Rodrigo Maia ou Cármen Lúcia?

Blog do Noblat

O grande desempenho brasileiro nas Olimpíadas acontece fora das competições esportivas. Dá-se mesmo é no plano comportamental. Com o emocionante pedido de casamento feito por Eyna e com o casal Lili e Larissa. É a sociedade fazendo a sua parte, em matéria de conquista social. De avanço democrático.

Depois de anos de uma presidenta (é curioso que ninguém se lembre de que a palavra é empregada por Machado de Assis, comprovando assim que não somos um país de leitores) que não moveu sequer uma palha importante a favor das mulheres, algumas brasileiras entram em campo exibindo, sem medo e alegremente, suas escolhas amorosas e sexuais.

Quanto ao nosso desempenho esportivo propriamente dito, o futebol acordou (apesar dos açougueiros da Colômbia), mas não vamos bem. Acontece que, se alguns jogos apenas nos entediam, pior ainda é o que está acontecendo na política nacional. Aqui, sim: temos um jogo de cartas lamentavelmente marcadas.

Dilma já dançou, claro. Impeachment à vista. Um novo delator acaba de selar a sua sorte. Ela vai passar à história ao lado de Collor (governo corrupto e incompetente; presidentes retirados do cargo com a concordância explícita da grande maioria do povo brasileiro). Mas promete uma carta à Getúlio, sem a mínima noção do tamanho do ridículo.

Até aí, estaremos apenas na metade do jogo. Com delatores implicando tanto Dilma quanto o intragável Temer no jogo sujo – e antidemocrático – do caixa 2, o interino também já deve estar com seus dias contados. Logo, em princípio, a guilhotina estará caindo igualmente sobre o pescoço do pai de Michelzinho. Quando os mais nervosos sexistas poderão ensaiar um novo slogan: FORA TEMER, FICA MARCELA.

Bem. Com a queda de Temer – previsível e incontornável, pelo menos no mundo da lógica –, como ficamos? Se os políticos profissionais não querem saber de novas eleições, a perspectiva é a mais desanimadora possível. Teremos o jovem Rodrigo Maia na linha de frente, alternativa muito pouco estimulante.

Meu problema com Rodrigo nem é a idade, embora o ache demasiado garoto para o cargo, à Collor. É que ele não herdou a cabeça do pai, que tem um lado piradão, sim, mas sabe pensar por si mesmo, de modo ousado e aberto. Mas, se por acaso Rodrigo tiver um ataque de sensatez e não assumir, teremos a possibilidade de ser governados por Cármen Lúcia.

Seria um outro tipo de golpe: um golpe de sorte. E até Dilma poderia aprender o que é ter uma mulher de verdade comandando o país.

Pedro Kirilos (Foto: Agência O Globo)Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal (Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo)

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