francisco fez uma declaração histórica sobre homossexualidade: “Quem sou eu para julgar os gays? Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”.

Não me considero e não sou careta. Sou jornalista há 25 anos e reconheço, pelo menos até que me provem o contrário, que existem sim limites que precisam ser respeitados.

Há quem defenda que restringir sátiras sobre religião seria apenas o início para outras tantas proibições. A tese foi uma das levantadas quando aconteceu a chacina no tabloide Charlie Hebdo, em janeiro deste ano, em Paris.

Da minha parte, acredito que a ignorância não tem cor, idade, nacionalidade, grau de instrução ou orientação sexual.

Como o tema religião é de foro íntimo, tão íntimo que não deveria ser discutido a esmo ou panfletado, talvez a gente devesse começar a respeitar outras coisas no cotidiano para aprender sobre respeito.

Atravessar na faixa de pedestre é uma delas. Simples: o pedestre espera o sinal fechar para os carros, aguarda sua vez e segue adiante, seguro, seu caminho.

Não conversar no cinema como se fosse a sala da sua casa é outra dica.

Desligar o celular também é uma maneira educada, de respeito e convivência não só no cinema, mas no teatro, em cultos religiosos, concertos de orquestras, apresentações de balé e até em velórios. No avião, nem pensar por favor.

Não é porque o time de futebol perdeu que se ganha o direito de matar o torcedor adversário a pauladas no meio da rua ou onde quer que seja.

Não é porque você acha seu time o melhor do mundo para torcer que todo mundo vai ter que fazer o mesmo. Pense: se todos fossem palmeirenses, qual a graça de jogar contra o Corinthians?

Não é porque você é petista que todo brasileiro tem que pensar igual aos simpatizantes do partido.

Tem quem goste de outras opções e até quem não goste de ninguém, que luta pelo direito de votar em branco e não ser obrigado sair de casa para votar.

Aliás, o que sabemos sobre democracia até agora? Todo eleição é uma guerra na internet, uma baixaria sem fim.

Penso que se é um direito votar o voto não precisa ser obrigatório e se for obrigatório deixa de ser um direito para se tornar um dever.

Enfim, é só um jeito de pensar. O meu. Simples assim.

Um gosta de azul, outro do preto, outro do vermelho, outro do amarelo, outro do branco e outros gostam de algumas cores misturadas com outras cores, que viram outras cores.

Não tente, por favor, convencer alguém a não comer carne de porco só porque você não gosta ou não pode. Faça o mesmo com o palmito, tomate, aspargo, sashimi, churrasco, feijoada, macarrão, lagosta e quiabo.

Aproveite e não critique vegetarianos ou veganos.

Não é o que você come, fala ou bebe que te torna diferente. É o que você faz.

Cada vez mais me convenço que tudo começa pela educação. O respeito vem naturalmente.

Então, vamos lá para as palavras mágicas: dá licença; desculpe, por favor e obrigado. Há aqueles que preferem dizer grato no lugar de obrigado.

Aliás, desculpa qualquer coisa aí.

Paulo Renato Coelho Netto – Criador do Portal Top Vitrine, Paulo Renato é jornalista com pós-graduação em Marketing pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande (MS). É autor de nove livros, entre os quais “Mato Grosso do Sul”, obra em português e inglês e “Minha Vida Até os 40 – Uma biografia de João Leopoldo Samways Filho”. É coautor do livro “Campo Grande, Imagens de Um Século”, obra em português e francês. Foi roteirista dos filmes “Pantanal – Um Olhar sobre o Patrimônio da Humanidade”. Publicou seu primeiro livro aos 19 anos, “Ciência do Beijo”. Trabalhou como repórter no jornal Diário do Grande ABC, em Santo André (SP), e na sucursal em Campo Grande do jornal Gazeta Mercantil. Foi diretor e editor-chefe na TV Morena (Rede Globo) e TV Educativa de Campo Grande. Idealizou e implantou a TV UNAES – Centro Universitário de Campo Grande. Na mesma Instituição de Ensino Superior foi diretor da TV UNAES, responsável pelo site, pelo jornal O Centro e a Assessoria de Comunicação do Centro Universitário.

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