Este filme já passou. E o final é conhecido

Rolo de filme (Foto: Arquivo Google)

Ricardo Noblat

Duas testemunhas de acusação serão ouvidas, hoje, pelo Senado na reta final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, a consumar-se na próxima semana. Seis, de defesa, serão ouvidas amanhã.

Elas repetirão o que já disseram em sessões anteriores do Senado destinadas ao mesmo assunto. Bem como se repetirão as perguntas que os senadores lhe farão, todos eles interessados em obter respostas favoráveis ou contrárias ao impeachment.

Dificilmente algo de novo virá à luz. Cumpre-se o ritual estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. Cada um dos 81 senadores já sabe como votará, embora meia dúzia deles ainda faça questão de esconder de público se votará a favor ou contra o impeachment.

Dilma só contou com 22 votos quando o Senado admitiu a instauração do processo. Mais recentemente, perdeu um dos 22 votos. Arrisca-se a só conseguir agora entre 18 e 20. Precisaria de 28 para não ter o mandato cassado nem os direitos políticos suspensos.

Ela mente quando diz que irá ao Senado se defender na próxima segunda-feira com a esperança de convencer senadores a absolvê-la. Não, ela não tem esperança alguma. Irá para viver o papel de presidente afastada pelo que ela chama de “golpe”.

Seu discurso, ali, será essencialmente político. Ela não falará para os senadores, mas para a História. E espera que a História a absolva do crime de ter gastado além do que o Congresso a autorizara, e do desastre de ler levado o país a uma terrível recessão.

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